domingo, fevereiro 14, 2010

ventarola

a questão não é nova para mim e por isso não é a primeira vez que penso no assunto - sim, também uso os miolos. raramente, é certo -. cada vez mais encontro pontos de desilusão nesta coisa de ser crescido.

tenho verificado que se há coisa que se vai perdendo com a idade é a capacidade de se encontrar motivos para nos ventarolarmos. e o que é isto? bom, todos - espero - conhecem a expressão «ganda ventarola!», não é? ora, ventarolar é isso mesmo, é a capacidade (possibilidade) de nos espantarmos com alguma pessoa ou situação.

antigamente era simples, éramos mais miúdos e as ventarolas pareciam estar ali ao virar da esquina: se o filipovic morava perto de nós, isso era uma ganda ventarola; se o pai do pedro lhe comprou um relógio digital (sem ponteiros, imagine-se! e em 1982.) que trazia um joguinho que consistia em apanhar o maior número possível de cocos que caíam do coqueiro, isso era uma ganda ventarola; se a teresa p. nos cravava um cigarro e retribuía com um beijinho, isso era uma ganda ventarola; se o mário, amigo dos meus pais tinha umas 24 cadernetas de cromos com as colecções completas, isso era uma ganda ventarola; se o paulo tinha estado num grupo, em tempos, no algarve, a contar anedotas até às quatro e meia (!) da madrugada, isso era uma ganda ventarola; se a rosa ia atrás de nós quando pegávamos no copo e nos dirigíamos para a varanda do seagull, isso era uma ganda ventarola; se o luis tinha visto os u2 em vilar de mouros, isso era uma ganda ventarola; se o carro do senhor carlos tinha um conta quilómetros que marcava 190 km/h, isso era uma ganda ventarola....

o tempo passa, todos nós, graças a deus, crescemos e relativizamos essas coisas todas. parece-me bem. contudo, há alguma inocência, alguma ingenuidade que se perde. ok, aceito que não há necessidade sequer de abrir os olhos de espanto se alguém nos conta que comprou um slk ou que ofereceram-lhe uma imperial no bar do hotel bairro alto. estou me marimbando para esses tiques desta geração que começa a ver que já não tem tantos cabelos para cobrir a careca como antigamente.

mas também não passemos do oito ao oitenta. sermos crescidinhos e não nos admirarmos com as diferenças da grossura da carteira do parceiro ou da parceira é algo que se exige a qualquer boa gente - quem diz grossura da carteira diz da quantidade de amigos do facebook (muitos deles com quem nunca trocámos 3 palavras) que já saíram nas páginas das revistas cor-de-rosa ou que têm blogs com mais de 249 visitas diárias - mas eu acho que há algo que não devemos perder que é a capacidade de ventarolarmos isto ou aquilo.

sinto-me francamente mais catraio quando ventarolo, mas sinto-me bem. gosto.

por isso, acho uma ganda ventarola quando descobrimos no facebook, não aquela pessoa que andamos à procura há 6 meses, mas precisamente uma outra, que já nem nos recordávamos que nos lembrávamos e que até nos mente, dizendo «estás na mesma»; acho uma ganda ventarola um livro de bd que me emprestaram, logo eu que nem ligo muito a esta coisa dos bonecos; acho uma ganda ventarola haver leitão, a preço decente, aqui perto da minha casa; acho uma ganda ventarola quando uma criança que não ia nada à bola connosco passa a alinhar com a nossa pinta; acho uma ganda ventarola quando, ao usarmos o nosso saca-rolhas mais simples, ele consegue, isso mesmo, sacar as rolhas com súplésse; acho uma ganda ventarola aos chás que tenho descoberto nos últimos meses; acho uma ganda ventarola ter finalmente chegado ao arc of a diver depois de alguns anos emperrado no talking back to the night e, estranhamente ou não, acho uma ganda ventarola que haja dois ou três personal produtores de ventarolas da minha vida que volta e meia, com alguns anos de intervalo pelo meio, tornem a espantar-me sem que eu tenha encomendado nada.

friday night lights - a 4ª


tomé,

terminou. vi o último há pouquinho por isso já podes tratar de te pôr a sacar a coisa e a vê-la de empreitada. confirma-se, é mesmo - lá está, pelo menos para mim - a melhor temporada de todas as séries que eu já vi.
meu menino, sabes bem do que é que eu gosto, não sabes? mesmo metendo ao barulho a primeira do prison break, a segunda do lost, a terceira do west wing, o studio 60, sei lá essas coisas todas - sabes, por exemplo, o quanto gostei da primeira do rome, não é? -, mesmo assim, acredita, esta é mesmo a melhor de todas. são 13 episódios imaculados. sério, não estou a exagerar, há ali momentos que eu nunca tinha visto em mais lado nenhum. não há heróis perfeitos, não há vilões obliterados, não há certezas, não há nada que corra bem....

olha, não sei o que te dizer. sei que em relação ao fnl, podes não concordar com a dimensão da minha excitação, mas tenho a certeza que depois de a veres - porque também a foste vendo nestes dois ou três anos - acredito, entenderás porque me tocou tanto.

abracinho

sexta-feira, fevereiro 12, 2010

laura boa bunda

num livro que se está a revelar pior do que esperava, uma personagem como só o jorge amado (eimado, como diz a minha filha) sabe criar.

"jesuíno provara mais uma vez sua prudência e bom conselho quando sumira por uns dias, hóspede de tibéria, repousando no terno agasalho do calor de laura boa bunda, cujas nádegas eram famosas pelo tamanho e pela rijeza..."

o meu casal ventoso

começo a preocupar-me com a quantidade de vezes que entro na despensa para ir sacar «só mais um quadradinho» de milka caramelo.

garbanzos


a minha filha levou para escola, dentro dum saco, a sua plantação de garbanzos.

- ó pai, não estás a perceber. é só para eles tirarem uma fotografia e logo à tarde voltamos a trazê-la para casa...

neste mesmo dia, lá nos confidenciou que aceitou namoro com o francisco.

- combinámos que namoramos mas nada de beijos na boca. isso é só para o pai e para a mãe.

(eu gostava tanto tanto de escrever aqui umas coisas sobre este francisco mas, confesso, tenho pudor. não que seja algo de mal, longe disso. mas é uma história tão mas tão deliciosa - só vista! - que, apesar de puto charila, merece a minha maior discrição.)

ora, poder-se-ão interrogar o que raio tem uma informação (o grão) que ver com a outra (o namoro). aparentemente nada. mas se eu vos disser que ela não lhe ligava pevide e hoje, perante a felicidade cega do moço aquando da chegada da rapariga, teve que intervir da seguinte forma:

- para lá com isso dos abraços, pá! então eu tenho aqui o grão para te mostrar e tu nem queres saber... e blah, blah, blah...

olhei para ele. ele olhou para mim (é tãããããão querido!). fizémos um sorriso cúmplice:

- gajas!

quinta-feira, fevereiro 11, 2010

ontem

sabes, tenho saudades do tempo em que as pessoas diziam (ou pensavam): um blog, sério? que giro.

estou farto do tempo em que uma simples foto, assim, seca, sem texto nem nada, pode gerar comments (mesmo que não remetidos) tão rebuscados como: foleiro, parvo, armada aos cucos, tadinho, ai que seca....

quarta-feira, fevereiro 10, 2010

vozes

recebo uma chamada, completamente imprevista. um amigo do intigamente. acho que nos conhecemos, sei lá, desde que ele nasceu, aí há uns 38/39 anos (nunca sei). não falava com ele, desconfio, há uns oito ou dez anos.

gostei muito.

(está com a voz igual à do irmão.)
(são tão giras estas viagens ao passado. desculpem-me as pessoas que têm menos que 30/35 anos. acreditem, isto só tem piada quando passamos aquela barreira dos 37/38, só após esse obstáculo é que aquela coisa do «ihhh, há tantos anos, pá....» funciona com mais piada. os que já lá chegaram, sabem do que eu falo. os que ainda não chegaram, acreditem que é verdade)

quinta-feira, fevereiro 04, 2010

bloguices

alguém conta-me que outrem tem uma coisa chamada «questionário». digo não ser possível mas também não vou verificar. acrescenta-me esse alguém que é prática comum nos blogs. continuo a não entender isso.

então mas se as pessoas quiserem fazer perguntas ao blogueiro, não é mais confortável fazê-lo com um email?

(ahhhh, mas depois a pergunta não ficava publicada e a resposta também não. compreendo. venham agora dizer mal da «exposição» pública da elsa raposo, venham.)

somos todos tão portuguesinhos, meu deus. que bonitinho...

fazem-me rir os artigos, posts e panelerices que se escrevem sobre a marta leite de castro. que disse ter sido um erro crasso ter nascido em portugal e não no brasil. gosto ainda mais quando, a talho de foice, escrevem que a moça só quer e só sabe foder.

eu não compreendo que raio têm contra a senhora. provavelmente não compreendo porque não leio o que ela escreve (é jornalista, não é?) e não vejo regularmente os programas de tv que ela aparece. mas do que vi, não vi nada pior que, sei lá, a moça dos ídolos, a catarina furtado, aquele rapaz que vai a casa do ronaldo e escreveu sobre as drogas, a orsi fire (não é um erro, é uma piada interna) ou coisa assim.

no que respeita ao foder, continuo a não entender o mal que isso tem. será dor de cotovelo das meninas? ou será que, por um mero acaso, eu só li essa acusação em blogs escritos por meninas? é que não estou a ver os rapazolas "acusarem-na" ou dizerem mal dela pela frequência com que copula.

agora em relação ao que disse no jô, haja paciência! não sei o que é pior: se o que ela disse, se aquela defesa da pátria que depois se vê por aí escrita.

agora uma coisa eu sei, enquanto existia o boato que ela andava a engavetar o bacamarte do lizandro ele marcava golos como tudo. de lá para cá, não só deixou de os marcar, como até acabou por ir embora para frança, recebendo o clube uma pipa de massa. eu sugiro, por exemplo, que ela vá dar umas cambalhotas, por exemplo... sei lá, como o mariano gonzalez. era bom para todos.

quarta-feira, fevereiro 03, 2010

terça-feira, fevereiro 02, 2010

favoritos

às vezes um blog não é só, unicamente, o que lá está dentro.

tantas e tantas vezes olho para a barrinha dos favoritos e - desculpem-me a presunção bacoca e preconceituosa - dou comigo a... quê? mas escreve assim e ainda por cima gosta de... e do.... e lê o....?

agora imaginem as pessoas que me têm em consideração depois de verem este video que agora vou postar.

e ainda por cima, gosto!



olha lá o pezinho esquerdo a bater, péun, péun, péun....

segunda-feira, fevereiro 01, 2010

vi o 2012...

... e gostei.

deveria-ter-se passado muita coisa esquisita na minha vida para eu já ter deixado de gostar de um filme daqueles, que tem como objectivo aquilo que aconteceu ontem: entreteu-me durante duas horas e pouco (eu, por mim, com 1h45 dava e sobrava para contar a história.) e no fim não sobrou nada. aliás, já nem me lembro da história.

há coisas que são para serem consumidas desta forma. assim, simples, como a chiclete dos táxi ou uma música dos black eyes peas. ouvem-se, mastigam-se e deitam-se fora.

(acho que cometi neste post uns 13 erros de português. desculpem, não sei fazer melhor. ou então, olhem, estou com sono.)

sexta-feira, janeiro 29, 2010

não querias ter uma filha? então, embrulha!

no shopping, só os dois, ao jantar:

- vamos já para casa, pai?
- sim, vamos. estou cansadíssimo e quero ir choinar.
- não vamos já. plize, pai, pliiiiize...
- ai filha, tem dó.
- vamos só um bocadinho até lá acima. às lojas com roupas. podes ficar só a ver. eu entro, visto umas coisinhas e depois vamos embora. não precisas de me ajudar nem nada..

(fiz assim um looping com os olhos e acho que deixei de a ouvir após a segunda frase)
(estou aqui a pensar e deixei mesmo. mas lá ao longe, ouvia coisas como: brilhantes, camisolinhas e fofinhas.)

quinta-feira, janeiro 28, 2010

telefonia

o pedro ribeiro é ok (se bem que para mim é a relatar futebol que ele é inatacável), o diogo beja é muito bom, porém, no campeonato daquela coisa das pessoas da rádio que estão ali a falar enquanto se passa de uma música para a outra é mesmo o miguel simões* que está muitos anos à frente do que vem em 2º lugar. a propósito, que eu saiba, além destes 3, não há mais apresentadores de rádio em portugal.

e, por favor, não me falem no alvim nem naquele rui qualquer coisa da antena 3.

* e não é uma coisa de agora. é mania minha já com uns 20 anos de antiguidade.

terça-feira, janeiro 26, 2010

tens filhos? e não tens blog? mas como?

as mulheres que escreviam (escrevem?) sobre os filhos ainda têm aquela "certeza" que se uma mãe não tem um blog então é porque o seu filho não tem/faz/diz/sabe/consegue nada com piada?

segunda-feira, janeiro 25, 2010

no passa nada!

ali por volta de 95 ou 96, tivemos um professor que de alguma forma, pela sua sabedoria e peculiaridade com que dava as suas aulas, nos marcou a todos. leccionava umas cadeiras relacionadas com o desenvolvimento rural e a arquitectura paisagística. coisas assim, digamos, de natureza e jardins e ervas e hortas e coiso e chupar umas azedas.

certo dia, quando falávamos na qualidade das estradas portuguesas e dos, desnecessários, atentados que se cometem para as construir ele aludiu a recente crel. alertou-nos então para o facto de, segundo ele, haver lá troços que «em menos de 10 anos terão, com certeza absoluta, umas derrocadas.».

num misto de «olha-me este com a mania revolucionária dos ecologistas e mais não sei quê» com «vontade de picar o homem», perguntámos-lhe o que deveríamos fazer caso estivéssemos a passar de carro na altura em que apanhássemos uns valentes torrões de areia na capota do spider dos nossos pais. respondeu que, pelo sim, pelo não, com a justiça e as obras públicas que este país tem, é capaz de ser melhor percorrerem aquela crel, sempre coladinhos ao separador central, não fosse o diabo tecê-las.

ora, eu quero aqui recordar o senhor engenheiro professor caldeira cabral que teve o desplante de fazer uma estúpida e absurda avaliação daquela derrocada.

olha, olha, dez anos! que tolice. sejamos justos, a coisa aguentou-se quase 15!!!!!!!!!!!!!!!

sexta-feira, janeiro 22, 2010

estou-te a telefonar-te!

amigos telefonam-me, metem-se comigo no messenger, mandam-me bocas na rua, provocam-me para escrever «lá naquela paneleirice do teu blog» acerca das escutas do pinto da costa.

ora, temos que ver as coisas em perspectiva. ou seja, observar o plano todo: quem é escutado, quem escuta, quem divulga, quem depois comenta, quem foi escutado e não foi divulgado, quem escreve neste jornal, quem escreve naquele, quem comenta sobre o quê e quem não comenta. depois claro, perceber o que é esta coisa do futebol, o que se passa para lá das quatro linhas, o que se passa para lá das quatro linhas e que influencia o que está de fora das quatro linhas, o que se passa dentro das quatro linhas e que é influenciado pelo que se passa fora das quatro linhas. ora quem não entende isto, não percebe rigorosamente nada. e portanto julga que na sua casa «no passa nada!»

no porto, aquilo das escutas «ah e tal, é uma montagem», os super-dragões? nahhh...; na luz... bom, na luz «foram todos roubados, não temos nada que ver com escutas (ai também há escutas connosco? sério? eh pá...), não levamos foguetes para os estádios (ai levamos? e fazemos dóis-dóis), árbitros? noutros tempos? mudanças de estádios? pedradas em estádios? autocarros incendiados? nahhhh...; em alvalade... bom, somos um clube diferente... pois, diferente. nunca levámos árbitros em tournée (mas e ajudou-nos nalgumas competições? nahhh), não andamos à porrada, as nossas claques são bonitinhas...

bom resumindo e concluindo em relação ao pinto da costa. se fiquei chocado? claro que fiquei. nunca imaginei que ele dissesse:

- estou-te a telefonar-te...

ó foda-se, «estou-te a telefonar» já é mau e ele utiliza algumas vezes. agora «estou-te a telefonar-te»? meu deus, que vergonha!

meus amigos, rickie lee jones. é isso, o segredo é a rickie lee jones. já não ouço nem vejo nem jogos falados, nem trio de ataque, nem leio o delgado, o vitor serpa, o rui santos, muito menos o ricardo araújo pereira, o zé diogo quintela, não ouço o sousa martins, o pôncio, o cervan. nada, rigorosamente nada. de futebol, de política e de religião só falo e só ouço quem me apetece. e sobre a bola, só ouço - desde há uns 12 anos - um amigo. tirando isso, ponho a televisão em mute, boto a rickie lee jones, ali, pianinha, calminha, sem machucar ninguém e pronto, lá vejo aquelas arrancadas do tomás costa, do guarin, do valeri, do prediger.... ai espera, desses não... pois, esses não jogam um caralho. então pronto, devem ser outros!

segunda-feira, janeiro 18, 2010

sexta-feira

eu não tenho muita paciência para os sopranos. o 24 vi as duas primeiras temporadas (eh!) e ando a ver a terceira, assim, mais coisa menos coisa, um episódio por trimestre. o heroes desisti. a anatomia de grey e tudo o que é séries com médicos ou coisas com bastonários (private practice, house, i áre ou coisas dessas que a minha mulher vê) eu não consigo ver. depois há aquelas coisas, típicamente de gaja (que eu não censuro) mas que, claro, é um peditório para o qual eu já não dou (brothers and sisters, as housewifes, as army wives, a samantha come tudo). o seis pés ou sete palmos ou uma mão cheia ou lá o que é debaixo da terra, há lá por casa mas também vejo, assim sei lá, um episódio por semestre. não quer dizer que seja mau, mas está ali entre o lenitivo e o lorenin. até os tudors me sairam outra que tal.

por isso, o class of 96 já lá foi. o thirtysomething... pois, também lá está. o freaks and geeks é daquelas coisas que não se compreende porque é que ainda não existe na fnac (porra, é só uma série, caramba!). o west wing ainda é a rainha da coisa. tenho fé nesta última do lost. o studio 60 era uma g'anda ventarola*. o rome... bom, o rome foi muito boa.

por isso, pois, por isso eu vos digo, se já as três primeiras foram boas - ok, aquilo na segunda enfraqueceu um cadinho e virou meio popularucho - eu quero aqui dizer em voz alta, baixa, ou gorda, que a quarta temporada do friday night lights (e reparem que já lá vão uns 8 ou 10 episódios (ó salzedas, tu desata-me a sacar aquilo, foda-se!) é mesmo, a melhor temporada de sempre, de todas as séries que já aconteceram e irão acontecer na tv. é tudo, tudo, mas tudo mesmo nota mil: o elenco, o cabrão do argumento, a forma como filmam e montam a coisa, a puta da banda sonora.... eu sei lá. nunca viram? pois, se calhar é melhor não verem. fiquem-se por essas coisas que vêem. não me fodam, se querem ver a vida real, não procurem nestas coisas da fox... bom, vou calar-me!

depois não digam que eu nunca avisei!


domingo, janeiro 17, 2010

é se fosse só na tvi, em cascais ou no jornal i...



quarta ou quinta-feira, o mesmo jornal que na edição de segunda-feira, usou a palavra júri para designar jurado, voltou a usá-la numa outra notícia.

sexta-feira à noite estava o vitor bandarra a gerir um programa na tvi24 com, entre outros, o anthímio de azevedo.

às tantas, sob o seu nome, em rodapé, surgiu uma coisa (nem sei o que lhe chamar) a dizer «metereologista».

ontem na serra de sintra, vi este cartaz (devem haver mais espalhados pela serra) com uma referência a uma palavra com a mesma origem (presumo), metereológicas.

ora, uma coisa são erros de dactilografia. sei lá: um gajo escrever naõ em vez de não; um gajo escrever pai em vez de paí. já não é a mesma coisa quando aparece metereologista. nah, isso é outra coisa. por isso, acreditem, não tardará muito até que eu venha a encontrar: numbro, tava a ver ou porgama.

vale uma aposta.

(é claro que depois há uns iluminados que dizem que isto não é nada importante, não é? que a questão dos erros e mais não sei o quê não deverão ser factores para avaliação de um ano. ora isto assimilado por uma geração que fazia mapinhas em folhas quadriculadas (a pré-história do excell) para termos noção se estávamos ou não tapados por faltas, terão que compreender que custa a engolir.

terça-feira, janeiro 12, 2010

a meter água

no local onde moro - e em portugal, na terra, no mundo - há umas cenas chamadas rios e ribeiros. essas cenas, normalmente quando chove, ficam com mais água no seu leito que o normal e por isso, também mais água é levada para o mar.

nos tempos em que chove muito, os rios e os ribeiros sobem o seu nível, muito, muito, muito, assim, até cá em cima. até às vezes sobe tanto que ultrapassa as margens desses rios e desses ribeiros. chamam-se leitos de cheias precisamente às áreas que ficam alagadas quando chove muito. é prudente, como se deve imaginar, não construir casas e coisas dessas nessas áreas. primeiro porque, como devem imaginar, depois chove, as pessoas ficam com as casas alagadas e é uma maçada para se limpar aquela tralha toda. depois, porque ao construírem nessas áreas, vão impedir que as águas subterrâneas corram livremente para o mar, fazendo assim, a modos que um efeito de barragem, inundando-se as caves dos edifícios que ficarem ali à volta. mais ou menos o que sucede com a construção aparvalhada das caves do libersil e da sede do banco de portugal (ai julgavam que havia inundações na rua de são josé e na almirante reis apenas porque chovia muito? hummmm?).

se eu quiser colocar um reclamo luminoso ou um toldo na minha varanda (que curiosamente não tenho) assim, sem autorização nem nada, a câmara vai me aos cornos, multa-me e obriga-me a retirar tudo. e é bem feito para não me armar em gabirú.

no entanto, há uma escola e mais não sei o quê que estão sendo construídos no fundo da minha rua que não me deixam dormir em condições nos dias em que chove, com medo que aquilo coincida com a preia-mar, originando uma inundação na minha cave.

ao que parece, além de não tratarem da correcta limpeza e desobstrução lá dos leitos dos rios, a câmara municipal, pelos vistos, fomenta o abandalhamento destas coisas dos leitos de cheias e mais não sei o quê.

é a vida.

(descobri agora que a minha mulher é amiga da câmara municipal aqui da zona. depois admiram-se que haja maridos que arreiem nas suas gajas.)

juiz em causa própria

mais que uma pessoa me disse, quer por email quer por messenger,...

é claro que ninguém me mandou emails nem me disseram nada pelo messenger, mas fica sempre, sempre, sempre bem dar esta ideia que há: seguidores, visitas, comentadores, pessoas que lêem...merdas dessas!

...que uma pessoa que comete demasiados erros de português (eu, lá está), me deveria abster de criticar quem os comete.

ora, eu que não tenho rigorosamente noções algumas de socorrismo, de mecânica ou de bate-chapas, estarei também impedido, pela moral dos meus críticos, em auxiliar quem quer que seja que se encontre completamente fodido à beira da estrada e precise da minha ajuda. estão incluídos neste caso as respostas aos pedidos de auxílio «ó chavalo, dá aí uma mãozinha.» para que os carros peguem de empurrão

sendo assim, eu só queria dizer que ficaria muito feliz que os apresentadores de concursos - os os jornalistas que escrevem sobre eles também - ficassem a saber que existe uma palavra chamada jurado. gostaria também que soubessem que fica feio cumó raio ouvir pessoas dizerem «os júris vão decidir».

pronto, é só isso.

segunda-feira, janeiro 11, 2010

óculos

- então filha, o pai fica bem com estes óculos?
- ...
- e com estes?
- não!
- não?
- parecem óculos de velhinho, pai!
- mas o pai já é velhinho filha... (em tom de gozo)
- pois és.
- não sou nada velhinho, porra! (num tom muito sério!)
- tens cabelos brancos... de velhinho...

a minha é maior que a tua

as guerrinhas sobre os "tamanhos das pilinhas entre os adeptos da bola já não se ficam apenas pelas questões normais «quem é que afinal está a jogar melhor à bola?» ou as parvas «qual é a equipa mais favorecida pelas arbitragens?»; «quem é que fez as melhores contratações?»; «quem é que está à frente naquela classificação da iffsfsfffs ou lá o que é?».

agora as guerrinhas já não se ficam pelo «que jornais são mais tendenciosos para o benfica ou o sporting», agora, a coisa vai mais longe, agora a coisa vai para o «qual o comentarista que melhor esgrime argumentos para dizer que o benfica, o porto ou o sporting é que são bons?» (vidé miguel sousa tacares vs gato fedorento).

lá está, se eu já não lia jornais dito de desporto (olha, olha, jornais... então jornais implica jornalistas, não é? eh eh eh....) é por essas e por outras que continuo a ver a bola na tv com o som em off (até deveria pagar menos pela sport tv). ontem foi uma maravilha, botei a rickie lee jones que foi uma beleza!

confesso, tenho saudades do tempo em que o zé burrié me dizia que o benfica era o maior porque o estádio da luz tinha 6 torres de iluminação contra as 4 de alvalade e das antas e eu, resignado, acreditava.

não há cu....

.... para as piadas que entretanto surgiram acerca do casamento dos maricas e das fufas.

ai que saudades que eu tenha das anedotas (tenho nada, pá!) que começavam com «estava o bocage a cagar...» ou aquelas que diziam «uma vez um francês, um português e um amaricano (acho que nem americanos na altura havia)...»

quarta-feira, janeiro 06, 2010

mais um bocado e tratam-me pelo nº da senha de atendimento do veterinário da gata da minha filha

relaciono-me com uma pessoa que se refere a outras pessoas pelo nome que usa no blog ou então, mesmo, pelo próprio nome do blog:

- estive ontem no alcântara e dei de trombas com a paletesdefruta.blogspot.com na saída das cagadeiras.
- e então?
- oh, já sabes como é que é, vinha a chorar...
- por causa do rakettes?
- quem?
- o rakettes do a_minha_eh_das_que_entorta_para_a_esquerda.blogs.sapo.pt
- ahhh, nah... esse já foi c'os porcos. agora foi o tolinhalinda do snaita-de-aço.wordpress.com que lhe anda a desgraçar a vida

o mundo é um lugar muito estranho.

quarta-feira, dezembro 30, 2009

12 passas


ora, então expliquem-me lá, 12 passas, uma a cada badalada e isto tudo em cima de uma cadeira? e então, no fim, não caímos da cadeira? ai não? é só para quem pode, não é?

pronto, já percebi.

terça-feira, dezembro 29, 2009

conselhos

neste blog escreve-se, infelizmente, com erros ortográficos. primeiro porque não sei fazer melhor e depois porque não estou para andar a rever textos. é escrever e postar. também, para quem é, bacalh...

durante o natal, na televisão, vi escrito conselho, referindo-se a um concelho. e li traz referindo-se a uma coisa que não tinha nada que ver com o verbo trazer.

lá está, se aqui neste blog - ou noutro qualquer - tolero (e mesmo que não tolerasse...) os erros ortográficos, meus amigos, na televisão, nos jornais, nos professores de português ou em coisas dessas, aí já acho que uma benficada - quem foi à tropa sabe o que é isto - era o mínimo que deveria ser feito ao produtor destes erros de cáca.

pergunto, não há um director de canal que contrate, por 200 contos, por mês, um maduro qualquer que fique lá na redacção a puxar os coiratos aos jornalistas que não saibam distinguir um conselho dum concelho ou, sei lá, a estrada da beira da beira da estrada?

histórias

aterrou na casa de banho lá de casa, precisamente num caixote onde se depositam os jornais que nos acompanham nos momentos mais complicados que a família ali passa, uma revista com uma coisa chamada contos. ou seja, decidiram pedir a um molho de pessoas que escrevessem umas histórias.

o que poderia ser uma colectânea porreira, pelos vistos transformou-se numa coisa muito estranha e que, não só prolifera pelos livros actuais - ditos modernaços -, como também nalguns blogs.

ora bem, julgava eu que isto aqui dos blogs era uma coisa amadora. ou seja, vínhamos aqui pespegar uns dois ou três linguados e pronto, da mesma forma que há sites com fotos de casais amadores no truca-truca, também nós, patetas bloggers, fingíamos ser pessoas letradas e aqui deixávamos uns paragrafozecos com umas tolices nossas. depois, claro, quem gostasse dizia que sim, quem não gostasse dizia que não ou desligava a coisa. sabia eu também que se quisesse uma coisa em condições, sem erros nem nada, teria que comprar um livro, esse sim, já escrito por alguém com juízo e com capacidade para fazer umas histórias porreiras. sabem, aquela coisa que aprendemos na preparatória: o início... o meio, o fim..., por aí fora.

mas ao que parece, a coisa não é bem assim. o que fica bem e é modernaço é alterar esta coisa toda. o que fica bem é, pronto, alinhavar uns parágrafos e tal... deixar o texto o mais confuso possível, escrever umas coisas, assim, tipo, pensamento profundo, nomeadamente sobre os desencontros de amor ou sobre a dor duma manhã de chuva e pronto, vuálá - se se engatilhar umas frases ou palavras em estrangeiro, fica sempre bem -, aqui temos um conto. conto, é mais bem que um romance. romances, a bem dizer, até as actrizes das telenovelas os escrevem.

e assim, vamos lendo na diagonal - se os ler na horizontal adormeço e tenho medo de cair da sanita, assim, na diagonal sempre a coisa vai com mais balanço - os tais contos e aquilo, é uma salganhada de... bom, eu sinto-me velho a ler aquilo. velho e pouco actual. não quero ser injusto até porque não pesco rigorosamente nada, nem de literatura nem de edição jornalística ou livreira, mas cum raio, é aquilo o melhor que se consegue, dadas as circunstâncias?

eu já não peço que me apresentem histórias como as do luís fernando veríssimo mas não teria piada se tentassem, sei lá, ser criativos? dá ideia que toda a gente que é literada tem capacidade de escrever. e mesmo dentre os que conseguem escrever, nem todos, infelizmente, sabem imaginar uma história. eu poderia estar aqui a descrever, num conto, a entrada dum cliente aqui na loja e a forma como ele se senta defronte da minha secretária, mas isso, acreditem, se não tiver outros elementos à mistura, não tem interesse nenhum, nem revela alguma criatividade.

mas pronto, lá está, da mesma forma que fica bem tirar fotos a preto e branco, parece que o que é modernaço é contar histórias - sofridas, é bom que sejam sofridas para dar valor à coisa - sem interesse nenhum, desde que o começo da história aconteça lá pelo meio do conto e, muito importante, não tenha nem conclusões nem fins, nem nada, pronto. desde que venha sem erros...

quarta-feira, dezembro 23, 2009

rei mago baltasar

quando recolhia a minha filha na creche cruzo-me com um dos colegas dela lá da escola. ele cumprimenta-me eu faço-lhe um «campeão, como é que é? bate aí mais cinco, pá!». atrás do moço, vinha o pai, o qual, calha de caminho, ser alguém conhecido aí nos quatro cantos do mundo. trocamos olhares, um sorriso e um aceno de cabeça.

mais tarde, estou já no escritório, de frente de um computador e, ligado-me à internet, consigo descobrir fotos do pai lá do rapaz:

- ó filha, anda cá ver se conheces este homem.
- ahhhh, é o pai do lucas! mas tu és amigo dele?
- não, pá!
- não? então porque é que tens fotografias do pai do lucas no teu computador?

(pertinente questão)

seguimos para o supermercado e às tantas a minha filha está à beira de um cartaz lá do continente com um presépio. faz sinal com os olhos em direcção ao cartaz.

- o que é que tem, filha?
- não estás a ver?
- não.

fazendo um ar de frete, aponta com o dedo o rei baltasar e sentencia «então não vês que é o pai do lucas?»

(estou com pena mas vou ter que lhe explicar com mais calma que nem o lucas é príncipe nem o pai do moço é rei).

segunda-feira, dezembro 21, 2009

informações francamente inúteis

a palavra copenhaga dita em dinamarquês (confirmei isso na semana passada) é aterradora. eu juro que fiquei com a ideia que meio osso da moamba que a emissora estava a comer se tinha alojado na traqueia, no esófago ou em ambos.

terá isto que ver com o eventual fracasso da cimeira?

coisas que me aborrecem com a derrota do clube:

1) ficar sem saber, pelas capas dos jornais, qual a próxima contratação do benfica.

sexta-feira, dezembro 18, 2009

casamentos de fressureiras e de maricas

ora, ao que parece, mesmo depois dos alertas que os maridos e mulheres desta vida lá foram largando, os pessoal já pode casar entre sexos.

eu sou desde já contra. não sou contra o casamento lá dos gajos e das gajas. eu sou contra o facto do ps não ter salvaguardado lá com uma alínea ou coisa parecida o facto de, pelo menos estarmos livres de lhes oferecermos presentes aquando da realização da aliança. isto a crise anda complicada e por isso deveriam lá ter escrito: iá, na boa, os presentes não são obrigatórios.

eu começo por mim, aqui há tempos uma amigo casou pela segunda vez e eu avisei-o logo: no primeiro gastei um balúrdio, tive que aturar um molho de benfiquistas extasiados com a vitória na volta a portugal (imagine-se!) e por isso, desta vez, dou um carinho especial à tua mulher que não tem culpa nenhuma mas de resto não te dou mais nada.

isto comigo é assim!

por outro lado - e isto veio de fonte fidedigna - houve uma forte pressão das associações dos comerciantes no sentido de se incluir a adopção das crianças aqui na nova lei. ao que parece serão milhares os euros que se deixarão de gastar na realização dos baptizados dos petizes adoptados pelos maricas (as fufas, ao que parece, são mais espertas e sabem que uma criança é uma trabalheira, principalmente quando vemos que chegam aos quarenta e tal anos e ainda acreditam no pai natal como é o caso da elsa raposo): ele é as velas, os vestidinhos rendados, a toalinha para secar a mona do garota, a touquinha, o envelope para o senhor padre, os belos dos pãe de leite mistos que se comem depois...

repito, estamos em períodos de crise.

quinta-feira, dezembro 17, 2009

venha o diabo e escolha. a mim, confesso, faz-me rir

o que é que é pior (não vale dizer «sã as duas coisas»): alguém que plagia textualmente um texto de opinião ou alguém que pega num texto de opinião, troca-lhe os cobertores, bota uma capa de edredon nova e pronto, olha lá aqui a minha opinião tão lindinha. fui eu que fiz. sozinha. sem ninguém me ditar nada!

terça-feira, dezembro 15, 2009

arrobas




tenho saudades, confesso, do tempo em que os gajos tinham valor porque jogavam bem à bola e eram fortes na porrada e que as gajas eram boas porque, ora, porque eram boas.

os tempos modernos apresentaram-nos gajas com sucesso porque escrevem bem e não porque são giras e boas e, imagine-se, gajos que têm imensas visitas e seguidores porque fazem posts, sei lá, assim sobre filmes da jugoslávia ou livros de pessoas que ganham prémios nobel, assim como o fo ou o pamuk.

eu acho que isto dos blogs e do facebook - não conheço o twitter - deveria levar uma volta. sugiro, por exemplo, que os posts devam ser apresentados com a caligrafia de cada um dos autores.

aí sim, aí queria ver quem brilhava. ah pois é.

era, com certeza, uma nova classificação, uma nova ordem mundial. acredito até que alguns diálogos como o seguinte passariam a ser possíveis:
- ahhh e o pessoa do 31 da armada?
- qué'que tem?
- ainda não viste?
- não.
- os gajo desenham umas arrobas tão mal paridas que aquilo parecem pentelhos.
- tchéééeee, ca vergonha!

quinta-feira, dezembro 10, 2009

presentes de natal

não é bem a tal cena do natal - aquela coisa do presentes, sabem? - calhar, imagine-se, quando nasceu o menino e com tudo o que isso acarreta: a loucura dos presentes, a entrega pornográfica de presentes às crianças... é já daquelas coisas que evito olhar, assim como não olho para as escarretas dos tuberculosos.

o que me fode é incluírem-me nessa fantochada. sim, não é um exagero, é mesmo uma fantochada. eu odeio presentes. repito, odeio presentes. é raro - mas quando digo raro, é assim, num rácio de 2 para 100, vá lá - receber coisas que realmente gosto, ou quando acertam, que realmente preciso. muito muito raro.

eu bem tento espalhar a notícia: não dou presentes, não quero presentes. não participo nestas coisas. mas há sempre, sempre alguém que parece querer romper com os meus desejos natalícios e lá desata, num misto de «vá, toma lá uma recordação», com «ahhh, mas é natal, ele tem que receber e mainada» e finalmente com «dou-lhe estas coisas culturais, coisas que eu gosto e que sei que é bom e que por isso, se é bom para mim, será também para ele».

por essas e por outros, chega ali à meia-noite e o começo naquele nervoso miúdo: ai será que me escapo desta? e daquela, não? ai...

porque convenhamos, o que raio as pessoas viram em mim que lhes indiciasse que eu iria gostar de ler a cal do josé luis peixoto; o homem introvertido ou lá o que é, do saramago; o ondjaki; o agualusa; o gonçalo tavares... coisas que eu acredito, ficam bem noutras bibliotecas mas não na minha que não tenho paciência para coisas dessas. mas não fica por aqui: o hell freezes over seria uma boa ideia em 2001 quando o não tinha, mas era de supor, claro, que uns anos depois eu já o tivesse. dois dvd's dos coldplay, iguais, um ano atrás do outro, é, claro, muita fruta, precisamente para mim, que nem nos elevadores sou capaz de os ouvir... e pronto, lá me oferecem estas coisas, sem talão para troca, nem nada.

uma porra!

tenho pena de não ser criança, para os receber com aquela placidez com que dizem: «não gosto» ou então «eu disse que não quero nada!»

o josé luis peixoto? coldplay?
e logo dois? mas está tudo parvo? e que tal guardarem o dinheiro para vós?

quarta-feira, dezembro 09, 2009

vácina. gosto muito de dizer vácina. é isso e dizer cristiano rónaldo, assim, com acento no ó.




a parte má destas férias de dezembro, foram, claro, a ausência de sol, praia, calor e chinelas nos pés.

a parte boa é que fui vacinado.


não, não estou com a gripá. é que calhou ir ao hospital de portalegre e, às tantas, em conversa com um médico das urgências, ele lá me falou que seria melhor levar uma vacina contra o tétano. é que, segundo consta, uma vez que o senhor me iria coser a orelha e o lábio, parece que era melhor levar a referida pica. fiz também uns raio-x à peitaça e aqui à asa esquerda pois, estava a explicar ao tal médico, isto doía-me cumó caraças. e até se podia dar o caso de estar partido. mas não, estava tudo impec. outra das boas ideias que o médico teve foi fazer-me uma tac. é que diz ele, quando um gajo cai com os cornos no asfalto, sempre que a mesma queda é impulsionada pelos quase oitenta e cinco quilos de banhas que vão atrás, fazendo com que o quadro geral se desligue e um gajo fique aí uns 10 minutos (previsão minha) inanimado e estendido ali na estrada que vai de marvão (de marvão e não do marvão como eu, chavalo estúpido e citadino, dizia. lá a senhora que me fez umas análises - lá está, não vá um gajo estar sem ponta de sangue ou essas coisas... - fez-me o favor de me educar, informando-me que o marvão não é aquela terra lá no cimo. isso é, apenas, marvão, sem o, nem os. o marvão realmente existe, mas ao que consta é um enfermeiro lá da pediatria.) até à portagem, ocupando, pelo diâmetro aqui da minha banha, na boa, as duas faixas de rodagem. então, lá fui eu fazer a tal tac. e pronto, estou como o aço. agora o que mais me aborrece é que a puta da cosedura aqui na boca originou não uma afta, mas sei lá, uma zona aftal assim do tamanho do buraco da defesa do atlético de madrid, apenas comparada com a defesa do póvoa e meadas, ali na época de 2006/07. é isso da afta e também o facto de andar a gastar mais litros de betadine aqui no caralho dos esfolamentos das costas e joelhos, que a gasolina que o carocha do meu pai consumia quando íamos à terra lá para o concelho de mirandela. e já agora, o olho negro não tem nada que ver com alguma acção do david luiz (cada um tem o bruno alves que merece). sou mesmo eu que tenho a mania de andar mascarado de panda, de panda bingo, pronto! pareço, a modes que quando andamos a imitar os amaricanos lá com o alô uín. quem quiser saber, é ver esta foto aqui cá do je, a levar umas pinceladelas da anabela. ó anabela, bem vistas as coisas tu tens um pincel com uma valente categoria, já viste?

sexta-feira, novembro 27, 2009

lustro

disseram-me hoje de manhã ao ouvido que este blog fez ontem cinco anos. pelos vistos, para o ano já vai para a escola primária. espero nessa altura já escrever um português em condições sem o asneiredo do costume.

a ver vamos.

por ora, e para verem que eu também sou um homenzinho em condições, sempre a propósito, fica aqui uma canção mûto, mûto bonita que está dentro dum album chamado lustro.

isto está tudo ligado, pessoal, vão por mim.


sexta-feira, novembro 20, 2009

simpatias inacabadas

a fortuna, o destino - a gratidão também, é certo - e algumas outras coisas que para aqui não são chamadas, querem, quase à força, instalar-me no campo pequeno para ver os massive attack.

ora ataques destruidores e campo pequeno, juntos na mesma frase, é coisa que me arrepia desde aqui, do sítio onde tenho as placas e os parafusos, até ali, pertinho da atlas.

deixem-se lá disso. há praias que não são para o meu pé. para adormecimentos já me chegam os actifed amiúde. sinceramente, tento evitar os lorenins musicais.

(vá, sou um puto de coisas comerciais, não se zanguem, gosto do protection por causa da tracey thorn e uma outra cantada por uma preta. não, já não encontro tanta beleza para a elizabeth frazer.)


quinta-feira, novembro 19, 2009

está tudo velho



esta coisa da idade tem que se lhe diga. comenta-se, à boca cheia, a passagem dos 40, a andropausa, a menopausa ou, sei lá, a simples pausa. por tudo e por nada, em conversa de amigos e não só, comentamos as transformações que ocorrem no nosso corpo.

mas afinal, quando é que somos realmente velhos? antigamente, quando era miúdo, eu olhava para pessoas de trinta e tal anos e considerava-os, uns verdadeiros adultos, pais de família, responsáveis e mais não sei o quê. os primos afastados de sessenta e tal anos, já se configuravam como velhos retintos. caramba, agora aos quarenta, essa percepção altera-se por completo. repete-se aquela sensação que temos quando voltamos, trinta e tal anos depois, àquele corredor onde andávamos de triciclo e julgávamos ter, não os
reais 3 metros de comprimento mas, sei lá, uns 15 ou 20. aquilo antigamente, visto do assento do triciclo era compridíiiiiiiiiiiissimo.

ora bem, não são bem os cabelos brancos - o meu sobrinho com 12 anos já tinha mais cabelos brancos que o clooney (sim, estou a exagerar) -; não são aqueles barulhos/sons que fazemos quer ao sentar, quer ao levantar das cadeiras ou dos sofás - principalmente esses modernaços onde literalmente nos afundamos -; não são as dores de estômago - essas já vêm da adolescência; podemos referir a proeminente barriguinha ou o gosto da taça de tinto às refeições e aí já sou capaz de dar o braço a torcer. mas convenhamos, não nos transforma em velhos, cum raio!

eu acho que o barómetro, o instrumento que nos diz realmente se estamos mesmo velhos ou não é a televisão. sim, disse bem, a televisão. a verdade é que em vez de parar uns meros 15 décimos de segundo em cada canal de documentários quando faço zapping, tenho reparado que nalguns estou a demorar mais do que devia. pior, esta semana dei por mim a gastar mais que 20 minutos num documentário sobre as obras de construção do estádio dos dallas cowboys.

é isso mesmo. percebemos, duma vez por todas que atingimos uma certa plataforma etária, quando já fazemos aquela figura que os velhos faziam, pespegando-se no gradeamento de protecção das obras do metro da alameda, ali junto à extinta nova rede, e entupindo a nossa passagem. a diferença de 1998 para agora, está claro, é, digo eu, na existência de tv cabo que nos permite ver ali, com uma definição porreira, a construção da barragem do não sei quê , dum tunel de boston ou a remodelação do metropolitano de nova iorque (lá está, obras do metro).

quarta-feira, novembro 18, 2009

é da gripe, na certa!

a sic noticiava hoje a preocupação dos velhotes que se mascaram de pai-natal em relação à gripe a. tudo bem, é compreensível. um gajo está ali horas a aturar as birras dos pais que querem ter fotos dos petizes empoleirados no velhote e depois apanham de tabela com o raio da quarentena que os impede de irem passar o reviralho com o resto dos amigos.

agora não percebo é porque é que estava lá escrito pais natal e não pais natais? será que eu é que li mal a coisa e o senhor queria era dizer país natal?

nunca se sabe, nunca se sabe.

(nunca se sabe ou nunca se çabe?) (olha, agora deu-me uma branca.)

simplezinho

tenho um amigo que é escultor de areia, conheço alguns cozinheiros, um outro - de quem, ora bem, não sou propriamente amigo, mas como já me convidou para o ser através do facebook, já me pagou uns jantares em portugal e na sua casa no estrangeiro, para todos os efeitos, vá lá, pronto, sou amigo - é fotógrafo.

três pessoas, três profissões distintas.

é curioso verificar, como se comportam quando têm que efectuar acções, fora do horário de trabalho, que fazem parte das suas próprias tarefas profissionais.

nunca vi o meu amigo escultor, a fazer castelinhos para a filha na praia mas deve proporcionar uma inveja do catano nos pais das crianças das redondezas. e lá em casa, como serão as refeições dos cozinheiros? também a coisa lhes sairá mal?

acabo de ver no facebook
umas fotos duma apanha de azeitona, captadas pelo tal fotógrafo profissional. sem luzes, sem esperas, sem produção nenhuma, apenas com o enquadramento, vá lá, digamos, de quem sabe da poda.

que maravilha!

(é tão difícil fazer coisas simples, não é?)

estaremos trocados?

têm a certeza que a sexta-feira 13 não foi ontem?

terça-feira, novembro 17, 2009

and i am a fool once more

quando o mike fleetwood se viu perante a saída do bob welch, chegou à beira do lindsey e ofereceu-lhe emprego.

o moço avisou então o calmeirão: ó mike, sabes, eu a minha maria fazemos parte dum todo. é o chamado factor vip (vem incluído no pacote). para onde eu vou, ela também vai.

o mike lá lhe disse que «pronto, traz lá a gaja».

trouxe.

e com isso trouxe coisas boas e criou também o primeiro big brother em formato banda de rock de toda a história da música.


segunda-feira, novembro 16, 2009

significados que o meu pai me ensinou e eu nunca mais esqueci: tramela

filhadeputadeestrofemaismaisbemconseguida: a gente almoça e só se coça e se roça e só se vicia



sem fantasia



não me interessa repetir aqui o óbvio: que é um disco importante na nossa vida por isto, por aquilo e pelo tanto mar.

adiante.

eu gosto deste vídeo não apenas porque é um óbvia repetição dos concertos do canecão de 1975 mas por tudo o resto. aqui tudo é perfeito. não sei se havia hipótese de ficar melhor, provavelmente sim. mas como dizem os parolos «o óptimo é inimigo do bom» (mas desde quando, porra?)

ele não surge assim, como que ao acaso. mas dá ideia que sim. mas não, na realidade ele aparece, precisamente, quando ela diz «vem, por favor não evites, meu amor meus convites...»

ele não entra por uma das laterais do palco, ele vem da própria plateia. assim, como um fã inconsequente que vai ali ao micro avisar que a adora ou como se ali fosse pedir, encarecidamente, ao proprietário do opel corsa, de 1985, (daqueles com rabinho) bórdô, o favor de comparecer junto ao mesmo.

ele vem magro, enxuto, seco de carnes. a camisa é limpa, alva, imaculadamente passada a ferro e, certamente, engomada nos colarinhos: duros, abertos, alipotentes.

a mão dela segurando-lhe a sua mão esquerda, ali, firme mas ao mesmo tempo distraída do uso da forma, soltando-o para abrir os braços e lhe dizer que o quer todo para ela.

«ai eu quero te dizer, que o instante de te ver...

e não há uma nota mais alta do que devia, e não há um esganiçado inoportuno, e não há nada que perturbe aquela subida, aquela escalada de emoções: é tudo - falsamente - sereno, «e agora que cheguei, eu quero a recompensa, eu quero a prenda imensa dos carinhos seus» é tudo tão óbvio, é tudo - e apesar de tudo - tão sofrido «só vim te convencer que eu vim p'ra não morrer»

domingo, novembro 15, 2009

surpresa boa



o dave gahan estava um bocado para o cansadote, não estava? quantas vezes utilizou ele aqueles 8 metros de passadeira que entravam pela plateia?

sexta-feira, novembro 13, 2009

waiting for the night

quando há cerca de 20 anos o david bowie veio dar o seu primeiro concerto em portugal decidiu - como já tinha sucedido com os restantes concertos da sua tourneé - deixar ao gosto dos espectadores as escolhas das músicas que iria cantar. tinha um grupo dumas 30 ou 40 canções e dentre essas, por votação na rádio ou lá o que foi, o povo dizia «quero esta, quero aquela» e não se pode dizer que as coisas sairam defraudadas.

dir-me-ão que o david bowie já estava velho e mais não sei o quê e que por isso, já tinha que fazer render a coisa para conseguir encher o estádio.

amanhã, os depeche mode vêm cá fazer o seu terceiro bailarico mas, ao contrário do bowie, tocam realmente o que lhes vai na bolha sem darem cavaco a mais ninguém.

ora, eu bem sei que isto não é propriamente o «quando o telefone toca» com o fabuloso patrocínio das lojas frineve, mas ainda assim, há coisas que não consigo compreender.

aceitar-se-ia, uma vez que lançaram um disco há pouco tempo, que a coisa fosse ali bem batida no songs of the universe, quer o povo gostasse quer não gostasse. tudo bem, nada contra. o que eu não entendo é como é que então, das 21 canções da setlist, apenas 4 (porreiro!) são deste disco e deixam coisas tão, mas tão, mas tão boas e imaculadas como o peace ou o jezebel. não entendo, confesso.

mais, o meu espanto é acentuado porque o peace é mesmo single deste disco.

(bom adiante.)

volto a não compreender a inclusão do fly on the windscreen. se há mistério que eu não compreendo - a par, talvez, da contratação do secretário pelo real madrid - é a habitaul inclusão desta canção nos inúmeros concertos destes gajos. a gravidade acentua-se quando se verifica que, por exemplo, ao longo de todas as tours que já fizeram, já foi tocada mais vezes que o people are people, o freelove, o see you, o the things you said, o judas ou, credo, o question of lust. pergunto, alguém me consegue identificar 5 pessoas que me digam «ihhh, vão tocar o fly, ganda ventarola!» conseguem? pois, suponho que não.

dressed in black no regresso do encore. mas que merda é esta? estamos a brincar com a tropa?
nos regressos do encore, tocaram nesta tour: a question of lust, somebody ou o shake the desease, isto só para falar nos últimos 10/15 concertos. pergunto, porque caralho decidiram nos últimos quatro mexer onde realmente não deveriam mexer? se a ideia - já tínhamos entendido - era colocar alguma coisa cantada pelo martin gore, caramba, então que deixassem ficar o anódino somebody (já não a consigo ouvir, confesso. peço perdão se ofendo alguém.), agora o dressed in black?

dou de barato as outras escolhas. há quem goste de umas, há quem goste de outras, é normal. infelizmente, nem todos pensam como o rick astley que disse acerca do here and now «é um concerto onde só cantamos coisas que as pessoas gostam. não vamos buscar fundos de catálogo obscuros e festinhas ao ego. é divertir e dançar», por isso, temos pena, mas coisas sagradas como o strangelove, o strangelove ou o strangelove, lamentamos mas têm que ir à loja ali ao lado.

mas tudo bem, aceito. agora não peçam é para ficar indiferente ao facto de terem retirado do final do concerto - mas quem é que decide estas coisas? - o waiting for the night, que faria aquele momento de calmaria antes de sairmos em direcção ao senhor das castanhas que está ali por volta da escultura do daciano.

mas...

mas, a minha querida karla é que disse a coisa mais importante acerca dos depeche mode: «se eles não viessem era bem pior.». isto é uma bela e reflectida verdade. principalmente com estes gajos que no espaço de 3 anos já cancelaram 2 concertos na nossa terra.

e por isso, sim, por isso eu tenho é que me deixar de merdas e agradecer aos santinhos o facto de em quase 15 anos ter oportunidade de pela terceira vez ver estes malandros.

eu não sou fã desde o início. gostávamos deles - do see you, claro - como quem gostava, sei lá, do non-stop erotic cabaret. para nós era igual. a coisa comigo desenvolve-se, bem no fim dos oitentas, empurrado, claro, pelo music for the masses e, obviamente, pelo 101. daí para a frente a coisa foi sempre a abrir. e merecem.

não teremos os subvalorizados dada (meu deus, mas para quando um concerto qualquer, mesmo que num reles bar da praia de carcavelos?), não teremos os the bravery mas, teremos oportunidade de ir ao bar sacar uns traçadinhos quando o gomo estiver a fazer das suas.

eu estou para aqui a baldar umas postas de pescada mas é irritação de momento. eu sei é que amanhã, sim, amanhã vou ficar que nem um puto, ali aos saltos, a assistir aos malabarismos daquele que eu considero o melhor frontman do mundo (sim, eu sei que o jagger ainda está - e bem - no activo). e se dúvidas houver, tomem atenção ao que ele fizer no question of time, no enjoy de silence, naquele momento «music, literalmente, for the masses» que é o never let me down again, e, obviamente, quando já de tronco nú, estiver à beira do palco, com a mão em concha atrás do coirato esquerdo, apontando o microfone para o povo com a mão direita a puxar a malta a gritar riiiiiiiiiiiiitxautentâtxfaid!

por isso, como ele já não anda de 501 brancas, justinhas, para espevitar a bilha, como tamém eu não tenho barriga para poder ir de tronco nu e um mero colete à lá empregado do nicola, terei mesmo que arrancar, assim, à bruta, os botões dos punhos da minha camisa preta e bazar para o pavilhão depois de duas sandes de leitão da meta, para então armar-me em dave, ali durante o período exciter tour com as mangas da camisa desfraldadas sore as mãos.

In Chains
Wrong
Hole To Feed
Walking In My Shoes
A Question Of Time
Precious
World In My Eyes
Fly On The Windscreen
Sister Of Night (sung by Martin)
Home
Miles Away / The Truth Is
Policy Of Truth
It's No Good
In Your Room
I Feel You
Enjoy The Silence
Never Let Me Down Again


Dressed In Black
Stripped
Behind The Wheel
Personal Jesus


esta, bem sei, não irão tocar, mas dava um final e pêras, não era? bom, alguém que tenha conhecimentos que me faça o favor de chegar aos senhores este humilde e sério pedido.


terça-feira, novembro 10, 2009

oh roberto, foda-se pá!




(e nestes casos fico sempre, mas sempre sempre a pensar, quando é que eles realemente desistiram? é que, na verdade, quando a coisa sucede, quando acontece mesmo o tal «long way down» já eles desistiram há uns bons tempos..)

(foda-se! passo-me com estas merdas!)

segunda-feira, novembro 09, 2009

bácoro




descobri que de quinze em quinze dias, à sexta-feira, há aqui uma casa que vende sandes de leitão. não é um leitão fora de série, também não é um leitão de se deitar fora. é leitão, pronto!

aguardo, religiosamente, a chegada do dia 20 de novembro!

depeche mode: ponta da situação

esta é só uma ponta da situação. a outra ponta (final) espero fazer umas horas antes do concerto. porém, até ver, tenho a dizer o seguinte:

- os malandros decidiram retirar o waiting for the night do final
do concerto, eventualmente daquele «número» em que o dave dá um beijinho na mona do martinho. estúpidos!) andou ali tão bem a fechar a latin america tour leg e tal, mas quando entraram na alemanha, boca! desapareceu.

- continuo a não compreender a inclusão do fly on the windscreen. é daquelas canções que já existiu, salvo erro, no setlist de alvalade em 1993 e ninguém percebe porque é que eles insitem nela: é má, é datada, é feia, ninguém sabe a letra... dá ideia que é um pagamento duma promessa qualquer à nossa senhora da ladeira.

- o set list não é assim tão "mau como tudo". é certo que há pessoas que ainda vão lá à espera de ouvir o just can't get enough - o que é de lamentar -, outras esperam o pedalão do strange love - o que é de louvar - nenhum dos grupos sairá feliz. é a vida.

- felizmente não abusam muito deste último disco. tocam, digamos qb.

- infelizmente, o exciter - que não é mau de todo - é colocado de parte.

- definitivamente, os pontos altos serão: personal jesus e o never let me down again. eu, além desses, gozarei muito, mas muito mesmo com o a question of time.

- o world in my eyes esteve fora durante muitos concertos da américa e está de volta (yeahhhh).


domingo, novembro 08, 2009

mijinha

solidifica-se cada vez mais a solução para as vontades de mijar que ocorrem durante os jogos do clube: é ir quando o bruno alves pega na bola para ir marcar um livre directo.

cada sachadela, cada minhoca!

sexta-feira, novembro 06, 2009

a memória é uma coisa muito gira, não é?

leio por aí, escritos benfiquistas, zombando com esta coisa da saída do paulo bento.

ora o moço, que para alguns (aí cerca de 70%) dos sportinguistas foi um alívio tão grande ter saído porque já não suportavam ter que o defender - assim mais ou menos do tamanho do alívio que tiveram quando o ricardo abalou para espanha - não se pode dizer que tenha tido um trajecto assim tão, tão mau.

vamos lá ver: ficou sempre em 2º lugar, ganhou duas taças e duas supertaças de portugal e andou, mais ou menos (não muito mais, é certo), pela europa e tal..

pergunto aos inflamados e zombadores benfiquistas: durante o período de tempo em que o bento foi treinador do sporting, que títulos vocês ganharam? uma supertaça e uma taça da liga, certo? quantos 2ºs lugar? nicles! e mesmo assim, ainda houve um ano em que nem ao 3º lugar chegaram. se é para gozar, cum raio, gozem, sei lá, com o professor neca, ou coisa assim!

e já gora, a quantos treinadores, durante esse mesmo período, pagaram vocês valentes indemnizações?

(ainda por cima, quando ele veio de espanha, foram estúpidos os suficiente para não lhe abrirem as portas. estavam, pelos vistos, muito bem guarnecidos. estavam estavam...pelo uribe ou o ednilson não era?)

terça-feira, novembro 03, 2009

santa inocência


uma vez por ano (ou época) eu entusiasmo-me, grito golo e assusto a minha filha.

tudo começou há cinco anos com um caralho dum filha da mãe dum soberbo golo do rui costa e, paulatinamente, a coisa tem continuado.

armada aos cucos com a alegria de ainda estar acordada, a minha filha, lá foi vociferando vivas em voz alta: ehhh, o clube do pai ganhou, viva, viva!

às tantas tive pena dela: nem percebe o que é ser-se do clube do pai nem percebe o que é ser do scp (graças a deus).

mas pronto, dou o desconto, dentro de dez anos estará a fumar brocas com um energúmeno qualquer ali do núcleo da juve leo de tires, após o qual chegar-me-à a casa às 3 da manhã, depois de ir mandar bocas e impropérios a um bettencourt qualquer, à chegada da sua equipa à portela de sacavém.

é gozá-la enquanto posso, aqui à minha beira, a brincar com pecinhas de madeira e a construir estruturas de arranha-céus.

gosto tanto do senhor nuno luz. é um jornalista do caraças

eu não tenho meo. nem sei ver futebol sem ter carregado previamente no botão do mute e colocado umas músicas meio decadentes ali daquele período que vai desde não sei quantos até 31 de dezembro de 1989.

mas contem-me quem tem: o benfica tv é mais ou menos assim?


segunda-feira, novembro 02, 2009

mania dos chouriços

continuo a não entender porque é que se dá tanta importância e valor aos golos que nascem de petardos de fora da área.

principalmente quando se parecem com livres directos, marcados sem barreira.

(o histerismo que os senhores da sporttv ontem exteriorizavam após a marcação do golo do manu, era, no mínimo, patológico.)

(mas pronto, lá está, isto sou eu que tenho a mania que eu golo de jeito é aquele que é antecedido de pelo menos uns 3 ou 4 bons passes ou, pronto, de 4 ou 5 fintas do caneco!)

mania de você

eu sou por manias. todas elas parvas, claro. ora se são manias...

agora ando com a mania que o próximo treinador do clube há-de ser o villas boas. e olhem que não é uma mania recente, tenho-a, pelo menos desde 2006.

mas pronto, também ainda não desisti de julgar que o latvala vai ser um dia campeão do mundo.

lá está, manias!

xô sérgio

de maneiras que ao que parece finou-se o antónio sérgio.

de maneiras que ao que parece também fica bonito escrever qualquer coisa com aquele ar de «as inúmeras janelas que ele me abriu para o mundo musical e blah, blah, blah...»

lamento mas não me incluo nesse lote. a culpa, claro, não é do antónio sérgio, coitado.

bom, vamos por partes: se há grupinho "irritanchi à beça" no panorama da fauna musical portuguesa, são, obviamente os antigos vanguardas, posteriormente indies e actualmente alternativos. se há grupo com maior percentagem - cerca de 95% - de pessoas com aquele ar «isto aqui é que é bom, aquilo aí que tu ouves é foleiro e menor» são estes que referi atrás. sei do que falo, frequentei essas «zonas zoológicas» e realmente aquilo cansa. cansa porque tem coisas (musicais) muito, muito más.

pior, confundem alegria com brejeirice e confundem brejeirice com mediocridade. poderia dizer que os metaleiros e os clássicos (antena 2) também são um bocado assim. aceito, tudo bem. mas os alternativos metem essa malta toda num cantinho.

o problema é que entretanto essas pessoas crescem e não mudam. ora eu não peço que mudem de gostos, mas peço, cum raio, que deixem de vez a atitude pedante.

já não temos 16 anos. já lá vai o tempo em que ter uma t-shirt com a foto do garlands ou do porcupine era um santo e senha para se ser «aceite».

ora, todo esse grupinho, está hoje de luto pela morte do senhor sérgio. é claro que o senhor sérgio não tem culpa nenhuma das atitudes pedantes dos seus seguidores. não podemos culpar o menssageiro pelo efeito da mensagem. longe, muito longe disso e é certamente uma afronta eu falar sobre esta coisa no mesmo texto sobre o antónio sérgio. mas não resisti, confesso. foi mais forte que eu.

eu lamento a morte do antónio sérgio porque lamento o desaparecimento duma característica que ele tinha ao qual eu tiro o chapéu. ele foi o último dos moicanos, o último dos radialistas da sua geração (e da geração dos que punham discos na rádio quando eu ainda não tinha pêlos nas partes de baixo - nem nas de cima!) que não trabalhava com playlists. se há coisa que eu odeio são programas com playlists. ou melhor, eu tenho é pena de não haver mais programas daqueles em que os senhores que iam lá pôr música, pegavam num molho de discos escolhidos previamente e «olha, hoje toco estes.» assim, sem mais, apenas porque lhes deu na veneta.

e por isso, caramba, aqui fica a minha chapelada ao antónio.

(e não há um caralho dum vídeo no you tube com os xutos a tocarem o som da frente!)

quinta-feira, outubro 29, 2009

a walk in a park

estou aqui de telefone na mão a tentar falar com o instituto de seguros de portugal (estes "meus" dependem de que ministério, porra? isto era «olho na rua!» para estes gajos todos, foda-se!) e ao mesmo tempo ouço lá fora, os gritos da minha filha que anda por estas bandas no passeio semanal ao parque da sua aula da creche.

se eu podia viver sem isto? podia, mas não era a mesma coisa.!

(peguei no telefone, vim à porta, e gritei «cuuuuuca!», ela olhou, viu-me e não me ligou puto.)

(acho que estavam de volta dum cagalhão canino. digamos que há umas certas prioridades na vida, não é?)

(ser pai é isto.)


segunda-feira, outubro 26, 2009

ainda assim, não consigo desarriscá-lo dos escritores que me fazem tão bem à alma.

assisto com um misto de tristeza e de um outro sentimento esquisito e indescritível (mas que se assemelha àquilo que sinto quando olho para os tigres - tristes, cheios de peladas e cicatrizes - nas jaulas dos troleys dos circos) ao rol de entrevistas que o lobo antunes faz, cada vez que lança um livro.

não é bem o não gostar do «tipo de espectáculo» (também é, ok). é que gostava, por exemplo, de ler coisas... como é que eu hei-de dizer... ler coisas sobre o tal livro que ao que parece o senhor escreveu.

com estas entrevistas - sempre com aquele tom de «sabe, antónio, pode dizer as coisas, nós gostamos muito de si, não tenha medo de falar. e por favor, sim, por favor, não se arrelie e não nos mande a todos "para o caralho e mais a estas entrevistas que a minha editora me arranja!", nem baze daqui para fora porque o meu editor mete-me no olho da rua se não faço depois, assim, um texto em que falo sobre o seu quotidiano, as lombadas dos seus livros, o faulkner, o tchekov....», acaba-se por criar uma coisa menos jornal das letras e mais «na cama com», transformando o lobo antunes (que não escreve um romance em condições desde 1999) (ok, tudo bem, o legião é um "suficiente mais") numa espécie de personagem do tratado das paixões da alma.

tenho pena do senhor, só isto!

terça-feira, outubro 13, 2009

maitê

o que me preocupa não é o video da maitê proença, moça que eu sei, teve o condão de desencadear certamente algumas vigorosas sarapitolas durante os anos oitenta. adiante!

repito, o que me preocupa não é o vídeo. aquilo só revela aquele tipo de tentativa - manifestamente frustrada - de gozar e sair por cima. também não me preocupam as gargalhadas finais da turminha feminista do programa no final do vídeo. só quem nunca viu o programa pode achar a coisa estranha.

francamente, o que me preocupa são os comentários generalizados que depois se fazem ao resto da população brasileira. acho piada, confesso.

e acho piada porque, normalmente, vêm do mesmo grupo de pessoas - pronto, já agora também tenho direito a generalizar, não é? ai não tenho? então eu vou generalizar para verem como fico ridículo - que comete os mesmos erros: os portugueses.

ao que parece a senhora proença andou lá a mandar umas bocas cometendo alguns erros históricos. quando eu entrei na faculdade, num simples inquérito junto dos caloiros de história, repito, junto dos caloiros de história - ou seja, pessoas que iam tirar o curso de história e que têm, presumo, uma bagagem de história diferente dos que andam a assentar tijolos ou, por exemplo, a escrever em blogs - revelou que 30% dessas pessoas colocaram, numa ordem cronológica, o dom afonso henriques antes de jesus cristo. repito, 30%. para os que não sabem o que isto quer dizer eu elucido: em cada 100 pessoas que entraram no curso de história, havia 30 que julgavam que o jesus cristo tinha nascido após o dom afonso henriques. vale?

se calhar é um exemplo meio tolo. mas acreditem, não é. é um ramo basilar da cultura de um povo: a história. e se vejo pessoas ficarem muito chocadas porque a maitê disse que o salazar esteve (apenas) 20 anos no poder, já acho estranho que tenha havido poucos comentários ao facto dos que votaram, não no salazar como o melhor português de sempre, mas sim num dos actores das telenovelas da tvi. (ahh, são putos que votaram, isso não conta. são putos e o cérebro - cerco, como diz a minha filha - ainda não está desenvolvido.)

fode-me este tipo de generalizações. se um par de brasileiros assalta uma dependência do bes, logo todos os brasileiros são ladrões. se uns brasileiros convidam os portugueses a desvincularem-se de dez porcento do seu ordenado em nome do senhor, logo todos os brasileiros são uns místicos gatunos.

porém, ninguém generaliza em relação aos portugueses que vão ao teatro ver a teresa guilherme; que dizem museu dos "cóches" em vez de museu dos "côches" (devem julgar que é um museu de viaturas espanholas); que dizem «é assim» ou «portanto» no início das frases; que elegem para presidentes de câmara pessoas que quando terminam de
alcatroar a alexandre herculano, colocam placas (caras!) a dizer «fui eu que fiz»; que realmente não só cospem nos monumentos nacionais como também não sabem o que quer dizer «egrégios avós» ou «ínclita geração»; ou ainda que escrevem blogs tolos, cheios de vernáculo e erros ortográficos como este que agora ledes.

afinal a maite até tinha material para fazer um vídeo a dar baile aos portugueses. o pecado dela foi ter escolhido mal os temas abordados.

segunda-feira, outubro 12, 2009

ennnnnnlástico

imbuído pelo espírito da coragem, entrei shopping adentro com o intuito de, duma vez por todas, sair de lá com um par de calças novas.

dentre as calças que o senhor teve a amabilidade (eu odeio comprar roupa) de me sugerir, estavam umas que, tchan tchan tchan, além de muito justas eram elásticas.

cheiravam a 1985.

estive aí uns dois minutos a tentar espremer o meu corpo lá dentro (o moço tinha-me garantido que aquilo era o meu tamanho). quando me olhei no espelho vi uma coisa muito estranha e esquisita lá reflectida. além de estarem por lá umas pernas à la iggy pop, tinha a sensação que o colhões estavam colados... sei lá, às omoplatas!

sexta-feira, outubro 09, 2009

haja paz


não desfazendo o moço que hoje ganhou o nobel da paz, eu tenho para mim (há lá frase mais gira que «ter para mim») que enquanto o fernando nobre não levar para casa os tais não sei quantos milhares de euros que o obama vai levar por ter tido o engenho de ser um moço educado e sensato - ao contrário do seu antecessor (ai que observação mais injusta, pedro jaime!) (não esquecer que foi por terem colocado o santana lopes como primeiro-ministro que o senhor engenheiro ganhou, nas calmas, as eleições de há 4 anos.) - eu não encontro justiça no caralho da atribuição dos nobel da paz.

por outro lado, antes o obama que outro gajo qualquer. por mim, o moço até poderia receber um «nobel sem pasta». assim como os ministros sem pasta que havia naqueles governos que duravam 3 meses ou menos.

quarta-feira, outubro 07, 2009

banhinho


a minha ignorância, provincianismo, distracção e brejeirice é por demais conhecida dentre as pessoas que (coitadas) me estão mais próximas.

recordo, acerca do assunto que falarei a seguir (equipamento de casa de banho), que, apenas quando fiz as primeiras obras na casa onde fui morar há uns anos, percebi que existem diversos tipos (diferentes, atenção) de toalheiros, os quais, claro, eram devidamente escolhidos pelos proprietários. resumindo, julgava que o maçon que andava lá com o trolha a fazer as obras, deslocava-se à estância mais próxima e dizia:

- ó américo, ontem o teu palmense levou na pá do camarate, hein?
- não gozes, meu cabrão, andam a jogar com os júniores. já ninguém quer treinar. que queres da loja?
- avia-me aí umas merdas para pendurar toalhas e papel higiénico.

pronto, era assim.

fiz, entretanto, outras obras noutra casa e aí já estava um niquinho avançado na coisa (não muito, claro).

sexta-feira vou dormir a casa dum amigo. irmão velho, gente da minha criação, casa nova, tudo bonitinho, bem decorado e tal... casa à facho com uma prateleirinha sob o lavatório com toalhas para os convidados e tudo. numa palavra: níbel.

entro no duche (odeio banheiras) e estou, seguramente, uns 37 segundos para descobrir como raio se abria a puta da torneira. esperto como sou, lá descobri a coisa. banhinho quentinho, aquele ritual do gel na mão, a volta saloia pela colhoeira, sovaco e bilha. a atenção redobrada nos coiratos, o pezinho já a cheirar bem e tal.... um mimo!

e após a ronha da água quentinha, já a aproximar-se a hora em que previa um esperado grito do dono da casa «ó seu paneleirão, julga que isto é o balneário de chelas? gasta-me a água toda! toca a despachar, foda-se!», sucede aquilo que muitas pessoas assimilarão como uma disfunção patológica mas que eu, no meu espírito jovial (deves!), lhe chamo «deu-lhe o amoque!».

é que eu posso ter levado 37 segundo a descobrir como se abria a água. mas, que raio, descobri não é? porém, percebemos que a idade nos deixa num caco, quando queremos, depois, fechar a circulação da água e voltamos a demorar mais uns bons 30 segundos porque entretanto nos esquecemos de como a abrimos e por isso não sabemos como havemos de a fechar.

(nem me digam mais nada, por favor! são modernices, pá!)

sexta-feira, outubro 02, 2009

estão todos bem uns para os outros

todo o mundo critica - por vezes com razão - as bocas e os floreados que ele volta e meia presenteia os adversários.

desta vez meteu-se com o benfica por causa do falcao.

e o benfica ou todos os outros que vão na cantiga do jorge nuno quando manda estas bocas não são resistem, querem armar-se em superiores mas acabam por demonstrar ser da mesma cepa.

tenho pena de, neste caso, o rui costa não ter tido a educação que a minha mãe me deu: «filho, não respondas às coisas que o luís maluco te disser. são atrasadinhos, temos que respeitar a deficiência dos maluquinhos e não lhes respondermos na mesma moeda.»

lá está, outros tempos.

quinta-feira, outubro 01, 2009

radomel

antigamente, quando os jornais eram a preto e branco, a primeira página tinha normalmente uma foto dum jogador a rematar ou a cabecear para golo. pronto, ficava ali registado o momento em que tinha acontecido o que realmente interessa num jogo, o golo.

aos despois desataram a mostrar, não o golo, mas um cacho de jogadores a festejar um golo. eram os tempos em que os jogadores festejavam golos.

eu acho que agora nem isso mostram. aparece uma foto lá do meio do jogo e já é um pau! na realidade, se tiver jogado o clube o que realmente aparece é uma futura e suposta contratação do benfica ou então o jesus mascarado de arnaldo exterminador.

recordei-me desta evolução porque eu não tenho nenhuma pachorra para aquele tipo de festejos de golo em que um gajo enverga uma cagança tal - assim como se tivesse acabado de descobrir a penicilina - que nem festeja nem nada fica ali a olhar para todo o mundo à espera que lhe digam «sim filho, foi um golo porreiro, foi sim senhor», fazendo-me recordar o gama que jogou na subida do vitória lá da década de oitenta. é sabido que não é cantona quem quer é mesmo só quem pode.

não tenho também paciência para aqueles festejos em que se reunem dois ou, quanto muito, três jogadores - normalmente, um grupo que se reúne depois à noite nos elefantes desta vida a pagar copos de champanhe às north caroline que por aí há - e abraçam-se ou cumprimentam-se assim como quem pergunta em debates «então, seu maroto, foi para o algarve?»

festejo, para mim, não é festejo que se cinja ao relvado, festejo, para mim, é à toureiro, assim, em grande, agradecendo a quem lhe bate palmas. festejo, para mim, é uma coisa encenada, assim, um drama. é coisa de vida ou de morte. festejo, para mim, não são aquelas corridinhas para o gajo que lhe fez a assistência. festejo, para mim, não é mandar calar os adeptos adversário. para mim, festejo é uma corrida sem norte, ali às voltas, como que se quisesse abraçar todas as pessoas do estádio. é ir a correr para a bancada de braços abertos e, com humildade ou com cagança - aqui sim, já a tolero - gritar de pulmões bem abertos: é golo, caraaaaaaaaaaaaaaaaaalho!

irritavam-me aquelas paneleirices do lucho e do lixa - que saudades deles, caramba! -; eram ridículos aqueles festejos do sporting a imitar uma bomba atómica; aqueles sambinhas dos baianos são uma parvoíce; o movimento de embalo dum bebé só teve piada quando feito a primeira vez pelo bebeto. depois disso, são gestos confrangedores. uma cambada de tolos é o que todos eram e são.

adiante.

meus amigos, eu não sei se finalmente tenho um ponta de lança em condições - coisa que não tenho desde o mccarthy. eu tenho memória bem apetrechada e por isso tenho a alma muito queimada pela experiência da segunda época do pena. quero com isto dizer que não sei se com este falcao é que nós vamos lá. eu sei é que finalmente e de certeza absoluta, tenho um jogador que sabe festejar golos!

esqueçam a qualidade do golo de ontem. aquilo foi, perdoem-me, um valente chouriço. a única coisa com peso conta e medida foi mesmo o passe do meireles. daí para frente já acho que houve muito grão na engrenagem: o trabalho do hulk muito atabalhoado, aquele remate com um pé direito que tem a qualidade dum josé torres foi no mínimo risível. e, para mim, repito, o toque é à chouriço. podem-me dizer que não e mais não sei o quê, mas para mim, é uma chouriçada. e guardem por favor a memória do madjer para outras situações. ligar aquele toque de calcanhar com o do madjer em viena é mais ou menos como confundir a estrada da beira com a beira da estrada. quero com isto dizer, duma forma subliminar que o golo frente aos leões é muito, muito melhor que o de ontem.

porém, meus amigos, reparem no show que ele faz após a marcação. o gajo desata a correr como louco, o cabelo a bailar, os braços abertos... que maravilha. vê se que há ali influências da escola argentina da bombonera e da monumental de nuñez. estou mesmo contente com esta aquisição.

sim, sei que é uma parvoeira das antigas gostar dum jogador pela forma como festeja os seus golos. mas, caramba, se o jogador festeja os seus golos significa que os marcou. se o jogador é do clube então significa também que o clube marcou um golo. certo? certo, claro!

ai este falcao. repito, que maravilha estes festejos. que loucura, a boca aberta, os braços em vê, assim à kempes, a forma como aterra de joelhos. oléééééé!

venham mais destes!



é claro que não há realizadores de tv em portugal que nos deixem ver estes festejos como deve ser. ou mudam logo para a camara que está a focar o banco dos suplentes ou o camarote presidencial ou... ou uma outra merda qualquer, pronto!

romano

eu gostava de avisar que se algum adulto comer a minha filha quando ela tiver 13 anos vai mesmo de cana. se por acaso ele conseguir sobreviver ao flagelo dos cartuxos de sal enterrados na peida, disparados pela minha caçadeira e conseguir fugir para o estrangeiro, fique descansado que se voltar ao meu país, mesmo que 30 ou 40 anos depois, vai de cana. chame-se ele zezé camarinha, tomás de mello vasconcelos, tomás taveira ou roman polanski.

para mim dá no mesmo.

e mesmo que a parva da minha filha me venha a dizer, anos depois «eh pá, bem vistas as coisas também não sofri assim tanto, porra!»

repito, dá no mesmo!