domingo, agosto 16, 2009

nebulosa

cara rita,

pronto, lá vim finalmente para o meu posto de observação do céu devidamente artilhado (sabes bem que este artilhado é um exagero) com o tripé para os binoculos (comprei o tal adaptador, sabes?) e, imagina tu, vim também com um monóculo que o meu cunhado me emprestou.
ora bem, acho que já te tinha dito, nem nos binóculos nem no monóculo havia qualquer referência à potência, características ou marca da coisa. por isso, lá fui eu para o campo sem ter nenhuma noção do que iria encontrar.
ainda estava a preparar o tripé (dizer «preparar o tripé» é uma coisa já meio pro, não achas?) quando alguém que comigo estava de férias comentou:
- olha, se vais ver o céu tens que olhar ali para aquele ponto que é marte.
marte? pensei eu cá para comigo, sem ter nem certezas nem dúvidas em relação àquela informação. olha, se for, porreiro. se não for, logo descobrirei o que é.
olhei para lá com os binóculos e, como deves imaginar, os meus «vastíssimos» conhecimentos levaram-me a um mero encolher de ombros somado ao previsível pensamento «talvez seja». acabo então de colocar os binos (dizer «binos» também é coisa de pro, não é?) (estou feito um cagão, já viste?) no tripé, aponto a coisa para o suposto «marte», vejo a coisa com mais atenção, vou buscar o pc para a minha beira, ligo o stellarium (com esta é que arrumei as questões todas. gajo que vai olhar o céu artilhado de stellarium está literalmente a armar-se aos cucos, não achas? um dia destes estou para aqui a falar em dobosianas e coisas assim, não é?), procuro com mais atenção e... eh pá, jupiter? será?
era.
que maravilha, rita. nunca tinha visto assim, pelo meu olheco, um astro desses que andam à volta do sol que não fosse a lua. tótil, pá. ali estavam eles, de um lado o europa, do outro o ganímedes... coisa mais gira.

depois fui à revistinha lá do sir patrick moore e aquilo lá tinha um gráfico todo catita com a evolução das luas de júpiter e lá fui acompanhando ao longo dos dias a coisa.
ora bem, vistas as coisas de júpiter desatei a tentar perceber o que raio se consegue ver com os binos devidamente fixos no tripé. eis quando tento procurar e.... e encontro a nebulosa de andrómeda. é pá, uma coisa diferente dum pontinho e tal. uma coisa assim fora do vulgar, gira, pronto.

encheu-me o dia. ou melhor, encheu-me a noite. daí para a frente lá fui seguindo as sugestões da revista. aquela coisa do triângulo de verão e tal. mas claro, volta e meia voltava ao planeta grande para ver o desenrolar do carrousel lá das luas. que maravilha.

ah, o tal monóculo não é mau. já se vêem as coisas mais pertinho e tal. mas é como tu já me tinhas prevenido, a quantidade de luz já é bem mais reduzida e torna-se também mais complicado encontrar o que se quer ver ou até, como sabes, ter uma nitidez da coisa.

mas gostei, gostei mesmo. e fiquei também com a certeza que dada a frequência com que terei estes céus, preciso de bater muitas muitas noites de binóculos antes de eventualmente - tenho sérias dúvidas - me meter num telescópio.

vale?

motas

eu não sou contra as motas.
eu não sou contra motards.
eu não sou contra as concentrações de motas.
eu sou é contra a minha ineficiência em conseguir conjugar as minhas férias com aquele período do ano em que não há concentrações de motas nos locais onde passo férias.

eu até compreendo, respeito e louvo o espírito camarada entre os motards.
eu até aceito e verifico que há motards - gente mais cota e tal - que vão para as concentrações com aquela aura zen de "iá, pisse ende lâve tu evri bodi".
eu não consigo é aceitar que me digam que, estatísticamente falando, este último tipo de motards seja o "cidadão comum" entre os motards.

não me fodam nem me enrabem, é só abrir os olhinhos. as pessoas que não têm nada que ver com as motas mas que têm que apanhar com elas durante as concentrações
sim, porque não julguem que os motards ficam circunscritos ao recinto das concentrações. não, nada disso, vêm cá para fora e andam por aí como fugitivos exibicionistas.
apanham por tabela com o vasqueiro que emana da porra das ponteiras
não era suposto haver um caralho dum limite legal para aquele coisa dos decibéis que as motas fazem?
apanham com o cheiro íntimo que os concentraccionistas (ou lá como é que esta gente se chama) transportam;
nada contra. quem fez inter rail ou semana de campo na tropa sabe que há coisas que não se conseguem evitar. sou é contra ter que apanhar com falta de asseio nas ventas.
apanha com aquele regime de excepção em relação à obrigatoriedade do uso de capacete
se eu decidir fazer uma concentração, sei lá, de carros amarelo-torrado permitem-me andar sem cinto? e sem cuecas? e sem pneus? e sem pára-choques? e sem carta?
e tem que assistir àquelas bonitas cenas, que por isto mesmo sucedem, onde surgem, na frente dos zelosos gnr, famílias numa mota, com o pai à frente, a mãe atrás e, no meio, entalado entre os dois, um ou outro bebé.
uma maravilha, ali os três e tal, sem capacete...
contudo, continuo a achar o top dos topes, aquele coisa de desatarem a acelerar a seco, ali a puxar pelas máquinas, o barulho a aumentar, os sorrisos matreiros deles e delas (pois, ataca a todos os géneros) como quem diz «maquinão do caralho, hein?» e as cumplicidades dos que assistem, sentados nos selins (ou assentos ou lá o que aquela merda se chama) a sorrirem também.
as cerejas nos topos dos bolos são aqueles ou aquelas que captam e gravam todos estes acontecimentos nas suas privadas câmaras de vídeo. imagino-os mais tarde, lá em casa, naquelas salas de jantar repletas de posters com uma ou outra águia da harley, interrompendo os programas das choppers do orange county com aquelas frases «ó toino, e se víssemos aquele vídeo com o necas a sacar aquelas gazádas na kawa?».
eu falei em cerejas e bolos no parágrafo anterior mas enganei-me. na realidade eu que queria deixar esta coisa das cerejas para este parágrafo aqui. é que podem não acreditar mas aqueles malandros dos motards já não se contentam espectáculos de gajas com tetos semi-tapados por camisolas molhadas. agora têm que terminar as concentrações com, imagine-se, raves ou tendas electrónicas e mais não sei o quê. ora acreditem, mesmo numa zona cuja topografia é bastante acidentada, mesmo assim, temos que apanhar com pum-pum-pum-pum-pum que atravessa vales e montanhas mesmo a mais de uma légua (são cinco quilómetros, não precisam de ir ao gugâl) de distância, isto, refira-se, às seis ou sete da matina.
foda-se, só me faltava mais isto. quero dormir, caralho!

sábado, agosto 15, 2009

ferrari

ontem guiei um «ferrari».

não andava propriamente a sonhar com isso todos os dias mas caneco, um ferrari é sempre um ferrari.
infelizmente não era um ferrari de 4 rodas mas sim um de 2 rodas. falo na realidade de uma bicicleta, um ferrarizaço das bicicletas.
meu deus, eu acho que vi a luz. há qualquer coisa de extraterresre em guiar uma coisa daquelas.
se estou a exagerar no entusiasmo? é provável que sim.
mas reparem, a minha primeira (e única) bicicleta comprou-me o meu pai, tinha eu aí uns sete ou oito anos. era uma chopper azul (à porto, carago!), sem mudanças, daquelas que se podiam dobrar ao meio para facilitar o seu transporte, pesadíssima e que perdeu o assento, poucos meses após a sua estreia.
era daqueles estilo harley e o meu pai teve o cuidado de adaptar um tubo de canalizador num selim branco, comprado na mítica ciclo-areeiro, localizada naquelas arcadas dos edifícios do início da gago coutinho.
ora, devido ao seu peso excessivo, ao selim que me obrigava a pedalar praticamente em pé por não chegar em condições com os pés aos pedais e àquela horrível configuração do guiador era um tormento conquistar subidas com ela.

e o meu bairro tinha (e tem) a característica de estar cercada por subidas (ou descidas). além disso, mesmo lá dentro do bairro, havia umas subidas, digamos, de primeira categoria, como por exemplo a da sede do vitória.

poder-me-ão dizer que a subida da mira fernandes era uma coisa puxada, que a calçada - principalmente devido ao seu piso em basalto e ao constante tráfego automóvel - era também uma coisa complicada e até que quem se atrevesse a subir a do carrascal tinha que ter a sua dose de loucura.

mas friso, subir a silveira peixoto não era para todos. aliás eu arrisco a dizer que nunca ninguém subiu a aquela via.

ora, é com estes pressupostos - somados, eventualmente, ao facto de as minhas últimas experiências ciclísticas terem acontecido numa bicla «conquistada» nuns pontos de combustível e graciosamente cedida por alguém que prefere vê-la a andar por aí sob o meu rabo do que arrumada numa garagem - que eu peguei então na bicla do meu cunhado. o tal ferrari que referi logo no início.
cum raio, aquilo é tudo perfeito, simplesmente perfeito. caraças, a gente bota os pés nos pedais e tudo se encaixa. deixa de haver subidas.
eu às tantas estava a ver que tinha ganho 10 quilos de músculos nas pernas mas não, eram mesmo o raio das mudanças que funcionavam ali, pianinho, sem saídas de corrente, sem trec-trec-trec a roçar nos carretos, com a suspensão dianteira regulável para não andarmos aos solavancos quando subimos as ladeiras. é tudo mesmo perfeito.

e depois o peso. é pá, eu acho que a minha mulher tem talheres lá em casa mais pesados que a bicla. que maravilha!
não posso deixar de referir aqui os travões da menina. para quem passou dois anos - entre os meus 11 e os 13 - a gastar ténis porque os travões da roda traseira não funcionavam, obrigando-nos a entalar o pé entre o quadro e a roda para reduzir a velocidade, acreditem, ter uma bicla com travões de disco é, não só uma loucura, como também, no mínimo, bizarro.
andei nela umas meras duas voltinhas de 45 minutos cada. mas caramba, só o prazer de galgar subidas nela... e estou a escrever esta isto, páro, olho para trás e vejo, na mesma frase "prazer" e "subidas" e há realmente coisas que só acontecem quando andamos num ferrari!
e não, não vou referir nem marca nem modelo da bicla para não virem os eventuais comentários (ou emails) do costume a dizer que «não, não, máquina a sério é uma não sei quantos, por medida, com garfos de titânio ou lá o que é. mariquices, de quem quer - como eu - falar só por falar. como se não houvesse vários "escalões" de ferraris. como se eu dissesse que tinha conduzido um daytona ou um enzo e me viessem falar que o veyron mete os outros italianos a um canto.

são os mesmos comentadores que nos respondiam «ah, mas se fosse um ml63 é que tinha pinta!» quando relatamos que a gaja tinha a mania de nos deixar assapar com o ml350 do pai para as dunas do guincho, depois de nos pagar valentes mariscadas no muxaxo. ainda que lhes replicássemos que aqueles tetos valiam punham qualquer ml63 a um canto...

bom, vou-me calar!

quinta-feira, agosto 13, 2009

férias

tenho dificuldade em compreender as férias sem que as mesmas sejam com calorzinho. não digo caloooooor entendem? digo, vamos lá a ver, calorzinho, vale?

tenho dificuldade em compreender as férias sem que as mesmas sejam passadas em fato de banho e chinelos. nada mais que isto. qualquer t-shirt, para mim, já é um sobretudo.
subscrevo aqui, desde já, a minha enorme admiração - e desprezo - pelas pessoas que vejo nas revistas - que também (quase) só folheio nas férias- e que usam, imagine-se, calças (encarnadas, amarelas ou verdes), gel ou, quem sabe, saltos altos.
tenho dificuldade em compreender as férias sem que nas mesmas eu não engorde. não me lixem, preocupações com a barriga têm-se durante os meses de frio. agora no verão? no verão comem-se: gelados, chicha grelhada besuntada com maionaise com alho picado, cerveja até fartar, tintol até cansar, sestas enooormes, doces de envergonhar aquelas freiras enclausuradas lá nos conventos...

tenho dificuldade em compreender as férias sem que nas mesmas não dê os meus passeios de bicla. volto a frisar: passeios. coisas feitas francamente com prazer. não que não me canse e sue a fazer isto, mas é tipicamente um «quem corre por gosto...

tenho dificuldade em compreender as férias sem que nas mesmas não me perca nas revistas que a minha mulher e outras veraneantes ao meu redor compram as quais mostram pela 356ª vez a gaja que o roberto severo andou em tempos a comer em mais uma festa de verão.

tenho dificuldades em compreender as pessoas que passam pelas férias como se fingissem que estão a trabalhar.

quarta-feira, agosto 12, 2009

pergunta francamente inocente

serei o único português que ainda se recorda que no verão de 2005 os jornais e os cronistas diziam que «este benfica de koeman é muito superior ao de trappatoni»; que no verão de 2006 diziam que «este benfica de fernando santos é muito superior ao benfica de koeman»; que no verão de 2007 diziam que «este novo benfica de fernando santos é muito superior à versão do ano de 2006» passando a dizer, semanas depois que «este benfica de de camacho tem uma alma superior à do treinador português»; que no verão de 2008 «o benfica de flores iria inundar os estádios de futebol com um perfume de campeão»?
serei?
eu bem sei que a actividade jornalística só sobrevive com páginas encarnadas. não tenho nada contra, note-se. caguei para isso. ficaria, isso sim, bastante aborrecido se os jogos do meu clube só tivessem, digamos, uma porcentagem de «montra» idêntica, ou seja, uns meros, 35 minutos.
não estou a dizer que este não vai ser o ano do benfica, mas quando toca a comentários, opiniões, essas tretas, não era altura dos escribas começarem a usar aquela treta dos paninhos quentes e mais não sei o quê?

crítico

não sei, confesso, se me hei-de aborrecer - o termo correcto é ralar - a sério com certas coisas durante o tempo de férias.
mais a mais porque cada vez que o faço estou a gastar valioso tempo de internet da pen do meu pai.
mas pronto, cá vai: «não consigo entender muito bem a essência da crítica de cinema». ou seja, não consigo tolerar que quando uma pessoa está perante uma folha de papel ou um ecrã de computador em branco, o seu único fito seja: tenho que dizer bem ou dizer mal.
fui à dias ao cinema. ora este acto que há uns anos era algo corriqueiro mas sempre feito com uma valente dose de expectativa, tornou-se, nos dias que correm, num momento de «só lá vou se acho que não me vou chatear muito».
calhou ir assitir à projecção dum filme, realizado pelo provavelmente único realizador que eu gosto mesmo. ora, esta frase já carrega algumas tolices. primeiro porque está subjacente nela que eu sei o que faz um realizador. facto que obviamente não sei. depois porque é uma afirmação fundamentada na soma das partes, ou seja, com base nas visualizações dos seus anteriores filmes. até aqui tudo bem. porém, as coisas que eu gosto - e muito - nos seus anteriores filmes, não tenho a cereteza, confesso, se têm o seu dedo de realizador ou se são obra dos montadores, editores, directores de fotografia ou essas actividades que os filmes têm e que depois, nos óscares todas as pessoas se estão cagando para quem ganha o quê. assim como assim eu decidi que o responsável pelo facto de eu gostar do filme x ou y, não sendo pelo actor ou pela actriz, é o realizador.
na verdade há umas quantas coisas nos filmes anteriores do senhor que eu não encontro nos filmes de mais ninguém. quando fui ver este filme, agora, já não encontrei uma das características que me enchem as medidas. porém, encontrei outras. e, pronto, gostei. dei a noite como ganha.
outras pessoas comentavam este ou aquele actor. tudo bem, é um comentário lógico e expectável. a mim, os actores passaram-me francamente ao lado. nem me aqueceu nem me arrefeceu. e se não me arrefeceu já foi muito bom.
mas claro, valeu o dinheiro gasto.
caí porém no erro de ler, sem querer, confesso, «coisas» sobre o filme. felizmente li só depois. e há um denominador comum em todas as tais »coisas» sobre o filme, ninguém escreve tendo em mente que as pessoas vão ao cinema para se divertirem, distraírem, ouvir/ver contar umas história, etc... não há um único escriba que não use o seu espaço para cair naquele caralhinho de desatar a escrever como quem atribui notas a uma turma que acabou de fazer um teste de ciências da natureza. não entendo, confesso.
foda-se, cinjam-se a dizer «gostei»/«não gostei» disto ou daquilo. por que raio têm que desatar a cagar postas de pescada sobre a textura do argumento ou a solidez do desempenho do director de fotogtrafia? é assim tanto necessário?
eu entendo que haja necessidade de se escrever, de se encher a página, mas não exageremos. e muito menos, não se perca o fito de informar o eventual espectador que «iá, tem lá umas cenas fixes, umas metralhadoras que até parecem reais e até há uma altura em que as gajas se mamam uma na outra!»
por vezes perde-se o essencial. mas pronto, isto sou eu a exagerar, lá está.

sexta-feira, agosto 07, 2009

morreu o joão

não foi só na adolescência, como muito bem recorda o mike gayle no life and soul of the party, que os nossos interesses femininos se dividiam em gostos pelas molly's ou pelas ally's desta vida. ainda agora, olho para homens que conheci ainda putos chavalecos e, quando me apresentam a mulher (companheira, namorada ou essas coisas), fico logo com vontade de os interpelar «arranjaste uma molly? é pá, sempre julguei que eras mais ally?»

esta dicotomia é apenas um dos aspectos que são fotografias de quem tinha borbulhas na cara entre 1980 e 1989 que o john hughes tão bem decidiu mostrar no sixteen candles, no breakfast club e no pretty in pink.

parece que o senhor joão bateu a bota. temos pena. eu pelo menos tenho muita pena. até porque nunca mais voltaram a haver filmes como aquele.

ok, aceito que o joel schumacher também fez o st elmo's fire. mas, convenhamos, não é a mesma coisa. para mim, não é realmente a mesma coisa.





sexta-feira, julho 31, 2009

o rei do lexotan

percebemos que somos uns eternos proprietários de mundos desconhecidos quando, após decorrido um par de horas, já recebi uma mão cheia de perguntas acerca de minha eventual ida à missa do leonard cohen.

meus caros, cohen, até ver, só mesmo os irmãos cohen e mesmo com esses, nem sempre. a música e a voz do leonard cohen é seguramente das coisas mais soporíferas que a indústria não farmacêutica alguma vez produziu.

é uma valente seca!

o meu leonard cohen ficou morto, morrido, matado e enterrado, alguras no final dos anos oitenta quando também foram enterradas as idas ao quarteto por causa do tarkowski ou as sandes de clearasil para sanar as erupções cutâneas.

salva-se o facto do senhor senhor uma pessoa simpática e educada.

além disso, já não há cu - nem peida nem pacote - para aguentar a forma como as pessoas me questionam acerca da ida ou não à referida missa «foste ver leonard cohen?».

foda-se, mas haverá alguma directiva comunitária que impeça as pessoas modernaças de utilizarem artigos definidos?

ó que caralho! falam de músicos como quem fala de colheres de pau! desemparem-me a tasca, por favor!

quinta-feira, julho 30, 2009

sniff, snifff


já não me bastava o salvador do salvador dali, o uomo da trussardi, o photo do lagerfeld ou o new west da aramis agora chegou também a vez à armani?

pergunto, duma forma bem séria, quem foi a valente cavalgadura que retirou de circulação o city glam?

fit less

percebemos que não estamos em forma quando na aula de ginástica passamos mais tempo a olhar para o relógio e a contar os minutos que faltam para o fim do que a controlar os tetos do mulherio reflectidos no espelho.

quarta-feira, julho 29, 2009

bonny

sou dos que acham que o steve mcqueen (o melhor disco dos anos oitenta) não deveria começar com faron young mas sim com o bonny.

aliás tenho a certeza que muitas das desgraças que o meu mundo conheceu em 1985 se deveram ao facto de me ter chateado tantas vezes quando tentava acertar com a posição da agulha do gira-discos, ali na segunda cantiga do lado a.

porque reparem, logo após a bonny, vem a appetite, seguida pela when love breaks down, terminando o lado a com a perfeita goodbye lucille #1 mais conhecida pelos amigos como a johnny johnny.

por isso, se o mundo fosse perfeito, tinham passado o desire as do lado b para o lado a, eu diria, deixa cá ver, entre a when love breaks down e a goodbye lucille #1 e, com alguma arrumação, também lá enfiavam a horsin' around.

mas também não sou fundamentalista, se já não coubesse no lado a podia muito bem ficar no lado b mas no início. ou então, esperem lá, já sei. mandavam a appetite para o lado b dando então espaço suficiente para a entrada da horsin' around.

confusos? acredito. são desejos dum louco e como sabem não se devem contrariá-los.

resumindo e concluindo, lado a: bonny, when love breaks down, desire as, goodbye lucille #1, horsin' around; lado b: appetite e as restantes.

(para o povo que não sabe o que é comprar e pôr a tocar discos de vinil acredito que este post seja uma valente estupidez. e é. para todos os outros, admito que também o seja. e realmente é!)



há tanto tempo que eu não falava de bola


hoje é dia de liga dos campeões.

mas: a bola fala na felicidade do keirrison, o record fala no peixoto e o jogo fala nas costas dos cagões (ou nos cagões de costas ou lá o que é).

pronto, parece-me justo!

terça-feira, julho 28, 2009

las palabras de amor (ou um dia destes ponho o body language que eu também gosto muito)

as minhas experiências musicais, como vos é dado a perceber pelo que vai acontecendo neste blog de trampa, têm uns valentes paradoxos. os meus queridos rolingue pedras, por exemplo, têm discos tão, mas tão bons, como o exile on main street ou o black and blue e apesar disso o disco de que mais gosto é o undercover; o prince tem coisas tão giras como o around the world... e a minha paixão cai sempre no parade; e aqui os queen de quem eu já gostei mais - mas que adoro como quem adora a função renal que os ereteres têm o a night at the opera - têm umas coisas bem à maneira como o jazz mas de quem, vá se lá a saber porquê, gosto muito do hot space.

pela vossa saudinha, não me tentem compreender.



quarta-feira, julho 22, 2009

todo lo que hago lo hago por ti

como já lá vão aí uns 17/18 anos, já se pode gostar do waking up the neighbours sem acharmos que estamos a gostar de músicas foleiras ou aquilo é um rótulo que fica para sempre?


segunda-feira, julho 20, 2009

tenho saudades, confesso, do «portanto»...

e então do «pertantes» nem queiram saber!

isto tudo porque já não há pachorra para ouvir pessoas começarem frases com «é assim»
.

quinta-feira, julho 09, 2009

pernóxtxicu

- césar, eu já fumei um maço de cigarros, pode?
- não pode...
- diz a ela que está crescida, pode fumar à vontade. eu te dei a piteira, com a piteira filtra tudo.
- ahhh, mas fica pernóstico
- você só pega o ar das montanhas.
- com a piteira fica pernóstico.
- eu adoro aqueles picos altos ali em teresópolis...
- ... o dedo de deus...
- ... pico, pico boulevard

este video não faz jus a este diálogo entre o camargo mariano, o tom jobim e a "hélice" regina.



mas é o que se arranja. e não se arranja nada mal, não senhor!

terça-feira, julho 07, 2009

cultura pop

que ninguém se ofenda com a coisa, mas ando por aí a ler tanta letra, tanta palavra, tanto parágrafo, coisas tão apuradas, descrições tão precisas de tudo o que sucedeu ontem em madrid com o cristiano, gente tão revoltada com as emissões, com o tempo gasto pelas televisões que fico na dúvida: essa malta tinha o botão de desligar a tv ou de mudar o canal avariado?

eu por exemplo aproveitei para cagar - li mais umas 13 páginas dos relatos do comandante vasco moscoso de aragão (acabei há pouco no dentista) -, mudei o saco do lixo da cozinha - a tola da minha filha tinha despejado umas casacas de meloa lá para aquele espaço entre o balde e o saco de plástico e estava já a ficar um cheiro que não se podia -, e estive a fazer um refill a dois frascos muito apaneleirados, com uns pauzinhos e tal que exalam um cheiro porreiro a chá verde. um dos frascos está no meu quarto - não, a minha mulher não. sou só mesmo eu que cheiro mal de noite - e o outro está na casa de banho.

ahh, compreendo, estavam só à espera para verem as imagens da tomada de posse do novo ministro da economia. ok, pronto, já percebi! era realmente um tema porreiro.

e não, isto não nenhuma indirecta, directa ou abordagem a tema algum. até porque eu já não consigo fazer directas e abordagens faziam os filibusteiros.

intervalo grande

se eu tivesse que responder, com sinceridade, àquelas incansáveis provocações que nos fazem quando chegamos aos entas

nada muito diferente das que nos fizeram quando desatámos a
trintar por aí fora

aquelas coisas do «e então, como é ter quarenta anos?» eu diria que ter quarenta anos é ter patine na saudade.

assim como os prédios da almirante reis sempre tiveram patine

noutro dia reparei que os das avenidas novas, agora que nos aproximamos a correr do fim desta década do novo milénio, começam a ter também patine de boa casta nos alçados frontais


também nós olhamos para as nossas saudades mais remotas, com aquela coisa boa de lá encontrar paredes com vestígios de mais de vinte anos, assim como as paredes com camadas sucessivas de cartazes das festas do avante ou dos concertos de apoio à libertação do povo oprimido pelo general noriega.


se aos trinta eu verificava que aconteciam com bastante frequência frases iniciadas com as palavras «lembro-me, há vinte anos...», aos quarenta, tenho a felicidade de reencontrar pessoas que não via há pelo menos, os tais referidos «há vinte anos».

e sucedem-me com uma velocidade estonteante esses reencontros: há dois anos foi a fantástica reunião de colegas duma muito gira turma do meu rainha dona leonor; há uns meses marcou-me muito um valente simpósio gastronómico em casa da minha única prima carnal

gosto muito de dizer «primos
carnais»

aqui do meu lado jaime, a «tal» prima que todos nós tivemos, temos e teremos;

gosto tanto de tua pinta, pá!
;

no meu 40º aniversário recebo um telefonema duma ovelha transviada que abandonou há uns 18 anos um rebanho muito porreiro; desde há uns dois anos, ou coisa que o valha que me ando a empanturrar com valentes comezainas nuns encontros muito aprazíveis

não penses que os caracóis de ontem fazem esquecer o leitão. e aviso já que não te armes em caçador gabirú, a apanhar estorninhos com pescoceiras armadas lá no terreno para nos servires passarinhos com arroz. estou para aqui a falar e se calhar nem sabes o que são pescoceiras. nahhh, deves saber!

com gente da velha, velha, velha guarda; há uns meses foi uma mana que esteve guardada uns oito anos, precisamente para me saberem melhor uns reencontros valentes, acontecidos já neste ano que andamos a percorrer; são histórias atrás de histórias.

e se o facebook (ou o hi5 ou o raio que o parta) é o novo suplemento dos classificados com anúncios a reencontros do batalhão de combatentes destacados no uige de 1968 a 1972, então juntemo-nos ao facebook que não vem daí mal nenhum ao mundo.

e eu ando para aqui a engonhar, com este texto nitidamente de «ir ao cu» e nunca mais chego ao que interessa.

falei ali atrasado numa turma do meu querido rainha dona leonor. foi uma turma criada ali por volta de 1986/87 ou coisa que o valha, gente já com bigode rijo e tal, pessoal que já tinha arrumado os lusíadas - cheios de desenhos grafitados de adamastores com palas à pirata e bigodinhos hitlerianos - na prateleira mais alta e andava agora na livraria da fundação gulbenkian, lá na cave, armados em finos e carapaus de corrida, feitos parvos a comprar o pesadíssimo jansen. mas tinha mesmo que ser comprado...

pois, agora falo-vos de uns cromos mais difíceis.

começaram timidamente; este adicionou aquele, que descobriu depois aqueloutro e mais não sei o quê e quando demos por ela, estavam umas pessoas que já não se viam há uns vinte e tal anos a coleccionar almoços à sexta-feira.

e desses almoços de 48 minutos cada, partimos para o patamar da jantarada.

mas aqui já é preciso sorte. da mesma forma que havia sempre um tanso que tinha mais lata e paciência para os aspectos logístico-escolares e que apanhava com o frete de ser o delegado de turma, também aqui há uns (e umas. calma, não atirem pedras) que fazem os favor de nos oferecerem de presente: folhas de excell com relações de alunos, contactos telefónicos, messengers... e que marcam mesas em restaurantes, organizam contas, falam com empregados de mesa e coisas assim.

depois há gente, nitidamente mais parva (não tens outro nome, meu querido engenheiro) que enfia em sua casa, uma dúzia de bêbados e barulhentos cotas, carregados de paletes de cerveja, sacos de gelo e uns cd, para evitar que os plateaus desta vida ganhem uns trocos com um bando de cantores de karaoke.

este post, como a maioria das coisas deste blog, é obviamente escrito com um (uns) destinatário(s) na parte da frente do envelope.

é assim mesmo!




madrugada de domingo, no regresso a casa, transportando comigo muita emoção boa, uma valente cólica renal e um ensonado advogado, comentava com este último, como é bom ter andado na escola com pessoas tão diferentes que chegam, depois, aos quarenta e ãs, comportando-se duma forma tão homogénea e pateta. como é bom ver chegar à nossa beira, esta ou aquela pessoa que já não vemos há tantos anos, darmos um abraço, soltarmo-nos num repente e disparando para o outro um «vais tu ou vou eu pedir duas tulipas ali ao balcão?» assim, como quem diz «vai-me ali à mirita do bar e tira-me uma senha para um bolo de arroz, enquanto vou num instante ao wc passar o meu kispo por água, que o cabrão do augusto mandou-me com um torrão de terra com tanta força que até parecia que me partia o ilíaco.»

não me apetece (se calhar até apetece) estar para aqui a reflectir muito sobre a noite de sábado. sei é que fiquei com a sensação que tinha estado de novo, num dos intervalos da escola. no grande, no de quinze minutos. é isso, para mim, aquilo foi o intervalo grande.

e eu espero que a minha filha nunca nunca leia esta parte - tenho a certeza que se está cagando e andando para isto - mas para a sua formação mais lá de dentro da ialma preocupa-me mais que ela chegue aos 35 ou 40 anos com o espírito de saudade e reencontro que o pai e os seus amigos de escola têm, do que ter passado os anos todos, cheia de: boas notas, irrepreensíveis comportamentos disciplinares ou folhas de avaliação pejadas de «assíduo e pontual»

(gostava de ter exagerado com o que escrevi nesta última parte, mas estou ainda tão emocionado com aquilo tudo de sábado que por enquanto é assim que fica.)

dê, dê, dêdêredê
dê, dê, dêdêredê
dê, dê...




(só deus sabe porque carga de água, onde está a maria, está um bando de gajos todos augados à volta.)

quinta-feira, julho 02, 2009

roy orbison singing for the lonely

quem cresceu sob o livro de horas do thunder road, sabe que haveremos sempre de imaginar os lonely a receberem cânticos do roy orbison.

e se já não tínhamos idade para ouvir as coisas do roy orbison, também ainda não a tínhamos para encaixá-las noutros momentos da nossa vida. provavelmente, já nem sentido faria até, convocá-las, precisamente para serem bandas sonoras do que quer que seja da nossa vida.

mas por outro lado fazia sentido que naquele filme em que a screen door slams, e em que como numa visão ela dança ali sob o alpendre ao som do roy orbison. não éramos apreciadores da sua música mas respeitávamo-lo porque os que amávamos gostavam da música dele.

alguras no final da década de oitenta, o t-bone burnett, decidiu reunir um bando de compinchas e pô-los a trabalhar para o roy orbison. chamaram-lhe a esse evento «a black and white night». estão lá todos os que eram preciso estar para homenagearem o grande roy. dentre eles destaco obviamente a bonnie raitt, uma moça, justamente (por mim) considerada o melhor malho do rock and roll. bom, mas não estou para me maçar em vos contar o que por lá aconteceu. simplesmente gosto e é bonito ver alguns dos «donos de palco», recuarem dois ou três passos e baixarem um pouco o volume da voz, para a festa resultar melhor.

trago aqui este dream baby porque... ora, porque escolhi uma em que o springsteen (braço direito lá do roy neste concerto) faz um valente papelão.

eu imagino como é que ele se estaria a sentir nesta noite.

muita atenção ao que acontece durante os sete segundos a partir dos 3:00 minutos!

(é um dos 3 melhores dvd da minha humilde colecção)

respeito!



quarta-feira, julho 01, 2009

igordutes!

fico a pensar, seriamente, no que que de grave se terá passado em criança, com os adultos que preferem iogurtes natuarais aos de frutas.

seca de morte (passe a expressão, por favor)

depois (depois uma ova, durante!) da seca que tenho andado a apanhar com a morte do máááááááíchaaaaaaaaaaaaellll, peço encarecidamente a deus que madonna, o thom yorke ou o chris martin, não morram nos próximos tempos.

porém, solicito, por exemplo, ainda ao tal referido deus, que faça o favor de re-matar, sei lá, por exemplo, o marc bolan.


segunda-feira, junho 29, 2009

russo

ainda com a cabeça naquelas três seguidas - assim, sem tirar - só o senhor (63 anos, atenção!), a guitarra e o povo:

two silhouettes, woman like you, in the night.

(houve mais, é certo. mas estas três, assim, da forma que foi. com tanto grito, tanta memória, e tanto dois(mil e um!) assim junto.

para (não) contar aos netos porque eles (não) vão entender (nada) isto!


sexta-feira, junho 26, 2009

whenever i get this way, i just don't know what to say

e ali taco a taco com o golden slumbers para o título mundial de "cantiga pequena demais", temos agora esta bizarre love triangle.

esqueçamos a versão original, a chamada peça de fábrica, que não é para aqui chamada. é coisa doutra fibra, é coisa do tempo em que havia luzes psicadélicas, do tempo do pré-strobe.

debruçemo-nos (assim com os bruços todos) antes nesta versão dos frente (frente, bruços, isto está tudo ligado).

coisa mai linda.

pela vossa saudinha, dediquem os vossos ouvidinhos a esta versão e concordai (nem que seja um gentil e silencioso abanar de cabeça «sim, senhor, o miúdo tem razão») comigo que esta dos frente é pequenina demais.

eu por mim, era como no slumbers: repetia-se as estrofes mais duas ou três vezes.

mas lá está, quem sou eu?


ai, fosse eu o george martin e outro galo cantaria

sou francamente contra o facto do golden slumbers estar coladinho ao carry that weight, lá no estrada da abadia.

obviamente, já me estou cagando e marimbando por outro facto também ocorrido lá na mesma estrada. falo do the end estar preso ao referido carry that weight.

mas voltemos ao mesmo golden slumbers. é gosto tanto dela, do piano - estranhamente até gosto dos violinos e tal - do paul, de tudo!

mas caramba, é tão pequenina, pá!

fosse eu o jorge martins lá da produção da émái e a coisa piava doutra forma:
- pxé, meninos, vamos lá a parar com esta fantochada. menino paulinho, menino joão, já ali para o canto escrever mais duas ou três estrofesitas para o raio da canção. ou então, decidam-se, cantam repetidamente por mais duas vezes as que já estão escritas. agora colar isto à fanfarra do carry that weight é que não! entendidos?
- ok george!


salve ó rei da pop...

... os rabinhos e as mãozinhas dos meninos descansam agora em paz.



(música com título deveras sugestivo)

morreu a rainha da pop pop

quinta-feira, junho 25, 2009

mitos urbanos

é oficial: o eduardo da conquilha, consegue ter piores empregados que a portugália (arroios).

(e não me fodam, já lá vai o tempo em que se comia lá bem. é melhor o mito que o rito.)


quarta-feira, junho 24, 2009

steppin' out

é daquelas que têm aquele ritmo especial, aquele pedal que eu adoro, e que tanbém encontro no keep passing the open windows ou no breakthrough.

mas eu não gosto nada do breakthrough e o keep passing the open windows não é para aqui chamado.

esta é daquelas que mereceu ser ouvidas num descapotável, altos berros e com o vento a bater-nos nas trombas.

(por outro lado, num descapotável o som não é tão bom)

e eu adoro esta canção. recorda-me estranhamente um cliente, num emprego que tinha quando andava na faculdade (ó luis, recorda-me o miguel e a sofia taveira, imagina lá tu).

eu acho que só hoje, já a ouvi umas 9 vezes, assim, seguidinhas, sem tirar a tolinha, nem nada!

steppin' out into the night
into the light....






só p'ra dizer

era domingo, estava um calor do catano e acordámos às tantas.

o comando da aparelhagem tinha lá um botão dos pequeninos com uma setinha. ela lá carregou no dito cujo. aosdespois, dumas caixas com uns altofalantes, saíram uns sons e uma senhora começou a cantar.

a moça que havia carregado no botão lá do comando ia cantando ao mesmo tempo que a senhora dos altofalantes também cantava.

e depois.... bom..... depois fomos almoçar um peixinho ao gonçalves.

(faz hoje anos)

sexta-feira, junho 05, 2009

sabes que começou no a - ah ah ah! e a seguir vem o e - eh eh eh, inteligente é com o i...

recebo via mail as fotos das mamas da ana malhoa na playboy.

fizeram-me recordar o 11 de setembro e as obras lá da minha casa.

primeiro porque têm o formato daquele prédio que levou com uma cena qualquer esquisita em cima. sim, têm um formato pentagonal.

e depois porque até os meus pedreiros (dou o contacto caso queiram) faziam obras (refiro-me aos tetos) melhores que aquelas.

duas notinhas mais:

1) aquilo já vai no número 3 e continua a não haver grelo à vista. confirmem-me as mulheres que lêem isto, é suposto vocês terem vagina, não é? é que isto começa a ser francamente estranho. temo que um brasileiro abra, sem querer - ou mesmo querendo -, uma playboy portuguesa na esperança de vir encontrar mulheres ainda com buço e acaba por ver que as mulheres portuguesas nascem sem genitais. é que aquilo está de tal forma escondido (ou photoshopado) que nem grelo, nem fresta, nem nada. nicles. vêem-se a bilha e as mamas e já é um pau!

2) meu caro zé malhoa, não te zangues comigo. sei que és alheio àquela cena das mamas pentagonais.

odeio agrafes

(isto é francamente a sério)

sou completamente contra o uso indevido e gratuito dos agrafos. por tudo e por nada se agrafam coisas.

folhas que se sabe só irão ficar juntas durante três horas, tunga, agrafe nelas.
folhas que se sabe teremos que as separar para fotocopiar ou assim, tunga, agrafe nelas.
...

não entendo, não respeito esse pensamento tosco que é esta vontade de furar o pobre e sofredor papel que sem ter encomendado nada leva com dois buracos no cantinho. isto claro, quando se lembram de agrafar no cantinho. muitas vezes, dão-lhe com o agrafo ali, no meio, mesmo para fornicar e impedir a correcta abertura das páginas.

e quando agrafam na diagonal? ai que irritação!!!!!!! será que nunca ninguém verificou que a ideia é aquilo servir como lombada? já repararam que os senhores livreiros nunca colocam as lombadas no canto superior esquerdo mas sim, ali, na parte lateral toda? então porque raio se agrafam as coisas na diagonal? ai, a velhota de administração e comércio do nono ano é que deve andar a dar voltas no caixão. bem, não deve dar muitas porque ela era roliça e, na certa, não haveria muito espaço para cambalhotas.

comparo uso dos agrafes ao uso abusivo do telefone, do telemóvel, do mail, do messenger, do tuiter (sei lá bem como é que isso se escreve), do face, do hi5, desta trampa toda!

o problema é que o agrafe já tem umas pelas dezenas de anos e continuam ali, clac, clac, clac a abusar dele!

morte ao agrafe, viva o clip!

terça-feira, maio 26, 2009

depois admirem-se

uma menina de 3 anos, envergando unicamente uma t-shirt e uma fralda, foi encontrada a vaguear sozinha pelas ruas de faro.

o resto do país comenta, noticia, preocupa-se e faz posts sobre uma coisa estranha* que aconteceu entre dois licenciados em direito num telejornal da tvi.

está bem!

*não me ocorre mais palavra nenhuma para caracterizar o que ali sucedeu.

segunda-feira, maio 25, 2009

you tube na idade da pedra

eu gostava muito de ter no youtube, por mais ranhoso que fosse:

- um video do falling da j. geils band,
- um video do phill lynnot a cantar o sarah,
- um video do crazy rhythm pelo tony bennett

haveria mais. mas por hoje já animava.

senses working overtime

and all the world is buiscuit-shaped!


quinta-feira, maio 21, 2009

vodka, loucura e morte

nalguns círculos a história é por demais conhecida. noutros nem por isso. por ser hoje o dia que é, a pedido de várias famílias, cá estou eu a divulgar a coisa. meninos e meninas pequenininhas, vão para dentro, não leiam. pai, mãe, vós sabeis que eu sempre fui um valente aldrabão, não acreditem nisto por favor.

o luís estava prestes a fazer anos e
há já alguns dias andava a congeminar com o rui a realização do evento. no dia festivo, terminadas as aulas matinais, lá fomos os três, avenida de roma abaixo, até à charcutaria que havia (ainda há?) ali para os lados do hotel roma, antes da nanni strada.

com o ar mais machão e adulto que os nossos dezasseis anos podiam evidenciar, atacámos o charcuteiro:

- isto, a níbel de vodka, acha que é melhor o eristoff ou o smirnoff?
enquanto esfregava com um pano as maçãs expostas nas caixas da entrada, tirando delas o mais forte brilho que a casca pudesse dar, o senhor respondeu sem olhar para nós:
- smirnoff.

entreolhámo-nos os três e o aniversariante sentenciou:
- então é uma garrafa de smirnoff... (silêncio) ...e já agora duas garrafas de litro de tri-naranjus... (silêncio) ...e se tiver frescas ainda melhor.
- e se tiver uma garrafa vazia de água, daquelas grandes, também agradeço.

continuou a lustrar as maçãs e avisou:
- as garrafas de trinaranjus só saem com depósito.
- ahhh, nós pagamos. e prometemos que
aosdespois as vimos cá trazer!

excitadíssimos, subimos a avenida de roma em direcção aos relvados da estados unidos, não para jogar mais uma jogatana mas, desta vez, para uma celebração etílica.

feitas as devidas misturas na garrafa vazia de água, toca a acompanhar algumas das sandes que tínhamos connosco, com valentes (deci)litradas de vodka laranja.

a medo, também eu experimentei: - eh pá mas então é só isto? isto afinal não custa nada. e é docinho e tudo, caramba!

e toca a emborcar.

que maravilha!

minutos mais tarde, também a cristina, que morava relativamente perto, juntou-se à festa e deu connosco uns goles.

jóinha!

estava tudo ali na maior. tudo ainda dentro da maior lucidez. afinal aquilo não custava nada!

aproximava-se as 13 horas e aqui o bom do pedro ficou incumbido de fazer regressar as garrafas à charcutaria e receber o dinheiro do vasilhame. tranquilo. lá foi o rapaz.

e aqui é que começa realmente o filme. no regresso, ali pelos lados da sinfonia começa-se a ver que afinal a bebida parecia o vinho da marinha. aquilo começou a emarinhar-se por ali acima e a cabeça, ali pelos lados do café luanda, já estava com os platinados todos marados.

quando cheguei ao nosso rainha, no pátio junto do bufete, estava um pequeno caos com alguns dos companheiros de ritual já meio mandados abaixo, resultado daquele combate contra as garrafitas.

a primeira aula da tarde era de geografia. a professora era uma gaja nova, minorquinha, madeirense, de franjinha, com um aspecto assim, meio militante do chapitô. era uma bacana.

numa das filas, sentou-se na frente o tó, seguido por mim, o rui e o luís. assim, bonitinhos.

a aula, para variar, estava num alvoroço do caneco. todo o povo a falar, todo o povo levantado e a professora, coitada, a tentar explicar onde ficavam aqueles países africanos com nomes esquisitos.

a fila terrível, estava a ser comandada pelo tó. ele, segurava as rédeas daqueles outros três, que por aquela altura deviam já ter mais álcool que sangue dentro das veias. e desata o tó a iniciar uns movimentos de break dance prontamente imitados pelo trio de bêbados que se sentavam atrás dele. ou era um simples levantar de braço, assim a imitar o movimento duma cobra com um estalo de ombro a passar o movimento para o parceiro de trás ou era outra coisa qualquer que os outros copiavam, quase como as coreografias dos filmes da esther williams. no fundo aquilo era arte!

mas a desgraça estava a chegar. quando a professora exige que achandremos os cavais, mandando o tó para o fim da fila, decido eu avançar uma casa como no jogo da glória. deu-se a morte do artista: foi ver eu a levantar-me e um valente jacto de greg espalhar-se ali desde o estrado até ao quadro.

tudo de boca aberta num espanto do caraças, silêncio total. os olhos dos colegas na professora e em mim e às tantas há uma pessoa que se levanta, pega em mim, aponta o dedo à professora e diz-lhe: mande chamar uma empregada que limpe esta gaita. deixe o miúdo comigo.

a pessoa em questão era o augusto.

abro aqui um parêntesis para explicar do que realmente falamos quando falamos do augusto. o augusto tinha mais um ou dois anos que nós mas era cerca de 50 centímetros mais alto e 50 quilos (mínimo) mais pesado. era o gordo da turma. morava nos coruchéus, estava na nossa turma desde o início e costumava vangloriar-se que à noite, lá no bairro dele, andava sempre com uns gangs que eram uns terrores. assim, pela boca dele, aos 13 anos já tinham destruído com correntes, dezenas de pára-brisas; já tinha visto morrer, eventualmente nos seus braços, milhares de companheiros de rua que tinham sucumbido vergados pelo peso da droga e
já não tinha conta as pessoas lá do seu gang que estavam presas pelos delitos cometidos. limpava as lentes dos óculos com notas de vinte «ó puto, isto é o melhor para se limpar!», amava filmes de guerra «no ano do apocalipse now, mais nenhum filme ganhou óscares. foram todos para o apocalipse now. aliás, foi com esse filme e com o oficial e cavalheiro» e tinha uma perdição pelo monte cassino.

bom adiante.

a verdade é que tal como um soldado tira um camarada do teatro das operações, também o augusto decide pegar em mim, assim de lado como quem carrega um tronco debaixo do braço, entrando comigo no wc das miúdas «sai toda gente que eu trago aqui uma pessoa em coma!», enfia-me a cabeça numa sanita e desata a vociferar frases moralista-abarco depreciativas:

- vomita cabrão, vomita! deita tudo cá para fora, meu cabrão!

ou

- eu estou aqui a assistir ao começo do teu fim. sim, isto é o começo da tua morte.

ou

- ... e a seguir a isto - vomita, meu cabrão! - vem a droga. vi milhares como tu a morrer no meu bairro. vomita meu cabrão!

e mesmo que eu, pendurado de cabeça para baixo como são paulo, gritasse «ó auguuuuusto, não sai mais», ele nada fazia. continuava a gritar e a abanar-me fazendo de mim, da minha cara e cabelo uma real imitação daqueles cães boxers que preenchem o focinho com litros de baba.

visivelmente nervoso, o augusto deposita-me num dos bancos do pátio, rouba-me um cigarro, - assim como quem recebe um subsídio por despesas de representação - que acende e fuma enquanto que uma contínua (uma querida) se agacha e me pergunta:

- vomitaste?
- ssssssssssssssiiiiiiiimmmmm. - um sim dito quase a morrer.
- bebeste algum sumo?
- ssssssssssssssiiiiiiiimmmmm...
- pois, se calhar estava fresco e parou-te a digestão, coitadinho.

e o augusto abanava repetidamente a cabeça como quem diz «pois, pois, agora foi o suminho»

e mais uma viagem com o augusto, desta vez até ao bufete, para me obrigar a beber um café sem açucar. abre-me a carteira, saca dinheiro para pagar dois cafés (lá está a tal história das despesas de representação) e pede um café para ele e outro para mim, obrigando-me a beber o café frio e sem açucar enquanto fumava mais um dos meus cigarros:

- faz-te melhor assim. aguenta meu cabrão!

bom, a verdade é que depois tivemos um providencial furo de duas horas por causa da falta da professora de contabilidade e fomos, já num bando maior, novamente para o relvado da estados unidos da américa, ressacar os três meninos bêbados como um cacho, enquanto que outros colegas tentavam demover o augusto a levar-me para casa:

- ó pá, não vês que depois os pais dele descobrem?
- é bom que descubram. quer os pais do jaime, quer os do luis e os do rui. eles daqui a seis meses estão arrumados e já metidos na droga. isto é o início do fim!

conseguiram convencê-lo. seguiram-se mais umas cenas deprimentes num café da rio de janeiro. outras mais serenas lá nos relvados mas no fim ninguém morreu.

um deles, o luís, faz hoje 40 anos.

esta história aconteceu há 24.

que me lembre, eu nunca mais toquei em vodka.

(parabéns, cabral!)

quarta-feira, maio 20, 2009

i was born to be with you in this space and time

eu um dia venho aqui explicar porque é que eu acho que o no line on the horizon é assim uma espécie de tusk ou de exile on the main street.

(isto, não parecendo, é um elogio)

quem sabe, quem sabe.
..

segunda-feira, maio 18, 2009

surfistas

como não existiam ipods, como não havia arjã para o comprar caso houvesse, como não havia pleisteixãns, como não havia uii's, como não havia nada, algures em meados dos oitenta, pedi ao meu pai para me fazer um placard.

ora, estranhamente, o meu pai até concordou com a coisa. e assim, lá fomos os dois, até à estância da azinhaga do carrascal comprar uma grande placa de esferovite. em casa encontrámos duas ripas - nem queiram saber a tralha que aquela casa conseguia acolher - que serviram para sustentá-la e segurá-la na parede. e pronto, roubadas duas ou três dúzias de alfinetes lá da caixinha minha mãe, estava tudo ôpuã para lá serem colocadas as tralhas que eu bem entendesse.

se a memória não me falha a primeira vez que eu estive perante um placard foi em casa do colega que morava ali para os lados da gama barros. no seu quarto tinha um placard enorme, em cortiça, repleto de coisas relacionadas com o espaço. uma maravilha: foguetões, planetas, estrelinhas... coisas dessas. e até tinha um daqueles emblemas de coser no kispo, com o símbolo da nasa, que o pai lhe tinha trazido da américa.

gosto muito de dizer américa. estados unidos é farsola. américa tem outra cartonância, não me lixem!

e assim, no meu placard, não havia coisas das naves, mas por lá tiveram expostos: postais com autógrafos do carlos lopes, desenhos, bilhetes de cinema, fotografias, bilhetinhos escritos à mão... e por aí fora.

neste fim-de-semana, ao rever fotografias antigas, em casa de velhos amigos, olhei para um um cartoon que o dono da casa habitualmente fazia nos seus cadernos. aquele que eu vi no sábado, salvo erro, tinha sido oferecido à sua namorada e, imagine-se, passados 25 anos

há histórias curiosas e bonitas

sua actual mulher.

ver aquele desenho fez-me tlin tlin aqui numas coisas que eu cá tenho dentro

não, não foram essas que estão a pensar

e fiquei «ihhhhhhhhhh, os desenhos dos surfistas! há c'anos que não via um.» e sem querer, recuei para a mesma época em que, na verdade, já me encontrava ao rever aquelas fotos mas num local diferente: no meu quarto, a colocar o desenho no placard.



obviamente que gostei muito. podia falar mais coisas sobre esta noite de sábado. (in)felizmente a descrição e a dificuldade de encontrar engenho para transportar para aqui as coisas que fui sentindo enquanto as horas decorriam são um remédio santo. foi muito muito bom e não só pelas razões óbvias. contudo, aprendi uma coisa: na dúvida, é sempre melhor levar duas (ou três!) garrafas de vinho (quem diz três diz quatro!) do que andar ali «ó tio, ó tio» a dividir gotas de tintol de copo em copo. o próximo, meus amigos, será no meu chalet.

quinta-feira, maio 14, 2009

células

definitivamente:

tenho que telefonar lá para os senhores da crioestaminal, a saber se eles têm maneira de fazer um enxerto lá das células criminais ou lá o camandro, para ver se expulsam o cabrão do mau feitio da cachola da miúda.

(fónix!)

terça-feira, maio 12, 2009

cebolices!

nos festejos do campeonato, havia um jogador que se passeava com a bandeira dum outro clube. aliás, esse mesmo jogador (que marcou o golo do campeonato) anda com o emblema tatuado na sua perna.

não gostei de ver essa bandeira, misturada com a realeza!

segunda-feira, maio 04, 2009

cremalheiras

apesar de domingo, apesar de muito calor e sol a dizer-me «vem para a prainha, meu lindo, vem», apesar duma filhadaputadaalergiaquenãomelargaocabrãodoscornos daquelas oldschool, apesar de me sentir completamente febril... meti-me na feira do livro.

caneco, não me lixem, é ou não é uma coisa de cultura, pá? eu até já vejo, com gosto, documentários do toulouse-letrec da dois, mesmo sabendo que não espero nenhum jogo entre ou toulouse e o letrec...

bom, culturalmente falando - volto a dizer que sou um ferveroso observador do mundo das letras e não sei mais o quê - gostava de saber porque razão têm os escritores dentes em tão más condições?

pronto, era só isto.

quinta-feira, abril 30, 2009

crazy radio



já não é a primeira vez que fico a pensar na relação entre os malucos e as telefonias.

não me refiro a autistas, a deficientes, a doidos, nada dessas coisas. refiro-me mesmo a malucos. gente do júlio de matos, do miguel bombarda e outros que de lá fugiram ou que para lá nunca foram.

aqui onde moro há uma velhota que não joga com o baralho todo (julgo que não tem os ases, os ternos e, das figuras, falta-lhe as damas) que passa os dias de rádio na mão a ouvir de tudo um pouco. costuma estar à porta do supermercado a lamentar a vida enquanto ouve a antena 1, mas já a apanhei sentada na paragem a ouvir o markl e muitas das vezes fica apenas a ouvir estática. agora que já não tenho idade para dizer em voz alta "ó maluuuuuca", fico com vontade de ir ao supermercado comprar-lhe dois pares de pilhas das pequenas, colocá-las lá no transístor e sintonizar-lhe aquilo, assim pianinho, porque o raio do screrrhjgjghstss faz-me uma impressão dos diabos e altera-me a localização dos órgãos do abdómen, quando ali vou meter o boletim do euro-milhões.

mas isto é agora que sou menino fino e moro na linha. quando tinha mais juízo e era gajo do bairro, o meu contacto, mesmo que de passagem, com estes malucos radiofónicos era maior.

1) o blé, filho do cigano sebastião, andava sempre, mas sempre, com um rádio na mão em altos berros. é famosa a história que ele viveu quando foi ter a aveiro de comboio e o tiveram que ir lá buscar, coitado.

recordo um dia, já nos anos noventa, quando ele entrou no 30 que estava estacionado na zona a aguardar a hora da partida. pagou o seu bilhete, sentou-se junto do motorista e, uns segundo depois, exigiu-lhe que ele baixasse o som do rádio:
- queres que baixe o rádio, é?
- quedu!!
- está bom?
- mais.
- assim?
- mais um bocado.
- ...
- está bom?

deve ter sido daqueles dias em que, além de se ter esquecido do seu rádio, estava seguramente doente e cheio de dores de cabeça.

paciência.

2) o chalana é das figuras mais carismáticas do defunto casal do pinto. além de lhe faltarem umas peças da mona ainda por cima tem ali um problema físico que o obriga a arrastar uma perna sempre que caminha. nenhuma dessas deficiências o impediu, gerações atrás de gerações, de servir de "segurança" ou amparo para as crianças que iam para a escola 28/40. quem diz 28/40 diz mesmo a secundária das olaias ou até a cesário verde. desse lá por onde desse, onde houvesse crianças lá estava o bom do chalana, poupa elvisiana, olho claro e olhar distante, com um olho na carícia e outro no oculista - isto do ponto de vista de quem está estacionado no zé dos frangos -, sempre a defender a criançada de algum eventual perigo.

adivinhem? sim, um dos seus logótipos era um transístor a pilhas, empunhado no topo do braço erguido, sintonizado em selecções musicais de alto gabarito e sempre com o volume em altos berros. por outro lado, compensava este lado mais tacanho do uso público da telefonia, usando um blaser, clássico, com duas rachas atrás.

uma maravilha.

3) o luís maluco era um gajo que não fazia mal a ninguém. tinha aquele ar de mitra sempre de cabelo curto que lhe dava um ar de vilão ubzeque dum filme do 007. a sua loucura era não só visível como também audível a largos metros de distância, pois tinha por hábito andar quase sempre em velocidade muito acelerada, com as duas mãos presas num fictício guiador ao mesmo tempo que da sua boca saía, não só muita baba que depois secava e se alojava em redor dos lábios, mas também uma imitação perfeita duma zünder und apparatebaugesellschaft - zündapp para os amigos - que entoava em longos raides desde o mercado de arroios até às redondezas da nossa capitão roby.

certo dia, vi-o atravessar a morais soares sem parar, vindo largado da heróis de quionga e seguindo pela edite cavel, parando bruscamente naquela casa de brinquedos (sócio, como é que se chamava essa loja? trenzinho? loja do pai natal? era assim uma coisa que já não me recordo. ajuda-me lá.) a fim de observar deleitado a montra.

- então, luís, vais comprar uma pista de carros?
- não, não preciso. estava a ver se havia aqui pilhas para este meu rádio.
- já estão gastas?
- não, mas posso precisar quando estas acabarem.

(e o maluco é ele, não é?)

ligou o rádio, encostou-o à orelha e seguiu pela carvalho araújo adiante, guiando apenas com uma mão no fictício guiador maaaaaaaaaaaa, na, na, na, nahaaaahhhhhhh.....

3) o calota tinha aquele ar de bandolero mexicano, com as suas botas texanas de cano alto, blusão de veludo cotlê e um cinto de couro com uma fivelona enoooorme, metálica, em forma de cabeça de leão.

era um daqueles ciganos, digamos, mais pacíficos. sempre calado, olhar distante, um metro e sessenta e quatro de serenidade.

não posso dizer que era, digamos, maluco como o blé ou o chalana. tinha contudo as suas doideiras.

incluo-o aqui porque também o cheguei a ver com o seu auricular ligado a uma telefonia.

certo dia correu lá no bairro que o calota (é calita ou é calota, pessoal? deu-me agora um flash e confesso que estou com a travadinha. vão ali aos comentários validar-me a resposta, sim?) tinha feito das suas:

- o calota? mas o calota não faz mal a ninguém.

pois, isso é o que se diz. porém, daquela vez ele decidiu alargar os seus horizontes e meteu-se a descobrir outros locais: rua larga (a rotunda das olaias ainda era um mero projecto), barão de sabrosa, azinhaga da fonte do louro.... areeiro, gago coutinho... e, eh pá, tu queres ver que.... está ali uma janela aberta.

e estava mesmo. numa daquelas vivendas que existem na gago coutinho - que em tempos foram propriedade de famílias vintage, antes das crises dos finais do milénio as terem destinado a sedes de empresas - o bom do calota viu uma janela aberta. ora deixa cá ver o que é que acontece se eu saltar o a vedação do jardim e for ali espreitar à janela? e o calota lá foi. e espreitou. e colocou o seu pé direito sobre a cercadura de lioz, deu um impulso e foi um balanço tão grande que só terminou quando, duas horas mais tarde, a dona da mansão chegou a casa e viu o pobre do calota enfiado a dormir dentro do vale dos lençóis.

e num ápice, está o calota expulso de casa da grã-fina. julgo que nem a polícia chegou a ser alertada porque o pobre cigano apenas usufruiu das comodidades da realeza sem ter verificado existir ali oportunidades de alargar o seu património - quem sabe uma nova fivela para o seu exuberante cinto de couro texano -.

e calota regressa à barraca da sua picheleira natal.

à noite, na porta da cervejaria do príncipe careca:
- calota desliga lá a telefonia e conta-nos. entraste para uma casa duns ricos lá na avenida do aeroporto?
- a janela estava aberta...
- e enfiaste-te na cama lá dos senhores?
- eu nunca tinha estado numa cama assim... ai, nunca dormi tão bem....

acto prontamente remido perante tamanha pública contrição.

4) o antónio tinha o mérito de ser portador do maior número de alcunhas que a picheleira viu coroar: olho de peixe, olho de peixe-espada, olho de goraz, simplesmente olho, por aí fora.

o substantivo olho presente nestas alcunhas era elemento mandatório. isto porque o seu olho direito - esquerdo para quem estava de frente - estava... vamos lá a ver.. estava, assim meio caminho entre o acataratado e o vazado, digamos.

o olho, o mais famoso fumador de kentuckys que eu jamais conheci, era, talvez, ainda mais baixo que o calota ali da história anterior. sempre frenético no seu andar, assumiu por diversas vezes dois dos mais difíceis cargos que o clube do bairro podia disponibilizar: uma era ser apanha-bolas e a outra era, digamos, uma tarefa mais complicada.

não julguem vós que ser apanha-bolas era algo que reduzia as capacidades dum ser humano. reparem, o campo de jogos do vitória clube de lisboa, está (ai que ia dizendo estava) localizado, digamos, no fim do mundo. ou seja, está nos limites, não só geográficos, como também topográficos da picheleira - a picheleira é nossa, pessoal!

do gradeamento do campo em diante, havia uma sucessão descendente de curvas de nível que só terminavam na estrada de chelas. assim, uma bola bombeada por um atacante com a pontaria menos calibrada, só terminava, praticamente, na freguesia de xabregas. por isso, quando a bola passava as grades altas localizadas atrás da baliza sul ou do peão, logo se ouvia o grito de alerta «ó oooooolho, vai buscar a boooooooola».

e era ver metro e meio de gente, cabelo negro, habilidosamente esculpido com brilhantina, a serpentear desde o bufete, passando pelas traseiras dos balneários, atravessando o gradeamente ali pelo buraco perto do estendal dos equipamentos, disputando a corrida com outros petizes que tentavam socorrer a bola da catchumbo, das investidas dos moradores dos embrechados que por ali rondariam, na esperança de ganharem aquele troféu.

a outra tarefa que o olho desempenhava com brio e dedicação era ser uma espécie de personal security, afastando para as bancadas, as crianças que nos intervalos dos jogos invadiam o terreno pelado para se recrearem juntamente com os suplentes que ali ficavam a dar uns toques na bola «ó olho, manda o caralho dos putos daí para foooooooora!»

muitas, muitas vezes, bateu à porta da loja dos meus pais, com a sua telefonia telstar na mão sintonizada no programa do sala (terá sido o calota que lha deu?), solicitando à minha mãe:
- cosa-me aqui este botão, ó faxavor, cose-me?
- coso sim, entra lá que eu coso-te.
- obrigadinho, dona raquel.

nota: não se admirem se apareecerem por aí uns comments com correcção de nomes, acontecimentos, locais e afins. sou péssimo nestas coisas. o que eu sei é que malucos e telefonias sempre foram - e são - casamentos perfeitos.

quarta-feira, abril 29, 2009

mãe, já sou uma menina crescida

hoje fui comprar vinho tinto (desculpem o pleonasmo) ao supermercado. a senhora do balcão central facultou-me uma daquelas rodelas plásticas que parecem moedas de 50 cêntimos, para usar no carrinho de compras.

guardei-a no carro para utilizações futuras.

se a mantiver em meu poder durante mais que 4 dias sentir-me-ei a apaneleirar.

(credo, já guardo rodelas dos carros dos supermercados!)

quarta-feira, abril 22, 2009

a verdadeira força da verga

tudo bem, é francamente giro haver uma terra em portugal chamada picha.

mas convenhamos, eleva o grau de ironia saber que logo após a picha existe a venda da gaita.

(fotos em breve)

terça-feira, abril 21, 2009

pinga cultural




uns nos comments, outros por mail, alguns pelo messenger, todos, acredito, com aquela boa vontade de quem quer corrigir um lapso.

lamento, mas não, a foto está direitinha.

caramba, isto não nenhum mondrian! a garrafeira está assente no chão. está também encostada a uma parede. eu aproximei-me e captei a imagem fotografando as ditas garrafas vistas de cima. ora se as ditas cujas estão repousadas na horizontal, acreditem, não caem nem a pinga se entorna.

obrigado ainda assim aos que ainda se ralam com estas minhas coisas.

há dúvidas?

se houver é favor preencher em triplicado o impresso 43/b, à venda na rua da imprensa nacional da casa da moeda, e entregar ali no guichet onde está aquela senhora rabugenta a tricotar com umas coats & clarck. seguiiiiiiiiiiiiiiinte!

segunda-feira, abril 20, 2009

isto é só mesmo esta noite, filha!

não digo chato, mas é no mínimo aborrecido ou maçador que não haja um cabrão dum teledisco de jeito no iutube com o one night love affair do bráiã édames.

fico fodido, claro que sim. é a minha favorita dele, pô!



pedro bala

para evitar que surjam críticas nos jornais, nas televisões e nos blogs sobre a "utilização pornográfica da pobreza como leitmotiv duma história", será preferível que ninguém se lembre, por exemplo, de adaptar para o cinema os capitães de areia?

domingo, abril 19, 2009

tinha piada o jesualdo admitir que tinha sido penalti, mas mais facilmente a carolina escreve um livro.

naturalmente prejudicado (e obviamente, também beneficiado) pelas arbitragens ao longo de alguns jogos do campeonato, vejo o meu clube receber de bandeja um penalti não assinalado ao meireles.

foi contra a académica. preferia que não tivesse sucedido. contra a académica - um dos clubes do meu avô -, não.

sábado, abril 18, 2009

slam




a luísa costa gomes disse um dia ao carlos vaz marques que para ela um «bom livro» era um livro que a fizesse escrever.

vamos lá colocar desde já a fronteira no local correcto: eu não sou escritor, eu nem sequer escrevo, eu ando para aqui, como vêem, a vomitar postas de pescada. e da má!

mas ainda assim, das primeiras coisas que me lembrei quando li o slam do nick hornby foi: carai, eu passei por isto. isto é mesmo assim.

o livro conta a histório de um chavalo de 16 anos, filho de uma mulher de 32 (!) e que, imagine-se, engravida uma miúda da idade dele.

(já estão a ver a coisa, não estão?)

ok, nada disto sucedeu na minha vida. porém, quem nunca passou pelo cagaço que é ouvir aquelas deliciosas palavrinhas "o meu período está uns dias atrasado" é escusado tentar porque não vai perceber nem metade do que eu aqui digo.

quem já passou por essas aflições, quem nunca teve a sorte de ter lido aquele livro «subsídios para a compreensão da regularidade e/ou irregularidade da menstruação, dos óvulos, daquela coisa dos atrasos, do papanicolau ou do zé bento ali na racha - edições do "secretariado nacional para os putos que julgam que o esmegma já conta como sémem» e por isso ficou sem saber a gravidade da coisa, verá ali traduzidas em palavrinhas, todo aquele momento que decorre entre a altura em que a menina diz a tal frase e o momento em que é aberto o envelope, ali no primeiro vão de escada aberta a contar desde a porta da farmácia onde ela vai entregar o taparuére com xixi.

contudo, quem já teve a que se confrontar com o choque de ler lá no papelinho «positivo», encontra aqui um texto do camandro com um aparente realismo que é louvável. nunca passei por essa parte mas acredito que a coisa está descrita duma forma bestial.

o livro é muito, muito giro. francamente diferente do high fidelity - que eu acho que é um caso à parte -, com coisas que me recordaram o about a boy, muito melhor que o how to be good e o a long way down. quem andava meio... ora bem, não digo desiludido mas talvez, cansado com o nick hornby, acreditem, faz as pazes com o autor. de caras.

vão à net, investiguem nas amazones desta vida, comprem numa segunda mão em inglês e acreditem, mesmo os mais habituados a terem notas de 2 a línguas - como eu - lêem aquilo na boa.

é claro que este livro é também um retrato fidelíssimo dessa cambada de gajas que têm uma atitude perante a maternidade igual à que se tem quando se compra um ipod - palavras do narrador. aquela coisa do exibicionismo; da novidade; da cagança parva que os militares envergam e que usam quando carregam a criança; como se sentem já pessoas importantes e crescidas igual ao que fizeram no nono ano quando passaram a ostentar orgulhosamente os lusíadas junto dos cadernos, sinal que as distinguiam dos putos do ciclo. aquela coisa das fotos à pança «ai que gira olha a minha barriga»; ou do «tenho duas semanas de gravidez, já engordei 122 gramas. vou tomar nota, quero registar tudo»; ou ainda do «estaciono nos lugares reservados porque sim, porque sou mulher, porque estou grávida,
porque mesmo com 24 dias de gravidez é um direito que se me assiste e ...», ... bom vou-me calar!