quinta-feira, fevereiro 12, 2009

igreja

fico fodido quando leio que a igreja não deve intervir e fazer campanha contra certos partidos. juro que fico.

vamos lá a ver uma coisa, o que essas pessoas toleram é que possa existir essa tal de coisa meio antiquada e esquisita que seja, imagine-se, rezar. mas pronto, além de rezar, as pessoas que andam lá pela igreja e nessas fantochadas do vaticano e aquilo é só luxo vejam lá bem como é que os bispos e os papas vivem e mais não sei o quê, quanto muito podem, vá lá, fazer serviços sociais e ajudar os pobres, os que dormem em cartões, os restos do capitalismo e da sociedade global.

podem também ir para áfrica curar as chagas e limpar a diarreia dos pretos com sida, os tais pretos que são governados por seres gentis como o amigo mugabe e o presidente dos santos.

estou aqui a pensar, e se houver uma ou outra freira que queira ir lavar pratos para a sopa do sidónio, também serve.

o que a igreja não deve é ter uma fé. não deve acreditar na bíblia, não deve acreditar em jesus e mais as palhinhas e o céu estrelado, não deve acreditar em dogmas, não deve acreditar nessa coisa mais demodé que são os sacramentos. nisso não deve.

por isso, se houver partidos que falem em aborto ou que falem em casamento dos rabetas e das fufas que andam a roçar a peida pelos bancos do memorial, ai da igreja se disser nas homilias e naquelas jantaradas episcopais que se sente indignada com isso.

há-de chegar a altura - não deve faltar muito - em que apareça um partido que proíba o culto à senhora que apareceu na azinheira e até nessa situação, registe-se, ninguém pode dizer aos leigos para não votar nesse partido.

esclarecimentos nas homilias acerca sobre a bandeirinha do scolari nas janelas, muito bem. esclarecimentos sobre partidos que dizem que os paneleiros podem casar, meus amigos, isso já não.

ah e as causas. a igreja deve ser defensora das causas. das causas dos santinhos, das causas dos pobrezinhos, dos direitos dos pretinhos e dos jugoslavos, por aí fora.

não me admiro com essas pessoas. são a tralha do costume. o que me deixa banzado são as pessoas que metem na boca dos bispos as tangas que eles gostavam de ouvir, para poderem escrever posts, artigos e entrevistas na televisão. gostava de ler a tal parte em que os bispos dizem para não se votar no ps, mas isso já é outra questão.

pois é, a igreja é o ópio do povo. é uma maçada. eu bem deconfiava que a minha mãe me pôs na catequese para eu apanhar valentes pedradas. o que me lixa nesta coisa toda, é que a única pedrada em tantos anos que lá andei, foi apanhada por causa de uns ciganos fofinhos - tadinhos, eram todos tão queridos - que acharam fixe mandar uns calhaus para os meninos que estavam na fila para entrar na catequese. é que perderam o gozo em partir vidros das janelas das salinhas de aulas - só conseguiram partir um - e como os meninos se mexiam dum lado para o outro com medo, a coisa tinha bem mais gozo.

quarta-feira, fevereiro 11, 2009

ai filha, vê se te resolves: pões-te de gatas ou é mesmo deitada de costas?

quando me vêm com conversas onde surge incluída a expressão "...ah e tal e até no que escreves há ali algo de feminino..." a primeira ideia que me vem à mona é: "estão no mínimo, a dizer-me que gosto abafar a palhinha."

por causa disso passo a noite com pesadelos e acordo de manhã com medo de ter recebido, dum blog qualquer, um daqueles selos que dizem que eu sou uma mulher bem resolvida.

depois o pesadelo prolonga-se por aquele período de ronha em que ando pela casa de mão a coçar os tomates - ó pai, não mexas no teu pipi, está bem? - enquanto arranjo coragem para me ir lavar, porque fico ali a imaginar o que é que é afinal uma mulher bem resolvida.

bem resolvida?

já sei! é aquele ser humano, do género feminino, na qual foi aplicada "menos bê mais ou menos raiz quadrada de bê ao quadrado menos quatro ácê, isto tudo sobre dois á". é isso?

não? então?

(e os gajos, também se resolvem?)

velocidade estonteante

acabo de receber uma revista, pelo correio, remetida de são paulo.

tem carimbo dos correios brasileiros do dia 30 de dezembro de 2008.

que maravilha esta rapidez. quase, quase tão rápido quanto um computador que eu usava nos tempos da faculdade (sim, eu até tenho estudos, mas o que é que pensam?) que eu estava convencido que funcionava a carvão. fazíamos ctrl+p enter e íamos às roulottes do campo pequeno buscar 4 bifanas especiais enquanto o gajo ficava ali a pensar e tal...

terça-feira, fevereiro 10, 2009

dúvida

eu nem sei bem se é da idade. também não sei se é da idade de já não ter pachorra para certas coisas. eu sei é que ir ao cinema, que adoro, traz cada vez mais mais transtorno do que eu supunha: ou são as pipocas, ou é a porta que está aberta e deixa entrar luz que incide no ecran, ou é a porra da imagem que está desfocada, ou é a imagem que treme para cima e para baixo, ou são as bilheteiras que em hora de ponta - sábado à noite - têm apenas dois guichets abertos, ou é por causa dos horários que aparecem nos jornais serem diferentes da realidade...

mas pronto, queria com isto dizer que gosto de actores que não precisam de "bengalas" como sejam fazer papéis de deficientes, gagos, malucos ou desatar a engordar ou a emagrecer - para encarnarem esta ou aquela personagem - para mostrarem que são bons actores. gosto de actores que enchem o ecrã com coisinhas tão simples como franzir de olhos, cruzar de dedos, coçar o queixo, levantar o pescoço ou coisas dessas. apesar de não gostar muito de ver a meryl streep - seguramente não será pelo seu trabalho - tenho que afirmar que curto bués - mas bota bués nisso - o seymour hoffman.

agora sejamos francos, tem umas mãos daqueles que não lembram ao diabo: papudas, gordas, com um ar de pedófilo punheteiro...

segunda-feira, fevereiro 09, 2009

ajudem-me

cansado de ouvir a minha mulher alinhavar histórias sobre o feissebuque atendo um telefone e passo por lá.

e a primeira coisa que penso quando estou à porta destes sáites é mais coisa menos coisa: mas será que eu já me registei nisto?

porque entretanto e só assim de cabeça, já passei pelo aifaive, pela lasteéfeéme, por quinze sáites de legendas, por 14 sáites de compras na néte, pelo multiplái, pelo máispeisse, pelo linkedin, pelo startrequâres, por tudo, por que volta e meia está ali um cabrão dum convite a piscar na caixa de entrada.

e lá entro no facebook e num ápice há milhares de coisas a piscar que não sei de onde vieram - bom, não estão bem a piscar para aquilo faz-me barulho nos olhos na mesma - a que eu vou clicando com o rato. e vejo caras que conheço, vejo nomes que não conheço, vejo caras que conheço com nomes que não conheço, vejo nomes que conheço com caras que não conheço mas que afinal conheço e...

- achas que sou da tua família? perguntam-me no messenger.
- ???
- convidaste-me a ser da tua família no facebook.
- foi?

e só faço merda e eu sou o maior básico destas coisas e não tarda nada tenho um pedófilo a querer-me comer o rabo e nem sei como é que o hei-de convencer que não, que não tenho 6 anos, tenho mesmo 39 que fui mesmo eu que me enganei lá a escrever e...

- o facebook está out. o que está a dar é o twitter.
- o quê?
- www.twitter.com


- não tem nada. tenho de me registar?
- convém.
- tenho medo.
- medo de quê?
- sei lá, de carregar em botões que não devo. eu não pesco mesmo nada disto, caramba.

sou um web2.0nalfabeto.

domingo, fevereiro 08, 2009

jesu (aldo)

e se é verdade que quer o jesualdo quer o bento vão c'u caralho, é também verdade que parece-me que vai haver por aí uma corrida a três, caso o benfica não seja campeão, para ver quem é que fica com o jesus, não é?

ou vai na volta o gajo tem tanto azar com os árbitros que se calhar ninguém o quer.

ou então vai ele para madrid.

tinha a sua piada.

bola ao fim-de-semana

momento 1
foi curioso ver o porto empatar num penalti "à sporting". o que me vai aborrecer mesmo vai ser aquela fantochada do delgado, do gabriel e mais uma meia dúzia que virão falar em verdade desportiva. iguais, diga-se aos que o josé gomes disse sobre os lances de alvalade com o polga e o postiga. aguardo pacientemente o que vierem a dizer, pois gostarei de comparar os comentários que advirão com aqueles que foram (ou que não foram, pronto) efectuados aquando dum tal de benfica-braga. é a vida!

momento 2
se tivesse acontecido uma hipotética mas, obviamente, impossivel boa arbitragem nos jogos do braga (pelo menos nesses) com uns quantos clubes que eu cá sei, não estariam eles assim, a roçar o primeiro lugar?

momento 3
recordam-se dos cantos que o quaresma marcava quando estava em portugal? aguardava que o láinâr ou ou referí se afastasse, ajeitava a bola e colocava-a para além do quarto de círculo. não que naqueles 17 centímetros fosse ganhar alguma vantagem notória, mas eu acho que aquilo funcionava um pouco num misto de ciganice. ou seja, posso não vencer, mas pelo menos engano-os sem que eles saibam. pois ontem, contra o hull, lá estava ele a ajeitar a bola para além do risco quando se levanta meia arquibancada apontando o dedo para a bola e enchendo os ouvidos do quaresma com uns uhhhhhhhhhhhhh. e o ciganito lá amochou e foi colocar a bola dentro do quarto de círculo. por momentos, quando vi o povo a exaltar-se, fiquei com a nítida ideia que o scolari saltaria do banco para defender o minino.

sexta-feira, fevereiro 06, 2009

profondly in love

não era altura de uma televisão qualquer, dessas que fazem reposiçõezinhas e mais o caralho, fazerem uma reposição das coisas do adrian mole?



ou então que ponham a coisa em dvd's. daqueles que depois há um gajo esperto qualquer que vai à fnac comprá-los e espeta-os na net para os conseguirmos sacar e ver no conforto do lar.


candidata a dondoca


tenho a mania dos perfumes. ou melhor, sou incapaz de cheirar um perfume, um cheiro qualquer, sem acrescentar, mentalmente, uma frase, uma legenda qualquer. nem que a legenda seja, por exemplo «rally paper dos finalistas de enfermagem de 1984», «casa da lina» ou «bitoque do pirajá».

mas é uma coisa imediata. ou seja, sou quase incapaz de passar por um cheiro e resumi-lo a «bom», «mau», «cheira bem» ou «cheira mal».

quanto muito posso lhes atribuir esses nomes, essas classificações aos cheiros virgens. àqueles que nunca tinha cheirado antes.

ontem passo pela porta duma body shop e houve algo que me fez abanar a'ialma. cheirava a «rádio energia, losing my religion, josé mariño» recuo, a minha mulher recua também, entro na loja, dirijo-me à rapariguinha do shopping e questiono:

- olhe ó desculpe, este cheiro que paira no ar é uma mistura ou andou aqui a sulfatar um qualquer para atrair clientela?
- não, é mesmo uma mistura.
- e pode-me então dar uns tópicos de por onde hei-de começar. é que me cheirou a um perfume que a vossa casa teve, uma coisa masculina, mas que desapareceu de mercado lá por volta de 1993.
- veja se é este?
- não.
- e este?
- não.
- e este?
- não. olhe deixe estar.

ainda andei, sem ajuda de ninguém, a chafurdar o nariz em frascos e frasquinhos a ver se conseguia topar a coisa mas não tive sorte. mas ficou a cabeça a trabalhar, ali, naquela coisa do reavivar memórias e tal...

minutos mais tarde, sentados na portugália a mandar abaixo duas pratadas de bifes, ela diz-me:
- podias ganhar dinheiro com esta tua pancada pelos perfumes.
- como?
- então, ias trabalhar para essas empresas de cosmética e tal.
- tinha piada...
- serias «nariz»... que é mesmo o nome que se dá a essas pessoas. e fartam-se da ganhar papel...
- tinha piada, realmente.
- era a nossa independência!
- nossa não, minha! tu ficarias, está visto, dependente do que eu te daria no fim do mês.
- vê como quiseres.


quarta-feira, fevereiro 04, 2009

semblantes

vamos lá a ver se nos entendemos. eu que tenho por hábito ver os jogos com música de fundo para não estar a levar com os comentários dos gajos das televisões, chego depois aqui à net e dou de trombas com certas coisas que lá foram ditas que não me deixam bem.

então não é que houve um gajo lá da sic que disse, logo após o lance do primeiro penalti, « a expressão do pedro emanuel é como se fosse uma confissão que acabou de cometer falta». ou seja, aqueles caralhos daqueles comentadores têm sempre duas preparadas:

- no caso dum gajo barafustar: «pedro emanuel não pode reclamar desta forma. a sua experiência e o lugar de capitão impedem-no de perder a cabeça desta maneira»
- no caso de não perder a cabeça e de não barafustar: «a sua calma é sintoma de uma confissão»

e um caralhinho nos entrefolhos desse cu, não?

eu nem sequer estou aqui a discutir se foi penalti ou não. muito menos estou contra o sporting ou contra o árbitro. sobre este jogo já falei o que tinha a falar. melhores dias virão, caguei!

aliás este tipo de lances não se discutem contra o porto. a dúvida se é penalti, fora-de-jogo ou entrada violente coloca-se sim, quando o adversário do porto é a parte lesada.

sapunaru

sou franca e abertamente contra as críticas que se fazem ao sapunaru. que raio, o jovem romeno apenas jogou 18 encontros. e desses, apenas em dúzia e meia é que esteve, digamos, abaixo das capacidades exigidas a um defesa do meu clube.

nos restantes encontros esteve regular.

não sejam injustos, ora.

pinto da costa 1 - scp 4

sou daqueles portistas, parvos, que julga que não deveríamos ter dado abébias no jogo de hoje contra o sporting.

e por abébias, como devem imaginar, falo em ter deixado de fora o nosso melhor time.

ok, eu sei que há aquela gaita da gestão do plantel e não sei mais o quê, sei também que vem aí o jogo contra o benfica, mas sei ainda que isso são más desculpas.

se a ideia era estarem-se marimbando para a taça da liga, faziam como fez há poucos anos o manchester. foi ao mundial de clubes e cagou para a taça. como decidiram participar nela, deveriam ter feito com toda a força possível. e não, não me custa perder por quatro a um contra o sporting, custa-me perder e ponto final.

estou-me marimbando para o facto de "isto ser uma chapada de luva branca do jorge nuno na liga. se o problema é entre ele a a liga (a de futebol ou a da carolina) o problema é dele. eu, como adepto, daqueles que vão bater palminhas mesmo quando eles jogavam com os claudios pitbull ou os leo limas desta vida, quero que o meu clube ganhe sempre. ou pelo menos tente ganhar sempre. peço desculpa, mas também foi assim que o meu clube me educou.

também é bem verdade que começaram o jogo, onze jogadores que já foram titulares já nesta época, mas isso já são outros trezentos. o que me aborrece é saber que havia onze jogadores bem melhores para a terem iniciado.

fico triste, claro que fico.

jovens culturalmente esclarecidos

eu confesso, não sou uma pessoa que gaste (perca?) muito tempo a reflectir sobre a educação que a minha filha tem.

penso nela, sim, mais nos momentos de aperto: quando ela faz birra, quando nos desobedece, quando ameaça levantar a mão, quando lhe dão os ginetes, quando não quer comer isto ou aquilo, quando não lhe apetece lavar os dentes ou o rabo, etc.

nessas alturas, sim, penso na educação que ela tem. e nessa altura, confesso, tenho de ver se os pés (os doiszinhos mesmo. o plural de pé) estão bem assentes no chão para não começar a alienar-me e a pensar que está tudo em causa. que o "tudo" está ali concentrado no "euuuuuu nããããããão queeeeeeero batatinhaaaaaaaaaas."

mas noutras alturas, quando eventualmente tenho pouca coisa com que pensar, reflicto (sim, eu também reflicto. estou a reinar, não reflicto nada!) se as outras "educações" que lhe dou são correctas ou pelo menos justas.

ela gosta de ver programas do canal da neixional giogréfique desde que os mesmo contenham animais. isso é uma das coisas boas dela. vejamos, estamos a falar da natureza e tal, ecologia, partido os verdes, deputada maria santos, comunismo e por aí fora. e encanta-me o facto de eu não fazer rigorosamente nada para que ela se mantenha nesse caminho televisivo. vê e pronto.

ela gosta de cantar as coisas do mamma mia mas também gosta de cantar outras coisas que eu gosto. porém, também neste campo não fiz nada por isso. se tivesse feito algo ela estaria a cantar o mother's little helper ou, eventualmente o mannish boy.

a pergunta que eu me faço é «qual é realmente o meu ganho em ter uma filha com gostos parecidos com o meu?»

se ela gosta dos livros infantis declamados pela sofia aparício e eu não, porque raio terei eu de me aborrecer com essa questão. (não me aborreço, aviso já, tudo bem.)

semanas após o seu nascimento, o avô chegou-se à frente e fê-la sócia do sporting. não do sporting da covilhã, também não do de espinho, muito menos do de gijon e, com pena minha, também não do de lourel onde jogou o seu tio monty. filiou-a mesmo no tal de sporting clube de portugal. alguns membros da minha família questionavam-se se eu tinha ficado, não digo zangado, mas, talvez, melindrado com aquilo. é óbvio que não fiquei. eventualmente ficará ela quando crescer e comparar a quantidade de vitórias que o clube do pai tem em relação às do clube dela. caguei! mas pronto, está feito. da minha boca não ouvirá nunca um «filha, este aqui é que são os bons. viva o ....»

nos livros e nos discos a mesma coisa. por que raio hei-de eu dizer-lhe que deve ouvir isto ou aquilo. porque raio não há-de ser ela a dizer-me que afinal o does your mother know cantado pela christine baranski é que é uma valente canção e não o new york minute cantado pelo don henley?

porque é que a idade que ela tem agora tem de ser o busílis que a não permite ouvir, à la gardere, as canções que ela bem quiser?

reparem, não estamos aqui a falar da comida correcta, de ser ou não bem educada e cortês com os adultos (e não só). não me refiro ainda a livros nazis, nem a músicas da mocidade portuguesa, nem tão pouco ao manifesto social-democrata. falamos de coisas mais latas como eu gostar do lobo antunes e a minha mulher gostar da isabel allende. de eu gostar dos marillion e de ela gostar dos presuntos implicados. é precisamente a mesma coisa, uns gostam de uma coisa e outros de outra.

também não estamos aqui a falar em colocar-lhe à frente dos olhos e dos ouvidos opções culturais que a levem para caminhos duvidosos. eu confesso, não sei se ver os morangos com açúcar (lá chegará o seu tempo) ou programas de wrestling é realmente pior do que ser atinadinha e votar no santana lopes. sinceramente e fora de brincadeira, confesso que não sei.

por isso digo que o que fico realmente a pensar é «onde estará a bitola neste campo educativo?», «o que é que é realmente bom ou mau para a canalhada?». em que parte devo ficar calado e deixá-la evoluir agarrando-se ao gosto que ela bem quiser e em que parte devo chegar à sua beira e mostrar-lhe um livro do millor fernandes e dizer-lhe «larga os contemporâneos, experimenta aqui este senhor. é melhor».

não tenho medo de não encontrar a bitola. tenho medo é de saber que afinal há uma bitola.

consegues topar a minha'ialma

heldinho,

(é tão giro escrever posts para pessoas que eu sei que nunca os lerão)

é só para avisar que pronto, ganhaste, é oficial, mais importante que conhecer coisas lá dos teus killers, eu gosto de coisas dos teus killers.



e por isso acredito que um dia gostarei também daquelas tuas coisas que de três em três meses me dizes para gostar: os linkin park (sabes que só gosto de, vá lá, cinco canções), aquele surfista de cabelo curtinho que foste ver ao atlântico e que não me recordo o nome, os king of convenience (se não for este o nome, não me batas) e o mãos ao ar das tayti.


terça-feira, fevereiro 03, 2009

goal-average

e se no lugar do belenenses estivesse o porto?
e se estivesse o benfica?

sendo goal-average uma coisa tão vulgarizada e aceite como sendo goal-diference, da mesma forma como o senhor lá da federação disse que mister passou a ser treinador (ai o que eu adoro esta gente) porque raio não se há-de aceitar o "roubar" como sendo um simples "ah e tal, o árbitro teve uma decisão que não foi de acordo com o que achamos correcto na devida forma como devem ser os interesses do meu clube"?

não era suposto o porto contar nos convocados com pelo menos cinco jogadores efectivos dos dois últimos encontros?

sinceramente, já alguém esteve perto, assim juntinho, das pessoas do futebol? assim, dirigentes, juízes conselheiros, jogadores, aárbitros e tal? já? então e ainda se admiram com o que dali vem?

acham que quem está do lado de lá do gradeamento da bancada, no relvado, ou do lado do camarote presidencial para dentro (ena tantos lados. que coisinha mais mal escrita) é, digamos, alguém de alguma forma mais notável que os que estão a ver a bola na bancada ou no peão?

e ainda se admiram?

mnahm, mnham

segui durante cerca de três ou quatro quilómetros atrás de uma viatura motorizada que dizia «leitões de negrais».

durante cerca de 9 ou 10 minutos a palavra carjacking pairou na minha alma.

acho que ainda paira.

segunda-feira, fevereiro 02, 2009

capela, vasco e feliciano

a picheleira tinha umas quantas pessoas do belém. recordo-me do xô meia-quarta; do s'mestre que deus tem; o ferro tinha afinidades ao clube, claro; sei que os mateus também têm o seu coração do lado de lá da cidade e por aí fora. falar-me-ão também do fidalgo que até chegou a jogar nas primeiras categorias mas esse, confesso, ou me mostram fotos do senhor ou então não me recordo mesmo da cara dele.

bom, a verdade é que era um bairro, obviamente dividido entre benfica e sporting, pincelado, aqui e ali, por um ou outro belenense ilustre. e por isso, cedo me habituei ao contacto desses adeptos e respeitar as suas cores.

aliás, curiosamente a primeira vez que fui ver futebol de primeira divisão foi um belenenses-benfica. fica o registo.

ontem voltei lá para apoiar o clube. é sempre uma deslocação complicada, é sempre um clube que nos dá um certo galo, é sempre bom estar lá para bater palminhas e não só!

bem sei que o bilhete foi gratuito - se não, cheira-me, não tinha ido - mas só a hipótese de amorfar um par de coiratos abriu-me o apetite futebolístico.

e eu podia estar aqui uma semana a fazer posts sobre a noite de ontem. aliás, eu acho que um blog inteiro não chegava para falar sobre tudo o que me apetece contar acerca do jogo de ontem. só para terem uma noção, o emplastro é gajo para ter tido mais de 20 convites com a seguinte frase: ó maluco, deixa-me tirar uma foto contigo, boa?

eu sei é que o azar dos azares me fez sentar lá num spot onde ao meu lado estava um dos verdadeiros velhos do restelo: cromo difícil, gente barulhenta, sempre na conversa, auricular modelo centro comercial abecassis ali da praça de espanha, conectado no seu onda média e houve logo ali qualquer coisa que me disse: vai sobrar para mim!

e a bola começa a rolar. e o caraças do velho mantinha conversa com o seu parceiro do lado direito - à esquerda estava cá o je - e também com... bom, com os jogadores que se encontravam no relvado:
- vamos embora (cândido) costa. mete esse cabrão desse andrade no bolso.
- vai costa, fode-lhe uma perna!
- isso, costa. segura, costa.
- olha o preto, costa. olha o preto, manda-o para a terra dele.

e nem eram daquelas coisas que eram ditas de dois em dois minutos. nada disso, o velho estava constantemente, repito, constantemente a falar. assim como se estivesse a relatar o jogo para a rádio. o pior de tudo é que à medida que falava, mexia-se! ora, quando se mexia, invariavelmente, levantava-se e pisava-me «pisei-o?», ou sentava-se sobre a minha anca «eh, pá, desculpe» ou simplesmente era chato «está a ver a coisa, não está? isto está tudo combinado com estes gajos do apito, estes cabrões....»

uma falta a favor do meu clube e logo ele:
- ó boi preto, já tens o cheque no teu bolsinho, tens?

e à medida que se mexia não me incomodava só a mim como também a quem estava ao seu redor. apetecia-me sair dali mas o raio do lugar estava mesmo ali no enfiamento do ofesáide. eu estava mesmo no lugar do gajo do poste da liga dos últimos.

virando-se para o velho amigo lá do outro lado «eu cheguei a jogar nas reservas aqui do belém mas o raio da tropa... estive em vila real com o pedroto e tudo... quando voltei já tive de ir para outro lado... joguei no arroios que tinha boa gente... joguei contra o oriental... estive para jogar no operário mas aquilo era só gente das barracas. no atlético é que nem pensar. ao atlético até tenho ódio ao bairro. são esses e é ao vitória da picheleira...»

alto que isto interessa-me

«... o pessoal da picheleira... aquilo os jogos e o caralho.... são só gatunage. são uma cambada de paneleiros e filhos da puta...»

e estranhamente um caldo ali na zona occipital fez-lhe abanar o cabelo e baldar a boina para o chão.

- calminha como palavreado. gatunos ainda vá que não vá. paneleiros também sei que os há. agora cuidadinho com o que se diz em relação aos filhos da puta que andas para aí a dizer, entendido? vamos mas é a baixar a bolinha e a ter cuidado com o latim.

e aquilo não foi o caldo de aleijar, porra! não sou gajo de porrada, ora. foi mais um caldo para fazer levantar a boina, não é? era mais um bicuáiate que outra coisa qualquer. longe de mim armar cagaçal. a verdade é que o pessoal em redor sentiu um certo alívio com aquele silêncio oportuno. o velho fez a trouxa, abalou para a lateral superior e não disse mais nada. o velhote seu vizinho quase que agradeceu. os sorrisos ali à volta sentenciaram e validaram o caldinho.

entretanto o cebola enfia o segundo para os nossos e o fernando emplastro - está com uma ganda trunfa - pede-me trocos.

check!


esta foto que aparentemente não é mais que uma foto desenquadrada, mal iluminada e com um foco que não lembra ao diabo, não é mais que a ilustração do que foi a maior parte do tempo que mediou as horas de almoço e as horas de jantar, bem como entre as horas de jantar e as horas de deitar.

não parece, mas o senhor bem agasalhadinho da esquerda está a tentar mostrar ao senhor ao seu lado e a uns outros que não surgem na imagem que as suas capacidades de raciocínio estatístico são mais que suficientes para que uma mão com uma dama e um duque ganhe uma jogada de texas hold'em.

o senhor bem apessoado da direita - na dúvida é o que tem penteado à namorado da alexandra lencastre -, que devido à quantidade de whisky duma marca que começa com dabliu e termina em williams não traz frio nenhum na peitaça, está francamente com aquele ar de quem vai espetar uns all in para ver se o pessoal axandra os cavais.

pessoal, é só para avisar que: o rally está quase ao virar da esquina; já há mapas na net; convém que as fichas que sejam levadas para o algarve sejam as do rui porque as do hélder não valem um caralho e, quero acrescentar - querem ver como é que se faz para que apareçam comments num post -, que tenho esperança que desta vez vocês consigam ficar com algum dinheiro para os gastos. é que ser sempre eu a a rapinar dinheiro aos amigos não dá com nada!

monty, já sabes, mesma cor não é bem "mesma cor", vale?

skate

a minha geração tinha com o skate, uma relação diferente da geração que veio a seguir.

vi, uma duas vezes no defunto cinema impala de cascais, este filme da mesma forma como quem ia, digamos, ver filmes de cáubóis. aquilo era uma loucura.

éramos mais virados para a velocidade que propriamente para a habilidade.

o gozo supremo não era propriamente fazer saltinhos e rotações. o gozo estava em descer a mira fernandes sem ter medo de levar uma croquinada de quem entrasse ali, vindo da calçada de picheleira, pela rua da lojinha da avó - ao lado do rocha - ou, mais abaixo, de quem viesse da faria de vasconcelos.

mais tarde, tentávamos concertar a abertura do sinal verde da actor taborda com a nossa descida da alameda, de forma a chegarmos à almirante reis na maior bolina possível.

até que houve um dia que alguém se lembrou - e concretizou - que a descida dos alfas era a puta da loucura. e assim passámos a fazer: do areeiro até ao cruzamento da estados unidos aquilo era realmente só para quem os tinha no sítio. e tínhamos, caneco!

é claro que para os manter no sítio, fodi duas vezes o meu joelho direito e uma vez o esquerdo. isto claro, já para não falar nos cotovelos e afins.

quero com isto dizer que ele pode ter imaginado e fundado mais bandas e feito mais canções. pode ter mais experiência de altar - o senhor é um ilustre pastor e eu não passei de um reles acólito - pode ter mais filhos que eu. a barba, ok, é também mais cerrada. mas é francamente doutra geração: no que concerne ao skate e pelo que vi hoje, eu sou destacadamente dum nível superior ao do tiago cavaco!

sou old skul, não me fodam!

(beijos e abraços lá para casa, vale?)

domingo, fevereiro 01, 2009

e os quarenta ali ao virar da esquina

disseram-me há dias: tens cabelo à namorado da alexandra lencastre, pá!

vi finalmente o dito cujo há dias. o homem tem o cabelo todo branco, caramba! mas estão-me a dar baile? qualquer dia dizem-me que tenho penteado à jorge jesus, não? mas que merda é esta?