sexta-feira, maio 04, 2007
os tomates do pai e a barriga da mãe

ontem na esplanada da sul-américa uma mulher encontra outra mulher.
a mulher encontrada está grávida, barriguda.
a mulher que encontrou a encontrada levanta-lhe a camisola.
a mulher encontrada está manifestamente constrangida e com vergonha de estar a passar por aquilo ali, em plena avenida de roma.
cruzo olhar com ela. eu estou a fazer que não com a cabeça, ela sorri ainda mais encavacada e faz um ar, assim como quem diz: "o que é que eu hei-de fazer"
a mulher que encontrou a encontrada saca da carteira fotos da sua gravidez, aparentemente recente: "olha eu aqui, olha a minha barriga nesta, olha eu tããão gorda!"
a mulher encontrada está francamente sem vontade de ver aquilo.
eu odeio de morte quando as grávidas se pôe a mostrar as panças em público.
qual é a ideia? julgarão elas que nós temos visão raio-x e conseguimos fazer ecografias com os nossos olhinhos?
quando pensarem engravidar, eu sugiro que mostrem também os colhões do pai.
não é por aí que tudo começa?
quinta-feira, maio 03, 2007
o meu rainha fez anos

- ahhhhhhh, andaste no rainha?
- sim, andei.
- e gostaste?
- eh pá, adorei!
de que é que afinal nós gostámos quando afirmamos com tanta convicção que adorámos andar no rainha? eu julgo que noventa por cento das respostas são ditas, tendo como ideia principal, os colegas. é natural, não é?
então, se nos perguntam se a escola foi boa, não nos vamos pôr a pensar na qualidade das carteiras, dos quadros, do giz, do cesto de basquetebol. nada disso. o que nos vem à cabeça são mesmo os colegas que nós tivemos: as brincadeiras, as cumplicidades, os amores, os desgostos de amor, as jantaradas com eles, as noitadas a estudar, as matinés no quarteto, as jogatanas de futebol nos relvados da estados unidos, etc.
e depois recordamos os cafés. havia o grupo da suprema, os armados aos cucos que iam para o vavá, os que faziam casa no luanda e os que, como eu, tinham uma cadeirinha com o seu nome na sul-américa. penso que tudo girava à volta destas quatro casas. era para lá que fugíamos quando tínhamos os nossos furos ou faltava este ou aquele professor e nos lembrávamos que havia coisas mais giras para fazer do que jogar à bola.
há também outro elemento preponderante quando avaliamos se gostámos ou não da nossa escola. eu julgo que ter andado – e adorado – no rainha durante os anos oitenta é outra loiça. principalmente porque foram os “meus” anos oitenta. porque foi precisamente com pessoas que comigo lá andaram que eu ouvi pela primeira vez músicas tão díspares como o love will tear us apart, o easy lover, o comanchero (não gozem) ou o tight connection to my heart.
hoje, contudo, não quero falar sobre os meus colegas, sobre os meus cafés, sobre os meus jogos de futebol. não, hoje quero ser crescidinho (por mais difícil que isso seja) e falar sobre os professores que tive no meu rainha. e, de entre os mais de, sei lá, 60, 70 professores, há uma que me vem logo à memória. estou a falar da professora maria de lurdes guisado.
hoje este texto é direitinho para ela.
tive a sorte de a conhecer no meu sétimo ano. inusitadamente, quis o destino e a sorte que fosse minha professora de português durante mais quatro anos.
era uma professora à moda antiga. eu julgo que é a primeira ideia que nos vem à cabeça: uma professora à moda antiga. no entanto, é uma ideia que não lhe faz inteira justiça. simplesmente porque julgo que não houve no antigamente, uma professora como ela.
a primeira coisa que ela nos disse, a nós, reparem, meninos e meninas com 12 anos foi:
- boa tarde, o meu nome é maria de lurdes guisado, sou a vossa professora de português. dizem que é bom estar-se de bem com deus e com o diabo. pois, meus caros, eu sou o diabo.
e pronto, como um árbitro de futebol que quer segurar um jogo mostrando um cartão vermelho logo aos dois minutos de jogo, também ela segurou aquela turma e aquelas pessoas para a vida.
e afinal o tal diabo que ela tanto apregoava ser, não era mais do que uma pessoa que retribuía tudo aquilo que exigia. que exigia um respeito infinito mas que entregava muito mais que isso.
e eu ando aqui de volta deste texto, querendo fazer-lhe uma bonita homenagem e tenho a certeza absoluta que não estou a conseguir dizer tudo o que esta mulher merece. além de que é escrito num português que ela, certamente, logo diria não ter sido o que me ensinou.
por isso, e porque depois me alongo, me espraio e já ninguém me agarra, vamos lá pôr isto esquematizado:
- as suas aulas
nas suas aulas ninguém se portava mal – e olhem que estamos a falar duma turma que, por exemplo, num só ano teve 5 (cinco!) conselhos disciplinares, com algumas expulsões à mistura. conselhos esses onde ela nos defendia até ao tutano com frases tão simples como: “nas minhas aulas ninguém me falta ao respeito, ninguém se porta mal. têm a certeza que estão a falar das mesmas pessoas?” –, ninguém se atrevia a copiar. no início da aula as meninas entravam primeiro que os rapazes porque os homens tinham de ser cavalheiros. se algum outro professor ou elemento do conselho directivo entrava na aula, levantávamo-nos de imediato como sinal de respeito. ah e ninguém comia pastilha.
aquelas aulas eram quase reuniões maçónicas. o que se passava lá dentro não transpirava para fora. se um aluno calhasse ser repreendido, seria, é certo, sempre em voz alta mas nunca fora de portas. que me recorde ou que eu saiba, nunca se queixou - ou comentou - a qualquer outro professor das coisas menos boas que lá aconteciam. para fora, as suas turmas eram sempre as melhores do mundo.
era incapaz de esquecer o nome dum aluno. guardava as folhas de aluno de todos os seus anos escolares. e tinha uma memória fantástica para arquivar naquela cabeça todos os mais ínfimos pormenores relacionados connosco.
os testes eram enormes. para colmatar isso, entrávamos no início do intervalo anterior ao teste e só saíamos no final do intervalo posterior. e acreditem, nunca ninguém conseguia escrever tudo o que pretendia.
de tempos a tempos havia sabatina de verbos:
- voluntários, voluntários, voluntários, quem quer ser voluntário para uma sabatina de verbos?
e lá íamos respondendo às suas provocações:
- então, meu caro, diga-me lá: primeira segunda ou terceira conjugação?
- pode ser segunda.
- comer. agrada-lhe?
- sim.
- pretérito-mais-que-perfeito do indicativo, podemos começar?
- eu comera, tu comeras, ele comera…..
- livros
mesmo que houvesse pessoas que não gostassem de ler, tinham de se aguentar à bronca. havia um livro que era por si escolhido e que era lido em casa durante uns dois meses. mas uma leitura crítica, nada de coisas assim ao de leve. na, nada disso. era tudo com anotações nas margens, com grandes estudos sobre as personagens, os locais, as descrições, etc. depois, havia um dia, em que íamos voluntariamente ao estrado, pegávamos num papelinho à sorte contendo meia dúzia de perguntas, e respondíamos às mesmas como se estivéssemos num concurso. e foi assim que eu li e adorei: o cavaleiro da dinamarca, o kurika, a morgadinha dos canaviais, a cidade e as serras, o bobo, o inevitável os maias, os bichos e claro, os lusíadas.
- cultura geral
era incapaz de passar por um feriado, uma efeméride qualquer, sem nos contar uma história sobre esse dia. quer fosse o são martinho, quer fosse o carnaval
e as incontáveis histórias relacionadas com as suas duas tuberculoses: “não se esqueçam que quando andam a mandar ovos uns aos outros, há tuberculosos que necessitam de comer pelo menos um por dia”!
quer fosse o dia de reis. com uma formação e uma vivência vincadamente católicas, estava como peixe na água a falar sobre estas histórias que nós ouvíamos duma forma sempre atenta.
não falava dum escritor sem contar uma curiosidade sobre o mesmo. não falava do eça sem contar que em paris foi a correr até ao nº 202 (ou será 222, oh diabo que já não me recordo bem) dos campos elísios para ver se existia a casa do jacinto de a cidade e as serras. não havia uma história que fosse dita em vão, não havia um comentário que viesse a despropósito. ali tudo era pensado com uma exactidão cirúrgica.
- teatralidade
não há um único aluno dessa minha turma que não se recorde de como ela era muito gestual na aplicação dos seus dotes pedagógicos. aliás o seu maior trunfo, o que mais a distingue de todos os outros professores que eu tive (e perdoem-me alguma injustiça) é o facto de se lembrar que estava ali para ensinar. e este “ensinar” é algo que está cada vez mais esquecido. a última coisa que eu me lembro de ela ter feito é de ter debitado matéria.
certo dia, estava ela a ensinar o segundo canto dos lusíadas (que eram lidos em voz alta e explicados tintim-por-tintim), por alturas em que vasco da gama é impedido por vénus e as nereides de entrar no porto de mombaça, escapando à traição do piloto mouro. então ela, com aquela voz já rouca e coberta de emoção diz-nos:
- a vénus, reparem, a vénus e as nereides colocaram o seu peito de encontro às naus lusas.
e ao mesmo tempo que dizia isto, batia com a mão na sua bata branca por altura do peito, encostando-o de seguida à porta da sala, fazendo uma força tremenda contra ela.
- assim, assim, estão a ver? assim, assim, com força!
foi pois nesse momento que uma empregada tentou entrar na sala para entregar uns pedaços de giz que tinham sido gentilmente pedidos pela professora. e a empregada rodava a chave e forçava a porta qual uma nau, e a maria de lurdes empurrava de volta qual nereide na barra de mombaça. e ali ficaram, dois, três segundos, num abre e fecha até perceberem que não estavam num palco teatral. risada geral.
outras histórias recorrentes focavam a sua vivência em peniche, sua terra natal. as histórias dos pescadores.
as tormentas que eram as viagens às berlengas:
- então diga-me lá para que servem estes baldinhos aqui debaixo dos nossos assentos?
- ó maria de lurdes, quando estiveres em alto mar, logo verás.
e fazendo loopings com os olhos, imitando o ar de enjoo, olhava depois para nós e dizia
- com o tamanho das ondas, descobríamos logo em minutos para que serviam os baldinhos.
e o gil vicente? ai que saudades daquelas aulas onde podíamos dizer bem alto e em frente duma senhora de idade, todo aquele asneiredo que só arriscávamos pronunciar entre nós, colegas.
- ó amadeu, não se acanhe, nem se envergonhe. é precisamente nesta ocasião que você deve dizer isso sem gaguejar. ora o sapateiro dizia o quê, senhor amaral:
- ah! nom praza ò cordovão, nem à, à, à, ai professora que eu não consigo dizer.
- quer que eu diga?
- eu prefiro.
- nem à puta da badana
se é esta boa traquitana
em que se vê joanteantão!
- expressões proibidas ou corrigidas – coisas que aprendemos para a vida
“- ó professora (ali não havia lugar para storas), desculpe lá. posso fazer uma pergunta?”
“- desculpe lá? onde? aqui? aqui assim? ali? onde quer que eu o desculpe?”
era este o diálogo recorrente sempre que alguém dizia, “desculpe lá”.
“hall de entrada”
ensinou-nos que não há halls que não sejam de entrada.
“constatar”
odiava esta palavra. dizia que sempre que possível, devíamos evitá-la. primeiro porque é um francesismo e depois porque existe verificar ou observar que são bem mais bonitas.
sei lá, muitas, muitas outras histórias que ficam por contar. neste dia que o meu rainha comemora sessenta anos, a minha memória tem de ser dirigida à pessoa que eu ligo imediatamente aos anos que lá passei. esta extraordinária professora merece sem dúvida esta homenagem que peca, obviamente, por defeito.
julgo, no entanto, que são poucos os seus alunos - mesmo os que nunca receberam uma nota positiva dela ou que se tenham sentido injustiçados por esta ou aquela eventual decisão, que a não considerem como tendo sido: a sua melhor professora de sempre.
acima disso, acima dum superlativo e raro grau de pedagogia, reconheço nela uma das mais incríveis mulheres que eu já conheci.
obrigado, senhora dona maria de lurdes, por ter sido minha professora.
- sim, andei.
- e gostaste?
- eh pá, adorei!
de que é que afinal nós gostámos quando afirmamos com tanta convicção que adorámos andar no rainha? eu julgo que noventa por cento das respostas são ditas, tendo como ideia principal, os colegas. é natural, não é?
então, se nos perguntam se a escola foi boa, não nos vamos pôr a pensar na qualidade das carteiras, dos quadros, do giz, do cesto de basquetebol. nada disso. o que nos vem à cabeça são mesmo os colegas que nós tivemos: as brincadeiras, as cumplicidades, os amores, os desgostos de amor, as jantaradas com eles, as noitadas a estudar, as matinés no quarteto, as jogatanas de futebol nos relvados da estados unidos, etc.
e depois recordamos os cafés. havia o grupo da suprema, os armados aos cucos que iam para o vavá, os que faziam casa no luanda e os que, como eu, tinham uma cadeirinha com o seu nome na sul-américa. penso que tudo girava à volta destas quatro casas. era para lá que fugíamos quando tínhamos os nossos furos ou faltava este ou aquele professor e nos lembrávamos que havia coisas mais giras para fazer do que jogar à bola.
há também outro elemento preponderante quando avaliamos se gostámos ou não da nossa escola. eu julgo que ter andado – e adorado – no rainha durante os anos oitenta é outra loiça. principalmente porque foram os “meus” anos oitenta. porque foi precisamente com pessoas que comigo lá andaram que eu ouvi pela primeira vez músicas tão díspares como o love will tear us apart, o easy lover, o comanchero (não gozem) ou o tight connection to my heart.
hoje, contudo, não quero falar sobre os meus colegas, sobre os meus cafés, sobre os meus jogos de futebol. não, hoje quero ser crescidinho (por mais difícil que isso seja) e falar sobre os professores que tive no meu rainha. e, de entre os mais de, sei lá, 60, 70 professores, há uma que me vem logo à memória. estou a falar da professora maria de lurdes guisado.
hoje este texto é direitinho para ela.
tive a sorte de a conhecer no meu sétimo ano. inusitadamente, quis o destino e a sorte que fosse minha professora de português durante mais quatro anos.
era uma professora à moda antiga. eu julgo que é a primeira ideia que nos vem à cabeça: uma professora à moda antiga. no entanto, é uma ideia que não lhe faz inteira justiça. simplesmente porque julgo que não houve no antigamente, uma professora como ela.
a primeira coisa que ela nos disse, a nós, reparem, meninos e meninas com 12 anos foi:
- boa tarde, o meu nome é maria de lurdes guisado, sou a vossa professora de português. dizem que é bom estar-se de bem com deus e com o diabo. pois, meus caros, eu sou o diabo.
e pronto, como um árbitro de futebol que quer segurar um jogo mostrando um cartão vermelho logo aos dois minutos de jogo, também ela segurou aquela turma e aquelas pessoas para a vida.
e afinal o tal diabo que ela tanto apregoava ser, não era mais do que uma pessoa que retribuía tudo aquilo que exigia. que exigia um respeito infinito mas que entregava muito mais que isso.
e eu ando aqui de volta deste texto, querendo fazer-lhe uma bonita homenagem e tenho a certeza absoluta que não estou a conseguir dizer tudo o que esta mulher merece. além de que é escrito num português que ela, certamente, logo diria não ter sido o que me ensinou.
por isso, e porque depois me alongo, me espraio e já ninguém me agarra, vamos lá pôr isto esquematizado:
- as suas aulas
nas suas aulas ninguém se portava mal – e olhem que estamos a falar duma turma que, por exemplo, num só ano teve 5 (cinco!) conselhos disciplinares, com algumas expulsões à mistura. conselhos esses onde ela nos defendia até ao tutano com frases tão simples como: “nas minhas aulas ninguém me falta ao respeito, ninguém se porta mal. têm a certeza que estão a falar das mesmas pessoas?” –, ninguém se atrevia a copiar. no início da aula as meninas entravam primeiro que os rapazes porque os homens tinham de ser cavalheiros. se algum outro professor ou elemento do conselho directivo entrava na aula, levantávamo-nos de imediato como sinal de respeito. ah e ninguém comia pastilha.
aquelas aulas eram quase reuniões maçónicas. o que se passava lá dentro não transpirava para fora. se um aluno calhasse ser repreendido, seria, é certo, sempre em voz alta mas nunca fora de portas. que me recorde ou que eu saiba, nunca se queixou - ou comentou - a qualquer outro professor das coisas menos boas que lá aconteciam. para fora, as suas turmas eram sempre as melhores do mundo.
era incapaz de esquecer o nome dum aluno. guardava as folhas de aluno de todos os seus anos escolares. e tinha uma memória fantástica para arquivar naquela cabeça todos os mais ínfimos pormenores relacionados connosco.
os testes eram enormes. para colmatar isso, entrávamos no início do intervalo anterior ao teste e só saíamos no final do intervalo posterior. e acreditem, nunca ninguém conseguia escrever tudo o que pretendia.
de tempos a tempos havia sabatina de verbos:
- voluntários, voluntários, voluntários, quem quer ser voluntário para uma sabatina de verbos?
e lá íamos respondendo às suas provocações:
- então, meu caro, diga-me lá: primeira segunda ou terceira conjugação?
- pode ser segunda.
- comer. agrada-lhe?
- sim.
- pretérito-mais-que-perfeito do indicativo, podemos começar?
- eu comera, tu comeras, ele comera…..
- livros
mesmo que houvesse pessoas que não gostassem de ler, tinham de se aguentar à bronca. havia um livro que era por si escolhido e que era lido em casa durante uns dois meses. mas uma leitura crítica, nada de coisas assim ao de leve. na, nada disso. era tudo com anotações nas margens, com grandes estudos sobre as personagens, os locais, as descrições, etc. depois, havia um dia, em que íamos voluntariamente ao estrado, pegávamos num papelinho à sorte contendo meia dúzia de perguntas, e respondíamos às mesmas como se estivéssemos num concurso. e foi assim que eu li e adorei: o cavaleiro da dinamarca, o kurika, a morgadinha dos canaviais, a cidade e as serras, o bobo, o inevitável os maias, os bichos e claro, os lusíadas.
- cultura geral
era incapaz de passar por um feriado, uma efeméride qualquer, sem nos contar uma história sobre esse dia. quer fosse o são martinho, quer fosse o carnaval
e as incontáveis histórias relacionadas com as suas duas tuberculoses: “não se esqueçam que quando andam a mandar ovos uns aos outros, há tuberculosos que necessitam de comer pelo menos um por dia”!
quer fosse o dia de reis. com uma formação e uma vivência vincadamente católicas, estava como peixe na água a falar sobre estas histórias que nós ouvíamos duma forma sempre atenta.
não falava dum escritor sem contar uma curiosidade sobre o mesmo. não falava do eça sem contar que em paris foi a correr até ao nº 202 (ou será 222, oh diabo que já não me recordo bem) dos campos elísios para ver se existia a casa do jacinto de a cidade e as serras. não havia uma história que fosse dita em vão, não havia um comentário que viesse a despropósito. ali tudo era pensado com uma exactidão cirúrgica.
- teatralidade
não há um único aluno dessa minha turma que não se recorde de como ela era muito gestual na aplicação dos seus dotes pedagógicos. aliás o seu maior trunfo, o que mais a distingue de todos os outros professores que eu tive (e perdoem-me alguma injustiça) é o facto de se lembrar que estava ali para ensinar. e este “ensinar” é algo que está cada vez mais esquecido. a última coisa que eu me lembro de ela ter feito é de ter debitado matéria.
certo dia, estava ela a ensinar o segundo canto dos lusíadas (que eram lidos em voz alta e explicados tintim-por-tintim), por alturas em que vasco da gama é impedido por vénus e as nereides de entrar no porto de mombaça, escapando à traição do piloto mouro. então ela, com aquela voz já rouca e coberta de emoção diz-nos:
- a vénus, reparem, a vénus e as nereides colocaram o seu peito de encontro às naus lusas.
e ao mesmo tempo que dizia isto, batia com a mão na sua bata branca por altura do peito, encostando-o de seguida à porta da sala, fazendo uma força tremenda contra ela.
- assim, assim, estão a ver? assim, assim, com força!
foi pois nesse momento que uma empregada tentou entrar na sala para entregar uns pedaços de giz que tinham sido gentilmente pedidos pela professora. e a empregada rodava a chave e forçava a porta qual uma nau, e a maria de lurdes empurrava de volta qual nereide na barra de mombaça. e ali ficaram, dois, três segundos, num abre e fecha até perceberem que não estavam num palco teatral. risada geral.
outras histórias recorrentes focavam a sua vivência em peniche, sua terra natal. as histórias dos pescadores.
as tormentas que eram as viagens às berlengas:
- então diga-me lá para que servem estes baldinhos aqui debaixo dos nossos assentos?
- ó maria de lurdes, quando estiveres em alto mar, logo verás.
e fazendo loopings com os olhos, imitando o ar de enjoo, olhava depois para nós e dizia
- com o tamanho das ondas, descobríamos logo em minutos para que serviam os baldinhos.
e o gil vicente? ai que saudades daquelas aulas onde podíamos dizer bem alto e em frente duma senhora de idade, todo aquele asneiredo que só arriscávamos pronunciar entre nós, colegas.
- ó amadeu, não se acanhe, nem se envergonhe. é precisamente nesta ocasião que você deve dizer isso sem gaguejar. ora o sapateiro dizia o quê, senhor amaral:
- ah! nom praza ò cordovão, nem à, à, à, ai professora que eu não consigo dizer.
- quer que eu diga?
- eu prefiro.
- nem à puta da badana
se é esta boa traquitana
em que se vê joanteantão!
- expressões proibidas ou corrigidas – coisas que aprendemos para a vida
“- ó professora (ali não havia lugar para storas), desculpe lá. posso fazer uma pergunta?”
“- desculpe lá? onde? aqui? aqui assim? ali? onde quer que eu o desculpe?”
era este o diálogo recorrente sempre que alguém dizia, “desculpe lá”.
“hall de entrada”
ensinou-nos que não há halls que não sejam de entrada.
“constatar”
odiava esta palavra. dizia que sempre que possível, devíamos evitá-la. primeiro porque é um francesismo e depois porque existe verificar ou observar que são bem mais bonitas.
sei lá, muitas, muitas outras histórias que ficam por contar. neste dia que o meu rainha comemora sessenta anos, a minha memória tem de ser dirigida à pessoa que eu ligo imediatamente aos anos que lá passei. esta extraordinária professora merece sem dúvida esta homenagem que peca, obviamente, por defeito.
julgo, no entanto, que são poucos os seus alunos - mesmo os que nunca receberam uma nota positiva dela ou que se tenham sentido injustiçados por esta ou aquela eventual decisão, que a não considerem como tendo sido: a sua melhor professora de sempre.
acima disso, acima dum superlativo e raro grau de pedagogia, reconheço nela uma das mais incríveis mulheres que eu já conheci.
obrigado, senhora dona maria de lurdes, por ter sido minha professora.
quarta-feira, maio 02, 2007
good bye lenin!
acabo de ouvir o manuel monteiro afirmar que não tem problema rigorosamente nenhum em apoiar uma eventual candidatura do pedro santana lopes à presidência da cml.
eu tive o cuidado de colocar a palavra presidência no parágrafo anterior, não fosse dar-se o caso de as pessoas estarem a pensar que o ex-líder centrista se estava a referir a uma candidatura a calceteiro ou coveiro dos prazeres ou do lumiar.
e eu que até estava de costas para a tv, logo eu que raramente vejo televisão, virei-me num repente, fiz um ahhhhhh, assim como que se alguém tivesse largado uma serena mal cheirosa na sala e lembrei-me logo da Katrin Saß do good bye lenin!: será que este monteiro esteve a leste do que o santana lopes andou a fazer nos últimos 10 anos (presidência do sporting incluída)? será que acordou agora dum coma? será que fugiu do miguel bombarda e ninguém ainda o avisou?
está tudo parvo, caraças!
eu tive o cuidado de colocar a palavra presidência no parágrafo anterior, não fosse dar-se o caso de as pessoas estarem a pensar que o ex-líder centrista se estava a referir a uma candidatura a calceteiro ou coveiro dos prazeres ou do lumiar.
e eu que até estava de costas para a tv, logo eu que raramente vejo televisão, virei-me num repente, fiz um ahhhhhh, assim como que se alguém tivesse largado uma serena mal cheirosa na sala e lembrei-me logo da Katrin Saß do good bye lenin!: será que este monteiro esteve a leste do que o santana lopes andou a fazer nos últimos 10 anos (presidência do sporting incluída)? será que acordou agora dum coma? será que fugiu do miguel bombarda e ninguém ainda o avisou?
está tudo parvo, caraças!
soy loco por ti america, soy loco por ti de amores!
kaká e seedorf. para mim o melhor meio campo sul-americano da actualidade.
aliás, o seedorf é um gajo que me irrita: tem a mania de ser campeão europeu!
p.s.: ó quim, e agora? damos-lhes, outra vez, três de avanço até ao intervalo ou arrumamos os gajos logo de início? olha que eles estão com um pedal do catano. tu viste bem?
aliás, o seedorf é um gajo que me irrita: tem a mania de ser campeão europeu!
p.s.: ó quim, e agora? damos-lhes, outra vez, três de avanço até ao intervalo ou arrumamos os gajos logo de início? olha que eles estão com um pedal do catano. tu viste bem?
bem sei
...que sou só eu que penso assim mas:
- o babel é um filmito estúpido, irritante e comprido, não é*?
- o flags of our fathers é muito chhaaaaaaatooooooo e loooooongo, não é?
é que foram 143+132=275 minutos para o galheiro!
* ai cate, o que andas tu a fazer por ali, pá?
- o babel é um filmito estúpido, irritante e comprido, não é*?
- o flags of our fathers é muito chhaaaaaaatooooooo e loooooongo, não é?
é que foram 143+132=275 minutos para o galheiro!
* ai cate, o que andas tu a fazer por ali, pá?
sina
não há férias sem chuva, não há sol sem trabalho.
(alguém me diz como é que são as férias com solzinho? é que não me lembro mesmo)
(alguém me diz como é que são as férias com solzinho? é que não me lembro mesmo)
cá cará káká
deixemos-nos de merdas, o golo do messi não é uma coisa do futebol. aquilo é uma cena pornográfica. aquilo é aquela cena do actor porno que está a comer umas 7 gajas ao mesmo tempo, assim tudo ao molho e depois se vem para cima delas e tal.... nahh, aquilo é um exagero.
isto é pura poesia. isto é o melhor momento futebolístico deste ano. e não se esqueçam, estamos a falar duma meia-final da liga dos campeões.
p.s.: já alguém reparou que este kaká é a tromba chapada daquele pastor lá do canal que veio substituir o gnt? e já agora, só para quem sabe, é também, não digo a tromba chapada mas, vá lá, meia tromba dos gêmeos graça? é ou não é?
isto é pura poesia. isto é o melhor momento futebolístico deste ano. e não se esqueçam, estamos a falar duma meia-final da liga dos campeões.
p.s.: já alguém reparou que este kaká é a tromba chapada daquele pastor lá do canal que veio substituir o gnt? e já agora, só para quem sabe, é também, não digo a tromba chapada mas, vá lá, meia tromba dos gêmeos graça? é ou não é?
zé mário
e já que falei sobre o mourinho e para que não restem dúvidas vamos aqui esclarecer duas ou três coisas:
- o mourinho é o melhor treinador do mundo.
- assim como o deco foi o melhor jogador que vestiu a minha camisola, o mourinho foi o melhor treinador que sentou o cu no meu banco de suplentes.
- o cristiano rónaldo (adoro dizer e escrever assim, como se fosse uma palavra esdrúxula) não sei se entendeu mas eu acentuo: ele é melhor que o mourinho a fazer fintas, não é melhor que o treinador a falar e a conduzir mind games. fez bem em calar-se nesta palhaçada da história dos penaltis.
- o mourinho às vezes distrai-se com os seus mind games. se vem falar em fair play que se lembre do castróman nas antas. se vem falar em coisas como: "se o ronaldo diz que não houve penalti então está a mentir", então também eu digo: se o mourinho diz que só o chelsea é que procurou a vitória ontem então ele está a mentir.
- o mourinho é o melhor treinador do mundo.
- assim como o deco foi o melhor jogador que vestiu a minha camisola, o mourinho foi o melhor treinador que sentou o cu no meu banco de suplentes.
- o cristiano rónaldo (adoro dizer e escrever assim, como se fosse uma palavra esdrúxula) não sei se entendeu mas eu acentuo: ele é melhor que o mourinho a fazer fintas, não é melhor que o treinador a falar e a conduzir mind games. fez bem em calar-se nesta palhaçada da história dos penaltis.
- o mourinho às vezes distrai-se com os seus mind games. se vem falar em fair play que se lembre do castróman nas antas. se vem falar em coisas como: "se o ronaldo diz que não houve penalti então está a mentir", então também eu digo: se o mourinho diz que só o chelsea é que procurou a vitória ontem então ele está a mentir.
piscina de fígado, outra vez
...e quando o holandês marca a última penalidade, já eu estou de telefone na mão a marcar o único número possível de se marcar nestas alturas:
- conseguimos, caralho!
- foooooda-se, jogatana do catano, ó jaime.
- eh pá, não foi um jogo muito bonito, mas foi uma jogatana do catano, sim senhor. quem é que queremos que jogue contra nós, pá?
- humm, não sei. o que é que achas, jaiminho?
- é pá, tem de ser o milan. um clube que tem um jogador que marca um golo como aquele segundo que o kaká marcou contra o méniu, tem de jogar contra o nosso liver, pá.
- bem visto, bem visto!
pré-resposta a possiveis comentários: não, eu não sou anti-mourinho. eu não encontro é tesão nenhum em apoiar na europa, nenhuma equipa não portuguesa que não seja o liverpool. desculpem mas não tem lógica apoiar o chelsea: um clube de cagões, betinhos e snobs londrinos. olhem, só para terem uma ideia, é assim como apoiar o sporting mas em pior.
- conseguimos, caralho!
- foooooda-se, jogatana do catano, ó jaime.
- eh pá, não foi um jogo muito bonito, mas foi uma jogatana do catano, sim senhor. quem é que queremos que jogue contra nós, pá?
- humm, não sei. o que é que achas, jaiminho?
- é pá, tem de ser o milan. um clube que tem um jogador que marca um golo como aquele segundo que o kaká marcou contra o méniu, tem de jogar contra o nosso liver, pá.
- bem visto, bem visto!
pré-resposta a possiveis comentários: não, eu não sou anti-mourinho. eu não encontro é tesão nenhum em apoiar na europa, nenhuma equipa não portuguesa que não seja o liverpool. desculpem mas não tem lógica apoiar o chelsea: um clube de cagões, betinhos e snobs londrinos. olhem, só para terem uma ideia, é assim como apoiar o sporting mas em pior.
terça-feira, abril 24, 2007
puorto cuanal (II)
o porto canal tem um programa com adeptos dos três grandes (dois de cada clube, imagine-se!).
estão a ver aquele mito urbano (bem real, diga-se de passagem) que diz que todo e qualquer paineleiro do fê quê pê é tendencioso, faccionista, fundamentalista e normalmente parvo? estão a ver, estão?
então vejam o programa do porto canal em questão (só faltava mesmo eu saber o nome, mas é irrelevante) e respondam-me se o problema é dos comentaristas do fê quê pê ou se não é mesmo dos paineleiros oriundos do porto (cidade?)
atenção, perigo: os paineleiros lampiões desse programa estão classificados como sendo da quinta ordem do irritanço mundial
estão a ver aquele mito urbano (bem real, diga-se de passagem) que diz que todo e qualquer paineleiro do fê quê pê é tendencioso, faccionista, fundamentalista e normalmente parvo? estão a ver, estão?
então vejam o programa do porto canal em questão (só faltava mesmo eu saber o nome, mas é irrelevante) e respondam-me se o problema é dos comentaristas do fê quê pê ou se não é mesmo dos paineleiros oriundos do porto (cidade?)
atenção, perigo: os paineleiros lampiões desse programa estão classificados como sendo da quinta ordem do irritanço mundial
puorto cuanal (I)
ontem o porto canal passou o tempo com ligações em directo ao palácio da bolsa onde havia uma orgia bacoriana de homenagem aos 25 anos de presidência do jota nê pê cê.
e pronto, gasta-se tempo nisto.
e pronto, gasta-se tempo nisto.
segunda-feira, abril 23, 2007
letras
no dia cinco de outubro a vieira do mar escreveu isto sobre uma música da simone. é arrepiante como é que há pessoas que não conhecemos, que nunca vimos na vida, conseguem pensar, dizer e depois escrever*, precisamente aquilo que anda pela nossa alma.
o que agrava mais a admiração é pensar que há duas décadas ela também pensou o que eu pensei desta música e que, vinte anos volvidos - no meu caso foram só dez. foi o tempo que demorei a ter essa música outra vez -, teve sensações idênticas às minhas.
maravilha.
a música é esta.
*a parte "...e depois escrever" é que me tira do sério. eu se quisesse (e pudesse!) escrever sobre esta música, tinha-o dito desta forma.
como não o sei fazer, pronto, aqui vai o linkamento.
o que agrava mais a admiração é pensar que há duas décadas ela também pensou o que eu pensei desta música e que, vinte anos volvidos - no meu caso foram só dez. foi o tempo que demorei a ter essa música outra vez -, teve sensações idênticas às minhas.
maravilha.
a música é esta.
*a parte "...e depois escrever" é que me tira do sério. eu se quisesse (e pudesse!) escrever sobre esta música, tinha-o dito desta forma.
como não o sei fazer, pronto, aqui vai o linkamento.
sábado, abril 21, 2007
com ano bom
no dicionário de português das sms dos nokia, a palavra amo vem em quarto lugar. por isso, quando queremos escrever amo-te, temos primeiro de passar por com, ano e bom.
meus amigos, como é que é possível que uma palavra desta importância, que é utilizada milhares de vezes (espero) em sms's, surja opcionalmente em quarto lugar? imagine-se, em quarto!
com e bom, ainda vá que não vá, agora ano?
estes finlandeses!...
meus amigos, como é que é possível que uma palavra desta importância, que é utilizada milhares de vezes (espero) em sms's, surja opcionalmente em quarto lugar? imagine-se, em quarto!
com e bom, ainda vá que não vá, agora ano?
estes finlandeses!...
rio alcoa e rio baça
no espaço de seis meses dois valentes reencontros. dois grupos que se voltaram a reunir.
um grupo que já não se via há 20 anos e um grupo que já não se congregava há uns 10. um primeiro grupo com pessoas que se conheceram com 15/16 anos e o segundo grupo com pessoas que se conheceram na idade universitária. duas realidades bem diferentes, duas épocas - uns nos oitentas, outros bem no meio dos noventas - duas faixas etárias, dois tipos de brincadeiras, dois tipos de conversas, dois tipos de cumplicidades.
a unir isto tudo: muita saudade, muita amizade, algum - sempre - amor.
e à medida que os anos vão passando por mim, sucedem-se estes acontecimentos, estas frases: lembras-te de quando fomos a....? já passaram 15 anos; xiiiii, já não te via há 10 anos; porra, mas isso aconteceu há já tantos anos, pá.
ontem, dia de aniversário duma amiga. uma velha amiga, uma velha colega, uma velha companheirinha mesmo. dia de rever outros amigos, outros irmãos(ãs), outros companheiros, outros amores. e de repente aquela cumplicidade que referi aqui há umas semanas, acontecida com um outro grupo, voltou a aparecer. e quando damos por ela estamos ao redor daquelas conversas, daqueles segredos, daquelas velhas histórias, daqueles velhos amores.
lembrava eu a uma amiga no meio duma conversa:
- lembras-te quando disseste (dissemos), no meio duma choradeira de vinho tinto, baba, lágrimas e soluços que desconfiavas que estas nossas amizades não iriam resistir ao tempo? que quando terminássemos isto (que vergonha, minha querida, devemos ser os dois únicos que não entregámos a tese) nunca mais nos iríamos ver? que em vez de nos vermos, pronto, vá lá, de seis em seis meses, só nos iríamos ver de 10 em 10 anos?
apesar das minhas certezas que isso seria impossível, disse-lhe na altura que eu era incapaz de me desligar daquele grupo assim com um clique. e vamos a ver e afinal a vida não nos deixa ser meninos para sempre. porcaria! por outro lado, deixa-me encantado rever estas pessoas após tantos anos. revê-las com a certeza que aquilo não foi um afastamento, foi uma simples interrupção de conversa.
eu tenho para mim que vocês já sabiam que iríamos voltar a rir da mesma forma que sempre rimos, não era? e acreditem, eu ficaria era triste, se soubesse que nem de 10 em 10 anos eu poderia rever-vos da forma que revi ontem. isso é que era pior.
e é isto que me faz gostar de ficar mais velho. é gostar de ganhar estas patine cumplicista (não procurem nos dicionários, foi inventada agora mesmo) que não se ganha em lado nenhum, só mesmo com o passar do tempo.
ontem foi uma noite feliz!
hoje, jantar do meu aniversário, vou rever mais um molho valente de amigos. duas noites consecutivas de emoções. dois grupos diferentes (ou não), duas cumplicidades diferentes, sempre sempre a mesma amizade.
e por falar em dois (2001). hoje é noite de shake, shake, shake, shake, ye, ye!......
notas:
1) ó rita, vai à merda e a mais à tua casa. puta de inveja, pá. desculpa, minha querida, uma pessoa que tem uma casa onde mete, na boa, mais de 30 pessoas sem um único atropelo merece o meu respeito. o tamanho da tua casa é pornográfico, pá!
2) mizé, por favor, ensina-me a perder o peso que tu perdeste. sinceramente, isso não se faz. os quilos que desapareceram do teu corpo nestes 10 anos vieram direitinhos para mim. traidora! já agora, estás com um look arrojadérimo. não bastava seres gira, tiveste logo que ganhar pinta e charme com o passar dos anos. explica-me lá o que fazes ainda solteira? se era para ficares assim, tinhas-me dito qualquer coisa em 1995, não achas?
3) repito, rita, o tamanho da tua casa é p-o-r-n-o-g-r-á-f-i-c-o!
um grupo que já não se via há 20 anos e um grupo que já não se congregava há uns 10. um primeiro grupo com pessoas que se conheceram com 15/16 anos e o segundo grupo com pessoas que se conheceram na idade universitária. duas realidades bem diferentes, duas épocas - uns nos oitentas, outros bem no meio dos noventas - duas faixas etárias, dois tipos de brincadeiras, dois tipos de conversas, dois tipos de cumplicidades.
a unir isto tudo: muita saudade, muita amizade, algum - sempre - amor.
e à medida que os anos vão passando por mim, sucedem-se estes acontecimentos, estas frases: lembras-te de quando fomos a....? já passaram 15 anos; xiiiii, já não te via há 10 anos; porra, mas isso aconteceu há já tantos anos, pá.
ontem, dia de aniversário duma amiga. uma velha amiga, uma velha colega, uma velha companheirinha mesmo. dia de rever outros amigos, outros irmãos(ãs), outros companheiros, outros amores. e de repente aquela cumplicidade que referi aqui há umas semanas, acontecida com um outro grupo, voltou a aparecer. e quando damos por ela estamos ao redor daquelas conversas, daqueles segredos, daquelas velhas histórias, daqueles velhos amores.
lembrava eu a uma amiga no meio duma conversa:
- lembras-te quando disseste (dissemos), no meio duma choradeira de vinho tinto, baba, lágrimas e soluços que desconfiavas que estas nossas amizades não iriam resistir ao tempo? que quando terminássemos isto (que vergonha, minha querida, devemos ser os dois únicos que não entregámos a tese) nunca mais nos iríamos ver? que em vez de nos vermos, pronto, vá lá, de seis em seis meses, só nos iríamos ver de 10 em 10 anos?
apesar das minhas certezas que isso seria impossível, disse-lhe na altura que eu era incapaz de me desligar daquele grupo assim com um clique. e vamos a ver e afinal a vida não nos deixa ser meninos para sempre. porcaria! por outro lado, deixa-me encantado rever estas pessoas após tantos anos. revê-las com a certeza que aquilo não foi um afastamento, foi uma simples interrupção de conversa.
eu tenho para mim que vocês já sabiam que iríamos voltar a rir da mesma forma que sempre rimos, não era? e acreditem, eu ficaria era triste, se soubesse que nem de 10 em 10 anos eu poderia rever-vos da forma que revi ontem. isso é que era pior.
e é isto que me faz gostar de ficar mais velho. é gostar de ganhar estas patine cumplicista (não procurem nos dicionários, foi inventada agora mesmo) que não se ganha em lado nenhum, só mesmo com o passar do tempo.
ontem foi uma noite feliz!
hoje, jantar do meu aniversário, vou rever mais um molho valente de amigos. duas noites consecutivas de emoções. dois grupos diferentes (ou não), duas cumplicidades diferentes, sempre sempre a mesma amizade.
e por falar em dois (2001). hoje é noite de shake, shake, shake, shake, ye, ye!......
notas:
1) ó rita, vai à merda e a mais à tua casa. puta de inveja, pá. desculpa, minha querida, uma pessoa que tem uma casa onde mete, na boa, mais de 30 pessoas sem um único atropelo merece o meu respeito. o tamanho da tua casa é pornográfico, pá!
2) mizé, por favor, ensina-me a perder o peso que tu perdeste. sinceramente, isso não se faz. os quilos que desapareceram do teu corpo nestes 10 anos vieram direitinhos para mim. traidora! já agora, estás com um look arrojadérimo. não bastava seres gira, tiveste logo que ganhar pinta e charme com o passar dos anos. explica-me lá o que fazes ainda solteira? se era para ficares assim, tinhas-me dito qualquer coisa em 1995, não achas?
3) repito, rita, o tamanho da tua casa é p-o-r-n-o-g-r-á-f-i-c-o!
sexta-feira, abril 20, 2007
lêtchiciá
môor, a letícia vem a portugal. queres ir lá pedir-lhe um autógrafo e comprar o da ponte para terebin?
e o facto dela ser um naco do catano não tem nada a ver com o facto de te estar a aliciar para lá irmos. nada disso, pá. sabes que eu gosto de cultura....
e o facto dela ser um naco do catano não tem nada a ver com o facto de te estar a aliciar para lá irmos. nada disso, pá. sabes que eu gosto de cultura....
quarta-feira, abril 18, 2007
natal é quando um homem quiser
meu querido pai natal,
aqui há uns dias pedi-te para me tirares o senhor sardet da telefonia, ali, entre as sete e as nove da manhã. fiquei contente por saber que não o tenho encontrado por lá.
podes fazer o mesmo com o senhor robbie williams relativamente à vh1? é que já não aguento mais. aquilo, juro-te, já parece uma perseguição. olha por falar em perseguição, o senhor (o menino, quero eu dizer) timberland também já começa a cheirar mal.
por outro lado, o say it loud da furtadita (ai aquela franjinha, ai que eu me desmancho todo) pode tocar as vezes que tu quiseres.
obrigado.
aqui há uns dias pedi-te para me tirares o senhor sardet da telefonia, ali, entre as sete e as nove da manhã. fiquei contente por saber que não o tenho encontrado por lá.
podes fazer o mesmo com o senhor robbie williams relativamente à vh1? é que já não aguento mais. aquilo, juro-te, já parece uma perseguição. olha por falar em perseguição, o senhor (o menino, quero eu dizer) timberland também já começa a cheirar mal.
por outro lado, o say it loud da furtadita (ai aquela franjinha, ai que eu me desmancho todo) pode tocar as vezes que tu quiseres.
obrigado.
joquinha, pá! vieste, meu malandro?
corre por aí um boato que cá em casa há bilhetes para o Georgios Kyriacos Panayiotou.
eu sinceramente, só acredito quando lá estiver a ver. pode se dar o caso de ele entrar num wc público e sair de lá para o aljube. quem diz aljube diz outra grelha qualquer. nunca se sabe, nunca se sabe....
no entanto, pelo sim pelo não, ando já a fazer contas: ora bem, três vezes nove igual a vinte sete e vão quatro (contas que o meu merceeiro fazia) se vir finalmente os eagles já posso morrer em paz.
eu sinceramente, só acredito quando lá estiver a ver. pode se dar o caso de ele entrar num wc público e sair de lá para o aljube. quem diz aljube diz outra grelha qualquer. nunca se sabe, nunca se sabe....
no entanto, pelo sim pelo não, ando já a fazer contas: ora bem, três vezes nove igual a vinte sete e vão quatro (contas que o meu merceeiro fazia) se vir finalmente os eagles já posso morrer em paz.
terça-feira, abril 17, 2007
assertivo
tenho uma conversa recorrente com algumas das minhas amigas - as mais tenazes, digamos - sobre o facto de elas acharem que os homens têm medo das mulheres inteligentes.
eu repito a palavra: medo.
bom a verdade é que eu tenho a discussão com duas ou três amigas mas sei que a opinião se estende a quase cem porcento da população feminina. para todos os efeitos elas acham que nós gostamos é de ter uma tipinha que tenha boa peida e ande caladinha.
confessamos que dá jeito, mas na verdade não é só isso que queremos.
vamos lá a ver as coisas. isto agora é para vocês, minha amigas. se a ideia é andar a passear-vos pela naite e pela bitx (isto quer dizer praia em estrangeiro) dá realmente aquela pala que vocês tenham o tal rabito empoleirado nas pernas, a mamoca malandra a querer rebentar o 3º botãozeco da camisa, etc, etc. mas como a nossa vida não é só isso, o que a gente realmente gosta é que vocês sejam espertas, inteligentes e que tenham a cabecita nos vossos lugares.
vejam o seguinte, há coisa de 20 anos, uma amiga, mafalda de seu nome
gira de morrer, assim com uma franjinha, modelo "nelly furtado" e com o único defeito de ter escolhido para experimentar uns linguados, dois dos meus amigos e não este vosso parvo escriba
lembrou-se de fazer um jantar de aniversário. o seu irmão, parvo como tudo, teve a infeliz ideia de fazer-se acompanhar por uma brasileira que lhe andava a dar a volta ao miolo. sucede porém que a sua namorada era uma coisinha do catano, grossa até dizer chega. ui!!!
essa gaja, a namorada, a tal grossa, apesar das insistências, não sabia que estava a em fase de transição e decide fazer uma pega de caras na festa, ao rapaz. acho que era ricardo ou coisa parecida. pronto, para todos os efeitos eu baptizo-o de ricardo.
então a menina, entra cave do restaurante dentro, dirige-se à beira do ricardo e da sua nova companheira brasileira e anuncia:
- torcastes-me (isto não é erro, foi mesmo assim que a bicha disse) por essa mula. muito bem, há-des sofrer com isso. podes começar a expedir-te (a gente desconfia que a gaja queria dizer despedir-te, mas nunca se sabe) de mim.
dá meia volta, desata a desfilar (este é o termo correcto) em direcção à saída enquanto que nós interpelávamos o miúdo (que era bem mais novo que nós. pronto, vá lá, aí uns dois anos.):
- ó ricardo, pá. a gaja é toda boa, porra! vai lá atrás dela, caralho, não a deixes fugir.
às tantas, no preciso momento em que ela começa a subir as escadas,
isto passa-se na cave do "ti lurdes" da óscar monteiro torres e quem conhece o sítio em questão sabe que a visão é demolidora
arreada de mini saia (isto é um exagero, eu acho que ela trazia um cachecol na cintura), salto agulha e peida bamboleante. o alex ou o monas, já não me lembro muito bem qual deles, desatam então aos berros:
- ó booooooooooooooooooooa! volta para nós!
- ó estúpido, olha a gaja a bazar.
- ó boooooooooooooooooooooa, ó boooooooooooooooooa do caralho! (sic) volta para nós.
ela, vira-se, olha para a mesa (estavam mais de 40 pessoas aos gritos) e pergunta:
- isso é comigo?
resposta quase em coro:
- é, é, caralho! é é contigo, ó boooooooa do caralho!
e vira-se para o ricardo e pergunta:
- vais continuar aí?
o rapaz não aguentou mais e foi atrás dela.
entretanto a brasileira que ficou para atrás, que também era um borracho do catano, ficou ali, abandonada, a distribuir charme e outras coisas que tal, para 5 ou 6 pessoas que estavam ali à sua volta. a gaja era um mimo. só presenciado.
meses mais tarde, o miúdo já tinha ganho todo o juízo do mundo e já se fazia acompanhar pela brasileira. tardou mas foi. quando lhe perguntei se se tinha cansado da booooooa do caralho, ele lá confessou:
- há alturas que convém ter uma miuda esperta ao nosso lado.
volta e meia lembro-me desta história. e lembro-me não só pelas pernas e pelo cu da "boa do caralho" (ficou assim conhecida lá no rainha para sempre) mas também porque quando elas me começam a dizer que os namorados fogem delas porque não conseguiam suportar estar junto a uma mulher mais inteligente que eles, eu desconfio logo. hummmm, aqui há gato.
ou as gajas são um valente trambolho e também são espertas. ou são espertas e têm um feitio daqueles. ou então têm ambas as coisas. agora acreditem, não temos medo da vossa inteligência, da vossa cultura, do vosso ordenado mais alto, de nada. e acreditem adoramos, repito, adoramos deixar-vos à solta num evento social qualquer, quando sabemos que não corremos o risco de vocês enunciarem que a perestroika é um peixe (esta é verídica) (a mim acontece-me de tudo).
tive uma namorada que era cultíssima, falava um porradão de línguas, conhecia este mundo e o outro (pronto, se calhar não conhecia o outro), tocava a abertura do let it be ao piano só para mim, viajadíssima, linda de morrer, mas que se lembrou de dizer, numa sala de snooker localizada numa aldeia recôndita da serra, repleta de aldeões daqueles que bebem dois bagacitos e uma mine às sete da manhã, o seguinte:
- ai que dor de cabeça.
depois virando-se para os tais aldeões acrescentou
- por acaso nenhum de vocês tem um aspirina, não?
noutra ocasião, por alturas do nascimento da sic, quando essa estação tinha um programa diário com telediscos da mtv, essa mesma miuda disse o seguinte:
- ai, não sei porque raio agora a sic tem um programa da mtv. para quê, se já toda a gente tem parabólica, não é?
concluindo, que a coisa já vai longa: não chega serem lindas, não basta serem inteligentes, não basta serem carinhosas, têm de ser muito mais que isso. e não, acreditem, a gente não tem medo se vocês forem todas, isso tudo junto.
nós amamos quando vocês nos ensinam coisas. assim, sabem? coisas! pronto, sei lá, coisas.
amamos e amamo-vos se forem assim.
eu repito a palavra: medo.
bom a verdade é que eu tenho a discussão com duas ou três amigas mas sei que a opinião se estende a quase cem porcento da população feminina. para todos os efeitos elas acham que nós gostamos é de ter uma tipinha que tenha boa peida e ande caladinha.
confessamos que dá jeito, mas na verdade não é só isso que queremos.
vamos lá a ver as coisas. isto agora é para vocês, minha amigas. se a ideia é andar a passear-vos pela naite e pela bitx (isto quer dizer praia em estrangeiro) dá realmente aquela pala que vocês tenham o tal rabito empoleirado nas pernas, a mamoca malandra a querer rebentar o 3º botãozeco da camisa, etc, etc. mas como a nossa vida não é só isso, o que a gente realmente gosta é que vocês sejam espertas, inteligentes e que tenham a cabecita nos vossos lugares.
vejam o seguinte, há coisa de 20 anos, uma amiga, mafalda de seu nome
gira de morrer, assim com uma franjinha, modelo "nelly furtado" e com o único defeito de ter escolhido para experimentar uns linguados, dois dos meus amigos e não este vosso parvo escriba
lembrou-se de fazer um jantar de aniversário. o seu irmão, parvo como tudo, teve a infeliz ideia de fazer-se acompanhar por uma brasileira que lhe andava a dar a volta ao miolo. sucede porém que a sua namorada era uma coisinha do catano, grossa até dizer chega. ui!!!
essa gaja, a namorada, a tal grossa, apesar das insistências, não sabia que estava a em fase de transição e decide fazer uma pega de caras na festa, ao rapaz. acho que era ricardo ou coisa parecida. pronto, para todos os efeitos eu baptizo-o de ricardo.
então a menina, entra cave do restaurante dentro, dirige-se à beira do ricardo e da sua nova companheira brasileira e anuncia:
- torcastes-me (isto não é erro, foi mesmo assim que a bicha disse) por essa mula. muito bem, há-des sofrer com isso. podes começar a expedir-te (a gente desconfia que a gaja queria dizer despedir-te, mas nunca se sabe) de mim.
dá meia volta, desata a desfilar (este é o termo correcto) em direcção à saída enquanto que nós interpelávamos o miúdo (que era bem mais novo que nós. pronto, vá lá, aí uns dois anos.):
- ó ricardo, pá. a gaja é toda boa, porra! vai lá atrás dela, caralho, não a deixes fugir.
às tantas, no preciso momento em que ela começa a subir as escadas,
isto passa-se na cave do "ti lurdes" da óscar monteiro torres e quem conhece o sítio em questão sabe que a visão é demolidora
arreada de mini saia (isto é um exagero, eu acho que ela trazia um cachecol na cintura), salto agulha e peida bamboleante. o alex ou o monas, já não me lembro muito bem qual deles, desatam então aos berros:
- ó booooooooooooooooooooa! volta para nós!
- ó estúpido, olha a gaja a bazar.
- ó boooooooooooooooooooooa, ó boooooooooooooooooa do caralho! (sic) volta para nós.
ela, vira-se, olha para a mesa (estavam mais de 40 pessoas aos gritos) e pergunta:
- isso é comigo?
resposta quase em coro:
- é, é, caralho! é é contigo, ó boooooooa do caralho!
e vira-se para o ricardo e pergunta:
- vais continuar aí?
o rapaz não aguentou mais e foi atrás dela.
entretanto a brasileira que ficou para atrás, que também era um borracho do catano, ficou ali, abandonada, a distribuir charme e outras coisas que tal, para 5 ou 6 pessoas que estavam ali à sua volta. a gaja era um mimo. só presenciado.
meses mais tarde, o miúdo já tinha ganho todo o juízo do mundo e já se fazia acompanhar pela brasileira. tardou mas foi. quando lhe perguntei se se tinha cansado da booooooa do caralho, ele lá confessou:
- há alturas que convém ter uma miuda esperta ao nosso lado.
volta e meia lembro-me desta história. e lembro-me não só pelas pernas e pelo cu da "boa do caralho" (ficou assim conhecida lá no rainha para sempre) mas também porque quando elas me começam a dizer que os namorados fogem delas porque não conseguiam suportar estar junto a uma mulher mais inteligente que eles, eu desconfio logo. hummmm, aqui há gato.
ou as gajas são um valente trambolho e também são espertas. ou são espertas e têm um feitio daqueles. ou então têm ambas as coisas. agora acreditem, não temos medo da vossa inteligência, da vossa cultura, do vosso ordenado mais alto, de nada. e acreditem adoramos, repito, adoramos deixar-vos à solta num evento social qualquer, quando sabemos que não corremos o risco de vocês enunciarem que a perestroika é um peixe (esta é verídica) (a mim acontece-me de tudo).
tive uma namorada que era cultíssima, falava um porradão de línguas, conhecia este mundo e o outro (pronto, se calhar não conhecia o outro), tocava a abertura do let it be ao piano só para mim, viajadíssima, linda de morrer, mas que se lembrou de dizer, numa sala de snooker localizada numa aldeia recôndita da serra, repleta de aldeões daqueles que bebem dois bagacitos e uma mine às sete da manhã, o seguinte:
- ai que dor de cabeça.
depois virando-se para os tais aldeões acrescentou
- por acaso nenhum de vocês tem um aspirina, não?
noutra ocasião, por alturas do nascimento da sic, quando essa estação tinha um programa diário com telediscos da mtv, essa mesma miuda disse o seguinte:
- ai, não sei porque raio agora a sic tem um programa da mtv. para quê, se já toda a gente tem parabólica, não é?
concluindo, que a coisa já vai longa: não chega serem lindas, não basta serem inteligentes, não basta serem carinhosas, têm de ser muito mais que isso. e não, acreditem, a gente não tem medo se vocês forem todas, isso tudo junto.
nós amamos quando vocês nos ensinam coisas. assim, sabem? coisas! pronto, sei lá, coisas.
amamos e amamo-vos se forem assim.
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