quarta-feira, março 28, 2007

postais

há cromos e cromos. eu gosto de cromos. pronto, tenho um certo carinho. há alturas em que gostava de soltar a franga e ser mais cromo do que sou.

gostava de arriscar certas cromisses. é uma espécie de atracção pelo abismo. não uma cromisse vitalícia. não nada disso. mais, uma coisa, assim, estilo carnaval, mas em "sério". não estou a falar de cromos estilo tunning, malta que conduz inclinada para a direita, malta que use t-shirts justíssimas, malta que diga dread e iô brô, malta que use óculos escuros dentro das discotecas, coisas dessas, não. não falo disso.

falo de outras coisas: gostava de conseguir usar calças aos quadrados, gostava de usar anel com uma pedra verde, gostava de usar um bigode, gostava de ter uma pochete como o cunhal, gostava de usar pente no bolso de trás das calças, coisas assim. cromisses dessas. desse tipo de cromos eu tenho um certo carinho.

um dia - ou melhor - uma noite, estava eu a bombar no dois (deve-se ler boite 2001) quando vejo um daqueles cromos (como eu) habitués da casa. um preto, seco de carnes, carapinha aparada. preso ao cinto,
na parte das costas, estava um coldre para o telemóvel. (maravilha!) na parte da frente, estava um coldre para um zippo. e aquilo fez tlin-tlin na minha alma: um coldre para o zippo? nivel do caraças. eu tenho de ser amigo daquele gajo.

fui ter com ele e pedi-lhe lume. demais: o gesto de abrir o coldre, o sacamento do isqueiro, a forma como ele acendia aquilo. fantástico, eu também queria ser um cromo assim. fui-lhe pedir mais 3 vezes lume. e o ritual sempre ali a ser repetido.

repito, grande nível.

às tantas começa a dar uma valente malha e nós lá estávamos, ali, a tocar aquelas guitarras imaginárias, para cima e para baixo. ele também.

vou para o lado dele e imito-lhe os gestos. os dois juntos agora: téun, tenenéun, tenéu...

às tantas o gajo vira-se para mim e diz:
- está a gozar comigo?
- eu? porquê?
- então, estás aqui a imitar-me, a tocar guitarra. estás a gozar, man?
- isto não é uma guitarra. não, não vês que eu estou a tocar a parte do baixo, porra?

ofereceu-me uma cerveja.

8 comentários:

Di Napoli disse...

Lindo. :)

Baixo "à lá" Peter Hook, não? Imagino...

Abraço, irmão!

Zuza disse...

ahahahahahah

mto bom.

a educadora da minha filha usa um pente na carteira e no fim das actividades saca dele e penteia-se ali mesmo na sala antes de ir para casa. será croma?

CGM disse...

Ias ao 2001? Saudades.

É que agora sair à noite é uma canseira, vestir, maquilhar, manicure, essas coisas (que também adoro! outra onda). Mas ao 2 ia-se e pronto, e Cais do Sodré, também ias? Onde?

Bj

Carla

gir@f disse...

olha...nunca é tarde ... se queres ser cromo...ainda vais a tempo...
agora...para k???
não achas que já és um pessoa daquelas com uma personalidade e forma de ser distintas e bem vincadas??? deixa lá os cromos para as cadernetas (...se é que isso ainda se usa....)

Anónimo disse...

Portridge. Engatas-te o gajo, portanto. Cumpts. :P

Anónimo disse...

ah ah ah ah ah ah ah ah ah

tu matas um gajo a rir.

Anónimo disse...

Engataste! É engataste! 2ª +essoa do singular.
[Mas que erro fui cometer.]

Anónimo disse...

E zippo's são do caneco!