terça-feira, abril 22, 2008

nem sei como é que há gajas que gostam de compras

ter tido uma mãe costureira (ainda no activo) e um pai alfaiate permite-me admitir que por defeito familiar - e não profissional - odeio comprar roupa.

eu explico:
o meu sonho era ter, sei lá, menos dois centímetros de barriga e mais quatro de altura. porque eu tenho a impressão que deve ser essa a bitola que as lojas de pronto-a-vestir têm quando decidem fazer roupa:
- meu amigo, tem esta camisa mas num número um pouco mais pequeno na altura mas mais largo nos ombros?
- temos s, m, l e xl. ora esse é o l então tem de ser o m.
- mas com o m, fica bem na altura mas depois não me mexo se rodo o tronco.
- humm, então tem de levar o l.
- mas com o l, fico com o tronco assim a nadar lá dentro da camisa....
- ahh, mas com o xl era bem pior.
- e com o s, presumo, ainda mais, não?
- não o consigo ajudar...
- eu sei.

noutra loja:
- olhe tem estas calças, não em 32/34 mas em 32/30?
- hummm, não. só tenho mesmo 32/34.
- e vai ter?
- não, agora só recebemos calças com 34 de altura. mas posso lhe subir a bainha e fica bom.
- bem, bom não fica. se as calças são mais compridas, então como pode reparar, do joelho para baixo isto não é tudo da mesma largura. se vai subir-me a bainha, ficam mais largas do que se fossem mais curtas... pronto, esqueça!

ou seja, já não basta uma pessoa ter de andar a experimentar roupa - tira sapato, tira o outro, tira calças (olhe de soslaio para o espelho e vê aquela figurinha de cuecas e meias) torna a vestir calças, torna a calçar - vê-se confrontado com o dilema de escolher entre a calça que é mais curta mas que lhe atrofia os tomates de tão apertada que é, ou a que é mais comprida mas que nos dá um ar de dread dos sequeites.

só se safam as meias e as cuecas que é tudo corrido com modelos iguais há já uns anos valentes - até decidirem acabar com estes modelos. aliás o final dos modelos também é algo que me atormenta:
- tem umas bermudas que havia há uns meses, assim, azuis, curtinhas e tal, com uns bolsos de chapa..
- ah, isso era duma outra colecção. agora só temos da nova.
- e na nova têm alguma coisa assim parecida?
- não.
- e consigo alguma coisa da colecção antiga?
- também não.

voltemos às camisas. um dos problemas dos pronto-a-vestir não é só a escassez de tamanhos, é também a escassez de modelos simples. não há uma única casa dessas mais democráticas - subentenda-se: zara, pull, spring e massimo - que tenha coisas, já não digo clássicas, mas simples, gaita:
- quero uma camisa, branca, com golas de botões e um bolso. uma coisa simples.
- não temos. temos são estas, assim neste azul, em lilás, riscas...
- e brancas?
- não temos.
- sabe onde encontrar?
- assim, simples, nem sei se consegue encontrar.
- compreendo.

por isso, eu não odeio o meu corpo - deixá-lo lá estar com as banhas e as placas e os parafusos que tem - eu também não odeio as lojas de roupa, também não odeio fazer compras. eu odeio é não ter dinheiro para mandar fazer roupa por medida. no dia em que me sair o euro, é certinho: passo a fazer compras de guloseimas na loja gourmet do el corte inglés e as camisas e calças passa a ser tudo corrido com confecção de alfaiate.

ai que irritação!

produção de trevor horn . art of noise . moments in love

remete-me imediatamente para a cerimónia de abertura de uma coisa que aconteceu no antigo pavilhão do estádio da luz, chamada euroacro. estamos a falar do campeonato da europa da trampolins onde eu trabalhei como... nem sei bem explicar o que fazia. mas de entre as tarefas que me foram atribuídas, conta-se: tirar fotocópias (e agrafá-las em molhinhos) e almoçar com ginastas - boas - estrangeiras.

estamos também em 1991, eu era 2º cabo de transmissões e nessa noite fui ao seagull.

as coisas que eu me lembro.


produção de trevor horn . godley & creme . cry

produzida pelo trevor horn, além de ser uma música bestial, tem aquele que para mim ainda é o melhor teledisco de sempre.

repare-se que isto é de 1985, as transições são feitas à unha e sem o auxílio de computadores e afins.

os directores do teledisco são os próprios intérpretes.

maravilha.

p.s.: o trevor é o caixa de óculos que aparece no fim do video.


produtores

tenho a mania das produções discográficas. não percebo nada do assunto, calma. mas gosto assim como quem gosta dos quadros do turner, assim, porque sim!

tenho a mania das produções discográficas quando ouço música com auscultadores: sentado, olhos fechados, a descobrir batidas que vêm ali do parietal, uns címbalos dos frontais, uns sintetizadores que parece que nos rasgam a nuca...

tenho a mania das produções discográficas quando os produtores parece que dão pinceladas sonoras às músicas - sim, a frase é bonita mas não é minha. é do brian eno. um pintor "sonosro" do caneco.

um colega blogosférico que eu cá sei - eu sei que andas aí a ler-me - também gosta destas coisas das produções discográficas e com ele, andei a descobrir sons escondidos em certos discos. ele tinha um equalizador e quando levantávamos as barrinhas do lado esquerdo, descobríamos assim uns tss tss tss no crazy do seal e ficávamos encantados com aquilo.

eu tenho a mania das produções discográficas do brian eno, do trevor horn, do rick rubin, do thomas dolby...

eu tenho mas é a mania, não é?

lucho

luxo não é ter uma casa ali mesmo sobre o mar. isso é um super luxo.

luxo é ter casa a mil metros do mar, trabalhar a quinhentos metros do mar, andar num ginásio a trinta metros do mar e ter clientes a dois metros do mar

ontem, hora de almoço, em vez de me enfiar numa banheira de hidro-massagem - como era meu desejo - fui confrontado com a "obrigação" de me debater com uma corrida pelo paredão, da rata até à azarujinha. sol, muito sol e turistas a lagartejar por ali.

isto sim é luxo.

e luxo também é ter lucho.

segunda-feira, abril 21, 2008

dúvidas

há um mês achava que era mesmo o seu pé, agora balanço-me mais para uma das bimbas do seu rabo.

sobre que parte do seu corpo mais gosto de afiambrar umas valentes dentadas,
confesso, a dúvida mantém-se.

- aiiiiiiii, paiiiiiiiii, saiiiiiiiii!

thieves like us

um dia, se me der na veneta, ainda hei-de vir aqui explicar porque raio os new order nunca funcionaram para mim como gatilho para me empurrar para uma pista de dança

ok estou a exagerar. convenhamos que até com o napoli a tocar o true faith com um berimbau eu já dancei, certo?

mas antes, um colchãozinho confortável que me aturou umas dores de cotovelo do caneco, num dia de ressaca de sono dum rally de portugal, algures em abrantes, com camisa de riscas azuis, pullover amarelo e óculos de sol à jack nicholson!

as meias eram certamente brancas.


anti

irritam-me de sobremaneira os gritos, os cachecóis, as bandeiras, as faixas portistas anti-seja lá o que for. nestes últimos tempos são anti-benfica. para o ano logo se vê.

o nosso provincianismo vê-se aqui, passámos a arrábida nos êxitos desportivos, mas ainda nem da constituição saímos no cachet perante os adversários.

é isso que mais temo no futuro presidente do clube. tenho medo que tente ser uma cópia pintodacostiana nos seus maus exemplos (coisas que normalmente correm mal) em vez de, duma vez por todas, aproveitar-lhe o olho clínico que tem para o futebol e crescer, silenciando-se perante a comunicação social.

pergunto, quantas declarações sobre assuntos não desportivos sobre os adversários já nós ouvimos, por exemplo ao peter kenyon ou aos manos glazer?

carrinho

quando o momento com mais aplausos num porto-benfica sucede após um corte de carrinho do lisandro ao rodriguez, na zona do defesa-esquerdo, com recuperação de bola incluída e consequente ataque, julgo que está tudo dito.

o lisandro tem esta capacidade de jogar com três pulmões. aquilo é contra-natura e julgo que os adversários deveriam reclamar. o lance de ontem fez-me recordar um outro jogo, este em alverca, quando o derlei - que deus o ajude a voltar a ser bom - se lesionou, numa disputa de bola, ocorrida ali na zona, onde joga habitualmente o defesa-direito.

*

em tempos, apanhei na estrada da luz um táxi:

- é p'rá picheleira, se faz favor!

o fugas foi caladinho o tempo todo. estranhei, tinha ar de quem me ia bombear com conversa sobre o governo e os impostos e...

mas não, o silêncio imperava.

contudo, na avenida das forças armadas, ao passarmos em frente da embaixada dos estados unidos da américa rebenta a bomba e ele então dispara:

- olhem-me bem estes cabrões duns filha da puta do caralho! olhem-me bem para este palácio que estes caralhos construíram aqui. isto tem algum jeito? tem, foda-se? que caralho de prédio mais feio que estes cabrões foram construir... é aqui e em todo o lado. os amaricanos, pegam num prédio qualquer, desatam a esburacá-lo com obras e fazem dele uma casa feia. é aqui e em todóládo. aqui, ali... na lapa, por exemplo, os gajos pegam nos palacetes, fazem-lhe obras com marquises e destroem a estatística toda do prédio!
- estatística?
- sim, caralho, a estatística que o arquitecto luso, portugues, cá da gente, tinha idealizado, caralho!
- compreendo!

estética*

- quando o porto perdeu na madeira com o nacional, foi «humilhado» (a palavras era dos jornais) porque tinha perdido, não três, mas nove pontos, relativos aos pontos ganhos, nessa jornada pelos seus perseguidores.

hoje estranhamente, não há menções a «humilhações». mas deixa cá ver então: dois pontos ao guimarães, três pontos ao sporting, três pontos ao benfica, e é aguardar o desfecho do belem contra o setúbal para ver se são mais três ou quatro pontos. ora isto tudo somado... deixa cá ver... bom, é fazer as contas.

- o benfica conseguiu perder três jogos de seguida. e não, não perdeu três jogos numa semana: o jogo com a briosa foi numa sexta-feira e o do dragão foi num domingo. são nove e não sete dias a mediar este conjunto de jogos.

- o benfica sofreu sete golos nos dois últimos jogos (dez, nos últimos três). o sporting... bom, o sporting também. será a culpa das defesas ou da forma como as equipas defendem?

- caros benfiquistas e sportinguistas, agradeçam ao senhor (com letra maiúscula) o facto de nesta hora de aperto, não terem como treinador o octávio. eu tive e sei o que dói.

sexta-feira, abril 18, 2008

(para a pal)

avisam-se todos os leitores menos habituados a este blog, que este que vos escreve, além de casmurro, bexigoso e ignóbil, troca, a torto e a direito o verbo haver pelo verbo ouvir.

apesar de conhecer bem onde aplicar um e onde aplicar o outro, há sempre um molho de neurónios que o distraem e desviam a sua atenção, vá se lá a saber para onde.

assim, se houvirem por aí uns ruídos estranhos e se ouveram por bem chamar-me a atenção do mesmo, não hesitem, as orelhas estão cá é para isso mesmo.

e a menina dos cinco olhos também deve andar por aí mesmo à mão de semear.

sirvam-se!

sabes, fiz uma sindicância ao blog e ainda encontrei mais umas 3 falhas do mesmo tipo.que vergonhaça, já viste?

la gazza ladra

quem me conhece sabe que não tenho um grama de real pachorra para música clássica. quem me conhece sabe que nem sequer de instrumentais eu gosto.

quem me conhece sabe que às bocas «não gostas porque não tens educação musical!», eu lhes respondo com um «educação tem a cinco de outubro!»

quem me conhece sabe que traz água no bico colocar aqui um video com música clássica, uma rossinada das valentes e tal...

é que ando com esta gaita na cabeça, bem desde manhã cedo e isto não há maneira de se desentravincalhar-me do cérebro.

quem me conhece bem, sabe que esta abertura está na minha cabeça, porque o que ouvi* hoje é discaço dos valentes, que inicia precisamente com este pega ladrona.

quem me conhece mesmo bem (di napoli, se não vieres cá pôr um comment a responder a este desafio, desarrisco o teu nome dos meus amigos), quem sabe que músicas eu realmente gosto, que discos eu colocaria assim, logo pela manhã, na telefonia do carro, sabe porque raio eu ouvi isto e acabou por ficar cá gravado.

* pal, não ligues!

cabine de som do 2001 (a catedral) . i love you suzanne, lou reed


quem sabe, um dia...

e quando lhe perguntaram se achava que o psd tinha hipótese de vencer eleições, agora que o luis filipe tinha voltado para gaia, ele respondeu, com aquela voz de "senhor lei" do noddy:

- este psd vencer o sócrates? nos próximos tempos? minha senhora, isso só acontecerá no dia em que eu fizer anos.



basculação lateral

não raras vezes, para contornarmos os problemas inerentes às birras - ou à génese das mesmas - utilizamos o principio da basculação lateral*. ou seja, se a birra tem início com a mãe, o pai surge 14 segundos depois e, sem que ela tenha sequer hipótese de pensar, pega na malga da sopa e cai vai alho: colheradas pela boca abaixo!

caso a birra tenha início no pai, algo que sucede com mais frequência, intercede a mãe, normalmente com mais celeridade - também porque a birra aumenta exponencialmente - e logo logo a coisa acalma.

ou seja, a miúda pega no pai que estiver mais à mão. é a tal basculação lateral.

bem sei que ela tem andado mais doce, mais calma, mais gira, mais fácil e tudo. mas também é certo que quando surgem as birras, está com o calo mais desenvolvido e por vezes não vai lá com basculações laterais. é nessa altura que sonho virar-me para um hipotético banco de suplentes e fazer aquele gesto com as mãos, a pedir ao mister para nos substituirem.

aos dois, claro!




* quem não é da bola, quem não ouve** com atenção o mourinho, não sabe o que isto é. se acham que eu ia aqui explicar, tenham juízo. comprem livros, frequentem cursos, inscrevam-se em uârque xópes. quem sabe se assim não chegam a alguma conclusão.
** repito, não ligues!

quinta-feira, abril 17, 2008

sportem

eu sou anti o quê? repitam lá!

escusam de continuar com os mails, escusam de insistir num ou noutro (raros, é certo) comment mais aparvalhado. e não, não me venham dar lições de moral ou de fér plei.

pois se em minha casa a minha filha tem uma coisa destas, acham o quê, que não lhe dou comida por castigo, é?



caramba, tenham juízo.

vermelhos de raiva!

sinceramente, até tenho medo que o clube lhes vá ganhar neste fim-de-semana: ganhámos campeonatos durante não sei quantos anos por causa do sistema; ganhámos ao estrela porque tinham salários em atraso; empataram no bessa porque a pê jota não investigou; perderam contra a briosa porque há dias assim; perderam contra o sporting porque o árbitro não marcou lá um penalti que daria o 0-3 (meus amigos, ninguém no seu perfeito juízo sofre cinco golos em 26 minutos)...

por isso se calhar preferia perder. se ganharmos a bem falarão do pinto da costa e dos seis pontos; se ganharmos com erros de arbitragem, confirmarão que o pinto da costa é que controla a coisa; se empatarmos pelas mesmas razões idem, idem, aspas, aspas.

pelo menos se perder, sempre se calam!

irra!

cabine de som do 2001 (a catedral) . theme from the last waltz, the band

eram famosas as aberturas das pistas das discotecas de antigamente: fumos, strobes, luzes vermelhas, azuis e verdes, algumas amarelas. a pista ainda vazia. um ou outro maluco já a abanar o esqueleto. o povo a olhar para eles, para a coragem de não se importarem de serem parvos. sons, mais sons que músicas a acompanhar os fumos, e as tais luzes. sons de sintetizadores, sobrepostos por vozes como a do vincent price no thriller. e barulhos: de carros de explosões, de sirenes...

mas finais, ui, finais nem todas as discotecas tinham com categoria. aliás com categoria só conheci duas. este last waltz no 2001, na minha catedral e o heartbreakhotel em benidorm que fechava a pista (se é que podemos chamar àquilo de pista) com este som.



este som dá comigo em doido. é um som de balanço de actividade. é o som de «eh pá, eles até tocaram o she's so cold» ou então de «eh pá, ficou a faltar o so long, caramba!»

cinco. em quantos minutos?

encontro-o de manhã, no banco, abatido. olha-me e abre-se um sorriso. ajeita os óculos e dá-me um bacalhau:

- eh pá, parabéns!

faço um ar interrogativo e fico a pensar se ele julga que eu sou lagarto.

- então, tri-campeões, ora!
- ah bom, obrigado.

digo-lhe a medo:
- ontem aquilo foi grave...

ele, benfiquista profissional, pessoa muuuuuuuito chegada à direcção diz, quase num lamento:
- oh! o nosso problema é julgarmos que isto é tudo culpa vossa! ainda poucos perceberam que não é, compreendes?
- pois...

quarta-feira, abril 16, 2008

golpe de marketing



a revista gina ganhou o seu nome através do diminutivo de vagina ou, pronto, calhou tirarem um nome à sorte?

é que se foi à sorte, foi mesmo muita sorte. se não foi, cum catano, golpe de marketing do caraças, não é?

nota: sempre dei a devida atenção à chamada de capa «histórias sexy internacionais». ou seja, o nosso material era tão bom que até dava para exportação.

maravilha!

thirtysomething

(conversa devidamente editada)

Pedro Jaime diz:
pronto, dá-me lá um beijo e tal

zm diz:

foda-se, até com a tua mulher já estive
zm diz:
mas contigo
zm diz:
nada

Pedro Jaime diz:

eu sei, ela contou-me

zm diz:

a cena do beijo foi um acidente
não leves a mal

Pedro Jaime diz:
acontece

zm diz:
e tu, amor?
zm diz:
fazes anos?

Pedro Jaime diz:
isso
Pedro Jaime diz:
39 biscas, porra

zm diz:
caralho
zm diz:
já reservei no Manecas 2 pares de soquetes. não vieram a tempo

Pedro Jaime diz:
lembraste o que achávamos dos gajos que tinham 39?

zm diz:
velhos

Pedro Jaime diz:
...que andavam a roçar as ancas no hipópotamo
Pedro Jaime diz:
e a engatar pitas no frolic

zm diz:
verdade
zm diz:
tu ainda és assim

Pedro Jaime diz:
falhei no bigode como o "foda-se!" da praceta
Pedro Jaime diz:
ou à quim peúga ou quim lelé

zm diz:
és imberbe

Pedro Jaime diz:
mas se usasse blaser, passava bem pela pinta dum chitas, ou não?
Pedro Jaime diz:
quem sabe dum raul portelinha

zm diz:
esses gajos tinham 39 anos nos anos 80
zm diz:
faz diferença

Pedro Jaime diz:
isso
Pedro Jaime diz:
será que algum beijou a l?
Pedro Jaime diz:
eu só queria ter essa idade nos 80 para ter mais hipóteses de beijar a l
Pedro Jaime diz:
é justo, não achas?

Pedro Jaime diz:
só a beijaria se ainda tivesse o mini preto e o casaco com gola de pele
zm diz:
não
zm diz:
beijavas de qualquer modo

Pedro Jaime diz:
aquilo era aquilo era em mouton doré ou coisa assim
Pedro Jaime diz:
se calhar ainda ficava com mais alergias
Pedro Jaime diz:
a idade não perdoa

cabine de som do 2001 (a catedral) . fashion and fame, the angels



ahhh, deixem-se de tretas, no tempo em que o pessoal do rock usava sapatucho de cor branca a coisa mandava uma g'anda ventarola.

ser do contra

duas coisas:

- o pinto da costa passa a vida com o benfica na cabeça? será que é um movimento reflexo, põe-lhe um microfone em frente e ele tem de dizer a palavra benfica? tem mesmo? ai que irritante. será que o presidente do manchester também anda sempre a falar do arsenal ou do chelsea?

sou contra!

- o porto contratou o rolando. não era suposto estas coisas acontecerem, apenas, após o final do campeonato? não? se não era então também sou contra!

39

o tim mcgraw tem uma sobre os seventeen; o aldo nova diz que a ronnie tinha nineteen e ele twenty-five; o billy idol diz que faz tudo pela sua doce sixteen, os creed dizem que têm eighteene não sabem o que realmente gostam, até os eagles falam sobre os twenty-one.

mas francamente, o que realmente o que me tira do sério é chegar a uma idade para o qual ninguém faz músicas.

ok, os beatles remeteram a coisa para os sixty four, mas caramba, não queimemos etapes, ora.

assim, não brinco!

(ok, não é sobre a idade, é sobre o ano. fica a intenção. e fica também das poucas coisas que eu ainda suporte dos queen. já agora, este a night at the opera é i-m-a-c-u-l-a-d-o!)


terça-feira, abril 15, 2008

médias


eu acho que até já escrevi aqui: há músicas que me levam, duma forma disparada, para outras paragens, para outros anos.

o don't you forget about me, remete-me logo para 1985, o último ano em que passei férias na terra do meu pai.

nesse ano, algures em agosto, fomos uns quantos maduros lá da terra, à festa de são pedro velho. às tantas estou eu e o joão maneta - acho que ficou maneta nesse, ou no
ano anterior -, virados para o largo a ver o povo a dançar. tinhamos acabado de comprar duas médias e estávamos ali, encostados às aduelas de cantaria da entrada do tasco.

arranca o «hey, hey, hey, hey...huuuuuuu, ooooooohhhhhh....», olhamos um para o outro, o gajo, nuns olhos muito claros, daqueles que até parecem ter holofotes lá dentro, sorri para mim, olhamos para as garrafas, batemos uma na outra e ficamos em silêncio a ouvir aquilo.

eh caraças, isto ficou uma cena um pouco brokeback, não foi?

lá para o meio da coisa, ele bate outra vez na minha garrafa e sentencia:

- vamos ali cravar dois sg filtro ao david e seguimos para as traseiras do coreto que as filhas do raposo já lá devem estar à nossa espera.

fomos. estavam.

simple minds em 1985 e garrafas média da sagres. uma associação imprevista.



e mais uma homenagem para o john hughes, um gajo que devia ter feito quinze(!) e não dois ou três filmes de malta-que-anda-na-escola dos anos oitenta.

siga a dança


15.04.2008

está calor, caramba!

(vamos a umas mines?)

cabine de som do 2001 (a catedral) . speak no evil, dragon

ah grande pintinho

"quem estiver a mentir, que lhe caiam as maiores desgraças (…) só queria pedir a deus que mostre a sua justiça divina e que as pessoas não consigam dormir descansadas e que sejam atormentadas por toda a vida."

confesso, mais uma vez o jota éne lima
pê cê fez-me rir. ele lá sabe do que fala, mas não me deixa de me fazer rir. há realmente maldições bestiais, ainda há dias ele falava nos vermes e tal...

tão ridículo, santa paciência.

no entanto, no que respeita a ódios, ofensas ou rogo de pragas (não era bem esta a palavra que eu queria dizer, mas estou aqui com uma branca dos diabos), nada bate os pescadores da nazaré - nem mesmo tu -. cá vai:

que tenhas tantos tumores no corpo como quantos ovos são precisos para partir as pedras do sítio da nazaré!

ou ainda

que tenhas tantos tumores na cabeça, que quando mais correres mais te doam e que se parares que rebentem!

gerenciador de programas

precisamos mesmo, mesmo, mesmo de escrever igual aos brasileiros? eu até suportaria se eles lá decidissem que aquela coisa do n atrás do p e do b se deve utilizar com um m, agora essas fantochadas do pára e do para?

tenham juízo!

eu por mim é para o lado que durmo melhor, agora para o pessoal que se vai meter agora na escola a aprender assim, ui, haja paciência.

já agora, o professor carlos reis - que me considerou um "autista" (ele lá sabe do que fala... ou será que não sabe)- , é irritantezinho, não é?

segunda-feira, abril 14, 2008

partilhas

visita inesperada da mana. festejo, ainda mais inesperado, do seu aniversário.

eu a rir, ela a rir ainda mais alto que eu (muito difícil) e às tantas dou por mim a pensar o que a idade nos faz. há vinte e cinco anos era completamente impossível estar nas suas imediações sem sair uns «estúpido», «camela», «parvo», «camelóide»....

e é também agradável ver que ter uns pais tesos obrigar-nos-á - daqui a 50 anos, espero - a lutar para ver quem é que nas partilhas, não vai ficar com a herança.

- ficas com as caixas rotuladas com "gambiarras e extensões eléctricas" ou com aquela colecção de garrafas, modelo «olha para isto caramba! dá ou não dá para fazer um valente candeeiro?» e que depois nunca se transformam em nada?
- nahh, fica tu!
- e porque é que não ficas tu?
- eu???
- deixa lá, ficas tu, sim? please?
....

canal z

se vierem realmente, só lhes peço um favor, não se esqueçam desta, sim?


juno


houve alturas em que me ri em voz alta.

e vocês sabem como é que eu sou quando me rio em voz alta...

artdef

a sílvia era uma miúda que sonhava ter nascido com mais um (dois, na realidade) palmo(s, na realidade) de altura para poder ter tentado a sua sorte como modelo. é certo que lhe faltavam muitas mais coisas caso quisesse mesmo abraçar essa carreira, mas pronto, a vida prega algumas rasteiras aos raios dos sonhos das miúdas.

eu penso que a falta de altura (vai na volta foi mesmo isso) lhe toldou as ideias ao mesmo tempo que, o facto de viver mais perto do chão, lhe permitiu construir um pedestal de auto-estima, irremediavelmente sólido.

por essas e por outras, qualquer cantoria que saísse da sua boca (e a voz, apesar de tudo, era a mais forte de todas as suas (públicas) virtudes), para ela soava como a barbra streisend no left in the dark ou a whitney houston no greatest love do george benson. e ai de quem a tentasse demover dessa ideia.

mas há uma altura em que as femininas acções de cabotinagem atingem o seu patamar mais sólido. e então, ali pelos seus dezassete, dezoito anos passou a referir-se à suas performances ou objectos da sua propriedade sem utilizar artigos indefinidos. eram tudo corrigo a indefiniçamentos, como diria o grande odorico paraguaçu.

assim, para quem tivesse a cara mais ressequida pelo sol da praia ela logo diria que tinha lá em casa «o creminho certo para aquela maleita» porque, obviamente todos os outros estavam obliterados pelo qualidade do seu.

nas saídas nocturnas não era capaz de deixar de aplicar a sua marca pessoal. quando íamos aqueles bares com música ao vivo, onde acompanhávamos o trem das onze com aquelas latas de coca-cola cheias de pedrinhas, para fazerem chic-chic-chic enquanto o gajo da guitarra dizia que morava em jaçanã, ela tinha a bela atitude de retirar-nos
pedagogicamente a lata das mãos e, enquanto chocalhava, argumentar «eu é que sei a maneira de tocar o chochalhinho. ora vê lá!». recordo ainda que os nossos óculos não ficavam bem limpos com um pano qualquer mas sim com o paninho dela.

ficaram também algo famosas: a alface que ela tinha lá em casa para fazer a salada, a maneira certa de fazer um tal arroz, a escova de cabelo ou, quando um certo sócio a viu na rua carregando um saquinho, me disse tê-la visto, provável e obviamente, com o saquinho.

em pouco tempo, nalguns círculos, passou a ser tratada e referida como a artdef, precisamente por não usar artigos indefinidos mas unicamente definidos. uma maravilha!

estas sua característica aliada a uma repetida e usual mania de se auto proclamar arauta do bom gosto e da superioridade moral, valeu-me uns longos desaguisados. mas nunca a considerei uma valente cabotina por não ter maldade nem categoria para isso.

é o que eu chamo às pessoas que nem categoria para cabotinas têm, são meras artdefs. a blogosfera, claro está, é um ambiente com características ultra favoráveis para a proliferação da raça. elas andam por aí e, como dizia o anúncio, quando se vê uma, há pelo menos vinte escondidas.

há pelo menos meia dúzia de pessoas que ao lerem isto sabem de quem eu estou a falar. sabem que ela não se chama sílvia e sabem também que ela, no fundo no fundo, não era a barbra nem a whitney, mas cantava isto como mais ninguém.

lá está, ela sabia a maneira de cantá-la!



se lhes fizerem impressão assistir a power points com músicas de fundo - a mim, faz-me -, venham aqui.

sexta-feira, abril 11, 2008

blog vs borda d'água

há pessoas que pespegam nos blogs informações adicionais que mais parecem os ecrans da bloomberg: ele é a temperatura, ele é o número de pessoas on-line, ele é músicas a tocar, ele é o mapa mundo com a localização dos leitores, ele é o número de visitas, ele é o número de cus já papados pelo bibi, ele é a localização dos projectos de engenharia do nosso primeiro...

será que não se vêem ao espelho?

já nem falo do que escrevem (coitados...) ou de como escrevem. mas será que essa gente nunca abriu o seu blog?

noutro dia contei - e olhem que eu tenho uma net rapidita - 45 segundos para um blog abrir completamente.

é de propósito?

rough guides

para o meu amigo, e também tricampeão, tarzan boy.

a rough guides não tem só livros para viagens, tem também para livros para viajarmos pela música
ai que coisa mais poeticamente foleira!
e também guias sobre as mais estapafúrdias coisas.

este veio directamente das prateleiras da fnac. um livros de listas.

sim, listas de músicas. sei lá: 10 músicas para se cantarem em coro num estádio; 10 músicas sobre animais; 10 músicas sobre erva (para se fumar e não para nos deitarmos sobre ou para os cães cagarem); 10 músicas do mali...

uma maravilha. um livro para não ser levado a sério. um livro tipo "sentar na sanita, folhear 10 ou 20 páginas consoante a quantidade de picante que tivermos posto na feijoada e voltar a fechar o livro."

tarzanboy, compra isto. à confiança, vais gostar!

shades

e por falar em shades, lembrei-me dum tempo em que o 2º canal
ainda não consigo dizer rtp 2. nem rtp 2, nem uma dezena de outras coisas que virão num post um dia
tinha um programa chamado videopólis e era apresentado pelo grande (e cada vez maior) álvaro costa.

esse programa, na categoria "vamos lá passar telediscos ao povo", rivalizava com os melhores da europa tv. falo dum que era apresentado por um gajo com o cabelinho espetado e não com aquelas coisas do adam curry e do papa luigi.

uma altura o videopólis fez uma versão do shades do iggy pop com colagens de imagens de pessoal com óculos escuros. um show. não a encontrei no you tube mas o tempo há-de traze-lo até lá. tenho a certeza disso.

fica por aqui a versão que se encontrou. não é a melhor imagem mas o som está lá. produzido pelo david richards e também pelo bowie - não estranhem pois , se ao fecharem os olhos vos parecer o bowie a cantar - esta é uma das melhores músicas dos anos oitenta.

e toma lá bolachas!


the future is so bright, i've got to wear shades

ao jantar perguntámos-lhe que profissão é que ela queria ter quando fosse crescida. ao seu silêncio adicionámos a hipótese de ela não conhecer a palavra "profissão". tentámos contornar a coisa simplificando a questão.

- ó filha o que é que tu queres fazer quando fores grande, assim, como o pai e a mãe? queres ser, por exemplo, médica dos gatinhos e dos cãezinhos? ou queres ser, sei lá, jardineira, para tratares das flores como fazes lá no barregão? ou queres tratar dos meninos e das meninas como a lina e a cristina lá da escola?...
- ó pai, quando for grande, eu não quero fazer nada!




quinta-feira, abril 10, 2008

avisos


as passagens de nível, encerram em si
ai como eu adoro dizer «encerram em si»
dois avisos que todas mulheres e homens, à confiança, deveriam ter tatuados, assim, mais coisa menos coisa, ali à altura do umbigo.

nelas, para eles lerem (não vá o diabo tecê-las):
aviso: pare ao sinal vermelho!

neles, para elas lerem (não vá o diabo, mesmo, tecê-las)
em espera prolongada, telefone para 800 233 233

nota: no caso dos avisos delas para eles, justificava-se a existência dum grupo de prevenção, assim, estilo, um comité de congoleses pichotamente avantajados e activos, que, tal mister wolf do tarantino, aparecessem num repente e salvassem o momento.

locke


além de ter tido (e voltado a ter) o gaz a trabalhar para mim, agora também tenho o john locke como vidraceiro.

(juro-vos, pá!)

a minha casa é a verdadeira casa das celebridades.

quarta-feira, abril 09, 2008

ok, fora de gozos!

prometem que não gozam? prometem mesmo? sério?

bom então cá vai: eu ouço o refrão do tema de abertura dos famous five e aquilo só me faz lembrar a parte do turn and face the strain do changes lá do hunky dory.



pior, ouço o turn and face the strain e, sim adivinharam, aquilo faz-me lembrar o julian, dick and anne, george and timmy the dog.



pronto, tudo bem, internem-me!

tudors



(depois não digam que eu não avisei:)


saquem esta gaita da net, à confiança, que isto é filé mignon!

verde égua

não, não é só por causa das comidas do ikea. lá em casa há muitas outras coisas que já só marcham se forem acompanhadas, quinze minutos depois, por um chá quentinho. assim, para arrotar e descomprimir a pança.

é o preço a pagar para continuar a cometer certos vícios. geladinho a nu sabe-me a pouco. geladinho para ser geladinho tem de ser com um quarto de tabelete de chocolate derretido lá para cima. é a vida.

por isso, chá para trabalhar na pança tem de ser de cidreira. os outros chás, existem lá em casa para disfarçar o açucar. no fundo eu bebo é água doce. o chá está lá para distrair.

ontem, sem ver, peguei no primeiro pacote que a mão trouxe da caixa de chá. estranhei a coisa. cheirava mal que tresandava. fui ver e aquilo dizia «chá verde». que coisa mais nojenta. aquilo cheira a loja (loja no sentido de local no piso térreo das casas transmontanas onde se guarda o gado) de éguas. nem sequer é de cavalos ou chibos. é mesmo de égua.

chá verde cheira a estrume de égua, pronto!

obs.: curiosamente os perfumes de chá verde não cheiram nada a chá verde. cheiram bem, pronto! cheiram a quinta das lágrimas.

burro!

não aprendo com um erro, não aprendo com dois, confesso, não aprendo mesmo!

irra que sou burro!

de hoje em diante, sem falta, mesmo! ao sair de casa em direcção ao ikea, juntamente com a carteira, levar o post it que diz «não comas no ikea. a comida é má, a salada é rija e amarga e mesmo que a seguir pareças estar bem, já sabes que passadas duas horas estás a fazer chá e a massajar os michelin's da tua barriga».

desire as

eu no fundo, aqui no post abaixo, se calhar tinha ficado mais bonito se tivesse lá pespegado o desire as. mas confesso, não encontrei o teledisco.

adeus lucília

eu nem sei como é que é agora. tenho, curiosamente, mais dificuldade em saber como é que foi em 1996. sei muito bem como é que foi em 1985 ou 89. ter dor de corno nessa altura, em lisboa, era algo que tinha muito que se lhe diga.

por vezes não é bem só a dor no corno, é mesmo dor de se ter dezasseis anos. agora imaginem dor de corno com dezasseis anos? dói, não dói?

pois.

isto que apresento aqui nem é bem banda sonora de dor de corno de 1985, é mais isso que eu tentei explicar atrás e, mais uma vez, não consegui. é mais um estado de moleza, de agonia, é um estado do estado de se ter, isso mesmo, dezasseis anos.

quando não se tem capacidades para se entender as palavras que vêm nas letras das cantigas
gosto muito de dizer cantigas. e cançonetistas também.
é o próprio ambiente acústico
ambiente acústico? oh foda-se, que coisa mais apaneleirada e chauvinista fui eu escrever!
que passa a ser a mensagem. não sei se gosto deste disco por causa do embrulho que o thomas dolby the fez ou se é mesmo por causa dos prefab sprout, assim a nu. penso nisso quando vejo telediscos deles no youtube, com actuações ao vivo. são coisas muito diferentes. ou, pelo menos, tornam o meu gosto pelas cantigas deste disco algo diferente.

pois, não sei, sei é que este é um disco de tempo encoberto. sim, assim, meio nebuloso. talvez porque me tenha aparecido na vida duma forma plena, em casa da minha prima graça, numa tarde, após um passeio ao parque eduardo sétimo, ocasião em que o pires se fez a ela descaradamente. dizia eu que essa tarde estava nebulosa e fria e a casa da minha prima estava quentinha e mais aquecida ficou depois de ela ter posto no seu pique ape o goodbye lucille #1.

há coisas assim, que me fazem recordar a dor de se ter dezasseis anos.


segunda-feira, abril 07, 2008

motherfucker




ela não conta porque anda sem paciência para contar.

ela não conta e eu roubo-lhe a história.

esplanada do paredão, calor primaveril, malta jove que se aproxima para beber uns canecos e ficar ali a lagartejar. tudo boa gente, tudo sangue bom.

às tantas diz um:
- ó pá, e a minha mãe? não está a ver bem, então não é que me foi perguntar o que quer dizer mâdafâca?
- ihhh, que cena! e tu, o que disseste?
- é pá, disse... desenrasquei-me ora, disse que aquilo queria dizer o que estava lá dito: "mãe da foca"!
- sério?
- sim, disse "mãe da foca"
- e ela acreditou?
- é pá, acho que sim. eu não tive foi coragem de lhe dizer a verdade, porra. aliás, nem saberia contar a verdade.

praças, mercados e feiras




este post, desta praça

bic, se é geracional ou não, não sei. sei que lá na picheleira nunca se foi "ao mercado". apesar de lá estar escrito "mercado", como sabes, sempre se foi à praça. ia-se à dona ivone que ficava mesmo ao lado da praça, ia-se tocar às campainhas da sede do mrpp que ficava em frente da praça, etc. por outro lado, na província já se ouve mais dizer a "feira". vamos à feira, comprei estas facas na feira, vi a zeca fininha na feira, etc. curiosamente, quando me quero referir ao local em si, já me refiro ao "mercado": mercado de arroios, mercado de alvalade, mercado do rato... vamos lá nós compreender o que vamos dizendo por aí, não é?


fez-me recordar que sou uma nulidade em, digamos, horta.

uma das minhas colegas de faculdade morava nas imediações dessa praça. era época de frequências, exames e entregas de trabalhos de grupo. andávamos com a cabeça em água, só víamos cálculos, riscos, maquetes - atenção que eu ainda sou do tempo dos tira-linhas - bisturis, transferidores, etc.

era sábado de manhã, o sol começou a queimar e eu lembrei-me:
- ó rita, e se cagássemos um bocado para a cadeira de desenvolvimento urbano em meio rural, tu fazias uns hamburgueres desses supletivos que só tu sabes fazer, com molho qb e a bela da alface e arrancávamos para a praia das maças para metermos um bocado de cor na pele. o que me dizes?
- é pá, bem precisamos. mas vimos cedo, ok?
- tranquilo.
- então vai ali à praça comprar uma alface que eu vou fazendo a carne.
- ok.

e lá fui eu, carlos mardel fora, até à praça de arroios.

ora, eu que sempre fui uma nulidade em cozinha - por arrasto em compras -, que sempre fui comendo, com mais ou menos porrada, aquilo que me foram pondo no prato, sem grandes perguntas, dei por mim em frente a uma banca de hortaliça a investigar com as mãos e os olhos uma vistosa alface.

com um ar mais "especialista comunitário" possível, disparo na direcção do vendedor:
- ó chefe, esta alface é coisa para ter que preço?
- é coisa para estar aí sossegadinha sem preço nenhum. então não estás a ver que isso é um repolho, porra?

três minutos e vinte e sete segundos depois:
- ó rita, vai lá tu comprar a alface.
- ó que merda, agora sou eu que tenho de fazer tudo, não?
- não é isso, mas tive um quidproquozeco lá com o mestre das verduras e tive de fugir à pressa. depois eu conto-te.

irra que é burro!

(tivemos 17 no final da pauta. ora toma!)

a punheta

(para os mais distraídos, isto é um post sobre jornalismo não é sobre adeptos)

normalmente, a vida sexual de uns não deve ter nada a ver com a vida sexual de outros. a não ser, claro, quando as actividades sexuais de uns sejam efectuadas na frente dos outros. principalmente quando os outros somos todos nós.

nessas actividades sexuais, há os doidos dos fetiches dos chicotes, das algemas, dos golden showers, há de tudo. há também quem prefira fodas e quem se contente com punhetas. é a vida.

o joão querido manha é francamente alguém que julga que os leitores que não orbitam à volta dos amores portistas - vulgo benfiquistas e sportinguistas - se contentam com meras punhetas e não com valentes fodas. assim, decidiu escrever um artigo, uma punheta (jornalísticamente falando), onde faz referência ao número de golos irregulares que o porto marcou nesta época. diz ele que já foram sete. é a sua contabilidade, não há nada a fazer. mais, nem sequer discuto se foram ou não irregulares. ele é jornalista desportivo, eu sou um parvo que escreve uns bitates sobre futebol. ele não, ele é profissional e percebe da bola e eu, francamente, percebo de fodas (das sexuais e das jornalísticas). tenho pena que ele, pelos vistos, seja mais dedicado a perceber de punhetas. punhetas jornalísticas, compreenda-se, não vá o senhor ler isto e sentir-se ofendido.

nestas alturas em que se apresentam arguidos
volto a repetir, que não lhes doam as mãos aos senhores juízes. se houver necessidade de prender alguém, prenda-se, se for preciso tirar pontos, tire-se, se for preciso tirar campeonatos, tire-se. mas que se tire a toda a gente, ok?
é bem mais fácil fazerem-se artigos destes. é giro, claro. «ora deixa cá ver, deixa cá ver, agora que eles estão lá para cima, agora que eles já paparam o título, deixa cá ver afinal se o título é mesmo título?». pois, parece que afinal os malandros dos dragões têm 20% de golos irregulares. imagine-se, 20% (que raio de matemática a dele). a somar a isto tudo, diz ele, estes golos são o sinal mais evidente desta nova ordem saída do apito dourado que em vez de condenar o tráfico de influências generalizado há muitos anos, promete apenas reforçar o poder público dos 'padrinhos' deste sistema.

que bonito. que punheta mais porreirinha, viste! ficaram pois os leitores contentes porque lhes massajaram a pichota da veia anti-portista, já que cheiro de foda não conseguem vislumbrar.

mas eu acho estranho este artigo. sim, estranho.

estranho não haver nenhuma referência aos penaltis 'contra' não assinalados às restantes equipas do campeonato (se calhar não houve), estranho não haver referência aos golos irregulares das outras equipas (também não deve ter havido) e estranho também não haver referência aos erros de arbitragem contra o porto, nos tais (e em todos os outros) jogos em que aconteceram os tais 7 golos irregulares (erros de arbitragem contra o porto? bem contra o porto não houve de certezinha absoluta).

além dos golos vem também referir as questões de disciplina. claro, vamos lá falar na 'estalada' (estalada? como não sabe o que é uma foda (jornalística, compreenda-se, não vá o diabo tecê-las), o nosso manha também não sabe o que é um estalo) do quaresma ao rolando (pelo sangue derramado, uma barbárie, suponho) e do bruno alves ao gonçalves «um dos lances mais violentos vistos num estádio português nos últimos anos». nesta frase, presumo que a referência ao artigo indefinido 'uns' em vez do artigo definido 'o' seja para permitir equipará-lo, talvez, ao do katsouranis (ah, coitado, isso não foi intencional) com o anderson ou o do binya com o brown (ah coitado, isso não foi num relvado nacional). são uns cabrões estes portistas, autênticos assassinos, não é meu caro manha.

ainda assim, o manha
que curioso, será por isso que o jornal de chama correio da manha?
teve a manha de dizer que o livre no dragão contra o sporting foi uma decisão acertada. estamos a falar do livre e não do golo. o golo, espero, é limpo. ou não?
e diz isso para justificar a qualidade do pedro proença. parece-me bem. se é a sua opinião, meu caro manha, deixe-me dizer-lhe que é também a opinião do mundo portista. nós também achamos que foi uma decisão acertada. já não pensa o mesmo o mundo verde e o mundo vermelho. é por isso que vemos as coisas com óculos azuis e outros as vêem com outras cores. chama-se a isso parcialidade futebolística, sabe? coisa que eu posso fazer aqui neste blog, o cervan também o pode fazer na bola e o santana lopes o pode fazer em todo o lugar onde fala. não sei se o amigo manha, num artigo jornalístico o devia fazer. o senhor lá sabe.

quer fazer um artigo sobre as actividades do grande zé veiga no estoril e no benfica? isso já não, não é? é uma maçada, não acha?

no entanto deixe-me dizer-lhe o seguinte, nós somos do clube que tem a mania de jogar bem, bonito e com vitórias, umas com erros a nosso favor, outras com erros a favor dos outros. é a vida, toca a todos. não toca a todos é fazer apreciações falaciosas sobre a carreira futebolística do benfica e do sporting. por isso, se a sua ideia relativamente à menção do lance do proença lá no dragão era fazer-nos uma punheta (jornalísticamente falando, nunca esquecer), deixe-se lá disso. é que pode muito bem acabar por sujar as mãos e nós, como sabe, estamos mais habituado a fodas.

é uma questão de gostos (sexuais, neste caso. não jornalísticos)

sexta-feira, abril 04, 2008

brass in pocket

o meu 7º ano lá no rainha dona leonor foi marcado pela ausência da disciplina de matemática. é certo que no 8º ano também não tive durante dois períodos e, por azar, algumas semanas do meu 2º ano também se pautaram pela ausência de qualquer professor.

é claro que este pormenor obliterou toda e qualquer hipótese de seguir para um curso superior, cuja entrada só seria permitida com a matemática do 12º ano. azarito! mas não é sobre isto que eu queria falar.

as horas que supostamente eu passaria dentro da aula de matemática eram quase sempre passadas a jogar à bola ou a fazer habilidades tão simples como ir, desde a creche até ao gradeamento dos courts de ténis da fnat, sempre pelos ramos das árvores e sem pousar uma única vez os pés no chão ou nas barras de ferro do gradeamento. sim, éramos parvitos e tínhamos 12 anos.

num desses furos, eu e o canina (estás bom, senhor engenheiro quadros?), numa atitude de arrojo fenomenal, decidimos convidar a vera e a carla para irem fazer um lanchinho connosco. uma coisa fina e tal, o mais armado aos cucos possível. a vera era a gira. ou melhor, não era bem o gira (que também era), era mais o facto de ser loura. e sendo loura, pronto, estava tudo dito, tornava-se desejável. a carla era mais o tipo de miúda normalinha que toda a gaja gira que se preze se faz acompanhar. por nós era como o litro, a nossa ideia era mais a vera, pronto.

repito, estamos com 12 anos.

elegem as meninas para local do lanche a carcassone (confesso, não me lembro se foi aqui ou se foi na nova lisboa. que se lixe!). nós olhamos para os nosso bolsos e tínhamos, ao todo, 22$50. julgávamos nós que aquilo dava para um almoço! bom, nada a lamentar, afinal tínhamos sacado a vera, bolas.

às tantas vem o empregado:
- eu quero uma fatia de báváruáze de ananás e um batido de morango. diz a loura
- ah, eu quero o mesmo!
entreolham-se os machos com um olhar assustadíssimo, convencidos que as meninas iriam saciar-se com duas meias de leite e dois duchezes e dizem em coro:
- para nós, água!
- fresca ou natural?
- da torneira, mesmo!

há dúvidas?



"...damos três de manhã
e quatro de madrugada
e quando a gente se levanta
parece que não fode nada.

tunga!"

isto é poesia naif, caneco!

quinta-feira, abril 03, 2008

duke

para a maioria dos aficionados "old school" dos genesis, o phil collins tinha algum valor enquanto se resumia a um mero baterista da banda. quando o peter gabriel decidiu ir fazer discos sozinho (pessoalmente, o período mais catita do seu percurso) e o careca decidiu tomar as rédeas do microfone da banda, o pessoal começou a torcer o nariz e passou a eleger o lamb lies down como o peido mestre dos genesis. lá terão as suas razões. adiante.

eu fui gostando do collins. fui, pronto.

é certo que quando ele era, digamos mais "prenda para se dar à namorada no natal", eu tinha 18 anos e, nessa altura por volta de 1987-1991, aquelas músicas não me faziam tanta comichão. o que aconteceu depois, tanto a solo como nos genesis, confesso, já não me aqueceu - ou arrefeceu - tanto.

acho que já o disse aqui, entre coisas dos genesis com ele a cantar ou coisas dele a solo, o meu disco favorito é o duke.

sei precisar o momento em que tive a epifania "duke". foi lá por volta de 1987, durante um pequeno período em que a minha banda favorita era os velvet underground, que o irmão do osga - o jp - pôs a tocar na sala o turn it on again.

«é pá, afinal eu conheço isto.»

ouvi mais, fui gostando também mais, fiquei freguês.

há coisas do duke que foram escritas durante o período da separação do careca com a sua mulher. são coisas muito sentidas, muito doridas. são coisas também muito expostas. lemos o please don't ask e aquilo parece um big brother. está lá tudo, é impressionante! leio e releio aquelas palavras e fico a pensar que «não, é tudo inventado. ele não se iria expor assim dessa forma».

ou então não, então quer mesmo é fazer uma estatuazinha à ex-mulher e aquilo é apenas o resultado dos seus sentimentos. é bonito.

nessa altura uns amigos duns amigos estavam-se a divorciar. disquitar (assim, à brasileira), mais concretamente. e eu via aquelas duas pessoas, com a criançada assim dum lado para o outro e aquilo dava-me uma pena tremenda. talvez tenha sido isso que me fez olhar com outro olhar para os reatamentos que por aí fui vendo, mesmo em coisas fictícias como a nancy e o elliot dos thirtysomething.

este please don't ask é também isso. é belíssima e eu recomendo este videozeco para se ir vendo que os anos passam mas há coisas que ficam presas na garganta. presas o suficiente para não deixar certos profissionais do chou bize terminarem convenientemente certas performances.



(...)

I can remember when it was easy to say I love you

But things have changed since then, now I really

Can't say if I still do

But I can try

I know that the kids are well, you're a mother to the world

But I miss my boy

I hope he's good as gold


But enough of me, tell me how are you? You look good

Oh you've lost weight I can see, your hair looks nice,

You look good

Maybe we should try, don't say it! I know why

I can remember when it was easy to say I love you...

(...)

terça-feira, abril 01, 2008

se é para se brincar, então que se brinque a sério, ora!

levando a cena como deve ser, a minha filha guarda os biberões de alimentar as bonecas no frigorífico.

concertos

para o alfredo que tem a suprema paciência de me ler.

ora então concertos que sempre quis ver e vi

u2 em alvalade (1993)

falo do primeiro, o de 1993, da zoo tv tour. um espectáculo memorável, por mim aguardado há uns dez anos, uma set list superiora. tudo o que o rodeou: os bilhetes só garantidos umas horas antes do início, o bacalhau que dei ao the edge, o bono que andou em cima dos meus ombros, um concerto muito, muito aguardado. eventualmente o meu melhor concerto de sempre.

talvez, quem sabe.

sei pelo menos que foi muito superior ao de 1997, que também assisti. confesso, ouvir o i will follow sem a pujança e o pedal do live at red rocks, desanima qualquer ouvidinho mais esquisitinho (o meu, claro).




stones em alvalade (1995)
também vi o de 1990 e foi muito bom. nesse, talvez eu ainda não estivesse, cem por cento, preparado para aquilo. mas, confesso, esperava outras músicas. foi o que se arranjou.

já em 1995 a coisa foi bem diferente. o espectáculo foi bem melhor, eles estavam muuuuito melhores - mesmo que já não tivesse o bill wyman - e tocaram músicas que eu nunca imaginei ouvir ao vivo: tumbling dice, o beast of burden, live with me e claro o gimme shelter. não assisti ao de coimbra, mas estive também no do ano passado, também em alvalade, concerto que achei francamente fraco. no entanto, o do porto, em 2006, teve a particularidade de me ter posto nos píncaros.

um show.

ou melhor, um show visto pelo lado de trás. ver aqui e aqui.



ringo starr na expo (1998)
não visitei um único pavilhão da expo. pois, eu sei, sou uma ave rara. mas felizmente vi uma mão cheia de concertos bestiais. este foi um deles. e podem perguntar «mas que raio faz um concerto do ringo aqui na lista do "mais mais"?». pois é que, juntamente com o barbudo baterista, vieram também: o jack bruce dos cream; o peter framptom; o simon kirke dos free e dos bad company; o gary brooker dos procol harum e o mark rivera que tocou com tudo o que é banda boa, foi corneteiro aqui com o ringo e, naquela tournée, funcionou como director musical.

ora isto é uma banda do caneco. como dizia o ringo, ser-se um ex-beatle tem destas coisas, podemos ter uma banda com os melhores músicos do mundo. não direi tanto, mas lá que ele sacou uma bond girl, isso sacou.

voltemos ao concerto. assim, por ter trazido aquela maralhada toda, além das previsíveis octopus's garden, yellow submarine ou with a little help..., pudemos ouvir, assim, de borla: o white room e o sunshine of your love dos cream; o conquistador, o whiskey train e o whiter shade of pale dos procol harum: o all right now dos free; o shooting star dos bad company e o show me the way, baby i love your way e o do you feel like we do do peter frampton, entre outras coisas que agora já não me lembro.

foi uma coisa para contar aos netos «meus queridos eu já vi, assim, à minha beira, o jack bruce fazer a introdução do sunshine of your love e o peter frampton dizer hello lisbon numa talk box»

e se eles não acreditarem, cago para a coisa.



pretenders no coliseu (1999)
ora bem, vamos lá esclarecer duas ou três coisas: eu tenho os discos todos dos pretenders; eu, ali para os lados dos anos 80 - e até 90 - tinha dado uns pirafos valentes na chrissie hynde; eu acho uma coisa superiora o primeiro disco dos pretenders; eu passo-me de morte com o kid; eu quase que me arrepio - estou a brincar, eu arrepio-me mesmo - com o brass in pocket; pertantes, não é de estranhar que este tivesse sido um dos concertos da vida! e foi! a melhor mulher do rock: magra, cabelo à cher, guitarra, magra, sem cu, porca e mal educada. um show.



miles davis no coliseu (1991)
ahhh porque há coisas que ao vivo fazem todo o sentido. em disco, confesso (ainda) não!



buddy guy no coliseu (1992)

conhecia dele umas coisas do disco de 1991, nada mais. sabia que era um "sinhuôr dos blús", o coliseu estava a um terço, o povo sem preparação nenhuma para aquilo, um vasqueiro do catano e, às tantas, ele começa a cantar baixinho, baixinho, pianinho... e o povo teve de acalmar e fazer silêncio para ouvir o cabrão do preto.

puta de concerto! aquilo não eram blues aquilo eram blusões! noite dos diabos.



bauhaus no atlântico (1998)
pronto, está tudo dito aqui.



depeche mode no atlântico (2006)
estive na dúvida entre este e o de 1993. ainda agora continuo com a mesma dúvida. se por um lado a tourneé de 1993 tinha a suportá-la um valente disco «songs of faith of devotion», a de 2006 já não tinha um disco tão bom. contudo, a set list de 1993 foi bastante mais fraca que a de 2006 que foi, convém dizer, muito boa. resta-me concluir que o de 1993 teve os fabulosos dada (tenho de fazer um post sobre estes gajos) e o de 2006 teve os bravery (blhec, gosp, cusp!).

pronto, escolhi este!



simone no coliseu (2005 - o de março)
eh pá, esta foi mesmo difícil. já a vi umas cinco vezes, que me recorde. é a brasileirinha que eu mais gosto - só podia, né? ora eu até acho que todos os concertos estiveram num grau supletivo. mas pronto, escolhi este porque ouvi uma coisa que nunca imaginei ouvir:
"só uma palavra me devora
aquela que meu coração não diz

só o que me cega o que me faz infeliz

é o brilho do olhar que não sofri."



acdc no estádio do restelo (1996)
ui, isto foi uma missa, pá. é que não teve um único segundo de calmaria. foi sempre, sempre a rasgar, logo ali desde o instante em que o angus chegou-se à ribalta e malhou teun te-néun té-néun, teneneneneneun back in black i hit the sack...

minto, a coisa começou uns instantes antes porque tivemos a sorte de ter tido o joe satriani a deixar-nos felizes com o surfing with the alien ou o always with me always with you.



duran duran no coliseu (2005)
vamos lá fingir que temos 13 anos e estamos em 1982, vamos?

e pronto, lá fingimos.

é que ninguém tirou os pés do chão. curiosamente em 1983 não gostávamos deles porque eram coisas de meninas. ou melhor, gostávamos mas não admitíamos.



george michael no cidade de coimbra (2007)
pronto, vamos lá, desta vez, fingir que estamos em 1984. eu nunca gostei dos wham, nem o meu género sexual me permitia gostar. eu gostei mais ou menos do faith, eu gostei muito do listen without prejudice, eu achei o older demolidor e ando ainda a aprender a ouvir melhor o patience. como disse a minha irmã «isto é uma loucura, é como estar numa discoteca gigante».
'cause you're beautiful.... flawless, absolutely flawless...



whitesnake no atlântico (2004)
eu não tinha idade nem o meu gosto musical estava para ali virado quando os whitesnake fizeram as primeiras incursões lá para o dramático de cascais - nem o meu pai me teria dado ordeca para isso. por isso até calhou bem eles terem cá vindo só neste ano. até porque assim, pude beber litros e litros de cerveja.
coverdale, um sinhuôr de caralho para cima!
i'm gonna take it to the limit of my love, before i turn and walk away...



trovante no campo pequeno (2006)

vi algumas vezes estes gajos. não sei quantas ao certo. perdi alguns concertos que não deveria ter perdido. por exemplo o de 87 no coliseu ou um outro, dois ou três anos depois, também lá nas portas de santo antão. mas recordo-me de também ter assistido a um muito bom na queima de coimbra de 89. se calhar até deveria ter escolhido precisamente esse. salvo erro foi com o jorge palma a anteceder a coisa e tudo. o do atlântico gostei pouco, um regresso daqueles merecia algo mais intimista e não um comício por timor que foi o que acabou também por suceder. este do campo pequeno calhou que nem ginjas. uma banda que me diz muito e que associo a uma dezena de coisas tão díspares como: jornal sete, coparia, dor de corno, avenida de roma (saída do metro ali do lado do luanda mas aquela a sul, quase em frente à farmácia), passagem de ano de 1988, etc...



johnnie Johnson no blues (1999)
na verdade já foi tudo dito aqui.



com estas voltas, andei ali com dúvidas e acabei por deixar para trás um do david byrne algures em 1997 ali em alcântara, o da gal costa em 1999, o do peter gabriel no rock in rio, o dos police que deveria ter sido noutro sítio (mas que foi bem bom, ok?), o do caetano em 1989 (já o vi mais um molho de vezes, mas esse foi muito à frente) o da bethânia na expo ou até o dos supertramp no atlântico. curiosamente ainda ontem estava a dar no rtp memória um concerto do rui veloso e pensei mesmo nisso, é daqueles que já vi umas vezes valentes mas há um lá para 1988 e outro lá para 1990 ou 1991 que foram muito, muito bons.

agora os 15 que quero ver e nunca vi. eh pá, isto é bem esquisito. deixa cá ver. posso pensar? não? bom, então escrito duma só penada, cá vai:
- eagles
- fleetwood mac
- black crows (já os vi, mas foi uma coisa tão ranhosa, tão ranhosa que eu dou-lhes o benefício da dúvida e abro-lhes os braços - e a carteira - outra vez)
- zz top (parece que vêm aí)
- james taylor
- joão gilberto (mesmo com o mau feitio)
- led zeppelin (há que acreditar)
- manic street preachers
- carole king
- cult
- van halen
- steve miller (se ele se dispusesse a tocar só as coisas do living in the 20th century)
- carly simon
- talk talk (há que acreditar)
- marillion a meias com o fish e o hogarth (e porque não acreditar, porra?)


pronto, está feito. e claro, não passo isto a ninguém. quem quiser pegar no teu desafio, é pá, sintam-se em casa!

brincos

gostava do tempo em que as mulheres usavam brincos.

não que seja particularmente um entusiasta desse tipo de acessórios mas é que o que se vê por aí não perecem brincos. são assim uma mistura de iscos (daqueles com insectos para a pesca) com dezenas para se rezar o terço.

(elas gostam, pronto. não há nada a fazer. nem sequer podemos dizer mal....)

life on mars




(vale uma aposta em como vou receber mais um punhado de visitas só por ter feito um post com este título?)

leio que os cientistas descobriram mais vestígios da existência de vida em marte. leio e pasmo!

não compreendo como é que as grandes nações gastam rios de dinheiro nestes inconsequentes avanços da ciência e não desviam a sua sabedoria para investigações mais pragmáticas.

sei lá, estou-me a recordar, por exemplo, que produto químico, que enzima, que bactéria, que bicho, que aminoácido ou o caralho a sete é que se instala no eventual cérebro de certas pessoas
(caso realmente existam no interior dos crânios dessa gente) que fazem, a saber:

- participar em combates de wrestling;
- assistir ao vivo, empunhando cartazes escritos a marcadores futura ou carioca, a combates de wrestling:
- incluir na sua grelha televisiva combates de wrestling;
- ser espectador de combates de wrestling.

segunda-feira, março 31, 2008

gamba



eu já vi:

- gambas al ajillo
- gambas ajillo
- gambas à ajillo
- gambas à lá ijo
- gambas ao alhinho
- gambas à alhinho
- gambas à lá alhinho
- gambas ao alhito

coisas terminadas em ito é uma coisa muito «norte» que eu adoro. nada dessas paneleirices sulistas ou urbanas do inho e do inha. ito é que é, carancho! por isso, deixem-se de coisas, aquilo que o cassiano fez chama-se portugal dos pequenitos e não dos pequeninos, gaita!

- gambas à guilho
- gambas à lá guilho
- gambas ao guilho
- gambas com alho
- gambas ao alho
- gambas ao alilhe
- gambas à la guilhe

e na sexta feira jantei num restaurante que tinha, imagine-se, gambas à laguilhe.

mais um bocado e eram gambas à liguilha que é uma palavra do futebol português, única no mundo. uma coisa muito 80'spalavra que eu acho giríssima. vejam lá, «liguilha», gira, não é? muito mais gira que play-offs, não acham?


alguma alma penada - ou peluda -, aí esses craques da linguística blogosférica, me consegue dizer como é que se chama o raio do prato gastronómico?

sexta-feira, março 28, 2008

boicotes

pergunto
- quantas pessoas sabem quem era o zátopek? algumas, espero. aos que sabem que foi um checo que desatou a ganhar medalhas de ouro nos jogos olímpicos, pergunto «quais de vós sabem em que olimpíadas isso sucedeu?»

- quantas pessoas sabem quem foi o abebe bikila? poucas, infelizmente. e se eu der a dica e disser que foi aquele maduro que venceu duas maratonas olímpicas correndo sempre descalço, já vos diz qualquer coisa, não? ainda não??? credo! bom, aos que se lembram pergunto
«quais de vós sabem em que olimpíadas isso sucedeu?»

- não vou tão longe, o antónio leitão, atleta que limpou uma medalha de bronze na légua olímpica. alguém ainda se lembra em que jogos isso sucedeu?

mais perguntas:
- terá já havido algum desportista que tenha ameaçado um boicote, sei lá, à participação da frança, por exemplo, no g8?

então porque carga de água andarão os não desportistas a cagar postas de pescada em assuntos que dizem respeito ao pessoal que vai lá para ver se consegue sacar umas medalhas?

(eu quero imaginar a cara duma ginasta qualquer, que andou meses e meses a acordar às tantas da madrugada para conseguir um lugar lá nos jogos e que, à última hora, vem alguém, um político qualquer, dizer-lhe que «não senhora, deixa lá isso, a estes jogos tu não vais»)

acreditem, não é com boicotes a jogos olímpicos que o darfur vai passar a ter paz e muito menos o tibete terá uma autonomiazeca.

os menos recordados lembrem-se do seguinte, boicotes houve em muitos jogos olímpicos. aos de moscovo, por protesto contra a cena do afeganistão, não foram um porradão de países e muitos não desfilaram na abertura ou competiram sob bandeira olímpica. acreditem, não foi por isso que o misha não deixou de chorar.



shine a light




o martinho filmou, os pedragulhos brilharam, o bâdi tocou, a questina roçou, o guilherme falou e até o joãozinho malhou.

ahh, eu quero ir ao cinema.

nos dias que correm, nem queiram saber a emoção que isto é.

xaine a láite
? eu vou!


quinta-feira, março 27, 2008

conversas parvas

ela diz:
posso convidar filipa para jantar no sabado?
Pedro Jaime diz:
e depois vamos ao 2001?
ela diz:
e a filha?
Pedro Jaime diz:
posso pedir aos senhores lá da cabine de som para porem as winx lá no telão a bombar
ela diz:
é uma hipotese
Pedro Jaime diz:
é "a" hipótese!
ela diz:
bom - mas posso convidar ou não?
Pedro Jaime diz:
pronto, já vi que tenho de ir sozinho, é isso?
sofia diz:
essa parte logo se vê

Pedro Jaime diz:
mau....

naifezinho

tenho medo de pedir ao senhor dos totolotos que seja ele a verificar se o meu bilhete do euromilhões está premiado ou não. não porque ele tenha cara de mau, nada disso. simplesmente porque sou naif e ingénuo suficiente para ainda acreditar que o senhor um dia se virará para mim, dizendo, com um ar admirado e de gozo:

- ena, ena, 27 milhões de euros. nada mau, hein?

é acreditando nisso, confesso, tenho medo de apanhar uma rabanada do vergonha por não saber com que cara hei-de enfrentar depois o senhor.

(há gente muito parva, não há?)


desfazer ou fazer?


ontem, já deitada, quando me chamou para aquele aconchego final «paiiiii, quero miminhos.», passou as mãos pela minha cara e disse:

- vai tirar esses picos.
- agora?
- sim!

não fui «agora». fui, hoje de manhã.

sei lá, uns sete ou oito meses depois de ter feito a última vez.

sinto-me nu.

terça-feira, março 25, 2008

entretanto

a minha filha continua a dizer que está grávida, que tem uma bebé na barriga e que também se vai chamar martucha.

- a martucha já nasceu, filha.
- agora só falta a minha. nasce depois, mãezita!