terça-feira, julho 07, 2009

intervalo grande

se eu tivesse que responder, com sinceridade, àquelas incansáveis provocações que nos fazem quando chegamos aos entas

nada muito diferente das que nos fizeram quando desatámos a
trintar por aí fora

aquelas coisas do «e então, como é ter quarenta anos?» eu diria que ter quarenta anos é ter patine na saudade.

assim como os prédios da almirante reis sempre tiveram patine

noutro dia reparei que os das avenidas novas, agora que nos aproximamos a correr do fim desta década do novo milénio, começam a ter também patine de boa casta nos alçados frontais


também nós olhamos para as nossas saudades mais remotas, com aquela coisa boa de lá encontrar paredes com vestígios de mais de vinte anos, assim como as paredes com camadas sucessivas de cartazes das festas do avante ou dos concertos de apoio à libertação do povo oprimido pelo general noriega.


se aos trinta eu verificava que aconteciam com bastante frequência frases iniciadas com as palavras «lembro-me, há vinte anos...», aos quarenta, tenho a felicidade de reencontrar pessoas que não via há pelo menos, os tais referidos «há vinte anos».

e sucedem-me com uma velocidade estonteante esses reencontros: há dois anos foi a fantástica reunião de colegas duma muito gira turma do meu rainha dona leonor; há uns meses marcou-me muito um valente simpósio gastronómico em casa da minha única prima carnal

gosto muito de dizer «primos
carnais»

aqui do meu lado jaime, a «tal» prima que todos nós tivemos, temos e teremos;

gosto tanto de tua pinta, pá!
;

no meu 40º aniversário recebo um telefonema duma ovelha transviada que abandonou há uns 18 anos um rebanho muito porreiro; desde há uns dois anos, ou coisa que o valha que me ando a empanturrar com valentes comezainas nuns encontros muito aprazíveis

não penses que os caracóis de ontem fazem esquecer o leitão. e aviso já que não te armes em caçador gabirú, a apanhar estorninhos com pescoceiras armadas lá no terreno para nos servires passarinhos com arroz. estou para aqui a falar e se calhar nem sabes o que são pescoceiras. nahhh, deves saber!

com gente da velha, velha, velha guarda; há uns meses foi uma mana que esteve guardada uns oito anos, precisamente para me saberem melhor uns reencontros valentes, acontecidos já neste ano que andamos a percorrer; são histórias atrás de histórias.

e se o facebook (ou o hi5 ou o raio que o parta) é o novo suplemento dos classificados com anúncios a reencontros do batalhão de combatentes destacados no uige de 1968 a 1972, então juntemo-nos ao facebook que não vem daí mal nenhum ao mundo.

e eu ando para aqui a engonhar, com este texto nitidamente de «ir ao cu» e nunca mais chego ao que interessa.

falei ali atrasado numa turma do meu querido rainha dona leonor. foi uma turma criada ali por volta de 1986/87 ou coisa que o valha, gente já com bigode rijo e tal, pessoal que já tinha arrumado os lusíadas - cheios de desenhos grafitados de adamastores com palas à pirata e bigodinhos hitlerianos - na prateleira mais alta e andava agora na livraria da fundação gulbenkian, lá na cave, armados em finos e carapaus de corrida, feitos parvos a comprar o pesadíssimo jansen. mas tinha mesmo que ser comprado...

pois, agora falo-vos de uns cromos mais difíceis.

começaram timidamente; este adicionou aquele, que descobriu depois aqueloutro e mais não sei o quê e quando demos por ela, estavam umas pessoas que já não se viam há uns vinte e tal anos a coleccionar almoços à sexta-feira.

e desses almoços de 48 minutos cada, partimos para o patamar da jantarada.

mas aqui já é preciso sorte. da mesma forma que havia sempre um tanso que tinha mais lata e paciência para os aspectos logístico-escolares e que apanhava com o frete de ser o delegado de turma, também aqui há uns (e umas. calma, não atirem pedras) que fazem os favor de nos oferecerem de presente: folhas de excell com relações de alunos, contactos telefónicos, messengers... e que marcam mesas em restaurantes, organizam contas, falam com empregados de mesa e coisas assim.

depois há gente, nitidamente mais parva (não tens outro nome, meu querido engenheiro) que enfia em sua casa, uma dúzia de bêbados e barulhentos cotas, carregados de paletes de cerveja, sacos de gelo e uns cd, para evitar que os plateaus desta vida ganhem uns trocos com um bando de cantores de karaoke.

este post, como a maioria das coisas deste blog, é obviamente escrito com um (uns) destinatário(s) na parte da frente do envelope.

é assim mesmo!




madrugada de domingo, no regresso a casa, transportando comigo muita emoção boa, uma valente cólica renal e um ensonado advogado, comentava com este último, como é bom ter andado na escola com pessoas tão diferentes que chegam, depois, aos quarenta e ãs, comportando-se duma forma tão homogénea e pateta. como é bom ver chegar à nossa beira, esta ou aquela pessoa que já não vemos há tantos anos, darmos um abraço, soltarmo-nos num repente e disparando para o outro um «vais tu ou vou eu pedir duas tulipas ali ao balcão?» assim, como quem diz «vai-me ali à mirita do bar e tira-me uma senha para um bolo de arroz, enquanto vou num instante ao wc passar o meu kispo por água, que o cabrão do augusto mandou-me com um torrão de terra com tanta força que até parecia que me partia o ilíaco.»

não me apetece (se calhar até apetece) estar para aqui a reflectir muito sobre a noite de sábado. sei é que fiquei com a sensação que tinha estado de novo, num dos intervalos da escola. no grande, no de quinze minutos. é isso, para mim, aquilo foi o intervalo grande.

e eu espero que a minha filha nunca nunca leia esta parte - tenho a certeza que se está cagando e andando para isto - mas para a sua formação mais lá de dentro da ialma preocupa-me mais que ela chegue aos 35 ou 40 anos com o espírito de saudade e reencontro que o pai e os seus amigos de escola têm, do que ter passado os anos todos, cheia de: boas notas, irrepreensíveis comportamentos disciplinares ou folhas de avaliação pejadas de «assíduo e pontual»

(gostava de ter exagerado com o que escrevi nesta última parte, mas estou ainda tão emocionado com aquilo tudo de sábado que por enquanto é assim que fica.)

dê, dê, dêdêredê
dê, dê, dêdêredê
dê, dê...




(só deus sabe porque carga de água, onde está a maria, está um bando de gajos todos augados à volta.)

quinta-feira, julho 02, 2009

roy orbison singing for the lonely

quem cresceu sob o livro de horas do thunder road, sabe que haveremos sempre de imaginar os lonely a receberem cânticos do roy orbison.

e se já não tínhamos idade para ouvir as coisas do roy orbison, também ainda não a tínhamos para encaixá-las noutros momentos da nossa vida. provavelmente, já nem sentido faria até, convocá-las, precisamente para serem bandas sonoras do que quer que seja da nossa vida.

mas por outro lado fazia sentido que naquele filme em que a screen door slams, e em que como numa visão ela dança ali sob o alpendre ao som do roy orbison. não éramos apreciadores da sua música mas respeitávamo-lo porque os que amávamos gostavam da música dele.

alguras no final da década de oitenta, o t-bone burnett, decidiu reunir um bando de compinchas e pô-los a trabalhar para o roy orbison. chamaram-lhe a esse evento «a black and white night». estão lá todos os que eram preciso estar para homenagearem o grande roy. dentre eles destaco obviamente a bonnie raitt, uma moça, justamente (por mim) considerada o melhor malho do rock and roll. bom, mas não estou para me maçar em vos contar o que por lá aconteceu. simplesmente gosto e é bonito ver alguns dos «donos de palco», recuarem dois ou três passos e baixarem um pouco o volume da voz, para a festa resultar melhor.

trago aqui este dream baby porque... ora, porque escolhi uma em que o springsteen (braço direito lá do roy neste concerto) faz um valente papelão.

eu imagino como é que ele se estaria a sentir nesta noite.

muita atenção ao que acontece durante os sete segundos a partir dos 3:00 minutos!

(é um dos 3 melhores dvd da minha humilde colecção)

respeito!



quarta-feira, julho 01, 2009

igordutes!

fico a pensar, seriamente, no que que de grave se terá passado em criança, com os adultos que preferem iogurtes natuarais aos de frutas.

seca de morte (passe a expressão, por favor)

depois (depois uma ova, durante!) da seca que tenho andado a apanhar com a morte do máááááááíchaaaaaaaaaaaaellll, peço encarecidamente a deus que madonna, o thom yorke ou o chris martin, não morram nos próximos tempos.

porém, solicito, por exemplo, ainda ao tal referido deus, que faça o favor de re-matar, sei lá, por exemplo, o marc bolan.


segunda-feira, junho 29, 2009

russo

ainda com a cabeça naquelas três seguidas - assim, sem tirar - só o senhor (63 anos, atenção!), a guitarra e o povo:

two silhouettes, woman like you, in the night.

(houve mais, é certo. mas estas três, assim, da forma que foi. com tanto grito, tanta memória, e tanto dois(mil e um!) assim junto.

para (não) contar aos netos porque eles (não) vão entender (nada) isto!


sexta-feira, junho 26, 2009

whenever i get this way, i just don't know what to say

e ali taco a taco com o golden slumbers para o título mundial de "cantiga pequena demais", temos agora esta bizarre love triangle.

esqueçamos a versão original, a chamada peça de fábrica, que não é para aqui chamada. é coisa doutra fibra, é coisa do tempo em que havia luzes psicadélicas, do tempo do pré-strobe.

debruçemo-nos (assim com os bruços todos) antes nesta versão dos frente (frente, bruços, isto está tudo ligado).

coisa mai linda.

pela vossa saudinha, dediquem os vossos ouvidinhos a esta versão e concordai (nem que seja um gentil e silencioso abanar de cabeça «sim, senhor, o miúdo tem razão») comigo que esta dos frente é pequenina demais.

eu por mim, era como no slumbers: repetia-se as estrofes mais duas ou três vezes.

mas lá está, quem sou eu?


ai, fosse eu o george martin e outro galo cantaria

sou francamente contra o facto do golden slumbers estar coladinho ao carry that weight, lá no estrada da abadia.

obviamente, já me estou cagando e marimbando por outro facto também ocorrido lá na mesma estrada. falo do the end estar preso ao referido carry that weight.

mas voltemos ao mesmo golden slumbers. é gosto tanto dela, do piano - estranhamente até gosto dos violinos e tal - do paul, de tudo!

mas caramba, é tão pequenina, pá!

fosse eu o jorge martins lá da produção da émái e a coisa piava doutra forma:
- pxé, meninos, vamos lá a parar com esta fantochada. menino paulinho, menino joão, já ali para o canto escrever mais duas ou três estrofesitas para o raio da canção. ou então, decidam-se, cantam repetidamente por mais duas vezes as que já estão escritas. agora colar isto à fanfarra do carry that weight é que não! entendidos?
- ok george!


salve ó rei da pop...

... os rabinhos e as mãozinhas dos meninos descansam agora em paz.



(música com título deveras sugestivo)

morreu a rainha da pop pop

quinta-feira, junho 25, 2009

mitos urbanos

é oficial: o eduardo da conquilha, consegue ter piores empregados que a portugália (arroios).

(e não me fodam, já lá vai o tempo em que se comia lá bem. é melhor o mito que o rito.)


quarta-feira, junho 24, 2009

steppin' out

é daquelas que têm aquele ritmo especial, aquele pedal que eu adoro, e que tanbém encontro no keep passing the open windows ou no breakthrough.

mas eu não gosto nada do breakthrough e o keep passing the open windows não é para aqui chamado.

esta é daquelas que mereceu ser ouvidas num descapotável, altos berros e com o vento a bater-nos nas trombas.

(por outro lado, num descapotável o som não é tão bom)

e eu adoro esta canção. recorda-me estranhamente um cliente, num emprego que tinha quando andava na faculdade (ó luis, recorda-me o miguel e a sofia taveira, imagina lá tu).

eu acho que só hoje, já a ouvi umas 9 vezes, assim, seguidinhas, sem tirar a tolinha, nem nada!

steppin' out into the night
into the light....






só p'ra dizer

era domingo, estava um calor do catano e acordámos às tantas.

o comando da aparelhagem tinha lá um botão dos pequeninos com uma setinha. ela lá carregou no dito cujo. aosdespois, dumas caixas com uns altofalantes, saíram uns sons e uma senhora começou a cantar.

a moça que havia carregado no botão lá do comando ia cantando ao mesmo tempo que a senhora dos altofalantes também cantava.

e depois.... bom..... depois fomos almoçar um peixinho ao gonçalves.

(faz hoje anos)

sexta-feira, junho 05, 2009

sabes que começou no a - ah ah ah! e a seguir vem o e - eh eh eh, inteligente é com o i...

recebo via mail as fotos das mamas da ana malhoa na playboy.

fizeram-me recordar o 11 de setembro e as obras lá da minha casa.

primeiro porque têm o formato daquele prédio que levou com uma cena qualquer esquisita em cima. sim, têm um formato pentagonal.

e depois porque até os meus pedreiros (dou o contacto caso queiram) faziam obras (refiro-me aos tetos) melhores que aquelas.

duas notinhas mais:

1) aquilo já vai no número 3 e continua a não haver grelo à vista. confirmem-me as mulheres que lêem isto, é suposto vocês terem vagina, não é? é que isto começa a ser francamente estranho. temo que um brasileiro abra, sem querer - ou mesmo querendo -, uma playboy portuguesa na esperança de vir encontrar mulheres ainda com buço e acaba por ver que as mulheres portuguesas nascem sem genitais. é que aquilo está de tal forma escondido (ou photoshopado) que nem grelo, nem fresta, nem nada. nicles. vêem-se a bilha e as mamas e já é um pau!

2) meu caro zé malhoa, não te zangues comigo. sei que és alheio àquela cena das mamas pentagonais.

odeio agrafes

(isto é francamente a sério)

sou completamente contra o uso indevido e gratuito dos agrafos. por tudo e por nada se agrafam coisas.

folhas que se sabe só irão ficar juntas durante três horas, tunga, agrafe nelas.
folhas que se sabe teremos que as separar para fotocopiar ou assim, tunga, agrafe nelas.
...

não entendo, não respeito esse pensamento tosco que é esta vontade de furar o pobre e sofredor papel que sem ter encomendado nada leva com dois buracos no cantinho. isto claro, quando se lembram de agrafar no cantinho. muitas vezes, dão-lhe com o agrafo ali, no meio, mesmo para fornicar e impedir a correcta abertura das páginas.

e quando agrafam na diagonal? ai que irritação!!!!!!! será que nunca ninguém verificou que a ideia é aquilo servir como lombada? já repararam que os senhores livreiros nunca colocam as lombadas no canto superior esquerdo mas sim, ali, na parte lateral toda? então porque raio se agrafam as coisas na diagonal? ai, a velhota de administração e comércio do nono ano é que deve andar a dar voltas no caixão. bem, não deve dar muitas porque ela era roliça e, na certa, não haveria muito espaço para cambalhotas.

comparo uso dos agrafes ao uso abusivo do telefone, do telemóvel, do mail, do messenger, do tuiter (sei lá bem como é que isso se escreve), do face, do hi5, desta trampa toda!

o problema é que o agrafe já tem umas pelas dezenas de anos e continuam ali, clac, clac, clac a abusar dele!

morte ao agrafe, viva o clip!

terça-feira, maio 26, 2009

depois admirem-se

uma menina de 3 anos, envergando unicamente uma t-shirt e uma fralda, foi encontrada a vaguear sozinha pelas ruas de faro.

o resto do país comenta, noticia, preocupa-se e faz posts sobre uma coisa estranha* que aconteceu entre dois licenciados em direito num telejornal da tvi.

está bem!

*não me ocorre mais palavra nenhuma para caracterizar o que ali sucedeu.

segunda-feira, maio 25, 2009

you tube na idade da pedra

eu gostava muito de ter no youtube, por mais ranhoso que fosse:

- um video do falling da j. geils band,
- um video do phill lynnot a cantar o sarah,
- um video do crazy rhythm pelo tony bennett

haveria mais. mas por hoje já animava.

senses working overtime

and all the world is buiscuit-shaped!


quinta-feira, maio 21, 2009

vodka, loucura e morte

nalguns círculos a história é por demais conhecida. noutros nem por isso. por ser hoje o dia que é, a pedido de várias famílias, cá estou eu a divulgar a coisa. meninos e meninas pequenininhas, vão para dentro, não leiam. pai, mãe, vós sabeis que eu sempre fui um valente aldrabão, não acreditem nisto por favor.

o luís estava prestes a fazer anos e
há já alguns dias andava a congeminar com o rui a realização do evento. no dia festivo, terminadas as aulas matinais, lá fomos os três, avenida de roma abaixo, até à charcutaria que havia (ainda há?) ali para os lados do hotel roma, antes da nanni strada.

com o ar mais machão e adulto que os nossos dezasseis anos podiam evidenciar, atacámos o charcuteiro:

- isto, a níbel de vodka, acha que é melhor o eristoff ou o smirnoff?
enquanto esfregava com um pano as maçãs expostas nas caixas da entrada, tirando delas o mais forte brilho que a casca pudesse dar, o senhor respondeu sem olhar para nós:
- smirnoff.

entreolhámo-nos os três e o aniversariante sentenciou:
- então é uma garrafa de smirnoff... (silêncio) ...e já agora duas garrafas de litro de tri-naranjus... (silêncio) ...e se tiver frescas ainda melhor.
- e se tiver uma garrafa vazia de água, daquelas grandes, também agradeço.

continuou a lustrar as maçãs e avisou:
- as garrafas de trinaranjus só saem com depósito.
- ahhh, nós pagamos. e prometemos que
aosdespois as vimos cá trazer!

excitadíssimos, subimos a avenida de roma em direcção aos relvados da estados unidos, não para jogar mais uma jogatana mas, desta vez, para uma celebração etílica.

feitas as devidas misturas na garrafa vazia de água, toca a acompanhar algumas das sandes que tínhamos connosco, com valentes (deci)litradas de vodka laranja.

a medo, também eu experimentei: - eh pá mas então é só isto? isto afinal não custa nada. e é docinho e tudo, caramba!

e toca a emborcar.

que maravilha!

minutos mais tarde, também a cristina, que morava relativamente perto, juntou-se à festa e deu connosco uns goles.

jóinha!

estava tudo ali na maior. tudo ainda dentro da maior lucidez. afinal aquilo não custava nada!

aproximava-se as 13 horas e aqui o bom do pedro ficou incumbido de fazer regressar as garrafas à charcutaria e receber o dinheiro do vasilhame. tranquilo. lá foi o rapaz.

e aqui é que começa realmente o filme. no regresso, ali pelos lados da sinfonia começa-se a ver que afinal a bebida parecia o vinho da marinha. aquilo começou a emarinhar-se por ali acima e a cabeça, ali pelos lados do café luanda, já estava com os platinados todos marados.

quando cheguei ao nosso rainha, no pátio junto do bufete, estava um pequeno caos com alguns dos companheiros de ritual já meio mandados abaixo, resultado daquele combate contra as garrafitas.

a primeira aula da tarde era de geografia. a professora era uma gaja nova, minorquinha, madeirense, de franjinha, com um aspecto assim, meio militante do chapitô. era uma bacana.

numa das filas, sentou-se na frente o , seguido por mim, o rui e o luís. assim, bonitinhos.

a aula, para variar, estava num alvoroço do caneco. todo o povo a falar, todo o povo levantado e a professora, coitada, a tentar explicar onde ficavam aqueles países africanos com nomes esquisitos.

a fila terrível, estava a ser comandada pelo . ele, segurava as rédeas daqueles outros três, que por aquela altura deviam já ter mais álcool que sangue dentro das veias. e desata o a iniciar uns movimentos de break dance prontamente imitados pelo trio de bêbados que se sentavam atrás dele. ou era um simples levantar de braço, assim a imitar o movimento duma cobra com um estalo de ombro a passar o movimento para o parceiro de trás ou era outra coisa qualquer que os outros copiavam, quase como as coreografias dos filmes da esther williams. no fundo aquilo era arte!

mas a desgraça estava a chegar. quando a professora exige que achandremos os cavais, mandando o para o fim da fila, decido eu avançar uma casa como no jogo da glória. deu-se a morte do artista: foi ver eu a levantar-me e um valente jacto de greg espalhar-se ali desde o estrado até ao quadro.

tudo de boca aberta num espanto do caraças, silêncio total. os olhos dos colegas na professora e em mim e às tantas há uma pessoa que se levanta, pega em mim, aponta o dedo à professora e diz-lhe: mande chamar uma empregada que limpe esta gaita. deixe o miúdo comigo.

a pessoa em questão era o augusto.

abro aqui um parêntesis para explicar do que realmente falamos quando falamos do augusto. o augusto tinha mais um ou dois anos que nós mas era cerca de 50 centímetros mais alto e 50 quilos (mínimo) mais pesado. era o gordo da turma. morava nos coruchéus, estava na nossa turma desde o início e costumava vangloriar-se que à noite, lá no bairro dele, andava sempre com uns gangs que eram uns terrores. assim, pela boca dele, aos 13 anos já tinham destruído com correntes, dezenas de pára-brisas; já tinha visto morrer, eventualmente nos seus braços, milhares de companheiros de rua que tinham sucumbido vergados pelo peso da droga e
já não tinha conta as pessoas lá do seu gang que estavam presas pelos delitos cometidos. limpava as lentes dos óculos com notas de vinte «ó puto, isto é o melhor para se limpar!», amava filmes de guerra «no ano do apocalipse now, mais nenhum filme ganhou óscares. foram todos para o apocalipse now. aliás, foi com esse filme e com o oficial e cavalheiro» e tinha uma perdição pelo monte cassino.

bom adiante.

a verdade é que tal como um soldado tira um camarada do teatro das operações, também o augusto decide pegar em mim, assim de lado como quem carrega um tronco debaixo do braço, entrando comigo no wc das miúdas «sai toda gente que eu trago aqui uma pessoa em coma!», enfia-me a cabeça numa sanita e desata a vociferar frases moralista-abarco depreciativas:

- vomita cabrão, vomita! deita tudo cá para fora, meu cabrão!

ou

- eu estou aqui a assistir ao começo do teu fim. sim, isto é o começo da tua morte.

ou

- ... e a seguir a isto - vomita, meu cabrão! - vem a droga. vi milhares como tu a morrer no meu bairro. vomita meu cabrão!

e mesmo que eu, pendurado de cabeça para baixo como são paulo, gritasse «ó auguuuuusto, não sai mais», ele nada fazia. continuava a gritar e a abanar-me fazendo de mim, da minha cara e cabelo uma real imitação daqueles cães boxers que preenchem o focinho com litros de baba.

visivelmente nervoso, o augusto deposita-me num dos bancos do pátio, rouba-me um cigarro, - assim como quem recebe um subsídio por despesas de representação - que acende e fuma enquanto que uma contínua (uma querida) se agacha e me pergunta:

- vomitaste?
- ssssssssssssssiiiiiiiimmmmm. - um sim dito quase a morrer.
- bebeste algum sumo?
- ssssssssssssssiiiiiiiimmmmm...
- pois, se calhar estava fresco e parou-te a digestão, coitadinho.

e o augusto abanava repetidamente a cabeça como quem diz «pois, pois, agora foi o suminho»

e mais uma viagem com o augusto, desta vez até ao bufete, para me obrigar a beber um café sem açucar. abre-me a carteira, saca dinheiro para pagar dois cafés (lá está a tal história das despesas de representação) e pede um café para ele e outro para mim, obrigando-me a beber o café frio e sem açucar enquanto fumava mais um dos meus cigarros:

- faz-te melhor assim. aguenta meu cabrão!

bom, a verdade é que depois tivemos um providencial furo de duas horas por causa da falta da professora de contabilidade e fomos, já num bando maior, novamente para o relvado da estados unidos da américa, ressacar os três meninos bêbados como um cacho, enquanto que outros colegas tentavam demover o augusto a levar-me para casa:

- ó pá, não vês que depois os pais dele descobrem?
- é bom que descubram. quer os pais do jaime, quer os do luis e os do rui. eles daqui a seis meses estão arrumados e já metidos na droga. isto é o início do fim!

conseguiram convencê-lo. seguiram-se mais umas cenas deprimentes num café da rio de janeiro. outras mais serenas lá nos relvados mas no fim ninguém morreu.

um deles, o luís, faz hoje 40 anos.

esta história aconteceu há 24.

que me lembre, eu nunca mais toquei em vodka.

(parabéns, cabral!)

quarta-feira, maio 20, 2009

i was born to be with you in this space and time

eu um dia venho aqui explicar porque é que eu acho que o no line on the horizon é assim uma espécie de tusk ou de exile on the main street.

(isto, não parecendo, é um elogio)

quem sabe, quem sabe.
..

segunda-feira, maio 18, 2009

surfistas

como não existiam ipods, como não havia arjã para o comprar caso houvesse, como não havia pleisteixãns, como não havia uii's, como não havia nada, algures em meados dos oitenta, pedi ao meu pai para me fazer um placard.

ora, estranhamente, o meu pai até concordou com a coisa. e assim, lá fomos os dois, até à estância da azinhaga do carrascal comprar uma grande placa de esferovite. em casa encontrámos duas ripas - nem queiram saber a tralha que aquela casa conseguia acolher - que serviram para sustentá-la e segurá-la na parede. e pronto, roubadas duas ou três dúzias de alfinetes lá da caixinha minha mãe, estava tudo ôpuã para lá serem colocadas as tralhas que eu bem entendesse.

se a memória não me falha a primeira vez que eu estive perante um placard foi em casa do colega que morava ali para os lados da gama barros. no seu quarto tinha um placard enorme, em cortiça, repleto de coisas relacionadas com o espaço. uma maravilha: foguetões, planetas, estrelinhas... coisas dessas. e até tinha um daqueles emblemas de coser no kispo, com o símbolo da nasa, que o pai lhe tinha trazido da américa.

gosto muito de dizer américa. estados unidos é farsola. américa tem outra cartonância, não me lixem!

e assim, no meu placard, não havia coisas das naves, mas por lá tiveram expostos: postais com autógrafos do carlos lopes, desenhos, bilhetes de cinema, fotografias, bilhetinhos escritos à mão... e por aí fora.

neste fim-de-semana, ao rever fotografias antigas, em casa de velhos amigos, olhei para um um cartoon que o dono da casa habitualmente fazia nos seus cadernos. aquele que eu vi no sábado, salvo erro, tinha sido oferecido à sua namorada e, imagine-se, passados 25 anos

há histórias curiosas e bonitas

sua actual mulher.

ver aquele desenho fez-me tlin tlin aqui numas coisas que eu cá tenho dentro

não, não foram essas que estão a pensar

e fiquei «ihhhhhhhhhh, os desenhos dos surfistas! há c'anos que não via um.» e sem querer, recuei para a mesma época em que, na verdade, já me encontrava ao rever aquelas fotos mas num local diferente: no meu quarto, a colocar o desenho no placard.



obviamente que gostei muito. podia falar mais coisas sobre esta noite de sábado. (in)felizmente a descrição e a dificuldade de encontrar engenho para transportar para aqui as coisas que fui sentindo enquanto as horas decorriam são um remédio santo. foi muito muito bom e não só pelas razões óbvias. contudo, aprendi uma coisa: na dúvida, é sempre melhor levar duas (ou três!) garrafas de vinho (quem diz três diz quatro!) do que andar ali «ó tio, ó tio» a dividir gotas de tintol de copo em copo. o próximo, meus amigos, será no meu chalet.

quinta-feira, maio 14, 2009

células

definitivamente:

tenho que telefonar lá para os senhores da crioestaminal, a saber se eles têm maneira de fazer um enxerto lá das células criminais ou lá o camandro, para ver se expulsam o cabrão do mau feitio da cachola da miúda.

(fónix!)

terça-feira, maio 12, 2009

cebolices!

nos festejos do campeonato, havia um jogador que se passeava com a bandeira dum outro clube. aliás, esse mesmo jogador (que marcou o golo do campeonato) anda com o emblema tatuado na sua perna.

não gostei de ver essa bandeira, misturada com a realeza!

segunda-feira, maio 04, 2009

cremalheiras

apesar de domingo, apesar de muito calor e sol a dizer-me «vem para a prainha, meu lindo, vem», apesar duma filhadaputadaalergiaquenãomelargaocabrãodoscornos daquelas oldschool, apesar de me sentir completamente febril... meti-me na feira do livro.

caneco, não me lixem, é ou não é uma coisa de cultura, pá? eu até já vejo, com gosto, documentários do toulouse-letrec da dois, mesmo sabendo que não espero nenhum jogo entre ou toulouse e o letrec...

bom, culturalmente falando - volto a dizer que sou um ferveroso observador do mundo das letras e não sei mais o quê - gostava de saber porque razão têm os escritores dentes em tão más condições?

pronto, era só isto.

quinta-feira, abril 30, 2009

crazy radio



já não é a primeira vez que fico a pensar na relação entre os malucos e as telefonias.

não me refiro a autistas, a deficientes, a doidos, nada dessas coisas. refiro-me mesmo a malucos. gente do júlio de matos, do miguel bombarda e outros que de lá fugiram ou que para lá nunca foram.

aqui onde moro há uma velhota que não joga com o baralho todo (julgo que não tem os ases, os ternos e, das figuras, falta-lhe as damas) que passa os dias de rádio na mão a ouvir de tudo um pouco. costuma estar à porta do supermercado a lamentar a vida enquanto ouve a antena 1, mas já a apanhei sentada na paragem a ouvir o markl e muitas das vezes fica apenas a ouvir estática. agora que já não tenho idade para dizer em voz alta "ó maluuuuuca", fico com vontade de ir ao supermercado comprar-lhe dois pares de pilhas das pequenas, colocá-las lá no transístor e sintonizar-lhe aquilo, assim pianinho, porque o raio do screrrhjgjghstss faz-me uma impressão dos diabos e altera-me a localização dos órgãos do abdómen, quando ali vou meter o boletim do euro-milhões.

mas isto é agora que sou menino fino e moro na linha. quando tinha mais juízo e era gajo do bairro, o meu contacto, mesmo que de passagem, com estes malucos radiofónicos era maior.

1) o blé, filho do cigano sebastião, andava sempre, mas sempre, com um rádio na mão em altos berros. é famosa a história que ele viveu quando foi ter a aveiro de comboio e o tiveram que ir lá buscar, coitado.

recordo um dia, já nos anos noventa, quando ele entrou no 30 que estava estacionado na zona a aguardar a hora da partida. pagou o seu bilhete, sentou-se junto do motorista e, uns segundo depois, exigiu-lhe que ele baixasse o som do rádio:
- queres que baixe o rádio, é?
- quedu!!
- está bom?
- mais.
- assim?
- mais um bocado.
- ...
- está bom?

deve ter sido daqueles dias em que, além de se ter esquecido do seu rádio, estava seguramente doente e cheio de dores de cabeça.

paciência.

2) o chalana é das figuras mais carismáticas do defunto casal do pinto. além de lhe faltarem umas peças da mona ainda por cima tem ali um problema físico que o obriga a arrastar uma perna sempre que caminha. nenhuma dessas deficiências o impediu, gerações atrás de gerações, de servir de "segurança" ou amparo para as crianças que iam para a escola 28/40. quem diz 28/40 diz mesmo a secundária das olaias ou até a cesário verde. desse lá por onde desse, onde houvesse crianças lá estava o bom do chalana, poupa elvisiana, olho claro e olhar distante, com um olho na carícia e outro no oculista - isto do ponto de vista de quem está estacionado no zé dos frangos -, sempre a defender a criançada de algum eventual perigo.

adivinhem? sim, um dos seus logótipos era um transístor a pilhas, empunhado no topo do braço erguido, sintonizado em selecções musicais de alto gabarito e sempre com o volume em altos berros. por outro lado, compensava este lado mais tacanho do uso público da telefonia, usando um blaser, clássico, com duas rachas atrás.

uma maravilha.

3) o luís maluco era um gajo que não fazia mal a ninguém. tinha aquele ar de mitra sempre de cabelo curto que lhe dava um ar de vilão ubzeque dum filme do 007. a sua loucura era não só visível como também audível a largos metros de distância, pois tinha por hábito andar quase sempre em velocidade muito acelerada, com as duas mãos presas num fictício guiador ao mesmo tempo que da sua boca saía, não só muita baba que depois secava e se alojava em redor dos lábios, mas também uma imitação perfeita duma zünder und apparatebaugesellschaft - zündapp para os amigos - que entoava em longos raides desde o mercado de arroios até às redondezas da nossa capitão roby.

certo dia, vi-o atravessar a morais soares sem parar, vindo largado da heróis de quionga e seguindo pela edite cavel, parando bruscamente naquela casa de brinquedos (sócio, como é que se chamava essa loja? trenzinho? loja do pai natal? era assim uma coisa que já não me recordo. ajuda-me lá.) a fim de observar deleitado a montra.

- então, luís, vais comprar uma pista de carros?
- não, não preciso. estava a ver se havia aqui pilhas para este meu rádio.
- já estão gastas?
- não, mas posso precisar quando estas acabarem.

(e o maluco é ele, não é?)

ligou o rádio, encostou-o à orelha e seguiu pela carvalho araújo adiante, guiando apenas com uma mão no fictício guiador maaaaaaaaaaaa, na, na, na, nahaaaahhhhhhh.....

3) o calota tinha aquele ar de bandolero mexicano, com as suas botas texanas de cano alto, blusão de veludo cotlê e um cinto de couro com uma fivelona enoooorme, metálica, em forma de cabeça de leão.

era um daqueles ciganos, digamos, mais pacíficos. sempre calado, olhar distante, um metro e sessenta e quatro de serenidade.

não posso dizer que era, digamos, maluco como o blé ou o chalana. tinha contudo as suas doideiras.

incluo-o aqui porque também o cheguei a ver com o seu auricular ligado a uma telefonia.

certo dia correu lá no bairro que o calota (é calita ou é calota, pessoal? deu-me agora um flash e confesso que estou com a travadinha. vão ali aos comentários validar-me a resposta, sim?) tinha feito das suas:

- o calota? mas o calota não faz mal a ninguém.

pois, isso é o que se diz. porém, daquela vez ele decidiu alargar os seus horizontes e meteu-se a descobrir outros locais: rua larga (a rotunda das olaias ainda era um mero projecto), barão de sabrosa, azinhaga da fonte do louro.... areeiro, gago coutinho... e, eh pá, tu queres ver que.... está ali uma janela aberta.

e estava mesmo. numa daquelas vivendas que existem na gago coutinho - que em tempos foram propriedade de famílias vintage, antes das crises dos finais do milénio as terem destinado a sedes de empresas - o bom do calota viu uma janela aberta. ora deixa cá ver o que é que acontece se eu saltar o a vedação do jardim e for ali espreitar à janela? e o calota lá foi. e espreitou. e colocou o seu pé direito sobre a cercadura de lioz, deu um impulso e foi um balanço tão grande que só terminou quando, duas horas mais tarde, a dona da mansão chegou a casa e viu o pobre do calota enfiado a dormir dentro do vale dos lençóis.

e num ápice, está o calota expulso de casa da grã-fina. julgo que nem a polícia chegou a ser alertada porque o pobre cigano apenas usufruiu das comodidades da realeza sem ter verificado existir ali oportunidades de alargar o seu património - quem sabe uma nova fivela para o seu exuberante cinto de couro texano -.

e calota regressa à barraca da sua picheleira natal.

à noite, na porta da cervejaria do príncipe careca:
- calota desliga lá a telefonia e conta-nos. entraste para uma casa duns ricos lá na avenida do aeroporto?
- a janela estava aberta...
- e enfiaste-te na cama lá dos senhores?
- eu nunca tinha estado numa cama assim... ai, nunca dormi tão bem....

acto prontamente remido perante tamanha pública contrição.

4) o antónio tinha o mérito de ser portador do maior número de alcunhas que a picheleira viu coroar: olho de peixe, olho de peixe-espada, olho de goraz, simplesmente olho, por aí fora.

o substantivo olho presente nestas alcunhas era elemento mandatório. isto porque o seu olho direito - esquerdo para quem estava de frente - estava... vamos lá a ver.. estava, assim meio caminho entre o acataratado e o vazado, digamos.

o olho, o mais famoso fumador de kentuckys que eu jamais conheci, era, talvez, ainda mais baixo que o calota ali da história anterior. sempre frenético no seu andar, assumiu por diversas vezes dois dos mais difíceis cargos que o clube do bairro podia disponibilizar: uma era ser apanha-bolas e a outra era, digamos, uma tarefa mais complicada.

não julguem vós que ser apanha-bolas era algo que reduzia as capacidades dum ser humano. reparem, o campo de jogos do vitória clube de lisboa, está (ai que ia dizendo estava) localizado, digamos, no fim do mundo. ou seja, está nos limites, não só geográficos, como também topográficos da picheleira - a picheleira é nossa, pessoal!

do gradeamento do campo em diante, havia uma sucessão descendente de curvas de nível que só terminavam na estrada de chelas. assim, uma bola bombeada por um atacante com a pontaria menos calibrada, só terminava, praticamente, na freguesia de xabregas. por isso, quando a bola passava as grades altas localizadas atrás da baliza sul ou do peão, logo se ouvia o grito de alerta «ó oooooolho, vai buscar a boooooooola».

e era ver metro e meio de gente, cabelo negro, habilidosamente esculpido com brilhantina, a serpentear desde o bufete, passando pelas traseiras dos balneários, atravessando o gradeamente ali pelo buraco perto do estendal dos equipamentos, disputando a corrida com outros petizes que tentavam socorrer a bola da catchumbo, das investidas dos moradores dos embrechados que por ali rondariam, na esperança de ganharem aquele troféu.

a outra tarefa que o olho desempenhava com brio e dedicação era ser uma espécie de personal security, afastando para as bancadas, as crianças que nos intervalos dos jogos invadiam o terreno pelado para se recrearem juntamente com os suplentes que ali ficavam a dar uns toques na bola «ó olho, manda o caralho dos putos daí para foooooooora!»

muitas, muitas vezes, bateu à porta da loja dos meus pais, com a sua telefonia telstar na mão sintonizada no programa do sala (terá sido o calota que lha deu?), solicitando à minha mãe:
- cosa-me aqui este botão, ó faxavor, cose-me?
- coso sim, entra lá que eu coso-te.
- obrigadinho, dona raquel.

nota: não se admirem se apareecerem por aí uns comments com correcção de nomes, acontecimentos, locais e afins. sou péssimo nestas coisas. o que eu sei é que malucos e telefonias sempre foram - e são - casamentos perfeitos.

quarta-feira, abril 29, 2009

mãe, já sou uma menina crescida

hoje fui comprar vinho tinto (desculpem o pleonasmo) ao supermercado. a senhora do balcão central facultou-me uma daquelas rodelas plásticas que parecem moedas de 50 cêntimos, para usar no carrinho de compras.

guardei-a no carro para utilizações futuras.

se a mantiver em meu poder durante mais que 4 dias sentir-me-ei a apaneleirar.

(credo, já guardo rodelas dos carros dos supermercados!)

quarta-feira, abril 22, 2009

a verdadeira força da verga

tudo bem, é francamente giro haver uma terra em portugal chamada picha.

mas convenhamos, eleva o grau de ironia saber que logo após a picha existe a venda da gaita.

(fotos em breve)

terça-feira, abril 21, 2009

pinga cultural




uns nos comments, outros por mail, alguns pelo messenger, todos, acredito, com aquela boa vontade de quem quer corrigir um lapso.

lamento, mas não, a foto está direitinha.

caramba, isto não nenhum mondrian! a garrafeira está assente no chão. está também encostada a uma parede. eu aproximei-me e captei a imagem fotografando as ditas garrafas vistas de cima. ora se as ditas cujas estão repousadas na horizontal, acreditem, não caem nem a pinga se entorna.

obrigado ainda assim aos que ainda se ralam com estas minhas coisas.

há dúvidas?

se houver é favor preencher em triplicado o impresso 43/b, à venda na rua da imprensa nacional da casa da moeda, e entregar ali no guichet onde está aquela senhora rabugenta a tricotar com umas coats & clarck. seguiiiiiiiiiiiiiiinte!

segunda-feira, abril 20, 2009

isto é só mesmo esta noite, filha!

não digo chato, mas é no mínimo aborrecido ou maçador que não haja um cabrão dum teledisco de jeito no iutube com o one night love affair do bráiã édames.

fico fodido, claro que sim. é a minha favorita dele, pô!



pedro bala

para evitar que surjam críticas nos jornais, nas televisões e nos blogs sobre a "utilização pornográfica da pobreza como leitmotiv duma história", será preferível que ninguém se lembre, por exemplo, de adaptar para o cinema os capitães de areia?

domingo, abril 19, 2009

tinha piada o jesualdo admitir que tinha sido penalti, mas mais facilmente a carolina escreve um livro.

naturalmente prejudicado (e obviamente, também beneficiado) pelas arbitragens ao longo de alguns jogos do campeonato, vejo o meu clube receber de bandeja um penalti não assinalado ao meireles.

foi contra a académica. preferia que não tivesse sucedido. contra a académica - um dos clubes do meu avô -, não.

sábado, abril 18, 2009

slam




a luísa costa gomes disse um dia ao carlos vaz marques que para ela um «bom livro» era um livro que a fizesse escrever.

vamos lá colocar desde já a fronteira no local correcto: eu não sou escritor, eu nem sequer escrevo, eu ando para aqui, como vêem, a vomitar postas de pescada. e da má!

mas ainda assim, das primeiras coisas que me lembrei quando li o slam do nick hornby foi: carai, eu passei por isto. isto é mesmo assim.

o livro conta a histório de um chavalo de 16 anos, filho de uma mulher de 32 (!) e que, imagine-se, engravida uma miúda da idade dele.

(já estão a ver a coisa, não estão?)

ok, nada disto sucedeu na minha vida. porém, quem nunca passou pelo cagaço que é ouvir aquelas deliciosas palavrinhas "o meu período está uns dias atrasado" é escusado tentar porque não vai perceber nem metade do que eu aqui digo.

quem já passou por essas aflições, quem nunca teve a sorte de ter lido aquele livro «subsídios para a compreensão da regularidade e/ou irregularidade da menstruação, dos óvulos, daquela coisa dos atrasos, do papanicolau ou do zé bento ali na racha - edições do "secretariado nacional para os putos que julgam que o esmegma já conta como sémem» e por isso ficou sem saber a gravidade da coisa, verá ali traduzidas em palavrinhas, todo aquele momento que decorre entre a altura em que a menina diz a tal frase e o momento em que é aberto o envelope, ali no primeiro vão de escada aberta a contar desde a porta da farmácia onde ela vai entregar o taparuére com xixi.

contudo, quem já teve a que se confrontar com o choque de ler lá no papelinho «positivo», encontra aqui um texto do camandro com um aparente realismo que é louvável. nunca passei por essa parte mas acredito que a coisa está descrita duma forma bestial.

o livro é muito, muito giro. francamente diferente do high fidelity - que eu acho que é um caso à parte -, com coisas que me recordaram o about a boy, muito melhor que o how to be good e o a long way down. quem andava meio... ora bem, não digo desiludido mas talvez, cansado com o nick hornby, acreditem, faz as pazes com o autor. de caras.

vão à net, investiguem nas amazones desta vida, comprem numa segunda mão em inglês e acreditem, mesmo os mais habituados a terem notas de 2 a línguas - como eu - lêem aquilo na boa.

é claro que este livro é também um retrato fidelíssimo dessa cambada de gajas que têm uma atitude perante a maternidade igual à que se tem quando se compra um ipod - palavras do narrador. aquela coisa do exibicionismo; da novidade; da cagança parva que os militares envergam e que usam quando carregam a criança; como se sentem já pessoas importantes e crescidas igual ao que fizeram no nono ano quando passaram a ostentar orgulhosamente os lusíadas junto dos cadernos, sinal que as distinguiam dos putos do ciclo. aquela coisa das fotos à pança «ai que gira olha a minha barriga»; ou do «tenho duas semanas de gravidez, já engordei 122 gramas. vou tomar nota, quero registar tudo»; ou ainda do «estaciono nos lugares reservados porque sim, porque sou mulher, porque estou grávida,
porque mesmo com 24 dias de gravidez é um direito que se me assiste e ...», ... bom vou-me calar!

quinta-feira, abril 16, 2009

casas

relações familiares permitem-me (e/ou obrigam-me) a visitar duas casas que algum do meu passado me «obriga» a caracterizá-las como «casas de facho».

estou brincando. quero obviamente dizer que são casas com um recheio de valor francamente apetecível.

nada contra. obviamente, tudo a favor.

estas duas casas têm em comum o facto de me provocarem um sentimento idêntico: duma forma exagerada - e obviamente inconsequente - digo delas que não era capaz de ter em minha casa, nenhum dos objectos que nelas habita. nem sofás, nem candeeiros, nem aparelhagens, nem nada. rigorosamente nada.

(repito, estou a exagerar. mas numa primeira, segundo ou terceira vista, a verdade é que nada nelas me é apelativo)

deixem-me fazer aqui um pequeno parêntesis. todos nós - digo eu - em diferentes períodos da nossa vida, andámos por algumas casas que por esta ou aquela razão, nos fizeram dizer ou pensar «ihhhh, quem me dera morar aqui». recordo-me, assim muito de repente, da casa do fred e do martin porque era (é, não é di napoli?) em plena avenida de roma, um sítio moderníssimo que até tinha, imagine-se, semáforos. estou-me a recordar, mais tarde, da casa dos meus primos de cascais, porque tinha duas casas-de-banho, dois skates da life - nada dessa coisa rasca que eram os roller não sei o quê - era perto da praia, tinha televisão a cores e, imagine-se, um aparelho de video u-matic. relembro também a casa do nuno que tinha, rigorosamente tudo o que era preciso para uma criança brincar: subutteo, mini hoquei em patins, tv a cores (apanhava o 2º canal na perfeição) milhares de livros da disney, almanaques dos espiões e, imagine-se, flippers. ah, e nos lanches, o pão, além de manteiga, era servido com fiambre e queijo, acompanhado com leitinho da ucal em garrafas. fino, portanto.

voltando às duas casas do início. dizia que apesar de serem fartas, não me sinto atraído por nenhum daquelas elementos. contudo, uma dessas casas, um apartamento, é moderna, sofisticada, toda cheia de gedjetes avançados, com um traçado rectilíneo e gizado a autocad, faz-me sentir desconfortável e sinto-a fria.

porém a outra, tem coisas ultrapassadíssimas, algumas velhas, muitas estragadas mas, é quente, acolhedora, cheia de bricabraques e talvez por isso, seduz-me e deixa-me derrotado quando a visito. imagino-me lá com menos pessoas do que as que nela estão quando a visito - normalmente em festas - imagino-me em outras horas do dia. imagino-me lá durante a semana e durante o dia. imagino-me lá a viver.

e tem milhares e milhares de coisas velhas - não necessariamente antiguidades - coisas desarrumadas, coisas boas, coisas menos boas, coisas doutros países, coisas doutras viagens, coisas...

e foi construída aos bochechos, acrescentada ao longo de algumas décadas, algumas das vezes com ligações que parecem ter pouco nexo arquitectónico. lá está, parecem. mas é só isso «parecem».

adoro aquela casa. tudo ali parece caído do céu e ao mesmo tempo tudo ali faz sentido. tudo parece desajustado e também todos aqueles objectos parecem ter - e têm, na certa - uma história por detrás. vendo mais ao pormenor, todos aqueles objectos encaixam uns nos outros como fotografias de pedaços da nossa vida, como fotos captadas nesta e naquela terra, neste e naquele país.

até os cães - enormes mas estranhamente dóceis e graciosos - fazem sentido e ficam bem naquele ambiente.

olho depois para a minha casa e fico a pensar quantas histórias precisam os nossos objectos ter, quantas objectos são precisos para fazer uma história e quanto «lixo» precisamos de não deitar para o lixo, para que as casas fiquem, isso mesmo, casas, lares?


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40

pronto, de maneiras que é hoje!



curiosamente ao rever este video recordei-me do primeiro under a blood red sky - monteiro, lembra-te, aquilo é uma missa! - que eu tive. vinha numa cassete basf de ferro, numa versão que houve com as etiquetas azuis escuras e foi-me gravada pela carla. ora, estamos em 83 ou 84 - 84, acho. - e a carla, para despachar trabalho, botou a agulha sobre o disco, largou a cassete e lá foi gravando. no final do lado a da cassete, coincidiu com o «sing this song with me. this is fourty.» e tunga! termina a fita. porém, quando virávamos a cassete para o lado b já apanhávamos com o «he lift me right out of the pit...». anos mais tarde, quando ouvi intergralmente o disco, reparei que entre o «sing this song with me this is fourty» e o »he lift me right ou...» havia por ali dois versos que a minha cassete não apanhava. foi assim que eu descobri que a carla, se baldou para a perfeição (eh, eh), virou a cassete, carregou no play e no rec e siga a dança. chegar a agulha para trás e começar o lado b no início do fourty? nahhh, isso dá muito trabalho.


k's




a capa depois do 2-2 e a capa depois do 0-1.

vivam as coisas boas do futebol português (desde que se entenda por futebol português tudo o que tenha nascido na madeira e jogado no andorinha)!

uma pedrada com camandro!

o golo de ontem, meus amigos, perdoem-me a imodéstia (ah, ah, ah!) foi mais coisa menos coisa como este* golo aqui.

juro, pá!

* não percam tempo a ler o post todo. vão logo para o 12º parágrafo!

quarta-feira, abril 15, 2009

isto não tem importância nenhuma

não exijo que os - poucos - comments que aparecem neste blog sejam assinados por autores identificados.

(era o que mais faltava, porra!)

mas fico triste, confesso, quando clico na identidade de certos autores e bato com os cornos em blogues de acesso reservado.

(quando vejo links lá no contador de visitas que vão dar ao mesmo sítio também dá no mesmo)

pronto, era só um desabafo. vão para dentro, vá!

para memória futura


atente-se ao primeiro parágrafo.

virão as alturas em que aparecerão os portistas
«macacos» defenderão equipas estrangeiras em jogos contra os nossos e vão ver meio mundo cair-lhes - e bem - em cima!

terça-feira, abril 14, 2009

the godfather wars

vem atrasado o aviso, mas mesmo assim cá vai: a vaniti fer de março - aquela que tem aquele preto que diz que «sim, senhora, a gente consegue!» lá da américa, tem, além dumas peligrafias da menina ana luísa muito bem tiradas lá ao pessoal que anda a trabalhar para, pronto, «sim, a gente consegue», uma reportagem do camandro - com fotos mûto lindas - sobre a rodagem do padrinho.

depois não digam que eu não avisei.

é atacar aí os consultórios médicos, pessoal. não tarda nada e a revista fica aí disponível nas salas de espera dos toques rectais e dos papa nicolaus.


quem vos avisa vosso amigo é.

aviso

este blog não apontará o castigo ao jesualdo como desculpa para a eventual vitória contra os ingaleses.

domingos

acho que já o disse por aqui: tinha a sensação, quando era puto charila, que certas coisas parvas que fazíamos nessa altura, acabariam por se extinguir no momento em que chegaríamos à idade adulta.

falo-vos, sei lá, de estar 23 minutos a discutir quem é que era melhor defesa-lateral, se o gabriel se o inácio. esta minha troca de impressões aconteceu nos primórdios dos anos oitenta e terminou quando o nuno pires disse «o gabriel tem bigode. nunca poderá ser melhor que o inácio» ao que eu retribuí «mas o inácio é do alt'pina. conheces alguém de jeito que seja do alt'pina?».

pronto, a discussão não terminava porque entretanto desviávamos a coisa para «quem é que era melhor em toques de calcanhar» ou quando um de nós vinha com, por exemplo, «o meu tio tem um colega de trabalho que conhece o pai do bastos lopes e ele é capaz de dar 342 toques sem deixar cair a bola no chão», era certo que haveria um outro que logo diria que isso não era nada comparado com - e nesta altura introduzia um jogador do seu clube de eleição - o fulano de tal, ou um sicrano qualquer. ou seja, o contraditório poderia ser «oh! mas o fraguito além de dar mais de 500 toques tem um remate que é uma autêntica pedrada»...

e pronto, como não víamos pessoas crescidas terem este tipo de troca de impressões julgávamos que simplesmente os adultos não perdiam tempo com estas coisas.

enganei-me.

uma das coisas que eu julgava que os crescidos não faziam era torcerem por equipas estrangeiras quando defrontavam clubes nacionais. recordo-me do firmino ter dito, em pleno pátio da escola, «hoje estou a favor do carl zeiss jena» e ter, quase automaticamente, levado um par de calduços vindos das mãozinhas dos benfiquistas paulo amadeu e luis abreu. julgava também que essas coisas tinham sempre origem em rivalidades com origem num ou noutro «macaco» portista que aparecesse num aeroporto a apoiar uma qualquer equipa estrangeira que viesse defrontar o benfica ou o sporting. essas atitudes eram invariavelmente censuradas - e bem - por toda a gente com a cabecinha no seu lugar e reforçadas por artigos escritos nos diários desportivos.

sejamos sinceros, eu não estou à espera que toda a gente diga que «na, não senhora, eu sou lagarto mas na europa, se o benfica joga, sou benfiquista». claro que não estou à espera. mas estou à espera que os que não pensem assim, não tornem pública essa ideia. pronto, podem ficar contentes que o seu porto continue na europa enquanto que o sporting é eliminado, mas carago, não espero que andem a dizer isso em voz alta. lá está, sempre julguei que isso eram atitudes desses «macacos» que por aí há.

em boa verdade, quem esteja habituado a dar vistas de olhos pelos jornais espanhóis, sabe que além de se estarem cagando para os bons resultados barcelonistas, os jornais "madridistas", regozijam-se quando o barça leva na pá, quer na na liga quer na europa.

não sei se repararam mas há uma semana o domingos amaral, de mansinho, apareceu na sua coluna do record, a dizer que estava a favor do manchester nestes quartos de final da champions. parece que passou ao lado de muita gente. dias mais tarde num crónica elogiosa para com a primeira mão desses mesmo quartos de final, o daniel oliveira iniciou a sua crónica nesse mesmo record, com uma conversa onde dizia que por princípio está a favor de qualquer que seja o adversário do fêquêpê, competições europeias incluídas. fala lá numas coisas relacionadas com um tal de bairrismo ou provincianismo que parece que os do porto têm e tal... mais umas mariquices aqui outras acolá...

hoje ou ontem ou lá quando foi, nova crónica do domingos amaral, agora a dizer que o porto empatou com o manchester e tal, que fez um bom jogo e mais o caralho, mas que há três anos o seu benfica eliminou esse mesmo manchester e até foi ganhar em anfield road contra o liverpool que era o campeão europeu em título. diz ainda para o fcp se pôr a pau porque o manchester estava cansado (tinha jogado 48 horas antes), jogou mal e que no dragão é bem capaz de fazer uma daquelas que fez contra o bayern naquela final em que passou de 1-0 para 2-1 já nos descontos.

e aos poucos começa a ser hábito vir para os jornais, descaradamente, apoiar equipas estrangeiras contra tímes lusos. uma maravilha, pertantes!

e pronto: aquelas coisas que nós julgávamos que os adultos não faziam afinal fazem; aquelas coisas que julgávamos que eram apenas uns «macacos» que faziam também há pessoas «ilustres» que fazem; aquelas coisas que julgávamos só serem ditas entre amigos numa boca «brincalhona ou provocatória» afinal também são escarrapachadas como uma opinião coerente elevada.

vão abrindo precedentes, vão, depois digam que se aleijam.

p.s.: eu não estou a dizer com isto que o empate em old traford foi uma espécie de levantar o caneco. aliás aquele empate, para mim, só faz sentido se no dragão houver uma exibição idêntica. ou seja não ganhámos rigorosamente nada. o que eu sei e tenho para mim é que qualquer clube europeu, repito, qualquer clube europeu, gostaria de levar para casa, para disputar a segunda mão duma eliminatória, um empate com golos em manchester. agora se depois consegue passar a eliminatória isso é outra louça. louça que eu não consigo vislumbrar. deus queira que me engane. a ver vamos. não é uma questão de fé, é uma questão de competência. não esqueçam porém que o platini não deve andar muito contente com estes resultados portistas. e se o porto calha a ser campeão - coisa que, francamente, não me passa pela minha sã cabecinha - é certo e sabido que haverão crónicas, artigos e posts que falarão na participação do porto nesta champions que não deveriam ter acontecido por causa do tas e ...

pmp

no tempo em que eu via telenovelas havia sempre uma personagem recorrente que fazia as delícias da minha - e não só - curiosidade. falo daquela coisa de pegar numa actriz, maquilhá-la transformando-a em feia, farsola ou enconada e, a certa e determinada altura da trama, colocar perante ela um gajo todo pra-frentex que obriga a referida personagem a transformar-se numa leide toda boa e grossa.

essa transformação era normalmente auxiliada por uma amiga toda jeitosa que pegava nela e ia às macondes lá do sítio, pegava nuns rímeles e nuns cráions transformando a gata borralheira numa cinderela.

tenho essa sensação desde que há cerca de 15 anos vejo na tevê a paula moura pinheiro.

é uma tipa que eu acredito que seja gira, mas que se lembrou de se apresentar inicialmente como uma espécie de siouxie sem banshees, chegando agora aos meus ecrãs já depois de algum algodão de pinque louchan desmaquilhante mas com umas melenas que teimam em cair-lhe para a fachada e que me irritam quase tanto como a franja da graça lobo.

tenho esperança de a ver um dia de cara ao léu, nem que para isso ela esteja, sei lá, de mola no cimo da pinha, de bata envergada, enquanto pousa o cotovelo no cimo do cabo duma esfregona, num intervalo da limpeza do seu dabliu cê.

é que não estou mesmo a ver hipótese alguma de a moça arrebanhar o cabelo de forma a que lhe vejamos as fuças.

(gosto dela).

aluado

rita,

pronto, consegui.

à segunda noite o
tempo estava friorento, céu estava limpinho, e por isso, graças a deus, estreladíssimo.

de laptop - como o próprio nome indica - sobre o meu colo, binóculos ao pescoço, stellarium ligado e lá estive eu, uns bons vinte e tal minutos (devem ter sido mais, não sei, confesso). de papo para o ar a localizar as bellatrix, castor, pollux, merak ou kocab desta vida.

é realmente giro e com esta coisa do stellarium é outra louça. sabes, com o livro fico sempre na dúvida se o que estou a ver no papel é mesmo o que está lá em cima. para já porque tenho imensa dificuldade - sabes que sou maçarico nestas coisas, não sabes? - em acertar com o mapa astral correcto para a altura do ano correcta e para a hora da noite correcta, mas com este programa é diferente.

continuo com pena que a versão 10 tenha uns drivers que não se dêem bem com o meu pc. uma bodega! mas pronto, a versão 9 já dá para brincar.

e tens razão, mesmo com os binóculos de cáca do meu pai - é o que se arranja - isto passa a ser outra dimensão. é mais coisa menos coisa como quando desata a chover, o pára-brisas começa ficar cheio de pingos e a visão fica turva. accionamos então o limpa pára-brisas e parece que melhoraram a dioptrias. foi também a sensação que tive quando botei os binóculos nos meus olhos e me transformei num vouyer celestial. havias de me ter visto, pá. eu ali todo contente de papo para o ar e tal... dava ideia de me parecer com os velhos ou os maricas que iam (será que ainda vão?) controlar meninos para o estádio universitário ou para a fnat.

e a lua? que coisa maravilhosa: os recortes, as montanhas, os buracos... cabrão de berlinde mais giro que anda lá por cima, não é? imagino como isto seja, assim com um newton dos valentes. dá ideia que se estivesse a acontecer uma missão qualquer daquelas amaricanas ou brejneievas que a malta até os conseguia ver a alunar lá no mar da tranquilidade.

pronto, não te maço mais. era só mesmo para dizer que a minha piquena esteve comigo também de papo para o ar mas não ligou muito à coisa. gostou da lua, já não é mau. exaro aqui em acta que: a orion é mesmo a minha favorita; que anseio pelo momento em que olharei para lá para cima do cimo da ajuda e fico a pensar se passado umas duas dezenas de noites de papo para o ar não ficamos fartos de olhar lá para as mesmas coisas.

ou será que depois vem um nível mais elevado que torna a coisa mais interessante.

é isso?

(gostei)



quarta-feira, abril 08, 2009

o meu herói

ahhh, deixem-se de coisinhas, elogios e mariconeras com o rapaz.

eu cheguei primeiro. vou instituir, vou atribuir, a mim mesmo, o prémio «blogger peregrino».

elogios agora? agora é fácil. nahh, eu é que vi primeiro!



terça-feira, abril 07, 2009

para memória futura



duas capas no dia em que uma equipa portuguesa defronta o melhor clube do mundo, na melhor competição de clubes do mundo, numa altura da prova em que já só restam apenas oito equipas.

a capa do record é previsível. a do jogo é francamente parva. estar a medir tamanhos de pilinhas - caramba, comparar a velocidade do hulk com a do ronaldo é uma afronta à nossa inteligência. imagino que desse uma caixinha de curiosidades no meio da página 12, agora como título da capa dum jornal? então isto significa que nós, portistas, vêem aquilo e logo pensam «o hulk corre mais, logo a vitória é certa!» - numa altura em que a pilinha não é para aqui chamada é algo que não consigo compreender.

pré-resposta a eventuais comentários dum fulano que dá pelo nome de di nápoli: não venhas para cá com coisas sobre o sporting que eu não estou aqui a pôr a capa do record para dizer mal de vós. isto sou eu, mais uma vez, a dizer mal dos jornais desportivos. há dúvidas?

segunda-feira, abril 06, 2009