quinta-feira, março 29, 2007

quarta-feira, março 28, 2007

uest uingue







terminei finalmente o west wing.
nunca terminei o thirtysomething.

no entanto, a pergunta que se impõe é: aguentámos-nos à bronca, ali, durões ou chorámos desalmadamente quando o gary e o leo morreram?




vamos pôr de parte as coisas que víamos quando éramos meninos. vamos pôr de parte a água viva e a top model. vamos pôr de parte as séries mais pequenas, com 10 ou 20 episódios. vamos pôr de parte isto tudo e vamos-nos focar nestas duas séries. qual destas séries eu
afinal mais gosto?

eu vi o thirty quando tinha uns bons 24/25 anos e naquela altura não concebia existir série melhor que aquela. andava na faculdade, chegava a casa, comia a correr e ia para a sala ver aquilo. e adorava. adorava a série mas detestava de morrer uns quantos personagens. sempre odiei o michae e a hope e por serem dois dos principais aquilo atrapalhava-me o raio da visão da coisa. por outro lado, adorava o elliot e a nancy e a relação de ambos com os filhos; a melissa era um doce e só apetecia dar beijinhos; a ellyn era um tesão dos diabos e só apetecia runfar a gaja e o gary, perdão, o professor gary era ó máiór. aliás, é o máiór. depois, no dia seguinte ia para as aulas discutir e contar mexericos com a minha colega zézinha.

o west wing andei a vê-lo ao longo dos últimos 6 ou 7 anos até que, cansado das alterações dos horários da emissão e das tampas que a tvi me dava, decidi comprar aquilo tudo, temporada a temporada, assim, direitinho, sem piratarias nem nada. simplesmente porque já vi algumas temporadas uma quatro vezes e não me canso de as ver. valia a pena, pois, o investimento.

eu não conheço série tão bem filmada como aquela. eu não conheço série com diálogos tão bons como aqueles. eu não conheço série com um naipe de actores tão bons como aqueles. desculpem, mas eu não conheço.

mas fazendo um "supônhamos" que houvesse outra série assim, há uma coisa que a torna ímpar e que me deixa de rastos: nenhuma série apresenta relações homem-mulher duma forma tão singular como esta. eu nunca vi mulheres como as do west wing. aquilo é suposto ser um ambiente de alta política, é suposto ser um ambiente livre de paixões, livre de contactos físicos. e no entanto aqueles cabrões conseguíram criar as situações mais, eu não sei que palavra hei-de utilizar

eu sabia que não era capaz de escrever o meu post sobre o west wing

mas pronto, aquilo era demais. homens que não tinham jeito nenhum para mulheres e que de repente se viam enleados em paixões, aparentemente, impossíveis, aparentemente sem capacidade de as concretizar. com aqueles olhares, aqueles silêncios, aqueles gestos...

e por isso eu nunca vi série alguma mostrar relações como as da cj (já falei aqui que a allison janney tem um charme que trata deus por tu, não já?) com o danny; ou o josh com a amy (a cena dos pezinhos é um must), depois com a joey, com a mandy e depois ainda com a donna; ou o sam com a lisa (que tb entra no dr house) ou mesmo com a mallory.

juro, nunca vi. e este é o elemento preponderante da decisão. esta é a melhor série de sempre por causa das mulheres. nunca vi mulheres assim: lindas, charmosérrimas, fortes e classudas.

é assim a vida. venham mais novelas.




quanto à pergunta: chorei quando morreram ambos.

fretes

coisas que os artistas brasileiros fazem e que eu odeio de morte: cantar fados.

tentem ouvir o estranha forma de vida no totalmente demais do caetano e depois digam-me se não acham ridículo?

coisas que volta e meia os portugueses também fazem e que também acho farsolas: esse tal de jp a cantar bossa nova em português de portugal.

ou seja, isto é como o futebol feminino: eu não me importo que elas pratiquem, não me obriguem é a ver na televisão

dor de corno

em 1989, no auge da maior e mais prolongada dor de corno que o hemisfério norte já conheceu, fui no espaço duma semana a dois concertos memoráveis no coliseu: um da simone e outro do caetano veloso (realmente, não podia escolher melhor programa para evitar choradeiras. pois, pois...).

a simone era paixão antiga. já aqui falei no assunto. e veio a portugal no auge da loucura. veio com uma banda doutro mundo, com uma bateria enorme e uns percursionistas bestiais. um deles podémos ver (quem quis, claro) na banda de apoio da tina turner. um must.

e no coração? no coração festeiro, verdadeiro, brasileiro...

recordo aqui um momento que achei o máximo. à minha frente, uma miúda com o seu namorado. os dois juntinhos, muitos beijos, muita carícia, muita paixão. do seu outro lado um outro rapaz, amigo dos dois e eventualmente seu ex ou futuro namorado. antes do yolanda a simone faz um desafio: quem quiser, segura a mão de quem ama e cante comigo. a miúda encostou então a cabeça no ombro do seu namorado enquanto este agitava lentamente o isqueiro no ar, dum lado para o outro. do outro lado e escondido atrás das costas da miúda estava a mão do outro rapaz. essa mão estava unida à dela enquanto se ouvia aquele se é p'rá morrer quero morrer contigo de mão dada. joinha!

o do caetano foi uma semana depois e podia ter sido uma bosta de concerto (era a minha estreia com ele). a casa estava seguramente e
sem exagero com um terço da sua lotação, a setlist era fraquita com coisas muito anos oitenta e o povo estava a desesperar. entretanto e como nos filmes de suspense dá-se um twist duplo. primeiro com um fabuloso solo de percussão feito com panelas de diversos tamanhos e executado por um tal de charllie brown - mais tarde conhecido por carlinhos brown - e depois, no fim, com uma sequência de 3 encores em que o senhor veloso às tantas já se dava ao luxo de perguntar: í ágora? quí é que voçeis querem ouvirr?

e foram 11 (onze), onze músicas, ali, em acústico, só para meia dúzia de gatos pingados que tinham resistido até ao fim: terra, índio, debaixo dos caracóis, dom de iludir, lua e estrela, fera ferida, etc...

eu, num camarote - estavam quase todos vazios e entrava-se para eles à la gardere - chorava desalmadamente.

um mês depois voltei a apaixonar-me e a coisa passou.

postais

há cromos e cromos. eu gosto de cromos. pronto, tenho um certo carinho. há alturas em que gostava de soltar a franga e ser mais cromo do que sou.

gostava de arriscar certas cromisses. é uma espécie de atracção pelo abismo. não uma cromisse vitalícia. não nada disso. mais, uma coisa, assim, estilo carnaval, mas em "sério". não estou a falar de cromos estilo tunning, malta que conduz inclinada para a direita, malta que use t-shirts justíssimas, malta que diga dread e iô brô, malta que use óculos escuros dentro das discotecas, coisas dessas, não. não falo disso.

falo de outras coisas: gostava de conseguir usar calças aos quadrados, gostava de usar anel com uma pedra verde, gostava de usar um bigode, gostava de ter uma pochete como o cunhal, gostava de usar pente no bolso de trás das calças, coisas assim. cromisses dessas. desse tipo de cromos eu tenho um certo carinho.

um dia - ou melhor - uma noite, estava eu a bombar no dois (deve-se ler boite 2001) quando vejo um daqueles cromos (como eu) habitués da casa. um preto, seco de carnes, carapinha aparada. preso ao cinto,
na parte das costas, estava um coldre para o telemóvel. (maravilha!) na parte da frente, estava um coldre para um zippo. e aquilo fez tlin-tlin na minha alma: um coldre para o zippo? nivel do caraças. eu tenho de ser amigo daquele gajo.

fui ter com ele e pedi-lhe lume. demais: o gesto de abrir o coldre, o sacamento do isqueiro, a forma como ele acendia aquilo. fantástico, eu também queria ser um cromo assim. fui-lhe pedir mais 3 vezes lume. e o ritual sempre ali a ser repetido.

repito, grande nível.

às tantas começa a dar uma valente malha e nós lá estávamos, ali, a tocar aquelas guitarras imaginárias, para cima e para baixo. ele também.

vou para o lado dele e imito-lhe os gestos. os dois juntos agora: téun, tenenéun, tenéu...

às tantas o gajo vira-se para mim e diz:
- está a gozar comigo?
- eu? porquê?
- então, estás aqui a imitar-me, a tocar guitarra. estás a gozar, man?
- isto não é uma guitarra. não, não vês que eu estou a tocar a parte do baixo, porra?

ofereceu-me uma cerveja.

terça-feira, março 27, 2007

penteado almofada

no meu último ano de faculdade, quando julgava que ia ser um ilustre urbanista, passei loooooooongas horas num gabinete da nossa câmara municipal rodeado por mapas, relatórios, gráficos, inquéritos e estatísticas. a fornecer-me todo esse material estavam duas amorosas arquitectas que tinham uma paciência de job para todos os pedidos que eu lhes fazia.

já não me lembro muito bem dos seus nomes. mas há umas coisas que não me saem da memória: vestiam mal, cheiravam bem e tinham cabelo de péssima qualidade. além disso usavam ambas o mesmo penteado. era mais um (des)pentado, mas tudo bem. aquilo dava ideia que elas dormiram a noite toda viradas para cima, nunca apoiando a cabeça de lado. então, por causa disso o cabelo ficava como as orelhas do dumbo, assim espalmado para os lados e com risco - todo torto, obviamente - a sair da nuca para cima. estão a ver a coisa?

baptizei essa arte de "penteado almofada".

hoje, na loja do cidadão, novamente um penteado almofada. e eu olho para aquilo e não me consigo conter. eu estava a assinar um documento, a senhora olhou para mim, eu olhei para ela, deu-me vontade de rir, atrapalhei-me e troquei tudo:

- o senhor pode-me devolver a caneta?
- o pente?

memórias

como dizia há tempos um velho amigo: show de bola!


segunda-feira, março 26, 2007

domingo

acordámos sem "queiuuu leitinhuuuu!" e ficámos na ronha até às quatro da tarde: a ver séries, a dormir, a comer na cama. foi a nossa adpatação ao jet leg.

depois fomos buscá-la à avó.

se calhar porque já não estamos habituados ao descanso.

domingo, março 25, 2007

da bola

- a última vez que tinha visto um jogo da selecção tinha sido na luz, desta vez em alvalade verifiquei que havia menos gajas boas. será do local?

- o episódio do guarda-redes belga foi ridículo. não me refiro ao que ele disse. o que ele disse foram peanuts (alguém realmente ouviu as declarações?). mas se realmente disse alguma coisa assim de tão transcendente, então foi igual ao que disseram e dizem todos os treinadores nas prelecções antes dos encontros se iniciarem: "ponham o pé. se não der na bola, dá no jogador. mas travem a coisa.". lembraram-se então de fazer isto uma coisa do outro mundo. tolices. obviamente, o parvos dos jornalistas foram de língua a salivar para o aeroporto à espera que dali saíssem mais coisas bonitas dos belgas. levaram um par de sopapos - uma palavra tão bonita que até se pode ler da frente para trás e de trás para a frente. se tiverem sido jornalistas do record, julgo que as lostras que apanharam deveriam ter sido um pouco mais fortes. criaram ambiente para se odiarem os belgas. viva o fair-play português!

- o scolari quis também criar um hype com os registos dos últimos encontros entre estas duas selecções. mais uma vez foi ridículo. se saíssemos derrotados, a culpa era da estatística - ele já tinha avisado - , se vencêssemos, o mérito era nosso. fiquei então com a certeza que lá no brasil não passaram na tv, jogos da selecção belga dos anos 70 e 80, durante o tal período em que eles nos venceram. eu fiquei com a certeza que ele ainda não tinha reparado que agora ,estes belgas, são da segunda divisão europeia. mas como tem vindo a fazer uma campanha para o euro 2008, vá, digamos, sofrível, vir à baila com a estatística dá sempre jeito para acautelar as coisas.

- às vezes tenho pouca paciência para o ronaldo. já tem idade para perceber que não há necessidade de se fazerem 10 simulações quando na realidade são precisas apenas 3. chega a ser ridículo andar a imitar os cavalinhos de alter do chão, quando ele vai com a bola e o adversário ainda está a 3 metros dele. o ronaldo abusa daquilo que eu chamo, o problema dos "trabalhos feitos em computador". quando nos pediam trabalhos na escola, aqueles feitos em computador brlhavam sempre mais. se o conteúdo era bom, isso agora não importava. o ronaldo tem computador para dar e vender. e pode fazer melhor. mas enquanto andar a fazer cavalinhos sobre a bola, enquanto andar a mostrar as habilidades todas e, 70% delas serem inconsequentes é uma coisa que me chateia à brava. por outro lado, desde que for marcando e ganhando por portugal, fico descansado. se o fizer por outro clube qualquer, estou-me pouco ralando.

- ainda do ronaldo. um gajo que festeja os golos sozinho, a içar o arcaboiço para as meninas, não merece o meu respeito. ao menos que corra em direcção ao público ou que vá dar um abraço aos colegas. alguém se lembra de ver o maradona a fazer o mesmo?

- o record, mais uma vez, deu nota 5 ao ronaldo. acho aquilo, além de disparatado, uma ofensa ao moutinho, o melhor jogador que pisou o relvado de alvalade.

- o golo do quaresma foi mais uma confirmação daquilo que todo o povo português achou no verão passado: tinha tido piada, ver os alemãe levarem umas rabetas dele.

- relembro aqui mais um momento do fairplay português: os assobios durante o hino belga, fizeram-me recordar as atitudes dos super-dragões durante o minuto ao bento. como é contra os belgas, e foi meio povo que assobiou, tudo bem.

- o nuno gomes foi, juntamente com o guarda-redes belga o injustiçado da noite: passaram o tempo a ouvir bocas e assobios. eu quero aqui dizer o seguinte: o nuno gomes, recebe o primeiro passe em condições aos 46 minutos; aos 47 tem finalmente o único momento em que devia ouvir assobios, um falhanço dos valentes; logo a seguir marca o primeiro golo da noite. ou seja o ronaldo e o quaresma podem andar em cavalinhos e trivelas perdendo constantemente a bola que o povo perdoa, o nuno gomes à terceira vez que tem nos pés uma bola em condições marca um golo. eu tive de me recordar das coisas que o desmond morris escreveu para voltar a compreender o povo da bola: não há dinheiro, não há palhaços. mas havendo palhaços, o povo continuará a entregar o dinheiro.

- apesar dos 4 golos, o guarda-redes da bélgica defendeu 7 remates. alguns bem complicados. a bélgica não fez um remate em condições. o ricardo levou 4 pontos e o belga levou 3 pontos. avaliações feitas mais uma vez pelo record. que belo jornal.

- apesar de tudo, o momento da noite vai para o espectador português que cantava junto à roulotte onde aviei dois couratos e uma bjeca: (em ritmo de old macdonald had a farm) ó bélgica faz-m'um bobó, iá-iá-ô....

nota: eu não sou dos que estão contra esta selecção. era o que mais faltava. chateia-me é ver as coisas com talas nos olhos. isso, confesso, chateia-me. por isso, ninguém mais do que eu ficou contente com os quatro golos e com estes três pontos. repito, mais ninguém. quanto muito ficaram tanto quanto eu. agora, não me obriguem é a ir pelo caminho dos carneirinhos. não esperem que eu veja coisas que não gosto e bata palmas. isso não.

inspirado...

...nele e no que ele disse, deixo aqui uma coisa que li na casa de banho do polana, há uns vinte e tal anos, numa tarde para esquecer:

se a merda fosse dinheiro os pobre não tinham cu.

a favorita?

Esse papo já tá qualquer coisa
Você já tá pra lá de Marrakesh
Mexe qualquer coisa dentro, doida
Já qualquer coisa doida, dentro, mexe

Não se avexe não, baião de dois
Deixe de manha, deixe de manha
Pois, sem essa aranha, sem essa aranha, sem essa aranha
Nem a sanha arranha o carro
Nem o sarro arranha a Espanha
Meça tamanha, meça tamanha
Esse papo seu já tá de manhã

Berro pelo aterro, pelo desterro
Berro por seu berro, pelo seu erro
Quero que você ganhe, que você me apanhe
Sou o seu bezerro gritando mamãe
Esse papo meu tá qualquer coisa e você tá pra lá de Teerã

sábado, março 24, 2007

o grande arrepio



aí há uns 20 anos (pronto, ok. um bocadinho menos mas não muito) tive uma namorada com um feitio bárbaro. não que eu também não o tivesse, é certo. mas ela batia-me aos pontos. numa altura em que as coisas não estavam bem (mais eu em relação a ela que ela em relação a mim) precisamente por causa do afamado feitio, chego eu a casa dela e a miúda estava numa excitação brutal. imagine-se que tinha acabado de adquirir a banda sonora do big chill e decidiu começar ali mesmo a desfilar as músicas uma a uma para saber se tinha ou não feito a compra do século.

isto lido agora, com internetes, emules e afins até parece ser uma coisa ridícula. mas não é. naquele tempo conseguir comprar esse disco era uma coisa muito, muito difícil.

e eu estava deslumbradíssimo. tinha visto o filme uns anos antes e, claro, tinha adorado. ouvir ali a banda sonora, mesmo à minha frente, era uma coisa irreal. mas não dei parte fraca. como estava ainda com os azeites lá ia dando uns grunhidos à medida que ela ia passando duma música para outra: ah!, não é má.... sim, conheço... sim, passa.... etc.

não demorei muito tempo a deixar-me daquela palhaçada e fui logo buscar uma cassete ao quarto da irmã dela para gravar aquilo. foi seguramente a cassete mais ouvida desses tempos.

por essa altura, houve alguém que descobriu uma cópia desse big chill no clube de vídeo do arco íris e lá se consegui também o filme.

e é um grande filme. e nesse verão de 90 (mais uma vez a referência ao melhor verão de sempre) esse era o nosso filme. um filme que víamos vezes sem conta, um filme do qual adorávamos tudo e mais alguma coisa, um filme onde tentávamos, secretamente, encontrar similaridades entre este ou aquele personagem com este ou aquele elemento do nosso grupo: o sam, era seguramente aquele; a sarah poderia ser, às vezes, aquela, mas naquela situação que a gente cá sabe, não seria seguramente ela; o michael era unanimemente considerado por todos como aquele; o nick não era nenhum; o harold tinha dias, às vezes era este outras aquele; a meg, podia, quem sabe ser aquela, mas naquela cena que a gente sabe, não era de certeza absoluta; a karen só podia ser aquela; a chloe também não era ninguém, o alex, nós não queríamos que fosse ninguém.

mas gostávamos todos do filme sem excepção: ou porque também éramos um grupo de amigos, ou porque gostávamos de saber como é que seria se um dia nos voltássemos a rever anos depois, ou simplesmente, porque gostávamos de os imitar. nem que fosse a passar um fim-de-semana todos juntos e simplesmente: falar, acontecer, brincar, dar umas tampas ou fornicar.

eu ainda não consigo dissociar estas músicas das cenas do filme e vice versa:
- o baixo do i heard it through the grapevine começa precisamente quando a sarah, que tinha acabado de desligar o telefone, está a olhar para o harold de lágrima a escorrer pelo olho direito e este percebe que alguma coisa de grave realmente se passou.
- o natural woman precisamente depois da sarah dizer ao harold: it's about meg
- o you can't always get what you want surge lá na igreja e desencadeia aqueles dois fantásticos sorrisos no nick e no sam. aqueles sorrisos que dizem tudo, que nos dizem que aconteceram tantas coisas boas ao som daquela música.
- o bad moon rising é tocado enquanto o sam e o harold vão no jeep e relembram o dia em que ambos viram os creedence em poco.
- o tell him das exciters inicia imediatamente após a tampa da chloe ao michael.
- o gimme some lovin acontece no intervalo do jogo de futebol americano.
- o the weight enquanto tomam o pequeno almoço e calçam os tenis
- o som do ain't too proud to beg vem do disco que o harold põe a tocar quando estão a levantar a mesa - cena do caneco. eu acho que já repeti aquele movimento de braço no tan-tan-tan do piano inicial umas 583 vezes.
- etc, etc, etc

e é essa banda sonora que fez com que nessa altura só ouvisse: os temptations, ou marvin gaye, o smokin robinson, os stones (bom, estes já os ouvia antes e continuo a ouvir. e se deus quiser lá estaremos em julho no estádio de alvalade), o hall & oates, o otis redding, os creedence (ó zé, devia fazer um post sobre o vitinha da esquadra, não era? o gajo é que tinha razão, já viste?) o wilson picket, a aretha franklin, os platters, os procol harum, etc, etc. e só não ouvia mais coisas porque ainda não tinha sido inventada a internet.

e os diálogos, porra os diálogos. a gente sabia aquelas frase de cor, caneco:
- that's nice, trust.
- fear of herpes

- Oh, we cleaned it up.

- look at this! this could be us! the next generation.

- he went out in a bang!

- you're so analytical

- does a bear jerk off?

e por causa deste filme, se calhar, alguns de nós pensámos também no nosso próprio funeral ou no funeral de alguns de nós. e se calhar eu adoro fins-de-semana com os amigos por causa deste filme. e se calhar eu gosto do meu grupo de amigos também para brincar ao big chill. e se calhar.... e porque é que os grupos de amigos não duram para sempre?

este amigo pediu-me uma lista com os cinco filmes que eu mais gostei em toda a minha vida. ainda não respondi porque há alguns que me marcaram em 1986 mas que já não me marcam mais. e nem nos 10 primeiros agora estão.

quando surgiram os dvds este foi o primeiro filme que eu comprei. é sintomático de alguma coisa, não é?

é o meu filme favorito. de caras.

sexta-feira, março 23, 2007

duvida

as pessoas que vivem sozinhas cagam de porta aberta?

ai que estúpido, não se goza com essas coisas pá.

o facto da zézinha nogueira pinto andar a falar com a boca de lado tem a ver com a suposta porrada que levou lá no "valencia-inter" do cds ou é uma coisa que já vem de trás?

i put a spell on you








eu continuo a achar que o i put a spell on you pelos creedence (atenção, pelos creedence) encaixava como uma luva na banda sonora dum filme do tarantino.

mas isto sou eu a falar que não pesco nada de cinema.

uóts iór neime

não consigo decidir quais é que são mais feios: se os nomes dos filhos dos ciganos, se o nome dos filhos do jet set.

lembrei-me disso porque tive de escrever uma relação de nomes de cavalos e encontro similaridades com as duas relações que mencionei acima.

promessa de primavera

não ser ingrato e deixar de dizer mal do meu holmes place.

(não se justifica assim tanto. é muito melhor do que as coisas que eu tenho vindo a ouvir dizer dos outros)

quinta-feira, março 22, 2007

mééééééééé

corre por aí um boato dizendo que acabámos de entrar no mês do carneiro. o meu mês.

por causa duma conversa com esta mêlher, lembrei-me do seguinte diálogo, ocorrido num bar, há uns anos porreiros, quando comecei a sair com a minha mulher.

perguntava-me ela:
- que signo és?
- carneiro. (dito muito baixinho, timidamente e completamente à rasca)

e ela, que não é nada de asneiredo, manda o isqueiro e o tabaco para cima da mesa (ai que saudade de quando fumávamos) e diz:
- ó foda-se, mas só me saem carneiros?

e eu que aguardava há uns dias valentes que acontecesse finalmente um beijo (pronto, ok. um linguado) vi a minha vida a andar para trás. queria pagar e ir embora, mas, ainda assim, disse:
- e tem mal eu ser carneiro?
- claro que tem mal. mas vocês são todos carneiros?
- somos?
- são!



beijei-a três dias depois.


ainda cá andamos.


ela continua a ser prejudicada pelo facto de eu ser carneiro.


temos pena!

crime na pensão estrelinha



eu não consigo perceber porque é que ainda não editaram isto em dvd. estão à espera de quê? que saia o blu ray?

este programa é o momento mais fantástico de toda a história do humor português: o bernardo teixeira da cunha, as bolas de berlim, o zé chunga (que juntamente com a personagem da maquilhadora no hermanias (?) interpretada pela lídia franco, foi das caricaturas mais próximas de personagens da vida real que eu conheci), a imitação do paulo de carvalho, o nós é mais bolos, a imitação do júlio montenegro, as pernas da são josé lapa, tantas, tantas coisas, porra!

eu não sei se estou a confundir sketches deste programa com um outro que o herman fez na passagem de ano seguinte (este do crime, é da de 1990 - lá está, outra vez o ano fantástico). não hesitem. na duvida editem os dois. a gente compra. de caras.

duelo - o texto

as músicas são os meus melhores transportadores. são máquinas tecnicamente perfeitas, cheias de milhares de peças minúsculas que fazem essa coisa milagrosa que é levarem-me para outros locais - assim ao estilo star trek - e para outros tempos.

- o mercy mercy me pelo robert palmer, transporta-me para o meu segundo ano da faculdade numa viagem a caminho da terra da minha mãe;
- o one on one dos hall & oates, transporta-me para o verão de 1990 - o melhor da minha vida - na rua da rosa do bairro alto, dentro dum toyota corolla bordeaux (o japonês), estacionado à porta da esquadra;
- o glam slam do prince, transporta-me para o verão de 1988 na terra da minha mãe;
- o state trooper do springsteen, transporta-me para o ano de 1986, nos almoços de pizzas que eram feitos ali para os lados dos coruchéus;
- o whole of the moon dos waterboys, transporta-me para o ano de 1985, na sala 7 do meu rainha dona leonor;
- o stars dos simply red, transporta-me para o ano de 1993, ali para os lados de fontanelas (diz-me lá tu, por favor: dizer aqui que esta gaita me faz lembrar uma tentativa de sodomização de que fui sujeito, por parte de dois latagões da picheleira, em cima duma mesa de ping-pong, é capaz de ser mal interpretado, não é? pois, eu já imaginava, é melhor estar calado)

ontem ouvi, quase sem querer, o duel dos propaganda. uma das minhas músicas favoritas de sempre. meu deus! e quando ouço aquela música o referido transportador começa a patinar. e anda ali às voltas, às voltas, às voltas, algures em meados dos anos oitenta, provavelmente na sala dos meus pais, provavelmente a ouvir a discoteca do adelino gonçalves. não sei, confesso. mas leva-me, leva-me para um sítio qualquer. a pianada logo no início, aquela batida, a voz abagaçada, ai, não sei, há ali qualquer coisa, há sim sinhor.

e há um prazer qualquer de ficar ali a viajar sem rumo.

p.s.: um abraço para o meu querido di napoli, que sem saber, aqui há uns meses, me pôs a viajar por outras paragens, enquanto eu vinha contente da vida, pela a5 em direcção a casa.