terça-feira, outubro 13, 2009

maitê

o que me preocupa não é o video da maitê proença, moça que eu sei, teve o condão de desencadear certamente algumas vigorosas sarapitolas durante os anos oitenta. adiante!

repito, o que me preocupa não é o vídeo. aquilo só revela aquele tipo de tentativa - manifestamente frustrada - de gozar e sair por cima. também não me preocupam as gargalhadas finais da turminha feminista do programa no final do vídeo. só quem nunca viu o programa pode achar a coisa estranha.

francamente, o que me preocupa são os comentários generalizados que depois se fazem ao resto da população brasileira. acho piada, confesso.

e acho piada porque, normalmente, vêm do mesmo grupo de pessoas - pronto, já agora também tenho direito a generalizar, não é? ai não tenho? então eu vou generalizar para verem como fico ridículo - que comete os mesmos erros: os portugueses.

ao que parece a senhora proença andou lá a mandar umas bocas cometendo alguns erros históricos. quando eu entrei na faculdade, num simples inquérito junto dos caloiros de história, repito, junto dos caloiros de história - ou seja, pessoas que iam tirar o curso de história e que têm, presumo, uma bagagem de história diferente dos que andam a assentar tijolos ou, por exemplo, a escrever em blogs - revelou que 30% dessas pessoas colocaram, numa ordem cronológica, o dom afonso henriques antes de jesus cristo. repito, 30%. para os que não sabem o que isto quer dizer eu elucido: em cada 100 pessoas que entraram no curso de história, havia 30 que julgavam que o jesus cristo tinha nascido após o dom afonso henriques. vale?

se calhar é um exemplo meio tolo. mas acreditem, não é. é um ramo basilar da cultura de um povo: a história. e se vejo pessoas ficarem muito chocadas porque a maitê disse que o salazar esteve (apenas) 20 anos no poder, já acho estranho que tenha havido poucos comentários ao facto dos que votaram, não no salazar como o melhor português de sempre, mas sim num dos actores das telenovelas da tvi. (ahh, são putos que votaram, isso não conta. são putos e o cérebro - cerco, como diz a minha filha - ainda não está desenvolvido.)

fode-me este tipo de generalizações. se um par de brasileiros assalta uma dependência do bes, logo todos os brasileiros são ladrões. se uns brasileiros convidam os portugueses a desvincularem-se de dez porcento do seu ordenado em nome do senhor, logo todos os brasileiros são uns místicos gatunos.

porém, ninguém generaliza em relação aos portugueses que vão ao teatro ver a teresa guilherme; que dizem museu dos "cóches" em vez de museu dos "côches" (devem julgar que é um museu de viaturas espanholas); que dizem «é assim» ou «portanto» no início das frases; que elegem para presidentes de câmara pessoas que quando terminam de
alcatroar a alexandre herculano, colocam placas (caras!) a dizer «fui eu que fiz»; que realmente não só cospem nos monumentos nacionais como também não sabem o que quer dizer «egrégios avós» ou «ínclita geração»; ou ainda que escrevem blogs tolos, cheios de vernáculo e erros ortográficos como este que agora ledes.

afinal a maite até tinha material para fazer um vídeo a dar baile aos portugueses. o pecado dela foi ter escolhido mal os temas abordados.

segunda-feira, outubro 12, 2009

ennnnnnlástico

imbuído pelo espírito da coragem, entrei shopping adentro com o intuito de, duma vez por todas, sair de lá com um par de calças novas.

dentre as calças que o senhor teve a amabilidade (eu odeio comprar roupa) de me sugerir, estavam umas que, tchan tchan tchan, além de muito justas eram elásticas.

cheiravam a 1985.

estive aí uns dois minutos a tentar espremer o meu corpo lá dentro (o moço tinha-me garantido que aquilo era o meu tamanho). quando me olhei no espelho vi uma coisa muito estranha e esquisita lá reflectida. além de estarem por lá umas pernas à la iggy pop, tinha a sensação que o colhões estavam colados... sei lá, às omoplatas!

sexta-feira, outubro 09, 2009

haja paz


não desfazendo o moço que hoje ganhou o nobel da paz, eu tenho para mim (há lá frase mais gira que «ter para mim») que enquanto o fernando nobre não levar para casa os tais não sei quantos milhares de euros que o obama vai levar por ter tido o engenho de ser um moço educado e sensato - ao contrário do seu antecessor (ai que observação mais injusta, pedro jaime!) (não esquecer que foi por terem colocado o santana lopes como primeiro-ministro que o senhor engenheiro ganhou, nas calmas, as eleições de há 4 anos.) - eu não encontro justiça no caralho da atribuição dos nobel da paz.

por outro lado, antes o obama que outro gajo qualquer. por mim, o moço até poderia receber um «nobel sem pasta». assim como os ministros sem pasta que havia naqueles governos que duravam 3 meses ou menos.

quarta-feira, outubro 07, 2009

banhinho


a minha ignorância, provincianismo, distracção e brejeirice é por demais conhecida dentre as pessoas que (coitadas) me estão mais próximas.

recordo, acerca do assunto que falarei a seguir (equipamento de casa de banho), que, apenas quando fiz as primeiras obras na casa onde fui morar há uns anos, percebi que existem diversos tipos (diferentes, atenção) de toalheiros, os quais, claro, eram devidamente escolhidos pelos proprietários. resumindo, julgava que o maçon que andava lá com o trolha a fazer as obras, deslocava-se à estância mais próxima e dizia:

- ó américo, ontem o teu palmense levou na pá do camarate, hein?
- não gozes, meu cabrão, andam a jogar com os júniores. já ninguém quer treinar. que queres da loja?
- avia-me aí umas merdas para pendurar toalhas e papel higiénico.

pronto, era assim.

fiz, entretanto, outras obras noutra casa e aí já estava um niquinho avançado na coisa (não muito, claro).

sexta-feira vou dormir a casa dum amigo. irmão velho, gente da minha criação, casa nova, tudo bonitinho, bem decorado e tal... casa à facho com uma prateleirinha sob o lavatório com toalhas para os convidados e tudo. numa palavra: níbel.

entro no duche (odeio banheiras) e estou, seguramente, uns 37 segundos para descobrir como raio se abria a puta da torneira. esperto como sou, lá descobri a coisa. banhinho quentinho, aquele ritual do gel na mão, a volta saloia pela colhoeira, sovaco e bilha. a atenção redobrada nos coiratos, o pezinho já a cheirar bem e tal.... um mimo!

e após a ronha da água quentinha, já a aproximar-se a hora em que previa um esperado grito do dono da casa «ó seu paneleirão, julga que isto é o balneário de chelas? gasta-me a água toda! toca a despachar, foda-se!», sucede aquilo que muitas pessoas assimilarão como uma disfunção patológica mas que eu, no meu espírito jovial (deves!), lhe chamo «deu-lhe o amoque!».

é que eu posso ter levado 37 segundo a descobrir como se abria a água. mas, que raio, descobri não é? porém, percebemos que a idade nos deixa num caco, quando queremos, depois, fechar a circulação da água e voltamos a demorar mais uns bons 30 segundos porque entretanto nos esquecemos de como a abrimos e por isso não sabemos como havemos de a fechar.

(nem me digam mais nada, por favor! são modernices, pá!)

sexta-feira, outubro 02, 2009

estão todos bem uns para os outros

todo o mundo critica - por vezes com razão - as bocas e os floreados que ele volta e meia presenteia os adversários.

desta vez meteu-se com o benfica por causa do falcao.

e o benfica ou todos os outros que vão na cantiga do jorge nuno quando manda estas bocas não são resistem, querem armar-se em superiores mas acabam por demonstrar ser da mesma cepa.

tenho pena de, neste caso, o rui costa não ter tido a educação que a minha mãe me deu: «filho, não respondas às coisas que o luís maluco te disser. são atrasadinhos, temos que respeitar a deficiência dos maluquinhos e não lhes respondermos na mesma moeda.»

lá está, outros tempos.

quinta-feira, outubro 01, 2009

radomel

antigamente, quando os jornais eram a preto e branco, a primeira página tinha normalmente uma foto dum jogador a rematar ou a cabecear para golo. pronto, ficava ali registado o momento em que tinha acontecido o que realmente interessa num jogo, o golo.

aos despois desataram a mostrar, não o golo, mas um cacho de jogadores a festejar um golo. eram os tempos em que os jogadores festejavam golos.

eu acho que agora nem isso mostram. aparece uma foto lá do meio do jogo e já é um pau! na realidade, se tiver jogado o clube o que realmente aparece é uma futura e suposta contratação do benfica ou então o jesus mascarado de arnaldo exterminador.

recordei-me desta evolução porque eu não tenho nenhuma pachorra para aquele tipo de festejos de golo em que um gajo enverga uma cagança tal - assim como se tivesse acabado de descobrir a penicilina - que nem festeja nem nada fica ali a olhar para todo o mundo à espera que lhe digam «sim filho, foi um golo porreiro, foi sim senhor», fazendo-me recordar o gama que jogou na subida do vitória lá da década de oitenta. é sabido que não é cantona quem quer é mesmo só quem pode.

não tenho também paciência para aqueles festejos em que se reunem dois ou, quanto muito, três jogadores - normalmente, um grupo que se reúne depois à noite nos elefantes desta vida a pagar copos de champanhe às north caroline que por aí há - e abraçam-se ou cumprimentam-se assim como quem pergunta em debates «então, seu maroto, foi para o algarve?»

festejo, para mim, não é festejo que se cinja ao relvado, festejo, para mim, é à toureiro, assim, em grande, agradecendo a quem lhe bate palmas. festejo, para mim, é uma coisa encenada, assim, um drama. é coisa de vida ou de morte. festejo, para mim, não são aquelas corridinhas para o gajo que lhe fez a assistência. festejo, para mim, não é mandar calar os adeptos adversário. para mim, festejo é uma corrida sem norte, ali às voltas, como que se quisesse abraçar todas as pessoas do estádio. é ir a correr para a bancada de braços abertos e, com humildade ou com cagança - aqui sim, já a tolero - gritar de pulmões bem abertos: é golo, caraaaaaaaaaaaaaaaaaalho!

irritavam-me aquelas paneleirices do lucho e do lixa - que saudades deles, caramba! -; eram ridículos aqueles festejos do sporting a imitar uma bomba atómica; aqueles sambinhas dos baianos são uma parvoíce; o movimento de embalo dum bebé só teve piada quando feito a primeira vez pelo bebeto. depois disso, são gestos confrangedores. uma cambada de tolos é o que todos eram e são.

adiante.

meus amigos, eu não sei se finalmente tenho um ponta de lança em condições - coisa que não tenho desde o mccarthy. eu tenho memória bem apetrechada e por isso tenho a alma muito queimada pela experiência da segunda época do pena. quero com isto dizer que não sei se com este falcao é que nós vamos lá. eu sei é que finalmente e de certeza absoluta, tenho um jogador que sabe festejar golos!

esqueçam a qualidade do golo de ontem. aquilo foi, perdoem-me, um valente chouriço. a única coisa com peso conta e medida foi mesmo o passe do meireles. daí para frente já acho que houve muito grão na engrenagem: o trabalho do hulk muito atabalhoado, aquele remate com um pé direito que tem a qualidade dum josé torres foi no mínimo risível. e, para mim, repito, o toque é à chouriço. podem-me dizer que não e mais não sei o quê, mas para mim, é uma chouriçada. e guardem por favor a memória do madjer para outras situações. ligar aquele toque de calcanhar com o do madjer em viena é mais ou menos como confundir a estrada da beira com a beira da estrada. quero com isto dizer, duma forma subliminar que o golo frente aos leões é muito, muito melhor que o de ontem.

porém, meus amigos, reparem no show que ele faz após a marcação. o gajo desata a correr como louco, o cabelo a bailar, os braços abertos... que maravilha. vê se que há ali influências da escola argentina da bombonera e da monumental de nuñez. estou mesmo contente com esta aquisição.

sim, sei que é uma parvoeira das antigas gostar dum jogador pela forma como festeja os seus golos. mas, caramba, se o jogador festeja os seus golos significa que os marcou. se o jogador é do clube então significa também que o clube marcou um golo. certo? certo, claro!

ai este falcao. repito, que maravilha estes festejos. que loucura, a boca aberta, os braços em vê, assim à kempes, a forma como aterra de joelhos. oléééééé!

venham mais destes!



é claro que não há realizadores de tv em portugal que nos deixem ver estes festejos como deve ser. ou mudam logo para a camara que está a focar o banco dos suplentes ou o camarote presidencial ou... ou uma outra merda qualquer, pronto!

romano

eu gostava de avisar que se algum adulto comer a minha filha quando ela tiver 13 anos vai mesmo de cana. se por acaso ele conseguir sobreviver ao flagelo dos cartuxos de sal enterrados na peida, disparados pela minha caçadeira e conseguir fugir para o estrangeiro, fique descansado que se voltar ao meu país, mesmo que 30 ou 40 anos depois, vai de cana. chame-se ele zezé camarinha, tomás de mello vasconcelos, tomás taveira ou roman polanski.

para mim dá no mesmo.

e mesmo que a parva da minha filha me venha a dizer, anos depois «eh pá, bem vistas as coisas também não sofri assim tanto, porra!»

repito, dá no mesmo!

terça-feira, setembro 29, 2009

markl

esta é a razão porque eu tenho vergonha de escrever - e como sabem eu acho que escrevo duas vezes por mês sobre os prefab sprout ou o steve mcqueen ou lá o que é - sobre estes meninos. é porque depois eu leio isto, sinto-me reduzido à minha insignificância e só me apetece ficar caladito e bater palminhas no fim

caro senhor markl, deixe-me, contudo dizer-lhe o seguinte, eu sou mais velho e por isso cheguei primeiro. ok, cedo no from lengley park... pode ficar com a taça, mas no que respeita ao steve mcqueen, ponha-se na bicha que eu sou o que gosta mais de todas as pessoas que há aqui na terra.


segunda-feira, setembro 28, 2009

já é um começo

o bruno alves este fim-de-semana marcou um livre directo cuja bola conseguiu ser direccionada para o rectângulo formado pelos três ferros e a linha de cal da baliza.

já é um começo, caramba!

a minha vitória de ontem

enquanto for ele a vencer, eu agradecerei a todos os santinhos.
enquanto for ele a vencer e continuar com a namorada que tem
, eu agradecerei a todos os santinhos.
enquanto for ele a vencer, continuar com a namorada que tem e ela aparecer para lhe dar um beijinho no nariz, eu agradecerei a todos os santinhos.
enquanto for ele a vencer, continuar com a namorada que tem, ela aparecer para lhe dar um beijinho no nariz e a televisão estiver lá para registar a coisa, eu agradecerei a todos os santinhos.
enquanto for ele a vencer, continuar com a namorada que tem, ela aparecer para lhe dar um beijinho no nariz, a televisão estiver lá para registar a coisa e as televisões portuguesas passarem as imagens, eu agradecerei a todos os santinhos.

(peço desculpa mas eu continuo a tentar encontrar a origem daquele "pcp em último lugar" que li esta manhã)


na terra do meu pai, em tempos, houve um moço que tinha dificuldades em dizer as letras "c" e "g". o som cê era normalmente trocado pelo som tê e o som guê era pronunciado como dê.

desta forma o moço cantarolava amiúde uma lenga-lenga que suposto ser assim:
ó figueira dá-me um figo
ó cacho dá-me um baguinho...

acabava por ser assim:
ó fideira dá-me um fido
ó tacho dá-me um badinho.

ó zé, faz lá um gráfico jeitozinho para as pessoas entenderem melhor esta coisa das eleições)


li hoje que o pcp tinha ficado em último lugar.

quinta-feira, setembro 24, 2009

haja campanha!

ouço todas as pessoas mandarem bitates acerca das eleições, da campanha eleitoral, do bloco, dessas coisas todas. uns a dizer mal, outros também, outros ainda também. contudo, não consigo compreender, e lamento esse facto, que ninguém, erga a voz e diga alto e bom som: obrigado senhor pê ésse por não incluir canções do vangelis nos comícios.

por outro lado, eu se mandasse, sei lá, no bloco - gente maluca e tal, armados em fornecedores de mortalhas (não têm categoria, lamento, para representar um charro a ninguém) - era gajo para incluir esta canção sempre que alguém do partido falasse.

(quem diz o louçã, diz a tal outra dos tetos bélicos. a que foi convidada lá para aquilo da droga ou lá o que é.)


quarta-feira, setembro 23, 2009

peter saville

recebo convites para tratar das hortas, pedem-me para ajudar os cães abandonados, solicitam-me que responda a questionários, querem que eu vá votar com base na avaliação que eu tenha feito sobre o político que melhor se tenha safado com o gato fedorento, exigem que jogue às cartas da mafia ou lá o que é, tudo muito bonito, tudo cheio de boa vontade. mas não há um caralho dum amigo que me tivesse dito: jaiminho, meu cabrão, sabes que o peter saville vem à experimenta design? 'bora lá ouvir o gajo, bute?

(já veio, já se foi embora. obrigadinho, seus caralhinhos, por se terem lembrado de me informarem!)
(mandem-me agora convites e fotos da horta que eu vos fornico a alma. olha, apanham-me em dia bom, apanham sim senhora!...)

terça-feira, setembro 22, 2009

os homens que odeiam as mulheres

a minha educação obriga-me a não falar nuns penaltis que têm aparecido por aí, reservando-me (bruxo!) para quando precisar de ir desenterrá-los (bruxo, bruxo) quando me der mais jeito.

e dá sempre jeito.

infelizmente, não há-de faltar muito tempo para que os senhores árbitros desatem a enganarem-se para o meu lado.

eu sei que isso ainda não aconteceu porque eu não leio os jornais mas dou uma vista de olhos nas primeiras páginas e, quando há molho nas arbitragens do clube, aparecem umas palavras assim, estilo escândalo (sabem lá bem o que é um escândalo), roubo e mais não sei o quê. e como só tenho lido coisas ligadas com braga e o bom jesus e mais não sei o quê, sei que está tudo no bom caminho.

maravilha!

bom, isto até parece um post de bola mas é mentira. eu só vim mesmo aqui num instantinho porque ando a ler a coqueluche lá do sueco que morreu e deixou a trilogia e o senhor que traduziu - não me apetece ir lá acima ver o nome do senhor - aquilo lá de estrangeiro para português é tão bom, mas tão bom tradutor, que todos, mas todos sem excepção, os "nada a ver" aparecem (bem) corrigidos para "nada que ver".

gostava de ver mais pessoas a escrever e a falar assim.

(eu por mim, lá vou educando a miúda a não dizer portanto ou «é assim:» no início das frases. aquele «é assim», meus amigos, trespassa-me a peida! a minha vontade é interromper as pessoas com um «é assim é a puta da tua mãe e mais os cornos do teu pai» mas depois vinha-me à memória as varizes da clotilde maluca (tenho que fazer uns posts sobre esta deusa!) da aldeia dadonde nasci e aosdespois parava-me a dingestão!

é melhor estar quietinho.)

segunda-feira, setembro 14, 2009

separados não à nascença mas, vá lá, 3 meses depois


eu não sou muito bom em política. estou, pois, ao nível da população nacional elegível e, por isso, sinto-me confortável neste meu grau de conhecimentos.

contudo, permitam-me fazer a seguinte pergunta: terá ocorrido algum fenómeno de mimetismo - provavelmente devido às inúmeras horas televisivas que passaram juntos - que tenha transformado o santana lopes numa espécie de parente gráfico do pôncio monteiro?



sexta-feira, setembro 11, 2009

o monhé dos arrabaldes

esta banda sonora é tão, mas tão subvalorizadinha, caneco!



(estávamos em plenos noventa. já não havia meias brancas mas ainda se viam muitas camisas com volutas)

quinta-feira, setembro 10, 2009

cróife


a esquire espanhola deste mês (há lá coisa mais chauvinista e armada aos cucos que fazer referências a revistas estrangeiras?) traz uma valente entrevista com o cruyff.

depois não digam que eu não avisei. custa praticamente tanto quanto a playboy portuguesa.

repito, pela vossa saudinha, leiam (e vejam) aquela revista.

e não se podem calá-los?

algures no verão do ano passado fui ver um jogo da nossa selecção à suiça. juntamente comigo, no mesmo avião, seguiam, empresários, actores de telenovela, directores de televisão, empresários de televisão, jogadores de futebol, etc.

a certa altura, esteve durante uns tempos à minha beira, o senhor polanco. topei-o de alto a baixo porque me estava a impedir a passagem para mudar a água às azeitonas. pedi-lhe licença e o senhor, sorriu-me, pediu desculpa pela distracção e deixou-me passar. vi naquele preciso momento que era nele que eu tinha que confiar para que deixasse de existir nas noites de sexta-feira da tvi, aquela mistura entre uma filial do correio da manhã e uma subsidiária da revista sábado. outros viam lá naquele noticiário a lola da rodrigues sampaio mas isso já é outra louça.

repito, como entretanto ganhei o hábito de deixar de ver televisão (obrigado, filha), estive-me cagando para o facto da manela ter ficado sem o seu brinquedo. e se houve realmente pressão do sócrates para acabar com o telejornal da sexta-feira, então, meu caro inginheiro, fizeste mais por nós do que realmente pensas. melhor que isso só mesmo o facto de teres deixado de fumar. agora já só te falta começares a governar este rectangulozeco.

adiante.

ontem ao ver a selecção, por estar demasiado cansado, não tive oportunidade de trazer para perto da minha mão o comando da televisão. vi-me pois impossibilitado de baixar o caralho do volume da televisão, tendo ficado com cerca de 14 milímetros cúbicos do cérebro para sempre fodidos com aquela coisa que é a presença vocal do vidrinhos que a tvi teima em deixar fazer comentários, apresentações de programas e relatos de futebol.

voltei a recordar-me do senhor polanco: caramba, tu que despachaste o moniz, que despachaste a manela, tens ou não tens cojones roxos para colocar aquele caralhinho do sousa martins a bater palmas aos programas do goucha?

livre directo para fora

eu quero aproveitar esta paragem do campeonato, não para falar sobre a selecção mas para dizer um enunciado que para mim é o maior mistério da actual liga de futebol:

alguém me sabe dizer quantos golos o bruno alves marcou de livre directo? sabe?

assim, de memória, recordo-me de um ao sporting, um outro ao estrela e, sinceramente, não me recordo de mais nenhum. estarei enganado? talvez. mas não me engano por muito.

faço agora outra pergunta, quantos livres directos marca ele por jogo? todos, não é? ora se, se calhar, ele marca cerca de, sei lá, 15, 20 livres directos por época, não era altura de começar a marcar mais golos?

é isto o melhor que o clube consegue arranjar para a marcação de livres? não há nada melhor? caramba, eu não peço um mihaijlovic, nada disso, não peço o céu, mas chegava-me um gajo que marcasse, sei lá, 6 ou 8 golos de livre por época, pronto
.

terça-feira, setembro 08, 2009

a idade da loba

enquanto zappingava, evitando a todo o custo os louçãs desta vida:
- ó pai, ó pai, espera. põe neste canal, neste.
- mas qual canal, naquele que ela estava a dançar?
- sim.
- este canal?
- não, o outro, o outro!
- ...
- esse, esse!
- ... (quase a babar-me com a shakira) (mentira, babei-me mesmo)


- ela não tem cuequinhas, pai?
- tem, mas são de cor, assim, sei lá, cor das pernas sabes?
- sei.
- ...


- deve ser bom estar ali pendurada naqueles ferros da jaula. eu gosto de a ver ali pendurada a dançar.
- olha, curiosamente o pai também gosta.




- ó filha, onde é que estás?
- aquiiiiiiiiiiiiiiii!!!!!!
- onde?
- aqui no guarda vestidos.
- do teu quarto?
- simmmmmm.
- (deve estar lá de volta dos vestidinhos toda peneirosa em frente ao espelho)

- ó filha. tu és louca?
- estava a dançar também...
- é pá, mas não te podes pendurar aí no varão se não isso cai tudo. ainda partes o ilíaco, pá.
- mas a menina da canção também estava...
- ó filha.... larga lá o varão, faz-me lá esse favor, sim?



(bem que me avisavam que era melhor ter tido um puto)

sexta-feira, setembro 04, 2009

nick frost

(poderia começar este post alastrando, artificialmente, a toda a população mundial, merdas que só eu tenho. assim, eu queria ter iniciado este maravilhoso parágrafo com a frase «como qualquer pessoa normal, também eu tenho as minhas manias», mas não, vou assumir a coisa de frente. cá vai.)

eu e somente eu, tenho umas quantas manias acerca de alguns povos: tenho a mania dos brasileiros e dos ingleses. tenho pronto. gosto das séries inglesas, gosto dos filmes ingleses, gosto das revistas inglesas, gosto de ir a inglaterra (não que vá todos os dias, mas pronto, fica bem dizer aqui). e com os brasileiros é a mesma coisa: os filmes, as revistas (bom, mais as de viagens - reparem que eu disse de viagens, não disse de turismo. as condé nest traveler, as blue ou as volta ao mundo desta vida são revistas de turismo. e até normalmente são revistas de fotografias de turismo. aquilo de viagens tem muito pouco -, a playboy, uma ou outra também porreira e, claro, a piauí, a rainha das revistas.

esse meu preconceito parvo faz-me bater palminhas, dar pulinhos na cadeira e soltar uns gritinhos de excitação cada vez que tenho oportunidade de ver um filmito, neste caso em concreto, inglês. ainda mais quando estamos a falar de coisas do richard curtis (que paradoxamente - para o início do meu post - nasceu na nova zelândia).

eu arrecordo-me (é igual ao alembro-me, mas com um pitadinha de requinte) de ter lido umas paneleirices acerca do seu último filme the boat that rocked, lá
com umas comparações em relação às outras coisas que ele já tinha escrito - convenhamos, é tentador achicalhar alguém que fez o blackadder ou o four weddings e depois "já só faz" o boat that rocked - e, fui na conversa deles, dos que escreveram lá as coisinhas, ficando com algum receio do que iria ver. mais a mais porque já tenho dificuldades em ver um filme de seguida, situação que piora se o visionamento for feito em casa. no cinema, confesso, vou tão poucas vezes que fico meio nervosinho de excitação de estar a sair de casa.

ena, ena, oba, oba!

e de maneiras que afinal não. afinal o filme é bestial, é divertido, tem tantos e tão bons actores. tem diálogos tão bem gizados, caramba. e dá para rir, imagine-se.

não sei, confesso, se foi pelo entusiasmo do filme ser inglês, não sei so foi pelos bill nighy ou kenneth branagh que eu gosto tanto, não sei se foi pelo facto do seymour hoofman não saber representar mal ou se simplesmente pelo facto de realmente o nick frost ser douuuuuuutro campeonato.

mas, lá está, isto sou eu e as minhas manias a falarem.



terça-feira, setembro 01, 2009

comigo nunca mexeu, confesso

o mexia é assim uma espécie de dave matthews band da minha blogocoisa: toda a gente gosta dele (nada contra, atenção) e eu não consigo entender porquê.

(mas percebo que o mal é meu.)
(sucede-me o mesmo com os coldplay. na boa, estou habituado. um dia, quem sabe lá para 2011 ainda venho a gostar deles. mas gostar "à séria". não é curtir uma ou outra música só porque sim. afinal eu gosto, assim de morte, do julia e tudo o resto que o cão do pavlov fez não me diz rigorosamente nada. e isso, como devem imaginar, não me faz gostar deles.)


segunda-feira, agosto 31, 2009

sweet jane

algures por volta de 1985, os xutos e pontapés foram à tv e apanharam com o carlos cruz. de chofre, perguntou ao zé pedro se os xutos eram uma banda ou uma forma de estar na vida. respondeu o simpático guitarrista, depois de meio segundo de reflexão, que eles eram uma forma de estar na vida.

meses depois, estava eu em casa do osguinha a ouvir em altos berros o sexo quando irrompe quarto adentro o irmão do meio e nos pede: podem baixar aí os forma de estar na vida?

assim fizémos. assim baixámos.

olhou para nós com um ar de desprezo/gozo e perguntou-me:
- também gostas dos forma de estar na vida?
- tem dias. nem por isso.
(mentira. isto de não gostar, foi, apenas, após 1987. até lá, eu gostava muito)
- então e qual é a tua banda favorita?
- neste momento?
(que contra-pergunta mais besta, não?)
- não, noutro momento qualquer.
- humm, talvez os velvet.
- e tens idade para gostar dos velvet?
- não sei.

não tinha. nunca terei. vai-se ouvindo, pronto.

quinta-feira, agosto 27, 2009

com uma abébia dos meus camaradas

rezam as crónicas (as femininas também) que o cristiano ronaldo tinha acabado de chegar ao sportem e, como era jeitozo, puseram-no a jogar com os júniores. ele era, presumo, ainda um minorca do caneco e ali estava ele a jogar já com malta bem mais velha, de pelo na venta e corpo de adulto.

porém, ele lá foi para dentro do treino e passados 12 segundos já ele estava a dizer «ó chavalo, passa mas é a bola, caralho!»

os anos passam e se há coisa que podemos verificar nos cristianos desta vida - e também muito no futre (que saudades) - é que se estão cagando e andando para o palco onde estão a actuar porque não são atacados por aquilo que o valdano designou como medo cénico: jogar no alvalade contra o vila chã de sapo ou no maracanã contra o brasil, para eles sempre deu no mesmo. queriam (e querem) era jogar à bola.

chegou-me à minha beira um bídeo dum moço que eu não sei se estava nervoso, se é um valente cagão, se tem boa voz (tem) ou se tudo o que escrevi está errado. o que sei - ou pelo menos dá ideia disso - é que não se vê ali nenhum medo cénico.

gostei

cliquem aqui

shattered

um abraço ao engenheiro quadros,

algures em 1983, acompanhado dum meu amiguinho dessa altura, entro em casa dele e deparámo-nos com um cagaçal dos diabos.

no hall, dirigimos a cabeça em direcção da porta da casa de banho e notámos que o som vinha lá de dentro. de lá de dentro vinha também, um cabo que atravessava a porta fechada e que, ligado a uma tomada bem perto da porta da dita casa de banho, fornecia energia a um tijolo, provavelmente onkyo, que emanava uma rockalhada do caneco.

- é o meu irmão zé. está a tomar banho e a ouvir o still life dos rolling stones.
- iá.
- ele foi vê-los a madrid, na final do espanha 82.

ora, este diálogo encerrava, duas ou três questões que, para mim, puto de muita tenrinha idade, eram coisas que poderíamos arrumar na diocesa: g'anda ventarola.

a saber:
- o facto de haver um tijolo lá em casa, quando na minha havia um picâpe dos antigos que me fodia e riscava os discos com uma limpeza dos diabos;
- o facto de haver alguém que gostava dos rolling stones, coisa muito, muito além, para alguém - eu - que submetia os seus gostos musicais à (boa) enxurrada comercial que o jorge pêgo (e a ana bola também) me mostrava no t.n.t (patrocínio do shampoo timotei de camomila);
- o facto de haver alguém, que eu podia tocar assim com um dedo e tal, que tinha ordeca dos pais para ir a concertos;
- o facto desse concerto ser, imagine-se, em madrid.

os rolling stones só se tranformaram na minha banda favorita uns sete ou oito anos mais tarde quando me rendi, não às coisinhas dos seus discos dos anos sessenta, mas sim, aos dos anos 70. black and blue, iorr, exile, emotional rescue, some girls, sticky fingers e por aí fora, esses sim é que são a minha praia. e claro está, o still life que o referido zé estava a ouvir em altos berros naquela casa da miguel bombarda.

da tourneé de onde foi extraído esse disco, lembraram-se os rolling stones de convidar um senhor chamado hal ashby (vão ao gugâl saber quem é) para fazer um filmezeco a que deram o supimpa nome de «bute mazé passar a naite cá com o je», no original «let's spend the night together».

ora esse filme ainda é o filme dos filmes no que toca a coisas de concertos, coisas de rock, ou coisas do musicól, digamos. poderme-ão dizer que há também o shine a light e tal, que o scorcese é que é, que aquilo está muito bem filmado... bom, quero que vão todos para o real caralhinho com essas opiniões. para mim, gosto mais de comer um prego cheio de molhanga e mais um traçadinho na tendinha do rossio que uma gaita qualquer num restaurante daqueles em que os empregados se chamam valdiney e cortam o cabelo em institutos de beleza. ou seja, o meu problema não está no trabalho do senhor scorcese mas sim nos rolling stones
em si. basta olhar para as imagens desse concerto dos idos oitenta para ver que eles ali estavam no pico dos picos.

é toda aquela envolvência: um estádio cheio, americanos doidos, uma coisa em tempe no arizona, bem no meio do deserto e tal, o jagger magérrimo, com calças apertadíssimas e joalheiras de skate, o kiff com aquele ar de joe strummer, ao piano ainda estava o ian stewart e tal... é perfeito, simplesmente perfeito. e o palco? que maravilha: cor, seco, rude, amplo. e depois tem aquele letreiro luminoso a dar um ar de carruagem do metro a anunciar as estações, daqueles antigos com as letras formadas por pontos vermelhos.

esta não é a minha favorita. mas é nesta em que se vê uma coisa que eu ador. está o jagger a mostrar o ombro, a dizer she do me, she do me, she do me, enquanto saltita tesourinhas, quando se vê o bill a sacar o isqueiro do bolso do seu blusão - uma coisa muito eighties, assim em schintz ou coisa parecida. idêntico a um que eu possuí e que tive o cuidado de foder, ao entalar uma das suas abas, no eixo dianteiro esquerdo do meu carro de esferas, numa daqueles excitantes provas realizadas nas traseiras do lote 20 barra 21 da mira fernandes - a acender o seu cacilho, enquanto a música já decorria. sem excitações nem compromissos, aguarda pelo acorde correcto, sem temer perder a vez ou entrar atrasado, fazendo-se ouvir o seu baixo, ali no momento em que o seu téni naique esquerdo começa a subir e a descer, marcando o ritmo do seu instrumento.


chama-se a isto, uma banda de níbel!



terça-feira, agosto 25, 2009

o fogo inesquecível

gente amiga foi há dias a londres ver os u2.

aosdespois, teve a lata de enviar um email a um grupo de amigos dizendo: foi espectacular. cliquem no link em anexo para ver os comentários no fórum e blah, blah, blah...

ou seja «pessoal, gostei. não sei escrever sobre este assunto por isso leiam o que os outros disseram».

o rapaz é parvo, claro! (aquele beijinho, meu conho!)

mas a verdade é que acabei por clicar lá no link indicado e dei uma vista de olhos. não li os comentários lá do referido fórum mas dei uma especial atenção à setlist da coisa. tomando em consideração que estamos em 2009 e que os moços já têm mais que uma dúzia de discos, deixem-me vou dizer que é um conjunto de canções supimpas. é uma lista do caraças. e digo isto por várias razões das quais destaco duas: porque tocam 7 das 11 canções deste último disco - definitivamente o melhor dos últimos 20 anos, a par, digo-o duma forma desinfectada, do achtung baby -; e porque entre outras, tocam o unforgettable fire. e acreditem, por mais setlists que se possam construir, haver uma que tenha o fogo inesquecível (e até tem o bad, camandro!) empurra logo a coisa para um valente concerto.



estou com inveja do meu amigo, não liguem!

segunda-feira, agosto 24, 2009

dietas

armados em regenerados, já com as férias definitivamente enterradas, decidimos amansar um cadinho a dimensão das cilhas dos respectivos pancis - mais eu, que ela é parva e não sabe o que é gordura corporal.

assim, aproveitando o facto da mais pequena estar de férias, elegemos como menus para a janta, sopinha e fruta.

eu acrescentei uma taça de tinto que há limites para tudo.

tudo muito bem, tudo maravilhoso, muitos sorrisos e mais o caralho e tal.

- ah, se eu comer outra fruta, não tem mal nenhum, não é? é fruta, por isso...

mais à frente:
- realmente, ó amor, isto nas férias foi um descalabro de pão, doces, cerveja...
- e leitão, e leitão...
- isso.
- mas agora, olha lá a gente, hein? gaspacho, sopinha, frutinha... que maravilha.
- e não vais ter fome?
- nahh, temos que mortificar o corpo. se ela vier mais perto da noite, come-se... bom, come-se outra peça de fruta!
- isso.

encho outra taça de tinto, uma coisa fina, ali uma espécie de cartuxa, desvinculado pelo vizinho de cima e tal. vamos os dois para a sala, silêncio humano, a miúda com os avós... nem um «cala-te, porra!» ou um «vai mazé já prá a cama que o pai já te vai ler a história!». nada disso, tudo quáiate, tudo pianinho.

- bem amor, vou lavar a loiça.

porta fechada, música da cozinha, estupidamente alta, sintonizada no immigrant song. os pratos na máquina da loiça, os talheres também, os copos, a bimby... espera lá! mas que merda é esta que a bimby tem aqui dentro. isto... isto são restos de... carne? carninha? ui! mas isto tudo junto ainda dá para uma.... onde é que eu tenho o salazar? está aqui, espera lá... uhhhh! que maravilha. então em tempos de dieta... e na lâmina? espera lá, espera lá, se eu conseguir sacar aqui com uma faquinha daquelas que dão nos aviões... já está. a brincar, a brincar ainda mamei... ora deixa cá ver, mandei cá para dentro umas boas duas colheres de chá de carninha!

em tempos de crise...

e amanhã tenho a certeza que ela vai ler isto e pega logo no telefone:
- ó meu estilhaço de punheta, isto é que é solidariedade, meu cabrão?

(calma, estou a brincar, ela não diz asneiras.)
(nem eu.)
(deves!)

sexta-feira, agosto 21, 2009

bloch


eu tenho medo de falhar, digamos, por meses... vá lá, semanas, pronto. mas eu acho que a débora bloch está em ponto de rebuçado há seguramente 22 anos e 5 meses!

(que ganza de mulher!)

domingo, agosto 16, 2009

nebulosa

cara rita,

pronto, lá vim finalmente para o meu posto de observação do céu devidamente artilhado (sabes bem que este artilhado é um exagero) com o tripé para os binoculos (comprei o tal adaptador, sabes?) e, imagina tu, vim também com um monóculo que o meu cunhado me emprestou.
ora bem, acho que já te tinha dito, nem nos binóculos nem no monóculo havia qualquer referência à potência, características ou marca da coisa. por isso, lá fui eu para o campo sem ter nenhuma noção do que iria encontrar.
ainda estava a preparar o tripé (dizer «preparar o tripé» é uma coisa já meio pro, não achas?) quando alguém que comigo estava de férias comentou:
- olha, se vais ver o céu tens que olhar ali para aquele ponto que é marte.
marte? pensei eu cá para comigo, sem ter nem certezas nem dúvidas em relação àquela informação. olha, se for, porreiro. se não for, logo descobrirei o que é.
olhei para lá com os binóculos e, como deves imaginar, os meus «vastíssimos» conhecimentos levaram-me a um mero encolher de ombros somado ao previsível pensamento «talvez seja». acabo então de colocar os binos (dizer «binos» também é coisa de pro, não é?) (estou feito um cagão, já viste?) no tripé, aponto a coisa para o suposto «marte», vejo a coisa com mais atenção, vou buscar o pc para a minha beira, ligo o stellarium (com esta é que arrumei as questões todas. gajo que vai olhar o céu artilhado de stellarium está literalmente a armar-se aos cucos, não achas? um dia destes estou para aqui a falar em dobosianas e coisas assim, não é?), procuro com mais atenção e... eh pá, jupiter? será?
era.
que maravilha, rita. nunca tinha visto assim, pelo meu olheco, um astro desses que andam à volta do sol que não fosse a lua. tótil, pá. ali estavam eles, de um lado o europa, do outro o ganímedes... coisa mais gira.

depois fui à revistinha lá do sir patrick moore e aquilo lá tinha um gráfico todo catita com a evolução das luas de júpiter e lá fui acompanhando ao longo dos dias a coisa.
ora bem, vistas as coisas de júpiter desatei a tentar perceber o que raio se consegue ver com os binos devidamente fixos no tripé. eis quando tento procurar e.... e encontro a nebulosa de andrómeda. é pá, uma coisa diferente dum pontinho e tal. uma coisa assim fora do vulgar, gira, pronto.

encheu-me o dia. ou melhor, encheu-me a noite. daí para a frente lá fui seguindo as sugestões da revista. aquela coisa do triângulo de verão e tal. mas claro, volta e meia voltava ao planeta grande para ver o desenrolar do carrousel lá das luas. que maravilha.

ah, o tal monóculo não é mau. já se vêem as coisas mais pertinho e tal. mas é como tu já me tinhas prevenido, a quantidade de luz já é bem mais reduzida e torna-se também mais complicado encontrar o que se quer ver ou até, como sabes, ter uma nitidez da coisa.

mas gostei, gostei mesmo. e fiquei também com a certeza que dada a frequência com que terei estes céus, preciso de bater muitas muitas noites de binóculos antes de eventualmente - tenho sérias dúvidas - me meter num telescópio.

vale?

motas

eu não sou contra as motas.
eu não sou contra motards.
eu não sou contra as concentrações de motas.
eu sou é contra a minha ineficiência em conseguir conjugar as minhas férias com aquele período do ano em que não há concentrações de motas nos locais onde passo férias.

eu até compreendo, respeito e louvo o espírito camarada entre os motards.
eu até aceito e verifico que há motards - gente mais cota e tal - que vão para as concentrações com aquela aura zen de "iá, pisse ende lâve tu evri bodi".
eu não consigo é aceitar que me digam que, estatísticamente falando, este último tipo de motards seja o "cidadão comum" entre os motards.

não me fodam nem me enrabem, é só abrir os olhinhos. as pessoas que não têm nada que ver com as motas mas que têm que apanhar com elas durante as concentrações
sim, porque não julguem que os motards ficam circunscritos ao recinto das concentrações. não, nada disso, vêm cá para fora e andam por aí como fugitivos exibicionistas.
apanham por tabela com o vasqueiro que emana da porra das ponteiras
não era suposto haver um caralho dum limite legal para aquele coisa dos decibéis que as motas fazem?
apanham com o cheiro íntimo que os concentraccionistas (ou lá como é que esta gente se chama) transportam;
nada contra. quem fez inter rail ou semana de campo na tropa sabe que há coisas que não se conseguem evitar. sou é contra ter que apanhar com falta de asseio nas ventas.
apanha com aquele regime de excepção em relação à obrigatoriedade do uso de capacete
se eu decidir fazer uma concentração, sei lá, de carros amarelo-torrado permitem-me andar sem cinto? e sem cuecas? e sem pneus? e sem pára-choques? e sem carta?
e tem que assistir àquelas bonitas cenas, que por isto mesmo sucedem, onde surgem, na frente dos zelosos gnr, famílias numa mota, com o pai à frente, a mãe atrás e, no meio, entalado entre os dois, um ou outro bebé.
uma maravilha, ali os três e tal, sem capacete...
contudo, continuo a achar o top dos topes, aquele coisa de desatarem a acelerar a seco, ali a puxar pelas máquinas, o barulho a aumentar, os sorrisos matreiros deles e delas (pois, ataca a todos os géneros) como quem diz «maquinão do caralho, hein?» e as cumplicidades dos que assistem, sentados nos selins (ou assentos ou lá o que aquela merda se chama) a sorrirem também.
as cerejas nos topos dos bolos são aqueles ou aquelas que captam e gravam todos estes acontecimentos nas suas privadas câmaras de vídeo. imagino-os mais tarde, lá em casa, naquelas salas de jantar repletas de posters com uma ou outra águia da harley, interrompendo os programas das choppers do orange county com aquelas frases «ó toino, e se víssemos aquele vídeo com o necas a sacar aquelas gazádas na kawa?».
eu falei em cerejas e bolos no parágrafo anterior mas enganei-me. na realidade eu que queria deixar esta coisa das cerejas para este parágrafo aqui. é que podem não acreditar mas aqueles malandros dos motards já não se contentam espectáculos de gajas com tetos semi-tapados por camisolas molhadas. agora têm que terminar as concentrações com, imagine-se, raves ou tendas electrónicas e mais não sei o quê. ora acreditem, mesmo numa zona cuja topografia é bastante acidentada, mesmo assim, temos que apanhar com pum-pum-pum-pum-pum que atravessa vales e montanhas mesmo a mais de uma légua (são cinco quilómetros, não precisam de ir ao gugâl) de distância, isto, refira-se, às seis ou sete da matina.
foda-se, só me faltava mais isto. quero dormir, caralho!

sábado, agosto 15, 2009

ferrari

ontem guiei um «ferrari».

não andava propriamente a sonhar com isso todos os dias mas caneco, um ferrari é sempre um ferrari.
infelizmente não era um ferrari de 4 rodas mas sim um de 2 rodas. falo na realidade de uma bicicleta, um ferrarizaço das bicicletas.
meu deus, eu acho que vi a luz. há qualquer coisa de extraterresre em guiar uma coisa daquelas.
se estou a exagerar no entusiasmo? é provável que sim.
mas reparem, a minha primeira (e única) bicicleta comprou-me o meu pai, tinha eu aí uns sete ou oito anos. era uma chopper azul (à porto, carago!), sem mudanças, daquelas que se podiam dobrar ao meio para facilitar o seu transporte, pesadíssima e que perdeu o assento, poucos meses após a sua estreia.
era daqueles estilo harley e o meu pai teve o cuidado de adaptar um tubo de canalizador num selim branco, comprado na mítica ciclo-areeiro, localizada naquelas arcadas dos edifícios do início da gago coutinho.
ora, devido ao seu peso excessivo, ao selim que me obrigava a pedalar praticamente em pé por não chegar em condições com os pés aos pedais e àquela horrível configuração do guiador era um tormento conquistar subidas com ela.

e o meu bairro tinha (e tem) a característica de estar cercada por subidas (ou descidas). além disso, mesmo lá dentro do bairro, havia umas subidas, digamos, de primeira categoria, como por exemplo a da sede do vitória.

poder-me-ão dizer que a subida da mira fernandes era uma coisa puxada, que a calçada - principalmente devido ao seu piso em basalto e ao constante tráfego automóvel - era também uma coisa complicada e até que quem se atrevesse a subir a do carrascal tinha que ter a sua dose de loucura.

mas friso, subir a silveira peixoto não era para todos. aliás eu arrisco a dizer que nunca ninguém subiu a aquela via.

ora, é com estes pressupostos - somados, eventualmente, ao facto de as minhas últimas experiências ciclísticas terem acontecido numa bicla «conquistada» nuns pontos de combustível e graciosamente cedida por alguém que prefere vê-la a andar por aí sob o meu rabo do que arrumada numa garagem - que eu peguei então na bicla do meu cunhado. o tal ferrari que referi logo no início.
cum raio, aquilo é tudo perfeito, simplesmente perfeito. caraças, a gente bota os pés nos pedais e tudo se encaixa. deixa de haver subidas.
eu às tantas estava a ver que tinha ganho 10 quilos de músculos nas pernas mas não, eram mesmo o raio das mudanças que funcionavam ali, pianinho, sem saídas de corrente, sem trec-trec-trec a roçar nos carretos, com a suspensão dianteira regulável para não andarmos aos solavancos quando subimos as ladeiras. é tudo mesmo perfeito.

e depois o peso. é pá, eu acho que a minha mulher tem talheres lá em casa mais pesados que a bicla. que maravilha!
não posso deixar de referir aqui os travões da menina. para quem passou dois anos - entre os meus 11 e os 13 - a gastar ténis porque os travões da roda traseira não funcionavam, obrigando-nos a entalar o pé entre o quadro e a roda para reduzir a velocidade, acreditem, ter uma bicla com travões de disco é, não só uma loucura, como também, no mínimo, bizarro.
andei nela umas meras duas voltinhas de 45 minutos cada. mas caramba, só o prazer de galgar subidas nela... e estou a escrever esta isto, páro, olho para trás e vejo, na mesma frase "prazer" e "subidas" e há realmente coisas que só acontecem quando andamos num ferrari!
e não, não vou referir nem marca nem modelo da bicla para não virem os eventuais comentários (ou emails) do costume a dizer que «não, não, máquina a sério é uma não sei quantos, por medida, com garfos de titânio ou lá o que é. mariquices, de quem quer - como eu - falar só por falar. como se não houvesse vários "escalões" de ferraris. como se eu dissesse que tinha conduzido um daytona ou um enzo e me viessem falar que o veyron mete os outros italianos a um canto.

são os mesmos comentadores que nos respondiam «ah, mas se fosse um ml63 é que tinha pinta!» quando relatamos que a gaja tinha a mania de nos deixar assapar com o ml350 do pai para as dunas do guincho, depois de nos pagar valentes mariscadas no muxaxo. ainda que lhes replicássemos que aqueles tetos valiam punham qualquer ml63 a um canto...

bom, vou-me calar!

quinta-feira, agosto 13, 2009

férias

tenho dificuldade em compreender as férias sem que as mesmas sejam com calorzinho. não digo caloooooor entendem? digo, vamos lá a ver, calorzinho, vale?

tenho dificuldade em compreender as férias sem que as mesmas sejam passadas em fato de banho e chinelos. nada mais que isto. qualquer t-shirt, para mim, já é um sobretudo.
subscrevo aqui, desde já, a minha enorme admiração - e desprezo - pelas pessoas que vejo nas revistas - que também (quase) só folheio nas férias- e que usam, imagine-se, calças (encarnadas, amarelas ou verdes), gel ou, quem sabe, saltos altos.
tenho dificuldade em compreender as férias sem que nas mesmas eu não engorde. não me lixem, preocupações com a barriga têm-se durante os meses de frio. agora no verão? no verão comem-se: gelados, chicha grelhada besuntada com maionaise com alho picado, cerveja até fartar, tintol até cansar, sestas enooormes, doces de envergonhar aquelas freiras enclausuradas lá nos conventos...

tenho dificuldade em compreender as férias sem que nas mesmas não dê os meus passeios de bicla. volto a frisar: passeios. coisas feitas francamente com prazer. não que não me canse e sue a fazer isto, mas é tipicamente um «quem corre por gosto...

tenho dificuldade em compreender as férias sem que nas mesmas não me perca nas revistas que a minha mulher e outras veraneantes ao meu redor compram as quais mostram pela 356ª vez a gaja que o roberto severo andou em tempos a comer em mais uma festa de verão.

tenho dificuldades em compreender as pessoas que passam pelas férias como se fingissem que estão a trabalhar.

quarta-feira, agosto 12, 2009

pergunta francamente inocente

serei o único português que ainda se recorda que no verão de 2005 os jornais e os cronistas diziam que «este benfica de koeman é muito superior ao de trappatoni»; que no verão de 2006 diziam que «este benfica de fernando santos é muito superior ao benfica de koeman»; que no verão de 2007 diziam que «este novo benfica de fernando santos é muito superior à versão do ano de 2006» passando a dizer, semanas depois que «este benfica de de camacho tem uma alma superior à do treinador português»; que no verão de 2008 «o benfica de flores iria inundar os estádios de futebol com um perfume de campeão»?
serei?
eu bem sei que a actividade jornalística só sobrevive com páginas encarnadas. não tenho nada contra, note-se. caguei para isso. ficaria, isso sim, bastante aborrecido se os jogos do meu clube só tivessem, digamos, uma porcentagem de «montra» idêntica, ou seja, uns meros, 35 minutos.
não estou a dizer que este não vai ser o ano do benfica, mas quando toca a comentários, opiniões, essas tretas, não era altura dos escribas começarem a usar aquela treta dos paninhos quentes e mais não sei o quê?

crítico

não sei, confesso, se me hei-de aborrecer - o termo correcto é ralar - a sério com certas coisas durante o tempo de férias.
mais a mais porque cada vez que o faço estou a gastar valioso tempo de internet da pen do meu pai.
mas pronto, cá vai: «não consigo entender muito bem a essência da crítica de cinema». ou seja, não consigo tolerar que quando uma pessoa está perante uma folha de papel ou um ecrã de computador em branco, o seu único fito seja: tenho que dizer bem ou dizer mal.
fui à dias ao cinema. ora este acto que há uns anos era algo corriqueiro mas sempre feito com uma valente dose de expectativa, tornou-se, nos dias que correm, num momento de «só lá vou se acho que não me vou chatear muito».
calhou ir assitir à projecção dum filme, realizado pelo provavelmente único realizador que eu gosto mesmo. ora, esta frase já carrega algumas tolices. primeiro porque está subjacente nela que eu sei o que faz um realizador. facto que obviamente não sei. depois porque é uma afirmação fundamentada na soma das partes, ou seja, com base nas visualizações dos seus anteriores filmes. até aqui tudo bem. porém, as coisas que eu gosto - e muito - nos seus anteriores filmes, não tenho a cereteza, confesso, se têm o seu dedo de realizador ou se são obra dos montadores, editores, directores de fotografia ou essas actividades que os filmes têm e que depois, nos óscares todas as pessoas se estão cagando para quem ganha o quê. assim como assim eu decidi que o responsável pelo facto de eu gostar do filme x ou y, não sendo pelo actor ou pela actriz, é o realizador.
na verdade há umas quantas coisas nos filmes anteriores do senhor que eu não encontro nos filmes de mais ninguém. quando fui ver este filme, agora, já não encontrei uma das características que me enchem as medidas. porém, encontrei outras. e, pronto, gostei. dei a noite como ganha.
outras pessoas comentavam este ou aquele actor. tudo bem, é um comentário lógico e expectável. a mim, os actores passaram-me francamente ao lado. nem me aqueceu nem me arrefeceu. e se não me arrefeceu já foi muito bom.
mas claro, valeu o dinheiro gasto.
caí porém no erro de ler, sem querer, confesso, «coisas» sobre o filme. felizmente li só depois. e há um denominador comum em todas as tais »coisas» sobre o filme, ninguém escreve tendo em mente que as pessoas vão ao cinema para se divertirem, distraírem, ouvir/ver contar umas história, etc... não há um único escriba que não use o seu espaço para cair naquele caralhinho de desatar a escrever como quem atribui notas a uma turma que acabou de fazer um teste de ciências da natureza. não entendo, confesso.
foda-se, cinjam-se a dizer «gostei»/«não gostei» disto ou daquilo. por que raio têm que desatar a cagar postas de pescada sobre a textura do argumento ou a solidez do desempenho do director de fotogtrafia? é assim tanto necessário?
eu entendo que haja necessidade de se escrever, de se encher a página, mas não exageremos. e muito menos, não se perca o fito de informar o eventual espectador que «iá, tem lá umas cenas fixes, umas metralhadoras que até parecem reais e até há uma altura em que as gajas se mamam uma na outra!»
por vezes perde-se o essencial. mas pronto, isto sou eu a exagerar, lá está.

sexta-feira, agosto 07, 2009

morreu o joão

não foi só na adolescência, como muito bem recorda o mike gayle no life and soul of the party, que os nossos interesses femininos se dividiam em gostos pelas molly's ou pelas ally's desta vida. ainda agora, olho para homens que conheci ainda putos chavalecos e, quando me apresentam a mulher (companheira, namorada ou essas coisas), fico logo com vontade de os interpelar «arranjaste uma molly? é pá, sempre julguei que eras mais ally?»

esta dicotomia é apenas um dos aspectos que são fotografias de quem tinha borbulhas na cara entre 1980 e 1989 que o john hughes tão bem decidiu mostrar no sixteen candles, no breakfast club e no pretty in pink.

parece que o senhor joão bateu a bota. temos pena. eu pelo menos tenho muita pena. até porque nunca mais voltaram a haver filmes como aquele.

ok, aceito que o joel schumacher também fez o st elmo's fire. mas, convenhamos, não é a mesma coisa. para mim, não é realmente a mesma coisa.





sexta-feira, julho 31, 2009

o rei do lexotan

percebemos que somos uns eternos proprietários de mundos desconhecidos quando, após decorrido um par de horas, já recebi uma mão cheia de perguntas acerca de minha eventual ida à missa do leonard cohen.

meus caros, cohen, até ver, só mesmo os irmãos cohen e mesmo com esses, nem sempre. a música e a voz do leonard cohen é seguramente das coisas mais soporíferas que a indústria não farmacêutica alguma vez produziu.

é uma valente seca!

o meu leonard cohen ficou morto, morrido, matado e enterrado, alguras no final dos anos oitenta quando também foram enterradas as idas ao quarteto por causa do tarkowski ou as sandes de clearasil para sanar as erupções cutâneas.

salva-se o facto do senhor senhor uma pessoa simpática e educada.

além disso, já não há cu - nem peida nem pacote - para aguentar a forma como as pessoas me questionam acerca da ida ou não à referida missa «foste ver leonard cohen?».

foda-se, mas haverá alguma directiva comunitária que impeça as pessoas modernaças de utilizarem artigos definidos?

ó que caralho! falam de músicos como quem fala de colheres de pau! desemparem-me a tasca, por favor!

quinta-feira, julho 30, 2009

sniff, snifff


já não me bastava o salvador do salvador dali, o uomo da trussardi, o photo do lagerfeld ou o new west da aramis agora chegou também a vez à armani?

pergunto, duma forma bem séria, quem foi a valente cavalgadura que retirou de circulação o city glam?

fit less

percebemos que não estamos em forma quando na aula de ginástica passamos mais tempo a olhar para o relógio e a contar os minutos que faltam para o fim do que a controlar os tetos do mulherio reflectidos no espelho.

quarta-feira, julho 29, 2009

bonny

sou dos que acham que o steve mcqueen (o melhor disco dos anos oitenta) não deveria começar com faron young mas sim com o bonny.

aliás tenho a certeza que muitas das desgraças que o meu mundo conheceu em 1985 se deveram ao facto de me ter chateado tantas vezes quando tentava acertar com a posição da agulha do gira-discos, ali na segunda cantiga do lado a.

porque reparem, logo após a bonny, vem a appetite, seguida pela when love breaks down, terminando o lado a com a perfeita goodbye lucille #1 mais conhecida pelos amigos como a johnny johnny.

por isso, se o mundo fosse perfeito, tinham passado o desire as do lado b para o lado a, eu diria, deixa cá ver, entre a when love breaks down e a goodbye lucille #1 e, com alguma arrumação, também lá enfiavam a horsin' around.

mas também não sou fundamentalista, se já não coubesse no lado a podia muito bem ficar no lado b mas no início. ou então, esperem lá, já sei. mandavam a appetite para o lado b dando então espaço suficiente para a entrada da horsin' around.

confusos? acredito. são desejos dum louco e como sabem não se devem contrariá-los.

resumindo e concluindo, lado a: bonny, when love breaks down, desire as, goodbye lucille #1, horsin' around; lado b: appetite e as restantes.

(para o povo que não sabe o que é comprar e pôr a tocar discos de vinil acredito que este post seja uma valente estupidez. e é. para todos os outros, admito que também o seja. e realmente é!)



há tanto tempo que eu não falava de bola


hoje é dia de liga dos campeões.

mas: a bola fala na felicidade do keirrison, o record fala no peixoto e o jogo fala nas costas dos cagões (ou nos cagões de costas ou lá o que é).

pronto, parece-me justo!

terça-feira, julho 28, 2009

las palabras de amor (ou um dia destes ponho o body language que eu também gosto muito)

as minhas experiências musicais, como vos é dado a perceber pelo que vai acontecendo neste blog de trampa, têm uns valentes paradoxos. os meus queridos rolingue pedras, por exemplo, têm discos tão, mas tão bons, como o exile on main street ou o black and blue e apesar disso o disco de que mais gosto é o undercover; o prince tem coisas tão giras como o around the world... e a minha paixão cai sempre no parade; e aqui os queen de quem eu já gostei mais - mas que adoro como quem adora a função renal que os ereteres têm o a night at the opera - têm umas coisas bem à maneira como o jazz mas de quem, vá se lá a saber porquê, gosto muito do hot space.

pela vossa saudinha, não me tentem compreender.



quarta-feira, julho 22, 2009

todo lo que hago lo hago por ti

como já lá vão aí uns 17/18 anos, já se pode gostar do waking up the neighbours sem acharmos que estamos a gostar de músicas foleiras ou aquilo é um rótulo que fica para sempre?


segunda-feira, julho 20, 2009

tenho saudades, confesso, do «portanto»...

e então do «pertantes» nem queiram saber!

isto tudo porque já não há pachorra para ouvir pessoas começarem frases com «é assim»
.

quinta-feira, julho 09, 2009

pernóxtxicu

- césar, eu já fumei um maço de cigarros, pode?
- não pode...
- diz a ela que está crescida, pode fumar à vontade. eu te dei a piteira, com a piteira filtra tudo.
- ahhh, mas fica pernóstico
- você só pega o ar das montanhas.
- com a piteira fica pernóstico.
- eu adoro aqueles picos altos ali em teresópolis...
- ... o dedo de deus...
- ... pico, pico boulevard

este video não faz jus a este diálogo entre o camargo mariano, o tom jobim e a "hélice" regina.



mas é o que se arranja. e não se arranja nada mal, não senhor!

terça-feira, julho 07, 2009

cultura pop

que ninguém se ofenda com a coisa, mas ando por aí a ler tanta letra, tanta palavra, tanto parágrafo, coisas tão apuradas, descrições tão precisas de tudo o que sucedeu ontem em madrid com o cristiano, gente tão revoltada com as emissões, com o tempo gasto pelas televisões que fico na dúvida: essa malta tinha o botão de desligar a tv ou de mudar o canal avariado?

eu por exemplo aproveitei para cagar - li mais umas 13 páginas dos relatos do comandante vasco moscoso de aragão (acabei há pouco no dentista) -, mudei o saco do lixo da cozinha - a tola da minha filha tinha despejado umas casacas de meloa lá para aquele espaço entre o balde e o saco de plástico e estava já a ficar um cheiro que não se podia -, e estive a fazer um refill a dois frascos muito apaneleirados, com uns pauzinhos e tal que exalam um cheiro porreiro a chá verde. um dos frascos está no meu quarto - não, a minha mulher não. sou só mesmo eu que cheiro mal de noite - e o outro está na casa de banho.

ahh, compreendo, estavam só à espera para verem as imagens da tomada de posse do novo ministro da economia. ok, pronto, já percebi! era realmente um tema porreiro.

e não, isto não nenhuma indirecta, directa ou abordagem a tema algum. até porque eu já não consigo fazer directas e abordagens faziam os filibusteiros.

intervalo grande

se eu tivesse que responder, com sinceridade, àquelas incansáveis provocações que nos fazem quando chegamos aos entas

nada muito diferente das que nos fizeram quando desatámos a
trintar por aí fora

aquelas coisas do «e então, como é ter quarenta anos?» eu diria que ter quarenta anos é ter patine na saudade.

assim como os prédios da almirante reis sempre tiveram patine

noutro dia reparei que os das avenidas novas, agora que nos aproximamos a correr do fim desta década do novo milénio, começam a ter também patine de boa casta nos alçados frontais


também nós olhamos para as nossas saudades mais remotas, com aquela coisa boa de lá encontrar paredes com vestígios de mais de vinte anos, assim como as paredes com camadas sucessivas de cartazes das festas do avante ou dos concertos de apoio à libertação do povo oprimido pelo general noriega.


se aos trinta eu verificava que aconteciam com bastante frequência frases iniciadas com as palavras «lembro-me, há vinte anos...», aos quarenta, tenho a felicidade de reencontrar pessoas que não via há pelo menos, os tais referidos «há vinte anos».

e sucedem-me com uma velocidade estonteante esses reencontros: há dois anos foi a fantástica reunião de colegas duma muito gira turma do meu rainha dona leonor; há uns meses marcou-me muito um valente simpósio gastronómico em casa da minha única prima carnal

gosto muito de dizer «primos
carnais»

aqui do meu lado jaime, a «tal» prima que todos nós tivemos, temos e teremos;

gosto tanto de tua pinta, pá!
;

no meu 40º aniversário recebo um telefonema duma ovelha transviada que abandonou há uns 18 anos um rebanho muito porreiro; desde há uns dois anos, ou coisa que o valha que me ando a empanturrar com valentes comezainas nuns encontros muito aprazíveis

não penses que os caracóis de ontem fazem esquecer o leitão. e aviso já que não te armes em caçador gabirú, a apanhar estorninhos com pescoceiras armadas lá no terreno para nos servires passarinhos com arroz. estou para aqui a falar e se calhar nem sabes o que são pescoceiras. nahhh, deves saber!

com gente da velha, velha, velha guarda; há uns meses foi uma mana que esteve guardada uns oito anos, precisamente para me saberem melhor uns reencontros valentes, acontecidos já neste ano que andamos a percorrer; são histórias atrás de histórias.

e se o facebook (ou o hi5 ou o raio que o parta) é o novo suplemento dos classificados com anúncios a reencontros do batalhão de combatentes destacados no uige de 1968 a 1972, então juntemo-nos ao facebook que não vem daí mal nenhum ao mundo.

e eu ando para aqui a engonhar, com este texto nitidamente de «ir ao cu» e nunca mais chego ao que interessa.

falei ali atrasado numa turma do meu querido rainha dona leonor. foi uma turma criada ali por volta de 1986/87 ou coisa que o valha, gente já com bigode rijo e tal, pessoal que já tinha arrumado os lusíadas - cheios de desenhos grafitados de adamastores com palas à pirata e bigodinhos hitlerianos - na prateleira mais alta e andava agora na livraria da fundação gulbenkian, lá na cave, armados em finos e carapaus de corrida, feitos parvos a comprar o pesadíssimo jansen. mas tinha mesmo que ser comprado...

pois, agora falo-vos de uns cromos mais difíceis.

começaram timidamente; este adicionou aquele, que descobriu depois aqueloutro e mais não sei o quê e quando demos por ela, estavam umas pessoas que já não se viam há uns vinte e tal anos a coleccionar almoços à sexta-feira.

e desses almoços de 48 minutos cada, partimos para o patamar da jantarada.

mas aqui já é preciso sorte. da mesma forma que havia sempre um tanso que tinha mais lata e paciência para os aspectos logístico-escolares e que apanhava com o frete de ser o delegado de turma, também aqui há uns (e umas. calma, não atirem pedras) que fazem os favor de nos oferecerem de presente: folhas de excell com relações de alunos, contactos telefónicos, messengers... e que marcam mesas em restaurantes, organizam contas, falam com empregados de mesa e coisas assim.

depois há gente, nitidamente mais parva (não tens outro nome, meu querido engenheiro) que enfia em sua casa, uma dúzia de bêbados e barulhentos cotas, carregados de paletes de cerveja, sacos de gelo e uns cd, para evitar que os plateaus desta vida ganhem uns trocos com um bando de cantores de karaoke.

este post, como a maioria das coisas deste blog, é obviamente escrito com um (uns) destinatário(s) na parte da frente do envelope.

é assim mesmo!




madrugada de domingo, no regresso a casa, transportando comigo muita emoção boa, uma valente cólica renal e um ensonado advogado, comentava com este último, como é bom ter andado na escola com pessoas tão diferentes que chegam, depois, aos quarenta e ãs, comportando-se duma forma tão homogénea e pateta. como é bom ver chegar à nossa beira, esta ou aquela pessoa que já não vemos há tantos anos, darmos um abraço, soltarmo-nos num repente e disparando para o outro um «vais tu ou vou eu pedir duas tulipas ali ao balcão?» assim, como quem diz «vai-me ali à mirita do bar e tira-me uma senha para um bolo de arroz, enquanto vou num instante ao wc passar o meu kispo por água, que o cabrão do augusto mandou-me com um torrão de terra com tanta força que até parecia que me partia o ilíaco.»

não me apetece (se calhar até apetece) estar para aqui a reflectir muito sobre a noite de sábado. sei é que fiquei com a sensação que tinha estado de novo, num dos intervalos da escola. no grande, no de quinze minutos. é isso, para mim, aquilo foi o intervalo grande.

e eu espero que a minha filha nunca nunca leia esta parte - tenho a certeza que se está cagando e andando para isto - mas para a sua formação mais lá de dentro da ialma preocupa-me mais que ela chegue aos 35 ou 40 anos com o espírito de saudade e reencontro que o pai e os seus amigos de escola têm, do que ter passado os anos todos, cheia de: boas notas, irrepreensíveis comportamentos disciplinares ou folhas de avaliação pejadas de «assíduo e pontual»

(gostava de ter exagerado com o que escrevi nesta última parte, mas estou ainda tão emocionado com aquilo tudo de sábado que por enquanto é assim que fica.)

dê, dê, dêdêredê
dê, dê, dêdêredê
dê, dê...




(só deus sabe porque carga de água, onde está a maria, está um bando de gajos todos augados à volta.)

quinta-feira, julho 02, 2009

roy orbison singing for the lonely

quem cresceu sob o livro de horas do thunder road, sabe que haveremos sempre de imaginar os lonely a receberem cânticos do roy orbison.

e se já não tínhamos idade para ouvir as coisas do roy orbison, também ainda não a tínhamos para encaixá-las noutros momentos da nossa vida. provavelmente, já nem sentido faria até, convocá-las, precisamente para serem bandas sonoras do que quer que seja da nossa vida.

mas por outro lado fazia sentido que naquele filme em que a screen door slams, e em que como numa visão ela dança ali sob o alpendre ao som do roy orbison. não éramos apreciadores da sua música mas respeitávamo-lo porque os que amávamos gostavam da música dele.

alguras no final da década de oitenta, o t-bone burnett, decidiu reunir um bando de compinchas e pô-los a trabalhar para o roy orbison. chamaram-lhe a esse evento «a black and white night». estão lá todos os que eram preciso estar para homenagearem o grande roy. dentre eles destaco obviamente a bonnie raitt, uma moça, justamente (por mim) considerada o melhor malho do rock and roll. bom, mas não estou para me maçar em vos contar o que por lá aconteceu. simplesmente gosto e é bonito ver alguns dos «donos de palco», recuarem dois ou três passos e baixarem um pouco o volume da voz, para a festa resultar melhor.

trago aqui este dream baby porque... ora, porque escolhi uma em que o springsteen (braço direito lá do roy neste concerto) faz um valente papelão.

eu imagino como é que ele se estaria a sentir nesta noite.

muita atenção ao que acontece durante os sete segundos a partir dos 3:00 minutos!

(é um dos 3 melhores dvd da minha humilde colecção)

respeito!



quarta-feira, julho 01, 2009

igordutes!

fico a pensar, seriamente, no que que de grave se terá passado em criança, com os adultos que preferem iogurtes natuarais aos de frutas.

seca de morte (passe a expressão, por favor)

depois (depois uma ova, durante!) da seca que tenho andado a apanhar com a morte do máááááááíchaaaaaaaaaaaaellll, peço encarecidamente a deus que madonna, o thom yorke ou o chris martin, não morram nos próximos tempos.

porém, solicito, por exemplo, ainda ao tal referido deus, que faça o favor de re-matar, sei lá, por exemplo, o marc bolan.