quarta-feira, janeiro 14, 2009

blues in the 20th century

para o meu zezinho

bem no meio dos anos oitenta, lá por volta de 1986 ou 1987, o steve miller decidiu gravar um disco com algumas versões de umas rockalhadas e duns blues, na sua maioria do jimmy reed. esse disco chamou-se living in the 20th century.

uns anos mais tarde, no final do verão de 1990 ("o verão dos verões"), ali em setembro, entrei com a minha namorada e o meu compincha zé, na cave do atlas que ficava na lousã.

quando damos por ela, estava a dar na televisão uns telediscos de blues - era a nossa perdição na altura - bem acatitados. industriado pelo meu companheiro de noite masculino, soube então que aquilo era uma repetição duma cena que já tinha sido transmitida na tv, durante essa semana. disse-me ele que aquilo era sobre uns blues que o steve miller tinha gravado e que a coisa tinha "muita pinta". recordo perfeitamente de ele se estar a referir às palavras do cantor em relação aos penteados que se usavam nos anos cinquenta: a poupa, a cauda de escorpião...

não voltei a rever aquelas imagens, mas ficaram as memórias dum som muito bem esgalhado, com umas harmónicas a rasgar as malhas da guitarra, tudo filmado num black white muito joly. um mimo.

somente no ano seguinte consegui encontrar esse tal disco que continha as músicas que ouvi lá no atlas, o qual foi comprado, presumo, numa das minhas investidas à frineve do areeiro.

que maravilha! estavam lá todas:: ain't that love in you baby, big boss man, caress me baby (um tesão de canção), i wanna be loved...

adoro, adoro este disco. tenho é muito pena que ele não exista com grande abundância aí pelo mercado. mas também sei que fizeram uma reedição que anda à venda nas amazónias desta internet.

o iu tube andou meio desmazelado em relação a este tema. bem sei que não há edição nem reedição do vídeo a que me refiro nos primeiros parágrafos. aquilo chamou-se blues in the 20th century e pelo que vasculho, além de vhs existe uma edição em laser disc. sei-o porque encontrei este artigozinho aqui. agora à venda nas lojas? nicles! nicles batatóides!

mas caramba, numa altura em que se edita em dvd tudo o que mexe, nunca compreendi porque razão isto não apareceu ainda por aí. é que a imagem é bestial e podiam muito bem espetar um sonzinho cristalino à coisa. nada de cinco ponto um ou sete ponto um. para mim, para se ouvir blues, bastava-me um simples e adequado estéreo que fizesse bombar estas valentes batidas que finalmente encontrei no amigo iu tube.

inté me arrepiei, caraças. após quase 20 anos, voltei a rever estas imagens. isto meus amigos é sublime.

blues como deviam ser todos os blues.

siga o baile.







este é a sequência completa do filme. são apenas 27 minutos. é uma coisa minorca e tudo. que porra, até tem o james cotton na harmónica caralho!

senhores editores, ponham lá isto no mercado, pode ser?

o zé, tu recordas-te que depois de sairmos do atlas, depois da padaria, em vez de regressarmos por serpins, fizemos o long way home e demos a volta pela ponte de sótão e por góis, sempre, sempre a ouvir o just one night? lembraste, pá? até a ana veio para a frente. o japonês aguentou-se com todos nos bancos da frente sempre ali pela serra. devagarinho para conseguirmos ouvir aquela sequência que tinha o wonderful tonight, o if i don't be there by morning, o worried life blues e terminava com o all ou past times? que maravilha! e já agora, não falemos do comportamento dos travões do japonês nos dias mais próximos a esse evento.

biblia

por estas e por outras é que o west wing foi mesmo a melhor das melhores.



os que têm dificuldade, como eu, em entender tudo o que o senhor vai dizendo, devem clicar aqui.

a minha esquisitice em relação ao desempenho de certos actores nota-se em pequenos detalhes. eu, por exemplo, sempre gostei do toby. e neste clipezinho reparo que ele faz um gesto, quase que involuntário, de encolher ligeiramente os ombros enquanto está ali a ouvir o seu presidente. um actor qualquer, ficava, digo eu, simplesmente ali, quieto. gosto.

"nahhh, eu cá é que sei como é que as coisas na realidade são"

neste momento estas são as coisas que gosto de ouvir pessoas a discorrer:

- crise económica
- faixa de gaza
- comentários do cardeal patriarca (sobre esta então, adoro!)

gosto, confeso que gosto.

(contudo, tenho saudades dos grandes tempos que que se debatia sobre a invasão do iraque, os cubanos em angola, a licenciatura do sócrates, timor, a velocidade do michael thomas ou do paula almeida e por aí fora)

broa como o milho

as pessoas que dizem "boas como o milho" não quererão realmente dizer "broas de milho"?

é que o milho ser bom? minha nossa senhora, blhec! eu não estou a dizer que é mau, mas reparem: estão a ver a mónica bellucci ser tão boa como o milho do hollywood foster's ou como, sei lá, uma embalagem de corn flakes?

e dumas broas? não que as broas sejam tão boas quanto a mónica. mas na verdade eu nunca provei a mónica, mas já provei umas broas que me disseram estão a caminho daqui da pança do je. e sei do que falo.

venham elas!

terça-feira, janeiro 13, 2009

o melhor eu sei que vou te amar

eu até sei precisar a altura em que isto aconteceu: falamos do reviralho de 1992 para 1993. ocorreu na ade, uma aldeia do distrito da guarda p'radonde o grupinho que eu tinha na altura fugiu para celebrar condignamente o novo ano.

fui para lá numa viagem de comboio e estive uma boa meia hora, sob um demoníaco barbeiro sibérico, sozinho, na estação de caminhos de ferro da cerdeira, a aguardar que me fossem recolher. foi o ano em que ouvíamos incessantemente o live dos ácê faísca dêcê, foi o ano em que íamos a butes até ao monte perobolço - terra dum jornalista desportivo dos que eu até gosto mas que agora não me lembro o nome - para beber café e foi o ano em que... em que muitas coisas giras aconteceram também.

antes do regresso para lisboa, almoçámos uma frangalhada ali para os lados de castelo mendo e foi aí, já na altura em que ao balcão, com o tito, bebíamos uma cafezada que olhei para a televisão e lá estava ele, num especial sobre o tom jobim. imponente, ali, no quadrado daquela televisão salora, saíam imagens do caetano veloso a cantar o eu sei que vou te amar. e recordo que sonhei esperançado que o meu pai estivesse a gravar aquilo. não gravou, temos pena.

era o meu eu sei que vou te amar favorito. um eu sei que vou te amar igual a um outro que eu ouvia em coimbra, numa puta duma manhã também fria como tudo, uns três ou quatro anos antes.

melhor que o do vinicius, melhor que o do tom jobim, sem sombra de dúvidas melhor que o da simone, incomparavelmente melhor que o da gal costa e do roberto carlos. isto já para não falar duns eu sei que vou te amar que ouvi em tempos pela dona alice caneças (credo!) e por um ou outra participante do big brother (credo, credo!) que a minha memória teve a gentileza de esquecer.

é o meu eu sei que vou te amar favorito porque é igual ao do meu primeiro eu sei que vou te amar. porque é um eu sei que vou te amar que tem um «eu sei que vou sofrer» num falsete que é mesmo sofrido, como devem ser todos os falsetes do mundo.

e podia também referir este eu sei que vou te amar - ou este que também gosto muito -, mas nenhum enxerta aquela parte do dindi duma forma que eu não ouço mais ninguém a enxertar.

em 1989 isto nem sequer era brega, hoje brega é esquecermo-nos que isto é de 1989

consegui, achei e nem te perdoo se não vires isto com um sorriso nos lábios. repara que esta cena nunca foi uma coisa romântica ou pelo menos não simboliza uma coisa romântica nossa. esta cena, curiosamente, para mim, recorda-me o meu pai e as coisas que ele foi fazendo - e faz! - que o tornam um imenso caracter.

como, por exemplo, lembrar-se de gravar numa basf de ferro encarnada, através dum gravador grundig daqueles que usei para o zx sinclair cinzento, assim, presumo, sentado junto da nossa televisão, enquanto fazia um esforço tremendo para manter um silêncio sepulcral que não afectasse a gravação.

e depois, olha, há aquelas frases que repetimos milhares de vezes. porque aos 30 anos, em vez de certas pessoas brincarem às caricas ou às bonecas, divertido mesmo era brincar aos programas de natal do roberto carlos. isto claro, quando não chegávamos ao ponto de brincarmos de faustão.

e para sempre estas frases, lembras-te?

- ... minhas e do erasmo, maurício duboc, carlos colla, isolda...
- isolda!

- eu viajo no teu oceano, eu viajo no teu mar...
- ahhhh, que maravilha.
- ... eu gosto desse barco que viaja pelo infinito...
- que bom que a gente...
- ... eu faço parte dele.
- que bom que a gente está no mesmo barco.
(e aquela gargalhada. a gargalhada que parece um motor de barco com os platinados marados)

- eu cantei, eu cantei coisas assim como «eu te proponho... nós nos amarmos...
- nos entregarmos...
- se você pretende, saber quem eu sou
- eu... posso lhe dizer...
- no seu corpo é que eu encontro, depois do amor... (e o encosto de cabeças. que maravilha!) o descanso...
- (ambos) e essa paz infinita!

- e outras coisas bonitas...
- como o quê, por exemplo?
- como... você foi...
- ui! (este ui esmaga-me)



segunda-feira, janeiro 12, 2009

atalhos

maluco por mapas, google earths, plantas e mais não sei o quê, gosto qaundo descubro atalhos que me fazem encurtar o tempo de percurso entre dois locais.

gosto mais quando o faço sem ajuda da net nem nada. assim, apenas numa tarde de domingo, enquanto fazemos tempo que a miúda durma uma soneca lá no banco de trás.

será para sempre um mistério, a rede viária que se encontra naquele espaço circunscrito entre o ic 19, a marginal, a estrada do autódromo e, vá lá a cril. nunca, nunca hei-de perceber aquilo.

contemporâneos - e eu prometo que não falo mais sobre os rapazes. eu ainda por cima gosto deles, juro!

eu já tenho poucas metáforas para associar à minha relação com os contemporâneos. toda a gente diz que é bom, toda a gente diz que é fixe, toda a gente se ri e chegamos então à conclusão que o problema está é em nós. nós é que não achamos piada, pronto.

mas mesmo assim andamos ali de volta do comando, aquilo passa lá pelo canal um e acabamos por parar um bocadinho. já sabemos o que é que vai sair dali, mas ainda assim ficamos a olhar e o resultado... bom o resultado...digamos que aquilo me recorda as escarretas repuxadas dos velhos: nós sabemos que aquilo é uma nojeira que nos fará agoniar. ainda assim, ouvimos aquele barulho do velho a repuxar a garganta, vamos a caminhar em direcção a ele, escutamos a projecção do escarro, tentamos não olhar mas é inevitável, acabamos por olhar lá para aquele monte de gosma que mais parece um ovo verde cru. só que não tem casca, pronto.

casa aliviada

há pouca coisa tão libertadora quanto deitar para o lixo coisas que julgávamos vir a precisar, não precisámos e odiámos que tivessemos necessitado de cinco ou oito anos para termos percebido isso.

verão de 1987 - knight moves

o segundo melhor verão dos verões do tempo em que ainda se contavam verões.


desmancho

enquanto lhes desmanchava a árvore de natal, recordei-me naquelas vezes que tinha de catar carraças ao meu cão preto.

não encontro gesto mais parecido àquela coisa de tentar arrancar as putas das bolas, das estrelinhas e das séries de luzinhas do porcaria dos pedacinhos de plástico lá dos ramos da árvore.

(cada vez mais a favor dos presépios. cada vez mais com saudades da inquisição.)

e o chão cheio de coisinhas verdes entravincalhadas em tudo o que é sítio? e quando se entalam sob o rodapé e nem à laia de aspirador conseguem sair?

w

porque é que todos as minhas passagens de ano têm uma frase lapidar?

"o whisky começava por w e terminava em uílliam."

o efeito "barraca da brahma"

- paizinho, viste aquelas pessoas que atravessaram a rua à frente do carro?
- ... não me lembro. o que tinham?
- não te lembras? eram assim, pretinhos. eram pessoas pretinhas.
- ahhh, muito bem, já me recordo, foi ali perto da pastelaria ribeiro. aquela que até tem um veado, não era?
- sim. sabes pai, as pessoas pretinhas são as pessoas que eu mais gosto no mundo. gosto mesmo de pretinhos.
- pronto, está bem.

e das duas uma, ou me aparece um genro com um sardo enorme daqueles que roçam a tola nos joelhos ou terei pelo menos uma comadre que me fará umas almoçaradas com amboa ou besungué ou esses pratos que me deixam a salivar. mnham, mnham...

domingo, janeiro 11, 2009

este campeonato está viciado*

e no final dum jogo de que já não me recordo, o vítor manuel, entra no campo a correr, vai em direcção ao árbitro e trocam ali umas palavras. as imagens mostram gestos exaltados entre os dois homens e vêem-se no final uns cumprimentos de cortesia.

no flá chinterviú o jornalista mete veneno nas palavras e pergunta-lhe:
- viu-se ali mosquitos por cordas entre o senhor e o árbitro, quer comentar?
- nahhhh, nada disso. tão simplesmente eu abeirei-me do árbitro e disse-lhe «ó olegário, filho, aquilo ali era penálti, porra! falhaste naquele lance»...

reparem bem no uso do «filho». um dos logótipos deste treinador.

... e ele depois disse-me «ó vítor, se falhei foi sem querer.» e pronto, e são coisas do futebol, eu sou muito amigo do olegário e ele, certamente continuará a ser meu amigo.

hoje voltei a recordar-me desta famosa cena com este treinador - pelo menos para mim. e atenção que há outras - quando ouvi as declarações do jesualdo no fim do jogo de hoje.

não sei se o porto teve azar, não sei se o porto mereceu ganhar. sei que falhou muitas bolas e fez uma primeira parte de cáca. houve alguns lances onde foi prejudicado. o jesualdo teve razão na apreciação. já não esteve tão bem quando aludiu o desempenho da arbitragem do jogo do benfica. fica-lhe mal. e fica-lhe mal porque - e eu meto um colhão no cepo e tudo - eu tenho a certeza que daqui até ao final do campeonato, existirão outras arbitragens que beneficiarão o clube e prejudicarão os adversários. e nessa altura não ouviremos o jesualdo dizer que «ah e tal e a nossa equipa foi beneficiada pelos erros da arbitragem». não ouviremos o jesualdo, nem o bento (a quem um dia ouvi dizer que «as más decisões a seu favor existiam para compensar as que acontecem injustamente contra o sporting.» palavrinhas bonitas, não é?) nem o quique, nem o silvio cerdan.

uma chapelada para as declarações do capitão do trofense, não sei quê do ó, relativamente à sua expulsão bem perto do fim do jogo.

níbel!

* uma das cuspidelas para o ar ditas pelo sílvio cervan.

sexta-feira, janeiro 09, 2009

a provincia é quando e onde um homem quiser

ouço, volta e meia, gente da minha terra a dizer: ah e tal, o que era bem giro era se nevasse.

e em vez de me rir, tenho pena. e por outro lado tenho alegria. haja finalmente um momento em que esteja estampado na alma desta minha gente cosmopolita que se há povo provinciano e parolo, ele é o da minha terra.

já não bastava irem passear para o colombo, de mãos dadas com o namorado envergando uma camisa com um rato bordado nas costas: já não bastava pagarem 15 ou 17 euros para verem teatro representado pela dona alice caneças ou por aquela apresentadora do concurso em que aparecia aquele rapaz que tratava a namorada como quem trata um furriel; já não bastava vestirem os filhos como se fossem marinheiros da normandia ostentando penteados "à foda-se!" a imitarem agricultores alemães do século xix, e baptizando-os com nomes de animais domésticos como tomás, tobias ou rubin e sancha; agora para piorarem a coisa, imagino que se devem sentir no topo da piroseira e do provincianismo bacoco, posicionados na varanda do lux, de vodka laranja numa mão e um sg gigante cravado na outra, a olhar para a estação de santa apolónia convencidos que estão virados para coina ou para a atalaia, e enquanto contam os flocos de neve que caem na estrada suspiram «julgava, estava convencida a avaliar peloas imagen que transmitiam lá das estradas do marão, que a neve caía mais devagar. afinal não.»

quinta-feira, janeiro 08, 2009

então bom ano.

mais ou menos até que dia temos de dizer às pessoas que não vemos desde o dia 31 de dezembro «olá, bom ano!»?

ou melhor, a partir de que dia não somos rotulados de «mal-educados» por não dizermos o referido «bom ano!».

é que hoje não disse e ficaram ofendidos.

por outro lado, se digo, tenho receio que fiquem a pensar «olha-me para este parolo, ainda a desejar bom ano...» e caramba, eu tenho de aceitar que me chamem parolo mas por outra coisa qualquer. sei lá, por estar à frente do leixões. e do marítimo. e do paços de ferreira. e de mais uns quantos de que agora não me recordo.

patronizar

quem me lê (lêem-me, não é?), quem me conhece bem, sabe que eu não tenho conhecimentos de português suficientes para saber bem quando se deve escrever porque ou por que, quando é que se deve usar maiúsculas ou minúsculas, qual é o plural de gel (esta já sei) e por aí fora.

por isso também não me irrito assim muuuuuuuito (só um bocadinho, vá lá) com os erros de português que vou detectando. sou mais implacável com quem tem obrigação de o fazer duma forma limpa e desinfectada. gente da comunicação, gente das palavras não tem perdão.

por isso estranhei que ontem tenha lido numa legendagem duma série de televisão a seguinte frase:

- ai, pára de me patronizar.

a personagem em questão tinha dito qualquer coisa como «stop patronize me, please». se não foi isto para lá caminha.

ora eu julgo que o tradutor julgava que patronizar existia em português, que seria como que armar-se em patrão. é que não estou a imaginar outra coisa.

só espero que ele não apareça um dia lá no escritório, onde faz as traduções, a espirrar e a assoar-se e desabafe para os seus colegas:

- estou cá c'uma constipation do caneco! alguém me faz aí um chazinho para me acalmar?

é que não é por nada. são capazes de lhe encher um balde de água a ferver para que a merda comece a amolecer e possa desentupir a canalização traseira.

digo eu, pronto.

mas se calhar estou enganado e até um gajo se pode patronizar, quem sabe.

quarta-feira, janeiro 07, 2009

* gays no futebol? meu caro, o futebol não é para invertidos!*

ao que parece a federação de futebol inglesa quer gravar um vídeo contra a homofobia que grassa nos estádios inglesas.

vai daí tratou de convidar alguns futebolistas para aparecerem lá no video, transmitindouma mensagem de tolerância, compreensão e mais o caralho. dentre os futebolistas convidados, estão o cristiano e o beckham. dizem lá os senhores da federação que escolheram cirurgicamente estes dois meninos, por ambos terem uma boa aceitação junto dos públicos mais machos e, digamos, mais panilas.

ora, supondo eu que não são propriamente os maricas que vão armar estrilho para as bancadas, não seria melhor - isto sou só eu a perguntar, reparem - convidar mas era pessoal com aspecto de macho, gente de barba rija e tal, gente que bebe bagacinhos e come coiratos nos intervalos da bola em vez de pessoal com aspecto limpinho e abichanado como estes dois maduros.

re-pergunto: tinha ou não tinha mais credibilidade um video feito, sei lá, pelou grobellar ou pelo joe jordan?

sim, o jordan, um gajo com ar de vilão do 007 e que não tinha vergonha de jogar sem placa nem nada.

eu não estou a pôr em causa a heterosexualidade dos moços. estou-me cagando para o facto se se espetam de frente ou se atracam de proa**. a mim isto faz-me recordar quase - atenção aqui ao quase - aquelas campanhas anti-droga feitas pelos xutos nos anos oitenta, na mesma altura em que eu, por exemplo, tinha livrinhos de filtros de ganza - merchandising, pertantos. - com imagens do cerco.



* resposta dada pelo treinador oliveirinha quando lhe perguntaram se tinha conhecimento de haver paneleiros entre os jogadores de futebol.
** pronto, eu sabia que deveria ter tirado carta de marinheiro ou lá o que é antes de escrever esta gaita. fica aqui o registo de quem sabe da poda: atracam de popa, assim é que é.

senhor rodriguez

aqui há uns anos quando o rafael chegou do paços de ferreira um amigo, gente da bola atente-se, informou-me «não te admires se daqui a uns meses esse rafael seja o melhor jogador do teu clube e até de todo o campeonato». eu, confiado nas suas palavras, enchi-me de esperança. esperança essa que como a história veio a presenciar, foi pelo cano abaixo.

eu já sabia que de bola só deveria falar, comentar, acatar, as opiniões do meu quim. porque é assim desde há dez anos e assim deveria ser sempre.

aqui há meses, ao ver um jogo do clube no estádio da luz contra o benfica - o clube do quim - dizia-me ele enquanto eu via o senhor rodriguez a fintar uns quantos jogadores deitados no chão a contorcerem-se com cãibras «contrataste o nosso melhor jogador. ainda não sabes muito bem o que tens ali.»

e confesso, recordado pela memória do episódio do rafael, não dei muita importância à coisa.

as jornadas foram passando e, as fracas exibições do rapaz foram sendo disfarçadas lá pela versão oficial do clube «estava em processo, complicado, de adaptação». a verdade é que o tempo tem passado e vejo o senhor rodriguez, realmente, mais adaptado à coisa. noto, contudo, que desde que ele accionou lá no seu seguro automóvel a cobertura de quebra de vidros - ou terá sido vandalismo? - que a adaptação está a ser até mais bacana.

por isso foi no quim que eu pensei quando vi este golo. que diga-se é realmente um golaço do caneco.



contudo eu, esquisto como tudo, gostei mais de ver as movimentações lá dos senhores de azul e branco antes do golo acontecer. no meu tempo chamava-se aquilo geiometria pura - método de monge, não é? -. actualmente são apenas basculações. eu gosto, confesso. e gosto cada vez mais , mesmo coxo e a jogar a passo, do lucho.

entretanto gostava aqui de lembrar que esse tal senhor rodriguez, um médio-extremozado, tem mais golos que o senhor nuno ribeiro. gomes para alguns, amélia para outros.

«ó quim, até ver, além do golo ainda não o vi fazer nada de especial. o paim também marcou um golo contra o teu benfas para a taça e é ver onde anda agora. tenho de continuar a esperar?»

e pronto, já cá faltavam os coldplay

é certo que todos nós sabemos que o rod stewart roubou descaradamente o da ya think i'm sexy ao taj mahal do jorge ben.

é certo também que se não foi roubado, foi seguramente inspirando-se no still crazy after all these years que o armando gama compôs (ou não) o linda, linda esta balada que te dou.

até a kd lang veio dizer que os stones tinham plagiado o constant craving. a verdade é que os senhores quando souberam disso, adicionaram a senhora lang aos escritores do anybody seen my baby.

toda gente sabe, ou devia saber, que o irritante "só eu sei, porque não fico em casa" é retirado do refrão do wrong'em boyo dos clash.

noutro nível, é claro que o i want my, i want my mtv que o sting canta é igual ao don't stand so, don't stand so close to me que ele já cantara antes.

e por isso, o que algumas pessoas chamam de colagem, outras chamam de sampling e outras ainda chama de roubalheira (róbalheira no original). é atribuir-lhe o título correcto consoante os casos.

o que ninguém espera que eu acredite é que tenho sido "entirely coincidental" - são palavras lá dos senhores coldplay - haver uma música lá dos senhores que tenho muuuuuuuuuita coisa em comum com esta aqui.



mas pronto, é a vida. ou é a viva la vida, conforme queiram.

eu não digo que seja um plágio. nada disso. mas porra, usem palavras correctas. agora
entirely coincidental?

e não, não é isto que me faz gostar mais ou menos deles. não vão por aí

a little stiffy on that

eu sabia que um dia ia cair no limbo. não digo que já caí, mas confesso que colocar o vídeo ods oasis é meio caminho para me desgraçar.

mas espero que compreendam a atenuante da coisa. é que tenho saudades da royale family.

e este era a cantiga do genérico da coisa.





(desculpas, dirão outros)

corre, meu querido, corre

não é só o facto de ser uma grande canção e ter uma letra do camandro, eu nem sei muito bem o que é. há ali qualquer coisa... eu sei é que esta cantiga tem ares de ser dos anos setenta.

eu já de si me atrapalho a explicar as coisas, mas com isto que eu sinto sobre esta música a coisa é bem pior. até mesmo a sonoridade dela, pá, aquilo soa diferente, tem um ambiente sonoro (vá, não gozem, não sei como é que hei-de explicar, porra!) que não é igual ao resto do álbum.

a pianada muito calminha lá por trás, muito melancólica, como que a fazer molho de refogado àqueles enrrrhhhrr! da guitarra, e depois a voz dela, sem exageros, sem picos, ali certinha, que maravilha. e o baixo também, estou agora a ver, ali a dar corpo à tal pianada. uma pianada que tem aquele ritmos dasquelas caixinhas com uma bailarina a rodopiar em cima de um espelho.

mas gosto também ali do som da guitarra no solo. parece um solo daqueles órgãos da missa, mas acho que é mesmo uma guitarra. um dia, se encontrar o libório ou o condesso - pronto, se encontrar um dos organistas lá do meu bairro - pergunto-lhe se aquilo é mesmo a guitarra que faz aquele somzinho ou se é mesmo o órgão. e se afinal for mesmo o órgão, peço-lhe para reproduzir este trecho lá na igreja um dia destes.

e podia falar dos olhos ou daquele penteado com os caracóis sobre os olhos verdes. e podia falar da filha da mãe das pernas que a senhora tem. mas pronto, isso já não entra pelas orelhas dentro.

eu quero é dizer que há músicas que deviam ser bitola para uma discografia duma cantora. e esta, infelizmente, não é.





e quero dizer também que isto me recorda 1996 e se há ano que eu odiei foi mesmo 1996, mas isso agora não interessa nada.

terça-feira, dezembro 30, 2008

contemporâneos

para 2009, eu gostava que, quando os elementos do programa os contemporâneos ouvissem ou lessem uma crítica que não lhes fosse favorável, dissessem coisas tão simples quanto:

- não gostam? está bem.
- não gostam? ponham à beira do prato.
- não gostam? paciência.

coisas assim, sabem? simples.

é que já não há pachorra. parecem meninas (que se defendem escrevendo muito bem e tal... tudo muito bem justificadinho, não é.... com um português muito bonito... um mimo.) de baby blogs quando lhes dizem que a filha tem cara de trambolho.

segunda-feira, dezembro 29, 2008

outros reviralhos: 31 de dezembro de 1990

outros reviralhos: 31 de dezembro de 1997

outros reviralhos: 31 de dezembro de 1989




- ó paulinho, rebobina aí a cassete só mais outra vez.

outros reviralhos: 31 de dezembro de 1992


crescer custa

a noite passada custou-lhe a adormecer. tinha tosse, estava moída, foi complicado. às tantas pedia-nos carinhos. lá iamos, uma vez eu muitas vezes ela, o habitual.

dizia-me: está com dores de crescimento. diz que lhe doem as pernas. nunca tiveste?

disse-lhe que não.

continuou: eu recordo-me muito bem. tinha de ser massajada e tal. não te lembras mesmo?

reafirmei que não. e expliquei: eu nunca cresci!

quando fui tirar o meu primeiro bi, ali depois da primária, media 126 centímetros. quando entrei no rainha, já no sétimo ano, recordo-me que não chegava ao balcão do bufete quando queria comprar bolos. no meu nono ano, a maria joão coimbra, uma coisinha pequenina, gira, simpática, gira, querida, simpática, doce, fixe, gira, gira, gira e tal, verificou que eu era menor que três réguas de cinquenta centímetros juntas. se houve altura em que cresci alguma coisa foi só lá para os 17 ou 18 anos, quando cheguei aos fantásticos 171 centímetros. e nessa altura, quer-me parecer, que me lembre só tive dores de cotovelo.

já referi que a maria joão coimbra era gira?

outros reviralhos: 31 de dezembro de 1985


quarta-feira, dezembro 24, 2008

bolo-rei da garrett

hoje, 7h28 da manhã (madrugada, pronto), a fila na garrett para comprar o bolo-rei, ia até ao bpn.

hoje, 8h53 da manhã, a fila na garrett para comprar o bolo-rei ia até à loja dos artigos de golfe.

meus amigos, bem sei que onde houver alguém num stand duma feira a distribuir gratuitamente sacos de plástico, logo aí um molho de portugueses fará um filinha, mas caramba, por mais bom e saboroso que seja, estamos a falar de um bolo, porra!

ainda não estão assustados? e se vos disser que estavam 6 graus, pá?

nem assim?

notas:
1) e eu espetava aqui neste texto uma alusão à fila que na almirante reis, ali defronte da igreja dos anjos, alguns pobres esfomeados já estariam a formar e ficaria um post tão bonitinho, não era? pois, mas para o peditório da teologia da libertação eu nunca dei - daria porrada, pronto! - e também não preciso de tachos no bloco de esquerda.

2) frio, eu penso é no frio que o pessoal estava a passar

3) e cada vez que penso nos sobretudos dos clientes da garrett lá na fila vem-me à memória também o lucho a despir a camisola depois da marcar o golo lá em kiev. há gente para tudo.

segunda-feira, dezembro 22, 2008

o poste é o melhor amigo do guarda-redes.

o clube empatou ontem. é a vida, acontece.

a equipa dos outros espetou com duas bolas nos nossos ferros. é a vida, acontece.

o meu treinador veio falar em oportunidades de golo e falta de sorte do nosso lado. repito, levámos com duas bolas nos "nossos" ferros. ou seja os outros senhores tentaram marcar-nos golos e não conseguiram porque não tiveram arte, engenho ou sorte e fizeram esbarrar a bola nos nossos ferros. e meu treinador falou em falta de sorte do nosso lado. é a vida, acontece.

p.s.: quando vi ontem aquelas imagens daquele "chega para lá" - por amor de deus não chamem agressão àquele gesto. agressão é mais ou menos o que o sá pinto fez ao artur jorge, ok? - feito por um senhor do marítimo nas fuças do rolando pensei cá para comigo. estou curioso para saber que menção irão fazer os nossos queridos jornais da bola sobre este assunto. o mais parecido que li sobre isto foi umas escaramuças que aconteceram no túnel e na garagem do dragão. gostava de saber quais seriam as escolhas editoriais para as primeiras páginas lá dos referidos jornais se tivesse ocorrido um empate e, nesse mesmo jogo, acontecesse um tal "chega para lá" efectuado, por exemplo, pelo rolando ao aimar. ou, estou-me agora a lembrar, se tivesse sifo feito belo bruno alves ao joão moutinho.

sábado, dezembro 20, 2008

... olhei para o céu estava estrelado, vi o deus menino, na casa da polly deitado...

imbuída até ao tutano com espírito natalício, a minha filha decidiu mesclar o profano com o sagrado e, também ela, decorar o seu quarto com uma árvore de natal e com um presépio.

usando parafernália do seu quarto, pegou na casa das pollys, decorou-lhe o varandim do primeiro andar com plasticina amarela e chamou-lhe, isso mesmo, árvore de natal.



reservou, contudo, o último andar da casa das pollys, não como privado, mas como estábulo onde colocou imagens do reino animal bem como alguns seres humanos.



à nossa esquerda temos o panda a fazer de burro e a leoa representando a vaca. ao fundo, um velho, um cruzamento entre um reformado da setenave, o avô da heidi e o pai-natal, representando são josé. do nosso lado direito, a famosa miss piggy assume o papel de nossa senhora. finalmente, deitado no chão, um comandante duma nave intergalática tem a nobre mas humilde função de recriar a figura de cristo enquanto bebé, o nosso menino jesus.

e por este andar, quando entrar na casa dos sessenta já terá a escola toda para imitar os passos da sua avó.

eu, com a tua idade...

não era pouco vulgar quando algum dos nossos amigos sacava uma pita mais pita, ouvir da boca dele coisas como «não, pá. a gaja tem dezassete anos mas já é muito avançada para a idade» só mais tarde quando a catraia decidia ter uma atitude de pessoas da sua idade - de dezassete anos, lá está - é que o nosso amigo acordava da realidade e desatava a bradar aos céus pela situação em que se via metido.

sucede-me o mesmo quando penso na miudagem do meu clube e que parece - repito, parece. dá ideia, portantos! - que o senhor treinador pôs a jogar um tiquinho melhor.

por isso e para não cometer as injustiças que cometi quando o pepe começou a dar barraca:
- rolando (23 anos)
- guarin (22 anos)
- cristián rodriguez (23 anos)
- tomás costa (23 anos)
- fernando (21 anos)
- pelé (21 anos)
- givanildo (22 anos)

agora não me fodam, o mariano já tem 27 anos, não é altura de se ir embora pelo próprio pé? está aí o natal, pá. vá baza!

ao cuidado do senhor tomé salzedas*

chego a casa e a minha mulher dá-me a notícia choque número um «a libra está a duzentos e quinze escudos» repito, duzentos e quinze escudos.

fico abananado, corro para o computador e procuro na net - tenho internet em casa, ó qué que pensam? - umas coisas só para tirar umas dúvidas. e tiro-as. e fico ainda mais chocado.

vamos lá ver a explicação para o segundo choque:

nos últimos três ou quatro anos, desatei a comprar
, paulatinamente, a melhor série televisiva de sempre, o west wing. e porquê? porque comecei a perceber que tinha revisto tantos mas tantos episódios que isso era sinal que valia a pena comprar a coisa para a ter em boas condições, boa imagem, som decente, bem legendada e sem aquela estupidez de estar dependente das noitadas, acordado à espera que a tvi iniciasse a emissão da série, para carregar no rec e adormecer de seguida. e olhem que a série chegou a começar às 3h20 da madrugada. isto, claro, quando o senhor moniz não se lembrava de «pronto, olha, hoje não se transmite aquela coisa do presidente lá da américa».

dizia eu, fui comprando as temporadas à medida que elas foram sendo lançadas. assim, sabe quem é louco para comprar estas coisas, que gastei ao longo destes anos, cerca de 70 contos em dvd's, já que os senhores decidiram, graças a deus, emitir sete temporadas. ora, sete vezes 10 contos... bom, é fazer as contas.

quem consultar a amazon da inglaterra verificará que existe uma caixa toda supimpa, com a totalidade das sete temporadas, pela módica quantia de, não setenta contos, não sessenta, muito menos cinquenta mas sim, atenção, dez contos e picos. isto ao câmbio de hoje.

consultando mais abaixo outros lançamentos em dvd, verificamos que o studio 60 - a segunda melhor série de sempre, publicada em dvd. quê, o thirtysomething?
pois, continuo a aguardar que apareça no prelo. haverão, na certa, problemas relacionados com direitos autorais. que a impede de vir para a rua. só pode. -, que ali a fnac

não que eu seja muito amigo dos preços da fnac. mas infelizmente, esta série, não se vende em muitos mais lados. ou então, simplesmente, não se vende em mais lado nenhum, pronto!

tem a vender por sete contos e tal, custa na amazon, tchan tchan tchan-tchan, dois contos e quinhentos.

tenho dito e encerro aqui a loja.

pronto, só mais uma achegazinha: o planet earth que anda a ser vendido por volta dos dez contos cá no burgo, está lá na amazon, em blu ray, por cinco biscas e pouco**.

*não és menino para te ofereceres como prenda de natal, esta caixinha que substituiria as cópias que fizeste dos meus?


** e sim, tenho consciência que esta coisa das edições em português encarecem mais a coisa por causa do mercado ser mais reduzido e essas paneleirices da oferta e da procura e não sei mais o quê.

quinta-feira, dezembro 18, 2008

quem diz o hitler, diz, por exemplo o bibi, pronto.

a minha filha veio aqui há uns dias duma exposição de dinossáurios - repararam que eu não escrevi dinossauros, não repararam? é muito nível, porra! - com um t-rex debaixo do braço.

à noite, meteu-o numa caminha e enfiou-lhe uma chucha entre os dentes.

não me fodam, uma miúda que adormece o seu t-rex e o afaga com festinhas e chuchinhas tem muita cartonância.

qual será o seu passo seguinte? adoptar um boneco do hitler e vesti-lo com roupinhas fofinhas?

pronto, agora é que a estrada do campeonato está mesmo, mas mesmo mesmo livre

estou curioso em relação à crónica de sexta-feira do grande cervan. no mínimo, claro, vai dizer reafirmar que esta vitória veio atemorizar o porto e o sporting. coisa que a eliminação na taça pelo leixões já tinha deixado as suas luzes.

há pessoas tão ridículas, caramba!

fire woman vs love removal machine

se há memórias musicais públicas que eu tenho do meu bairro, talvez uma das mais vincadas, é a imagem do arménio - não o "trolha da areosa", mas o "méninho" dos embrechados - a descer a frei fortunato, estupidamente bronzeado, calça de ganga muito coçada, t-shirt de alças modelo "ginástica da tropa" - «quero-vos formados às 9h30, na parada, com o vosso fatinho do ballet, seus caralhos!» - ténis nike cor de neve e no ombro e, seguro pelo seu braço musculado - como aquele cabrão cresceu lá nos ferros, porra! -, um enorme e prateado cantante, debitando rock em altos berros:

- méninho, trazes aí um ganda som, pá!
- ihhh, ó jaime, é uma coisa nova que arranjei...
- é bom, pá!

era o love removal machine.

para mim, é "a" música dos cult. é o ponto mais alto de toda a sua carreira. eles chegam ao electric depois de anos dum rock muito chegado à música de vanguarda que culmina com o lp love de 1985. é certo que o love tem uma mão cheia de singles que animam qualquer alma deseperada mas convenhamos é quando o rick rubin pega a sério nas canções deles que a coisa fica ali nos trinques. não é só a guitarra do billy duffy, não é só o vozeirão do ian astbury, para mim, há ali um elemento que dá equilibrio aos dois, é o baixo - gosto tanto de baixos, caneco! - do jamie stewart. pode muito bem ser uma bela coincidência, mas a verdade é que enquanto estiveram estes três juntos - bateristas é que foram mais que muitos - a banda teve sucesso.

pronto, já falei aqui do love removal machine, já disse que acho o electric bem melhor que o love mas este post é para prestar homenagem à mais "esquecida" grande-malha - ao que parece agora já não é de bom tom dizer-se malha, agora é bonito dizer-se riff - dos cult. falo do fire woman do sonic temple.

mais esquecida porque, na realidade, quando vamos para a náite e a coisa mete rock, no que toca aos cult, normalmente o dê jota, bota o wild flower ou o rain. com um bocado de sorte lá apanhamos com o lil' devil ou o she sells sanctuary. curiosamente as melhores para dançar são colocadas de parte. precisamente estas duas: o love removal e o fire woman.

duvidam de mim? tomem então atenção:



ok, é certo que isto tem o seu quê de cromisse, mas recordo-vos que estávamos em 1987. e se metade de vós ainda não sabia que o dystron que a mamã levava para o bidé, não era propriamente um líquido para alargar sapatos como ela vos dizia, a outra metade ainda usava meias brancas, por isso, haja respeito.

o vídeo começa logo com aquele ar de "veio do espaço" e apresenta-nos o caminhar do billy com as tradicionais calças justas às botas, até ao seu amplificador. é então que surge aquela bela imagem do patilhame aparadinho e do grande penteado mullet que o bono tinha imortalizado no live aid do baterista les warner. a malha começa a rasgar e já se vislumbra o ian a saltitar lá no andar de cima. o jamie está de costas, à espera de vez para martelar as cordas do seu baixo. às tantas o ian desce as escadas, aquele seu ar de pocahontas, o cabelão, a camisa gótica, branca, de folhos e avisa: check this one. e daí para frente é um vê se me agarras, com alternância de imagens entre dois takes do videoclip onde se misturam a dança duma espécie de fandango do vocalista com o pedal que o ian imprime na guitarra. o ian ora tem uma camisa branca ora tem uma camisa preta, o duffe ora toca com uma guitarra branca ora toca com uma preta. é tudo muito bom, muito pedaloso. mas aquele baixo sempre ali a marcar ritmo, e aquela forma como o billy domina fisicamente a guitarra, a forma como pega nela, como a suetém segurando-a pelo braço, numa mistura entre os movimentos do chuck berry e as notórias influências das malhas do jimmy page é algo que me deixa de rastos quando escuto isto.



como podem aqui ver, dois anos depois a coisa não está muito diferente. o ian continua com o ar de pocahontas mas com aqueles trejeitos de fandango bem mais apurados, o billy já se meteu a rasgar a guitarra com as malhas mais repuxadas, assim a esticar aqueles oinnnnnnnnn com mais força e durante mais tempo e o baixo continua a ser o mesmo estremo esquerdo do palco, sempre ali, a bombar, a dar ritmo à coisa.

curiosamente neste altura - e neste clip - julgo que o baterista é o matt sorum que depois andou pelos g'n'r naquela altura do use your illusion e afins.

aliás, foi feito pelos cult o melhor concerto - em portugal - que eu não vi em toda a minha vida. 1993, gartejo! paciência.

quarta-feira, dezembro 17, 2008

salve, adelino gonçalves (rádio comercial, anos oitenta, uma da tarde, discoteca)

hoje, uma e tal da tarde, rádio oxigénio*. when boys talk dos indeep.



respeito!

(ai se esta rádio fosse sempre assim!....)


*calma, não estrilhem. é óbvio que eu não ouço esta rádio - deus me livre! - a coisa surgiu lá na telefonia do meu carro porque andava a fazer zapping, ora!

não liguem, nem sempre tomamos a medicamentação a horas

estamos num campo de nudismo. ali, tudo ao léu e fé em deus. liberdade, vida simples, pessoal descomplexado.

pergunto: uma vez que toda a gente pode ver as partes pudibundas de toda a gente, haverá necessidade de existirem nesses campos, wc para homens e wc para mulheres?

repergunto: e havendo realmente necessidade de haver divisões elas apresentam-se de que forma «pessoas que urinam em pé para um lado e pessoas que urinam sentadas para outro lado»?

segunda-feira, dezembro 15, 2008

efeito carousel

há uma frase, uma ideia que volta e meia utilizo para mim próprio - assim em silêncio, estão a ver a coisa? - que é «fazer trabalhos de casa em computador».

não sei se se recordam, mas quando aparecia um tipo qualquer lá da turma que apresentava trabalhos de casa feitos em computador, a coisa poderia estar a maior merda, cheia de erros e tal, mas pronto «eh catano, ganda pintarola, foi feito em computador» e lá se babava meia turma mais metade da classe dos professores que achavam piada àquelas coisinhas que o menino ou a menina tinham feito.

foi aí que começou o declínio do tubo de cola uhu - ou da cola cisne -, usado durante séculos nas montagens de fotos lá para os trabalhos sobre o barroco, o império romano ou as viagens na minha terra.

quando o oliver stone apareceu no natural born killers com aqueles movimentos de câmera dum lado para o outro, como que se o senhor que segura lá a máquina de filmar tivesse levado um pontapé certeiro nos túbaros, toda a gente achou piada e desatou a usar como se fosse o último grito do tarzan*.

e a verdade é que há alguns exemplos em que isso fica bem e dá num resultado bonito. principalmente se for filmado em película como, por exemplo, no friday night lights. e já agora, se não se fizer uso desse bamboleamento a torto e a direito.

noutro dia dei por mim, sem canais nenhuns além dos 4 portugueses e três espanhóis, a ver aquela coisa dos advogados lá da avenida da liberdade. tinha a rita lello (nem perguntem, ok?) e eu deixei-me ficar a ver aquilo. às tantas dei por mim quase a vomitar. pensei um pouco a ver se tinha sido o jantar estragado que me estava a vir à glote. mas não, tinha sido um jantar todo supimpa acompanhado pelo tintol da ordem.

penso mais um bocado e lá percebi que a somar à quantidade de histórias sem pés nem cabeça que a série tem, existe a tal coisa dos «trabalhos feitos em computador» e desatam a usar, abusar e rebusar a tal técnica do pontapé nos tomates do senhor da máquina de filmar. assim para dar a ideia que é uma série toda modernaça e tal, com pessoas que ganham muito carcanhol e que têm grandes carros e atravessam a avenida da liberdade pelo meio dos carros a deixar cair sandes de presunto e coisas que tal. e a verdade é que quando damos por ela, o raio dos olhos não estiveram fixos uma única vez e a cabeça começava já a andar à roda porque as imagens andam mesmo à roda e afastam-se a aproximam-se e...

fui meter meio logan ao bucho para ver se aquilo passava mas foi pior a emenda que o soneto: lembram-se das bebebdeiras que se apanhavam no velhinho "barco" que estava ali atracado no cais do sodré? lembra-se? quando com dois ou três whiskys se apanhavam bebebdeiras como se tivessemos bebido oito? pois é mesmo assim que eu me sinto quando vejo o tal liberdade da rita lello.

(tenho pena dela.)
(e do ivo, pronto!)



* eu não sei se foi ali naquele momento que esta técnica surgiu. isto não é o blog do mexia e por isso aqui não há certezas cinematográficas ou de qualquer outra espécie. eu sei é que foi nesse filme que eu me recordo de vir isso pela primeira vez.

sexta-feira, dezembro 12, 2008

jack kerouac

nem sei explicar muito bem porque associei eu isto àquilo. mas a verdade é que a primeira ideia que me veio à cabeça foi o motel chronicles, um livro de pequenas histórias escrito pelo sam sheppard que além de ser um actor bestial, tem a sorte de partilhar leito com a jessica lange.

eu explico.

vinhamos de cáceres. a miúda lá atrás a dormir. ela, ao meu lado, também em silêncio. na telefonia, tocava aquela selecção mais assim p'ró miá soft. assim, aquele misto de carly simon, com o james taylor, passando pelas coisas do nebraska do springsteen, aqui e ali também com a carol king... por aí, por essas bandas. lá fora estava frio mas dentro do carro a shô fajem (assim como se fosse a senhora fajem) mantinha-nos quentinhos. a estrada estava quase deserta e raramente cruzávamos com outros carros. o sol já se tinha posto e o céu começava a ganhar aquelas cores maravilhosas. não falo daqueles crepúsculos cheios de vermelhos e cores de fogo. não, uma coisa mais suave, menos dramática.

ainda por cima, a estrada seguia em direcção a esse mesmo crespúsculo. tinha como cenário umas elevações, uns penhascos que recortavam o horizonte como se fossem personagens daqueles teatros de sombras chinesas.

e eu sabia que uma eventual foto não lhe faria justiça nenhuma ao momento. porque eu não estava com paciência para descobrir a melhor conjugação de aberturas, sensibilidades, velocidades e outras que tal que traduzissem melhor aquilo tudo; porque nela não ficaria impressa a alegria que carregávamos connosco pela visita àquela cidade; porque também não conseguia lá colocar o cheiro que as histórias do sheppard têm - um cheiro de alcatrão e de lavanda nos lençóis dos moteis -, um cheiro que também encontro nas imagens do rumble fish, nas coisas do on the road ou nas canções do darkness on the edge of town...

eu sabia estas coisas todas. mas mesmo assim parei e carreguei lá no botão da máquina. como disse, não faz jus ao momento. mas ainda assim, foi um momento daqueles.


e já estou com saudades daquelas nossas viagens pela espanha fora.

pronto, ok, é mais uma das minhas coisas parvas!

fisicamente falando, o colin firth dava um bom gajo para fazer de toni carreira caso decidissem fazer um filme sobre o cantador.

ou não?

(não, pois não?)
(não liguem)

quinta-feira, dezembro 11, 2008

na tacinha


natação obrigatória
na introdução à instrução primária
natação obrigatória
para a salvação é condição necessária
não há cu que não dê traque
não há cu que não dê traque
mal a gente vem ao mundo
logo a gente vai ao fundo

não é a primeira vez que venho aqui com este tema, julgo também que não será a última. mas, confesso, só venho porque é sobre algo que me melindra profundamente. falo-vos dos pediatras.

eu gosto pouco de generalizar e por isso se houver por aqui uma opinião que vos pareça, digamos, estar a atingir desonesta e injustiçadamente um grupo qualquer de pessoas, não liguem, carreguem na tal cruzinha no topo superior direito do ecrã e siga para bingo!

por isso não sei se me hei-de irritar mais com os pediatras, se com os pais que não fazem nada sem a permissão dos pediatras, se com os pediatras que não explicam bem as coisas aos pais ou, finalmente, se com os pais que não entendem correctamente o que os pediatras dizem.

desta última vez foi porque houve um pediatra que aconselhou - este verbo é um eufemismo puro - que bebés na natação só após os seis anos de idade.

e o que mais me intrigou não foi propriamente o conselho, foi mesmo a justificação que fundamenta o mesmo. ao que parece, o senhor doutor diz que as piscinas são um local repleto de contaminações e doenças porque, ao que parece, lá a água está cheia de mijo e de merda largados pelas pessoas que as utilizam.

eu confesso, quando me contaram aquilo, tentei dar o devido desconto «nahhh, aquilo foi dito meio na reinação... nahhh, não era bem para se levar a sério...» e também sei que quem me contou não leva muito a peito - nunca se sabe, nunca se sabe - este tipo de coisas, mas fico francamente em brasa quando ouço este tipo de desaforos, ditos assim, da boca para fora. é que acreditem, há pais para quem, as palavras dos pediatras são leis!

é que uma coisa é a criança não poder andar na água porque, coitada, tem uma infecção urinária, uma merda qualquer na pele ou, sei lá, uma alergia que lhes fornique o corpo. outra coisa é ser porque... bom, porque o senhor doutor mandou uma laracha falacciosa qualquer.

reparem, é que depois espetam-se umas bocas giras, assim, tipo, esquerda-bolchevique a roçar a psicologia mineral como sejam «também, todos nós sabemos que eles com 4 meses não vão aprender a nadar, não é?»

fico piurso, confesso que sim.

eu não faço a mínima ideia se o pediatra da minha filha é bom ou é mau. mas também, confesso, não o utilizo para educar a minha filha. uso-o, imaginem, para questões médicas, estão a ver a coisa? eu explico, a miúda está doente e eu - é mais a mãe, é verdade - telefono ao senhor a dizer "ai, senhor doutor que a miúda se me está a espumar da boca para fora" e ele lá me responde que "não, deixe lá, é mesmo ela que não sabe ainda cuspir."

agora para saber se a miúda pode ou deve ir para a natação? tenham juízo, porra!

eu revejo mentalmente a justificação lá do médico e aquilo dá-me vontade de rir «porque é um local cheio de contaminações». o que é mais caricato e irónico nesta história, é que curiosamente no meu caso, a minha filha ficou doente durante umas 3 ou 4 vezes seguidas, precisamente após as visitas que regularmente teve de fazer ao pediatra. por esta ordem de ideias, a piquena, coitada, da mesma forma que não deveria andar na natação também não poderia andar no médico. vinha ele cá a casa que isto aqui é um local com muito asseio. vem cá inté uma senhora todas as sextas-feiras fazer umas horinhas e até trás flores para a minha filha e para a minha mulher e tudo.

notinha de rodapé: isto não é um post contra ti. nem isto é uma abordagem indirecta para malhar em ti. primeiro eu não sou pirata e por isso não faço abordagens e depois isto é mesmo é contra lá o senhor doutor da tua filha que pode ser muito bom e tal, mas, compreende, tem opiniões que merecem posts.

e sabes, a minha tem a sorte de ir lá para a natação - sabes que os gajos lá não lhe chama isso. dizem que é introdução ou adaptação ao meio aquático ou lá o que é. uma merda dessas. - desde os 3 meses e aquilo fez e faz-lhe muito bem. e faz mesmo naquelas coisas que nós não vemos à primeira vista e que os ajuda a crescer assim rijos como um pêro, como tão bem dizia o pequeno saul.

e sabes outra coisa? era eu que ia lá para dentro de água com ela. mas no último ano deixei de a acompanhar. ela mudou de horário e passou a ir a mãe sozinha. bom, a verdade é que na semana passada, por motivos que aqui não são chamados, fui lá eu e fiquei comovidíssimo - sim, aquela coisa dos olhos a marejaram e tal - com as coisas que ela agora faz e que, como deves imaginar, não fazia. é giro, sabes: eles a dominarem a coisa, a relacionarem-se com os amigos, a confiança que eles têm nos professores, essas coisas, entendes? coisas que se fazem na dita natacão.

ou achavas que ela ia lá para aprender a nadar? nah, isso é como o inglês na escola. isso é para se ir aprendendo.

digo isto porque posso pagar essas coisas? não, nada disso. digo isto porque se tivesse tido oportunidade, adoraria que os meus pais me tivessem metido na natação e nessas coisas quando eu era chavalito. mas como sabes, não havia carcanhol e só andámos, eu e a minha irmã, na equitação, no pólo e no golf.


estou a brincar, pá!

ah só foi agora que fez?

dada a imensa quantidade de notícias que todos os anos se publicam sobre o assunto, estava convencido que o manoel de oliveira andava a fazer 100 anos, desde, pelo menos 1992.

o dia seguinte

é verdade, já há muito tempo que entendi que não existe jornalismo desportivo escrito em portugal. é a vida, o dinehiro custa a ganhar e por isso inventou-se uma coisa mais lucrativa chamada "actividade de notícias vendáveis escritas".

por isso, quando o porto, por exemplo, vence o seu grupo da champions - o que é que é isso num grupo com o liverpool e os turcos e mais não sei o quê? - a minha expectativa, o meu momento de humor diário existe quando tento adivinhar qual será a capa que o record ou a bola fará no dia seguinte.

ora, não havendo jogo das competições europeias para o benfica, estando o sporting também com treinos, não havendo contratações em fila de espera, de que é que então se fará destaque?

isso mesmo, da vontade do quique em ver o moretto em acção. lindo!

e o reyes - adoro ouvir os locutores dizerem reias - diz que deseja ficar no benfica por vários anos. qual real madrid, qual atlético, qual arsenal, qual sevilha. o homem passou por eles todos e sentenciou: é no benfica que se atinge o top europeu. é assim mesmo, pá. a gente acredita e tudo.

... fazia-se ska ski



farto do raio das confusões com o jet set nacionalóibérico, abandonei a sierra nevada e as estâncias lá dos pirenéus, meti-me num avião e rumei para aspen.

ali sim, ali há gente de cartonância.



fui para a famosa neve. gente que é gente tem de fazer neve.

gosto tanto, mas tanto tanto de quem diz "fazer neve", fazer praia", "fazer termas",...

é isso mesmo, em tempos de crise, enfrentemo-la com a força toda.

cheguei lá de carro, subi a star mountain na minha potente carrinha, mesmo até à tower. mas como estava um barbeiro do caraças, voltei uns metros para trás e cortei à esquerda para supper (mas com ésse). e foi lá numas especiais pistas que peguei na minha expensive folha de plástico super resistente - que comprei (2,75 euros, cerca de 3 metros), claro, lá
no here (com cápa no meio) de denver ou coisa parecida - deleitando-me com suberbas descidas de grau de dificuldade 7 (é o valor máximo, lá nos states, em descidas da neve), apresentado as mais difíceis manobras que um professor me ensinou, numa das minhas estadias em bariloche.



que é que foi? estranham a coisa? para mim, ski alpino já deu o que tinha a dar. férias na neve é só para lá do atlântico. e ski, só mesmo o andino.


segunda-feira, dezembro 01, 2008

volta crónica feminina, estás perdoada


in a jukebox job downing blues
in her leopard-skin anklehigh boots
while i'm jackin' off
reading playboy on hot afternoon

three times loser - rod stewart

já falei aqui em como os cronistas e entrevistadores das revistas, ditas, masculinas, me desiludem ao fim de 3 ou 5 exemplares. falarei agora, do que realmente interessa, do gajedo.

nunca compreendi muito bem a evolução, ao longo dos anos, das características físicas das mulheres que encontramos, nas fotos das revistas masculinas.

ou seja, isto trocado em miúdos, «porque raio, não valem um caralho, as gajas que hoje em dia, aparecem descascadas nas revistas»?

peço desculpa mas é algo que me preocupa. preocupa-me a mim, deixou de preocupar a minha mulher.

sempre disse à minha mulher que as revistas de gajedo que apareciam lá em casa tinham como fim serem objecto de leitura de entretenimento. e confesso, com as gajas que apareciam antigamente, tinha receio de ser apanhado a mentir, agora, meus amigos, basta ela olhar para a capa para que não haja dúvidas em relação aos meus intentos.

sejamos sinceros, gaja que apareça na capa ou na centrefold tem de ser realmente boa. tem de ter boa prateleira, tem de ter bom cagueiro. tem de ser gira, caramba! mas acima de tudo, tem de servir para que um puto de 13 ou 15 anos, a surripie ao pai e fuja para a casa de banho para abafar a costeleta à pala das catraias. há dúvidas? julgo que não, não é?

e eu ainda trago na mente algumas dessas senhoras, valentes nacos de carne na pedra, que serviram de inspiração, nos longíquos anos oitenta, para actividades lúdicas de índole privada.

mas na actualidade? oh meu deus, a coisa está mesmo no meio duma crise do catano. ajudem-me a perceber a coisa e não, já nem vou para o reino da pornografia, bom, adiante. você está dentro dum banco de esperma, prestes a doar 3 ml para a ciência. a enfermeira pergunta-lhe:
- qg, maxmen, hmf, pode ser?

você faz um scan às capas que se lembra de terem acontecido nas edições estrangeiras d'antigamente. e recorda-se: duns tetos da herzigova, dum cagueiro duma belucci, das prateleiras (são várias, não são?) da nicolle smith, por aí fora... e diz, tudo bem, venham elas.

- bom, mas só temos edições nacionais.

você aceita na mesma e quando chega ao cubículo depara-se com quem? com, por exemplo, a núria madruga ou a soraia chaves. agarra-se à coisa, efrega, esfrega, esfrega e... e o que é que queriam? as moças são girinhas, tudo bem. são magras, elegantes e tal. mas porra, dão ponta a alguém?

diana chaves? que é aquilo, pá? ponta? ponta pode eventualmente dar se estiver a a abanar o cagueiro à nossa frente enquanto o autocarro circunda o marquês, mas numa revista? tenham juízo!

e depois há o caralho do photoshop. meus caros, um dos maiores erros é julgarem que nós precisamos de photoshop para... bom, para... vocês sabem não é?

vejam por exemplo aquela coisa da cinha e da filha. aquilo tem alguma lógica? mas gasta-se assim tanta página com fotos daquilo? eu olho para o corpo da ana marques (quem é que se lembrou que aquilo poderia ser sensual?) na gq e acho que a mulher é revsita a faia! sério, entre a coxa da apresentadora e o chão do meu hall, eu, confesso, não encontro diferenças.

aliás, consoante a tonalidade da pele das senhoras, julgo que os photoshopeiros escolhem 3 tipos de filtros: faia para as fotos de inverno ou para as branquelas, cerejeira para o pessoal que é fotografado no verão e wenge para as pretas. aquilo ne textura tem, caramba.

o pessoal gosta de ver um vinquinho aqui, outro ali, gosta da sua ruga, gosta de sentir a sua chicha. e claro, caramba, sem tetos ou prateleirame ou cagueiro em condições, qual é a ideia?

veja-se as playboys brasileiras. sempre têm umas barroas quaisquer, participantes do bb, todas grossas e tal para animar o olho. agora voltemos para este lado do atlântico, pergunto "em que parte é que a marta leite de castro foi uma boa idea para ser capa de uma revista?", re-pergunto «mas o que é aquilo, porra?"

não precisas de acender a luz encarnada


gostava de ter a memória mais clarificada relativamente a estes acontecimentos. recordo-me que esteve gravado, no lado b duma cassete que tinha no lado a o kick dos inxs. era uma cassete tdk, normal, com um som péssimo. nem sequer de ferro era, muito menos de crómio. de metal? ui, dese material tive talvez duas ao longo de toda a minha vida, isso ficou guardado para coisas muito além.

eu tenho quase a certeza que o disco apareceu lá em casa vindo do andar de baixo, do rui pires. certamente foi para lá vindo de outra casa qualquer que eu não estou a ver o rui a entrar numa discoteca para comprar aquilo.

eu acho que o gravei porque tinha uma assombrosa versão do in the air tonight que eu na altura gostava imenso. sim, olho agora para a lista das músicas e confirmo, foi mesmo por causa dela.

mas a verdade é que depois esse disco acabou por ser entreposto musical para ir para outras paragens. estávamos em 1989, lá pela primavera, presumo - sei-o porque me lembro de ouvir esse disco no verão de 89 - quando então, como disse, a reboque do phil collins descobri este disco que retrata um pedaço do concerto para angariação de carcanhol para a amnistia internacional e que ganhou o nome de the secret policeman's other ball.

ora bem, eu não digo que foi por aqui que passei a gostar mais deste ou daquele senhor cançonetista. o que é verdade é que há ali versões que não lembram ao diabo. dentre elas, há uma, digamos, porreira que é o catch the wind do donovan - ok, confesso, é raro estar virado para aqui - e outra fenomenal - mesmo! - do i don't like mondays pelos boomtown rats que uma namorada me fez o favor de gravar uns anos antes em duas cassetes basf encarnadas, de ferro, e que eu virei e revirei até saber quem raio estava ali a cantar. é verdade, não sabiam?, não nascemos ensinados - mas as que me enchem mesmo a alma são duas cançõesinhas dos police cantadas pelo sting.

falo-vos do message in a bottle e do roxanne. tudo ali é perfeito, o som, o ambiente, a guitarra a acompanhar a voz. tudo, tudo é perfeito. falei da voz, pois, não esqueçam, estamos em 1981, o sting tinha, sei lá, 30 anos ou coisa parecida. aquilo é soberbo. o gajo naquela altura cantava como quem bebe água. e quando é daquela água que nós gostamos, ui, então quando é assim até sabe a capilé.

adoro esta versão do roxanne. tenho a certeza que foi daqui que passei a dar, ainda, mais atenção às coisas dos police e principalmente ao outlandos d'amour. gosto de tudo ali: já falei da acústica, já falei do dedilhar da guitarra, queria acrescentar a forma como é feito o "roxanne" inicial ou os silêncios que ele coloca na canção - também são muito bons os silêncios do bob geldof no mondays - e, vou-me repetir, na forma como o cabrão canta.

silêncio que vai cantar o senhor polícia.


a minha pilinha é maior que a tua

1 - todos sabemos o quanto os jovens são cruéis e pouco criativos. mas, haja justiça, são directos. por isso se há alguém que na turma seja loura, logo, ganha a alcunha de "a loura"; se é narigudo, aí o leque de opções é mais variado «pinóquio», «pencas», «chaveta», etc (sei do que falo); se é preto, adivinhem, é isso, chamam-lhe «o preto», se é coxo chamam-lhe «mantorras» e por aí fora.

com as diferenças musicais sucede a mesma coisa. agora, confesso, não sei, mas no meu tempo de «pinóquio» era cool gostar-se de música de vanguarda, mas não era cool gostar-se dos dead kennedys; era bem gostar-se dos genesis (pré "trick of the tail), mas não era bem gostar-se dos marillion - contudo, para algumas franjas da sociedade, era bem gostar-se desta banda -; era bem gostar-se dos omd mas não era bem gostar-se dos duran duran; podíamos gostar dos dexys mas nem pensar gostar, sei lá, dos tom tom club. já dos talking heads, curiosamente, era obrigatório gostar. podíamos e devíamos gostar dos clash, mas seria, no entanto, de muito mau gosto, gostar dos cramps.

num nível mais reles do gosto musical, além de estupidificante, era comprar uma guerra com o mundo, gostar-se dos: wham, do jim diamond, do gazebo, dos scotch ou da rádio cidade. e mesmo que as pessoas se divertissem mais a roçar as partes baixas ao som do power of love dos fgth ou do sign your name do terence trent d'arby, deveríamos mentir e dizer que aquele roça roça tinha acontecido enquanto o david lá na festa da sofia, tinha colocado o stairway to heaven.

um dia, o pio, um jovem com um toque de bola apuradíssimo, teve a sensatez de andar-se a passear por entre as colunatas do pátio do rainha com o movement dos new order. ora, actualmente, com a internet e a divulgação massificada de tudo o que existe no mundo musical, desde som, capas ou letras, eu julgo que ninguém consegue ter noção do quanto isso poderia significar em 1983. foi a primeira vez que eu vi esse disco nas mãos de alguém. sabia que existia, mas nunca tinha sequer visto a capa, nem lhe conhecia as cores. recordo-me que andei por ali a vaguear à volta do gajo só para ter o prazer de estar a olhar para aquele disco.



tempos depois ele andava com o under a red blood sky. carai, o gajo tem o under a red...? não, não tinha sido a primeira vez que o via, mas o endeusamento à volta do rapaz foi aumentando. ele era mesmo cool. o passo seguinte foi com o steve mcqueen dos prefab sprout, não havia dúvidas, ele tinha mesmo bom gosto. ele era, assim, uma espécie de bitola do que se deveria gostar em relação às coisas da música. era, pois, o oposto daquelas miúdas com autocolantes da bravo com o david gahan. é curioso que actualmente gostar do dave gahan já é cool, vá se lá saber porquê. até se ouve na radar, imagine-se!

recordo-me que o pio, lembrou-se de carregar uns 2 anos, talvez, mais tarde o provision dos scritti politti. reparem, não foi o songs to remember ou o cupid, foi mesmo o provison. e eu acho que esse acto deitou por terra todas as suas ambições em manter-se como rei espiritual ou platónico do bom gosto. pelo menos no meio daquelas almas parvas que se preocupavam com isso. ou seja, para as gentes "pensantes" daquele liceu, ele até poderia gostar de tudo o que vendesse menos de 5000 exemplares em portugal. nunca, mas nunca poderia gostar de coisas que tivessem sido disco de ouro.



eu que era uma puta vendida que me excitava de igual maneira com o the hanging garden ou com o disco band dos scotch, olhava para aquilo e imaginava que uma das caratcter´siticas das pessoas crescidas seria o facto de relativizarem todas estas questões, permitindo-nos podermos andar a ouvir o que nos desse na real gana mesmo que usássemos ténis sanjo em vez daqueles nike azuis com a onda laranja que custavam sete contos e oitocentos.

2 - consciente ou inconscientemente já utilizámos o advérbio «só» metido no meio de algumas frases como por exemplo: «o meu filho só começou a andar aos 12 meses»; «a minha filha só começou a ler aos 6(?) anos»; «...pois, só deixou de mijar na cama lá por volta dos 8 anos».

e eu disse inconscientemente porque acredito que não haja muita "maldade" no uso dessa palavra. mas há por aí - dêem uma vista de olhos em alguns dos blogs em que se falam sobre os filhos, por exemplo - uma parva competição tão enraizada que a sua utilização se torna ridícula.

confusos?

vejam comigo: as senhoras aborrecem-se quando ouvem o marido dizer "eu ajudo a minha mulher a passar a ferro", não é?

(é)

porque aquela frase já subentende que o "passar a ferro" é do departamento feminino e, portanto, é uma "ajuda" quando o marido se mete a fazer esse trabalho.

é certo que imbuídas por aquele espírito parvo das igualdade feminina/masculina, também ficam aborrecidas quando nos lembramos de ser meramente educados e gentis ao lhes abrimos a porta do carro ou seguramos a porta do elevador para entrarem, mas isso já são outros trezentos.

voltando a trás, aborrece-me tanto aquela colocaçãozinha do "só" nas frase sobre os putos que só me apetece dar-lhes com uma chinelada nos cornos.

ainda falam dos chineses e dos ingleses que gostam de jogar e apostar em tudo. os portugueses, mesmo que a feijões não lhes ficam a trás. competem com tudo e sobre tudo: o número de dentes, o dia em que deu os primeiros passos, a primeira vez em que escreveu «o povo está com o mfa», a primeira vez que observou que «ó mãe, a porteira do prédio do vasco, tem pinta de vaca, não tem?» ou a primeira vez que disse "ó pai, porque é que chamam águia lá ao milhafre do benfica?»

3 - o francisco camacho, além de ser um dos responsáveis por eu ter deixado de ler atentamente a gq - a filomena mónica está para a gp como a rebelo pinto está para a maxmen - faz parte daquelas pessoas que na passagem de adolescente para adulto, acomulou o ponto 1 e o ponto 2 deste post.

ele tem uma crónica mensal lá na referida gq onde fala sobre música. poderia ter escolhido muitas formas de falar sobre este tema mas escolheu precisamente a mais parvinha de todas. ou seja, decidiu enveredar por «vamos lá falar sobre músicas que as outras pessoas gostam e que eu não gosto, realçando o facto de eu ser muita bom por gostar das músicas que eu escolhi gostar enquanto que todas a restante população mundial é ignóbil por gostarem de lixo discográfico em quantidades industriais.»

eu já nem vou ao ponto de destacar a crónica em que ele desanca nas pessoas que gostam dos abba, vou-me calar quanto ao facto de ele ter malhado nos pobres il divo do simon cowell, mas achei realmente uma coisa parva - porque acumula a gabarolice parola com estupidez - a crónica em que decide demonstrar que ele é um ser superior porque nunca permitiu que os seus filhos decidissem que tipo de música se ouviria no seu carro.

(é assim mesmo, pá!)

ou seja, ele é que é bom e esperto porque na sua viatura nunca se ouviu o noddy, a hannah montana ou o bob o construtor. enquanto que os seus amigos que não puseram travão a esses hábitos são pessoas inferiores.

bom a coisa poderia ficar por aqui caso fosse apenas essa a ideia da crónica. acredito até que a ideia principal seja apontar com humor todas as dificuldades que temos em controlar os desejos das nossas crianças, uma vez que isso é verdade. o que não é verdade é o facto de ele ter piada, por isso refugio-me no facto do autor ter mesmo tentado demonstrar o que está patente nas suas crónicas sem qualquer outra mensagem humoristica subrepticiamente escondida.

(é verdade que posso não ter cabecinha para encontrar esse tom humorístico nas crónicas da gq. mas também nunca disse que a gq tem a medida do meu arcaboiço cultural. longe disso! sou um gajo que ainda gosta de ler o cascão e o chico bento, pessoal)

assim, o bom do camacho lembrou-se de apimentar a crónica com os resultados da sua boa e acertada acção em não permitir que os seus herdeiros ouvissem o que bem lhes desse na gana dentro do seu carro. a exemplo que já tinha sucedido com ele, que com apenas oito anos já ouvia coisas superiores como os beatles - que decidiu gravar em enormes bobinas apagando as coisas do charles mingus ou do gerry mulligan que o seu pai costumava escutar - também o seu petiz já ouve no seu ipod, bandas, decerto reveladoras do grau de superioridade em relação aos colegas da primária, como os arcade fire, o josh rouse ou os pixies.

(que bonitinho, viste?)

a cereja no topo do bolo sucedeu quando confrontou o filho em relação ao presente que os seus amigos deveriam dar à criança. assim, em vez dos tokio hotel ou outras coisas mais "morangos com açucarzadas" que o mercado fnaciano tem, a criança - tão bem educadinha, não é? - sentenciou: quero um disco dos beatles.

4 - pergunto (e concluo) eu, tem algum mal gostar dos beatles? credo! era a última coisa que eu poderia dizer. tem algum mal gostar dos arcade fire? dos tokio hotel? dos pixies?

não, não tem mal rigorosamente nenhum. o que tem mal é fazer crónicas retroagindo como se fosse um daqueles adolescentes parvos que gozavam

gozavam e gozam! ainda presentemente ouço pessoas pronunciarem frases como se fossem trofés cronológicos, como: eu com 12 anos já ouvia os discos dos king crimsom do meu pai!

com os colegas que gostavam dos wham em vez dos judas priest, usavam calças da ramirez & raul em vez das levi's ou viam filmes do spielberg em vez do bergman. mais a mais, denotando orgulho nas opções do seu rapaz.

e pergunto ainda outra coisa «e tem mal agir assim?». não, não tem mal nenhum. uma coisa é escrever sobre isto num blog parvo como este, outra coisa é escrever numa revista, não gratuíta, sendo ainda por cima pago para esse efeito.

e pronto, suponho que é bonito mantermos estas criancices parvas ao longo dos anos.

isto é tão ridículo como se eu me lembrasse de me orgulhar e encher o peito perante os coleguinhas da escola da minha filha, só porque ela, imagine-se, no meio dos seus 4 anos, sabe cantar o «as» do stevie wonder.

Stevie Wonder - As


(toma!)
(eat this!)

(vês como isto soa a ridículo?)