segunda-feira, novembro 17, 2008

cabral

o meu bairro não foi produtor de pessoas que possamos dizer que vieram a ser, digamos, vá lá, famosos.

quando lemos as entrevistas biográficas nos jornais a quem quer que seja, há lá sempre uma ou outra referência a um antigo amigo de infância que agora é ministro, ou jogador da bola, ou actor de teatro ou reitor universitário. no meu bairro não temos nada disso.

quanto muito temos um gajo que jogou na primeira divisão, um outro que foi porteiro de discoteca e sex symbol regional outro que foi dirigente federativo e pouco mais. pessoas com cursos superiores antes da minha geração não foram coisa abundante. ainda agora recordo bem o cachet que era podermos dizer como remetentes - já que imaginaríamos algo muito distante, podermos ouvir como destinatários - «o nuno, primo do kaiser anda no técnico." carái, andar no técnico, imagine-se. porra, era algo muito além.

assim, tirando os que tiveram sucesso, digamos, individual - e houve, obviamente, muitos, graças a deus - gente famosa, meus amigos, não houve.

a minha escola secundária, o rainha, já teve mais qualquer coisa de, digamos, conhecido: há ali aquela que escreve nos jornais; aquela que namorava com o irmão da cláudia e que tinha sido miss fotogenia ou lá o que foi; aquele que é, digamos, empresário na área canina, etc.

saudosista como eu sou - será que é um mal (ou um bem) exclusivo da minha geração? - faz-me sempre bem, saber o que é que este ou aquela "agora fazem". se casaram? quantos divórcios agora têm? em quantos blogs escrevem? coisas assim, nada mais que isto. não tenho a veleidade de imaginar que vou estar com eles todos os dias da minha vida, não sonho que vou passar o resto das noites a falar com eles ao telefone, não pretendo convidá-los para o baptizado dos meus filhos, nem quero que me forniquem a alma quando o meu clube perde... mas gosto, gosto de saber que (ainda) existem.

ainda antes desta coisa de mircs, mails, blogs, ou hi5, vi, uma noite, num programa da rita ferro rodrigues um dos meus dois melhores amigos da preparatória. ihhhh, ele estava na mesma. já não falava com ele há uns valentes anos e fiquei ali meio estarrecido a olhar para o gajo a ser entrevistado pela miúda. ele agora tinha uma actividade profissional completamente diferente daquilo que eu imaginei, quando tínhamos 11 anos, que ele pudesse vir a ter quando fosse crecido. pensei que o seu futuro estava ligado a qualquer coisa como a redacção dalgum "jornal do incrível" ou, eventualmente, ser funcionário da nasa. mas não. durante o seu percurso numa escola secundária diferente da minha, era um dos sex-symbols do camões, foi surfista, gostava de música de vanguarda e ali, no programa da tv dizia-se escultor/restaurador. um mimo! não descansei enquanto não telefonei para lá, inventando uma pergunta reles qualquer, apenas pelo prazer de lá enfiar a frase "... só por curiosidade, eu sou o jaime, teu colega da cesário verde...". prazer esse redobrado porque ele fez aquele sorriso que o nick também faz quando a karen começa a tocar os primeiros acordes dos stones no funeral do alex.

na minha vida tive sempre um ou outro fio solto de antigos amigos. gente com quem me dava muito bem e que a vida obrigou a que cada um seguisse o seu caminho. gostei de rever, por exemplo, há uns quatro anos, na fil, o meu primeiro amiguinho da primária. foi mesmo emocionante, confesso. e já nem encomendo que do lado de lá também haja o mesmao enternecimento. eu não posso obrigar que todo o mundo venha com o pacote "vaz nápoles" incluído na encomenda. - meu caro engenheiro, sabes do que falo, não sabes?.

por isso foi com alegria que descobri, noutro dia, que dentre o grupo de pessoas que entrou sorrateiramente pela porta de serviço do prédio da sinfonia, na avenida de roma, para se entregar aos prazeres carnais dum jogo de bate-pé, há gente que agora são engenheiros encartados, tradutoras de grego ou ilustres advogados. não fiquei alegre por saber que são essas coisas todas, fiquei foi contente por saber que essas pessoas ainda existem. o facto de terem essas profissões tão credenciadas só apimentou a coisa.

mas gostava de saber, sei lá, o que faz o varela que andava sempre de sobretudo; o paulo jorge que era a loucura das meninas e que vi pela primeira vez trajando umas jardineiras de ganga quando fui ver os horários do segundo ano; o luís pedro de odivelas, o rui fernandes de chelas; o edmundo que virou bombeiro, a cláudia - menina do meu primeiro beijo -; a paula boazona; o carlos «gordo» augusto; o ayala botto; o picanço; o emílio; o ratana; o amaral...

gente que não vejo há mesmo muitos anos e a quem gostava de dizer «olá, recordas-te de mim?».

adiante.

vi-o há uns 20 anos ali na actor taborda. ainda pensei que não fosse ele, mas parecia mesmo. vinha a sair do prédio do independente mas a última coisa que imaginei foi que trabalhasse lá. o luís?, nahh, não pode ser.

aqui há umas semanas leio uma referência a um lançamento qualquer dum livro na fnac do chiado, onde teriam estado um "ex-colegas do autor, no tempo em que escrevia no independente de nome...". eh pá, pensei, tu queres ver que é mesmo ele? googlei o nome e lá encontrei algumas referências mas nenhuma fotografia. que caraças, será que, seguindo o curso natural do seu envelhecimento capilar precoce, já estava com o cabelo completamente branco? pois, não pude responder.

e a vida seguiu.

sábado precisei de comprar um jornal para os meus sogros. sentei-me para o folhear e a dada altura lá estava ele. carái, é mesmo o luís!

que giro!

e olho para aquelas fotos, leio o que escreve e aquilo não me faz sentido. tento me recordar dos seus atributos e os académicos são os que menos recordo. lembro-me que comigo - e com mais uns quantos valentes - reprovou no nono ano. lembro-me que comigo andou quatro anos na mesma turma mas o que mais recordo é da sua finta com bola. tinha uma forma fodida de fintar, assim, com a bola sempre junta ao pé. ali, parecia que a conduzia como se ela estivesse presa com um elástico. e fazias marselhesas que eu lembro-me bem. estou aqui a pensar, tu eras dos iniciados do teu sporting não eras? era o firmino - ah firmino, lembrei-me tanto de ti nestas férias que fiz na madeira, pá - nos juvenis e tu nos iniciados, não era? e a forma como ias por ali fora, assim meio inclinado, a fazer avançar a bola, com pequenos toques, sempre conduzida pelos dois dedos de fora do pé direito, não era?

agora coisas escritas? caneco, é que não estou mesmo a imaginar-te a fazer isso. a escrever? ainda por cima no expresso? que giro, pá. é que nem sei se tens mérito para isso, mas a verdade é que estás lá. sabes que fiquei orgulhoso? bem sei que é uma coisa parvita, mas fiquei, pronto.

sabes que sei de cor o teu aniversário? 21 de maio, não é? e sabes porque o sei? porque é o mesmo dia em que pedi namoro a uma gaja, ao vivo, ali duma forma oral, num sábado do início dos oitentas, no ginásio lá da escola.

e sabes o que é que aconteceu também nesse mesmo dia? uma valente bebedeira: eu, tu, o rui, a cristina - vi-a noutro dia, ainda com o gugas, imagina só. devem estar juntos há quase vinte cinco anos, não é? - e mais a carla, o augusto e a sofia a assistir. que cena, nós na sala de geografia, recordas-te? um dia conto-a aqui, vale? foi o dia de são smirnoff.

mas repito, é giro ver-te assim, descontraído, lá nas fotos. maravilha! acreditas que até já tinha pedido a um amigo que mora na tua (antiga) terra, se ele conhecia gente da nossa geração que pudesse reconhecer o teu nome? é coisa de parvos, não é? mas nem era para te chatear, acredita, era só mesmo para saber que existes. saber o que sentiste ou onde estavas quando o nuno gomes marcou aquele terceiro golo contra a inglaterra em 2000. ou saber como viveste o teu título com o inácio a comandar os teus leões. coisas assim, sabes?

pronto, não te chateio mais. quis só mesmo dizer que fiquei contente por finalmente te ver. fiquei ainda mais por saber que escreves, deus do céu.

a minha terra, os meus colegas não deram em celebridades. mas a minha vida ainda não acabou, um dia destes ainda os surpreendo quando estiverem sentados numa mesa qualquer dessas fnacs da vida, enquanto que eu ali estou em pé, na fila para recolher um autógrafo.

sexta-feira, novembro 14, 2008

à espera duma moça, mesmo, mesmo como a ti!

a minha relação com a medicina é uma relação meramente técnica.

sou um bruto, é certo e por isso, para mim, quando me contam que "eh pá, tenho de ser operado..." aquilo nunca me soou diferente a "eh pá, tenho de ir à oficina do horácio mudar os cabrões dos platinados". nunca mais que isso.

para mim não há operações - dizer intervenções cirúrgicas ou cirurgias é do mais apaneleirado que existe - difíceis ou complicadas. para mim, o senhor doutor desliga-nos o quadro, descarna-nos uns fios e volta a ligar de novo. simples.

e quando me toca a mim é a mesma coisa.

quando me disseram que me tinham de abrir as costas para me cá colocarem uns ferros - lá está, dizer que temos cá dentro uns ferros já é uma coisa de macho, uma coisa à lá filomena mónica - a conversa foi tida com o maior cuidado possível:

- sabes, filho... como é que te hei-de dizer isto... parece que temos... ora bem...
- é operar, não é?
- pois é isso, lamento...
- nada disso! e pode ser só para a semana? é que tenho um casamento no sábado e tal..

e no dia indicado, despedi-me da minha mulher e da minha filha com um beijo e lá fui, de mochila às costas, sozinho, primeiro de comboio e o resto a pé até ao hospital.

estou aqui a pensar que deveria ter apanhado um táxi, mas aquilo era hora de ponta e já me bastava o que iria pagar lá para o hospital.

adiante.

o senhor louis grammatico, aparentemente uma pessoa anónima teve um grande galo na vida quando aos quarenta e sete anos reparou que andava com uma valente dor de cornos. foi ao médico, fez lá uns exames e tal e os gajos disseram-lhe que aquilo era um tumor.

«ah e tal, ó luis, isto é benigno. a gente adormece-te saca-to cá para fora e ficas logo fino.»

e assim foi. o problema é que a operação lhe fodeu a glândula pituitária. e pronto, lá teve de o gajo levar com uns tratamentos adicionais para ficar como novo.

e ficou.

para ele tudo bem. já caga e mija sem dores na cabeça. para mim é que não. é que o senhor tinha como profissão ser cançonetista. há tempos, juntou uns amigos e formou uma banda - não, não teve nenhum projecto como agora todas as bandas que se prezem têm. agora deixou de haver músicos, agora há arquitectos projectistas. o legendary tiger man tem um projecto, a rita red shoes tem um projecto, os vicious five têm um projecto... - chamada foreigner.

ora os foreigner apesar de terem feito o «i want to know what coiso e tal», uma das piores estopadas dos anos oitenta juntamente com o lover why dos century, fizeram uns quatro ou cinco dos melhores albuns de rock fm de que há memória.

sucede que este tipo de bandas volta e lembra-se de fazer umas festarolas pelo mundo fora. já não concentram muito pessoal à frente do palco mas aqui o je era bem menino para gastar uns trocos a pater o pezinho com eles.

mas lá está, há situações em que a doença dá cabo dum gajo. por causa do tratamento lá à glândula pituitária o senhor louis desatou a ganhar peso e perdeu completamente a voz. o peso não digo, mas, convenhamos, ter voz dá jeito nestas coisas da música. e se não são os amigos a dizerem-lhe "eh pá, ó lou, pára lá com isso!" temos de ser nós a baldarmo-nos à festa.

mas tenho pena, tenho sim senhor.

esta é uma das minhas músicas favoritas cantadas pelo senhor. é um daqueles casos em que se vê que o gajo cantava como quem bebe água. e todos nós sabemos que há pessoal que a beber água engasga-se e entorna tudo. como é que eu hei-de-dizer, há ali uma parte, quando ele diz, "waiting" que aquilo me arrepia naquela parte que vai do rego do prói até lá bem acima na nuca. é o melhor que vos posso dizer.

ele antigamente cantava assim como está neste vídeo e agora canta assim.



p.s.: podem-me dizer que sou mau, que sou bruto ou até que não tenho razão no que digo. mas neste caso sou intransigente. este gajo musicalmente bateu as botas. e nem admito outra opinião sobre o que aqui acabei por escrever.

pronto, pensando bem sou capaz de acatar e dizer «sim, senhor, concordo!» se alguém me chamar a atenção pelo facto de afinal a oficina do horácio só fazer bate-chapa e pintura e não efecturar obras de mecânica.

quinta-feira, novembro 13, 2008

aqui não!

alguém me consegue explicar, me ensina, me mostra, onde raio consigo eu uns papelinhos amarelos como os da imagens mas... para os limpa pára-brisas?



é que um gajo às tantas irrita-se!

quarta-feira, novembro 12, 2008

que é feito de vocês...






... que não há ninguém que vos consiga pôr a vista em cima?


está-me na mona desde que estacionei ali o carro ao solinho

a melhor música de toda a discografia dos new order dentre as que estão nos discos da década de noventa, especialmente os discos que têm capas muito coloridas.

a melhor música dos new order dentre as que se podem ouvir nos meus wireless sennheiser (babem-se seus cabrões. e quando se meterem a dizer mal dos meus óscultadores que dão para ouvir relatos da bola enquanto vou ao lugar do senhor joão comprar tomate cacho, recordem que se escreve com dois énes e o s. em alemão este s lê-se zê. já agora o é érre final nas palavras alemãs lê-se quase como se fosse â. já agora o a com aqueles dois pontinhos em cima lê-se é. e por isso deixem paneleirices e passem a chamar mateus àquela pessoa a que chamam habitualmente mátáuze) na classe das músicas, perdão, das canções dos new order que não dão para dançar mas que ainda assim permitem acompanhá-la com o bater da ponta do pé esquerdo (já agora, não se acompanham músicas batendo com a ponta o pé direito. quanto muito acompanham-se com o bater do calcanhar do pé direito. conferir com o malcolm young no tnt). arrisco quase mesmo a dizer, a melhor música dos new order.



nota: não me venham corrigir os meus correctivos germânicos. estou-me cagando para isso. tive alemão durante quatro anos na escola. aprendi a ler e a contar alemão. infelizmente não aprendi alemão. sei dizer sempre em frente porque era o título do livro. sei dizer sumário e sei que aquele links que os rammstein dizem no links 234 quer dizer esquerda. sei ainda que por ter escolhido alemão em vez de francês - blhec! - me permitiu ir para o rainha - iupiii - e coleccionar negativas de valor 1.

segunda-feira, novembro 10, 2008

selada das eiras

recordas-te, rui?

foi há mais de um ano, fiz aquele post dedicado a ti. tiveste a paneleirice - e a pinderiquice - de insistires que para ti, ganchos nos rallyes é mais ou menos como olhares da tua janela o trânsito da segunda ponte do feijó. pronto, há-de ser a nossa infinita guerra, tu pelas rectas, eu pelos ganchos. ainda assim, tens de concordar, é uma guerra mais bonita que a que os outros dois têm com um a defender o nuno gomes e o outro a deitá-lo abaixo. eles que são brancos que se entendem.

faz-me um favor, vê este video de 1997.



diz lá que é de 1998 mas eu acho que é de 1997. se tiveres paciência - eu sei que tens - para rectas deixa-te ficar a olhar para ele. se entretanto deres o braço a torcer e te maçares com a coisa, avança com o rato até lá bem mais para a frente. hás-de então ver umas curvas interessantes numa terra chamada alqueve lá para os lados de folques - um dia, acredito, levo-te lá, não em passeio mas para veres carros como antigamente - e, se te deixares levar pela emoção, verás que às tantas tens imagens do senhor comandante ventura dos bombeiros de arganil. nessa altura, faz uma pausa com o rato, respira fundo e depois continua.

agora tens imagens do gancho de selada das eiras. vais ver passar o loix (luá para uns, lóiqs para outros). neste ano este belga - lembraste, ele corria com uns celicas privados? - andou muito bem. aliás, ele em portugal sempre andou bem. houve um ano até que ele papou umas 4 classificativas ali em arganil. depois vem o schwarz que foi para a ford fazer companhia ao sainz. meu deus, a quantidade de despistes parvos que este gajo teve. número 8 é o madeira que ganhou a classificativa seguinte e também a segunda passagem aqui em na selada. neste ano ele andava com um impreza. mais para o fim vem o adruzílio.

pronto, podes continuar a não achar muito emotivo mas é contigo.

repara, eu não vi aqui os audis, os stratos ou os 037 desta vida, mas vi este gancho - isto é enorme, pá. não dá muito a ideia mas isto é enorme. repara que o loix, o schwarz e o madeira ainda dão ali um slide e tal, mas o adruzílio faz a curva como se aquilo fosse a direito. - várias vezes na minha vida de espectador. por isso gostava que pensasses um tiquinho e imaginasses o que é o blomqvist, o duez ou até, pronto, o galli a fazer este gancho.

combinado?

nota muito importante: reparaste que já só faltam 5 meses? será que este ano chove?

fábio

meu caro fábio, quando eu era puto tinha a mania das meia-maratonas. era um chavalo magrinho, tísico e nem me pesava o corpo. não tinha velocidade rigorosamente nenhuma mas tinha força de vontade. e lá ia eu, dividia a coisa em molhos de cinco quilómetros e assim, até parece que a corrida custava menos a vencer. é claro que tentava melhorar os meus tempos. vinte minutos para os primeiros cinco quilómetros, mais vinte para os segundos, outros vinte para os terceiros e, os últimos seis quilómetros era a tentar aguentar sem rebentar. e conseguia, sim, conseguia. melhorava aqui e ali, um pouquinho e tal, mas conseguia. eh pá, umas vezes sem pernas ou com o pé aberto, corria com o jaime gazul e passávamos a corrida a contar anedotas e a controlar os tetos das gajas que estavam na beira da estrada a bater-nos palminhas; outras vezes com mais pedal ia atrás dum outro gajo para melhorar tempos. agora, vinte e tal anos depois, pesa-me o cu. tenho mais uns vinte quilos em cima e é isso mesmo, pesa-me o cu. tenho umas pernas que sofrem quando há aquele impacto, quando o peso do cagueiro e da barriga faz estremecer os quadrícepes. um dia, lá naquele tempo, tinha feito umas corridas e uns treinos de jeito, sentia-me porreiro, sabes? lembrei-me de fazer um treino com o artur "cagalhão" brandão, um senhor, atente-se. não estás a ver a coisa. aquele gajo não corria, trilhava sulcos no alcatrão. fazia um quilómetros para lá, depois fazia mais 750 metros para cá, vinha ter comigo e dizia: estás bem? e eu lá continuava, a babar cuspo e sofrimento.

lembrei-me disto ontem quando te vi a correr ao lado do hulk. que porra, tiveste azar! com tantos lugares para estares em campo, calhou-te logo ficares ali, junto do teu compatriota, quando a bola lhe veio ter aos pés.

e depois foi o que se viu: tunga, tunga, tunga, tunga, o gajo, como o artur cagalhão - um senhor, não me canso de dizer - também parece que cavava sulcos no relvado. às tantas nem sei o que te passava pela cabeça. eu sei é que à entrada da área vi o hulk travar antes de fazer o remate. e fez, e foi nessa altura que o albarroaste. e foi nessa altura que viste que estás mesmo gordo e lento. foi quando chocaste que ele podia também ter percebido que o teu peso impõe respeito. mas tinhas chocado, infelizmente, na altura em que ele tinha rebentado um petardo em direcção ao teu patrício.

cabrão do hulk. que egoísta que ele foi!

para os portistas, a actuação do bruno paixão foi tudo menos anormal, já estamos habituados. ao que parece os lagartos também não gostaram da coisa. e quando assim é, quando uma equipa tem razão de queixa e quando a outra também tem, é porque então há unanimidade.

pois, não sei, há lances clarinhos, há lances duvidosos, há lances estranhos. sinceramente, acho que o árbitro errou tanto ou menos que os jogadores. pessoalmente acho que foi um jogo de cáca.

até já li que foi o melhor jogo da época. pergunto, o melhor jogo em quê?

anda um pai a criar uma filha...

e assim, do meio do nada, desata a chorar porque se lembrou que os pais também acumulam anos:
- eu não quero que vocês fiquem velhinhos, eu não quero que vocês fiquem velhinhos...
- mas ó filha, olha lá bem para a mãe. a mãe ainda é uma miúda nova e gira e tal e toda grossa..
- mas eu não quero que ela fique velhinha...
- está bem, pá. mas a mãe só vai ficar velhinha daqui a muitos anos.
- mas eu não quero que ela fique um dia velhinha. e tu também já és velhinho.
- eu???!!!!
- sim, tu já tens cabelo de velhinho!
- eu? onde?
- aqui. olha, tens muitos, vês?

quinta-feira, novembro 06, 2008

façam as suas apostas

em relação ao post anterior devo acrescentar o seguinte: a playboy fez uns anúncios anteriores ao lançamento da revista, uns teasers que, para quem conheça as fotos do primeiro ensaio, têm, convenhamos, muita, muita piada.

digo eu, pronto


nota: se alguém não perceber a piada, avise. eu depois faço-vos um desenho.


claúdia

se alguém for ao brasil, alguém, um ser humano qualquer, por favor, traga-me o último número da playboy que traz as fotos da cláudia ohana.




a última defensora da mata atlântica.


(eu não sei se aguento pelo, sempre tardio, lançamento em portugal.)

even better than the real thing

aquelas pessoas, tipo: intelectuais de esquerda, programas culturais do canal 2, câmara clara, lisboadoc, gotham project, joana amaral dias, hollywood é o capitalismo americano em todo o seu esplendor, goddard, cinema king, belle de jour... e essas merdas, não era suposto sentirem-se incomodadas com o espectáculo (atenção que eu disse espectáculo) hollywoodesco das eleições americanas e mais os beijinhos em palco e os abraços aos filhos e às comadres e as fitinhas e as bandeirinhas?

p.s.:
- eu não estou contra o senhor meio preto.
- eu não estou contra a vitória do senhor de preto.
- acredito tanto na tal futura lufada de ar fresco que ele irá criar como na que o lula, esperava-se, iria também produzir.
- cada vez mais gosto da série west wing. a ficção daquela 7ª temporada, é afinal menos menos espectacular que a realidade.
- considero que naquela coisa de "gestos bonitos para se fazerem naquela parte quando acontece o discurso de vitória/derrota" nada ainda bate aquele roçar de narizes, aquele beijinho à esquimó entre o carrilho e a bárbara quando o carmona venceu.

protecção

this girl I know needs some shelter
but she don't believe anyone can help her
she's doing so much harm doing so much damage
but you don't want to get involved
you tell her she can manage
now you can't change the way she feels
but you could put your arm around her



esta música, é, digamos, uma valente ganza!

quarta-feira, novembro 05, 2008

bo concept

sou má pessoa? serei mau pai? mau marido, por exemplo, por me estar rigorosamente cagando para as eleições americanas?

as pessoas portuguesas que acham bem que o mccain tenha perdido, acham-no porquê?

porque é algo que melhorará as suas vidas? porque a senhora do alaska é foleira? porque é bonito ter um presidente preto? porque o branco é a favor das ideias do bush? mas quais ideias do bush? as do iraque? mas então o durão barroso também não era a favor dessas ideias? então e as pessoas que são contra o bush não são, algumas delas, as mesmas que votaram, com agrado e alegria no durão barroso e no santana lopes? alguém saberá por exemplo qual é a posição do obama em relação aos contentores de alcântara? achará ele que o sá fernandes só fala quando convém? e principalmente - e sobre isto é que sinceramente ainda não o ouvi dizer sequer um pio - qual é a ideia dele em relação às redes portistas? helton ou nuno? ou defenderá ele uma terceira via?

capa

achei piada ao paulo bento ontem quando criticou a comunicação social portuguesa por não ter dado o devido destaque ao seu clube nesta caminhada na liga dos campeões.

achei piada porque o que ele está a fazer não é mais que fazer figura de palhaço. sei-o porque a figura que ele fez é idêntica à que eu aqui vou fazendo. é isso que me sinto, um palhaço de circo. mas lá está, tenho um blog e uso-o para isso mesmo, para palhaçadas.

não fica bem, nos tempos que correm, invocar a falta de destaque jornalística da carreira leonina nas champions, porque, como ele bem sabe, os jornais portugueses são empresas comerciais. e como ele bem sabe, empresas comerciais existem para dar lucro. e para dar lucro as pessoas têm de comprar os jornais. e só as capas benfiquistas é que fazem as pessoas comprar jornais.

então mas e isso é correcto? é! ou pelo menos não é incorrecto. não lhe chamemos é a isso jornalismo isento e essas merdas. é como chamar cerveja àquela coisa da tango ou da green ou lá o que é. chamem-lhe outra coisa, pronto. e quem se sentir tocado com essa situação, faça como eu, monte um blog e desabafe cada vez que sentir que as sociedades jornalísticas só contam histórias benfiquistas.

gozar com os jornalistas ou com o jornalismo, é do melhor que há. é uma terapia catártica.

o benfica joga amanhã na taça uefa, o porto joga hoje naquela coisa fraquinha que é a liga dos campeões e o record, por exemplo, dá um destaque de capa à benfica com mais ou menos o dobro do espaço que é dado ao porto. mas mesmo assim, o jogo, por exemplo, fala nos milhões que o sporting encaixou com esta passagem. ou seja, não é uma conquista desportiva, é uma benfeitoria financeira.

apesar de tudo, não me parece mal de todo. reparem, há quanto tempo não surgem três primeiras páginas no mesmo dia, com o destaque principal a ser dado a uma equipa que tenha passado aos oitavos de final da liga dos campeões?

paulo bento, faz um blog que isso passa.

terça-feira, novembro 04, 2008

coisa linda!

gosma é uma palavra do caneco, não é?

o bana




tenho curiosidade em saber, quantos dos portugueses que dizem: «ah e tal, pá, o obama, estás a ver? é preto, é magro, é educado, esse sim. o outro não, o outro é velho e escolheu uma barroa para vice-presidente, um cargo muito importante lá na américa. tão importante que metade da população lá da américa sabe de cor o nome de todos os vice-presidentes. o preto é que é, pá!» votaram no santana pelas mesmas razões.

segunda-feira, novembro 03, 2008

mata sete

então vamos lá fazer umas contas:

- ora, então estão decorridas sete jornadas, certo? certo! muito bem. assim sendo estão decorridos 23% do campeonato. quase um quarto, não é?
- vamos então contar quantas equipas estão à nossa frente. ora, uma, duas, três... (bom, vou pôr aqui uns parêntesis que dá-me ideia que são muitas)..., seis e sete!
- eh pá, sendo assim os administradores já não ganham prémio nenhum.
- vamos agora contar quantas estão ainda para trás. ora, uma, duas, três (neste caso não vou colocar parêntesis nenhum porque assim dá a ideia que são muitas mais), quatro, cinco, seis sete e oito!
- oh que porra, são muitas mais, pá! crise? crise era se fossem, sei lá, se fossem apenas 3 atrás de nós, não era?
- além disso estamos em ex-aequo com o quinto classificado. com uma vitória e podemos ficar, imagine-se, num louco 3º lugar. (lá está, já dá direito ao prémio lá da administração).

- eu leio para aí críticas e mais críticas e eu sei é que o 11º lugar está garantido. estive a fazer contas e o setúbal, que está em 13º, mesmo que ganhe não nos conseguirá apanhar. não me fodam, estamos num lugar confortável, porra!

p.s.: eu não quero meter medo a quem vai à minha frente. mas quero alertar-vos para o seguinte: esta equipa que está a jogar um nojo, que perde com o leixões e a naval, que perde com o kiev e leva cabazadas do arsenal (esta parte até rimou), é a mesma que veio à luz permitir o empate do benfica (meteu duas no ferro, não esqueçam) e veio a alvalade ganhar sem grandes espinhas. não estou a dizer que é equipa para melhorar num repente daqui para a diante. eu estou é a dizer que os candidatos que estão à nossa frente são capazes de bem pior. cuidado!

sábado, novembro 01, 2008

o (meu) mundo ao contrário

amanhã a igreja (a minha, pelo menos) celebra o dia de fiéis defuntos. hoje, dia 1, como eu já desconfiava, na figueira da foz, nem todos os santos ajudaram.

(não calhando este ano, o dia 2 um dia de semana, porque raio foram as pessoas hoje fazer as visitas aos cemitérios? irão amanhã também?)

vão por mim, acreditem, a que custa é a primeira derrota. dali para a frente só custa se não tivermos uma boa pinga para aquecermos essas mesmas derrotas.

sexta-feira, outubro 31, 2008

Vamos brincar à caridadezinha...

...festa, canasta e boa comidinha
vamos brincar à caridadezinha.


a minha filha percebeu à primeira e sem perguntas acessórias, como raio a mãe engravidou e de que forma ela saiu da barriga da mãe.

por outro lado, anda a demorar uma eternidade, meter-lhe naquela cabecinha, que há coisas que temos que ter cá dentro, além dum fígado em condições para aguentar as bebedeiras de whisky marado que infelizmente as discotecas lisboetas ainda proporcionam, como a solidariedade e o altruísmo.

explicar-lhe, então, o que é a pobreza é uma coisa que me está a ser do mais difícil que há. porra, é que até já conseguimos que ela peça para sair da mesa, imagine-se. agora isto de ajudar os outros e tal...

- mas ó filha, é isso mesmo. é pegar numa ou noutra boneca ou brinquedo, embrulhá-lo e ir levar ali à irmã elvira para que haja meninos pobres que tenham, pelo menos uma vez na vida, um presente (vêem, até a induco a não dizer prendas, oh lá lá) pelo natal.
- ...
- vá lá, filha. isto é uma coisa bonita, sabes? olha, o pai embrulha também um dos livros dele e leva também à irmã elvira.
- dos brinquedos que eu gosto eu não dou a ninguém. só se for das bonecas que eu não gosto.
- (ó foda-se! - isto, dito bem baixinho) pronto, também serve. então sendo assim, o pai embrulha ali um dos rebelos pinto que a mãe tem e não se fala mais no assunto. fica ela por ela.

quinta-feira, outubro 30, 2008

contentores

mas se o estado mete o bedelho em tudo o que é sítio, então não é capaz de meter os contentores noutro lado qualquer?

mas isto não depende do ministério das obras públicas? mas então porque raio tratam a apl como se fosse, assim, uma coisa independente, gerida por gente simpática como os empregados da portugália do chile

adoro isto.


quarta-feira, outubro 29, 2008

...all the good girls are home with broken hearts.

uma música antiga. um cantor a descobrir com mais atenção. uma versão intimista. uns anos anos noventa que também tiveram coisas muito, muito giras - bom na realidade isto é do primeiro disco a solo do tom petty e foi lançado em 1989, lá bem no finzinho da "década".

gosto!


estes argentinos estão loucos

tenho pena que esta decisão da federação argentina de nomear o diogo armando como seleccionador nacional só tenha surgido em 2008, altura em que o «máiór», como se auto-intitulava o vítor baptista, já esteja na quinta das tabuletas há uns bons dez anos.

tenho a certeza que seria uma experiência histórica, um embate entre portugal e os argentinos, seleccionados por estes dois ex-jogadores.

e além do mais, uma experiência pertinentíssima.

ok, podem começar a apedrejar-me

quando ouço a expressão «ah, isso são os homens, que são todos assim!» arrepio-me tanto quanto quando ouço outras do mesmo tipo, mas aplicadas ao género feminino. tenho sempre sérias dúvidas nas distinções entre pessoas de géneros diferentes. além das que estão visíveis aos olhos (e às mãos, caso haja dúvidas.) de todo o mundo. sou dos que encontro diferenças sim, mas entre indivíduos.

contudo - ai! - é no messenger que registo diariamente as maiores controvérsias a este meu pensamento. ali, reside a minha bitola. se é mulher a coisa não chega ser explicada, nem à primeira, nem à segunda, nem mesmo com carta registada. tenho também dúvidas que as videoconferências atenuem as complicações. messenger, sinceramente, deveria ser proíbido entre homens e mulheres e vice-versa.

messenger e liceus salazaristas, é cada um para seu lado!

(um beijinho, parva!)

anne clarck

a última coisa que suporia ao já me aproximar à pista de aterragem dos 40 anos, é que iria ser acometido por uma saudade estranha, que me deixa por vezes num estado algo trôpego, num misto de lânguido com blasé.

fico ali, com pensamentos distantes, a reviver em pormenor, e com gosto, momentos que não gostei muito de ter passado por eles.

e é quando os revejo, que faço quase que uma sindicância à minha base de dados das saudades e escalpelizo os lugares da minha terra que eu adorava descobrir, os alfarrabistas onde entrava para olhar para os preços e lamentar a falta de liquidez na carteira, as discotecas onde entrava para espreitar para dentro das capas dos discos com a intenção de confirmar esta ou aquela parte da letra, as fotografias que tirava aos mais bonitos crepúsculos de lisboa...

e essas partes, essas até eram partes boas. no entanto, há ali uma condição, um elemento, algo que me faz afastar esses mesmos pensamentos. mas, revendo-os, gosto de os sentir também bem longe da actualidade, apesar de também sentir que podem aparecer novamente.

ontem, acho que atingi os limites da saudade. dei por mim, enquanto queimava o "midnight oil", a ouvir - e a não me provocar nenhuma comichão no corpo - uma coisa que não me passava pelo estreito daqui das orelhas, seguramente, há uns 17/18 anos.

e por ter gostado, noto, com medo, que pior do que virem aí problemas na próstata, é bem pior virem gostos musicais que já os tinha arrumados.






segunda-feira, outubro 27, 2008

é aproveitar, rapaziada!



hoje já é dia 27 de outubro e eu poderia continuar aquela tal série de mails sobre as idas à praia.

mas, por pudor vou passar a calar-me!

para memória futura

a rtp, em rodapé, escreveu hoje o seguinte «porto goleado nas antas».

ou seja:

- é uma goleada quando se encaixam 3 golos em casa?
- e se se encaixarem três golos em casa mas se marcarmos 4 - bem sei que não foi o caso - , também é goleada?
- e se nessa tal goleada tivermos marcado 2 golos, ficando a diferença do marcador em apenas 1 golo, também é uma goleada?
- então goleada é porque se perde, seja lá porque diferença for, desde que se sofram 3 ou mais golos?
- sendo assim, o porto venceu o sporting em alvalade, num jogo em que esteve à beira da goleada, é isso?
- estariam a contar com o golo mal anulado ao leixões?
- mas se assim, fosse, quando o golo mal invalidado é marcado pelos adversários do porto, então são resquícios do apito dourado, quando o porto tem penaltis não marcados, golos mal invalidados ou foras-de-jogo mal assinalados, são resquícios de quê?

- bem sei que aquilo não é só uma equipa nova, bem sei que quem saiu era melhor do que quem ficou, bem sei que esta gaita leva o seu tempo a construir, mas não era suposto então, não ter havido jogos em que até se jogou bem? é que nesta mesma época eu já vi isso, ora!
- então e já há lenços brancos?
- então e já voltaram as cargas de porrada aos jogadores?
- então e não era suposto haver polícia que defendesse os jogadores?

- então e o luís filipe vieira, por ter acolhido o queiroz na tribuna, não é agraciado com a prosa dos egrégios comentadores com que foi outorgado o pinto da costa no dia do dínamo?

- então a crise do porto é maior que a do sporting e vai à frente deste no campeonato?

- então o benfica vai em grande e só tem um ponto de vantagem sobre o porto e vai em terceiro lugar?

- então e só se fala na diferença de orçamentos em relação ao porto e ao leixões e não se fala em relação ao sporting e benfica em relação ao nacional e ao leixões?

- então e não era suposto haver um destaque especial ao nacional e ao leixões que lideram a prova?

p.s.: bem sei que a nossa maior guerra/apoio é com os nossos jogadores e treinadores, não estamos habituados a ganhar jogando mal quanto mais a perder jogando mal também. a sorte não nos acompanha, mas também me parece que não há ali ninguém que faça por merecer a sorte. há ali jogadores que não estão a jogar nas posições correctas, para alguns, as posições correctas são o banco ou a bancada. o jesualdo nunca terá um estado de graça nem que seja 5 vezes seguidas campeão ali. viu-se quando foi campeão com vinte pontos de avanço, nem assim. curiosamente acredito naqueles jogadores. mais do que acreditava nos jogadores do adriaanse. mas pronto, é nestas alturas que mais me sinto unido à equipa. que porra, não me esqueço que já gritei e aplaudi, coisas complicadas como leo's lima ou claudios pitbull. e não assim há tanto tempo.

sábado, outubro 25, 2008

esclarecimentos

vá, não se estiquem nas bocas. perdemos, mas perdemos contra o primeiro classificado, não esquecer isso, ok?


(isto está bonito, está sim senhor!)

ai marta que me desgraçaste a ialma!

tempos houve que era possuidor de uma basf de ferro, do tempo em que eram vermelhas, cujo lado a, o malogrado alex craveiro lopes gravou o strange days e, no lado b, espetou o vu. sei que para completar o resto da fita, em ambos os lados ele gravou mais umas coisas avulsas. material de vanguarda que o alex - que deus tem - não era gajo para outras coisas que não essas.

isto sucedeu por alturas de 1987, no outono e recordo-me que essa cassete foi comida, consumida, fumada e mastigada durante horas e horas a fio. ao ponto de em certa altura, o irmão do osga me ter perguntado: «ó jaime, tu és gajo para gostar de quê?» «dos velvet, respondi.»

era a banda que eu mais ouvia e mais gostava na altura.

é certo que com aquela idade bastava-nos gostar de um single ou, quanto muito de um éle pê, para logo nos considerarmos conceituados fãs desta ou daquela banda. é certo também que com a idade actual a forma de avaliação pouco mudou.

dois ou três anos mais tarde, a marta - ou era rita? diz-lá, cariño, sabes de quem falo, não sabes? - uma aluna dum amigo meu, lembrou-se que era altura de deixar de ser menina e passar a ser, digamos, vanguarda: botas da tropa, cartão de aluna da antónio arroio, pastas para folhas a2, canetas rotring - ela tinha dinheiro suficiente para dispensar tira-linhas - , ar abardinado, etc . nesse mudasti que ela operou, decidiu incluir o surripianço desta, aqui referida, cassete. caraças, as coisas que uns olhos bonitos não fazem.

depois de a ter considerado praticamente como perdida, consegui recuperar a dita cassete uns anos depois. infelizmente vinha muito ratada e, pasme-se, tinha o body to body dos belgas technotronic e mais uma outra coisa que agora não me alembro, em vez das músicas originais.

fiquei triste como tudo: porque ela me escavacou a cassete e por ter cometido a heresia de me ter trocado, sei lá, o body notion pelo move that body.

felizmente, estes discos de de pum-txicabum-pum-pum não eram muito extensos. assim, tive a sorte de ter ficado, lá bem perto do fim da fita, esta música que recordo com muito, muito prazer e saudade - ai que frase mais pindérica.



é, curiosamente, das poucas coisas, vá lá, de vanguarda que ainda gosto.

e é curioso também, em plena era mp3, como estas histórias parecem francamente ridículas.

graças a deus!

que é feito de ti, melher?

sexta-feira, outubro 24, 2008

procuro..

...procuro, procuro, desesperadamente bela blogosfera e não encontro nada. nicles, ninguém liga peva nenhuma áquilo.

eu ligo.

qual david nunes, qual morrison, qual nuno martins. daqui em diante, voz off para fazer anúncios de rádio, meus amigos, que não haja dúvidas, é o paulo futre e mainada.

liguem a telefonia, vão à m80 e tentem apanhar o anúncio. aquilo é simplesmente lindo. há lá ou «ou» e um «caixdoxexal» que não dá para descrever.

pronto, é o máiór, é o que é!

(não quero gozos, gosto do gajo, aviso já)

papel químico

ao que parece deram a boca ao portátil do miguel sousa tavares. ao que parece, segundo conta, milhares de caracteres do seu futuro livro foram para o maneta. ao que parece, disse o senhor, ele trocaria seja lá que objecto fosse, lá de casa, pela devolução do computador.

pronto, é uma hipótese. os leitores que dele gostam agradecerão o eventual gesto do meliante.

contudo, uma coisa é certa, se o senhor quisesse um dia enveredar pela publicidade, nunca nunca seria porta-voz da seguinte frase: com backups sousa tavares, a sua vida não vai pelos ares.

não se pedem, evitam-se!

são as desculpas do jesualdo, são as desculpas do madail, são as desculpas do teixeira dos santos, são as desculpas do queiroz e agora, tenho de levar, imagine-se, com as desculpas da minha filha:

«não, não é isso. eu porto-me bem em casa das outras pessoas e porto-me mal lá em nossa casa porque lá em casa não consigo respirar. só consigo respirar em casa dos outros. e como não consigo respirar bem em nossa casa, faço birras e porto-me mal!»

boris

tenho um cliente que é a tromba chapada do boris gardiner.

e este facto metafísico e eventualmente paranormal aparentemente não traz mal nenhum ao mundo.

é verdade, aparentemente não. contudo, há qualquer coisa que me provoca um arrepio aqui na espinhela cada vez que o senhor aqui entra e que eu atribuo ao facto de temer que ele desate a cantar «ai uon tueiquâpe ui diú....»

e amigos, se há coisa que mais me irritou na década de oitenta, foi seguramente o boris gardiner, o life is life dos opus, o lover why dos century, o brother louie dos modern talking e tudo, mas tudo mesmo, dos europe.

pronto, não liguem, mas todos nós temos o nosso "private pedro pais".

quinta-feira, outubro 23, 2008

nada a fazer

(não, não é uma crítica pessoal, pá. é genérico, é genérico.)

gente amiga, chega-se à minha beira, assim no messenger, e pergunta-me baixinho: escreveste aquilo por causa do que escreveram naquele blog?

e eu fico num misto de tristeza com consternação. tristeza porque normalmente quando escrevo por causa deste ou daquele blog, anuncio isso de uma forma descarada. consternação porque, repito, aqui na blogosfera acontece a mesma coisa que me sucede na vida real: sou péssimo em vida social e gente famosa! passo por eles e nem sei quem eles são. depois, vejo-os na tv ou nas revistas e ....olha, eu conheço esta gaja!

quarta-feira, outubro 22, 2008

mfm

hoje a visão traz uma entrevista com a filomena mónica.

as coisas que ela diz fazem-me recordar o pessoal do hip-hop e dos moviméntos révólutivos áfricános: sempre, mas sempre sempre a dizer mal.

como me dizia um amigo, o sodré «na dúvida, reclamando sempre!»

cansa-me o raio da senhora!

no sector das abluções

entro no supermercado e procuro gel-de-banho

porque é que só os cheiros farsolas é que se nos entranham na pele? porque raio a nossa pele não exala aquele cheirinho dos geles (qual é mesmo o plural de gel, pá?) de banho que cheiram bem?

a empregada, simpática, lá me aponta o dedo para a secção indicada. quando entro no corredor, olho para cima e reparo no letreiro «produtos para homem/higiene feminina».

fico a matutar: então os homens usam produtos enquanto que a mulheres é que têm asseio?

sou contra.

ana de amsterdam

... sou ana da brasa dos brutos
na coxa, que apaga charutos
sou ana dos dentes rangendo
e dos olhos enxutos...

verão de 1989, um grande verão

nota: o ruy guerra, além de ter tido a sorte e o engenho de de ter casado com a leila diniz, lembrou-se que a sua cabecinha também era capaz de pensar coisas como «quero ficar no seu corpo feito tatuagem que é para te dar coragem para seguir viagem quando a noite vem» ou que escolheu a frase «retalhar em postas» para ser incluída numa canção. nasceu em território português.

e pronto, assim não doi tanto

a coisa boa de levar quatro sem espinhas do arsenal é o facto de quando, depois, levamos só um, ficamos, precisamente assim «olha, foi só por um, podia ser bem pior!»

a coisa boa de perder por quatro, por um ou seja lá por quantos for, num dia anterior a um jogo em que participe o sporting ou o benfica, é o facto de depois, nos jornais do dia seguinte, ter como primeiras páginas, isso mesmo, notícias sobre esses jogos do sporting e do benfica.

(o porto ontem parecia a selecção nacional. bombinhas para a área, bolinhas despachadas pelos centrais)
(o queiroz estava lá a ver a bola)

terça-feira, outubro 21, 2008

segunda-feira, outubro 20, 2008

abracinho

não é que estivesse zangado com ela: por causa da ronha matinal; porque aquele pedaço de tempo que vai desde que sai do carro até entrar na escola demorou mais que o habitual porque decidiu apanhar umas flores; porque quis mostrar uma montra ao seu bebé ali sentado no carrinho ou outra coisa parecida qualquer.

não, nada disso. a entrada até foi normal. lá teve os seus pequenos atrasos mas, na classificação oficial do ministério da paciência que os pais têm quando os levam à escola, eu até lhe atribuiria um suf mais.

mas depois, lá dentro, na salinha dela

salinha é uma palavra que só utilizamos com as crianças, não é? bem, é nas crianças e nas mediações imobiliárias «...e temos depois aqui esta salinha que é bem boa, quentinha e tal...»

há sempre uma espécie de dupla despedida. há a primeira que é mais para avisar que me vou embora «bom, então vá, vai lá ter com o resto da canalhada e tal.» e há depois uma segunda despedida, esta mais oficial, cuja existência depende do estado de espírito dela, do facto do resto dos amiguinhos da sala (ou da salinha, lá está) a requisitarem imediatamente para brincadeiras ou depende mesmo da minha pressa.

hoje, depois de ter deixado sob o seu cabide o ovo com o seu bebé, dei-lhe um beijinho seguido duns «vá, adeus, adeus, o pai vai bazar» e, quando ela foi para o pé dos amiguinhos, fui-me embora.

uns 10 minutos depois, tive de ir ao carro. abri o porta-bagagens - garagem, como ela diz - e vejo lá ao canto, a mochila do bebé...

- então filha, vá vamos embora. demoras muito?
- a mãe não me quer vestir o bebé...
- ó que gaita, mas isso é trabalho teu! vá, dá cá depressa a roupa para irmos embora.
- ...
- é mais alguma coisa?
- tenho de levar aqui a mochilinha com a fralda, biberão e o xarope para ele...
- ok, então vá, vamos embora.

...que ficou ali esquecida.

ahhh, dou um saltinho ali à escola, não me custa nada e ela até vai ficar contente.

e quando cruzo a esquina lá do corredor que dá acesso à sala, vê-me, corre para mim transportando com ela o ar mais triste do mundo e abraça-me até sufocar.

- olha o que te trouxe. - continuava abraçada a mim.
- sabe, ó pai da beatriz, ela ficou muito triste e começou a chorar porque não se despediu dela como deve de ser.
- ohhhh, foi filha?
- ....
- ó pá, eu pensava que aquela despedida do beijinho tinha sido suficiente...
- mas eu queria um abraço, pai.
foda-se que desato aqui a chorar, porra! - ó filha, desculpa, pá. pronto, olha, trouxe-te a mochilinha que nos esquecemos no carro...
- ...
- dá cá outro beijinho. o pai vai-se embora agora, ok?
- sim...
- como é que é, jacaré?
- ah pois é!

bem sei que não tem nada que ver, mas... lembrei-me disto.

perguntas, dúvidas e amiguidades que já vêm de longe

- é mesmo necessário lavar, com sofreguidão e empenho, a parte exterior dos tachos, panelas, frigideiras e pirexes, da mesma forma com que lavamos os seus interiores? ou se ficarem uns vestígios acastanhados no fundo da frigideira é igual ao litro?

- (esta do tempo da faculdade) é mesmo necessário lavar com água quente, féri e palha d'aço as facas usadas para cortar o pão?

- podemos fazer aquele "acabamento de unha" na limpeza dos vestígios de comida dos talheres que retiramos da máquina de lavar a loiça, à frente de pessoas que estejam nesse momento a visitar a nossa casa, preparadas para jantar usando esses mesmos talheres?

- haverá um dia em que a ciência deixará de lado aqueles avanços amaricados que consistem em colocar sensores de calor nas frigideiras e se aventurará em construir panelas, tachos e, principalmente, testos que não façam barulho quando chocalham entre si?

domingo, outubro 19, 2008

dos instrumentais? hummm, gosto das letras!



e então há aquela coisa de haver bandas portuguesas com nomes estrangeiros, que cantam músicas com nomes estrangeiros e até as letras são em língua estrangeira. ao que parece dá mais pinta à coisa.

nada contra, tudo bem. aliás estou-me cagando para o facto da rapariga preferir chamar-se rita red shoes a rita sapatos encarnados. e depois há aquela coisa da métrica das palavras e mais não sei o quê.

repito, nada contra. tudo bem.

o que não aceito é haver instrumentais de bandas portuguesas com títulos em língua estrangeira. será que tem mais pinta uma guitarrada sem voz chamar-se «the legend of the nightingale of the piety hollow's*» ou «a lenda do rouxinol da cova da piedade»?

* não me lixem. isto no mínimo está com três erros gramaticais e um ortogáfico. sou a pior pessoa - possível - a escrever em português. imaginem agora em inglês. ó karla, corrige-me lá esta gaita, sim?

eu sei que o eduardo ali do video não é português mas a verdade é que não gosto de nenhum instrumental feito por pessoas portuguesas. ainda assim, aceito que esta música se podia chamar, por exemplo, «santana, não te metas nisso!».

agá césar o que é de césar

quando era pequenino julgava que aquelas pessoas que eram donas de empresas, ou cujos donos tinham colocado a mandar nas empresas, eram, assim, pronto, muito inteligentes, entendem?

depois com o tempo fui mudando de opinião.

quando era pequenino julgava que as pessoas que escreviam nos jornais ou falavam na televisão eram, assim, pessoas que falavam e escreviam muito bem e isso, estão a ver?

hoje, ouvi uma pessoa, que dirige um canal de televisão, dizer que lhe custa muito fazer agáchamentos (assim mesmo, como se estivesse a dizer h-xamentos)

dir-me-ão «pois mas para dirigir um canal de televisão não é necessário saber que não se diz h-chamentos». e eu digo «pronto, está bem.»

pronto, foi assim.

19 de outubro, repito, outubro.

fui à praia suei para caraças. estava quente.

19 de outubro, não esqueçam.

sexta-feira, outubro 17, 2008

e vai sem links que isto não está cá para mariquices

assim de repente uma das memórias que eu tenho tuas é de te ver, ali em frente ao bar, perto daquela tabela de basquete que estava junto às colunas, com o berimbau do osmar na boca, demonstrando-nos que era possivel tocar com aquilo o bizzare love triangle.

há uma parte da minha memória que diz que o que tu tocavas era o true faith. confesso que não sei. não me recordo. caguei!

hoje, quando me estava a vestir depois das abluções, ouvi esta versão e lembrei-me: carai, o gajo faz 37 balas, porra!

e agora estou aqui ao telefone e tenho hipótese de te fazer esta homenagem. mas acredita, vou ser o cabrão do costume e na certa esquecer-me-ei de fazer o caralho do telefonema.

pelo sim pelo não, compra dois salames de chocolate, encomenda um molotoff, trás da mercearia seis frutos real - trás um de ananás que eu gosto - e diz à tua mãe que está na hora de desembrulhar aquelas tortas dan cake que estão na despensa.

eu já apareço.

parabéns!

(não bufes as velas sem que eu chegue. se os teus pais deixarem, bebemos uma gasosa no old vic, vale?)


caneco, não estava à espera que uma conversa me levasse a isto

em casa do osga, provavelmente emprestado pelo bigodes, um disco duplo e tudo, mortalhas da drum, uma new look, discos da anne clark, coisas dos dead kennedys, chuva lá fora, pessoa da escola das olaias lá em baixo, religião, um sticker do the wall

e a dúvida que ficou para sempre: qual é que é melhor:

esta?



ou esta?



ai eme ane anár quiste!

crisis, what crisis?


quando há assunto novo nos jornais e nas televisões, gosto particularmente dos artigos de opinião. gosto muito dos artigos de opinião das pessoas que têm opinião para tudo. gosto muito do tom sério que essas pessoas colocam nas opiniões que emitem.

gosto da crise, dá artigos e opiniões que já nem sequer me fazem sorrir. quando as opiniões saem do carril do questão técnica da coisa e passa para o carril da questão ideológica da coisa, deixo de encontrar piada àquilo e começo a encontrar tristeza.



o facto de toda a gente opinar, significa que às tantas, a mesma pessoa que me diz ter ficado a ouvir o que este ou aquele senhor disse na telefonia ser a mesma pessoa que termina a explanação com o já batido «olhe, o senhor ainda é novo - é tão bom ouvir isto, caramba - mas se cá estivesse ainda o antónio do vimieiro... isso é que era... nada disto estaria a acontecer!»

também posso ter uma opinião sobre a crise?

isso é que era, não era?

não há nada de novo a dizer, já o tinha dito aqui. pronto, é o que eu acho!

quinta-feira, outubro 16, 2008

a já poucos meses do advento...

... este quaresma está com uma atitude do caneco, não é?

e pronto, é fazer as contas

ontem vi jogadores albaneses a fazerem tabelinhas. vi também um deles que passou, com dribles e chouriços à mistura, pelo meio de três defesas portugueses.

está bem.

p.s.: como é meu apanágio gosto depois de gozar no dia seguinte, com a leitura das páginas dos jornais desportivos. é tão bonita a memória dos jornalistas, conseguem apresentar estatísticas sobre a quantidade de centros que o martelinho fez ao longo da vida mas só fazem escrutínios sobre a 'vergonha' do futebol, unicamente dentro dos jogos que sucederam até 2002 e de meados de 2008 em diante. não estou contente com isto. mas ficaria realmente fodido era se istoi estivesse a suceder com um ataque constituído pelo pauleta ou o ronaldo e alimentado por um meio campo com maniche, costinha e o deco. e quem diz isto diz com outra realidade parecida. entendidos?

quarta-feira, outubro 15, 2008

aire conditioned

15 de outubro, pino do outono - nunca se diz pino do outono, pois não? - estou aqui a trabalhar e estou cheio de calor. atenção, não estou a dizer que estou quentinho, estou a dizer que está uma brasa do catano.

15 de outubro e vou ligar o ar condicionado. no frio!

o pessoal dos caloríferos este ano vai mesmo para a falência. pelo menos este ano.

talvez vendam alguma coisa lá para maio ou coisa assim.

coitados!

(post do mais parvinho que por aí há)


serviço público

se há marcas que me fodem o juízo, a sony e a apple são duas delas.

recente possuidor dum ai pode, passei a sentir na pele a seca que é usá-lo "by the book". declaro aqui, não em letras garrafais porque não é o meu estilo, que o ai tunes é a pior jukebox que eu já conheci: feio, ultrapassado, lento, incompleto, etc...

aquela história de não se poder copiar músicas do leitor para o computador, então, não lembra a ninguém. é uma perda de tempo.

é como o dinheiro que as empresas discográficas usam nos sistemas anti-cópia, pergunto «há alguém que conhece alguém que já tenha dito "não consegui ripar aquele disco"?». não há pois não?

bom, mas não são só más notícias. posso parecer meio tolinho com esta atitude, quem sabe até darei ares de nerd caloiro, mas o xerepode é uma coisa que deveria ser ensinada nas escolas. salva-nos para já do martírio do ai tunes.

e tudo o que sirva para nos salvar da sony ou da apple....

Arie Haan "É preciso uma pistola para parar Ronaldo"


eu não quero ser mauzinho, mas julgo que o albanês haan, esqueceu-se que a nereida não usava pistola.

e lá que parou o senhor, acreditem, parou!

piada brejeira: não usava pistola mas fazia uso da lovegun do moço. piada gira não é? ai que bom, um dia vou escrever para os batanetes!

chavala pucanina, sonhos granjolas

há precisamente 20 anos - caramba, 20 anos! - no extinto clube roma da sacadura cabral, num dia inesquecível, numa noite inesquecível, num aniversário inesquecível, com amigos que graças a deus, também não esqueço!


terça-feira, outubro 14, 2008

isto está a aquecer!

por causa do buzz inicial, quando há uns três, quatro, cinco anos, todo o mundo falava das séries que invadiram as nossas televisões, dava a ideia que aquilo tinha atingido o auge momentos antes da guerra lá com os argumentistas e que tinha descambado posteriormente para a desgraça.

por isso, eu quero aqui prestar a minha singela homenagem às séries que andam por aí neste momento:

- o heroes, depois de ter andado a encher chouriços durante a segunda série, entrou, em grande e em força nesta terceira série. é realmente uma série do catano.

- o friday night lights, apesar de só terem sido emitidos dois episódios desta terceira série, vem confirmar as minhas suspeitas. juntamente com o west wing e o studio 60 on sunset boulevard, - ou seja, aquelas séries cujo episódio seguinte é quase independente do episódio anterior - é realmente uma das minhas séries de sempre. esperemos que não descambe daqui para a frente. tomé, meu querido, a minha eterna gratidão, pá.

- há também aquela série com os actores do prison break - não lhe consigo chamar, por pudor, prison break áquilo - que está muito muito boa. o suspense de sempre, um punhado de bons actores - não tantos como na terceira temporada e muitos menos que na primeira - e muito importante, a acção até está a avançar. vai no 6º ou 7º episódio, julgo que os chouriços começam a encher agora. pergunto, o que veio fazer nesta temporada a sara tancredi?

- aguardo com alguma curiosidade pelo mês de janeiro, altura em que o lost entrará na sua 5ª e penúltima - julgo - temporada. está na altura de despachar o pessoal para fora da ilha, não é?


segunda-feira, outubro 13, 2008

come tudo filha se não vem lá o santana

enquanto o santana for vivo, enquanto o santana correr o risco de se candidatar à câmara da minha terra, enquanto o santana estiver em risco de poder ganhar, seja lá o que for. nem que seja um lugar de vereador. enquanto estas hipósteses forem, isso mesmo, hipóteses, eu não mudo o meu recenseamento.

votarei sempre na minha antiga escolinha, exercendo a minha obrigação como cidadão de impedir, por todos os meios, que isso não suceda.

medo!

cimbalino

quantos e quantos de nós, nas visitas ao istrangeiro não desabafámos no regresso:

- fónix e o café? ca nojo, porra. às tantas lá descobri um tasco dum maduro que era filho dum português e lá bebemos uma espécie de bica. eh pá, mas mesmo assim, um valente nojo.

estamos ou não estamos carecas de ouvir isto? estamos, claro.

agora pergunto: num país onde se fazia fila à porta da nespresso do chiado, onde essas cápsulas eram vendidas até mais caras que a bica do café da esquina (da esquina e não só), onde nos pelamos por um café com creminho e tal o que raio vem a starbucks fazer para cá?

marinho, estavas meio enebriado com o senhor ali ao pé de ti, não estavas?

pus um lembrete no telefone para não esquecer de ligar a televisão e assitir à entrevista do lobo antunes.

que é que querem? não digo que estou à espera de ouvir coisas do arco da velha, mas pronto, cada um tem o seu momento brega dentro de si. o meu é ler as bacoradas do senhor.

não digo aos dois minutos, também não digo aos 7 minutos. mas aí aos 8 minutos já eu tinha a certeza que estava a assistir a um espectáculo, não digo degradante, mas pronto, esquisito, vá lá!

aquelas coisas do mário crespo lá ao pé do velhote, faziam-me lembrar os putos nas despedidas de solteiro quando entram no hall da rosete. acho que houve uma altura que o senhor se ia babando com tanto entusiasmo.

aos 10 minutos já eu estava com vergonha de ter posto o lembrete no telefone.

aos 20 minutos, com os nervos, já as figuras do mário crespo me davam vontade de rir.

aos 27 minutos, farto de rir, comecei a ter pena.

hoje, na hora de almoço, li a entrevista da anabela mota ribeiro lá ao senhor antunes. pronto, é só para avisar que é outra loiça!

vvvvvvvvvvvvvvvvvvveeeeeeeeeeeee

o mundo será concerteza um local melhor quando se inventarem ventaxs de casas de banho silenciosas.

sexta-feira, outubro 10, 2008

temos a burra nas couves, ai temos temos!

- ó pai, o rodrigo diz-nos para levantarmos as saias e mostrarmos as cuecas.

pronto, tenho de pedir ao barbosa laranjeira - o máiór caçador da picheleira - que me empreste a caçadeira e uma meia dúzia de cartuchos de sal para dar um tratamento ao rapazito.

quinta-feira, outubro 09, 2008

hoje o nosso coração também é árabe. pode ser?




de volta da televisão, assistíamos naquele momento a uma reportagem sobre métodos anti-concepcionais. a jornalista decide então apresentar as percentagens dos métodos usados. lá deu o valor da pílula, do diafragma, por aí fora até que disse que 4 porcento usavam o calendário.

virou-se para nós e exclamou:

- eh pá, então para aquilo caber lá dentro tem de ser um calendário daqueles muito pequenininhos, não é?

é este o humor que volta e meia eu encontrava e ouvia quando estava

oh que porra, vou parar com esta coisa dos pretéritos. parece que o homem vestiu camisa de golas duras e foi desta para melhor.

perdão, quando estou com ele.

mas pronto, neste momento não é bem isto que vale a pena recordar. o que interessa é que a unesco - não, não é uma daquelas empresas que metem unhas de gel nos centros comerciais - criou um prémio chamado sharjah para a cultura árabe e decidiu outorgá-lo, este ano, ao poeta adalberto alves - que é o tal que disse aquilo ali em cima do calendário, estão a ver a coisa?

é que o senhor, além de já ter escrito um molho de livros, coisa que tudo somado, como devem imaginar dá muitas folhas umas a seguir às outras - será que surripiava papel lá do emprego? - é um exemplo do amor ao mundo árabe que inté faz impressão. mas quando eu digo que é um amor, digo que é um amor como deve ser, ok? não se resume a andar a coleccionar selos da síria ou cromos do al-ittihad. nah, é uma coisa com uma ganda cartonância!

e eu queria escrever uma coisa como deve ser e não estou a ser capaz de lhe prestar a homenagem que o moço - zé, ainda é um rapazola ou que é que pensa? - merece.

bom o que eu sei é que ele nunca precisou de me colonizar culturalmente com nada. foi suficiente o seu testemunho e a clarividência das histórias que ia, aqui e ali, plantando, para me fazerem olhar, com outros olhos, o povo ou a cultura árabe.

das traduções que ele fez, confesso, não sei avaliar se aquilo está bem feito ou não. as poesias que a sua cabecinha criou, também confesso que não é bem a minha praia saber avaliar a sua categoria. sei, é certo, que se as escolas convidassem, uma vez por ano, um maduro como o adalberto alves para lá ir explicar que os árabes não foram bem aquilo que vinha nos livros de história de portugal que usámos na escola, ou seja, uma cambada de malfeitores que entraram algarve a dentro e desataram a pilhar aldeias e a fornicar virgens até lá em cima às asturias, talvez diminuísse alguma intolerância para com o pessoal dos turbantes ou pelo menos aprenderíamos a respeitá-los um bocadinho melhor.

quem diz falar sobre isso, diz também, dedicar, sei lá, quarenta e cinco minutos - menos que uma aula de história, daquelas onde se conta, por exemplo, que o pinheiro de azevedo se chateava com sequestros. bom, pensando bem, essa parte até é gira. - para que ele venha lá falar das coisas que temos cá em portugal que os senhores árabes nos deixaram. ou contar que há muitas palavras portuguesas muito iguais às palavras que os árabes usam. ou que por exemplo, laranja, em árabe se diz portugal. esta última tem piada, não tem?

estou para aqui a reler isto e continuo a não dizer realmente o que a solenidade do momento exige. bom o que interessa realmente, é que o senhor deixou alguma marca árabe em mim. deixou-me muita mais coisas mas que aqui e agora não dizem respeito. mas basta, se calhar, pensar que a acção dele é responsável pelo minha visão clarificada relativamente aos povos que falam daquela maneira esquisita, lá isso é verdade.

eu sei é que também eu que fiquei muito, muito contente que ele tenha ganho uns carcanhóis com o raio do prémio, porque, tenho a certeza absoluta, um trabalho como o que ele, desinteressadamente faz, caneco!, merece tudo e mais alguma coisa.

sério, acredite, aqui o pessoal que gosta de si, ficou mesmo orgulhoso. e sei também que se calhar não é muito marcante para si, mas fique sabendo que se eu fiquei, sob um calor andaluz - está a ver a coisa, não está? - mais de cinco horas ao sol para conseguir comprar um bilhete para o alhambra, não foi seguramente, porque aquilo é "apenas" bonito. foi, como seria de supor, porque alguém me disse que aquilo é que é bonito.

parabéns, um abraço e - deixe-me cá desviar as folhas de louro - um beijinho aí no alto da pinha!

(e já agora obrigado pelo que me ensinou e por todas as outras coisas que, também sabe, não são para este reles e ranhoso blog chamadas.)

fnac - bata você mesmo

tenho cartão fnac. o que ganho em descontos chega e sobra para o pagar. ainda assim, ninguém lá da fnac me obrigou a comprá-lo. comprei-o porque quis, porque vi ali algumas vantagens. sirvo-me dele quando quero e me apetece.

antigamente servia-me mais dele, agora já nem tanto. deixei de comprar cds, deixei de comprar dvds e mesmo os livros já não os compro como intigamente. privilégios de quem recebe como presentes, pratica e exclusivamente, isso mesmo, livros.

ainda assim, vejo que acabo por passar muitas vezes, em jeito de passeio, pelas fnacs desta vida. e não são raras as vezes que venho de lá com as mãos a carregar um daqueles saquinhos cor de caganeira.

de há uns tempos para cá, as coisas lá na fnac deixaram de ter os preços camarada que intigamente tinham. passámos a visitar a fnac para ver os preços e iamos ali ao lado à worten ou à vobis comprar a coisa.

quando passam dez anos de fnac em portugal estes franceses lembraram-se de acabar com aquela coisa do preço verde e tal e dedicaram-se a dar descontos nas coisas apenas aos portadores dos cartões. sabe-se lá porquê, começaram-se a ouvir uns zunzuns contra a fnac e contra os cartões da fnac.

e é nestas alturas que eu sinto que há gente que gosta de ter sarna para se coçar. pronto, ficar ali sossegadinhas sem fazer nada, ver as coisas acontecerem e deixarem-se estar sugaditas não é com elas. e de maneiras que tunga! passaram a malhar sobre os cartões da fnac. ah e tal e aquilo só dá desconto no início! ah e tal e aquilo é um ponto por dia de compras! ah e tal e são 15 euros que custa aquilo.

e eu fico a pensar o que raio vêem as pessoas de mal numa coisa dessas. mais, não entendo porque é que as pessoas não falam nas vantagens do raio do cartão.

(não, não me vou pôr aqui a enumerá-las. se souberam descobrir as coisas feias, descobrem também as coisas bonitas. entrem lá numa das lojas, vão ao balcão do cliente e leiam as coisas com atenção. se não souberem ler as letrinhas maiores - as pequenas chamam-nos logo a atenção, não é? - perguntem lá aos senhores.)

não entendo, confesso que não entendo.

eu confesso que gosto mais de entrar na betrand do chiado - cheiro bom, não é? - na ferin, na barata, na portugal e por aí fora. mas é duma injustiça atroz criticar a fnac por ter, imagine-se, muita coisa.

e até leio que os empregados são antipáticos. vão se foder, querem empregados antipáticos vão à sá da costa! e até diga mais «em qauntos locais podem vocês estarem à la gardere» a ver livros na boa sem que ninguém vos moa a moela?

eu pergunto: quantas discotecas de lisboa - mas à confiança, ok? - têm (teve?) o live at the apollo dos hall & oates? quantas casas de dvd's têm o freaks & geeks? quantas livrarias têm o livro com as capas da factory records?

e vocês podem responder de volta: sim, mas isso são casos extremos!

ok, tudo bem. mas peguem em exemplos menos raros, pronto. metem numa mesma casa tanta variedade? se calhar não, não é? quantas livrarias têm as novidades, em língua estrangeira que a fnac tem?

há uns tempos dizia-me uma pessoa conhecida «eh pá, parece que a byblos é que é e tal». e para lhe acalmar os ânimos lá lhe fui adiantando, «olha que não, olha que é mais do mesmo». não querendo significar que era mau. passado uns tempos acabou por me desabafar «sim, tem o que as outras têm».

custa 15 euros, e 15 euros já é carcanhol. mas acreditem, para certas pessoas, eu por exemplo, é um valor que é mais que abatido. e acreditem, na dúvida, compro sempre noutros locais e até evito a fnac. não porque me faça comichão, mas porque há muitas coisas que são mais baratas noutros locais.

mas pronto, agora é fino bater na fnac e no cartão da fnac. peço desculpa, mas eu não bato, nem num, nem noutro.

mas por acaso, estou aqui a pensar e estou com vontade de bater no cartão do aki, não esperem, bato antes no da benetton. humm, estou aqui a ver e se calhar a makro é melhor de bater.

quarta-feira, outubro 08, 2008

terça-feira, outubro 07, 2008

para o costa calado




ok, vou recuar... deixa cá ver.... 10/11 anos, pronto!

ó caladinho, tu lembras-te daquele tempo, quando inté pensavas que eu abafava a palhinha e tal? estás a ver a coisa?

meu cabrão como é que foste pensar isso de mim, caralho?

agora vê mais além: recordas-te quando íamos até ao chinês no green park - somos old skul, não é? - e eu te obrigava a mamar comigo uma garrafa de branco fresquinha? não estás a ver a coisa?

eu até cravava lá o china para bebermos aquele tal bagacinho lá deles, por aqueles copos que a gente espreitava para lá para dentro e via piligrafias com a parreca das chinocas à mostra?

ahhhh, já estás a ver a coisa, não é?



agora pensa comigo, tu tens também na memória, quando depois subíamos para bulir, a velocidade com que inserias cupões da via verde lá por detrás do meu biombo? estás a ver a coisa?

pronto, eu deitei abaixo uma coisa parecida com a da foto apensa e deixa-me dizer-te: pareço um fitipalde aqui a trabalhar, pá!*

* assim, mesmo, com 'e' no fim! ou já que és um gajo das quatro rodas, preferes que eu diga que pareço um brian henton, um jan lammers ou um derek daly? não eram os melhores do mundo. muito menos foram os melhores da europa. mas, caramba, eram na certa, os melhores lá da rua deles!

senhor pestana...

...muito, mas muito muito muito obrigado por ter comprado e tratado tão bem o prédio mais bonito de portugal.

é só isso, nada mais. estou-me cagando para os preços que pratica, se o serviço é bom ou mau, se vão para lá enroscar-se árbitros com putas pagas pelo meu presidente. sério, não me interessa. fico pelo menos satisfeito de me deixar andar por ali de boca aberta a olhar, literalmente para as paredes.










...muito, mas muito muito muito obrigado por ter comprado e tratado tão bem o prédio mais bonito de portugal.

é só isso, nada mais. estou-me cagando para os preços que pratica, se o serviço é bom ou mau, se vão para lá enroscar-se árbitros com putas pagas pelo meu presidente. sério, não me interessa. fico pelo menos satisfeito de me deixar andar por ali de boca aberta a olhar, literalmente para as paredes.



já lhe agradeci, senhor pestana? já? muito bem, muito muito obrigado. não custa nada repetir. sério, fora de brincadeiras. tenho ainda ali junto do cesto da roupa suja, uma nódoa de baba avermelhada, causada pela mistura de gosma e chupa chupa de morango que me cairam da boca, quando abri os olhos e me engasguei com tanta clareza de espírito e dedinhos espertos que pegaram numa lapiseira e desenharam o raio do prédio. sobre o mestre nem me atrevo a usar o nome em vão, quando a si, meu caro senhor pestana, o meu mais sincero obrigado.

segunda-feira, outubro 06, 2008

miedo escénico

meus caros amigos, não me esqueço. juro que não me vou esquecer tão cedo daquele jogo de londres.

acreditem, perder por 4 quando se tenta ter juizinho e não se consegue dói mais do que quando se joga sem medo e se perde por 7.


agora já é tarde, mas se para o ano forem à champions, quando acontecer o jogo com os gajos do pote 1 - ou 'a' ou lá o caralho - passem pela livraria e leiam isto.



se não houver passem lá em casa. está lá na prateleira mesmo ao lado dum outro dele e mais uns quantos rodrigues deste futebol.

p.s.: aquela coisa do lucho quando disse que o sporting é que iria ser o sacrificado é do mais estúpido que se pode dizer. o que raio tem uma coisa que ver com a outra? foi só porque seria esse o jogo seguinte? humm, continuo a achar que foi uma tolice.

lá no quarto com a mãe

- mas ó filha, porque raio te portas tão bem na casa das outras pessoas e aqui na nossa casa te portas tão mal?
- não sei, mãezinha...
- é mais forte que tu, é?
- sim é. eu aqui em casa não tenho força nenhuma, lá na casa das outras pessoas já tenho.

minuto verde

há um pedaço de relva solta, com uma área na ordem dos 120 centímetros quadrados, que ontem foi injustamente acusado de ter sido o causador dum pontapé no ar feito pelo derlei.

as imagens televisivas provam que as maleitas que assolaram o lameiro do josé alvalade no início da vida daquelas instalações desportivas estão devidamente curadas e não foram responsáveis por aquele chuto na atmosfera.

o atacante leonino, viu aquele indefeso pedaço de relva solta ali a olhar para ele e não contente por lhe apontar o dedo, ainda lhe deu umas calcadelas.

exijo um respectivo sumaríssimo.