sexta-feira, fevereiro 27, 2009

o efeito rui costa

encontro isso, por exemplo, nos posts do grande cavaco. encontro muitas vezes nos posts da minha querida xana. falo-vos duma coisa que considero, digamos, curiosa, que consiste em apresentar uma fotografia - por vezes também pode surgir um curto texto -, titulando-a com frases iniciadas pelo verbo "gostar", sempre no infinitivo, seguidas da preposição "de" e completadas com uma coisa qualquer alusivas à imagem.

ora, este tipo de posts, francamente inócuos, estão para a blogosfera como estão para os fléche interviú após jogos de futebol o uso da terceira pessoa do singular para designar actos cometidos pelo próprio:

- rui costa, sentiu dificuldades acrescidas por estar a defrontar o vizela?
- sim, o rui costa sentiu as dificuldades habituais quando uma equipa grande defronta uma outra que joga fechadinha lá atrás...

assim, o truque nestes posts é esconder o verbo lá bem atrás do infinitivo pessoal e desprezar o uso de pronomes pessoais. nunca mas nunca mesmo podemos dizer "eu gosto de manhãs de domingo". nah, nada disso. bonito bonito, além de ser sentir o colhão a bater no pito, é escrever apenas «gostar de manhãs de domingo».

dá uma certa cartonância à coisa.

quem está mais batido nestas coisas acrescenta-lhe uma conjunção. assim como o vicente titulou aquela peça com o nome «monólogo do vaqueiro ou auto da visitação», também lhe dá um ar mais erudito se apresentarmos uma alternativa à imagem mostrada. exemplo: mostrar uma foto de cinco cacos espalhados no chão da cozinha e legendá-la com «gostar de pvc ou escavaquei outra caneca de barro do serviço que a minha sogra me ofereceu quando foi com o meu sogro naquele cruzeiro organizado pelo inatel por cadiz, fez, almería, ceuta e alicante». se o título for comprido tanto melhor.

cada um tem a sua mania. anda por aí um cabrão dum mete nojo que, por exemplo, não escreve com maíusculas. paneleirices, é o que é!

eu gostava de saber fazer essas coisas do gostar de... mas penso no assunto e só me recordo do gostar de ti do paulo de carvalho.

mas pronto, não custa nada tentar. por isso, inauguro aqui a minha rubrica «gostar de». aproveitem, só vai ter dois posts: o primeiro e o último. este mesmo que agora lêem.

darei o meu melhor. cá vai:

gostar de almofadas desarrumadas ou de sofás com rodinhas




gostar de mel ou ó senhor doutor, olhe lá esta cárie neste molar lá do fundo




gostar de espanholadas





gostar de pedra





gostar de canelas






gostar de palha ou ó filho, vem comigo para o restolho





gostar da reflexos ou faz-me lá então o teste de despistagem do cancro da mama, fazes?

quinta-feira, fevereiro 26, 2009

o grande púbico

o jornal público, naquele rectangulozito onde surgem os mais e os menos do jogo de ontem do sporting contra o baiér, diz que o schweinscoiso leva um sinal menos porque, passo a citar "a única estrela do bayern que não brilhou em alvalade. por isso, está no negativo."

pronto, é isto o grande jornalismo português.

e se calhar são também estes que se queixam dos relatórios dos observadores das arbitragens.

quarta-feira, fevereiro 25, 2009

dá deus dentes a quem tem em casa um paulo maló

o que se deve fazer a uma mãe que eu cá sei, separada do pai das suas crianças, e que pura e simplesmente não é capaz de informar o seu antigo quebra-bilhas que há acontecimentos escolares porreiros que ele, pronto, digo eu, era capaz de achar piada ver, como por exemplo: festas de natal, festas de carnaval, festas de...?

o que é que sente uma criança por ver, repetidamente, o pai dos seus colegas de turma nos eventos da sua escola e raramente encontra (por culpa da mãe) lá o seu pai?

se eu, sem querer, atenção, repito, sem querer, der uma belinha - estava a pensar num carolo mas lembrei-me que depois aquilo faz um dói-dói muito grande... - no seu frontispício será que o menino jesus depois se zanga comigo?

dar a volta


a minha filha não percebe nada de ecografias e afins. a minha filha é uma valente tangosa.

instada a comentar o que os seus pais viam aquando duma visita à sua sala de aula, a minha filha explicou que "aquele" determinado desenho que se encontrava na secção "desenho livre" representava uma mãe com um feto no seu ventre, já no seu estádio final de desenvolvimento.

acrescentou ela que "e como vês, paizinho, o bebé já está com a cabeça para baixo. já deu a volta e tudo. e aqui há volta estão os girassóis do van góde".

não é preciso ir tirar um curso à alemanha para verificarmos que a cabeça ainda não deu a volta.

é uma tangosa, é o que é!

eu afinal...

... também tenho algo a dizer lá sobre a pachacha escancarada que foi confiscada lá na feira do livro: dêem-lhe uma gilete por favor. ou quanto muito, recomendem-lhe a belinha depiladora (vai a casa. orçamentos grátis.)

foi ela por ela.

o povo não perdoa. mas eu sei que tolera.

tolera com mais facilidade os golos perdidos pelos atacantes que os frangos consentidos pelos guarda-redes. para mim têm o mesmíssimo valor.

contudo, serão os referidos frangos que virão referidos nas crónicas, nos posts e afins e nunca, mas nunca, haverá uma crucificação daqueles falhanços do rodriguez, do hulk e do lizandro.

terça-feira, fevereiro 24, 2009

o primeiro? nah, o segundo!

ora segundo as minhas contas a coisa aconteceu no verão de 1984. o verão do against all odds, do when doves cry, do prémio revelação do verão que foi a paula da praceta - e que o tempo veio a confirmar como o melhor rabo na categoria "a pedir mão de mexer" que já caminhou pelos passeios calcetados da rua frei fortunato de são boaventura - do meu chumbo no nono ano e, justamente por causa deste último acontecimento, por imposição da mãezinha, da maior série consecutiva de idas diárias à missa.

a falta de ordeca por parte da família para me deslocar à praceta, precisamente para estar junto dos meus melhores amigos e dos tais rabos torneados, fez-me deslocar as minhas atenções para reles jogos de espiões na traseiras da tasca do zé careca.

ir para esse lado da picheleira em detrimento da praceta fez-me aproximar dum grupo de pessoas que não tinha, digamos, gajas. era, pois, um grupo mais virado para a competição futebolística. assim, disputaram-se alguns torneios - curiosamente jogados a apenas uma mão, a um jogo e no modelo "muda aos cinco e acaba aos dez" - contra uma equipa de maduros moradores na quinta dos embrechados da classe "sem ciganos".

não me recordo já de todos os jogadores mas sei que nessa equipa jogava o baterias, o irmão mais novo, o mário cabeçudo e, presumo, mais uns quantos que não faço a mínima ideia quem eram. na minha equipa, a memória também já me atraiçoa. sei, contudo que haverá um gajo ou outro que me lê e que se ainda os tiver no sítio - os neurónios, claro - acrescentará as necessárias informações que enriquecerão este divino post. bom, que me lembre, tínhamos repescado o jorge "capellini" duma transacta equipa da capitão roby para a nossa baliza, sendo a linha atacante composta por mim, lá atrás; no meio campo ficava o pires que
usava e abusava daquele drible popularizado pelo futre e que consistia em apontar com o dedo indicador direito o local para onde fugiria com a bola ao mesmo tempo que a mão esquerda ficava ali meio morta como se estivesse desprovida de tendões no pulso; lá mais à frente, o outro jogador era o brux e aquela sua infinita, eficaz, imensa e perene finta a dois tempos que consistia (consiste, suponho!) em pisar a bola puxando-a para perto do seu corpo afastado-a do adversário ao mesmo tempo que ela é passada para o outro pé deixando o outro jogador para trás enquanto arrancava em direcção contrária.

ó brux, fico na dúvida se em vez do capellini não era o saraiva o nosso guarda-redes. é que o capellini, como te bem recordarás esteve nas nossas balizas naqueles torneios contra o casal do pinto, os embrechados e a praceta. estou aqui a pensar melhor e nesses jogos contra os baterias ele não jogava, pois não? era o saraiva que nos defendia, não era? bom, vamos supor que sim.

ora bem, essa equipa dos baterias era formada por pessoal que tinha passado a vida inteira em barracas e tinham sido alojados num prédio de habitação social ali bem perto. ou seja, tinham agora casas em melhores condições que nós: sem verdete nos tectos da casa de banho e sem vidros das marquises partidos ou até inexistentes. eram uns gajos sem classe nenhuma e que jogavam simples, sem invenções e com muita trancada. além disso tinham treinador. eram orientados pelo pai do baterias. um homem alto e gordo que ficava ali junto da tasca do zé careca a orientar os ataques da equipa dos seus filhos.

os jogos eram disputados num belíssimo campo com terreno em terra batida no meio campo mais perto do prédio dos baterias e capim na parte mais afastada. uma das balizas era constituída por dois valentes calhaus e a outra, essa sim mais oficial, estava desenhada a ytong, na parede do referido prédio do baterias.

ora, apesar dos baterias serem uns putos feios e toscos a verdade é que davam valentes abadas a nós,
jovens "burgueses" da capitão roby. aquilo era inevitável, nós bem andávamos ali com fintas e fintinhas - atenção que eu nunca fintei na vida. era um central que limpava o jogo aéreo com a "souplesse" dum, digamos, lima pereira. agora fintas? nem pensar. - mas no final acabávamos sempre por perder. recordo um jogo em que chegámos a levar 10-2, uma vergonha para a velha guarda daquela nobre capitão roby. e por mais desforras que viessem, mais abadas apanhávamos. aqueles cabrões dos baterias jogavam como o boavista campeão: muita corrida, muita remate, muita disputa.

mas houve um dia, bom, um dia em que decidimos resumir num último jogo tudo o que tinha sido disputado naquelas férias. nesse jogo esqueceríamos todos os golos marcados, todos os sofridos e também todas as derrotas. esse jogo seria o do tudo ou nada.

e para não variar começámos por levar com uns quatro de seguida quase sem tocar na chicha. houve uma leve ameaça quando lá chegámos aos 4-3 mas daí a pouco estávamos já a levar 8-3. e é nesse momento que eu me chego à beira do brux e do pires e quase a espumar de rancor lhes digo para se deixarem de fintas e coceguinhas e desatassem a rematar à baliza do mano mais novo do baterias, porque eu iria ficar plantado lá atrás, sozinho, cheio de raiva, a defender os ataques do adversário à baliza do nosso pequeno guarda-redes, o nuno saraiva.

e num volte face, aquela dupla pires-brux engrena e começam a surgir os golos que imprimiram a mais fantástica reviravolta de marcador que a picheleira já alguma vez assistiu. em poucos minutos passámos de 8-3 a 9-9. a coisa estava mesmo mesmo ao rubro. o pai do baterias, coitado, já não sabia o que mais havia de dizer para animar a malta dos embrechados. e nada do que disse foi suficiente. isto porque desta vez nós corríamos (ó brux, tu bem sabes que nunca correste, não é?), desta vez nós passávamos a bola uns aos outros, desta vez nós vínhamos atrás ajudar o nuno saraiva.

e houve então o momento em que os baterias ficam com a bola. o guarda redes deles pega na chincha e manda-a em chuveirinho lançando o seu ataque. o jogo está, ali, empatado a nove. nos momentos seguintes decidir-ia a honra e o orgulho de dois quarteirões. dum lado o pessoal dos embrechados do outro os amigos da capitão roby. essa tal bola lançada pelo guarda-redes é defendida de cabeça por mim e atirada para o lado direito onde surge lançado o mário cabecuço preparado para se apoderar dela. o brux e o pires ainda estão lá para a frente. num passe mágico eu consigo desviar a bola do márinho e ela fica ali a rodopiar, já perto da linha lateral que era formada pelo lancil que dividia aquele campo do alcatrão da rua frederico perry vidal. levanto a cabeça - não levanto nada, mas fica mais bonito dizer que sim -, olho para a baliza - claro que também não olhei - e disparo uma pedrada do caraças que faz a bola voar o campo todo aninhando-se mesmo lá no ângulo superior esquerdo da baliza do mano novo dos baterias.

foi lindo. o povo grita um gooooooooolo interminável, deixo-me cair no chão enquanto que o saraiva se atira para cima de mim festejando duma forma louca. o seu primo, o nuno pires veio logo de seguida e ajuda a aumentar aquela pirâmide humana. o meu querido brux, segundo as minhas contas e as leis da física chegou, em passo de corrida calma, uns bons 3 segundos após termo-nos todos levantado. num remate do fim da rua, tínhamos arrumado de vez com os baterias e voltávamos a ser os maiores do mundo. estávamos vingados por todas as derrotas que eles nos tinham infligido. um valente chouriço meu tinha restabelecido a honra e o orgulho daqueles quatro rapazes.

ora eu lembrei-me deste meu chouriço quando vi aqui há dias o golo do liedson frente ao benfica. para mim aquilo foi um chouriço de todo o tamanho. agora vamos lá com calma que eu não estou aqui para dizer mal, longe disso. para mim aquilo foi um chouriço mas uma coisa com classe, uma coisa bem feita, um chouriço de arganil, digamos. agora não me lixem, a bola veio-lhe ter aos pés e ele, com classe, tudo bem, lá chutou em direcção à baliza. pronto, foi naquela "se der deu, se não der também não se perde nada". contudo, deu e por isso lá fica um golo de belo efeito. fica um golaço. um remate em arco, com a parte de fora do pé. foi um golo de se lhe encher a alma. mas continuo na minha, não deixa de ser um chouriço.

agora não me fodam, o futebol é um jogo de equipa, caraças! é um jogo com muita gente ao mesmo tempo em campo e por isso, para mim, golos bonitos são golos que nasceu duma construção de equipa, não nascem de remates vindos de ressaltos ou coisa parecida. esses, lá está, são acasos dos chouriços.

agora vejam comigo o segundo golo do bahiano. a bola parte ali do meio campo num passe do izmailov. o pereirinha está ali do lado direito e apanha a bola. ninguém lhe faz frente, ninguém está lá para o impedir de fazer o que quer que seja. entretanto mais à frente ele tem que passar por uma coisa qualquer que o quique, à semelhança do robson com o aloísio em nou camp, se lembrou de colocar no lado esquerdo. e passa. a seguir vem a parte mais melhor gira da jogada quando esse mesmo pereirinha se lembra de convidar o central encarnado a verificar se a relva do alvalade já se encontra rijinha, de boa saúde e se já não apresenta as maleitas do passado. pelos vistos não apresenta porque se nota que o rabo de preto saltita ao contactar no chão. depois o resto é história, com o pé esquerdo o bruno manda a bola lá para o centro da grande área onde havia quatro benfiquistas para dois altíssimos atacantes leoninos. parece incrível, mas os cento e senta e cinco centímetros que cada um dos atacantes leoninos tem foram mais que suficientes para levar de vencida, no ar, aquela defesa benfiquista. e aquela tolada do levezinho é uma coisa que precisa de ser vista, revista, gravada e nunca, mas nunca arquivada.

não me venham sequer com tretas, dizerem-me que o primeiro golo do liedson é melhor, mais bem executado ou mais bonito que o segundo é dizerem que o futebol se resume áquilo que nós fazíamos quando não tínhamos quórum para formar duas equipas: jogávamos ao pontapé inglês. ou seja, um ficava numa baliza e o outro posicionava-se na outra. e ali ficavam, uma tarde inteira a rematar em direcção contrária só podendo efectuar dois toques com a bola. um para a defender e o outro para a rematar.

agora pedradas e chouriços? nahhh, podem ser muito bonitos e intencionados, mas se não se contextualizarem numa qualquer jogada não são mais que isso: umas chouriçadas.

sexta-feira, fevereiro 20, 2009

mãos ao alto

uma manhã mais aterefada, mais movimento, menos concentração e quando damos por ela temos uma ideia para um post sorrateiramente rapinada.

quinta-feira, fevereiro 19, 2009

já agora traz também a sogra e mais o canário

enquanto se espreguiçava:
- eh filha, isso é que é crescer...
- olha aqui, já chego quase à ponta da cama.
- ihhh, pois é. estás enoooooorme. - enquanto eu a mirava de pernas e braços esticados e media mentalmente um espaço de 50 centímetros que ainda separam os seus pés do fim da cama.
- agora tens de me comprar uma cama maior.
- nahhh, ainda está boa. ainda serve.
- mas eu estou a ficar crescida....
- pois estás, mas ainda serve até seres maior. dormes mais encolhida, pronto. temos de poupar.
- então e quando eu trouxer o meu marido?

(deves!)

estarão a preparar-lhe o lugar no banco do benfica? no do sporting?


estamos a dois dias do mais famoso e importante derby nacional.

estamos no dia seguinte a uma fantástica vitória do braga contra o liége.

adivinhem qual é a capa da bola hoje?


quarta-feira, fevereiro 18, 2009

tirem-me daquiiiiiiii


há coisa de um par de anos, abanco, juntamente com a mais conceituada arquitecta de ascendência moçambique-britânica da sua geração (ficou um título bonito, não ficou?) num restaurante estilo "refeições rápidas", ali para os lados da infante santo.

ela lá pede, sei lá, não me recordo, mas deve ter sido um lombo de porco com arroz ou coisa parecida e eu, parvo, peço uma alheira:
- e pode ser com batata cozida e grelos?
- pois... nem temos grelos nem o restaurante usa batata cozida.
- pronto, paciência. dispenso o ovo estrelado (credo), venham as batatas fritas mas pelo menos conserve a pele da alheira, por favor. não me tira a pele à alheira, ok?
- fique descansado.
fiquei.

passam os minutos, vêm as bebidas, comem-se as manteiguinhas, come-se o paté, vem o lombo, pede-se outra bebida

- olhe e a alheira?
- já vem.
- ok.

bebe-se a bebida até ao fim, pede-se outra, depenica-se também no lombo, fala-se sobre obras, acaba-se a bebida, acaba-se o lombo

- não se esqueceu da alheira, não?
- não, não. não demora.

fica-se a li só a falar de obras, sempre com um olho sintonizado no simpático empregado de mesa, a fome aperta

- então e a minha alheira? mas passa-se alguma coisa?
- sabe, eu vou-lhe confessar. é que a minha colega já tentou fritar a alheira mas a pele rebenta sempre. e tenta de novo e volta a rebentar. já lá vão três alheiras estragadas.
- está a falar sério?
- estou, sim. confesso que estou.
- faça-me um favor. dirija-se à sua colega e peça-lhe, encarecidamente o seguinte: ela que bote a alheira numa sertã ou numa frigideira em lume baixinho, sem azeite nem nada. depois, vá virando a dita cuja, de 30 em 30 segundos. ali, sem pressas, com calma. acredite que em 5, 6 minutos ou coisa parecida a alheira está no ponto. e se rebentar a pele aqui ou ali, não tem mal nenhum.

dez minutos depois chegou a alheira. estava ok. comeu-se.

- sabe, o senhor não me leve a mal. mas é que nunca tínhamos servido alheira assim.
- não levo nada a mal. continuamos amigos.

ora isto é como se deve imaginar uma questão de gosto. à quem coma, por exemplo, pão a acompanhar pizza. há quem faça, como eu conheço, sandes de puré de batata. há também quem conheça que ateste a sua viatura ao mesmo tempo que fuma um cigarrinho mas isso já são outros trezentos.

agora vamos lá a ver uma coisa, estamos a falar de restaurantes. eu não exijo um cumprimento religioso de todas as tradições mas não se está à espera que haja alguém que solicite ao empregado lá do sushi do japonês, para dar uma grelhazinha no peixinho, pois não?. ninguém pede ao senhor dos frangos da guia para fazer o favor de o servir desossado, pois não? ninguém espera que a meia dose de caracóis venha servida com batata frita, pois não?

reparem, volto a repetir, eu não sou contra a forma que certas pessoas e certos restaurantes servem a comida, fico é fodido quando não me apresentam as refeições correctas. alheira sem pele e com batata-frita sim, mas se houver também a hipótese de a comer como deve ser: com pele, batata cozida e grelos.

estou a escrever isso e a recordar-me que isto alastra também à tasca mais moderna: a rulote. chego eu ao aeroporto numa galga dos diabos, estou ali a passar na marginal e aviso a minha maria «vou ali mandar abaixo uma bifana. fui. arrependi-me. foram servidas em panrico ou lá o que aquilo é. paneleirices!

segundo uma votação promovida pelo programa imagens de marca, o filme "tirem-me tudo" foi eleito o melhor anúncio de publicidade português dos últimos cinco anos. tudo bem nada a opôr. o texto lá do filme diz qualquer coisa como: tirem-me tudo, mas não me tirem o gosto. e agora reparem «... o gosto da alheira a rebentar de sabor ou o bacalhau com todos a nadar em azeite...»

agora adivinhem, num anúncio em que se eleva algumas das melhores coisas tradicionais portuguesas e não só, aparece - e fazem menção de reforçar com texto - um caralho duma alheira, sem pele e, imaginem, com um ovo estrelado.

que merda é esta?

qual foi o caralhinho do copy que idealizou esta parte deste filme e quem foi o ignóbil do director de marketing que disse «sim, senhor, vamos filmar!»?

alguém me sabe dizer?

nursery crime


gosta, obviamente, de levar os (e as) seus bonecos para a escola. são afinal de contas os seus filhos.

e quem tem filhos bebés sabes a catrefada de coisas que há necessidade de carregar de um lado para o outro sempre que saímos com eles: fraldas, muda de roupa, papas, água, aero-om... a minha filha não é excepção, sempre que carrega o seu filho (ou filha. tem sempre muitos filhos)

- sabes pai, amanhã vou ficar grávida outra vez.
- mas gémeos?
- não, desta vez é uma menina.
- olha, vês!

lá vem ela com tudo atrás. aliás, esta e outras situações análogas criaram um pequeno imbróglio com a sua educadora, a qual deixou de permitir, ali, no corredor, aquele amontoado de tralha que eles trazem de casa e depositam ali sob os seus casacos e batas, impedindo a livre passagem das pessoas.

hoje precavido, pergunto-lhe:
- e este teu filho, vai também ou queres que o leve para a loja?
- não, vai também. eu peço à dudu (a educadora do berçário) que me tome conta dele.
- mas, ó filha, não vês que assim temos de pagar duas mensalidades?
- nahh, eu peço-lhe "se faz favor". ela é minha amiga e não me pede dinheiro nenhum.

minutos mais tarde:
- vá, vai lá levar o teu neto à dudu e diz-lhe que é para ela lhe dar o lanche.
- e se ela me pedir dinheiro?
- ai, ai, ai,ai... eu já lá vou conversar com ela.

seja!

buceta

tenho uma cliente cujo um dos seus apelidos é, nada mais nada menos que buceta.

uma maravilha.

à parte de todos os gozos que a senhora teve (tem) de suportar ao longo da vida, surgem também toda uma panóplia de eventuais confusões:

- é pá, ontem aquilo foi em grande.
- então, não me digas que a levaste para casa.
- não, foi mesmo em casa dela. deu para beber uns whiskys à pala e tudo.
- olha que porreiro. e ela faz os pratos todos?
- nem queiras saber. além de bico, ainda comi o cu da buceta!

dias de taça

o clube vai disputar as meias-finais da taça contra o estrela da amadora.

as meias-finais serão jogadas a duas mãos.

entre uma mão e a outra passar-se-ão não 7, não 8, não 15, nem 21 dias. serão precisamente 49 dias.

(que maravilha!)

com muita sorte, decorridos esses dias todos, ainda estarão vivos os jogadores que jogaram a primeira mão.

esperemos que sim.

terça-feira, fevereiro 17, 2009

novo código laboral

pediu-nos, encarecidamente, que a deixássemos ir dormir a casa da avó

é o chamado prenúncio da célebre frase «está, pai, diz à mãe que eu hoje não janto em casa e vou dormir em casa da avó». reparem que acontecerá aquela partícula da frase que é a "diz à mãe". ou seja, não só não te peço permissão, como, a somar a isso, ainda terás que acartar com a responsabilidade e com as consequências de seres tu a anunciar a coisa à mãe. rio-me com esse pensamento e com as memórias dos lamentos que a minha sogra, há uns anos, trazia a lume, pelas rejeições que a neta lhe dava. aliás, já na altura me ria com isso. e ria porque dava a ideia que só eu é que via que estávamos a lidar com birras de uma bebé de 2 anos que teimava em não querer ficar com a avó. e só eu é que via também que elas iriam (e já estão a ser) umas valentes companheiras. talvez esta avó seja mesmo "a companheirinha" dela.

acedemos com alegria, com a visão dum serão menos barulhento e com a oportunidade duma viagem às compras no continente sem pressas e sem alarido.

em casa, fez a sua mala para a noite, deu uma mirada final no seu quarto e deixou a ninhada da sua cadelinha em trabalhos de aleitamento.



que maravilha.

já hoje, a avó deixou-me as suas bonecas. conta-me ela que a miúda deu-lhe a seguinte recomendação: «senta-as lá naquela secretária do fundo. elas que trabalhem!»

mainada!

prós e prós

o que me entristece ao ver estes prós e contras em que aparecem dum lado os betos católicos e do outro a esquerda práfrentex é que arranjam sempre o mesmo tipo de pessoas para apareceram lá a vociferar.

aconteceu ontem com os casamentos dos maricas e das fufas, aconteceu há uns tempos com o aborto e acontecerá daqui a uns tempos quando se lembrarem novamente duma discussão em que se ponha em causa este tipo de actos que bulem com sensibilidades religiosas.

do lado conservador estarão sempre as pessoas com aspecto de sacristia, com penteados feios, com palavreado intolerante, com... estará sempre alguém com estes estereótipos. é certinho. do outro haverá sempre jovens com um discurso muito à frente, estarão sempre as sobrancelhas do daniel oliveira, estarão sempre pessoas com um discurso mais fácil.

o que eu estranho sempre, mas sempre mesmo, é nunca existir alguém do lado dos "sacristias" que seja convidado para estas coisas mas que tenha um discurso que nos faça pensar uma de duas coisas: «olha, bem visto, ainda não tinha pensado nisto» ou «ahhh, muito bem dito, sim senhor, era mesmo isto que eu pensava e não seria capaz de dizer."

e estranho sempre, mas sempre que do lado dos louçãs, nunca haja gente que não tenha um pingo de tolerância por essa coisa estranha que é, imagine-se, ter fé. ter fé, acreditar em dogmas, acreditar no paranormal, por aí fora. os louçãs não são capazes de falar sem meter a sua piadola, sem achincalhar, sem gozar com a situação. é inevitável.

as coisas boas destes debates são sempre as certezas que o melhor nestes casos, é mesmo tentar partido das situações mais pacíficas. quantos de nós não pensámos cá no íntimo «é por aquela fernanda que o coração do zé sócrates bate mais depressa? coitado do nosso zé!»

quanto ao resto... bom, eu não sei dar opinião sobre o assunto. ando ali pela coxia, a subir e a descer degraus, sempre na certeza que não me sentiria confortável junto de nenhum daqueles grupinhos.

graças a deus!

(não consigo entender porque não deixam os homosexuais casarem. nós bem os tentamos explicar no molho de bróculos onde se querem meter. eles continuam a teimar. por mim tudo bem, obviamente!

houve por lá argumentos que defendiam que as uniões entre homosexuais não se deveriam denominar por casamentos. o que pouca gente tem em mente é que há poucos casamentos que não se deveriam denominar como uniões. mas pronto. é a vida.

fora de panelirices, entendam-se por favor!)

segunda-feira, fevereiro 16, 2009

o livrinho das caras explicado às crianças

eu sei que isto é coisa de gente parva mas a verdade é que hoje, durante a hora do almoço, tive uma aula de "noção práticas de feissebuque para pessoas que estão naquele escalão um pouco abaixo de totós mas largamente acima de toininhos."

diria que estou naquela fase em que não tenho tanto medo como tinha mas ainda não vou para alto mar.

nota: durante a explicação perguntaram-me se eu queria ser amigo do seal. recusei gentilmente. é que um gajo não faz avanços às mulheres dos nossos amigos e a gente não sabe o que o futuro nos reserva.

último romântico

julgo já ter escrito isto aqui neste reles pasquim que ao contrario do chico buarque, cujas suas músicas ficam sempre mais bonitas cantadas por outros intérpretes (ai que agora é que me apedrejam), o caetano veloso é o meu favorito a inventar, reinventar e melhorar coisas vindas lá de outros lados.

só assim de cabeça e sem grande consulta: eu sei que vou te amar (aquela introdução com o dindi é uma maravilha), rita, chega de saudade, oceano, fera ferida, todo o amor que houver nessa vida...

hoje decidi mostrar mais um desses exemplos. último romântico é uma canção bem pop que o lulu santos - que eu gosto muito - decidiu fazer - e muito bem - e publicar lá por volta de 1984.

neste teledisco (não é um teledisco mas deixem-me por favor dizer que é, pode ser?) retirado do dvd que o caetano veloso lançou do espectáculo noites do norte, gravado lá no castro alves da bahia, ele aparece de pé, estúpida e invejosamente magro, trajando de negro num palco também negro - numa também negra cidade - acompanhado apenas pelas cordas do jacques morelenbaum.

e aqui tudo parece perfeito.

até o público aqui me faz inveja de não ser baiano. um público que, sim senhor, faz um pequeno chinfrim quando fica sabedor da música que entretanto começara, mas que depois volta ao silêncio das mãozinhas e continua o acompanhamento apenas com as suas gargantecas. muito bonito, muito afinadinho. havia de ser cá em portugal e o raio da influência malhão-malhão sujaria a actuação com as palminhas da ordem. muito gosta o portuga de palminhas. aliás, logo bem cedo as mãezinhas nos impingem a ordem: bate palminhas, filha, bate.

ali não, ali as palminhas só começam quando, imagine-se, o cantor solicita, tal qual chalana apelando ao antigo terceiro anel.

e aquele sorriso com cantos da boca em forma de silhueta de navio quando ele, de braços abertos em jeito de jogador de cristo, anuncia:
só falta te querer
te ganhar e te perder
falta eu acordar
ser gente grande
prá poder chorar...




sexta-feira, fevereiro 13, 2009

eu continuo com medo do feissebuque

os resultados desta trapalhada continuam a aparecer todos os dias. agora foi uma moça, coitada, que eu nem conheço e que presumo seja boa gente - foda-se, mas há por ventura alguém que se lembra de me aceitar na rede do feissebuque que não tenha o espírito elevado, hein? claro que não. - que foi uma das que levou com o tal aviso a dizer que eu era seu familiar. ela diz que tem as suas dúvidas, mas diz ainda que nunca se sabe.

eu sou tão burro, meu deus!

e parei, cerca de 37 segundos a olhar para o ecrã e continuo a não perceber nada disto.

eu clico onde diz página inicial - pronto, é um botão o mais parecido possível com o aifaive - e ainda estou para saber porque raio há uma moça que me deseja boa viagem - ou será que não é para mim? - e uma outra que me informa que se viesse para lisboa- acho que vai para o porto - ainda me encontrava.

depois paro, não mexo em nada e antes de desligar isto, fico só a olhar. ali do lado direito, está aquele senhor que tem uma voz parecida com a do chris isaak e que cantava coisas nos silêncio quatro nome bonito. diz-me o feissebuque que há fortes probabilidades de eu o conhecer mas eu quero que fique exarado em acta - e reconhecido pelo notário - que nunca comprei nada cantado por ele, nunca falei com o senhor e a mais forte proximidade com o senhor foi registada no restaurante do teodósio da guia pois ele estava sentado mesmo mesmo atrás de mim. há inclusivamente umas dez pessoas que podem testemunhar que eu - vá se lá a saber porquê - não me meti com ele.

tererá o feissebuque estado também presente nesse almoço julgando agora que eu talvez o conheça. mas se assim for, porque raio sugere que eu o deva adicionar como amigo? e porque alvitra o programa que ele seja um amigo(a)? não entendo. não há dúvidas que ele é o o e não um (a). não entendo estas falhas orwellianas no feissebuque.

ganho coragem e com o rato deslizo o ecrã bara baixo.

continuo a não entender porque raio surgem certas enigmáticas frases na minha página - eu acho que estou na minha página, gaita! -. outra pessoa pergunta-me se eu tenho as minhas malas feitas, adicionando um código - dois pontos, dois dês maiusculos - que eu presumo que seja o nome de um motel ou coisa parecida. dois pontos, devo ser eu e ela em valentes cambalhotas, dois dês acredito que seja, quem sabe, duas d'seguida!

ah, calma, ela soluciona mais em baixo esta dúvida. informa-me que estava a brincar - eu logo vi que duas d'seguida era muita fruta - diz que espera comprar na tesco quando for a canterbury. diz ainda que detesta. informa-me também que o pinguim é fã e que usa para acompanhar assados. termina sentenciando que abomina borrego.

e eu continuo sem entender nada disto. que me recorde, o meu único contacto com a tesco foi, salvo erro em hounslow. pinguim que eu saiba é aquele inimigo do batman. e borrego, se deus quiser, é comprado numa terra perto do marvão chamada beirã. mas isso será só lá para a páscoa.

depois encontro algumas palavras em inglês misturadas com palavras em português e numa valente salganhada, vejo coisas em finlandês. mas isso já eu consigo desconfiar porquê. é que a familia da minha mulher tem pessoal lá dos suomis desta vida e isto deve vir lá do lado deles.

para terminar quero apenas responder a uma moça que diz que também quer percebes. minha amiga, aqui há dias no corte inglés havia a 125 euros o quilo. tens a certeza que queres? ou melhor, deves querer mas à borliú, certo?

ai que saudades de quando comia percebe fresquinho, acabado de apanhar ali nas rochas entre a aguda e o magoito...

quinta-feira, fevereiro 12, 2009

igreja

fico fodido quando leio que a igreja não deve intervir e fazer campanha contra certos partidos. juro que fico.

vamos lá a ver uma coisa, o que essas pessoas toleram é que possa existir essa tal de coisa meio antiquada e esquisita que seja, imagine-se, rezar. mas pronto, além de rezar, as pessoas que andam lá pela igreja e nessas fantochadas do vaticano e aquilo é só luxo vejam lá bem como é que os bispos e os papas vivem e mais não sei o quê, quanto muito podem, vá lá, fazer serviços sociais e ajudar os pobres, os que dormem em cartões, os restos do capitalismo e da sociedade global.

podem também ir para áfrica curar as chagas e limpar a diarreia dos pretos com sida, os tais pretos que são governados por seres gentis como o amigo mugabe e o presidente dos santos.

estou aqui a pensar, e se houver uma ou outra freira que queira ir lavar pratos para a sopa do sidónio, também serve.

o que a igreja não deve é ter uma fé. não deve acreditar na bíblia, não deve acreditar em jesus e mais as palhinhas e o céu estrelado, não deve acreditar em dogmas, não deve acreditar nessa coisa mais demodé que são os sacramentos. nisso não deve.

por isso, se houver partidos que falem em aborto ou que falem em casamento dos rabetas e das fufas que andam a roçar a peida pelos bancos do memorial, ai da igreja se disser nas homilias e naquelas jantaradas episcopais que se sente indignada com isso.

há-de chegar a altura - não deve faltar muito - em que apareça um partido que proíba o culto à senhora que apareceu na azinheira e até nessa situação, registe-se, ninguém pode dizer aos leigos para não votar nesse partido.

esclarecimentos nas homilias acerca sobre a bandeirinha do scolari nas janelas, muito bem. esclarecimentos sobre partidos que dizem que os paneleiros podem casar, meus amigos, isso já não.

ah e as causas. a igreja deve ser defensora das causas. das causas dos santinhos, das causas dos pobrezinhos, dos direitos dos pretinhos e dos jugoslavos, por aí fora.

não me admiro com essas pessoas. são a tralha do costume. o que me deixa banzado são as pessoas que metem na boca dos bispos as tangas que eles gostavam de ouvir, para poderem escrever posts, artigos e entrevistas na televisão. gostava de ler a tal parte em que os bispos dizem para não se votar no ps, mas isso já é outra questão.

pois é, a igreja é o ópio do povo. é uma maçada. eu bem deconfiava que a minha mãe me pôs na catequese para eu apanhar valentes pedradas. o que me lixa nesta coisa toda, é que a única pedrada em tantos anos que lá andei, foi apanhada por causa de uns ciganos fofinhos - tadinhos, eram todos tão queridos - que acharam fixe mandar uns calhaus para os meninos que estavam na fila para entrar na catequese. é que perderam o gozo em partir vidros das janelas das salinhas de aulas - só conseguiram partir um - e como os meninos se mexiam dum lado para o outro com medo, a coisa tinha bem mais gozo.