quarta-feira, janeiro 14, 2009

"nahhh, eu cá é que sei como é que as coisas na realidade são"

neste momento estas são as coisas que gosto de ouvir pessoas a discorrer:

- crise económica
- faixa de gaza
- comentários do cardeal patriarca (sobre esta então, adoro!)

gosto, confeso que gosto.

(contudo, tenho saudades dos grandes tempos que que se debatia sobre a invasão do iraque, os cubanos em angola, a licenciatura do sócrates, timor, a velocidade do michael thomas ou do paula almeida e por aí fora)

broa como o milho

as pessoas que dizem "boas como o milho" não quererão realmente dizer "broas de milho"?

é que o milho ser bom? minha nossa senhora, blhec! eu não estou a dizer que é mau, mas reparem: estão a ver a mónica bellucci ser tão boa como o milho do hollywood foster's ou como, sei lá, uma embalagem de corn flakes?

e dumas broas? não que as broas sejam tão boas quanto a mónica. mas na verdade eu nunca provei a mónica, mas já provei umas broas que me disseram estão a caminho daqui da pança do je. e sei do que falo.

venham elas!

terça-feira, janeiro 13, 2009

o melhor eu sei que vou te amar

eu até sei precisar a altura em que isto aconteceu: falamos do reviralho de 1992 para 1993. ocorreu na ade, uma aldeia do distrito da guarda p'radonde o grupinho que eu tinha na altura fugiu para celebrar condignamente o novo ano.

fui para lá numa viagem de comboio e estive uma boa meia hora, sob um demoníaco barbeiro sibérico, sozinho, na estação de caminhos de ferro da cerdeira, a aguardar que me fossem recolher. foi o ano em que ouvíamos incessantemente o live dos ácê faísca dêcê, foi o ano em que íamos a butes até ao monte perobolço - terra dum jornalista desportivo dos que eu até gosto mas que agora não me lembro o nome - para beber café e foi o ano em que... em que muitas coisas giras aconteceram também.

antes do regresso para lisboa, almoçámos uma frangalhada ali para os lados de castelo mendo e foi aí, já na altura em que ao balcão, com o tito, bebíamos uma cafezada que olhei para a televisão e lá estava ele, num especial sobre o tom jobim. imponente, ali, no quadrado daquela televisão salora, saíam imagens do caetano veloso a cantar o eu sei que vou te amar. e recordo que sonhei esperançado que o meu pai estivesse a gravar aquilo. não gravou, temos pena.

era o meu eu sei que vou te amar favorito. um eu sei que vou te amar igual a um outro que eu ouvia em coimbra, numa puta duma manhã também fria como tudo, uns três ou quatro anos antes.

melhor que o do vinicius, melhor que o do tom jobim, sem sombra de dúvidas melhor que o da simone, incomparavelmente melhor que o da gal costa e do roberto carlos. isto já para não falar duns eu sei que vou te amar que ouvi em tempos pela dona alice caneças (credo!) e por um ou outra participante do big brother (credo, credo!) que a minha memória teve a gentileza de esquecer.

é o meu eu sei que vou te amar favorito porque é igual ao do meu primeiro eu sei que vou te amar. porque é um eu sei que vou te amar que tem um «eu sei que vou sofrer» num falsete que é mesmo sofrido, como devem ser todos os falsetes do mundo.

e podia também referir este eu sei que vou te amar - ou este que também gosto muito -, mas nenhum enxerta aquela parte do dindi duma forma que eu não ouço mais ninguém a enxertar.

em 1989 isto nem sequer era brega, hoje brega é esquecermo-nos que isto é de 1989

consegui, achei e nem te perdoo se não vires isto com um sorriso nos lábios. repara que esta cena nunca foi uma coisa romântica ou pelo menos não simboliza uma coisa romântica nossa. esta cena, curiosamente, para mim, recorda-me o meu pai e as coisas que ele foi fazendo - e faz! - que o tornam um imenso caracter.

como, por exemplo, lembrar-se de gravar numa basf de ferro encarnada, através dum gravador grundig daqueles que usei para o zx sinclair cinzento, assim, presumo, sentado junto da nossa televisão, enquanto fazia um esforço tremendo para manter um silêncio sepulcral que não afectasse a gravação.

e depois, olha, há aquelas frases que repetimos milhares de vezes. porque aos 30 anos, em vez de certas pessoas brincarem às caricas ou às bonecas, divertido mesmo era brincar aos programas de natal do roberto carlos. isto claro, quando não chegávamos ao ponto de brincarmos de faustão.

e para sempre estas frases, lembras-te?

- ... minhas e do erasmo, maurício duboc, carlos colla, isolda...
- isolda!

- eu viajo no teu oceano, eu viajo no teu mar...
- ahhhh, que maravilha.
- ... eu gosto desse barco que viaja pelo infinito...
- que bom que a gente...
- ... eu faço parte dele.
- que bom que a gente está no mesmo barco.
(e aquela gargalhada. a gargalhada que parece um motor de barco com os platinados marados)

- eu cantei, eu cantei coisas assim como «eu te proponho... nós nos amarmos...
- nos entregarmos...
- se você pretende, saber quem eu sou
- eu... posso lhe dizer...
- no seu corpo é que eu encontro, depois do amor... (e o encosto de cabeças. que maravilha!) o descanso...
- (ambos) e essa paz infinita!

- e outras coisas bonitas...
- como o quê, por exemplo?
- como... você foi...
- ui! (este ui esmaga-me)



segunda-feira, janeiro 12, 2009

atalhos

maluco por mapas, google earths, plantas e mais não sei o quê, gosto qaundo descubro atalhos que me fazem encurtar o tempo de percurso entre dois locais.

gosto mais quando o faço sem ajuda da net nem nada. assim, apenas numa tarde de domingo, enquanto fazemos tempo que a miúda durma uma soneca lá no banco de trás.

será para sempre um mistério, a rede viária que se encontra naquele espaço circunscrito entre o ic 19, a marginal, a estrada do autódromo e, vá lá a cril. nunca, nunca hei-de perceber aquilo.

contemporâneos - e eu prometo que não falo mais sobre os rapazes. eu ainda por cima gosto deles, juro!

eu já tenho poucas metáforas para associar à minha relação com os contemporâneos. toda a gente diz que é bom, toda a gente diz que é fixe, toda a gente se ri e chegamos então à conclusão que o problema está é em nós. nós é que não achamos piada, pronto.

mas mesmo assim andamos ali de volta do comando, aquilo passa lá pelo canal um e acabamos por parar um bocadinho. já sabemos o que é que vai sair dali, mas ainda assim ficamos a olhar e o resultado... bom o resultado...digamos que aquilo me recorda as escarretas repuxadas dos velhos: nós sabemos que aquilo é uma nojeira que nos fará agoniar. ainda assim, ouvimos aquele barulho do velho a repuxar a garganta, vamos a caminhar em direcção a ele, escutamos a projecção do escarro, tentamos não olhar mas é inevitável, acabamos por olhar lá para aquele monte de gosma que mais parece um ovo verde cru. só que não tem casca, pronto.

casa aliviada

há pouca coisa tão libertadora quanto deitar para o lixo coisas que julgávamos vir a precisar, não precisámos e odiámos que tivessemos necessitado de cinco ou oito anos para termos percebido isso.

verão de 1987 - knight moves

o segundo melhor verão dos verões do tempo em que ainda se contavam verões.


desmancho

enquanto lhes desmanchava a árvore de natal, recordei-me naquelas vezes que tinha de catar carraças ao meu cão preto.

não encontro gesto mais parecido àquela coisa de tentar arrancar as putas das bolas, das estrelinhas e das séries de luzinhas do porcaria dos pedacinhos de plástico lá dos ramos da árvore.

(cada vez mais a favor dos presépios. cada vez mais com saudades da inquisição.)

e o chão cheio de coisinhas verdes entravincalhadas em tudo o que é sítio? e quando se entalam sob o rodapé e nem à laia de aspirador conseguem sair?

w

porque é que todos as minhas passagens de ano têm uma frase lapidar?

"o whisky começava por w e terminava em uílliam."

o efeito "barraca da brahma"

- paizinho, viste aquelas pessoas que atravessaram a rua à frente do carro?
- ... não me lembro. o que tinham?
- não te lembras? eram assim, pretinhos. eram pessoas pretinhas.
- ahhh, muito bem, já me recordo, foi ali perto da pastelaria ribeiro. aquela que até tem um veado, não era?
- sim. sabes pai, as pessoas pretinhas são as pessoas que eu mais gosto no mundo. gosto mesmo de pretinhos.
- pronto, está bem.

e das duas uma, ou me aparece um genro com um sardo enorme daqueles que roçam a tola nos joelhos ou terei pelo menos uma comadre que me fará umas almoçaradas com amboa ou besungué ou esses pratos que me deixam a salivar. mnham, mnham...

domingo, janeiro 11, 2009

este campeonato está viciado*

e no final dum jogo de que já não me recordo, o vítor manuel, entra no campo a correr, vai em direcção ao árbitro e trocam ali umas palavras. as imagens mostram gestos exaltados entre os dois homens e vêem-se no final uns cumprimentos de cortesia.

no flá chinterviú o jornalista mete veneno nas palavras e pergunta-lhe:
- viu-se ali mosquitos por cordas entre o senhor e o árbitro, quer comentar?
- nahhhh, nada disso. tão simplesmente eu abeirei-me do árbitro e disse-lhe «ó olegário, filho, aquilo ali era penálti, porra! falhaste naquele lance»...

reparem bem no uso do «filho». um dos logótipos deste treinador.

... e ele depois disse-me «ó vítor, se falhei foi sem querer.» e pronto, e são coisas do futebol, eu sou muito amigo do olegário e ele, certamente continuará a ser meu amigo.

hoje voltei a recordar-me desta famosa cena com este treinador - pelo menos para mim. e atenção que há outras - quando ouvi as declarações do jesualdo no fim do jogo de hoje.

não sei se o porto teve azar, não sei se o porto mereceu ganhar. sei que falhou muitas bolas e fez uma primeira parte de cáca. houve alguns lances onde foi prejudicado. o jesualdo teve razão na apreciação. já não esteve tão bem quando aludiu o desempenho da arbitragem do jogo do benfica. fica-lhe mal. e fica-lhe mal porque - e eu meto um colhão no cepo e tudo - eu tenho a certeza que daqui até ao final do campeonato, existirão outras arbitragens que beneficiarão o clube e prejudicarão os adversários. e nessa altura não ouviremos o jesualdo dizer que «ah e tal e a nossa equipa foi beneficiada pelos erros da arbitragem». não ouviremos o jesualdo, nem o bento (a quem um dia ouvi dizer que «as más decisões a seu favor existiam para compensar as que acontecem injustamente contra o sporting.» palavrinhas bonitas, não é?) nem o quique, nem o silvio cerdan.

uma chapelada para as declarações do capitão do trofense, não sei quê do ó, relativamente à sua expulsão bem perto do fim do jogo.

níbel!

* uma das cuspidelas para o ar ditas pelo sílvio cervan.

sexta-feira, janeiro 09, 2009

a provincia é quando e onde um homem quiser

ouço, volta e meia, gente da minha terra a dizer: ah e tal, o que era bem giro era se nevasse.

e em vez de me rir, tenho pena. e por outro lado tenho alegria. haja finalmente um momento em que esteja estampado na alma desta minha gente cosmopolita que se há povo provinciano e parolo, ele é o da minha terra.

já não bastava irem passear para o colombo, de mãos dadas com o namorado envergando uma camisa com um rato bordado nas costas: já não bastava pagarem 15 ou 17 euros para verem teatro representado pela dona alice caneças ou por aquela apresentadora do concurso em que aparecia aquele rapaz que tratava a namorada como quem trata um furriel; já não bastava vestirem os filhos como se fossem marinheiros da normandia ostentando penteados "à foda-se!" a imitarem agricultores alemães do século xix, e baptizando-os com nomes de animais domésticos como tomás, tobias ou rubin e sancha; agora para piorarem a coisa, imagino que se devem sentir no topo da piroseira e do provincianismo bacoco, posicionados na varanda do lux, de vodka laranja numa mão e um sg gigante cravado na outra, a olhar para a estação de santa apolónia convencidos que estão virados para coina ou para a atalaia, e enquanto contam os flocos de neve que caem na estrada suspiram «julgava, estava convencida a avaliar peloas imagen que transmitiam lá das estradas do marão, que a neve caía mais devagar. afinal não.»

quinta-feira, janeiro 08, 2009

então bom ano.

mais ou menos até que dia temos de dizer às pessoas que não vemos desde o dia 31 de dezembro «olá, bom ano!»?

ou melhor, a partir de que dia não somos rotulados de «mal-educados» por não dizermos o referido «bom ano!».

é que hoje não disse e ficaram ofendidos.

por outro lado, se digo, tenho receio que fiquem a pensar «olha-me para este parolo, ainda a desejar bom ano...» e caramba, eu tenho de aceitar que me chamem parolo mas por outra coisa qualquer. sei lá, por estar à frente do leixões. e do marítimo. e do paços de ferreira. e de mais uns quantos de que agora não me recordo.

patronizar

quem me lê (lêem-me, não é?), quem me conhece bem, sabe que eu não tenho conhecimentos de português suficientes para saber bem quando se deve escrever porque ou por que, quando é que se deve usar maiúsculas ou minúsculas, qual é o plural de gel (esta já sei) e por aí fora.

por isso também não me irrito assim muuuuuuuito (só um bocadinho, vá lá) com os erros de português que vou detectando. sou mais implacável com quem tem obrigação de o fazer duma forma limpa e desinfectada. gente da comunicação, gente das palavras não tem perdão.

por isso estranhei que ontem tenha lido numa legendagem duma série de televisão a seguinte frase:

- ai, pára de me patronizar.

a personagem em questão tinha dito qualquer coisa como «stop patronize me, please». se não foi isto para lá caminha.

ora eu julgo que o tradutor julgava que patronizar existia em português, que seria como que armar-se em patrão. é que não estou a imaginar outra coisa.

só espero que ele não apareça um dia lá no escritório, onde faz as traduções, a espirrar e a assoar-se e desabafe para os seus colegas:

- estou cá c'uma constipation do caneco! alguém me faz aí um chazinho para me acalmar?

é que não é por nada. são capazes de lhe encher um balde de água a ferver para que a merda comece a amolecer e possa desentupir a canalização traseira.

digo eu, pronto.

mas se calhar estou enganado e até um gajo se pode patronizar, quem sabe.

quarta-feira, janeiro 07, 2009

* gays no futebol? meu caro, o futebol não é para invertidos!*

ao que parece a federação de futebol inglesa quer gravar um vídeo contra a homofobia que grassa nos estádios inglesas.

vai daí tratou de convidar alguns futebolistas para aparecerem lá no video, transmitindouma mensagem de tolerância, compreensão e mais o caralho. dentre os futebolistas convidados, estão o cristiano e o beckham. dizem lá os senhores da federação que escolheram cirurgicamente estes dois meninos, por ambos terem uma boa aceitação junto dos públicos mais machos e, digamos, mais panilas.

ora, supondo eu que não são propriamente os maricas que vão armar estrilho para as bancadas, não seria melhor - isto sou só eu a perguntar, reparem - convidar mas era pessoal com aspecto de macho, gente de barba rija e tal, gente que bebe bagacinhos e come coiratos nos intervalos da bola em vez de pessoal com aspecto limpinho e abichanado como estes dois maduros.

re-pergunto: tinha ou não tinha mais credibilidade um video feito, sei lá, pelou grobellar ou pelo joe jordan?

sim, o jordan, um gajo com ar de vilão do 007 e que não tinha vergonha de jogar sem placa nem nada.

eu não estou a pôr em causa a heterosexualidade dos moços. estou-me cagando para o facto se se espetam de frente ou se atracam de proa**. a mim isto faz-me recordar quase - atenção aqui ao quase - aquelas campanhas anti-droga feitas pelos xutos nos anos oitenta, na mesma altura em que eu, por exemplo, tinha livrinhos de filtros de ganza - merchandising, pertantos. - com imagens do cerco.



* resposta dada pelo treinador oliveirinha quando lhe perguntaram se tinha conhecimento de haver paneleiros entre os jogadores de futebol.
** pronto, eu sabia que deveria ter tirado carta de marinheiro ou lá o que é antes de escrever esta gaita. fica aqui o registo de quem sabe da poda: atracam de popa, assim é que é.

senhor rodriguez

aqui há uns anos quando o rafael chegou do paços de ferreira um amigo, gente da bola atente-se, informou-me «não te admires se daqui a uns meses esse rafael seja o melhor jogador do teu clube e até de todo o campeonato». eu, confiado nas suas palavras, enchi-me de esperança. esperança essa que como a história veio a presenciar, foi pelo cano abaixo.

eu já sabia que de bola só deveria falar, comentar, acatar, as opiniões do meu quim. porque é assim desde há dez anos e assim deveria ser sempre.

aqui há meses, ao ver um jogo do clube no estádio da luz contra o benfica - o clube do quim - dizia-me ele enquanto eu via o senhor rodriguez a fintar uns quantos jogadores deitados no chão a contorcerem-se com cãibras «contrataste o nosso melhor jogador. ainda não sabes muito bem o que tens ali.»

e confesso, recordado pela memória do episódio do rafael, não dei muita importância à coisa.

as jornadas foram passando e, as fracas exibições do rapaz foram sendo disfarçadas lá pela versão oficial do clube «estava em processo, complicado, de adaptação». a verdade é que o tempo tem passado e vejo o senhor rodriguez, realmente, mais adaptado à coisa. noto, contudo, que desde que ele accionou lá no seu seguro automóvel a cobertura de quebra de vidros - ou terá sido vandalismo? - que a adaptação está a ser até mais bacana.

por isso foi no quim que eu pensei quando vi este golo. que diga-se é realmente um golaço do caneco.



contudo eu, esquisto como tudo, gostei mais de ver as movimentações lá dos senhores de azul e branco antes do golo acontecer. no meu tempo chamava-se aquilo geiometria pura - método de monge, não é? -. actualmente são apenas basculações. eu gosto, confesso. e gosto cada vez mais , mesmo coxo e a jogar a passo, do lucho.

entretanto gostava aqui de lembrar que esse tal senhor rodriguez, um médio-extremozado, tem mais golos que o senhor nuno ribeiro. gomes para alguns, amélia para outros.

«ó quim, até ver, além do golo ainda não o vi fazer nada de especial. o paim também marcou um golo contra o teu benfas para a taça e é ver onde anda agora. tenho de continuar a esperar?»

e pronto, já cá faltavam os coldplay

é certo que todos nós sabemos que o rod stewart roubou descaradamente o da ya think i'm sexy ao taj mahal do jorge ben.

é certo também que se não foi roubado, foi seguramente inspirando-se no still crazy after all these years que o armando gama compôs (ou não) o linda, linda esta balada que te dou.

até a kd lang veio dizer que os stones tinham plagiado o constant craving. a verdade é que os senhores quando souberam disso, adicionaram a senhora lang aos escritores do anybody seen my baby.

toda gente sabe, ou devia saber, que o irritante "só eu sei, porque não fico em casa" é retirado do refrão do wrong'em boyo dos clash.

noutro nível, é claro que o i want my, i want my mtv que o sting canta é igual ao don't stand so, don't stand so close to me que ele já cantara antes.

e por isso, o que algumas pessoas chamam de colagem, outras chamam de sampling e outras ainda chama de roubalheira (róbalheira no original). é atribuir-lhe o título correcto consoante os casos.

o que ninguém espera que eu acredite é que tenho sido "entirely coincidental" - são palavras lá dos senhores coldplay - haver uma música lá dos senhores que tenho muuuuuuuuuita coisa em comum com esta aqui.



mas pronto, é a vida. ou é a viva la vida, conforme queiram.

eu não digo que seja um plágio. nada disso. mas porra, usem palavras correctas. agora
entirely coincidental?

e não, não é isto que me faz gostar mais ou menos deles. não vão por aí

a little stiffy on that

eu sabia que um dia ia cair no limbo. não digo que já caí, mas confesso que colocar o vídeo ods oasis é meio caminho para me desgraçar.

mas espero que compreendam a atenuante da coisa. é que tenho saudades da royale family.

e este era a cantiga do genérico da coisa.





(desculpas, dirão outros)

corre, meu querido, corre

não é só o facto de ser uma grande canção e ter uma letra do camandro, eu nem sei muito bem o que é. há ali qualquer coisa... eu sei é que esta cantiga tem ares de ser dos anos setenta.

eu já de si me atrapalho a explicar as coisas, mas com isto que eu sinto sobre esta música a coisa é bem pior. até mesmo a sonoridade dela, pá, aquilo soa diferente, tem um ambiente sonoro (vá, não gozem, não sei como é que hei-de explicar, porra!) que não é igual ao resto do álbum.

a pianada muito calminha lá por trás, muito melancólica, como que a fazer molho de refogado àqueles enrrrhhhrr! da guitarra, e depois a voz dela, sem exageros, sem picos, ali certinha, que maravilha. e o baixo também, estou agora a ver, ali a dar corpo à tal pianada. uma pianada que tem aquele ritmos dasquelas caixinhas com uma bailarina a rodopiar em cima de um espelho.

mas gosto também ali do som da guitarra no solo. parece um solo daqueles órgãos da missa, mas acho que é mesmo uma guitarra. um dia, se encontrar o libório ou o condesso - pronto, se encontrar um dos organistas lá do meu bairro - pergunto-lhe se aquilo é mesmo a guitarra que faz aquele somzinho ou se é mesmo o órgão. e se afinal for mesmo o órgão, peço-lhe para reproduzir este trecho lá na igreja um dia destes.

e podia falar dos olhos ou daquele penteado com os caracóis sobre os olhos verdes. e podia falar da filha da mãe das pernas que a senhora tem. mas pronto, isso já não entra pelas orelhas dentro.

eu quero é dizer que há músicas que deviam ser bitola para uma discografia duma cantora. e esta, infelizmente, não é.





e quero dizer também que isto me recorda 1996 e se há ano que eu odiei foi mesmo 1996, mas isso agora não interessa nada.