terça-feira, dezembro 30, 2008

contemporâneos

para 2009, eu gostava que, quando os elementos do programa os contemporâneos ouvissem ou lessem uma crítica que não lhes fosse favorável, dissessem coisas tão simples quanto:

- não gostam? está bem.
- não gostam? ponham à beira do prato.
- não gostam? paciência.

coisas assim, sabem? simples.

é que já não há pachorra. parecem meninas (que se defendem escrevendo muito bem e tal... tudo muito bem justificadinho, não é.... com um português muito bonito... um mimo.) de baby blogs quando lhes dizem que a filha tem cara de trambolho.

segunda-feira, dezembro 29, 2008

outros reviralhos: 31 de dezembro de 1990

outros reviralhos: 31 de dezembro de 1997

outros reviralhos: 31 de dezembro de 1989




- ó paulinho, rebobina aí a cassete só mais outra vez.

outros reviralhos: 31 de dezembro de 1992


crescer custa

a noite passada custou-lhe a adormecer. tinha tosse, estava moída, foi complicado. às tantas pedia-nos carinhos. lá iamos, uma vez eu muitas vezes ela, o habitual.

dizia-me: está com dores de crescimento. diz que lhe doem as pernas. nunca tiveste?

disse-lhe que não.

continuou: eu recordo-me muito bem. tinha de ser massajada e tal. não te lembras mesmo?

reafirmei que não. e expliquei: eu nunca cresci!

quando fui tirar o meu primeiro bi, ali depois da primária, media 126 centímetros. quando entrei no rainha, já no sétimo ano, recordo-me que não chegava ao balcão do bufete quando queria comprar bolos. no meu nono ano, a maria joão coimbra, uma coisinha pequenina, gira, simpática, gira, querida, simpática, doce, fixe, gira, gira, gira e tal, verificou que eu era menor que três réguas de cinquenta centímetros juntas. se houve altura em que cresci alguma coisa foi só lá para os 17 ou 18 anos, quando cheguei aos fantásticos 171 centímetros. e nessa altura, quer-me parecer, que me lembre só tive dores de cotovelo.

já referi que a maria joão coimbra era gira?

outros reviralhos: 31 de dezembro de 1985


quarta-feira, dezembro 24, 2008

bolo-rei da garrett

hoje, 7h28 da manhã (madrugada, pronto), a fila na garrett para comprar o bolo-rei, ia até ao bpn.

hoje, 8h53 da manhã, a fila na garrett para comprar o bolo-rei ia até à loja dos artigos de golfe.

meus amigos, bem sei que onde houver alguém num stand duma feira a distribuir gratuitamente sacos de plástico, logo aí um molho de portugueses fará um filinha, mas caramba, por mais bom e saboroso que seja, estamos a falar de um bolo, porra!

ainda não estão assustados? e se vos disser que estavam 6 graus, pá?

nem assim?

notas:
1) e eu espetava aqui neste texto uma alusão à fila que na almirante reis, ali defronte da igreja dos anjos, alguns pobres esfomeados já estariam a formar e ficaria um post tão bonitinho, não era? pois, mas para o peditório da teologia da libertação eu nunca dei - daria porrada, pronto! - e também não preciso de tachos no bloco de esquerda.

2) frio, eu penso é no frio que o pessoal estava a passar

3) e cada vez que penso nos sobretudos dos clientes da garrett lá na fila vem-me à memória também o lucho a despir a camisola depois da marcar o golo lá em kiev. há gente para tudo.

segunda-feira, dezembro 22, 2008

o poste é o melhor amigo do guarda-redes.

o clube empatou ontem. é a vida, acontece.

a equipa dos outros espetou com duas bolas nos nossos ferros. é a vida, acontece.

o meu treinador veio falar em oportunidades de golo e falta de sorte do nosso lado. repito, levámos com duas bolas nos "nossos" ferros. ou seja os outros senhores tentaram marcar-nos golos e não conseguiram porque não tiveram arte, engenho ou sorte e fizeram esbarrar a bola nos nossos ferros. e meu treinador falou em falta de sorte do nosso lado. é a vida, acontece.

p.s.: quando vi ontem aquelas imagens daquele "chega para lá" - por amor de deus não chamem agressão àquele gesto. agressão é mais ou menos o que o sá pinto fez ao artur jorge, ok? - feito por um senhor do marítimo nas fuças do rolando pensei cá para comigo. estou curioso para saber que menção irão fazer os nossos queridos jornais da bola sobre este assunto. o mais parecido que li sobre isto foi umas escaramuças que aconteceram no túnel e na garagem do dragão. gostava de saber quais seriam as escolhas editoriais para as primeiras páginas lá dos referidos jornais se tivesse ocorrido um empate e, nesse mesmo jogo, acontecesse um tal "chega para lá" efectuado, por exemplo, pelo rolando ao aimar. ou, estou-me agora a lembrar, se tivesse sifo feito belo bruno alves ao joão moutinho.

sábado, dezembro 20, 2008

... olhei para o céu estava estrelado, vi o deus menino, na casa da polly deitado...

imbuída até ao tutano com espírito natalício, a minha filha decidiu mesclar o profano com o sagrado e, também ela, decorar o seu quarto com uma árvore de natal e com um presépio.

usando parafernália do seu quarto, pegou na casa das pollys, decorou-lhe o varandim do primeiro andar com plasticina amarela e chamou-lhe, isso mesmo, árvore de natal.



reservou, contudo, o último andar da casa das pollys, não como privado, mas como estábulo onde colocou imagens do reino animal bem como alguns seres humanos.



à nossa esquerda temos o panda a fazer de burro e a leoa representando a vaca. ao fundo, um velho, um cruzamento entre um reformado da setenave, o avô da heidi e o pai-natal, representando são josé. do nosso lado direito, a famosa miss piggy assume o papel de nossa senhora. finalmente, deitado no chão, um comandante duma nave intergalática tem a nobre mas humilde função de recriar a figura de cristo enquanto bebé, o nosso menino jesus.

e por este andar, quando entrar na casa dos sessenta já terá a escola toda para imitar os passos da sua avó.

eu, com a tua idade...

não era pouco vulgar quando algum dos nossos amigos sacava uma pita mais pita, ouvir da boca dele coisas como «não, pá. a gaja tem dezassete anos mas já é muito avançada para a idade» só mais tarde quando a catraia decidia ter uma atitude de pessoas da sua idade - de dezassete anos, lá está - é que o nosso amigo acordava da realidade e desatava a bradar aos céus pela situação em que se via metido.

sucede-me o mesmo quando penso na miudagem do meu clube e que parece - repito, parece. dá ideia, portantos! - que o senhor treinador pôs a jogar um tiquinho melhor.

por isso e para não cometer as injustiças que cometi quando o pepe começou a dar barraca:
- rolando (23 anos)
- guarin (22 anos)
- cristián rodriguez (23 anos)
- tomás costa (23 anos)
- fernando (21 anos)
- pelé (21 anos)
- givanildo (22 anos)

agora não me fodam, o mariano já tem 27 anos, não é altura de se ir embora pelo próprio pé? está aí o natal, pá. vá baza!

ao cuidado do senhor tomé salzedas*

chego a casa e a minha mulher dá-me a notícia choque número um «a libra está a duzentos e quinze escudos» repito, duzentos e quinze escudos.

fico abananado, corro para o computador e procuro na net - tenho internet em casa, ó qué que pensam? - umas coisas só para tirar umas dúvidas. e tiro-as. e fico ainda mais chocado.

vamos lá ver a explicação para o segundo choque:

nos últimos três ou quatro anos, desatei a comprar
, paulatinamente, a melhor série televisiva de sempre, o west wing. e porquê? porque comecei a perceber que tinha revisto tantos mas tantos episódios que isso era sinal que valia a pena comprar a coisa para a ter em boas condições, boa imagem, som decente, bem legendada e sem aquela estupidez de estar dependente das noitadas, acordado à espera que a tvi iniciasse a emissão da série, para carregar no rec e adormecer de seguida. e olhem que a série chegou a começar às 3h20 da madrugada. isto, claro, quando o senhor moniz não se lembrava de «pronto, olha, hoje não se transmite aquela coisa do presidente lá da américa».

dizia eu, fui comprando as temporadas à medida que elas foram sendo lançadas. assim, sabe quem é louco para comprar estas coisas, que gastei ao longo destes anos, cerca de 70 contos em dvd's, já que os senhores decidiram, graças a deus, emitir sete temporadas. ora, sete vezes 10 contos... bom, é fazer as contas.

quem consultar a amazon da inglaterra verificará que existe uma caixa toda supimpa, com a totalidade das sete temporadas, pela módica quantia de, não setenta contos, não sessenta, muito menos cinquenta mas sim, atenção, dez contos e picos. isto ao câmbio de hoje.

consultando mais abaixo outros lançamentos em dvd, verificamos que o studio 60 - a segunda melhor série de sempre, publicada em dvd. quê, o thirtysomething?
pois, continuo a aguardar que apareça no prelo. haverão, na certa, problemas relacionados com direitos autorais. que a impede de vir para a rua. só pode. -, que ali a fnac

não que eu seja muito amigo dos preços da fnac. mas infelizmente, esta série, não se vende em muitos mais lados. ou então, simplesmente, não se vende em mais lado nenhum, pronto!

tem a vender por sete contos e tal, custa na amazon, tchan tchan tchan-tchan, dois contos e quinhentos.

tenho dito e encerro aqui a loja.

pronto, só mais uma achegazinha: o planet earth que anda a ser vendido por volta dos dez contos cá no burgo, está lá na amazon, em blu ray, por cinco biscas e pouco**.

*não és menino para te ofereceres como prenda de natal, esta caixinha que substituiria as cópias que fizeste dos meus?


** e sim, tenho consciência que esta coisa das edições em português encarecem mais a coisa por causa do mercado ser mais reduzido e essas paneleirices da oferta e da procura e não sei mais o quê.

quinta-feira, dezembro 18, 2008

quem diz o hitler, diz, por exemplo o bibi, pronto.

a minha filha veio aqui há uns dias duma exposição de dinossáurios - repararam que eu não escrevi dinossauros, não repararam? é muito nível, porra! - com um t-rex debaixo do braço.

à noite, meteu-o numa caminha e enfiou-lhe uma chucha entre os dentes.

não me fodam, uma miúda que adormece o seu t-rex e o afaga com festinhas e chuchinhas tem muita cartonância.

qual será o seu passo seguinte? adoptar um boneco do hitler e vesti-lo com roupinhas fofinhas?

pronto, agora é que a estrada do campeonato está mesmo, mas mesmo mesmo livre

estou curioso em relação à crónica de sexta-feira do grande cervan. no mínimo, claro, vai dizer reafirmar que esta vitória veio atemorizar o porto e o sporting. coisa que a eliminação na taça pelo leixões já tinha deixado as suas luzes.

há pessoas tão ridículas, caramba!

fire woman vs love removal machine

se há memórias musicais públicas que eu tenho do meu bairro, talvez uma das mais vincadas, é a imagem do arménio - não o "trolha da areosa", mas o "méninho" dos embrechados - a descer a frei fortunato, estupidamente bronzeado, calça de ganga muito coçada, t-shirt de alças modelo "ginástica da tropa" - «quero-vos formados às 9h30, na parada, com o vosso fatinho do ballet, seus caralhos!» - ténis nike cor de neve e no ombro e, seguro pelo seu braço musculado - como aquele cabrão cresceu lá nos ferros, porra! -, um enorme e prateado cantante, debitando rock em altos berros:

- méninho, trazes aí um ganda som, pá!
- ihhh, ó jaime, é uma coisa nova que arranjei...
- é bom, pá!

era o love removal machine.

para mim, é "a" música dos cult. é o ponto mais alto de toda a sua carreira. eles chegam ao electric depois de anos dum rock muito chegado à música de vanguarda que culmina com o lp love de 1985. é certo que o love tem uma mão cheia de singles que animam qualquer alma deseperada mas convenhamos é quando o rick rubin pega a sério nas canções deles que a coisa fica ali nos trinques. não é só a guitarra do billy duffy, não é só o vozeirão do ian astbury, para mim, há ali um elemento que dá equilibrio aos dois, é o baixo - gosto tanto de baixos, caneco! - do jamie stewart. pode muito bem ser uma bela coincidência, mas a verdade é que enquanto estiveram estes três juntos - bateristas é que foram mais que muitos - a banda teve sucesso.

pronto, já falei aqui do love removal machine, já disse que acho o electric bem melhor que o love mas este post é para prestar homenagem à mais "esquecida" grande-malha - ao que parece agora já não é de bom tom dizer-se malha, agora é bonito dizer-se riff - dos cult. falo do fire woman do sonic temple.

mais esquecida porque, na realidade, quando vamos para a náite e a coisa mete rock, no que toca aos cult, normalmente o dê jota, bota o wild flower ou o rain. com um bocado de sorte lá apanhamos com o lil' devil ou o she sells sanctuary. curiosamente as melhores para dançar são colocadas de parte. precisamente estas duas: o love removal e o fire woman.

duvidam de mim? tomem então atenção:



ok, é certo que isto tem o seu quê de cromisse, mas recordo-vos que estávamos em 1987. e se metade de vós ainda não sabia que o dystron que a mamã levava para o bidé, não era propriamente um líquido para alargar sapatos como ela vos dizia, a outra metade ainda usava meias brancas, por isso, haja respeito.

o vídeo começa logo com aquele ar de "veio do espaço" e apresenta-nos o caminhar do billy com as tradicionais calças justas às botas, até ao seu amplificador. é então que surge aquela bela imagem do patilhame aparadinho e do grande penteado mullet que o bono tinha imortalizado no live aid do baterista les warner. a malha começa a rasgar e já se vislumbra o ian a saltitar lá no andar de cima. o jamie está de costas, à espera de vez para martelar as cordas do seu baixo. às tantas o ian desce as escadas, aquele seu ar de pocahontas, o cabelão, a camisa gótica, branca, de folhos e avisa: check this one. e daí para frente é um vê se me agarras, com alternância de imagens entre dois takes do videoclip onde se misturam a dança duma espécie de fandango do vocalista com o pedal que o ian imprime na guitarra. o ian ora tem uma camisa branca ora tem uma camisa preta, o duffe ora toca com uma guitarra branca ora toca com uma preta. é tudo muito bom, muito pedaloso. mas aquele baixo sempre ali a marcar ritmo, e aquela forma como o billy domina fisicamente a guitarra, a forma como pega nela, como a suetém segurando-a pelo braço, numa mistura entre os movimentos do chuck berry e as notórias influências das malhas do jimmy page é algo que me deixa de rastos quando escuto isto.



como podem aqui ver, dois anos depois a coisa não está muito diferente. o ian continua com o ar de pocahontas mas com aqueles trejeitos de fandango bem mais apurados, o billy já se meteu a rasgar a guitarra com as malhas mais repuxadas, assim a esticar aqueles oinnnnnnnnn com mais força e durante mais tempo e o baixo continua a ser o mesmo estremo esquerdo do palco, sempre ali, a bombar, a dar ritmo à coisa.

curiosamente neste altura - e neste clip - julgo que o baterista é o matt sorum que depois andou pelos g'n'r naquela altura do use your illusion e afins.

aliás, foi feito pelos cult o melhor concerto - em portugal - que eu não vi em toda a minha vida. 1993, gartejo! paciência.

quarta-feira, dezembro 17, 2008

salve, adelino gonçalves (rádio comercial, anos oitenta, uma da tarde, discoteca)

hoje, uma e tal da tarde, rádio oxigénio*. when boys talk dos indeep.



respeito!

(ai se esta rádio fosse sempre assim!....)


*calma, não estrilhem. é óbvio que eu não ouço esta rádio - deus me livre! - a coisa surgiu lá na telefonia do meu carro porque andava a fazer zapping, ora!

não liguem, nem sempre tomamos a medicamentação a horas

estamos num campo de nudismo. ali, tudo ao léu e fé em deus. liberdade, vida simples, pessoal descomplexado.

pergunto: uma vez que toda a gente pode ver as partes pudibundas de toda a gente, haverá necessidade de existirem nesses campos, wc para homens e wc para mulheres?

repergunto: e havendo realmente necessidade de haver divisões elas apresentam-se de que forma «pessoas que urinam em pé para um lado e pessoas que urinam sentadas para outro lado»?

segunda-feira, dezembro 15, 2008

efeito carousel

há uma frase, uma ideia que volta e meia utilizo para mim próprio - assim em silêncio, estão a ver a coisa? - que é «fazer trabalhos de casa em computador».

não sei se se recordam, mas quando aparecia um tipo qualquer lá da turma que apresentava trabalhos de casa feitos em computador, a coisa poderia estar a maior merda, cheia de erros e tal, mas pronto «eh catano, ganda pintarola, foi feito em computador» e lá se babava meia turma mais metade da classe dos professores que achavam piada àquelas coisinhas que o menino ou a menina tinham feito.

foi aí que começou o declínio do tubo de cola uhu - ou da cola cisne -, usado durante séculos nas montagens de fotos lá para os trabalhos sobre o barroco, o império romano ou as viagens na minha terra.

quando o oliver stone apareceu no natural born killers com aqueles movimentos de câmera dum lado para o outro, como que se o senhor que segura lá a máquina de filmar tivesse levado um pontapé certeiro nos túbaros, toda a gente achou piada e desatou a usar como se fosse o último grito do tarzan*.

e a verdade é que há alguns exemplos em que isso fica bem e dá num resultado bonito. principalmente se for filmado em película como, por exemplo, no friday night lights. e já agora, se não se fizer uso desse bamboleamento a torto e a direito.

noutro dia dei por mim, sem canais nenhuns além dos 4 portugueses e três espanhóis, a ver aquela coisa dos advogados lá da avenida da liberdade. tinha a rita lello (nem perguntem, ok?) e eu deixei-me ficar a ver aquilo. às tantas dei por mim quase a vomitar. pensei um pouco a ver se tinha sido o jantar estragado que me estava a vir à glote. mas não, tinha sido um jantar todo supimpa acompanhado pelo tintol da ordem.

penso mais um bocado e lá percebi que a somar à quantidade de histórias sem pés nem cabeça que a série tem, existe a tal coisa dos «trabalhos feitos em computador» e desatam a usar, abusar e rebusar a tal técnica do pontapé nos tomates do senhor da máquina de filmar. assim para dar a ideia que é uma série toda modernaça e tal, com pessoas que ganham muito carcanhol e que têm grandes carros e atravessam a avenida da liberdade pelo meio dos carros a deixar cair sandes de presunto e coisas que tal. e a verdade é que quando damos por ela, o raio dos olhos não estiveram fixos uma única vez e a cabeça começava já a andar à roda porque as imagens andam mesmo à roda e afastam-se a aproximam-se e...

fui meter meio logan ao bucho para ver se aquilo passava mas foi pior a emenda que o soneto: lembram-se das bebebdeiras que se apanhavam no velhinho "barco" que estava ali atracado no cais do sodré? lembra-se? quando com dois ou três whiskys se apanhavam bebebdeiras como se tivessemos bebido oito? pois é mesmo assim que eu me sinto quando vejo o tal liberdade da rita lello.

(tenho pena dela.)
(e do ivo, pronto!)



* eu não sei se foi ali naquele momento que esta técnica surgiu. isto não é o blog do mexia e por isso aqui não há certezas cinematográficas ou de qualquer outra espécie. eu sei é que foi nesse filme que eu me recordo de vir isso pela primeira vez.

sexta-feira, dezembro 12, 2008

jack kerouac

nem sei explicar muito bem porque associei eu isto àquilo. mas a verdade é que a primeira ideia que me veio à cabeça foi o motel chronicles, um livro de pequenas histórias escrito pelo sam sheppard que além de ser um actor bestial, tem a sorte de partilhar leito com a jessica lange.

eu explico.

vinhamos de cáceres. a miúda lá atrás a dormir. ela, ao meu lado, também em silêncio. na telefonia, tocava aquela selecção mais assim p'ró miá soft. assim, aquele misto de carly simon, com o james taylor, passando pelas coisas do nebraska do springsteen, aqui e ali também com a carol king... por aí, por essas bandas. lá fora estava frio mas dentro do carro a shô fajem (assim como se fosse a senhora fajem) mantinha-nos quentinhos. a estrada estava quase deserta e raramente cruzávamos com outros carros. o sol já se tinha posto e o céu começava a ganhar aquelas cores maravilhosas. não falo daqueles crepúsculos cheios de vermelhos e cores de fogo. não, uma coisa mais suave, menos dramática.

ainda por cima, a estrada seguia em direcção a esse mesmo crespúsculo. tinha como cenário umas elevações, uns penhascos que recortavam o horizonte como se fossem personagens daqueles teatros de sombras chinesas.

e eu sabia que uma eventual foto não lhe faria justiça nenhuma ao momento. porque eu não estava com paciência para descobrir a melhor conjugação de aberturas, sensibilidades, velocidades e outras que tal que traduzissem melhor aquilo tudo; porque nela não ficaria impressa a alegria que carregávamos connosco pela visita àquela cidade; porque também não conseguia lá colocar o cheiro que as histórias do sheppard têm - um cheiro de alcatrão e de lavanda nos lençóis dos moteis -, um cheiro que também encontro nas imagens do rumble fish, nas coisas do on the road ou nas canções do darkness on the edge of town...

eu sabia estas coisas todas. mas mesmo assim parei e carreguei lá no botão da máquina. como disse, não faz jus ao momento. mas ainda assim, foi um momento daqueles.


e já estou com saudades daquelas nossas viagens pela espanha fora.