sexta-feira, agosto 08, 2008

pum-pum!

eu até nem me apetecia falar e tal mas às tantas, pronto, às tantas não me aguento.

recebo logo de manhã, via email um link para os brasucas que foram tirar dinheiro ao senhor ricardo salgado a levarem com uns balázios nos cornos. cenas impressionantes e tal, coisas parecidas lá com o dia de cão do sidney lumet.

agora, já da parte da tarde, como sabia que iria passar uns minutos ao telefone revejo as imagens lá dos goe's a fazerem dói-dóis aos assaltantes da marquês da fronteira. e quase sem dar por isso, releio os comentários que lá estão em anexo. e sorrio.

há coisa de 25 anos, a minha tia que vive no brasil, assumia, sem grandes complexos ou manias, a pena de morte para certos assaltantes. eu ficava parvo com aquelas ideias. contava ela que dia de assalto lá na loja dela (tinha - e tem - uma daquelas lojas numa cidade da periferia do rio que todos os emigrantes portugueses têm, que vende de tudo), era uma chatice porque, além de ficar sem dinheiro, ficava também sem hipótese de vender as coisas nesse dia caso a história se complicasse. é que se houvessem feridos ou mortos, a polícia tinha de intervir e depois o prejuízo era maior.

tentava mostrar à minha tia que, caramba, a vida humana e tal... ela, pacientemente, explicava-me que assaltos desses não aconteciam uma vez por ano, mas sim, uma ou mais vezes por mês. assim, quando aconteciam aquilo dar em tiroteio e se o corpo ficava à porta ou dentro da loja dela, a primeira coisa que ela fazia era empurrar o morto para a rua. assim, já podia continuar o negócio e não ser importunada com aquela coisa dos encerramentos para inquéritos policiais e coisa e tal.

o tempo foi passando e infelizmente, até aqui em portugal fomo-nos habituando a esta desgraça criminal. tiroteios com ciganos em redor da minha casa já lhes perdi a conta. imagens com cenas de mortes de polícias nas covas da moura deste país já nem ligo. quintas da fonte, para mim, dão me vontade de rir.

ao ler os comentários sobre a actuação do goe lá na loja do bes, fico com vontade que essas pessoas sintam, por 15 segundos que sejam, o que é um pico com abertura de borboleta, apontado ali à região do baço ou o que é que se sente quando a pistola, ali perto da orelha, faz, assim, clic, para preparar o disparo ou para meter medo.

sim, sim, compreendo, gostaria de saber se essas mesmas pessoas, caso os assaltantes acabassem por matar a gerente lá da loja, viriam ou não criticar o goe por não ter agido, por não ter feito todo o possível para salvar a pobre senhora e o seu indefeso companheiro.

isto é realmente tudo gente boa, é o que é. são precisamente essas pessoas que são o mais a favor possível dos graffitis. que dizem que estão a impedir a realização de arte urbana. que não distinguem um acto de violência urbana duma obra de arte, até ao dia em chegam de manhã ao seu automóvel, antes de enfrentarem o martírio do ic19 e descobrem que o capot e o tejadilho foi transformado em tela dessas "obras de arte".


quarta-feira, agosto 06, 2008

acetona, please

deixei-a vaguear pelas barraquinhas lá da feira enquanto via, imagine-se, uma actuação de folclore. quando voltei para procurá-la, estava lá no stand sete com umas chancas novas nos pés.

- gostas?
- claro que sim.
- e ainda por cima tem uns pés bonitos e tudo... (interrompe a vendedora)
- oh, oh, a quem o diz, minha senhora.
- sabe (continua ela), ali o nuno que trata do som aqui da feira é que diz que uma mulher com uns pés bonitos é logo meio caminho andado. é uma ideia engraçada, não é?
- minha cara senhora (digo eu), fique sabendo que não é meio caminho andado, em certos casos é o caminho todo. é uma auto-estrada!

mais tarde em casa

- mas são umas chinelas giras, não achas?
- são, claro que são. enquanto andares com as unhas assim bonitas...nuas!
- bom, aviso-te já que ando com ganas de as pintar. vai-te preparando!
- ai o caralho... temos festa!

hoje de manhã, diz-me uma pessoa que vai lá hoje jantar:
- vou ali à manicure arranjar e pintar as unhas. não é de propósito, já tinha combinado. mas mesmo que não tivesse feito a combinação, ia pintar na mesma, só para provocar, não é?

estou cercado. salvem-me, porra!

live at the apollo

e chega agosto e chegam as saudades de outros verões. e chegam as saudades do verão de 90. o melhor verão de sempre e para sempre: o esquadra da rua da rosa, o vitinha dessa mesma esquadra, as azenhas, o portinho da arrábida, o modern love pela calçada de santo antónio dos capuchos abaixo, a resposta «toni de matos» vencedora do melhor trivial persuit de sempre, o tahiti monoi, o barmácia, o kivuvi, o japonês de 1971 e sempre, sempre, mas sempre mesmo, o live at the apollo.



esqueçam os penteados do daryll hall e do john oates e tomem bem atenção ao que vos digo, os senhores, vestidos de smoking, assim de pele escura, que estão lá no meio também a cantar, estão a ver?, chamam-se nada mais nada menos que david ruffin «the voice you know and love» e eddie kendricks «a very special e dear friend of mine».

haja respeito!

e era também bonito que o cabrão do brasileiro que traduziu aquilo soubesse um bocadinho de história!

feiras vs salão

as feiras de artesanato estão para as gajas como os salões do automóvel estão para nós, não é?

terça-feira, agosto 05, 2008

a melhor de todas as que são tão boas como ela

esperem lá então um pedacinho. já está? não? esperem lá, caraças!

ah, bom!

dizia eu, então há uma miudinha que chegou a centésimo trigésimo primeiro lugar lá da lista do ténis, mas em gajas, e fica tudo o que é jornalista em histerismo?

eu repito: centésimo trigésimo primeiro lugar.

ainda não estão a ver bem? significa que há, só em gajas, cento e trinta miúdas que são melhores que ela.

ainda não deram por nada? não? oh foda-se, mas ainda ninguém reparou que há um colhão de modalidades que têm vários, repito, vários campeões mundiais e ninguém dá nada por isso?

131º lugar? eu ainda estou parvo. centésimo trigésimo primeiro lugar? e fazem este chinfrim todo?

e a miúda ainda se dá por feliz por ter batido o record da outra portuguesa que tinha tido melhor desempenho. adivinhem quanto? não sabem? eu digo: uma tal de frederica piedade, chegou a estar em 142º.

que maravilha, hein? 142º.

não me fodam, se faz favor. tenho a certeza absoluta que, por exemplo, em damas, keimps, caricas (na classe de casca de banana - em sabão sempre fui meio aselha) e eventualmente em erros de português em blogs do blogger, classe nacional, estou, seguramente, nos 75 primeiros do mundo.

não me fodam, 131º lugar?

segunda-feira, agosto 04, 2008

o primeiro dos zeros

- e quantos há?
- zero a zero.
- e quem é que marcou o primeiro zero?

é desta piadola rasca e seca que me lembro, quando entro no site do jornal a bola e vou àquela parte da liga sagres onde se consulta a classificação.

é que
para disfarçar a clubite daquele pasquim, das duas uma: ou punham os clubes ordenados pela classificação do ano anterior ou então apresentavam-nos por ordem alfabética.

pronto, não é por nada, é mais para disfarçar, digo eu.

tempos modernos

eu não pude conhecer um dos meus avôs e uma das minhas avós. ainda assim, os outros dois que conheci, nas minhas memórias, eram já bem velhotes.

a minha filha, rebento da geração das famílias modernas com muitos avós, já teve a sorte de ter apanhado com avós na casa dos cinquenta anos e, num caso francamente especial, tem uma avó mais nova que a sua própria mãe.

hoje recebo a notícia via sms, que a minha filha passou a noite com a prima e a avó, praticando campismo selvagem sob um chaparro, enfiadas numa tenda de campismo minúscula!

(inveja!)
(acordaram sob um abrasador sol alentejano)

black hole

e aquela sensação que temos, com que ficamos, quando terminamos um livro? horrível, não é? um vazio tremendo.

e quando terminamos de ver uma série de que gostamos e que sabemos que não terá continuação? xiii, andamos para ali sem saber por onde havemos de recomeçar, não é?

e terminar esse referido livro e a tal série no mesmo dia? estão a ver a coisa?

estou perdido. caneco, parece que me deceparam um membro!

causa-efeito

planeamos mentalmente todas as milhares de coisas que iremos fazer quando acontecer um dia em que ela não esteja: ir ao 2001, ir para a praia sem levar sacos e mais sacos, ir ao bingo, ir ao cinema, ir desbundar...

mas a ideia de ficarmos sem ela é uma coisa tão vaga, é algo que acontece tão poucas vezes que nem sequer materializamos, nem sequer pensamos em algo concreto, para quando a coisa aconteça.

tanto tempo depois lá ficámos sem ela.

caramba!

o que mais impressiona não são as saudades, o que mais impressiona não é a sensação de ausência - é como aquela sensação quando arrancamos um dente e nos dias seguintes ainda vamos lá com a língua para fustigá-lo por causa das dores. e depois é que reparamos que já nem dente temos. só lá se encontra um buraco, um vazio - o que mais me impressiona é o silêncio: não se ouvem - pal, inicialmente estava aqui "houvem", mas corrigi a tempo. não tenho emenda, já viste? - gritinhos, não se ouvem brinquedos a chocalhar, não se ouve o barulho das torneiras do bidé por causa das lavagens das cabeças das bonecas....

e às perguntas «não estás já com saudades dela?» ainda respondo «não, tudo bem!».

e não é bem a confiança que deposito nas pessoas que estão com ela, é mais a preocupação com as coisas que eu sei que ela é capaz de lhes fazer para lhes moer o juízo (ai ca vergonha!). oh!, mas ela longe de nós porta-se sempre tão melhor!....

e a realidade desta ausência dela materializa-se em pequenos detalhes. hoje, por exemplo, dói-me a barriga. sim, não é bem lá dentro, é mais à flor da pele. apanhei um escaldão!

como é que apanhei isso? ora, adormeci na praia.

pergunto, qual é o pai, com uma filha como eu tenho, que se dá ao luxo de adormecer na praia?

por isso, no meu caso, a relação causa-efeito da sua ausência é o bronze - e logo eu que não tenho paciência para me deitar ao sol -: vais para longe de nós logo os pais ficam queimadinhos!

sexta-feira, agosto 01, 2008

serenas

responda-me quem lá tenha estado, quem saiba ou quem desconfie «depois da feijoada da caras o ambiente não fica um bocado para o pesado com as flatulências metanólicas do pessoal?».

é que quando acontece lá em casa, bom... é melhor nem dizer nada.

por falar nisso, tenho de ir comprar uns pimentos padrón.

ai iles

sem iu tubes, sem manuais de instruções, sem personal trainer, sem nada. ontem demonstrei lá em casa, perante as meninas presentes, que andar de saltos altos é um "walk in the park"


quinta-feira, julho 31, 2008

ai casse-me que eu já não aguento mais!


ser mandado parar pela bófia quando vamos a caminho do dentista, convenhamos, não há nada que desejemos. primeiro porque não há ninguém que vá de bom gosto ao dentista - não que tenha medo dos dói-dói, mas sim porque o cabrão tem a mania de me obrigar a passar o cartão do visa lá numa máquina que eles lá têm - e segundo porque as operações stop dão-me tantos arrepios como aquele tempo em que passamos no aeroporto: há sempre alguma merda que pode acontecer.

mas reparo que não era um bófia, mas sim uma bófia. e que bófia, caneco. eu inté pensei que aquilo fosse para os apanhados do letria mas não, era mesmo a sério. a gaja, perdão, a senhora guarda era booooooooooa e gira. porra e sorria, ainda por cima.

- os seus documentos e os documentos da viatura, por favor.

oh meu deus, eu tremia por todos os cantos.

- ora, então é a carta, o bê i e que mais? disse-me que era mais o quê?

e enquanto eu procurava lá os livretes e mais o caneco, reparo que ainda por cima tinha mamas. que maravilha, além de gira tinha mamas. não digo que fosse uma prateleira de poleia comprida e também não dava para espanholada, mas cum raio enchiam uma mão.

eu acho que ela já me tinha mandado embora mas eu ainda não tinha visto aquilo em condições. queria ver a calcinha justa lá no befe.

que gaja mais boa, porra. eu que odeio aquelas cenas maso e tal, até nem me importava de brincar lá com as algemas e não sei mais o quê...

- tenho mesmo de me ir embora?
- ...
- nem uma multa nem nada? oh diabo, vá lá, deixe-me ficar só mais um pouquinho...
- ...
- já reparou que a morada da minha carta ainda é a dos meus pais?
- ...
- pronto, eu vou.... vou mas vou contrariado.

no regresso do dentista ainda lá estava. ocupada, é certo, de volta duma condutora com 123 anos, mas não me fiz de rogado:
- ó xora guarda, eu sou um transgressor, reveja lá a sua atitude, eu até acho que nem luzes tenho...
- ...
- pronto, confesso, trabalho em seguros e falsifiquei a carta verde... não? não há nada a fazer, não?
- ....


quarta-feira, julho 30, 2008

à vontade e à vontadinha

gosto de chegar a casa - seja lá de quem for - e pôr-me logo em tronco nu para me sentir à vontade.

gosto de quem vem a minha casa e se descalça com as mesmas intenções.

(não é para quem quer, nem para quem pode, é para quem!)

terça-feira, julho 29, 2008

placebos

estou há quatro dias a comer iogurtes com prazos de validades já ultrapassados. no início a coisa foi feita a medo mas ao terceiro dia já nem enfiava o nariz junto ao gargalo para perceber se podia ir em frente ou não. a verdade é que não encontro no meu corpo indícios de que a coisa me esteja a fazer mal.

antes pelo contrário. há uma dor aqui nas omoplatas que até se me escapou para outro lado qualquer. não sei é para onde. nem quero saber.

estou bem e recomendo-me! (gaba-te...)

inclusivamente, imagine-se, consegui oferecer à minha mulher, não um mas dois presentes.

as esposas que queiram ter a sorte (ou o azar) que a minha teve, deverão para o efeito, fazer as coisas pela certa, não vá o diabo tecê-las: peguem numa embalagem já velha, depositem nela um iogurte novo e pode ser que a coisa resulte. é assim, uma espécie de placebo

quem sabe, pronto!

foda-se, perguntem-lhes, porra!

já houve algum cabrão dalgum jornalista que tenha perguntado a estes não menos cabrões destes moutinhos, luchos, quaresmas, ronaldos ou lá o caralho, a sacramental e pertinente pergunta «então, mas quando assinou o contrato, quando viu lá escrito 4 anos, não tinha em mente cumpri-los?» ou por exemplo «ficaria chateado se no contrato estivesse lá escrito 150.000,00 de ordenado e o seu clube, dum momento para outro, decidisse começar a pagar-lhe apenas 50.000,00?»

segunda-feira, julho 28, 2008

um cantinho, um violão...

tínhamos recebido a indicação que a pousada vizinha da nossa, recém inaugurada, tinha uns preços porreiríssimos. diziam também que o ambiente era um mimo e que tinha também uma pequena piscina, questão imprescindível para aqueles dias em que o céu fica cinzento e a ida à praia fica mais condicionada. é que lá para os lados do equador quando chove, chove mesmo a sério!

depois do jantar lá nos dirigimos então para a pousada. pedimos licença na recepção, e muito simpaticamente mostraram-nos a casa toda. um mimo. tudo muito arranjadinho, tudo limpinho, aquela iluminação amarelada, calma. a decoração bonita, as paredes naquela laranja a constratar com alguns verdes... bom, muito bom.

na sala, estava lá um preto

caetano, venha ver o preto que você gosta.

com um violão na mão.
dedilhava ali uns acordes e ao pressentir a nossa presença parou para nos cumprimentar. tinha um ar bestial. gente ainda nova, sorriso bonito, dentes branquíssimos, aquele ar muito simpático. bahia, portanto!

- como se chama a minina?
- beatriz!
- beatriz? (adoro a forma como eles dizem bê á trix!). eu sou o eduardo.

e começa a tocar uma coisa muito "show da xuxa": «o sapo não lava o pé...». mal ele sabia que esta é uma das que ela conhece desde que nasceu, desde que tem cólicas. somente conhece numa versão mais lusitana. estava criado o ambiente. às tantas lanço para o ar: «edu (já fui indo na intimidade, né?), toca a novidade do herbert vianna, tocas?»

- uh-uh-uh-uh-uh-uh-uh, ah iáaaaaa

e tocou. e acompanhámos todos, assim, numa versão mais cool, mais acústico, do gilberto gil. todos gostámos. ela, adorou e adoptou como sua. pedimos também o sítio do pica-pau amarelo

...sabugo de milho é gente...

e a onda foi continuando. um show. foi um dos momentos mágicos daquelas férias.

já em portugal mostrei-lhe que tinha o dvd com esse concerto. e claro apresentei-lhe então «a novidade» pela versão do gilberto gil. ahh, o que ela gosta daquilo.

no domingo pediu-me, de dvd na mão «pai, põe a novidade se faz favor».

confesso, eu nem sei se ela usou «se faz favor». normalmente utiliza, é certo. mas escrevi aqui, na versão «menina bem educada», não vá a outra não perceber o post (dahhhh!) e vir para aí dizer que ando a criar monstros.

levei-a para o nosso quarto e pus a tocar lá. vim-me embora e nem liguei. minutos depois o escarecéu que ela estava a fazer era mais que notório. entrei no quarto e percebi então a coisa: foi buscar o microfone do noddy, sentou-se na caixa das polys e usou o comando como violão.




ahh, eu adoro a forma como ela diz «paradoxo», «máximo», «estraçalhando» ou «baleia».

seca!

quantas vezes, mais ou menos, temos nós de dizer NÃO QUERO, FODA-SE! aos senhores do citybank e do barclayscard que nos querem oferecer cartões de crédito?

(perdem-se tantas coisas e não há maneira de se perderem os meus registos telefónicos, caramba!)

não se vá dar o caso de precisares de dar uma mijinha um dia e tal....

a escolinha dela é mesmo aqui junto ao meu local de trabalho.

às segunda-feiras, de manhã, dão um giro aqui pela área para que possam andar a passear pela rua, a apanhar ar, a verem os passarinhos, a rebolarem na relva cheia de merda dos cães e tal...

agora com o número de coleguinhas reduzido a um terço - já muitos bazaram de férias - a coisa controla-se bem melhor e a canalhada fica logo toda contente.

há umas duas semanas, apareceram-me aqui no meu local de trabalho - é uma loja - e fizemos uma festa. combinámos, entretanto, que quando lá voltassem eu distribuiria rebuçados ao pessoal. ela concordou mas fez uma ressalva: eu entregaria às meninas e ela aos meninos. tudo bem!

hoje de manhã lá apareceram. fez-se uma festa e tal, houve beijinhos e abraços e, sem dizer água vai, desata a pegar no frasco dos rebuçados e começa a entregar um a cada um dos seus colegas.

estava francamente orgulhosa e feliz de estar ali, com os seus coleguinhas e educadoras, no trabalho do pai e da avó.

às tantas, vira-se para uma das amiguinhas:
- ó matilde, a loja é gira, não é?
- é!
- olha e tem uma casa de banho. queres ver?
- ...
- pronto, eu mostro!

foram!

sexta-feira, julho 25, 2008

a paraíso, as luzes do tablier e mais não sei o quê

(arranjei quem fique com ela)

vou ver, porra!



isto não é um poema, porra!

isto é a maria a dizer umas palavras que algumas pessoas - e principalmente aquela geração que se divorcia e vai passear para as areias do abano e do guincho, envoltos em lenços palestinos comprados na festa do avante de 1983, com a trela do cão na mão, à procura de carinho alheio - costumam chamar de poemas.

mas para mim não são poemas. poemas são as coisas que o vítor de sousa declama. a maria bethânia não declama, ela canta poesia, ela interpreta-a como quem as lê. eu ouço-a e perco-me nas palavras, na forma como ela as diz. mais que uma vez, dou comigo a tentar seguir o texto e a ficar enleado na sua musicalidade, no tom da sua voz e a distrair-me dos significados dos textos. nessa altura retrocedo o cêdê. e retrocedo mais outra e outra vez, nem que seja para a voltar a ouvir dizer «palhaço poli», «topz», «diverlangue» ou ainda porque ninguém diz «moçona» - referindo-se à domadora do circo -, como ela

aquilo não são poemas. repito, poemas são outra coisa.

e eu não sei o que é aquilo. aquilo é tudo e mais alguma coisa. aquilo, por exemplo, é o pássaro da manhã que eu comprei, algures do início dos oitentas, ali na melodia da rua do carmo. aquilo é mesmo muita coisa: blusões de veludo cotelê, camisas de seda, travestis no ronda 77...

eu vou te contar que você não me conhece
e eu tenho que gritar isso porque você está surdo e não me ouve!
a sedução me escraviza a você...