domingo, agosto 16, 2009

motas

eu não sou contra as motas.
eu não sou contra motards.
eu não sou contra as concentrações de motas.
eu sou é contra a minha ineficiência em conseguir conjugar as minhas férias com aquele período do ano em que não há concentrações de motas nos locais onde passo férias.

eu até compreendo, respeito e louvo o espírito camarada entre os motards.
eu até aceito e verifico que há motards - gente mais cota e tal - que vão para as concentrações com aquela aura zen de "iá, pisse ende lâve tu evri bodi".
eu não consigo é aceitar que me digam que, estatísticamente falando, este último tipo de motards seja o "cidadão comum" entre os motards.

não me fodam nem me enrabem, é só abrir os olhinhos. as pessoas que não têm nada que ver com as motas mas que têm que apanhar com elas durante as concentrações
sim, porque não julguem que os motards ficam circunscritos ao recinto das concentrações. não, nada disso, vêm cá para fora e andam por aí como fugitivos exibicionistas.
apanham por tabela com o vasqueiro que emana da porra das ponteiras
não era suposto haver um caralho dum limite legal para aquele coisa dos decibéis que as motas fazem?
apanham com o cheiro íntimo que os concentraccionistas (ou lá como é que esta gente se chama) transportam;
nada contra. quem fez inter rail ou semana de campo na tropa sabe que há coisas que não se conseguem evitar. sou é contra ter que apanhar com falta de asseio nas ventas.
apanha com aquele regime de excepção em relação à obrigatoriedade do uso de capacete
se eu decidir fazer uma concentração, sei lá, de carros amarelo-torrado permitem-me andar sem cinto? e sem cuecas? e sem pneus? e sem pára-choques? e sem carta?
e tem que assistir àquelas bonitas cenas, que por isto mesmo sucedem, onde surgem, na frente dos zelosos gnr, famílias numa mota, com o pai à frente, a mãe atrás e, no meio, entalado entre os dois, um ou outro bebé.
uma maravilha, ali os três e tal, sem capacete...
contudo, continuo a achar o top dos topes, aquele coisa de desatarem a acelerar a seco, ali a puxar pelas máquinas, o barulho a aumentar, os sorrisos matreiros deles e delas (pois, ataca a todos os géneros) como quem diz «maquinão do caralho, hein?» e as cumplicidades dos que assistem, sentados nos selins (ou assentos ou lá o que aquela merda se chama) a sorrirem também.
as cerejas nos topos dos bolos são aqueles ou aquelas que captam e gravam todos estes acontecimentos nas suas privadas câmaras de vídeo. imagino-os mais tarde, lá em casa, naquelas salas de jantar repletas de posters com uma ou outra águia da harley, interrompendo os programas das choppers do orange county com aquelas frases «ó toino, e se víssemos aquele vídeo com o necas a sacar aquelas gazádas na kawa?».
eu falei em cerejas e bolos no parágrafo anterior mas enganei-me. na realidade eu que queria deixar esta coisa das cerejas para este parágrafo aqui. é que podem não acreditar mas aqueles malandros dos motards já não se contentam espectáculos de gajas com tetos semi-tapados por camisolas molhadas. agora têm que terminar as concentrações com, imagine-se, raves ou tendas electrónicas e mais não sei o quê. ora acreditem, mesmo numa zona cuja topografia é bastante acidentada, mesmo assim, temos que apanhar com pum-pum-pum-pum-pum que atravessa vales e montanhas mesmo a mais de uma légua (são cinco quilómetros, não precisam de ir ao gugâl) de distância, isto, refira-se, às seis ou sete da matina.
foda-se, só me faltava mais isto. quero dormir, caralho!

sábado, agosto 15, 2009

ferrari

ontem guiei um «ferrari».

não andava propriamente a sonhar com isso todos os dias mas caneco, um ferrari é sempre um ferrari.
infelizmente não era um ferrari de 4 rodas mas sim um de 2 rodas. falo na realidade de uma bicicleta, um ferrarizaço das bicicletas.
meu deus, eu acho que vi a luz. há qualquer coisa de extraterresre em guiar uma coisa daquelas.
se estou a exagerar no entusiasmo? é provável que sim.
mas reparem, a minha primeira (e única) bicicleta comprou-me o meu pai, tinha eu aí uns sete ou oito anos. era uma chopper azul (à porto, carago!), sem mudanças, daquelas que se podiam dobrar ao meio para facilitar o seu transporte, pesadíssima e que perdeu o assento, poucos meses após a sua estreia.
era daqueles estilo harley e o meu pai teve o cuidado de adaptar um tubo de canalizador num selim branco, comprado na mítica ciclo-areeiro, localizada naquelas arcadas dos edifícios do início da gago coutinho.
ora, devido ao seu peso excessivo, ao selim que me obrigava a pedalar praticamente em pé por não chegar em condições com os pés aos pedais e àquela horrível configuração do guiador era um tormento conquistar subidas com ela.

e o meu bairro tinha (e tem) a característica de estar cercada por subidas (ou descidas). além disso, mesmo lá dentro do bairro, havia umas subidas, digamos, de primeira categoria, como por exemplo a da sede do vitória.

poder-me-ão dizer que a subida da mira fernandes era uma coisa puxada, que a calçada - principalmente devido ao seu piso em basalto e ao constante tráfego automóvel - era também uma coisa complicada e até que quem se atrevesse a subir a do carrascal tinha que ter a sua dose de loucura.

mas friso, subir a silveira peixoto não era para todos. aliás eu arrisco a dizer que nunca ninguém subiu a aquela via.

ora, é com estes pressupostos - somados, eventualmente, ao facto de as minhas últimas experiências ciclísticas terem acontecido numa bicla «conquistada» nuns pontos de combustível e graciosamente cedida por alguém que prefere vê-la a andar por aí sob o meu rabo do que arrumada numa garagem - que eu peguei então na bicla do meu cunhado. o tal ferrari que referi logo no início.
cum raio, aquilo é tudo perfeito, simplesmente perfeito. caraças, a gente bota os pés nos pedais e tudo se encaixa. deixa de haver subidas.
eu às tantas estava a ver que tinha ganho 10 quilos de músculos nas pernas mas não, eram mesmo o raio das mudanças que funcionavam ali, pianinho, sem saídas de corrente, sem trec-trec-trec a roçar nos carretos, com a suspensão dianteira regulável para não andarmos aos solavancos quando subimos as ladeiras. é tudo mesmo perfeito.

e depois o peso. é pá, eu acho que a minha mulher tem talheres lá em casa mais pesados que a bicla. que maravilha!
não posso deixar de referir aqui os travões da menina. para quem passou dois anos - entre os meus 11 e os 13 - a gastar ténis porque os travões da roda traseira não funcionavam, obrigando-nos a entalar o pé entre o quadro e a roda para reduzir a velocidade, acreditem, ter uma bicla com travões de disco é, não só uma loucura, como também, no mínimo, bizarro.
andei nela umas meras duas voltinhas de 45 minutos cada. mas caramba, só o prazer de galgar subidas nela... e estou a escrever esta isto, páro, olho para trás e vejo, na mesma frase "prazer" e "subidas" e há realmente coisas que só acontecem quando andamos num ferrari!
e não, não vou referir nem marca nem modelo da bicla para não virem os eventuais comentários (ou emails) do costume a dizer que «não, não, máquina a sério é uma não sei quantos, por medida, com garfos de titânio ou lá o que é. mariquices, de quem quer - como eu - falar só por falar. como se não houvesse vários "escalões" de ferraris. como se eu dissesse que tinha conduzido um daytona ou um enzo e me viessem falar que o veyron mete os outros italianos a um canto.

são os mesmos comentadores que nos respondiam «ah, mas se fosse um ml63 é que tinha pinta!» quando relatamos que a gaja tinha a mania de nos deixar assapar com o ml350 do pai para as dunas do guincho, depois de nos pagar valentes mariscadas no muxaxo. ainda que lhes replicássemos que aqueles tetos valiam punham qualquer ml63 a um canto...

bom, vou-me calar!

quinta-feira, agosto 13, 2009

férias

tenho dificuldade em compreender as férias sem que as mesmas sejam com calorzinho. não digo caloooooor entendem? digo, vamos lá a ver, calorzinho, vale?

tenho dificuldade em compreender as férias sem que as mesmas sejam passadas em fato de banho e chinelos. nada mais que isto. qualquer t-shirt, para mim, já é um sobretudo.
subscrevo aqui, desde já, a minha enorme admiração - e desprezo - pelas pessoas que vejo nas revistas - que também (quase) só folheio nas férias- e que usam, imagine-se, calças (encarnadas, amarelas ou verdes), gel ou, quem sabe, saltos altos.
tenho dificuldade em compreender as férias sem que nas mesmas eu não engorde. não me lixem, preocupações com a barriga têm-se durante os meses de frio. agora no verão? no verão comem-se: gelados, chicha grelhada besuntada com maionaise com alho picado, cerveja até fartar, tintol até cansar, sestas enooormes, doces de envergonhar aquelas freiras enclausuradas lá nos conventos...

tenho dificuldade em compreender as férias sem que nas mesmas não dê os meus passeios de bicla. volto a frisar: passeios. coisas feitas francamente com prazer. não que não me canse e sue a fazer isto, mas é tipicamente um «quem corre por gosto...

tenho dificuldade em compreender as férias sem que nas mesmas não me perca nas revistas que a minha mulher e outras veraneantes ao meu redor compram as quais mostram pela 356ª vez a gaja que o roberto severo andou em tempos a comer em mais uma festa de verão.

tenho dificuldades em compreender as pessoas que passam pelas férias como se fingissem que estão a trabalhar.

quarta-feira, agosto 12, 2009

pergunta francamente inocente

serei o único português que ainda se recorda que no verão de 2005 os jornais e os cronistas diziam que «este benfica de koeman é muito superior ao de trappatoni»; que no verão de 2006 diziam que «este benfica de fernando santos é muito superior ao benfica de koeman»; que no verão de 2007 diziam que «este novo benfica de fernando santos é muito superior à versão do ano de 2006» passando a dizer, semanas depois que «este benfica de de camacho tem uma alma superior à do treinador português»; que no verão de 2008 «o benfica de flores iria inundar os estádios de futebol com um perfume de campeão»?
serei?
eu bem sei que a actividade jornalística só sobrevive com páginas encarnadas. não tenho nada contra, note-se. caguei para isso. ficaria, isso sim, bastante aborrecido se os jogos do meu clube só tivessem, digamos, uma porcentagem de «montra» idêntica, ou seja, uns meros, 35 minutos.
não estou a dizer que este não vai ser o ano do benfica, mas quando toca a comentários, opiniões, essas tretas, não era altura dos escribas começarem a usar aquela treta dos paninhos quentes e mais não sei o quê?

crítico

não sei, confesso, se me hei-de aborrecer - o termo correcto é ralar - a sério com certas coisas durante o tempo de férias.
mais a mais porque cada vez que o faço estou a gastar valioso tempo de internet da pen do meu pai.
mas pronto, cá vai: «não consigo entender muito bem a essência da crítica de cinema». ou seja, não consigo tolerar que quando uma pessoa está perante uma folha de papel ou um ecrã de computador em branco, o seu único fito seja: tenho que dizer bem ou dizer mal.
fui à dias ao cinema. ora este acto que há uns anos era algo corriqueiro mas sempre feito com uma valente dose de expectativa, tornou-se, nos dias que correm, num momento de «só lá vou se acho que não me vou chatear muito».
calhou ir assitir à projecção dum filme, realizado pelo provavelmente único realizador que eu gosto mesmo. ora, esta frase já carrega algumas tolices. primeiro porque está subjacente nela que eu sei o que faz um realizador. facto que obviamente não sei. depois porque é uma afirmação fundamentada na soma das partes, ou seja, com base nas visualizações dos seus anteriores filmes. até aqui tudo bem. porém, as coisas que eu gosto - e muito - nos seus anteriores filmes, não tenho a cereteza, confesso, se têm o seu dedo de realizador ou se são obra dos montadores, editores, directores de fotografia ou essas actividades que os filmes têm e que depois, nos óscares todas as pessoas se estão cagando para quem ganha o quê. assim como assim eu decidi que o responsável pelo facto de eu gostar do filme x ou y, não sendo pelo actor ou pela actriz, é o realizador.
na verdade há umas quantas coisas nos filmes anteriores do senhor que eu não encontro nos filmes de mais ninguém. quando fui ver este filme, agora, já não encontrei uma das características que me enchem as medidas. porém, encontrei outras. e, pronto, gostei. dei a noite como ganha.
outras pessoas comentavam este ou aquele actor. tudo bem, é um comentário lógico e expectável. a mim, os actores passaram-me francamente ao lado. nem me aqueceu nem me arrefeceu. e se não me arrefeceu já foi muito bom.
mas claro, valeu o dinheiro gasto.
caí porém no erro de ler, sem querer, confesso, «coisas» sobre o filme. felizmente li só depois. e há um denominador comum em todas as tais »coisas» sobre o filme, ninguém escreve tendo em mente que as pessoas vão ao cinema para se divertirem, distraírem, ouvir/ver contar umas história, etc... não há um único escriba que não use o seu espaço para cair naquele caralhinho de desatar a escrever como quem atribui notas a uma turma que acabou de fazer um teste de ciências da natureza. não entendo, confesso.
foda-se, cinjam-se a dizer «gostei»/«não gostei» disto ou daquilo. por que raio têm que desatar a cagar postas de pescada sobre a textura do argumento ou a solidez do desempenho do director de fotogtrafia? é assim tanto necessário?
eu entendo que haja necessidade de se escrever, de se encher a página, mas não exageremos. e muito menos, não se perca o fito de informar o eventual espectador que «iá, tem lá umas cenas fixes, umas metralhadoras que até parecem reais e até há uma altura em que as gajas se mamam uma na outra!»
por vezes perde-se o essencial. mas pronto, isto sou eu a exagerar, lá está.

sexta-feira, agosto 07, 2009

morreu o joão

não foi só na adolescência, como muito bem recorda o mike gayle no life and soul of the party, que os nossos interesses femininos se dividiam em gostos pelas molly's ou pelas ally's desta vida. ainda agora, olho para homens que conheci ainda putos chavalecos e, quando me apresentam a mulher (companheira, namorada ou essas coisas), fico logo com vontade de os interpelar «arranjaste uma molly? é pá, sempre julguei que eras mais ally?»

esta dicotomia é apenas um dos aspectos que são fotografias de quem tinha borbulhas na cara entre 1980 e 1989 que o john hughes tão bem decidiu mostrar no sixteen candles, no breakfast club e no pretty in pink.

parece que o senhor joão bateu a bota. temos pena. eu pelo menos tenho muita pena. até porque nunca mais voltaram a haver filmes como aquele.

ok, aceito que o joel schumacher também fez o st elmo's fire. mas, convenhamos, não é a mesma coisa. para mim, não é realmente a mesma coisa.





sexta-feira, julho 31, 2009

o rei do lexotan

percebemos que somos uns eternos proprietários de mundos desconhecidos quando, após decorrido um par de horas, já recebi uma mão cheia de perguntas acerca de minha eventual ida à missa do leonard cohen.

meus caros, cohen, até ver, só mesmo os irmãos cohen e mesmo com esses, nem sempre. a música e a voz do leonard cohen é seguramente das coisas mais soporíferas que a indústria não farmacêutica alguma vez produziu.

é uma valente seca!

o meu leonard cohen ficou morto, morrido, matado e enterrado, alguras no final dos anos oitenta quando também foram enterradas as idas ao quarteto por causa do tarkowski ou as sandes de clearasil para sanar as erupções cutâneas.

salva-se o facto do senhor senhor uma pessoa simpática e educada.

além disso, já não há cu - nem peida nem pacote - para aguentar a forma como as pessoas me questionam acerca da ida ou não à referida missa «foste ver leonard cohen?».

foda-se, mas haverá alguma directiva comunitária que impeça as pessoas modernaças de utilizarem artigos definidos?

ó que caralho! falam de músicos como quem fala de colheres de pau! desemparem-me a tasca, por favor!

quinta-feira, julho 30, 2009

sniff, snifff


já não me bastava o salvador do salvador dali, o uomo da trussardi, o photo do lagerfeld ou o new west da aramis agora chegou também a vez à armani?

pergunto, duma forma bem séria, quem foi a valente cavalgadura que retirou de circulação o city glam?

fit less

percebemos que não estamos em forma quando na aula de ginástica passamos mais tempo a olhar para o relógio e a contar os minutos que faltam para o fim do que a controlar os tetos do mulherio reflectidos no espelho.

quarta-feira, julho 29, 2009

bonny

sou dos que acham que o steve mcqueen (o melhor disco dos anos oitenta) não deveria começar com faron young mas sim com o bonny.

aliás tenho a certeza que muitas das desgraças que o meu mundo conheceu em 1985 se deveram ao facto de me ter chateado tantas vezes quando tentava acertar com a posição da agulha do gira-discos, ali na segunda cantiga do lado a.

porque reparem, logo após a bonny, vem a appetite, seguida pela when love breaks down, terminando o lado a com a perfeita goodbye lucille #1 mais conhecida pelos amigos como a johnny johnny.

por isso, se o mundo fosse perfeito, tinham passado o desire as do lado b para o lado a, eu diria, deixa cá ver, entre a when love breaks down e a goodbye lucille #1 e, com alguma arrumação, também lá enfiavam a horsin' around.

mas também não sou fundamentalista, se já não coubesse no lado a podia muito bem ficar no lado b mas no início. ou então, esperem lá, já sei. mandavam a appetite para o lado b dando então espaço suficiente para a entrada da horsin' around.

confusos? acredito. são desejos dum louco e como sabem não se devem contrariá-los.

resumindo e concluindo, lado a: bonny, when love breaks down, desire as, goodbye lucille #1, horsin' around; lado b: appetite e as restantes.

(para o povo que não sabe o que é comprar e pôr a tocar discos de vinil acredito que este post seja uma valente estupidez. e é. para todos os outros, admito que também o seja. e realmente é!)



há tanto tempo que eu não falava de bola


hoje é dia de liga dos campeões.

mas: a bola fala na felicidade do keirrison, o record fala no peixoto e o jogo fala nas costas dos cagões (ou nos cagões de costas ou lá o que é).

pronto, parece-me justo!

terça-feira, julho 28, 2009

las palabras de amor (ou um dia destes ponho o body language que eu também gosto muito)

as minhas experiências musicais, como vos é dado a perceber pelo que vai acontecendo neste blog de trampa, têm uns valentes paradoxos. os meus queridos rolingue pedras, por exemplo, têm discos tão, mas tão bons, como o exile on main street ou o black and blue e apesar disso o disco de que mais gosto é o undercover; o prince tem coisas tão giras como o around the world... e a minha paixão cai sempre no parade; e aqui os queen de quem eu já gostei mais - mas que adoro como quem adora a função renal que os ereteres têm o a night at the opera - têm umas coisas bem à maneira como o jazz mas de quem, vá se lá a saber porquê, gosto muito do hot space.

pela vossa saudinha, não me tentem compreender.



quarta-feira, julho 22, 2009

todo lo que hago lo hago por ti

como já lá vão aí uns 17/18 anos, já se pode gostar do waking up the neighbours sem acharmos que estamos a gostar de músicas foleiras ou aquilo é um rótulo que fica para sempre?


segunda-feira, julho 20, 2009

tenho saudades, confesso, do «portanto»...

e então do «pertantes» nem queiram saber!

isto tudo porque já não há pachorra para ouvir pessoas começarem frases com «é assim»
.

quinta-feira, julho 09, 2009

pernóxtxicu

- césar, eu já fumei um maço de cigarros, pode?
- não pode...
- diz a ela que está crescida, pode fumar à vontade. eu te dei a piteira, com a piteira filtra tudo.
- ahhh, mas fica pernóstico
- você só pega o ar das montanhas.
- com a piteira fica pernóstico.
- eu adoro aqueles picos altos ali em teresópolis...
- ... o dedo de deus...
- ... pico, pico boulevard

este video não faz jus a este diálogo entre o camargo mariano, o tom jobim e a "hélice" regina.



mas é o que se arranja. e não se arranja nada mal, não senhor!

terça-feira, julho 07, 2009

cultura pop

que ninguém se ofenda com a coisa, mas ando por aí a ler tanta letra, tanta palavra, tanto parágrafo, coisas tão apuradas, descrições tão precisas de tudo o que sucedeu ontem em madrid com o cristiano, gente tão revoltada com as emissões, com o tempo gasto pelas televisões que fico na dúvida: essa malta tinha o botão de desligar a tv ou de mudar o canal avariado?

eu por exemplo aproveitei para cagar - li mais umas 13 páginas dos relatos do comandante vasco moscoso de aragão (acabei há pouco no dentista) -, mudei o saco do lixo da cozinha - a tola da minha filha tinha despejado umas casacas de meloa lá para aquele espaço entre o balde e o saco de plástico e estava já a ficar um cheiro que não se podia -, e estive a fazer um refill a dois frascos muito apaneleirados, com uns pauzinhos e tal que exalam um cheiro porreiro a chá verde. um dos frascos está no meu quarto - não, a minha mulher não. sou só mesmo eu que cheiro mal de noite - e o outro está na casa de banho.

ahh, compreendo, estavam só à espera para verem as imagens da tomada de posse do novo ministro da economia. ok, pronto, já percebi! era realmente um tema porreiro.

e não, isto não nenhuma indirecta, directa ou abordagem a tema algum. até porque eu já não consigo fazer directas e abordagens faziam os filibusteiros.

intervalo grande

se eu tivesse que responder, com sinceridade, àquelas incansáveis provocações que nos fazem quando chegamos aos entas

nada muito diferente das que nos fizeram quando desatámos a
trintar por aí fora

aquelas coisas do «e então, como é ter quarenta anos?» eu diria que ter quarenta anos é ter patine na saudade.

assim como os prédios da almirante reis sempre tiveram patine

noutro dia reparei que os das avenidas novas, agora que nos aproximamos a correr do fim desta década do novo milénio, começam a ter também patine de boa casta nos alçados frontais


também nós olhamos para as nossas saudades mais remotas, com aquela coisa boa de lá encontrar paredes com vestígios de mais de vinte anos, assim como as paredes com camadas sucessivas de cartazes das festas do avante ou dos concertos de apoio à libertação do povo oprimido pelo general noriega.


se aos trinta eu verificava que aconteciam com bastante frequência frases iniciadas com as palavras «lembro-me, há vinte anos...», aos quarenta, tenho a felicidade de reencontrar pessoas que não via há pelo menos, os tais referidos «há vinte anos».

e sucedem-me com uma velocidade estonteante esses reencontros: há dois anos foi a fantástica reunião de colegas duma muito gira turma do meu rainha dona leonor; há uns meses marcou-me muito um valente simpósio gastronómico em casa da minha única prima carnal

gosto muito de dizer «primos
carnais»

aqui do meu lado jaime, a «tal» prima que todos nós tivemos, temos e teremos;

gosto tanto de tua pinta, pá!
;

no meu 40º aniversário recebo um telefonema duma ovelha transviada que abandonou há uns 18 anos um rebanho muito porreiro; desde há uns dois anos, ou coisa que o valha que me ando a empanturrar com valentes comezainas nuns encontros muito aprazíveis

não penses que os caracóis de ontem fazem esquecer o leitão. e aviso já que não te armes em caçador gabirú, a apanhar estorninhos com pescoceiras armadas lá no terreno para nos servires passarinhos com arroz. estou para aqui a falar e se calhar nem sabes o que são pescoceiras. nahhh, deves saber!

com gente da velha, velha, velha guarda; há uns meses foi uma mana que esteve guardada uns oito anos, precisamente para me saberem melhor uns reencontros valentes, acontecidos já neste ano que andamos a percorrer; são histórias atrás de histórias.

e se o facebook (ou o hi5 ou o raio que o parta) é o novo suplemento dos classificados com anúncios a reencontros do batalhão de combatentes destacados no uige de 1968 a 1972, então juntemo-nos ao facebook que não vem daí mal nenhum ao mundo.

e eu ando para aqui a engonhar, com este texto nitidamente de «ir ao cu» e nunca mais chego ao que interessa.

falei ali atrasado numa turma do meu querido rainha dona leonor. foi uma turma criada ali por volta de 1986/87 ou coisa que o valha, gente já com bigode rijo e tal, pessoal que já tinha arrumado os lusíadas - cheios de desenhos grafitados de adamastores com palas à pirata e bigodinhos hitlerianos - na prateleira mais alta e andava agora na livraria da fundação gulbenkian, lá na cave, armados em finos e carapaus de corrida, feitos parvos a comprar o pesadíssimo jansen. mas tinha mesmo que ser comprado...

pois, agora falo-vos de uns cromos mais difíceis.

começaram timidamente; este adicionou aquele, que descobriu depois aqueloutro e mais não sei o quê e quando demos por ela, estavam umas pessoas que já não se viam há uns vinte e tal anos a coleccionar almoços à sexta-feira.

e desses almoços de 48 minutos cada, partimos para o patamar da jantarada.

mas aqui já é preciso sorte. da mesma forma que havia sempre um tanso que tinha mais lata e paciência para os aspectos logístico-escolares e que apanhava com o frete de ser o delegado de turma, também aqui há uns (e umas. calma, não atirem pedras) que fazem os favor de nos oferecerem de presente: folhas de excell com relações de alunos, contactos telefónicos, messengers... e que marcam mesas em restaurantes, organizam contas, falam com empregados de mesa e coisas assim.

depois há gente, nitidamente mais parva (não tens outro nome, meu querido engenheiro) que enfia em sua casa, uma dúzia de bêbados e barulhentos cotas, carregados de paletes de cerveja, sacos de gelo e uns cd, para evitar que os plateaus desta vida ganhem uns trocos com um bando de cantores de karaoke.

este post, como a maioria das coisas deste blog, é obviamente escrito com um (uns) destinatário(s) na parte da frente do envelope.

é assim mesmo!




madrugada de domingo, no regresso a casa, transportando comigo muita emoção boa, uma valente cólica renal e um ensonado advogado, comentava com este último, como é bom ter andado na escola com pessoas tão diferentes que chegam, depois, aos quarenta e ãs, comportando-se duma forma tão homogénea e pateta. como é bom ver chegar à nossa beira, esta ou aquela pessoa que já não vemos há tantos anos, darmos um abraço, soltarmo-nos num repente e disparando para o outro um «vais tu ou vou eu pedir duas tulipas ali ao balcão?» assim, como quem diz «vai-me ali à mirita do bar e tira-me uma senha para um bolo de arroz, enquanto vou num instante ao wc passar o meu kispo por água, que o cabrão do augusto mandou-me com um torrão de terra com tanta força que até parecia que me partia o ilíaco.»

não me apetece (se calhar até apetece) estar para aqui a reflectir muito sobre a noite de sábado. sei é que fiquei com a sensação que tinha estado de novo, num dos intervalos da escola. no grande, no de quinze minutos. é isso, para mim, aquilo foi o intervalo grande.

e eu espero que a minha filha nunca nunca leia esta parte - tenho a certeza que se está cagando e andando para isto - mas para a sua formação mais lá de dentro da ialma preocupa-me mais que ela chegue aos 35 ou 40 anos com o espírito de saudade e reencontro que o pai e os seus amigos de escola têm, do que ter passado os anos todos, cheia de: boas notas, irrepreensíveis comportamentos disciplinares ou folhas de avaliação pejadas de «assíduo e pontual»

(gostava de ter exagerado com o que escrevi nesta última parte, mas estou ainda tão emocionado com aquilo tudo de sábado que por enquanto é assim que fica.)

dê, dê, dêdêredê
dê, dê, dêdêredê
dê, dê...




(só deus sabe porque carga de água, onde está a maria, está um bando de gajos todos augados à volta.)

quinta-feira, julho 02, 2009

roy orbison singing for the lonely

quem cresceu sob o livro de horas do thunder road, sabe que haveremos sempre de imaginar os lonely a receberem cânticos do roy orbison.

e se já não tínhamos idade para ouvir as coisas do roy orbison, também ainda não a tínhamos para encaixá-las noutros momentos da nossa vida. provavelmente, já nem sentido faria até, convocá-las, precisamente para serem bandas sonoras do que quer que seja da nossa vida.

mas por outro lado fazia sentido que naquele filme em que a screen door slams, e em que como numa visão ela dança ali sob o alpendre ao som do roy orbison. não éramos apreciadores da sua música mas respeitávamo-lo porque os que amávamos gostavam da música dele.

alguras no final da década de oitenta, o t-bone burnett, decidiu reunir um bando de compinchas e pô-los a trabalhar para o roy orbison. chamaram-lhe a esse evento «a black and white night». estão lá todos os que eram preciso estar para homenagearem o grande roy. dentre eles destaco obviamente a bonnie raitt, uma moça, justamente (por mim) considerada o melhor malho do rock and roll. bom, mas não estou para me maçar em vos contar o que por lá aconteceu. simplesmente gosto e é bonito ver alguns dos «donos de palco», recuarem dois ou três passos e baixarem um pouco o volume da voz, para a festa resultar melhor.

trago aqui este dream baby porque... ora, porque escolhi uma em que o springsteen (braço direito lá do roy neste concerto) faz um valente papelão.

eu imagino como é que ele se estaria a sentir nesta noite.

muita atenção ao que acontece durante os sete segundos a partir dos 3:00 minutos!

(é um dos 3 melhores dvd da minha humilde colecção)

respeito!



quarta-feira, julho 01, 2009

igordutes!

fico a pensar, seriamente, no que que de grave se terá passado em criança, com os adultos que preferem iogurtes natuarais aos de frutas.

seca de morte (passe a expressão, por favor)

depois (depois uma ova, durante!) da seca que tenho andado a apanhar com a morte do máááááááíchaaaaaaaaaaaaellll, peço encarecidamente a deus que madonna, o thom yorke ou o chris martin, não morram nos próximos tempos.

porém, solicito, por exemplo, ainda ao tal referido deus, que faça o favor de re-matar, sei lá, por exemplo, o marc bolan.