domingo, janeiro 13, 2008

mola na ponta e ponta na mola

aqui há atrasado o dê éne apresentou um artigo sobre o erotismo na literatura portuguesa. lá vinha um grupo de escritores justificar porque é que era piroso e risível escrever sobre sexo em português.

e eu até concordo com a coisa. em português de portugal, é realmente mato encontrar-se trechos supostamente erótico-pornográficos (o termo é meu) sem que nos desmanchemos a rir logo de seguida. sucedeu-me isso quando li o equador, aconteceu-me quando apanhei um trecho do rodrigues dos santos (um gajo que eu gosto na tê vê, diga-se de passagem, mas de quem, atenção, nunca li rigorosamente nada) e recordo, com pouca clareza dumas partes da margarida pinto que eram francamente más.

sinceramente, eu julgo que os escritores tratam este tema da mesma forma que a maior parte dos portugueses o trata. ou seja, falam de sexo como quem fala de amor e, por isso, são capazes de descrever retanchadas com frases como: "lá encontrei a fernanda, uma ex-namorada, estivemos um bocado à conversa e tal, mas quando demos por ela, estávamos ali nas traseiras do aeroporto a fazer amor dentro do corsa dela"; "o hugo manuel não é lá muito bom de cara, é meio estrábico e tal, mas quando se mete a fazer o amor comigo, minha cara, aquilo faz tremer o apartamento todo". quanto muito, na intimidade duma amizade, lá sai um "ele enfiou-me lá o seu.... o coiso sabes, aqui na minha, aqui na ..... na gaveta compreendes.... e às tantas aquilo começou a fazer aqueles barulhos com o ar a fugir-me por entre as pernas.... uma vergonha, pá!"

o que pelos vistos parece que ninguém faz (fazem mas como se fosse pecado) são: bicos, punhetas, trombadas e canzanas. isso, meus amigos, não se pode dizer, muito menos escrever. pior ainda, passar para o prelo.

diz a margarida pinto que não trava nada quando escreve, tentando contudo, não cair na vulgaridade. eu tenho para mim que o que mais abunda na literatura portuguesa é mesmo a vulgaridade. é estranho mas é verdade.

exemplifiquemos:
primeiro uns trechos do codex 643
"quando um dia for casada e tiver um filho, vou fazer sopa de peixe com o leite das minhas mamas."
"uma erecção gigantesca a formar-se nas calças de tomás. (...) lena tirou todo o seu seio esquerdo para fora do decote de seda azul (...) aproximou-se do professor; em pé, ao lado dele, encostou-lhe o seio à boca. tomás não resistiu. abraçou-a pela cintura e começou a chupar-lhe o mamilo saliente."

agora uns trechos, por exemplo, do nelson motta,
"seu pau parecia que ia estourar dentro da cueca, a mão de carol puxou-o para fora e enfiou-o entre suas coxas. (...) bombril encostou na borda e carol tentou montar seu pau (...) a água clorada entrava nela e lavava o lubrificante genital (...) e gemeu de prazer. (...) carol abriu bem as pernas, com a mão conduziu o pau para sua buceta. (...) bombril ofegava, carol sentiu um jato quente lhe invadindo e bombril estrebuchando nos seus braços"

simples, não?

outro exemplo:
primeiro o manuel arouca:
"puxa-me. Começa a despir-me. Estou de pau feito. Despe-se. Beija-me o corpo todo. Sinto prazer. Ela é minuciosa e terna na forma como me acaricia. Conduz-me para dentro dela. Sinto o seu corpo quente, flácido, trémulo. Movimenta-se com prática, de maneira a eu estar permanentemente excitado. Vem-se. E agradece-me, agradece-me muito."

voltemos ao motta, num outro livro:
"era demais: meu pau parecia que ia estourar dentro das calças. (...) mara era totalmente depilada, lisa, macia, como senti quando minha língua veio deslizando por seu um bigo, descendo pelo seu ventre e por sua virilha e lambendo a sua buceta molhada, pelos lados, por cima, por dentro, sentindo-a inchar em minha boca.(...) me cavalgava, para frente e para trás, para os lados, para cima e para baixo, como se fosse ela que metesse em mim, cada vez mais forte, mais fundo, até que gozou de novo e vendo-a gozar também explodi dentro dela."

há dúvidas? posso eventualmente estar a cometer injustiças com os exemplos que apresento. além disso, não leio tudo o que sai para as livrarias. contudo, não vejo grandes diferenças, para melhor, nos livros que vou observando por aí.

no brasil, a coisa parece que é escrita como se faz, com força na verga. não digo que em portugal se foda pior. eu digo é que em portugal se descreve as fodas pior. ou então, descrevem-se as ditas cujas sem ponta nenhuma. uma cáca.

e olhem que não chamei à liça o jorge amado. não se justificava. esse está acima de tudo o resto.

cuspo

a maior parte da minha educação culinária foi alicerçada à base de sopa. nada dessas mariquices de prato, colher e guardanapo no colo, mas mais ali, no duro do beiço na malga e manga a limpar a boca.

tive de tudo: em momentos de aperto (aperto "horário" que lá em casa nunca se passou fome de sopa) a clássica maggi e, quando a coisa era feita com tempo, valentes salganhada com aquelas sopas espessas, grossas e pesadonas. normalmente a coisa era sempre feita com sopas deste último grupo, coisas em grande. do tipo de sopas que se lhes mergulharmos uma colher, esta fica ali, de pé, orgulhosa e sem tombar.

agora, parece moda, pelo menos ali para os lados do colombo, falar-se em cuspir na sopa: o jesualdo responde aos insultos duns energúmenos e o nuno gomes diz que não se deve cuspir no prato da sopa; o hugo leal foi para espanha e o vale e azevedo logo veio falar em cuspir na sopa; o veiga manda umas bocas e o rui costa diz que não se deve cuspir no prato da sopa; o maniche disse um dia que a família era sportinguista e logo aquele sócio barbudo veio falar na sopa......

portanto, por tudo e por nada se fala na sopa.

muito habitual, desta vez não lá para os lados do colombo é dizer-se: "ah e tal isso ele já não se recorda, mas fui eu que o tirei da sarjeta"*

e eu juro, eu deliro com estas palavras. deliro porque normalmente quem as diz não tem razão rigorosamente nenhuma para dizer estas coisas. há excepção, talvez, do mantorras (e mesmo assim, não sei), que eu me recorde, não há ninguém na luz que ande a ganhar ordenado sem trabalhar.

eu gostava de saber a partir de quando é que podemos criticar, mandar bocas ou parar de bajular um ex-patrão? e um patrão?

quer-se dizer: um gajo anda ali a trabalhar, a dar no duro (ou não). para isso recebe o devido salário no final do mês. se as coisas se passarem assim, temos de andar o resto da vida de boca calada sem fazer uma única crítica. já o patrão, esse, pode dizer o que quiser do seu funcionário.

há uns vinte anos, numa leve conversa com um antigo patrão, distraí-me e
sem imaginar que iria magoar alguém, disse que o cavaco deveria abolir a taxa da televisão ou, mantendo esse imposto, retirar a publicidade da tv. ele, uma das pessoas que tiveram o azar de passar pelas consequências de ser recambiado de moçambique para portugal após a revolução, passou, desse dia em diante, a chamar-me guevara e a boicotar-me todo o trabalho que eu diariamente fazia: "não meu guevara de quintal, está mal feito, torna a fazer de novo."

ou seja, para os olhos das pessoas que falam em "cuspir" lá para os lados da luz eu devia era continuar o meu trabalho de palas asininas nos olhos sem bufar nem tugir. compreendo, compreendo...

é que dá a ideia que o viera ia ali pelos anjos, quando ao passar na sopa dos pobres viu o veiga na fila e disse-lhe: anda daí que eu dou-te um caldinho lá no estádio. com o jesualdo foi a mesma coisa: estava sem treinar e tal quando um punhado de benfiquistas lhe disse "olha, ó manel, não penses mais nisso, toma lá um pacote destes, pede lá à tua zulmira que aqueça um tacho de água e é só deitar isto lá para dentro." será isso que lhes passa pela cabeça?

confesso, não sei o que se passa nas cabecinhas destas pessoas.

* há testemunhas que me viram a tirar duma sarjeta, um nobre figura do jet set nacional. estava a abarrotar de álcool - e outras substâncias que não pude comprovar - e jazia, sorrindo e babando-se, sobre o ferro frio da grade que cobria a referida sarjeta. peguei nele, dei-lhe uns pares de estalos e, como não reagia, deixei-o encostado a uma árvore. fui profundamente censurado pelos restantes companheiros da noite, não pelo acto de o ter retirado da retrete mas por não lhe ter palmado a carteira ou comido o prói.

quinta-feira, janeiro 10, 2008

valle?




uns primos da minha mulher têm um valente casebre em sintra. uma coisa rasca com uma vista para o mar, para a pena, para o castelo, para a quinta da regaleira e tal. uma coisa do mais reles que há, coitadinhos.... uma chatice, é o que é.

às tantas decidiram rentabilizar a coisa e toca de alugar os quartos lá do tal casebre.

tudo bem, tudo bonitinho, tudo autorizado e tal. tudo nos trinques como manda a lei.

nome?

- então oh manel, e que nome tem a casa?
- casa do vale. mas com dois éles, é valle!
- é pá, mas isso é um bocado pernóstico, não é?
- não, o que se passa é que vale, em finlandês - a mulher é finlandesa e alguns desses hóspedes vêm lá de cima da escandinávia - significa mentira. e então contornámos a coisa, acrescentando-lhe um éle. dá uma certa cagança mas que se lixe.

e eu fiquei a pensar que realmente, esta coisa da palavra vale ter o significado que tem lá para os finlandeses, está intimamente relacionada com a frase que o manuel vilarinho disse ao senhor joão*, no célebre debate na sic: "o doutor vale e azevedo tem uma relação incompatível com a verdade!"

pudera, com um nome daqueles! vale?

* forma carinhosa que o guarda do carro celular que conduziu o vale e azevedo ao tribunal disse quando lhe abriu a porta para ele sair: vá, saia lá depressa, senhor joão.

cól gârls


há umas semanas a sábado trazia uma reportagem sobre putedo fino. em linguagem técnica cól gârles.

e de repente, todo o mundo se pôs a ler a referida entrevista (reparem que foi dos números com maior sucesso da revista). à minha beira, eu, com estes ouvidinhos que a terra há-de encher, ouvi comentários diversos (de mulheres, principalmente de mulheres) como:
- elas levam milhares de contos...
- chegam a ter de ir para o estrangeiro, para a arábia...
- então não é que há algumas que até têm cursos superiores?
- aquilo não são gajas de andarem agarradas à droga, aquilo é tudo gente de universidades e tal...

a ausência de comentários masculinos à coisa tem origem no facto de nenhum ser, nenhum ente do género masculino se admirar com tais reportagens nem faz, portanto, este tipo de observações.

porquê?

ora bem, para já porque o homem vai ao putedo para dar umas valentes retanchadas, certo? nem sempre.

o homem também vai ao putedo, também paga, não pela cambalhotas que ela faz mas sim para a mandar embora.

"tudo bem minha menina, faz lá a espanholada que tens a fazer, limpa bem agora isso dos olhinhos e vai-te lá embora."

ou seja, a principal parte da maquia que entrega à catraia, serve para o acto supremo da ida ao putedo: o baza daqui para fora!

adiante!

depois temos outras questões: a qualidade da peça. recordo-me de aqui há atrasado, estar a conversar com um gajo que era dono de um tasco valente ali para os lados da sé e que tinha sido escanção no ritz. perguntava-lhe se um vinho de cinquenta contos era dez vezes melhor que um de dez contos ou 20 vezes superior a um de cinco contos. ele riu-se...

com o putedo também me ponho a pensar: mas que raio farão as mulas de mil contos que as de vinte ou de dez não fazem? será que elas usam algum truque secreto com a língua, assim, à volta da tolinha do nabo dum gajo? será que há segredos, assim ao estilo da linhagem maçónica que elas guardam? será? será que têm um catalisador especial na epiglote que limpa e filtra o leitinho?

ou será porque afinal, além de serem boas nas horas, são umas tipas com um palminho de testa e que afinal são é espertas e cultas e mais o caralho a sete?

é que se afinal os sheiks do dubai que pagam a estas mulas podem ter o gajedo que lhes apetece, quando lhes apetece, mandar embora, no fim da coisa, o gajedo que lhes apetece, então...

... então quer dizer que afinal o grosso do arjã, do graveto, que eles baldam ali no final do trabalho, serve para pagar a cultura das meninas?

mas afinal, isto deita por terra a fantástica teoria feminina que os homens querem gajas para foder. mas... mau!.... mas então afinal a gente quer é meninas "com esperto nos cabeça"?

será?

e será que nenhum homem se admira com esta conclusão?

oh diabo! malditas cól gârls! andam a destruir as filosofias das rebelos pinto que cada mulher guarda em si.

sacristas!....

quarta-feira, janeiro 09, 2008

o meu carocha

ó caladinho, tenho me esquecido de comentar contigo aquela cena daquele piloto de formula um (ou terá sido um jogador de futebol? não me digas que era uma estrela pop? ai, que eu sou tão mau nestas coisas, pá....) que foi catado pela chibaria a duzentos e tal quilómetros por hora. sabes do que falo? é uma notícia já com umas semanas... não deste por nada?

o gajo depois até justificou a coisa, desculpando-se com a frase: "estava a ver até onde é que conseguía ir com aquele motor. queria ver quanto é que aquilo aguentava."

imagine-se!

não esperava era que os senhores fardados andassem ali de radar em punho e depois, tunga!

se era para ver até onde é que aquilo ia, bem que podia ter-se ficado por este videozeco. já conhecias? é o motor do carocha de 1968 do meu pai. neste dia levei-o para o autódromo, desmancheio-o todo, pus-lo em cima duns cavaletes, espetei-lhe umas velas novas e dei-lhe gás.

repara bem como ele se comporta. nestas imagens está lá todo o pessoal. aquele logo de início com a perna traçada é o roberto esferográficas, um bacano. é ele o craque da mecânica lá do bairro. vê-se também o meu tio zacarias a passar dum lado para o outro de telemóvel na orelha, todo chateado porque estávamos a fazer um escarcéu dos diabos.

bem sei que é foi um bocado brega, mas no fim acabámos por bater palminhas. aquilo aguentou-se bem. material alemão está bem de se ver, não é?

tu biste o fogo que aquilo largava? fuoooooogo!

como disse o meu primo paulo, certo dia em que viemos da freixeda na carroça, sempre sempre a picar a mula: vínhamos tão depressa que, se quiseres, podes chegar com um cigarro ali ao pé das rodas qu'inté o consegues acender!


terça-feira, janeiro 08, 2008

tabaco

não sou capaz de dizer muito coisa sobre a lei do tabaco.

eu só sei é que agora, quando vou às jantaradas com os meus amigos, vou ter saudades do cheirinho do cigarro ou da cigarrilha que me entra pelas narinas. era o meu único cigarro. eles fumavam, eu snifava os restos.

tudo o resto são exageros. confesso, não me incomoda. já me habituei a isso.

quando fumava, achava que não era capaz de dançar sem ter as mãos ocupadas: uma junto ao coração segurando o copo e a outra segurando o cigarro, enquanto se agita o braço a fingir que estamos a malhar na guitarra. quando deixei de fumar continuei a abanar o braço mas sem o pirilampo do cigarro a iluminar o baile. não espero deixar de beber. se deixasse, deixava também de dançar.

tem lá algum jeito dançar com as mãos livres?

gosto mais...

... desta guerra entre o luisão e o katsouranis do que a do vieira e o veiga.

quem jogou à bola, mesmo na rua com as balizas construídas com duas pedrinhas do passeio ou dois calhaus da calçada, sabe que guerras destas acontecem. atire a primeira pedra quem nunca disse: - foda-se, estás sempre à mama, caralho!

por isso até "perdoo" estes empurrões e os dedos a fingir pilinhas. fizeram, merda, foram tomar banho mais cedo, tenho a certeza que do último treino desta semana já estarão a mamar canecos num tasco qualquer do seixal (espera, acho que só o luisão é que bebe, não é? pronto, o grego bebe um frutol.).

o que me tira do sério é esta guerrinha entre o veiga e o vieira. nem um tem categoria para ser presidente nem o outro tem autoridade nenhuma para mandar as bocas que manda.

confesso, fazem-me rir. rio-me com eles da mesma forma que me rio com o pinto da costa (o do antigamente. agora anda mais fraquito), com o gajo do nacional, com o major, com o vale e azevedo, com o guarda abel.

fazem-me rir, pronto.

p.s.: que me perdoem os benfiquistas, acreditem numa coisa, sério pá, não foi o benfica de trapattoni que foi campeão, foi mesmo o porto que se esqueceu de o ser. aquele campeonato, meus amigos, foi cagar a rir.

segunda-feira, janeiro 07, 2008

hoje apetece-me

eu não sei onde é que o pedro silva leu (ou ouviu. ou sonhou) que os jogadores do porto andavam a fazer declarações como se já fossem campeões garantidos.

mas a verdade é que também não é preciso. eu vejo é que os jogadores de todas as outras equipas fazem declarações a dizer que o porto já é campeão garantido.

eu, mesmo com esta descarada vantagem, sem o anderson, não consigo ainda vê-los como campeões.

quando o benfica ganha...

... e os clubes que estão acima ou abaixo perdem, as manchetes do record e da bola dizem: seis (ou sete ou 5 ou 4, como for) pontos ganhos na luta pelo título.

hoje, permitam-me a minha manchete: porto ganha doze pontos ao seus mais directos adversários.

(pronto, contabilizei até ao braga!)

e não os podemos esconder?

a grande diferença entre os 9 milhões do cardozo (gosto imenso de ouvir o pessoal dizer cárdoso) e os 3 ou 4 milhões do farías (gosto imenso de ouvir o pessoal dizer fárias) é que, como vai jogando, nós percebemos que ele não vale realmente 9 milhões.

por outro lado, não jogando o atacante portista, ficaremos sempre na dúvida se o gajo não vale um boi ou se simplesmente não faz sentido tirar o lizandro (gosto imenso de ouvir o pessoal dizer lópéz) para a ala, estando por lá o tarik (que é realmente igual ao rui santos) e o quaresma.

sexta-feira, janeiro 04, 2008

tó quim

o tó quim, irmão mais velho do meu coleguinha joão "marreco" paulo, era conhecido lá no bairro pelo magnífico nome de cacholas.

havia algumas variantes, é certo, como: cabeças, tó quim cabeçudo, monas, etc...

entre outras actividades que o rapaz exercia, conta-se a de excelso mecânico/bate-chapas a oficina do horácio.

nos fins-de-semana, ou melhor, ao domingo, dia do senhor, era sua função, na distribuição das tarefas do nosso grupo de acólitos da fabulosa igreja paroquial do espírito santo, ser turiferário ao paço que eu ficava com o não menos supimpa título de ministeriante dos livros.

um dos acólitos do nosso grupo, um valente amigo do bairro da guarda, chegou-se um dia à minha beira, lá no altar, por alturas do kyrie e segredou-me as sábias palavras:
- a mona do tó quim tem um quê de tolan, não tem?


e aqui estou eu, em 1980, junto a tão saudosa peça metaleira, devidamente estacionada em frente ao cais das colunas.

point do ivan


é que desde que tu me viste com a conversa do point do ivan que não me consigo concentrar em mais nada.

e se deixarmos de comer durante uns 3 meses para pouparmos carcanhol? ficávamos elegantérrimos e, se calhar, até dava para esbanjarmos uns dias porreiros a roer umas espetadas de queijo ou de camarão.

ai tu não gostas, pois é. olha, comia eu então, pode ser?


piauí

a marina de vilamoura tem uma loja de revistas bestial. compreende-se, com tantos bifes a passar por ali é natural que certas revistas (sim, estava lá a top gear, a empire (vem aí o indiana 4), a q e até perdoo não terem a fourfourtwo) tenham mais saída e que por isso as ponham à venda.

o que não estava era à espera de encontrar a piauí brasileira. vi, peguei nela, folheei, gostei e comprei. era o número de julho mas, também, isso não interessa nada, não é?

se virem comprem. entretanto, vão lendo umas coisas aqui.

mostro a revista aos meus amigos e lá lhes digo que este número era de há seis meses. a forma subtil de me chamarem burro foi sublime:
- mas, só sai uma vez por ano, é?

chareque três

no midia marquete o pai tratava de trocar o comando avariado da televisão. a mãe andava a cata dum ou doutro dvd (ou cd) num eventual saldo manhoso. a filha deu de trombas com o chareque três nas tuvisões e, à falta de cadeiras ou poltronas, fez do chão a sua xéze longue.



mainada!



(a perna traçada tira-me do sério)

quinta-feira, janeiro 03, 2008

frigoríficos

tenho um amigo que decidiu sair da toca dos pais e tratar de ir viver sozinho.

até aqui tudo bem. comprou móveis, arrastou os amigos até ao ikea, apetrechou a sala com uma pleisteichan três e um éle cê dê. uma maravilha.

na cozinha, não falta a máquina de lavar a louça, da roupa (bom, na realidade este electrodoméstico ficou em casa dos pais. "nahh, a minha mãe lava lá na dela. é melhor") e o frigorífico recheado...

pára tudo! eu disse recheado?

recheado?

foi?

vejam bem com atenção e depois digam-me se isto está recheado?



bom, curiosamente eu acho que está. esperavam o quê? vodka, não? isso é muito forte, pá!



o que eu acho mais curioso é o facto de aquelas duas garrafas de sumo estarem lá apenas para enganar. é que nesse dia iriam lá entrar gajas e crianças. ficava mal dar cerveja aos putos, não é? já o queijo e o fiambre é mesmo só para disfarçar. deve ser uma cena maçónica ou coisa parecida. nem havia pão para acompanhar.

(ou havia?) (estou-te a desvirtuar, pá? se estou, desculpa.)


piquinhos na língua

que é feito das dentyne de canela?

não me digam que agora são assim?

quarta-feira, janeiro 02, 2008

pdi

pego num perfume e dirijo-me à caixa para pagar. enquanto faço o "verde-código-verde" faço-me descaradamente ao piso a umas amostras desta ou daquela outra marca de perfume. a funcionária, brasileira, gira, olha-me fixamente para a cara e diz:

- não, vou-lhe dar umas amostras deste creme.
- creme?
- sim, é para os olhos.

pego no mb, agradeço, dou meia volta e pego então nas amostras para perscrutar melhor a caixinha. reparo que as palavras "age fitness" estão assim, em bold. olho para um espelho e a luz fluorescente faz salientar os imensos cabelos brancos. olho para os meus olhos e, para mim, continuam a ser os mesmos de sempre.

pelos vistos não.

pronto, agora é que é. agora é sempre a descer. a partir de amanhã vou passar a tratar da minha filha com outro desvelo. afinal é ela que me irá escolher o lar de gimbras caducos para onde irei morar.

age fitness????? foooooda-se!

terça-feira, janeiro 01, 2008

balanços

nunca me dá para fazer balanços por altura do revilhão.
normalmente quando balanço muito fico mareado e vomito logo a seguir.

que piada tem em desperdiçar assim tanto jota bê?

10 anos

dez anos, onze reveilhões.

destes devo ter falhado com eles uns dois ou três. já me chateia quando assim não sucede. já nem sei se me habituarei a isso.

no deste ano, na praia dos pescadores da albufeira, recordei-me dum outro, mágico, em plena copacabana.

mas recordei-me de outros, de muitos outros: da minha primeira directa em 85; do tito albernaz a cantar comigo em tronco nu, a banda sonora do grande arrepio em 94; duma outra, talvez em 92, quando se arderam uma colunas de som; dum fantástico banho de mar - eu não disse mergulho, eu disse banho. estive de molho uns bons quarenta e cinco minutos, ok? - na costa, há precisamente dez anos; dum inusitado jogo de ping-pong, com o meu velho irmão alcides monteiro, cujas regras, adulteradas para nosso belo prazer, consistiam em conseguir acertar com a pequena bola em duas garrafas de sagres de litros que estavam a segurar uma fictícia rede. quem acertasse na garrafa poderia dar um gole de cerveja. às tantas decidimos aumentar de duas para quatro garrafas para enganar a estatística....; duma monumental molha à porta do muralhas na areia branca; dum frio siberiano na estação da cerdeira, à espera duma muuuuuito atrasada boleia para a ade; do whole of the moon há vinte anos, do thought i'd died and gone to heaven há uns quinze do el chato em todos eles e claro, do personal jesus* de noventa, a melhor passagem de ano de sempre e para sempre.

* e do why can't this be love, do who can it be now, do show me the way, do cocaine, do turn it on again, do she's a beauty, do airport, do dreams e, provavelmente do geno!


nokia, nokia, nokia is so far away*

noutros tempos o domínio era finlandês. e eu, claro, saia sempre descansado de casa porque, numa falha minha, alguém teria, de certezinha absoluta, um carregador para moi-même.

outros tempos, outros tempos....

o mercado agora anda dividido: samesungues, éle gês, noquias dos modernaços (de carregador com um jéque dos fininhos), sónis, motorolas... uma desgraça, uma desgraça...

nunca eu desejei tanto o monopólio como antigamente. saio de casa no sábado com um meia bateria no telefone, gasto-a numa interminável sucessão de chamadas com o dono da fabulosa villa** que nos iria acolher para o reveilhão e quando olho à volta não havia uma única pessoa com um carregador compatível.

faço uma última chamada para a sic para que transmitam a mensagem "solicita-se um dador de energia, compatível com o cinquenta e um quarenta i....." mas nada. foi um apelo infrutífero.

quatro dias sem telefone. quatro dias desligado do resto do mundo. quatro dias sem ésse éme ésses parvas de fim-de-ano. quatro dias sem mensagens boas dalguns que eu sei que se lembram de mim de caneco erguido nesta noite: outros tempos, outros anos, outros reveilhões***.

chego a casa e ponho-o a carregar. o meu pai tinha-me enviado um ésse éme ésse. (o meu pai??????. mas mesmo o meu pai????? um ésse éme ésse????? tá louco!!!) decidi acreditar que o outro viu mesmo um porco a andar de bicla.

* dito duma forma cantada, ao som desta canção.

** que não tinha água quente. que não tinha os manípulos do fogão a funcionar. que tinha as lâmpadas dos candeeiros a 23% da sua potência....
*** ó tito, tu lembraste de termos ido para a ala das camaratas antigas e ter cantado, assim, seguido, sem tirar, em troncos nús, este disco duma ponta à outra? foste (és) a única pessoa que sabia de cor a correcta sucessão das localidades lá da música da martha & the vandellas.