segunda-feira, abril 09, 2007

pininfarina



e eu chego lá na quinta à noite e vejo uma coisa verde-cueca a luzir lá debaixo do alpendre. aproximo-me e leio lá no quadro da ginga: pininfarina. hummmm, tu queres ver que tenho montada para atacar as veredas e os montes pela manhã?

e assim foi, dia sim dia sim, peguei nela e lá fui fazer a minha voltaça matinal. uma coisa soft, 16 quilómetros, ali, sem grandes exageros, a curtir a paisagem, a parar para ver perdizes (enormes, quase faisões) cabras, ovelhas, vacas, cães, gaios, melros. um show.




amei. seguramente, os momentos altos desta páscoa.

a bicla não é igual a uma scott que montei há uns 4 ou 5 anos. não tem nada a ver com uma bianchi que namorei (e namoro) durante muito tempo. mas dá para curtir bem a coisa. tinha uma caixa muito desaustinada, mas uns travões que pareciam garras.

quero mais.

e vou ter.




incongruências





abrantes é das terras mais feias que eu conheço. não me refiro àquela fealdade tipo brandoa, tipo venda das raparigas ou baixa da banheira. não, refiro-me a uma feiura, assim, feia, pronto. e no entanto eu passo por lá e imagino a traição que teria de fazer à minha opinião caso me apaixonasse por alguém de lá. começava a ir lá uma vez, depois duas, três vezes. depois vinham as amizades – há sempre pessoas boas em todos os locais do país – depois vinham as patuscadas, depois vinham os copos, as histórias e quando desse por ela, estaria especado em frente à tabuleta da terra a dizer:
- gaita, como é que foi possível eu ter passado a gostar de ti.

com algumas músicas, filmes, séries de televisão, livros, jogadores de futebol, sei lá, tanta coisa, sucede o mesmo. até prova em contrário, eu julgo que a melhor campanha de marketing é o amor. a segunda melhor é a amizade. a pior campanha é com certeza o ódio ou talvez, sei lá, o ciúme.

digo isto porque apesar do resto das coisas dos cabecinhas de telefonia, o creep é uma música que eu adoro porque ela também gostava; o escuta zé-ninguém é um livro que eu gosto – ou pelo menos gostava, pronto – porque ele também gostava; o tumulto das ondas do mishima estava-me a parecer um livro vulgar até ao momento em que ela me leu em voz alta duas descrições duns crepúsculos como só o mishima consegue contar; o “só pra dizer que te amo…” era uma estucha à moda antiga até ela ter carregado no play lá do comando numa manhã de junho em que estava muuuuito calor; o haven’t got time for a pain era uma coisa demasiado melancólica até ao dia em que a ouvi cantar duma forma realística e verdadeiramente melancólica; e até o el greco me parecia uma coisa sem jeito nenhum até o dia em que assisti, ao vivo, a uma lição de pintura, ali, em toledo, mesmo ao lado do enterro do conde de orgaz; o fame foi visto na companhia dela, num sábado à tarde com chuva lá fora e; finalmente; eu passei a ouvir a música francófona duma maneira, vá lá, um tiquinho diferente, a partir do dia em que ele – que me chamava maricas e cabrãozinho com a mesma ternura com que me pedia um abraço, um carinho ou me escancarava as portas da sede do pcf - me traduziu, palavra por palavra o la quête cantado pelo brel.

é verdade que estive vinte anos sem conseguir ouvir o morrisey porque ele também gostava dele, é verdade que deixei de atinar com o pedrosa - que foi do salgueiral e da lagartada - porque era parecido com ele dela e é também verdade que tenho esperança de voltar a ouvir o robert smith - exceptuo o charlotte sometimes e o hanging garden, - de que desisti há vinte anos também, simplesmente porque toda a gente consumia os the cure.

é a vida.

desculpem, deu-me uma branca...

... já tinha feito referência ao anderson?

quanto tempo falta...

... para o renteria estar a jogar na académica, ali ao lado do pitbull?

se for preciso fazer este post todas as semanas eu faço. na boa

e o anderson?

foda-se!

quinta-feira, abril 05, 2007

hoje, de manhã...

...depois duma monumental birra que me fez subir as escadas 2 vezes (apesar de serem só dois andares aquilo custa cumó diabo) para a ir buscar, enquanto que as minhas costas faziam também a sua birra (quero um emplastro, quero um emplastro, quero um emplastro) a minha filha lá acalmou e sentou-se no carro. hoje, no carro da mãe.

e por ser no carro da mãe, lá fez mais birras:
- quero o carro do paaaaaaaaaaaaaaai!
- ó meu anjo, mas não vês que é o pai que vai guiar o carro da mãe.
- mas eu queeeeeeeeero!

passamos por um cão:
- paaaaaaaai, olha aquele cão!
- é lindo, não é.

(abro a janela, faço-lhe uma festa e ele lambe-me a mão)

- também queeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeero um beijinho do cão!

entretanto o bicho vê uma cadela toda boa e cheia de cio e corre para o outro lado da estrada:

- ai, ai, ai, ai, cãojito! não se atravessa a istada, tens de dar a mão. xó na paxadeira é que se pode atravessar
- é isso mesmo, filha.


- ó pai, o cão foi um ganda maluco, não foi?
- foi, filha, foi.
- nem olhou para os carros.
- pois foi.
- o cão foi um ganda maluco.

mais 30 metros à frente.

- ó pai, tu também és um ganda maluco. tu lembes o pescoço da cuca.
- achas? sou?
- xim! és muto, muto, muto, maluco! como o cãojito. xão (pausa) dois malucos.
- pronto, tá bem.

- pai.
- sim,
- tu não és maluco. és lindo.
- mas lindo de alma, de cara ou de corpo?
- lindo da bia.
- seja!

quarta-feira, abril 04, 2007

lupicínio e gonzaguinha

fico chateado quando as pessoas morrem. o que é que querem? é uma coisa que me chateia.


a cantora perfeita, a música perfeita

olha que dois

filme de terror

eram 7h30 da manhã (da madrugada, para mim), repito, eram sete horas e trinta minutos da madrugada e tocam-nos à porta.

olhamos para o relógio, tento raciocinar. não, a minha filha ainda não tem idade para andar na naite e esquecer-se das chaves.

caraças, mas o que é que será?

a minha mulher vai lá. é uma senhora a distribuir o jornal a dica da semana. repito outra vez: eram sete horas e trinta minutos.

e eu, comecei o dia a zangar-me com a minha mulher: não é que ela deixou escapar a tipa precisamente na altura em que eu me preparava para mandar um tacho, cheio de azeite acabadinho de ferver, pela janela fora, em cima dos cornos da distribuidora?

terça-feira, abril 03, 2007

as casas do pousão

conheci-o há 20 anos. de vez em quando metemos férias um do outro. as últimas duraram 10 anos.

que coisa mais parva, pá! não estavas já farto das férias?

temos um hábito parvo que é sermos amigos. irmãos. temos outro hábito parvo que é não sabermos travar conversas. ficamos ali a falar, a falar, a falar...

eu tenho para mim que todos os temas de conversa que temos armazenada e que ainda não foi
por nós aflorada, metem a encyclopaedia britannica a um canto. no mínimo.

ele não gosta que eu refira isto. diz até que é uma injustiça. eu como acho que o papel de justiceiro deve ser entregue ao knight rider e ao kitt, não me calo e afirmo que ele foi dos mais brilhantes alunos que eu já conheci. quis ir para o técnico e foi. andou lá de volta dos fusíveis, das tomadas e dos busca-pólos. sabe concerteza dizer para que serve o fio castanho e aquele, meio abrasileirado que é verde e amarelo. ainda assim, no décimo ano,
em vez de ir para outra área qualquer, lembrou-se de andar ali no rainha connosco, de pasta de pintor debaixo do braço, com lápis de grafite, papel canson, réguas enormes e merdas que tal, a desenhar máquinas de pastilhas, vasos e dummies. lembro-me de o ver informar uma professora de física de que tinha ido para a área de desenho (e não a de electrotecnia) para aumentar a sua cultura geral. nivel!

não me venhas com merdas, eras pelo menos o melhor aluno, vá, do bairro são miguel. não? pronto, então da antónio ferreira? também não? pronto, já percebi, eras um aluno de negas era? tenho de me chatear, tenho...

calha de caminho ser meu amigo. deu-lhe na veneta criar um blog. uma coisa de meninas, não é? a coisa estava a correr muito bem até ao momento que se lembrou de lá prespegar um elogio a este escriba. eu não fui de modas e criei este post.

mainada!

não é preciso ser-se muito inteligente para se perceber que estas atitudes mais abichanadas, de carinho para aqui e carinho para ali, não dignificam um homem.

mas pronto, chama-se pedro di napoli, não tinha grande finta mas gostava (gosta e gostará) do lc como eu.

se quiserem ser melhores pessoas, vão ler o que ele escreve.

é um senhor!

dragões

corre um boato que os super dragões estavam convencidos que a carolina e o malheiro estavam ali no primeiro anel.

é um boato, não é?

que se vão embora, pá!

o senhor josé pinto coelho do pê nê rê (cuidado, eles são cerca de 10.000 eleitores) quer pôr os imigrantes daqui para fora.

fiquei contente quando vi o cartaz do senhor. andava há um porradão de tempo a irritar-me com a dona odete santos e agora sinto que estou a mudar de azimute. de vez em quando é bom mudar de ares. irritemo-nos então com ele.

jpc, meu caro, tens pelo menos uma virtude: vejo com orgulho que tens aquele ar viçoso de quem vai acartar baldes de cimento para a construção do aeroporto da ota. olha e os joelhitos? ainda estão rijos? maravilha. esses teus eleitores são tudo malta que se põe de rótulas no chão, assim, de canzana a lavar escadas não é? porreiro!
é assim mesmo, pá! não precisamos deles, os kosovares que se vão embora!

duas notas apenas:
- ele quando falava na cena do "basta de imigração" e do "façam boa viagem" também de referia ao anderson? parece que então tenho de te dar um apertozito no escroto, meu caro. deixa, não custa nada. são só duas voltitas.

- esta coisa da democracia tem a sua piada, não é?

tempo

gostava de ter nascido noutra época. mas como sou um gajo dado a poucos vôos não daria grandes viagens no tempo. nada de idades médias, nada de belle époque, nada de iluminismos, a mim bastavam-me mais uns 5 ou 10 anos.

por outro lado, tenho receio de pensar que nesta altura gostaria do nursery crime, do close to the edge ou do in the court of the crimson king.

medo.

segunda-feira, abril 02, 2007

a seguir ao almoço...

...apontam-me o dedo à cara e perguntam?

- que merda é essa, pá?
- é um projecto de barba. (rindo)
- um projecto? porra, no máximo é um esquiço muito mal esgalhado.

selos

neste fim-de-semana, tomei conhecimento dum grupo de miúdos que fazia colecção de selos. um deles, todo armado aos cucos, como já não sabia o que mais inventar para evidenciar a sua colecção sentenciou:

- pessoal, sabem uma coisa, ontem consegui acabar a colecção. já os tenho todos!

coisas da luz

- dizia-me uma amiga lagarta: - foi o melhor resultado para todos. eu respondi-lhe: - fala por ti. o melhor para mim era ter ganho. há coisa mais lógica?

- o jogo foi fraquito. muita trancada, muita bola perdida. o benfica, apesar de tudo jogou bem na segunda parte. não que o porto tivesse jogado bem na primeira parte. não, nada disso. eu não gosto daquela onda do contenção de bola. nada disso. jogar bem e merecer ganhar é tentar acertar com a bola, assim, com remates. com remates que tentem acertar na baliza. não é
?

- se fosse benfiquista diria que tinha merecido ganhar. se fosse portista, calava-me. estão a ver a coisa?

- onde estavam os centrais lá no golo do pepe?

- mandem por favor uma carta de agradecimento ao scolari. com os jogadores que utilizou (e não utilizou) na quarta-feira, também ajudou a malta a sair da luz com um pontito.

- o rui costa é o meu jogador português favorito da actualidade. em tudo. aliás, o jogo de ontem valeu pelo rui costa. tirando isso e com o cansaço que eu trazia do algarve tinha adormecido na certa. poderia dizer que era o quaresma. mas não, o quaresma (ou o moutinho) não sabem fazer as coisas que o rui ainda faz. fazem outras, é certo. mas não fazem aquelas que ele faz. e essas que ele faz são as que eu mais gosto. eu olho para ele, ali a dançar, a vir a trás, a passar, a pairar e só me lembro duma coisa que o valdano escreveu sobre ele há sete anos: o meu filho estava a passar à frente do televisor quando o rui costa seguia com a bola e o meu instinto foi mandar-lhe com o comando à cabeça.

- o simão, se fosse um rapazito com cabeça - que não é nem nunca será - tinha acabado o jogo de ontem e entregue a braçadeira de capitão ao rui costa. viu-se ontem que o rapaz não sabe ser capitão.

- duma vez por todas: os super dragões, os no name ou a juve leo não representam os adeptos nem do porto, nem do benfica e nem do sporting. por isso não entendo o que é que eles continuam a fazer nos estádios de futebol. tentem um dia assitir um jogo ao lado desta malta e depois conversamos. no entanto, colocar estes gajos no terceiro anel, como ontem o benfica os colocou, é mais ou menos como ir para a favela da rocinha de relógio no pulso, máquina fotográfica ao pescoço e carteira com dólares no bolso. estavam à espera de quê?

- viram bem aquele roubo de bola do quim? o adriano ainda deve estar a pensar que o gajo estava a defender com 4 mãos. coisa maravilhosa, pá.

- o anderson voltou.

bolero

diga que não tem muita importância
diga que não tem nenhum valor...

apague a luz, por favor,
quando for lamentar e agredir meu nome
um cigarro as vezes dá pra refletir...

abra a janela se por acaso
for necessário gritar meu nome
que a solidão as vezes dá pra aperrear...

faça a cidade acordar
e depois vá deitar, vá dormir pensando
que amanhã posso voltar
sem reagir.

algures em meados dos anos setenta, o músico e compositor vital lima teve a feliz ideia de mostrar à simone este bolero. a coisa aconteceu em casa do produtor hermínio bello de carvalho. ela, a simone, teve a também feliz ideia de a incluir no seu disco de 1975 "gotas d'água". um rapazola amigo, teve ainda uma outra feliz ideia que foi trazer-me esse disco (raríssimo) lá de salvador.

eu gostava de ter a feliz ideia de encontrar o manual de instruções que permitisse que esta música deixasse de me aperrear a alma (estas últimas palavras devem ser lidas assim: aperrear a ialma).

ou talvez não. isso, talvez não! deixá-la estar.

domingo, abril 01, 2007

róli

o rally de portugal é o meu acontecimento desportivo do ano.

este que fui assistir neste quatro últimos dias foi o meu melhor rally de sempre. se tiver tempo, um dia explicarei porquê.

até lá, confesso, ainda estou em transe.

serguei

depois duma ausência de 4 dias, a minha mulher vê-me entrar em casa com um malão às costas, meia palete de cerveja de baixo do braço (nem perguntem), barba de quase uma semana, alourada e pontilhada aqui e ali por ou ou outro pêlo branco (raios!), cabelo de pente quatro e cara queimada. fica a olhar para mim e diz:

- pareces um ucraniano das obras!