que maravilha. os dois ali, românticos e tal.... os pauzinhos, o gengibre, a sapporo, o wasabi, a luz de velas, o ambiente cálido e sereno do restaurante, a convidar a uma conversa íntima...
a repetir, sem dúvida, enquanto nos for possível.
(bom, na verdade, aquilo era uma tasca. eu comi uma dose de peixe-espada, bebi duas bjecas e finalizei com uma talhada de melão. ela deu cabo duma costaneira que, diga-se a talhe de foice, estava com um aspecto do catano. a luz era fluorescente e a conversa andou à volta do vídeo do jesus a ladrar e dos resumos do futebol inglês que estavam a dar no canal sporttv premiê ligue lá da televisão do estabelecimento, nomeadamente dos dois penaltis falhados pelos rovers contra o everton. só que, sabem, eu gosto tanto dos vossos posts sobre os jantares de sushi e mais não sei quê e o caneco, que julguei que era capaz de fazer um igual. mas pronto, reconheço, não consigo.)
... em que já estamos todos suados, cansados, derrotados e começamos a esticar o esqueleto: a puxar o cotovelo até à boca, o joelho até à nuca, os dedos dos pés à testa... tudo muito calminho, tudo miá, tudo riléque-se!
(e trocamos o «filhadaputadumcabrão do professor que não vê que não consigo elevar o caralho do peso mais 3 vezes, quanto mais 16!» para o «aula do caneco. este prof está, realmente, muito à frente!)
não resisto: estúpido, estúpido, estúpido. juro. estou-te com uma raiva que nem sabes.
estúpido, pá!
cagaste para a escola mas, sabes, tinhas mãozinhas, tinhas jeito. tinhas jeito para um «ofício», como os nossos pais diziam. poderias ganhar o dinheiro que quisesses. poderias ter uma família «normal» com os defeitos que as nossas têm.
num daqueles acasos que não lembram a ninguém, enquanto ouvia música com o batãozinho do châfal ligado, após o natural woman, suou nos meus ouvidos o piece of my heart. ou seja, após aretha entrou a erma.
é de catano, as duas saindo do mesmo sítio e uma com a voz tão clarinha e a outra com a voz tão rouca. mas as duas ali tão.. bolas, tão fortes, não é? poderosas, pá!
não vou, obviamente, pôr-me aqui a debitar juízos ou considerações, quer sobre uma canção quer sobre a outra. sou mais esperto que isso, para falar sobre estas cantigas e depois sair merda. é o efeito «descalça-te que isto é terra sagrada.»
mas fico a pensar como bastam 166 segundos na da aretha e 153 na da erma para resolverem a questão de deixarem duas pecinhas para a posteridade. cum raio, nem aos 3 minutos chegam.
e no entanto...
vá, não resisto. eu adoro esta coisa da erma de escangalhar o palco com esta actuação. dá ideia que a ribalta ficou cheia de gafanhotos, cuspo e catarro por causa da atitude bélica com que ela diz «take it!...».
isto não quer dizer que não goste do natural woman da aretha. porra, a começar nas cinco primeiras notas do piano logo seguidas daqueles «pincéis» a roçarem a bateria... o soul que é dito como xoul...
(por outro lado, por falar em tempos, olho para a duração do precious box (7:38) e do flawless (6:51) e fica também a pensar que há canções enormes que parecem ter 3 minutos. não cansa, não é? estamos habituados a olhar para a duração das canções escritas no verso dos éle pês e quase que tiramos a olho que devem ser slous. porém, olho, por exemplo, para estas duas e são o opsto. são canções de pointing e random claps.)
o alentejo a chegar ao fim. uma série de televisão que chegou tarde, mas chegou a horas. as férias a chegarem ao fim. as cigarras a baterem as asas. a abóboda celestial. o sete-estrelo - gaita, como eu adoro o sete-estrelo! - io, europa, calisto ganímedes. o fresco da noite. casaquinhos da decathlon para proteger do fresquinho. um cão que ladra lá ao longe. o zumbido dos insectos que voam à nossa volta. uma noite sem silêncio mas com paz.
por favor, vocês são capazes de se meterem num avião, aterrarem ali na portela (ou no poceirão, tudo bem) e dirigirem-se ao coliseu - se for na voz do operário também serve - para cantarem-me as canções deste éle pê.