terça-feira, outubro 30, 2007

e não tarda nada ainda vai comer outra

é justo afirmar que a seguir ao camarinha, o pinto da costa é o gajo que mais controla o mulherio, não é?

casa com uma, têm filhos, caga nela e junta-se com a secretária. casam, têm filhos, caga nela e vai comer uma tipa dum go-go bar. casa com ela. caga nela e vai comer outra, depois mais outra. entretanto vem a público que o gajo andou a afiambrar umas quantas quando ia a londres e afins.

anos depois, resgata a mena e casa com ela outra vez.

ele é mais ou menos para nós homens, assim, como o keith richards era para os punks, durante os anos setenta. todos o invejavam porque era rico, tinha gajas e consumia toda a droga que lhe apetecia e não morria.

nibel!

ó fáxavor

eu não sei qual é o ambiente e o espírito da academia. não sei que tipo de lições recebem os senhores polícias lá na escola

- caros cadetes, hoje vamos aprender uma palavra nova: cassação!

mas eu acho que saiu do currículo lá da escola, aquela cena de ajudar os senhores automobilistas com as manobras que permitam fazer fluir o tráfego. não sei, pronto, tenho cá a minha desconfiança. eles ficam ali a olhar e tal, o pessoal a apitar, os carros que não andam e eles nada... quase que me apetece pegar num telefone de brincadeirinha que tenho no carro, colocá-lo junto ao coirato, só para lhes chamar a atenção.

talvez eles assim olhem. talvez quando a coisa está apertada, quando estão dois carros a entalar uns trinta, talvez se alguém fizer uma transgressão qualquer, talvez assim, eles decidam fazer qualquer coisa.

talvez...

controversa maresia

a grande vieira escreveu um daqueles posts que só ela sabe fazer. sim, falo daquele das mães.

umas pessoas viram ali um desabafo, outras viram um texto irónico, algumas outras ainda, viram naquelas palavras uma crítica às mães, digamos, certinhas.

este último grupo, foi, pelo que tenho lido, o mais numeroso. viram ali uma espécie de tábua de salvação, assim como quem diz:

- eh pá, se ela está a dizer mal daquelas mães que são certinhas, se a vieira ataca as gajas que têm moleskines com florzinhas - imagine-se, com florzinhas! - então estou safa. pronto, assim, já posso desistir de ser melhorzinha. ora se o que interessa é que eles tenham amor, então para que é que eu hei-de deixar a cama feita de manhã? não é preciso, não é? porque raio hei-de saber as datas das reuniões? por que raio devo eu comprar-lhe uma touca rosa?

não sei o que vos diga! vocês são piores do que pensam. (quem diz mães, diz pais. somos todos a mesma gaita!)

segunda-feira, outubro 29, 2007

incompatibilidades

aiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii!

ter os nós dos dedos esfolados e vontade de andar com as mãos nos bolsos das calças de ganga é algo francamente incompatível.

presentemente, eu e a totalidade da população fressureira com os dedos nesta lástima, somos os principais prejudicados por este problema.

jornais

assim como as mulheres, também eu quando estou mais em baixo, desato a vingar-me nas compras.

a diferença é que em vez de roupa, malas ou botas, descargo as minha emoções na comunicação social.

sábado, vinha cansadérrimo pela auto-estrada, entro na bomba da galp e desato a comprar papel: o dê éne por causa do boucherie e a alexandra tavares-teles (a minha mulher aproveita o resto); o correio da manha (sim, assim, sem til) por causa do rui santos (não, não gosto muito dele. mas gosto de ler opiniões concertadas, ainda que diferentes das minhas); o sol porque apesar de tudo, é o semanário que mais gosto (mas tem muita merda, atenção), a blitz por causa dos led zeppelin (a blitz tem dois cronistas, os quais não sei o nome, que eu duvido haver alguém que os leia. e mesmo os que leram, não conseguem depois dizer sobre o que é que os senhores estavam a falar) e, pasme-se, deu-me a louca e gastei quinhentos e sessenta paus no expresso apenas para ler o freitas lobo e o sousa tavares antes de segunda-feira.

estou envergonhado.

mais saudades




ontem, dia de fazer uma biblioteca. não é a que eu sonhava
nunca é
mas tenho finalmente os livros todos no mesmo local.

os brasileiros, os portugueses, os de música, os de desporto, os de banda desenhada, os de humor....

à noite voltei ao meu quarto de solteiro (tive vários) para resgatar um ou outro que por lá foi ficando e que trouxe para perto dos outros. acabei por trazer um caixote daqueles de monitores de 17 polegadas cheio e mais a colecção das photo, religiosamente compradas entre 1989 e 1993.

dou mais uma vista de olhos às minhas velhas prateleiras: uma boina militar; um lancia delta integrale; frascos de perfumes da body shop vazios que usei no início da faculdade; um outro que me faz recordar uma passagem de ano na ade, bem no coração da beira-alta;
onde se ouviu o live dos acdc, e o dia de s. receber, seguramente umas 17 vezes
uma caixa vermelha com fotografias da viera da silva e do abel manta; cassetes (muitas)...

bolas, saudades.....

saudades de 1991, curiosamente. saudades de quando acordava naquele quarto
naquela casa, que me lembre, devo ter dormido em quatro - ia-lhe chamar quartos mas acho uma injustiça. digamos que eram um tanto ou quanto menores que quartos. eram compartimentos, pronto!
nos meses que antecederam a tropa, ao som da rádio energia.

quando acordava com o losing my religion, com o joão vaz ou com o highwire dos stones.

outros tempos.

quando usava uma camisa verde com volutas e que um maricas no sudoeste da rua da barroca me propôs trocar por uma t-shirt do sex da madonna.

ai..

saudades!

sono

sono é sem dúvida a palavra de ordem: doem-me as mãos, doem-me as pernas, doí-me muito aqui nas costas.

e sono. muito sono.

das duas três: ou me espeto ginásio dentro, com três quartos de hora em cima dum selim para cansar-me ainda mais ou vai corrido até à cama de casa com o despertador para dali a meia-hora.

imagino se não fosse a mudança da hora.

sexta-feira, outubro 26, 2007

ok, meninas...

... passem para o post seguinte que este é sobre bola.

eu, como qualquer pessoa que goste de bola, dou uma importância demasiadamente grande às nossas ideias.

uma coisa é falar-se sobre a qualidade defensiva dum distante e inócuo queens park rangers - não é coisa que traga muita discussão pelo menos aqui entre os meus amigos - ou se diz que é boa ou que é má; outra coisa é falar-se sobre equipas mais próximas ou mesmo sobre as nossas. aí sou inapelativo: é a minha opinião que conta e mais nada!

julgo - e espero - que somos todos, mais coisa menos coisa, assim.

por essas e por outras é que acho que a minha opinião é importante demais para ser partilhada com os outros.

(quem é da bola sabe que isto não é nenhum "armar-se aos cucos", é ser da bola, pronto).

noutro dia, estava em casa de amigos a ver um benfica-sporting. havia pois quatro tipos de adeptos: eu, portista, que passei o jogo descansadinho a comer e a beber; um sportinguista que sofria de vez em quando e depois tínhamos um benfiquista pró-nuno gomes e outro anti-nuno gomes. não há nada a fazer. isto é que eu gosto, isto é que é engraçado.

o que eu me ri.

apesar de tudo tenho os meus "private futebol discutidores" com quem me dou ao luxo de ouvir com atenção e dedicação as suas opiniões e que sei também ouvem as minhas da mesma forma. mas são poucos. os dedos duma mão chegam e sobram.

dos públicos há duas pessoas que estão acima de todos os outros: o vilas-boas e o freitas lobo (se bem que aquele cabelinho atrás "à lá santana lopes" não ajude muito a imagem do rapaz). o adjunto do mourinho, agora que está desempregado bem que podia mandar umas larachas nos jornais, agora o freitas, continua imparável.

com sua licença vou aqui citar o que ele diz sobre selecções, naturalizados e coisas similares:

Não sou um adepto dos naturalizados nas selecções. Por várias razões.
Porque põe em causa o que deve ser, para mim, uma verdadeira selecção nacional de futebol, porque desvirtua a identidade nacional, afecta a comunidade de cultura e emoções que ela deve ser e transmitir, adultera-lhe o estilo próprio (que, por exemplo, distingue, desde os infantis, um alemão de um brasileiro) porque compromete a formação no futebol juvenil, etc.
Mas, este é um mundo «globalizado». É impossível fugir disso. Por isso, penso que se devia definir regras até que ponto um jogador pode ser seleccionável sem colocar totalmente em causa os valores que atrás mencionei.
Não chega dizer que é cidadão português e tem igualdade de direitos. Isso é tão verdade, como o Tratado de Roma consagrar a especificidade da arte e da cultura em relação a outras actividades e colocar-lhes limitações particulares. Considero o futebol uma arte. E a selecção uma comunidade de cultura e emoções. Viver antes de jogar.
O local de formação do jogador seria um excelente meio para definir jogadores seleccionáveis. Makukula é um desses casos. Veio para Portugal aos 8 anos e fez cá toda a formação. Jogou nos Sub-21 nacionais. Por isso, o seu caso é diferente de outros que chegam já seniores a um país, sem qualquer ligação com ele, vida ou futebol. Como seria também natural Makukula, por razões de sangue, jogar pelo Congo. Tudo o que ultrapassar estes dois casos, é fugir à essência de uma selecção nacional.

e depois, tira-me do sério que escreva tão bem, porra! meu caro doutor freitas lobo, aqui me apresento de chapéu na mão!

maravilha!

só tu, pá



quando as outras pessoas nos perguntam sobre ti, dizemos que és uma peste, que tens um pedal do caneco, que tens um feitio complicado. atenuam depois, corrigindo o que lhes digo, informando-nos que o que tens é uma personalidade vincada. é normalmente nestas alturas que lhes tenho vontade de lhes espetar com um tubo de pvc pelos cornos abaixo (olha, olha, personalidade vincada!.... tá bem, tá!).

tu não tens nada dessas paneleirices da personalidade vincada, tu és é uma gaja lixada. apregoam que assim é que os miúdos devem ser. dizem que os sossegadinhos não têm piada nenhuma. sim, concordamos, até temos cá em casa uma ou outra boca sobre uma criança que só nós cá sabemos e com quem tu te dás porque, presumimos, gostas de "naturezas mortas".

mas gaita, tu exageras. tu és, desculpa o termo, fodida!

ontem ficámos em casa os dois sozinhos. julguei que sem a mãe a coisa iria ser mais fácil. sou tão estúpido, como fui eu acreditar que ainda eras aquela menina que se portava bem quando estávamos os dois juntos. nahh, nada disso. não há um cabrão dum dia - um unicozinho, porra! - em que não faças birra para o banho, em que não faças birra para lavar os dentes, em que não faças birra para comer, em que não exijas o filme, em que não exijas aquele determinado filme - que varia de dia para dia -, em que ...... em que seja lá o for.

armaste-te em esperta porque querias pôr a sopa de lado e só te apetecia o arroz de frango, assim frio, à temperatura do frigorífico. caguei para a temperatura com que querias comer, por mim tudo bem, mas a sopinha, ainda por cima uma coisa fina, feita naquela cena da bimby, pá. bolas, não me venham com coisas. nah, isso tinhas de comer.

começaste logo a estrebuchar: que não querias e tal. partimos então para a guerra. é claro que depois já não vias nada, desataste a abanar os braços e a cabeça
cagando obviamente com sopa verde aquelas pontas de cabelo que tens assim aqui de lado, sabes? aquelas como as da malvina da gabriela, a que gostava do rômulo, lembraste?
baldando o tapauér para cima do teu colo e parte da sopa para a mesa.

irritaste-te ainda mais porque eu mantive a calma - mas estava em broa por dentro, compreendes? - e continuei impassível a dar-te a sopa. é claro que percebeste mais tarde que a sopa era deliciosa. és tão má a disfarçar, minha tola. choravas, choravas, mas quando te punha a colher à frente da boca, às tantas já a procuravas, já ias aos seu encontro e não tinha de te a enfiar pelas goelas abaixo.

tola, pá!

no final do capítulo sopal tirei-te a roupa toda, sentei-te de castigo de frente para a parede e proibi-te de virares a cabeça. enquanto eu lavava a cozinha, quase toda, choravas desalmadamente mas não vergaste. nunca vergas:

- eu não gooooooosto do pai, só gostooooo da mamããããã!

depois foi a parte das abluções na casa de banho e de vestires um pijama lavadinho. e não paravas de chorar....

cortei relações contigo, depois de tudo limpinho (eu, tu, a mesa, a cozinha....) sentei-te na mesa com o arroz quentinho, um copo de água à frente, a colher, um guardanapo, ordenei:
- come e não esperes que te ajude em nada. hoje estás a ser feia, estás a ser mais feia que as bruxas - ai o que eu lhe fui dizer! - e no fim, é cama, sem filme e sem história da anita!

a cozinha estava silenciosa.

mas tu sabes controlar o esquema todo. enquanto eu comia a minha parte, tu vinhas de mansinho bater com o teu copo no meu copo e dizias:
- tchin, tchin, paizinho. bebe, bebe, vá!

e eu moita, ali calado e a comer.

e tu começavas a explanar, com essa tua forma pantomineira de contar as coisas, com os braços abertos, assim como o hermano saraiva, entendes?:
- sabes pai, eu estava a portar-me mal mas já não estou. agora estou bem. estou a comer tudo vês?......

e eu com vontade de rir, mas com ar zangado.

e tu:
- não fiques triste, pai. eu como tudo e depois tu contas a história. eu vou lavar a loiça e vou lavar os dentes....

e até comeste tudo, tendo o gosto em mostrar que estavas a comer de boca fechada ou que te inclinavas para a frente para não deixar cair comida. deixei-te lavar a loiça e, é verdade, também lavaste, sossegadinha, os dentes.

mas eu tive de arrumar uma coisas que chegaram do supermercado e deixei-te sozinha no teu quarto
filmes, nem pensar!
e quando lá voltei estava tudo em pantanas.

- beatriz, arruma isto tudo, se não pego nas tuas bonecas e nessa quinquilharia toda e levo amanhã para os teus coleguinhas da escola.

tu, egoísta como tudo
ai o que eu me chateio com isso, pá. és gaja de extremos: tanto és capaz de berrar para não emprestar nada a ninguém, como és menina, sem ninguém te dizer nada, para juntar meia dúzia de coisas que adoras e pôr num saco para dares a alguém
começaste-te a passar dos carretos com os gritos do costume e foste logo recambiada para o meio dos lençóis com a luz apagada e tudo.

minutos depois começaste a desbravar a via diplomática:
- paizinho, estás na sala?
nem te respondi.

depois, pé ante pé, assim de surra, apareceste-me à frente e sentenciaste:
- amo-te muito, paizinho. queres um abracinho?
continuei impávido mas não sereno.

vieste dar-me um abracinho, viraste costas, foste para a cama e no caminho ias ralhando comigo:
- ai, ai, ai, ai, ai ai, senhor paizinho, hoje esqueceste-te de me dar o leitinho quentinho e doce. ai, ai, ai, ai, ai, ai. isso não se faz, senhor paizinho.

e quando te deixei o leitinho lá na cama, voltaste a dizer: amo-te muito, paizito!

eu que sou um pouco - muito! - descrente destas coisas das hereditariedades, tenho de concordar que és realmente um produto mais que perfeito: tens essa colecção de ginetes indomáveis que eu tinha quando canuco mas soubeste adocicar a estirpe, adicionando-lhe o charme sedutor da tua mãe.

e por isso me apetece chamar-te tantos nomes, alguns mesmo feios. porque sabes bem que podes não me convencer, mas vais-me aos poucos - olha olha, aos poucos, aos muitos, é que é! - vencendo.

parva!

eu não sei...

... o que te diga, sabes? mas este disco é uma miríade de sensações, de cheiros, de emoções, de tanta coisa.

acho até que já falei aqui sobre ele e quanto mais me recordo, como tu agora me "obrigaste" a fazer, mais momentos
descubro associados a ele:

ele é a passagem de ano de 1985/86 na costa da caparica; ele é um carnaval - no teu técnico - presumo em 1986; ele é, imagina, uma frase - daquelas que nem sabemos que se vão instalar para sempre nas nossas cabeças. sabes quais são? dita pelo nosso piçarra (nunca soube se este cabrão é piçarra ou pissarra. mas convenhamos, um gajo - uma fofa, como diz o capristano - que ainda não tem telemóvel, tem tanto níbel que pode ser o que lhe apeteça) numa conversa a três com o gonçaladas:
- então e a um?
- a um?
- sim, a um, don't bang the drum. para mim é tão boa como a dois, a mais conhecida.;
ele é as namoradas que tínhamos - ok, pronto, que sonhávamos ter - e que elas nem sabiam que o eram; ele é uma viagem a évora, de mochila às costas, algures por volta de 89, sem alojamento programado nem nada, assim, sem rumo, apenas com o fito de tirarmos uma foto sob uma alfarrobeira; ele é tanta coisa.

já reparaste que os discos daquela altura tinham uma estimativa de vida bem mais longa que os de agora. olha este, por exemplo!

quarta-feira, outubro 24, 2007

fiu, fiuuuuuuuuuuuuuu

por muito que me custe admitir

sim, nalgumas coisas, custa-me admitir

dizem os entendidos que estou cada vez mais parecido com o meu pai. se as parecenças físicas não são de estranhar - gaita, afinal sou seu filho, né? - já as outras, mesmo aquelas que odiávamos quando éramos mais canucos, acabam por se nos entranhar do corpo. primeiro porque gozamos e brincamos com ele com imitações voluntárias e descaradas e, depois, porque às tantas já não sabemos se aquilo somos nós a gozar ou se afinal foi o bichinho que se acomodou e, castigando-nos, tornou-nos igual ao imitado.

uma vez o paulo fernando da praceta, estava a explicar-nos uma coisa mas o pedro china não parava de o interromper. às tantas sentencia:
- foda-se, pronto, conta lá tu. já que és o expérito!....

ponto um: expérito será com certeza uma mistura de expert com perito. não me parece mal pensado. há neologismos que são criados com uma pinta do catano. este seria certamente um deles.
ponto dois: gozei com o paulinho, anos a fio, até ao momento em que quis dizer expert e só me saia expérito e quis dizer perito e só me saia a mesma coisa. pior, deixei mesmo de saber de que forma é que se dizia bem e correctamente.

reparo nessas parecenças nas coisas mais simples que há. neste sábado por exemplo, dei por mim a assobiar enquanto, de aparafusadora em punho, montava as coisas do ikea. meus amigos, tal e qual o jaime sénior. mesmo a parte dos trinados, ok? estamos a falar duma coisa com categoria, atente-se! se ele estivesse ali comigo, ninguém distinguiria um do outro.

a única diferença, vamos lá a ver, é que ele, provavelmente estaria a assobiar o rosa tirana (que eu também volta e meia a ouço sair dos meus lábios) ou a marcha da várzea. eu, por outro lado, despacharia um mix, entremeando o walking in the shadow of the blues com o lady in red (sou muito foleirão, não é?) ou até o golden slumbers com o disco band dos scotch

centrismos

houve primeiro a teoria geocêntrica - aquelas cenas da terra estar no centro e mais a conversa do ptolomeu e tal.

depois o nicolau polaco veio com a ideia do heliocentrismo. parece que afinal era - e ainda é - à volta do sol que isto rodava.

descubro, de vez em quando, que há uma ou outra pessoa - sim, refiro-me a bloggers, por exemplo - que julgam que TUDO gira à volta deles.

é a vida!

reis

preciso de falar ao marido duma amiga, um gajo super ocupado, meu irmão, amigo do peito e meu ex-namorado (não perguntem, nunca entenderão). diz-me ela:
- já lhe ligaste? ele não te atendeu, foi?
- ainda não tentei. já lhe ligo.

momentos depois:
- falaste-lhe?
- claro!
- atendeu-te? teve tempo para ti? ena!
- ó minha amiga, quem um dia foi rei nunca deixa de ser tratado por sua majestade!

(há dúvidas?)

blue

isto deve ser da chuva.

ahhh, é com certeza.

chega a esta altura e há uns cheiros que pairam no ar que me fazem associar a outros cheiros com uns vinte e tal anos:

cheiros de sabonete seco no cabelo,
cheiro a cabedal molhado,
cheiro a mortalhas,
cheiro a gabardina ensopada
cheiro a samson,
cheiro ao café dos coruchéus (o melhor café do mundo? de caras!)

não acho piada nenhuma ao cheiro da erva molhada. é cheiro de "ficar em casa", cheiro de transferir as actividades do exterior para os ateliers. cheiro de frustração.

e não sei porquê, associo estas coisas a músicas de vanguarda

não tenho paciência para dizer música alternativa. dizer música alternativa, para mim é coisa de jovem culturalmente esclarecido.

e dentre essas músicas, a saudade surripia-me ao presente para duas canções do robert smith.

ainda há quem goste dos cure ou já toda gente se tratou desse problema?

e são as duas únicas que eu ainda tolero. minto, são duas que eu gosto mesmo.

esta



e esta



atenção: esta canção, a charlotte sometimes, é perfeita!

dois em um

uma pessoa que eu cá sei, no espaço de dois dias, viu a simone no casino e foi ao 2001.

quem já esteve na cama com duas gajas sabe que é mais ou menos a mesma coisa.

chuva tocada a vento

a travessia da alameda para o meu bairro, a pé pela rotunda das olaias, tornou-se um pesadelo bem pior do que quando o fazíamos através da extinta recta da veríssimo sarmento.

quer em dias de sol ou em dias de chuva, o facto de termos de efectuar o arco da rotunda, ali, desamparados, sob um calor do caneco, sem uma única sombra, ou sob aqueles temporais chuvosos, sem o muro da referida veríssimo sarmento para nos proteger dos ventos que circulavam pelo vale, era uma coisa do catano.

utilizei
sempre, nestes dois parágrafos, os verbos no pretérito porque, felizmente, já não faço aquele trajecto e, graças a deus, quando o faço é já recolhido dentro dum popó.

hoje, decidi ir, lampeiro, ao banco, convencido que o cabrão do outono e mais a filhadaputa da chuva não me iriam apoquentar. convenci-me e fodi-me. às tantas os pinguinhos tranformaram-se em torneiradas e apanhei uma molha daquelas, até conseguir me resguardar sob um toldo dum tasco das redondezas. para agravar a coisa, soprava uma daquelas brisas que nos fornicam o sistema.

foi, pois, nessa altura que recordando outros tempos, me apareceram na alma, as sábias palavras dum maduro, que por nós se cruzou, ali junto à paragem dos fotógrafos, numa manhã de temporal, vindo do eixo alameda-picheleira e que soltou as sábias palavras:
- foooooda-se! rotunda das olaias com chuva tocada a vento, é de caralho!

há aqui elementos nesta frase que me fazem ter um certo carinho por ela. para já a ausência do artigo definido antes de "rotunda". depois uma espécie de elipse, quando o autor, renega o subentendido "fazer a..." que possa classificar a acção efectuada na rotunda das olaias. no fim, outra elipse, quando deixa suspensa a exclamação "é de caralho!". os receptores presentes, habituados a esta linguagem e a este superior português, subentenderam também que na mente do emissor se encontrava registada a intenção de classificar aquele " de caralho" como sendo um "de caralho para cima!".

"de caralho para cima, é o último nível das dificuldades da vida. temos pois: o difícil, o custoso, o muita custoso, o lixado, o impossivel, o fodido, o é de caralho e por aí acima. resumindo e concluindo para quem ainda não entendeu a coisa: "foda-se! (pode ser substituído por "safa!" ou mesmo "livra!"), fazer a pé a rotunda das olaias levando com chuva
balançada a vento no esqueleto, é de caralho para cima!

terça-feira, outubro 23, 2007

m80 - queda do pocket

já vim aqui dizer mal deles

(ora bem, não é bem dizer mal deles. é mais uma espécie de intifada pelo marasmo de algumas músicas. são, pois, críticas de amor. vamos lá ver uma coisa: afinal é neles que eu tenho a telefonia da carro sintonizada, bolas!. chega, não chega?)

mas desta vez tenho de os parabenizar

o que eu adorava ouvir o marinho peres dizer esta palavra

porque no domingo passaram a queda e já hoje decidiram pôr a chrissie hynde a dizer que é especial. e eu não posso deixar de concordar com estas atitudes.



concordar e deitar foguetes.

dando razão ao coment de ontem: mais uma de merda

a minha filha peida-se como quem respira.

ora bem, não se peida sempre que respira. mas quando solta os seus traques, fá-lo com a elegância e a descontracção dum chefe de protocolo.

e eu adoro esta discrepância e esta ingenuidade das acções cometidas por ela (e pelo resto das crianças). ontem estava a caminhar na sala e .... prrrrrrrrrrep prrrrrrrrep prrrrrrrrrep. três, logo assim de seguida:

- cuca, o que foi isso?
- não sei?
- não sabes? então não deste uns punzinhos?
- dei, pai? ahhh pois dei.

meu deus, como a invejo!

os do meio

há um tipo de condutores que me faz uma confusão dos diabos, são os que circulam na faixa do meio.

não os entendo, há ali qualquer coisa que os torna, sei lá, insondáveis? isso, insondáveis!

aqueles que vão pela esquerda, tudo bem, já se sabe que das duas três: ou quer andar mais depressa que os outros, ou julga que anda mais depressa que os outros ou então ainda, não reparou que há pessoal a circular a uma velocidade superior nas duas faixas de rodagem à sua direita.

aqueles que circulam na faixa da direita, também, das duas uma: ou vão numa de cumprir, ou então têm as duas faixas à sua esquerda ocupadas por velozes condutores a circular a 60 ou 70 km/h.

já os que vão na faixa do meio... pois, esses não entendo. há ali qualquer coisa que não percebo, pá.

imaginemos a coisa: a ae limpinha. o pessoal vai ali e às tantas lá à frente vai um gajo isolado, na faixa do meio. o que raio lhe passa pela cabeça? será que a ideia é:
- bom, vou aqui nos meus 90, 100 km/h, não vou propriamente a abrir, se não ia para a faixa da esquerda. também não vou a pastar, se não ia para a da direita. e pronto, posiciono-me por aqui. além disso há espaço de sobra para quem me quiser ultrapassar e mesmo eu, caso por qualquer razão (?) queira mudar de faixa, tenho sempre duas opções?

será isto?

imaginemos outra coisa (esta bem pior e mais usual): a ae com um bom fluxo. pessoal na direita a andar nas calmas, ali na sua e pessoal na esquerda a andar mais depressa, ali também na sua. e depois há os do meio. eu não contesto os do meio, só por estarem no meio. o que me chateia é os do meio que andam menos que os da direita.

é que acabam por foder as três faixas. o pessoal que vai no meio tem de acabar por utilizar uma das outras duas para os ultrapassar.

não os conseguiremos extinguir?

estuchamentos

da colecção "eh pá, ó jaime, tens de ler este livro. é mesmo a tua cara.", há três títulos que sempre me deixaram embasbacado. primeiro porque se revelaram três valentes estuchas; depois porque são livros com os quais andei ali a patinar até chegar a "tal" altura em que, finalmente, eu vi neles, a minha cara; mais tarde porque cheguei então ao fim do livro e das duas uma, ou a minha cara é feia e maçadora - facto que eu nem sequer duvido - ou porque afinal a "tal" altura nunca chegou a surgir.

esses livros são - por ordem cronológica da leitura:

- o alquimista
disse-me um dia uma amiga: é um livro de encontro. aquilo é a tua cara.
francamente, um livro de encontro? como é que as pessoas se encontram nos livros? será assim do género:
- então, combinamos onde? no cauteleiro do largo da misericórdia?
- nahh, aquilo está sempre cheio de merda dos pombos. mais acima, combinamos no alquimista

quanto ao facto de ser a minha cara, hummm.... aceito. é um livro meio narigudo, é sim, senhor.

- o perfume
cum catano! seguramente o a coisa em papel mais sobrevalorizada desde que o gutemberg se lembrou de imprimir uma bíblias. eu não vejo lógica naquilo. é mau, mau, mau. desculpem, é muito mau, mesmo.

e era outro que também era a minha cara.

- cem anos de solidão.
uma única palavra: deserto.
minto, cinco palavras: deserto, mas muito bem escrito.

terminei ontem o segundo capítulo do filme - há filmes que aquilo tem de ser visto aos bochechos. não, não dá para mais - o perfume. meu deus, haja paciência.

(mas calma, não me derrotam assim tão facilmente. hei-de conseguir ver aquilo até ao fim. derrotado, derrotado, só fui pelo marie antoinette (blhaec!) e pelo sonhos do kurosawa, numa memorável sessão no londres, a qual foi vista até aos trinta e poucos minutos, terminando depois a noite numa valente bebedeira na casa da lina - se o respeitável leitor e nessa noite condutor se quiser acusar, terei todo gosto em recebê-lo ali em baixo nos meus comentários -. outros carnavais, outros carnavais...)