sexta-feira, agosto 31, 2007

por mais estranho que possa parecer

o sepes é o meu disco favorito do trovante. por mais estranho que isto possa parecer, esta não é nem de perto nem de longe a minha música favorita deles. por mais estranho que isto possa parecer esta também não é a minha música favorita deste disco. no entanto...



vá lá a gente entender o passado, não é?

partilhando

há coisa de vinte anos, ao fazer nas partilhas dum final de namoro, fiquei a perder 500 paus em cash, o building the perfect beast do don henley e o serious hits live do collins.

do primeiro estou-me cagando para a coisa, do último acabo por lhe agradecer ter ficado com aquilo, agora do segundo, confesso, é se calhar das poucas coisas relevantes que tenho a apontar àquela miúda.

sim, porque uma gaja que me fica com o boys of summer, pergunto: merece ou não merece umas palmadas no rabo?




por outro lado, ó , sempre me vou safando dumas noites de choradeira, não é? ainda por cima descalço, com os sapatos na mão e a gravata cheia de lágrimas e ranho. é talvez melhor assim. ela que fique com a taça, pronto!

terceira



bem sei que a terceira série é sempre aquela que fica no gume da navalha, tanto pode cair para um lado como para o outro. mas convenhamos, mesmo a segunda do prison break já foi bem melhor que a segunda do lost.

(ai aquela terceira do lost...... realmente...)

hoje vi um quarto de hora da terceira série do prison break que estreará daqui a pouco mais de um par de semanas. e pronto, deu para matar saudades, mas não deu para tirar qualquer conclusão.

aguardemos mais uns dias (passados a tremer, a tremer.....)

mentalidades

umas das coisas que mais me fode são as consequências das intermináveis guerras entre os presidentes dos clubes de futebol portugueses: ou é o jn lima pc contra o vieira, ou é o vieira contra o dias da cunha, ou é o fiúza contra o cabral ferreira, ou é o rui alves contra todo o mundo.

é que já cheira mal.

lembrei-me disto há dois ou três anos, quando o milan emprestou o abbiati à juve. estão a imaginar o sporting emprestar o tiago ao benfica quando há dois anos os guarda-redes lampiões andavam todos encostados à box? não estão pois não?


e voltei-me a lembrar disto quando hoje soube que o barcelona entrou em campo para jogar o juan gamper, envergando o equipamento do sevilha, em homenagem ao puerta. estão a ver o jnpc autorizar o clube a entrar em campo equipado à benfica em homenagem ao féher, não estão?


meu deus, temos ainda tanto que aprender.

quinta-feira, agosto 30, 2007

traseiras parte dois - o guincho

na sequência deste post, recebo este mail vindo deste maduro:

Referias nesse post que tinhas saudades do som das roldanas do estendal. Vai em anexo um sonzinho acabado de gravar. Se quiseres posso gravar uma hora disto.
O estendal cá de casa não é oleado, que'ssa merda é p'ra rotos!
Abraço
RM

e aqui em baixo coloquei o referido sonzinho. que maravilha de som, porra! até arrepia no escroto. ou melhor, é um arrepio que vai daqui do escroto, passa pelo arelho e só termina aqui na nuca!

uuuuuhhhhhhhi!!






os nomes do pai

o meu pai não inspirava somente um sketch do gato fedorento. o meu pai tem reportório para encher seguramente uma série inteira.

uma das "cenas" dele é referir-se a terceiros pelo seu nome próprio. assim, o cavaco silva é o "aníbal"; o secretário é o "carlos"; o cunhal é(ra) o "álvaro"; o durão barroso é o "zé manel"; o figo é o "luís"; o sá carneiro era o "francisco"; o pinto da costa é obviamente jorge nuno; o freitas do amaral é o "diogo", etc, etc...

adiante!

há uns poucos anos convidei o meu pai para ir ver o clube:
- ó pai, o clube vai ao restelo. eles andam muito em baixo. vamos lá apoiar os gajos?
- oh, não sei.... o raio dos bilhetes e tal... é muito caro, filho!
- bem se é por isso, não se pensa mais no assunto. eu tenho todo o gosto em lhe oferecer o bilhete.
- maravilha. então aceito.
- ó pai, combinamos o seguinte, eu venho daqui do estoril, não é? o pai vem lá de casa, apanha o metro e tal, mete-se depois no comboio e, quando estiver ali, mais coisa menos coisa, em alcântara, dá-me um toque para o telelé e eu vou buscá-lo à estação de belém.
- combinado! não se fala mais no assunto.

no dia do jogo, dez minutos depois da hora combinada, dou-lhe uma apitadela:
- está, pai?
- ooooooiii!
- então, ainda no comboio?
- não, filho! já cheguei.
- já? ok! então e onde é que está? estou aqui a controlar o pessoal que sai da estação mas não o vi passar...
- oh! estou aqui à porta da casa do jorge.
- ?????? do jorge? jorge? qual jorge, pai? não estou a ver quem é?
- ohh! até parece que não sabes. ai que distração a tua, filho. estou à porta do jorge sampaio!
- oh meu deus! (foda-se, este meu pai dá-me cabo da mona)

e lá fui apanhar o velhote. quem o conhece, imagina o que realmente ele estava a fazer. sim, estava, obviamente, na palheta com o gnr de serviço à porta de armas, ambos sob o tecto da guarita da entrada do palácio de belém.

e perdemos três a zero. um deles com um tiraço do césar peixoto que até me doeu na alma.

traseiras

às vezes tenho saudades dos guinchos que soltavam as cordas (ou os cabos) e as roldanas dos estendais de roupa das traseiras da minha casa.

há qualquer coisa de urbano naquele som. qualquer coisa de quotidiano, qualquer coisa que me remete para lisboa. há qualquer coisa de "bairro" naqueles barulhos agudos.

não sei, pá!. sei que aqui onde eu agora moro, nos subúrbios (nos "subúrbios dos arredores" como ouvi num programa daqueles que dão na tv à tarde) onde proliferam as marquises com estendais em plástico ou máquinas de secar a roupa, deixei de ouvir aquilo.

e tenho saudades.

tenho saudades de descer ao primeiro andar, bater à porta da dona engrácia e pedir autorização para me deixar saltar para o telhado do rés-do-chão - casa da minha tia zé - onde jaziam molas de roupa deixadas cair pela minha mãe.

mas aquele som agudo...

e depois não eram só os guinchos, era também o barulho surdo e grave das roldanas oleadas. ou mesmo mais tarde, quando as cordas foram substituídas por cabos. e mesmo esses cabos passaram a vir revestidos por mangueirinhas plásticas que não aleijavam as mãos.

um salto tecnológico bestial esses mangueirinhas que revestiam os cabos, pá. nem a roupa ficava com manchas de ferrugem, nem o corpo ganhava tétano das picadelas oriundas dos arames dos cabos que se desfaziam.

e sim, tenho saudades.

bem vistas as coisas, a passagem das molas de madeira para as de plástico também foi um salto tecnológico de registo. por outro lado, o sabor doce da madeira que sentíamos quando segurávamos as molas com a boca, passou a ser um sabor azedo e artificial do plástico (bhlah!).

tenho saudades.

há sons da nossa infância que deixam umas saudades do catano!

terça-feira, agosto 28, 2007

todos os nomes? nah, só alguns!

a minha filha chama-se beatriz porque eu tive uma avó com esse nome. nunca a conheci, era a mãe da minha mãe e mulher do meu avô antónio. sem saber porquê, talvez porque eu gostava muito desse meu avô, inconscientemente, acabei por gostar muito das coisas que diziam dessa minha avó. ficou o gosto por ela. não sei se gosto do nome beatriz. mas a partir da altura em que aquilo passa a ser uma homenagem, o gostar ou não do nome, deixa de ser importante. felizmente a vinha avó não era hermengarda.

mas há nomes que eu acabo por associar logo logo directamente a algumas pessoas. pronto, se calhar porque me marcaram duma forma ou doutra, ou porque eram pessoas com que me cruzava no dia a dia - comerciantes, familiares, etc -, ou até porque foram as primeiras que eu contactei com esses nomes.

por isso é que para mim albino será sempre o dono do lugar lá ao pé da tipografia do marques & napoleão e que nos fornecia os caixotes para jogarmos pequei; aníbal será sempre o senhor que tinha a drogaria onde eu comprava pedrinhas de goma arábica para fazer cola com que se colavam os cromos da colecção "panorama zoológico"; porfírio será sempre o senhor que tinha (tem!) uma loja de ferragens onde se ia comprar pregos e parafusos; duarte será sempre o marido da beatriz do lugar da esquina; alfredo será sempre o meu tio que tinha um papagaio chamado jacob (que imitava máquinas de costura) e uma figueira em cima da qual eu passava umas valentes manhãs a encher o bandulho; álvaro será outro tio que sabe de cor e salteado as equipas campeãs da década de quarenta em diante e que eu adoro ouvir dizer o nomes dos campeões beleneses de 45/46, assim, a eito e dum só fôlego: capela vasco e feliciano, amaro, gomes e serafim (deve-se pronunciar sarafim), armando, quaresma e andrade, josé pedro e rafael; acácio será sempre o meu padrinho; possidónio tem de ser o pai do zé burrié; sebastião só pode ser o cô com aquele penteadinho de óleo dos fritos; altina será a leiteira que nos fornecia aquelas saudosas garrafas de leitinho fresquinho (ai o que eu odiei quando as substituíram por pacotes daqueles maleáveis que se entornavam todos pelos cotovelos abaixo); cecília será sempre a minha irmã (
meu deus, o que raio passou pela cabeça dos meus pais quando lhe deram aquele nome?); lutegarda será sempre a cabeleireira da minha mãe (calma, não façam assim um ar de espanto tão grande. era tratada por lute!); agostinho será sempre o taberneiro (tenho de fazer um post sobre o seu velório: irresistível, mesmo!); alcides só pode ser o meu bom velho companheiro dos tempos em que fomos monitor de colónias de férias; tibério só pode ser o meu falecido primo que me ofereceu, salvo erro, um triciclo (ou terá sido um cavalo de pau?); benjamim é outro primo que tinha uma loja de electrodomésticos em corroios; celso era o pai das gêmeas; cristiano será sempre o pai dos gramunhas; edgar era o senhor que nos tirava os retratos; amílcar era um primo que se lembrou de tirar filosofia na católica "apenas" com média de 17 ("apenas", simplesmente, porque já estava muito farto daquilo e não estava para se esforçar mais); horácio era o senhor da oficina perto do greno e respeitável dono do king e zulmira foi a minha professora da primária.

isto claro para não falar nos nomes dos actores das novelas que passaram a ser tratados pelo nome das suas primeiras personagens: o nacib, o dr. mundinho, a malvina, a jerusa, a muriel, a ligia, a malu mulher, o zeca diabo, o tonico bastos, o terêncio, o zelão das asas, o odorico paraguaçu, o dirceu borboleta, o chico chicão (que um dia quis tirar uma foto com a minha filha), a glorinha, etc, etc.

o resto, bom o resto é conversa

segunda-feira, agosto 27, 2007



no inverno de 1988, realizou-se no pavilhão carlos lopes, um evento denominado "sons do parque". a ideia era fazer um concerto dividido em duas noites. na primeira com os gnr, os essa entente e os xutos e na segunda com os mler ife dada, o jorge palma, o vitorino e o sérgio godinho.

o mira* que como eu gostava de ir a estas coisas, dá-me uma telefonadela e avisa-me:
- hoje prepara-te porque vamos ver o sérgio godinho e o vitorino!
eu que como ele era doidinho pelo sg, nem pensei duas vezes:
- olha, traz então dois capacetes.

e lá fomos na sua dt até ao parque.

a coisa começou com os mler ife dada e nessa altura nós ainda estávamos no bar a beber cervejas (mas alguém um dia perdeu tempo a ver os mler ife dada?). aos despois arrancou o jorge palma. do palma já gostávamos! era um gajo porreiro e tal.... com o mira tenho ideia de termos papado mais um dois concertos dele. e eu até tinha uma música favorita: terra dos sonhos.

nessa noite apanhámos-lo no bar (isto, da segunda vez que lá fomos). toquei-lhe no ombro e disse-lhe:
- ó psht psht, tu és menino para me dares um autógrafo? (que vergonha, nem quero acreditar que andei a pedir autógrafos. realmente os 18, 19 anos, são uma idade fodida!...)
ele virou-se e replicou
- se me pagares uma cerveja, até dou.
eu paguei e ele lá escrevinhou uns rabiscos no papel:
"ó jaime, já estou farto de dar autógrafos! um abraço, jorge palma"

ele depois pagou-nos também uma cerveja, mas cravou-nos dois sg gigante!

confesso que passei a ouvir melhor aquelas cantigas. e passei a gostar ainda mais das coisas do jota pê. mas o tempo foi passando, vieram as coisas do palma's gang, do rio grande e mais não sei o quê e o palma passou a ser insuportável. e ainda é. pelo menos para mim.

mas há sempre o reverso da medalha.

há na casa onde passo férias, uma colectânea do jorge palma (o meu sogro é fanzoca), que habitualmente toca quando lá estou. não sei porquê, não faço a mínima ideia, mas sem ninguém ter encomendado nada, aos poucos, fui-me habituando a ouvir aquele disco "ali". sim, lá, naquele lugar. lá no alentejo.

é estranho, não suporto ouvir o jorge palma (que é realmente um gajo porreirissimo e o mais pacholas possivel) em qualquer outra ocasião mas ali gosto. o disco em questão é o "só", uma coisa que ele gravou no início da década de noventa, só com voz e piano. e gravou assim, directo para a fita, sem montagem nem mariquices. assim, em puro, construindo um ambiente do belo.

normalmente é assim: boto o cê dê lá no toca cê dês, levanto o volume, ligo as colunas que tocam na rua, pego na caiprinha ou na licor de nóz com muito gelo, e fico ali ao relento, meio grogue a ouvir as palavras e as pianadas a passar.

gosto!

Só por existir
Só por duvidar
Tenho duas almas em guerra
E sei que nenhuma vai ganhar

Só por ter dois sóis
Só por hesitar
Fiz a cama na encruzilhada
E chamei casa a esse lugar

E anda sempre alguém por lá
Junto à tempestade
Onde os pés não têm chão
E as mãos perdem a razão

Só por inventar
Só por destruir
Tenho as chaves do céu e do inferno
E deixo o tempo decidir

E anda sempre alguém por lá
Junto à tempestade
Onde os pés não têm chão
E as mãos perdem a razão

Só por existir
Só por duvidar
Tenho duas almas em guerra
E sei que nenhuma vai ganhar
Eu sei que nenhuma vai ganhar


* eh pá, tenho de fazer um post sobre ti, meu malandro. um maduro como tu, que a sábado e o dn considerou como sendo um dos melhores escultores de areia do mundo, merece o meu respeito. pagaste para eles dizerem aquilo, não foi?

o crime foi meu

mas quem me mandou ficar até às tantas a ver o crime do padre amaro? digam-me, quem?

a ideia era ver a soraia (nome nitidamente de cigana da picheleira) a levar umas retanchadas. e vi. pronto, é certo, a gaja tem rabo e corpo e tal. mas não é muito gira. ou melhor, se não tivesse corpo nenhum e tivesse a cara que tem, ninguém daria nada pela miúda.

depois é uma chatice não arranjarem actrizes com um bom par de tetos. a gente vê o volver* e não nos sai da cebeça a célebre cena da penélope (esta já tem nome de discoteca) a lavar a louça. e passado um ano ou coisa parecida, a cena continua na nossa cabeça. e não lhe vimos os tetos por completo. foi só mesmo o fantástico rego de mamas.

agora a soraia, minha nossa senhora, aquilo ficava bem mais compostinho se também tivesse um aspecto, digamos, mais bélico, pronto!

o resto é mau. é muito mau! os actores são maus (porque é que continuam a fazer castings naquela de "olha, vamos convidar assim, malta da tv e tal. políticos, por exemplo. vamos dar oportunidades a essa cambada, vamos?"), o argumento é do pior e principalmente o som, a banda sonora, etc, etc.

mas é tudo muito mau. quando uma pessoa se ri nas cenas dramáticas, está tudo dito, pronto!

mas aquilo que mais me custa não ver nas coisas feitas pelos portugueses é o "molho". é o que sucede entre as cenas. se há uma cena em que a ideia é uma pessoa aproximar-se de outra e dizer-lhe: o teu marido morreu. não é suposto a pessoa aproximar-se e dizer-lhe: o teu marido morreu. tem de fazer muitas outras coisas mais para encher a cena de molho: olhares, gestos, palavras, etc.

e em portugal, meus amigos, isso raramente acontece.

é pena.

(e depois há o nicolau breyner..... bom, é melhor não dizer mais nada!)


tu, realmente!

tenho saudades

dum golo de bola corrida.

sexta-feira, agosto 24, 2007

força força companheiro vasco, nós seremos a muralha de aço

entra-me messenger a dentro uma amiga. pergunto-lhe se está bem e se o resto da família também anda sobre rodas.

diz-me que sim, que a filha está cada vez mais mulher e que o seu companheiro tem sido um doce para ela.

aí eu olho para o ecrã e estarreço. companheiro? meu deus, que coisa mais linda de se dizer. como é que há alguém no mundo que ainda utiliza este termo. eu tenho para mim que dizer companheiro está ao nível de se dizer bruxo! ou mesmo árióps!

para mim, companheiro é a palavra mais preciosa (termo que agora inventei. define algo relativo ao processo revolucionário em curso) e gonçalvista que eu conheço.

companheiro, (deveis fazer uma pausa quando lerdes isto) maravilha!

neminho

não bastando o que o post de baixo documenta, agora não há dia que passe sem que arraste o maple até ao móvel da entrada e se ponha a fazer festinhas ao neminho(!), um minúsculo peixe vermelhusco que temos numa bola de vidro, comummente denominada de aquário. hoje de manhã, no meio duma birra, lá ouvi o barulho das pedrinhas a baterem nas paredes de vidro.

- ó filha, mas não vês que assim matas o neminho? se lhe fizeres isso, ele morre, pá.
- mas eu quero!!!! quero fazer carinhos a iêle, pai!

animais



tem, tem pancada pela bicharia. não interessa se são artificiais ou verdadeiros. seja qual for a opção ela está lá. e como se vê, não abre a mão



e não deixa de se embrenhar na multidão.

quarta-feira, agosto 22, 2007

selada das eiras

dedicado ao meu muito querido costa calado.

eu não era um grande amante de rallys. era mais da trupe da fórmula um. o piquet ainda reinava e por isso não via necessidade de virar atenções para outro lado.

mas um dia, mais precisamente em 6 de março de 1984, andava por lisboa a fazer os habituais recados ao meu pai, quando ao passar pelo largo de camões, me deparo com um enorme ajuntamento. fui ver (assim ao estilo da balada do gil) e afinal era um happening criado pela lancia para promover o rally de portugal. por lá fiquei, a suplicar autocolantes e porta-chaves, ao mesmo tempo que tentava afincadamente sacar um autógrafo de um dos pilotos presentes: bettega, toivonen e allen. às tantas eles têm de arrumar a tenda e os carros põem-se em andamento. meu deus, assim que eu ouvi aquele bóint-bóint-bóint dos carritos fiquei doidinho. doidinho ao ponto de ir lado a lado com o 037 do italiano, rua do alecrim abaixo. que show, meu deus. foi a minha epifania para esta trupe de saltimbancos.

não passei a amar os rallys, mas passei a seguir com atenção o rally de portugal. e claro, o toivonen passou a ser o meu favorito (era o mais simpático dentre os que lá estavam no chiado. sim, ainda mais que o allen) (vejam lá bem o efeito que estas promoções fazem nas cabecitas dos miúdos. ai o futebol português tem ainda tanto para aprender...). recordo-me que até ao seu abandono ele papou os troços todos de sintra. limpinho. e claro, conversas que eu achava desinteressantíssimas, passaram a ser escutadas de ouvidos bem atentos: histórias de sintra, de fafe, etc.

ordeca para ir ver estas coisas é que infelizmente nunca cheguei a ter.

anos mais tarde, quando os meus pais voltaram a comprar a casa onde a minha mãe e seus irmãos e irmãs nasceram, ali em vila nova do ceira, passei a ter um contacto ainda mais estreito com essas histórias. atentem o seguinte, havia um troço, o da candosa, a menos de um par de quilómetros da porta da minha casa. as equipas faziam os seus preparativos e montavam as suas tendas, ali mesmo dentro da aldeia. é pois natural que aqueles meus amigos tivessem dos pilotos uma opinião bem diferente daquela que nós - que apenas seguíamos pela televisão - tínhamos. eu que odiava o röhrl, por exemplo, fiquei a saber que afinal o tedesco era um porreiraço. pormenores, não é?

calhou de caminho, a minha irmã arranjar para namorado e marido, um rapaz louco pelos cabrões dos carros e conhecedor da serra de arganil e arredores - bem abrangentes, diga-se - como a palma da sua mão. e assim foi com ele que eu em 1988 finalmente vi ao vivo e a cores os carros a passarem à minha beira.

meu deus, o pó, a noite, o frio, o nascer do sol lá na serra, o ambiente, as bocas que se mandam, as bebedeiras e, já agora, os carros. tudo aquilo era francamente novo e bestial.

e muito bom foi também quando finalmente, num dos anos seguintes, tive oportunidade de ver os carros no spot mais fantástico de todo o mundial de rallys, o gancho da selada das eiras.

pooooooorrrrrraaaaa!

chegámos lá, suponho, vindo de relva ou mesmo de teixeira, já não me recordo bem. aquele povo todo amontoado, um bruá enorme, muita, muita gente. roulotes de bifanas e bjecas. um show, um show. recordo-me dum grupo de três bêbados sentados em cima duma pedra - um com a parte da frente duma guitarra toda escavacada, outro com um capacete com cornos e finalmente o terceiro com um enorme badalo - que faziam um show do caraças quando os carros passavam.

e finalmente chegam os bólides. inexplicável, meus amigos. os carros chegavam lá subindo a estrada que vem do salgueiro, depois atravessavam-se completamente pelo gancho dentro, durante uns bons valentes metros, para finalmente darem gás àqueles motores pela estrada que os levavam aos ganchos de lomba.

fiquei doidinho.

ainda vi o rally naquele local, mais umas duas ou três vezes - não vi mais porque para se ir à selada das eiras ficávamos "presos" e impossibilitados de ir ver outros troços. e a ideia era ver aqueles carros o maior número de vezes possível - e não consigo encontrar emoção (nem mesmo do que vejo na tv) como naquele local.

nestas férias voltei lá, desta vez sem a ajuda do meu cunhado-guia para reviver aqueles momentos. o local está diferente, há partes que estão alcatroadas e que na altura eram em terra batida, mas o coração apertou com saudades de ver os carros a largar pó por aquela serra de arganil.

meu querido rui, deixo-te aqui três fotos. duas encontrei num fórum do autohoje, esta retratando a subida do pessegueiro - olha-me bem a dureza deste piso -


a outra já mostra o röhrl a a chegar ao cabrão do gancho


finalmente a foto que eu tirei. vê comigo: os gajos chegavam daqui da direita - atenção que o jorge bica disse que atingia ali na subida 180 km/h - e no final dessa rectazita davam um toque de volante, obrigando o rabo a sair para a esquerda - vi ali um camone partir uma perna porque levou com um guarda lamas - para curvarem já em slide de ladecos atravessando assim nessa posição a estrada alcatroada (aquela onde está o meu carro estacionado) a fim de embicarem a frente para aquela estrada, paralela à tal do meu carro. atenta que na altura a única parte alcatroada eram aqueles quatro ou cinco metros da estrada principal, tudo o resto que vês na imagem não estava alcatroado. ok?


a pergunta que te faço é a seguinte: será que com este texto te consigo pôr a gostar de ganchos em vez de continuares com essa mariquice de só gramares ver os carros a bombar nas rectas?

terça-feira, agosto 21, 2007

candosa

muito resumidamente, conta a lenda que os mouros tentaram construir aqui uma barragem que alagasse este vale. mas durante a noite, uma senhora montada num burro e carregando uma candeia, vinha ao local das obras, digamos assim e destruía a barragem. a coisa andou assim durante uns tempos até que os mouros se cansaram e bazaram para outro lugar. em sua homenagem o povo das redondezas, construiu aqui uma ermida em honra da senhora da candosa.

conta também uma lenda que o povo vinha para aqui de noite, estacionava o seu carrito e dava umas valentes retanchadas. alguns que eu cá sei vinham de mota. em tempos partiu também daqui o troço da candosa do rally de portugal. os mais recordados sabem que esse troço tinha duas passagens (candosa 1 e candosa 2). em código, entre alguns dos habitantes da aldeia, costumava-se utilizar a expressão "fazer a candosa 3". por exemplo no seguinte contexto:

- ontem, peguei na minha casal boss e fui com a ilda fazer o candosa 3.

julgo não haver necessidade de mais explicações.

bom, historietas, não é?

o que eu cá sei é que é daqui que se tem a mais fantástica vista da terra da minha mãe. isso é certinho comó destino!




informação da semana.

dos jornais:

"os activistas tinham as caras tapadas com panos para, segundo eles, se protegerem do polén transgénico."

acho bem, porra. então a rapaziada ia lá foder o milho ao velho e acabavam todos com uns dói-dói nos pulmões? nah, há que tomar as devidas precauções.

amei.

medo

ó je, comenta-me isto por favor.

das férias - da minha casa

quando acordava de manhã





e quando acordava à tarde


eu show nico

li numa revista - ai o que eu li nestas férias. tanta coisa gira... - que o nicolau* recebeu ameaças de morte por causa do filme do presidente com a lina alternadeira.

sou contra. sou contra a morte das pessoas que gostam de fingir que são actores.

para mim, bastava ameaçá-lo que o senhor teria de deixar as lides das interpretações. era um serviço que se fazia ao país e ao mundo. aliás, pessoalmente acho que ele continua a fazer o mesmo papel, o do godunha da vila faia. só que às vezes tira o bigode. o resto, pronto o resto é tudo igual.


e teresa guilherme, porque raio não recebe ameaças de morte por teimar em ser actriz? não compreendo.

* eu sei que esta é uma piada parva. mas não resisti. até porque eu acho que o nico deve ser um pacholas à maneira. mas pronto, não gosto é de o ver a actuar, só isso.