terça-feira, julho 31, 2007

deverão ser livros, concerteza

há livros que nos marcam para a vida. há livros de verão (livros de verão, para mim, são livros que calharam terem sido lidos por alturas do verão, nada mais que isso) que marcam alguns verões.
este marcou o verão do ano passado

este marcou o verão de 2000

este marcou o verão de 1999

este marcou o verão de 2001



que livro marcará o meu verão deste ano? a gente sabe lá? só lendo, ora!

five man acoustical jam

eu não gosto dos tesla. eu até nem conheço muito bem os tesla. mas algures na década de noventa, assim, lá para 93 ou 94, aconteceu estar em casa duma colega de faculdade a fazer noitadas a cagar os dedos com tinta da china (vejam lá bem há quanto tempo isto foi) enquanto terminava os meus trabalhos de composição e desenho urbano e, lá para as três ou quatro da matina, desata a passar na rádio (talvez na energia) um disco, assim com umas guitarradas do caneco.

(e como na balada do augusto gil) fui ver e era uma coisa chamada tesla. eh pá, isto parece-me ser interessante, gandas malhas. tu queres ver que tenho de ir comprar isto? vai na volta, não é?

e comprei.

e é dos discos mais tocados nestes últimos dez anos.

e pouca gente conhece (infelizmente) (tu conheces, não é, ó neves?)

e agora lembrei-me do paradise e também deste love song.

malha do camandro. isto assim visto daqui até parece que é fácil de tocar. mas não é, não é...

So you think that it's over,
Say your love has fin'lly reached the end.
Any time you call, night or day,
I'll be right there for you if you need a friend.

It's gonna take a little time.
Time is sure to mend your broken heart.
Don't you even worry, pretty darlin'.
I know you'll find love again. Yeah.

Chorus:
Love is all around you.
Love is knockin' outside the door.
Waitin' for you is this love made just for two
Keep an open heart and you'll find love again, I know.

Love is all around you.
Love is knockin' outside the door.
Waitin' for you is this love made just for two
Keep an open heart and you'll find love again, I know.

Chorus / Outro:
Love will find a way.
Darlin', love is gonna find a way,
Find its way back to you.
Love will find a way.
So look around, open your eyes.
Love is gonna find a way.
Love is gonna, love is gonna find a way.
Love will find a way.
Love's gonna find a way back to you, yeah,
I know. I know. I know


m80

apesar das esperas por bebidas atingirem os 45 minutos, duas das pessoas que carinhosamente atendiam os nossos pedidos tinham um aspecto peitoral bélico.

baristas das discotecas com valentes pares de tetos? sou a favor!

m80

sábado, festança fantástica da m80 no bar do guincho. música do belo.

espaço a abarrotar, noite muito quente.

nos bares a espera chegava aos 45 minutos. a maior parte desse tempo era gasto, imagine-se a servir caipirinhas. ora caipirinhas, não são propriamente coisas que se tirem em 12 segundos como as imperiais.

caipirinhas* em discotecas? sou desesperadamente contra!

* sim, eu sei que é ofensivo chamar àquilo caipirinhas. mas era a palavra que eles utilizavam.

isto realmente

há dois dias úteis (e mais um domingo e meio sábado) que estou sem filha.
há dois dias úteis (e mais um domingo e meio sábado) que ela anda a curtir que nem uma perdida, junto com os avós, nas terras quentes (aquilo até tem fragas que fervem os pés como as de trás-os-montes) do alto alentejo.
há dois dias úteis que saio de casa, paro o carro em frente à escola, olho para o lado e.... mas onde é que está o raio da miúda?
ai esta cabeça!.....
não me consigo habituar a viver sem ela.

segunda-feira, julho 30, 2007

2001

havia um empregado da pastelaria roma, o baptista, que era mais coisa menos coisa a versão portuguesa do john belushi. uma certa noite, quando me preparava para pagar seis sagres preta e dois cafés (estava acompanhado por um velho irmão) ele perguntou-nos:
- então, vão para as docas?
- nah... hoje é noite de ir para o dois!

o gajo fez um
- para o dois mil? ahhhhhhhh...
ficou a olhar para o tecto com um ar pensativo e seguiu a sua vida. passados dez segundos regressou à mesa:
- vão mesmo?
- vamos!
- ihhhh, que espectáculo. foda-se, as saudades que eu tenho daquilo. estava lá sempre batido. ainda está bom?
- claro que está!
- vocês não estão a ver bem aquilo, vinha gente de tódóládo. éramos milhares a caminhar para lá. ai que sódádes. até s'a fodia lá dentro, man! aquilo era a catedral!

foi a primeira vez que ouvi a designação de catedral para o dois. e merece o epíteto. é claro que este último conjunto de frases que ele pronunciou são o máximo: imaginar clientes do 2001 a virem, aos milhares, de todo o lado como se fossem formigas agrupando-se naquela alameda do autódromo para conseguirem entrar e, já lá dentro, a produzirem valentes fornicamentações naqueles belos sofás ao som do whole lotta love é algo que me tira do sério.

eu não sou dos que frequenta o dois desde sempre, ou seja, desde que aos 18 anos o poderia tecnicamente frequentar. nada disso. para já porque tecnicamente o meu pai não me deixava ir a discotecas cuja última música tocasse depois do telejornal das oito e depois porque aos dezoito anos eu com certeza que não iria curtir aquele som.

aquele som, começou por me dizer alguma coisinha após umas visitas ao news lá para 89/90 e só acabou por se entranhar definitivamente após a tropa. o chico mestre, velho camarada de armas, tinha uma cassete gravada duma emissão da velha rádio marginal (estão a ver a secante rádio marginal actual? pois não tem nada a ver) que tinha como alinhamento as seguintes músicas:
- gimme your good lovin dos diving for pearls
- fire woman na versão la rock mix dos the cult
- just another night (extended remix) do jagger
- not dead yet dos styx
- you shok me all night long dos ac faísca dc
- rebell yell do billy idol
e terminava com o i found love dos lone justice.

que set do camandro. meus amigos, porra, a quantidade de vezes que eu vim de campanhã até santa apolónia, feijão-verdamente fardado a ouvir esta cassete no meu uólquemen. jasus, ouvi esta cassete milhares de vezes. e o mestre dizia-me: se gostas disto, larga o news e mete-te a caminho do dois. aquele "larga o news", assim como quem diz "larga a coca", fazia sentido para mim. mas acabei por andar agarrado ao news durante mais uns anos.

mas eu considero aquela cassete a minha epifania. o dois mil veio uns meses depois numa noite muita louca mas não entranhou logo.

a coisa só aconteceu, por um feliz acaso, algures em meados dos anos noventa, após muito treino conseguido com a audição dos discos dos meus camaradas de oeiras, depois de algumas idas ao bauhaus (porque raio os betos da linha dizem bá-áus?), depois de muita coisa desse género. a verdade é que com esse treino todo, quando então voltei ao dois, algo se tinha passado. toda aquela música passou a fazer sentido para mim. e realmente ainda faz.

o dois mil é mesmo a melhor discoteca que eu conheço. porque é imutável. e isso, acreditem é bom. é bom que não haja imperiais mas sim médias; é bom que não haja garrafinhas de água mas sim, grandes litradas de água de luso (garrafa de vidro); é bom que eu me sinta seguro até ao tutano lá dentro;

aliás, a segurança do 2001 é outro dos mitos urbanos que para aí se fomenta. acreditem, há (houve) muitas mais mortes, esfaqueamentos, socos e afins em 18 (20?) anos do kremlin do que em 35 anos do 2001. mas de caras. tentem um dia armar-se aos cucos no 2001 e vão ver o que é o remédio para a tosse.

é bom que nós saibamos que aquela música, infelizmente, já só se ouve ali; é bom que ninguém ligue ao que levas vestido; é bom que tu saibas que entras lá queres vá com 5 gajas ou com 10 maduros; é bom que não haja preconceitos rigorosamente nenhuns com o teu aspecto; ali convivem os motards, com os janados, com os freaks, com as matronas lá daquelas terras com nomes como cacém e serra das minas, ostentando penteados estilo puta dos anos setenta (vide madonna no tempo do music), com tias da linha (cada vez mais), com pitas da moda (estranhamente, cada vez mais), é bom .... tudo!!!!! tudo ali é bom!!!!!

e é bom porque tem um início com música dos eighties muito à maneira (há quanto tempo não ouvem o airport dos motors numa discoteca?); e é bom porque tem, ali por volta das 2h40, abertura de pista com fumos e strobs como já não voltou a haver em mais lado nenhum; e é bom porque uma vez o dj
me disse: "entra aí na cabine porque eu não te estou a ouvir muito bem. queres que eu ponha o quê?" e que a minha vontade foi descalçar-me por achar que estava a pisar terreno sagrado; e é bom porque um dos djs certa noite atendeu ao meu pedido para ouvir o she's so cold (quantas discotecas dão o she's so cold? meus amigos, quantas?) afirmando "eh caralho, se queres ouvir o she's so cold és old skool, man!, vou já tratar disso!" e é bom porque a noite termina sempre, sempre, sempre da mesma forma:




e nessa altura não há nada a fazer, é juntarmos os cacos e rezar para que a bêtê não tenha trabalhado nessa noite!

siga! para a semana há mais!

voltei finalmente ao 2001

meu deus, como sou estúpido em ir lá com tão pouca assiduidade.

sexta-feira, julho 27, 2007

adriano

se o adriano voltar a ser o melhor marcador do clube, eu juro que me desmancharei a rir de gozo, de escárnio e de maldizer.

o adriano é bem capaz de ser o novo secretário (o "nódoa" como muito bem o apelidávamos cada vez que o ia ver ao restelo), só que em bom: estava sempre na lista dos despensáveis mas acabava sempre a titular.

outra coisa, eu só acredito que ele fica mesmo, depois do fecho das inscrições (no fim de agosto, não é?) mas para mim a melhor contratação do porto é feita com a manutenção do quaresma. meu deus, e aquilo ontem? que centro de sonho. e o cabrão do brasileiro? a bola vem lá do lado esquerdo com uma bolina de camandro e ele lembra-se de matá-la no peito e espetar-lhe uma bicla para o fundo das malhas?

poooooorra!

spv

aqui há dias, "encontrei" na net uma ex-namorada. patá-patá para um lado, patá-patí para o outro, e "está tudo bem contigo?" para um lado e "está tudo bem contigo também?" para o outro e logo de seguida a pergunta sacramental:

- como é que andam os teus pais? e a tua mãe?

isto é certinho cumó, já não querem saber pormenores se ainda ando direitinho, já não querem saber se ainda mijo para as paredes ou se já mijo para os pés (ou para os joelhos, não é?), nada disso. o que querem saber é da minha mãe.

a minha mãe é uma espécie de reserva moral para elas. da minha mãe (nestes quase 20 últimos anos) todas ficam amigas. e todas ficam com saudades.

no caso das minhas ex-namoradas, a minha mãe é o meu "serviço pós-venda".

e tem livro de reclamações (coitada, as coisas que ela ouve delas).

quinta-feira, julho 26, 2007

atlético de madrid de paulo futre

finalmente uma alegria neste defeso: o simão vai para a arganzuela.

os colchoneros estão loucos porque não era bem o simão que queriam mas sim o quaresma. eu já não digo nada. mas na dúvida, antes o simão lá que o cigano.

ainda assim, verifico que a época transacta terminou sem que eu tivesse decorado a cara de todos os jogadores do meu clube. cheira-me que vou levar dois anos a decorar o nome só das contratações que se fizeram nestes últimos dois meses.

e continuo a aguardar a saída do jorginho. mas ninguém dá nada por ele? sei lá, o bolton, o sion, o besiktas, o huelva, equipas assim, coisas de renome, pá! quem sabe o vilafranquense, não?

quarta-feira, julho 25, 2007

indispensável na minha vida - rádio

indispensável na minha vida - som

quem não tem cão...

ao longo da minha vida tive um único cão. os mais puristas poderão dizer que ele não era meu. poderão dizer que a minha família era fiel depositária do animal. aceito. mas para mim, era meu!

viveu comigo durante uns bons 5/6 anos, até ao dia em que foi atropelado, vindo a lerpar dias depois. para mal dos meus pecados, morreu-me nos braços, algures entre a barão de sabrosa e a rotunda das olaias, durante a viagem de regresso do veterinário. nessa noite, baldei-me às aulas e pespeguei-me em frente das montras da loja dos animais do centro comercial de alvalade a chorar baba e ranho por causa do pobre bicho.

é a vida.

por causa disso, prometi (a mim, apenas a mim) que nunca mais teria cães. o sofrimento da perda do bicho é um pincel do caneco. mas claro, adoro cães. e porque sei que me afeiçoo a eles com facilidade é que não quero voltar a ter nenhum. são os bichos do melhor que há. e são estúpidos, trocam tudo, tudo e tudo apenas por um molhinho de festinhas diárias. não há mais nenhum animal assim.

como disse, nunca mais voltei a ter cães. desde que o meu morreu, há cerca de 20 anos, que tenho cumprido sempre com este meu trato. uma das minhas alegrias é o facto de a minha filha ter vindo com o chip programado para gostar de animais. principalmente de cães. dá-me um profundo gozo saber que não faz parte do grupo de crianças parvas e cheias de paneleirices por causa da proximidade dos inofensivos animais.

este "
parvas e cheias de paneleirices por causa da proximidade dos inofensivos animais" não é nenhuma indirecta a ninguém. é mesmo uma directa a mim. se um dia me virem junto a um gato, compreenderão o que vos digo.

alguns jogadores do clube são uns valentes substitutos dos cães que nunca voltei a ter. julgo que o deco e o anderson foram os mais agonizados nas suas partidas para outros clubes. já lá estão não quero voltar a falar nisso.

mas é verdade, afeiçoo-me aos cabrões dos jogadores e depois quando partem fico ali amuadinho, quase de lágrima no canto do olho, em frente dos videos do iu tube, a recordar outras velhas jogadas.

bom, escrevi este post porque estou com medo. estou com medo de me afeiçoar a este cão. é que já estou a ver o filme todo. já estou já!

ó meu deus, será que este gajo me vai por a fazer aqueles sorrisinhos que dei quando vi estas coisas?

indispensável na minha vida - procura com poupança

indispensável na minha vida - covers

indispensável na minha vida - dicionários

segunda-feira, julho 23, 2007

vendedores

nutro um certo carinho por vendedores. não me refiro aos competentes, aos craques, aos que fazem o que querem com um cliente ou potencial cliente. refiro-me aos cromos.

é certo que também há craques que são uns valentes cromos. o beto saraiva da picheleira era um deles. encontrei-o há uns 20 anos num casamento. nessa altura, já não falava com ele há uns tempos bons:
- então beto, o que fazes agora?
- chefio uma equipa de vendas do círculo de leitores.
- e então? dás-te bem?
- oh, se me dou bem? eu estava sempre no top dos vendedores da europa, pá.
- sério?
- eu fazia assim, olhava para um prédio de quinze andares, por exemplo. e depois dizia para comigo, tenho de fazer 10 novos sócios. e fazia, pá!
- mas tinhas técnicas?
- era o instinto? eu batia à porta e se me abrisse uma gaja era certinho que fazia a cliente.
- certinho?
- sim, pá. as gajas gostam de horóscopos. e eu dizia-lhes logo: a senhora está visto que gosta de ler. e gosta de ler coisas sobre signos, não é? pois, eu vi logo. a senhora é leona, não é?
- leona? dizias leona?
- dizia! dava outra classe. elas desmanchavam-se todas?
- e se não fosse? e se fosse caranguejo?
- mas achas que há mulheres que não sejam leonas? mesmo quando são virgens são umas autênticas leonas, pá!

pronto, o beto era um cromo - mas um dos fixes, atenção? haja respeito! - mas também era,
profissionalmente, um craque.

o que me dá mais gozo é encontrar aqueles vendedores que inventam tudo e mais alguma coisa para justificar uma venda. certa ocasião fui com o meu pai comprar um fato. não havia o modelo que eu gostava e ainda gosto: três botões na frente e duas rachas a trás. experimentei um jaquetão - odeio de morte -, mirei-me no espelho e ouço a voz do vendedor atrás de mim:
- esse é que lhe fica bem. assenta que nem uma luva. você é alto e tal...
ora o "você é alto e tal...." é que me tirou do sério. principalmente do alto dos meus cento e setenta centímetros, comparado com os seus cento e oitenta e tal.

quinta-feira fui jantar fora com a minha mulher. para regar um bestial polvo à lagareiro, deixei-me levar pela sugestiva (foi o menu que me sugeriu) sangria. pergunto:
- vocês têm aqui jarros e mini-jarros. os mini-jarros são muito mini?
- são de meio litro.
- ah, então venga jarro inteiro.
a minha mulher não bebe álcool. (não comentem, por favor) e este pormenor é muito importante para o desenrolar da história.

ora imbuído pelo álcool que já me corria no sangue, entro numa loja e desato a comprar ti chartes em atacado:
- olha, quero comprar esta aqui? bom pensando bem, levo estas quatro.

estou a apalpar as camisolitas quando me ponho a falar sozinho:
- este algodão não é nada mau...
- é algodão peruano. veja aqui "hecho en peru".
- ahhhh, e isso é bom?
- é claro! é o melhor algodão que há.
- dizem que o algodão brasileiro também é bom.
- sim, mas o peruano é melhor. falta-lhe o deserto ao brasil para produzir um algodão como o que temos no peru. mas não é mau, atenção.
- entendo. eu tive uma vez uma ti-charte bestial, era algodão do egipto.
- concordo. sim, o melhor algodão é o do peru, do brasil e do egipto.

é pá, então o gajo vai dizer bem de todos os algodões que eu inventar? deixa-me cá experimentar?

- a minha irmã também fala bem do algodão do paquistão...
- sim, é o algodão do peru, do brasil, do egipto e do paquistão!

olha, resulta! com a bebedeira que trazia no bucho, ainda estive para fazer referência ao algodão norueguês e ao andorrenho, mas estava com medo de me rir muito alto.

e as pessoas que me conhecem sabem que quando me rio muito alto...

bom esqueçam!

franchising

eu tenho para mim que a pessoa que inventou as praxes universitárias foi também a mesma que inventou as despedidas de solteira. repito, para não haver dúvidas, de solteira.

digo isto, com toda a certeza, porque ambas roçam - roçam uma ova, são a essência - o ridículo.

sobre as praxes não há mais nada a acrescentar. basta afirmar que são fomentadas por pessoas que andam de farda e tocam pandeireta com os calcanhares ou encavados ao colo de outros que empunham uma bandeira. está tudo dito.

agora as despedidas de solteira? não entendo, confesso que não entendo o que vai na alma daquelas mulheres.

vamos lá a ver uma coisa. a ideia é o mulherio juntar-se num bloco e fazer um valente pandã, com copos à mistura, certo? parece que sim. depois toca de zombar com a eleita porque passa a fazer parte da equipa dos casados, abandonando - é claro que ninguém abandona, mas... - o farrobadó que é apanágio da solteirice. ora, até aqui a coisa é parecida com o que se passa no nosso lado macho.

eu não consigo perceber são algumas coisas que.... ora bem, não entendo, poça!

para que raio ides vós colocar, na noiva, um avental com palavreado parvo? quererão dizer que de futuro a vida da dita senhora será passada em actividades da restauração?

porque raio toda e qualquer referência a uma pichota é motivo de alegria, júbilo e risota de hiena?

pois, estas coisas eu não entendo. mas há outras que me fornicam o cérebro. parecem o barulho esganiçado do giz a riscar uma ardósia. custa-me ver-vos obrigar uma noiva a beber cerveja por uma espécie de biberão com o formato duma pichota. por várias razões:

- para já porque não se bebe cerveja por uma palhinha. por mais grossa que a palhinha seja, é óbvio que isso estraga o sabor da cerveja.

- depois porque se a ideia é treinar a noiva para o futuro uso da pichota do marido, então deixem-me vos dizer que nenhum de nós quererá ou obrigar-vos-à a beber a nossa urina. não me digam que a ideia era simular um bico? era? oh meu deus, tanta ignorância. seria muito mais proveitoso as amigas da noiva levarem um dvd portátil, repleto de filmes pornográficos, por onde a noiva poderia aprender a trabalhar, cuspo-linguamente falando, o dito mangalho. acreditem, ninguém fica intumescido se o vosso trabalho for feito dessa forma.

- pensem no seguinte, julgam que nas despedidas de solteiros vamos pôr o noivo a beber caipirinhas por uma rabadilha de vaca?

outra coisa que não lembra o diabo é o bolo em forma de.... vá tentem adivinhar... de pichota, isso mesmo! ai que giro que é ver a vossa excitação quando dão uma trincadela dum colhão de chantilly. sim senhor, maravilha. vão por mim, minha amigas, os colhões ou se esfregam ou se lambem. a pichota, tudo bem, é para lamber, não é uma máquina de tirar imperiais e muito menos não esfregam com força e sofreguidão, a nossa tolinha no céu da vossa boca. amiguinhas, isso dói!

vejamos, gostam de woody allen? aprendam com o mestre, então.


sexta-feira, julho 20, 2007

creta


não fiz nem 1/100 das viagens que imaginei fazer quando era criança.

eu, conhecido como o menino dos mapas - em francês, pierre descartes -, imaginei dezenas e dezenas de viagens quando deitado, de barriga colada naquelas línguas de papel colorido que o meu pai foi paulatinamente comprando nas papelarias da baixa.

eram tempos em que digamos, não havia electricidade nas nossas brincadeiras. nem sequer cor havia nos desenhos animados.

olhava para aqueles nomes daqueles locais e ficava fascinado com o que haveria naqueles sítios. que tipo de gentes habitariam aquelas terras.

houve entretanto alguns acontecimentos que fizeram aguçar o meu apetite pelo contacto com esses locais mais remotos: o envio de postais que a minha tia lurdes sempre fazia; um dominó constituído por bandeiras de países e fotos das respectivas capitais; a colecção alfa estudante; o grande atlas das selecções, umas fantásticas aulas do meu quinto ano da faculdade ministradas por um inusitado e brilhante professor portuense, etc, etc

é por causa desses pequenos pormaiores que, sem outra razão aparente, fiquei com vontade de ir à galleria vittorio emanuel II, a siracusa, ao bairro judeu de praga, ao salto del ángel, tanto tanto lugar...

uma vez entrou na oficina dos meus pais um dos seus fornecedores. chamava-se américo, era uma simpatia. curiosamente e sem ninguém combinar isso, a sua visita acontecia por volta do são martinho. numa dessas vezes, vinha com uma novidade, tinha ido à grécia. ihhhhh, grécia. porra, no meu imaginário ninguém ia à grécia. ia-se a badajoz, a ayamonte ou a andorra. à grécia era uma coisa muito para lá. que coisa maravilhosa. eu, do baixo dos meus 5 anos, estava perante alguém que tinha estado em locais diferentes daqueles onde tinham estado todas as pessoas que eu conhecia.

- e onde esteve, senhor américo?
- em creta. conheces?
- não mas vou saber onde é.

e fui, abri o mapa no chão, deitei-me sobre ele e comecei à procura. descobri, era uma ilha. tinha um formato giro.

e desde esse dia que também passei a querer a creta. e estranhamente passei a ligar-me a essa ilha que nem sei se é bonita, se vale a pena a visita, se nada. não sei nada! sei que vejo algumas fotos e fico com uma vontade louca de partir, de lá aterrar e beijar o seu solo como o papa. e noutras vezes fico com medo de afinal aquilo ser só um sonho.

um sonhos desses que vamos tendo.

um sonho de viagens.

ainda assim, ficarei sempre com vontade de partir para lá. ver o que aquilo tem de bom.

(raio do senhor américo. raio de ilha!)

segunda-feira, julho 16, 2007

há quatro anos...

... que não fumo.

custou-me imenso, faz-me bem à saúde e tal....essas merdas, não é? mas tome atenção os que ainda fumam: é muito bom fumar. acreditem, é mesmo muito bom.

se querem mesmo deixar o vício, aviso-vos já: olhem que ainda se arrependem. é que tirando as tosses, o catarro, as paredes amareladas, os dentes à miguel portas, a falta de força na verga, o mau hálito e o cancro, sim, tirando isso, fumar é mesmo muito bom. tenho tantas saudades e faz-me tanta falta, pá.....

há quatro anos que não bebo café. blhec, que nojo! o café não faz falta a ninguém!