sábado, junho 30, 2007

quantas? nove????!!!!!

toca o meu telefone. olho para o visor e leio o nome da minha irmã:
- então miúda, o que é que precisas?
- não é a mãe, sou eu, o diogo.
- grande sobrinho e afilhado. como é que é? andas fino?
- ando. estou a telefonar porque já sei as notas.
- então?
- ó! passei!
- boa, catano.
- quantas negas?
- três.
- e com três negas dá para passar? - não percebo mesmo nada do ensino actual.
- dá. dá se não tivermos nega a português e matemática.
- ah, ok. e tiveste negas a quê?
- a evt, a matemática e a outra que já não me lembro.
- então tiveste nega a matemática e passaste?
- sim, só se tivesse nega a português e a matemática é que chumbava.
- pronto ok.

- olha lá, eu sei que recuperaste um porradão de negas, não foi?
- sim, tive sete, na páscoa.
- sete!!!!!!!!!!!!!!???????????? dasse!!!!!
- e no natal tinha tido nove.
- foda-se!!!!! não acredito, nove???????
- sim.
- tens a certeza que quando começaste a contar as negas não contaste também algumas doutro aluno.
- não. tive mesmo nove.
- mas tiveste alguma positiva?
- acho que não. não me lembro.

maravilha!

eu...

... desde a primária que tenho dois defeitos tremendos a escrever
tenho mais, mas estes dois fornicam-me com mais afinco o juízo
escrevo com pouco sumo e não releio o que escrevo.

sou descuidado, escrevo com o coração, não escrevo com a cabeça e a minha escrita é esquelética.

as redacções na primária resumiam-se sempre a três frases. se era sobre a árvore a coisa sairia:
a árvore
a árvore é castanha no tronco e verde nas folhas.
a árvore é bonita.
eu gosto das árvores.

se fosse sobre o dia do pai:
pai
o meu pai chama-se diniz
o meu pai é meu amigo.
eu gosto dele porque ele é útil*

ora com os meus posts sucede o mesmo. por vezes gostava de fazer coisas mais supimpas mas nunca sai aquilo que eu quero. o cabrão do texto foge-nos para sítios recônditos e parece que as palavras não querem ir para onde nós gostávamos que fossem. o texto da colónia, por exemplo, eu não queria fazer nada daquilo. eu queria uma coisa com níbel e tal. uma coisa que gostasse de ler. que principalmente eu gostasse de ler. mas não consigo.

é habitual emendar textos ou acrescentar coisas, dois dias, um mês, vários meses depois da sua publicação. quando volto a ler as minhas coisinhas - sim, ás vezes acontece -, encontro frases que não fazem nexo, palavras mal enquadradas, pensamentos mal explicados. e então mudo aquilo tudo!

depois tem os erros de português. dou erros atrás de erros. como escrevo muito depressa e não releio os textos antes de os publicar, dou erros parvos e também erros inteligentes.

erros parvos porque às vezes escrevo "ouve uma vez" quando estou careca de saber que o verbo haver se escreve com agá e que só se "ouve uma vez" quando a coisa não é ouvida duas ou mais vezes.

erros parvos porque às vezes escrevo vez e sei que queria escrever vês.

erros parvos porque eu sei que comboio e porra não têm acento.

erros parvos porque sei muito bem que ansioso vem de ansia, não vem de cioso e por isso não se escreve ancioso.

e erros inteligentes. chamo-lhes erros inteligentes porque não tenho inteligência sequer para me aperceber que o são. para esses, tenho felizmente alguém, alguns são anónimos - benditos anónimos! que nunca vos doam as mãos quando me quiserem corrigir os erros de português, ok? - outros nem por isso, que têm a paciência de me enviar mails, colocar commnts ou entrar messenger dentro desafiando-me: vamos corrigir os teus erros ou quê?

já agora. este é daqueles posts que eu não irei corrigir. muito menos reler. fica assim, pronto!

*isto é verídico, ok?

king

por causa destes posts da colónia de férias lembrei-me duma coisa que se ouvia muito por lá: ministars, onda-choc e queijinhos fresco. sim, não queiram saber a quantidade de vezes que eu cantei - sem esforço nem comichão nenhuma -

ohhhh, ooohhh,
tu vais p'rá tropa pá,
ohhhh, ohhhh,
tu vais p'rá tropa, pá!


ou mesmo,
se tu gostas daquelas cantigas
que dão nos tops e no clips da tv
se ainda não sabes cantar em inglês
então canta em português

somos jovens somos tantos
vimos cantar para vocês
e o lema do nosso grupo
é cantar em português

bom, mas não é por isso que eu trago aqui esse tema. lembrei-me destas bandas porque havia uma delas que tinha uma adaptação do what's up das four non blondes.

a letra era sobre um rapaz que era o picha d'aço lá da escola e tinha as miúdas todas pelo beicinho. a letra rezava assim:

Há um rapaz que anda lá na escola
Que por ser lindo e tocar viola
É o ídolo das raparigas
Passam-lhe desenhos a tinta-da-china
Trazem-lhe bolos da cantina
Ele leva-as com duas cantigas.

Fazem-lhe os trabalhos de casa
Deixam-no copiar
Se ele chega tarde vão falar
À stora pra não marcar falta
Dão-lhe prendas do bom e do melhor que há
Perfumes caros vejam lá
Se isto não é de enfurecer o resto da malta

Ele é o rei lá do liceu
Mas eu cansei
Pode ser rei mas não o meu

A Maria que vai pra Psicologia
Disse-me outro dia
A sua opinião
Que por traz da raiva ao tal rapaz
Eu tenho por ele
Uma grande paixão

Não estou de acordo
Sempre fui sempre serei
Contra os caprichos desse rei
Não sou do género de encostar a cabecinha
Alguém como ele se comigo quisesse namorar
Para se redimir para se curar
Tinha de tratar-me como uma rainha

ora bem, um gajo ter as tipas a trazerem-lhe bolos da cantina, não há dúvida que é uma coisa bestial; um gajo que tem as miúdas sempre prontas para lhe fazerem os trabalhos de casa, convenhamos, é algo também sempre a ter em conta; conseguir que as gajas sejam um fortíssimo lobby, sempre ali a pressionar as storas para não nos marcarem faltas quando um gajo se atrasa, parece-me também aprazível. agora meus amigos, antigos colegas lá do rainha, gente da área de artes, pessoal que sabe o que é um tira-linhas e que conhece muito bem as vicissitudes de andar sempre com os dedos cagados de preto, ter pessoas a passarem-nos os desenhos a tinta da china, ainda por cima gajas que sempre tiveram mais jeitinho para isso que nós rapazolas, meus amigos, acreditem piamente: o gajo era mesmo o rei!

juro, esse verso nessa música ficou-me para sempre na memória.

agora há autocads e, imagine-se, impressoras a laser. agora há até pendrives e tudo. na altura não havia nada disso. havia paciência e gente com pincéis pequeninos.

meus caros, acreditem, bom bom, não é um tipo ter a fama - ou o proveito - de ter tido as gajas todas da escola. bom bom é mesmo um tipo ter tido gajas que nos tivessem passado os trabalhos a tinta da china!

da colónia - saudades

do atelier de culinária; do toni da sua guitarra e da nossa cumplicidade; dos blues do pedro bengala; dos morgados; da minha sandra; do nuno garcia e das suas histórias da rádio; do paulo poiares e dos seus tiques e maneirismos; do bezegol fumado sabe-se lá onde; do rui monteiro que me disse que havia uma banda engraçada chamada eagles; do tó albuquerque; do jaime garcia que decidiu que pasaria o resto da vida a organizar coisas, desde passagens de ano a concentrações de motards de góis; do celso que foi mais tarde atl como eu e que calhava de caminho ser o meu mano preto que nunca tive; do paulo silva e da sua enooooorme maçã de adão; dos fogos de campo; dos jogos de pista; do cancioneiro; do blues à desgarrada - "quero-te loira, quero-te tanto, vem cá ó loura, acalm'ó meu pranto!" -; das passagens de ano; do alcides monteiro, senhor doutor da serra da estrela e o maior craque de ping-pong do mundo; do roberto sambé que era filho dum rei africano; da mizé que era bidalouca; do tattoo you dos stones; do don't need a gun do billy idol; do coming around again da carly simon....

bolas, são tantos nomes, tantas coisas, tantas crianças que nos marcam para vida: o marujo que gostava de adormecer com música do aldo nova; o manel que tinha cinco anos e jogava damas a esgalhar o pessegueiro; o toscano que tinha ar de intelectual; a mariana que era a minha menina - meu deus, a minha menina já deve ter 30 anos, ainda queres casar comigo? -; a carla que apesar de ter 12 anos já fumava um maço de tabaco por dia e logo sg gigante; a glória que tinha pinta de peixeira desengonçada e que era um doce; o toninho que achava que era maricas porque a sua mãe o educou a ser assim e que a meio da colónia soltou a franga, perdeu o medo de cobras ou de atravessar a ponte do linteiro - ou indiana jones como era conhecida - e começou a descobrir que afinal gostava de apalpar miúdas; são tantos, tantos, tantos, caneco!

da colónia - hino da colónia

somos crianças,
seremos homens no futuro amanhã,
estaremos juntos na conquista do amor,
porque teremos esta criança dentro de nós.

somos crianças,
qu'remos ser homens p'ra vincar a compreensão,
ser paciente e aprender esta canção,
ser um amigo na mais séria situação.

magnífico

recordo-me como se fosse hoje: eu estava a passar férias na terra da minha mãe e a minha vizinha sara estava numa coisa chamada "colónia de férias". fui visitá-la lá à tal colónia da upaje, um antigo hospital para tuberculosos. ela estava a preparar um turno que iria começar dali a dias. estava rodeada por papéis cenário, tintas, canas, coisas dessas.

adorei aquele ambiente, adorei aquele antigo hospital, adorei a camaradagem entre os monitores. eu tinha de fazer parte daquilo.

durante o ano que se seguiu tentei participar, sem sucesso - e sem cheta -, num curso de monitores que fosse ministrado pela associação. mais tarde vi oportunidade de trabalhar num atl ao mesmo tempo que decorriam os turnos das colónia de férias. inscrevi-me, fui aceite e fui então saber
em pormenor do que se tratava. não era bem estar com as crianças - o meu supremo objectivo - mas, juntamente com mais atl's (era o nome escolhido para designar as pessoas que iriam trabalhar ao abrigo dos acordos das actividades de tempos livres), fazer pequenos consertos e arrumações no velho edifício. fiquei desde logo alcunhado de magnífico. não de uma forma elogiosa, mas porque teriam de ser autênticos "magníficos" os voluntários que fariam o trabalho de sapa. tranquilo, mergulhei de cabeça na coisa. eu tinha era de estar lá dentro.

o encontro ficou marcado para as 7 da matina, ali na praça de espanha, em frente ao antigo teatro aberto.

antigamente marcavam-se muitos encontros em frente ao teatro aberto

minutos depois surgiu mais pessoal, depois uns pais com umas crianças e minutos depois, a camionete estava já a rolar em direcção a vila nova do ceira. estava no meio de 50 crianças e de cerca de uma dezena de monitores. estava ali, estava feliz, estávamos todos no mesmo barco.

nas primeiras noites ainda dormi em minha casa. duas ou três dormidas depois, não resisti ao convite e passei a dormir numa camarata com o resto da miudagem. aos poucos passei a acumular os tais trabalhos de magnífico - nem queiram saber: muitos toalheiros, crivos para duche, tomadas eléctricas eu montei, cadeiras partidas consertei, salas cheias de entulho eu limpei. porra! - com o trabalho de monitor de apoio - assim uma espécie de faz tudo, desde transportar comida para os acampamentos, até montar cenários para os serões, passando pelas fogueiras para os fogos de campo.

dias mais tarde ouvi a "ordem" que mais esperava:
- olha, a luísa está-se a passar com os miúdos. são crianças de 6/7 anos. aquilo está complicado. tu és menino para ficar a monitorizar o grupo dela?
- claro que sou!

e fui. e nunca me senti tão feliz a realizar um trabalho remunerado.

esse turno terminou. eu voltei para lisboa mas dias depois estava de volta. estava a acontecer outro turno. lá chegado avisei a directora da colónia, a lena, acho eu: estou aqui na terra em casa dos meus pais, quero vir para aqui ajudar, precisas de mim?

ela precisava e eu fiquei.

no final desse turno nova coisa boa. a directora (mizé?) do terceiro turno que por lá estava a preparar as coisas, veio ter comigo e disse-me:
- magnífico, estou à nora. tenho um monitor em falta para o terceiro turno. não consigo arranjar nada. tu és gajo para ficar com o grupo dos mais novos?
- se é esse o teu problema, posso então anunciar-te que ele acabou neste instante.

e eu nunca conseguirei descrever aqui, tudo o que de bom aquela colónia fez à minha vida. se eu gosto de crianças duma forma desmesurada, devo-o àqueles dias. se eu me pelo por um cumbíbio com o pessoal, fui seguramente acicatado naqueles tempos de monitor.

os anos passaram, eu continuei a visitar a colónia. era balsâmico estar com aquele pessoal. nunca mais fui monitor, mas fui magnífico para o resto da vida:
- ó pedro, ajudas a malta a montar a aparelhagem aqui para a festa do asterix?
- ó pedro, queres vir cá logo à noite para ajudar no fogo de campo?
- ó pedro, amanhã vamos ter um jogo de pista com umas canoas, és cabrão suficiente para te recusares a ajudar a malta?
- ó pedro estás cá de férias? olha então caguei para as tuas férias. hoje dormes cá porque tenho uma monitora doente. ficas com o grupo dela dois dias.
...

nunca fui escuteiro. quem foi sabe que quando se o é, é-se para toda a vida. eu também sinto o mesmo. quando se é monitor de colónia de férias uma vez, é-se monitor para o resto da vida. é isso que eu sinto.

porque há coisas que ficam entranhadas na pele e não saem mais: as canções que cantávamos, as cervejas que bebíamos, as miúdas que beijámos, os amigos que ficaram para a vida, as receitas de bailey's que aprendemos a fazer.... bolas tanta, tanta coisa.

se eu tivesse de escolher algo que tivesse mudado radicalmente a minha vida, não pensaria duas vezes, nem hesitaria. escolheria seguramente a colónia de férias. o nascimento da minha filha não mudou a minha vida, eu já me sentia "pai", já me sentia chamado a ser "pai" há muitos anos. desde o momento em que fiz a colónia de férias.

a tal manhã em que estive pontualmente junto ao teatro aberto lá na praça de espanha, aconteceu no dia 1 de julho de 1987. eu usava meias brancas e tinha óculos escuros à elvis costello.

faz amanhã 20 anos.

quinta-feira, junho 28, 2007

hoje à noite? olha que bela ikea!

esta noite estarei assim, a vaguear, com aquele ar de quem anda a pagar promessas, sob um tecto duma grande superfície comercial

ai como eu gosto de dizer "grande superfície comercial. reparem, nem é pequena nem é média, é grande. e não é industrial, é mesmo comercial. ui, adoro!

que maravilha. como eu gosto daquilo. assim, muita gente e tal. as mulheres que nos pisam, os miúdos que deitam garrafas ao chão, os homens que combinam encontros encostados às paletes de louça:

- então, ainda te falta muito?
- quer dizer, ela disse que eram só meia dúzia de pratos. mas parece que além da loiça já leva para ali mais não sei o quê. agora está de volta das molduras...
- olha, parece que a minha está a mudar de secção.
- vai lá, vai. boa sorte, então.

por isso se me virem por lá, dêem-me uma palmadinha nas costas, façam-me uma festinha na nuca e digam-me uma palavra bonita. porque meus amigos, para ali, só mesmo por amor.

a pergunta que eu faço é a seguinte:

- qual de vocês (monty, coast quiet*, heldinho, neves ou postman), é que vai pagar a próxima rodada?



quê? nem uma lágrimazinha? não há um pingo de saudade?
cabrões!

(ó neves, vê lá se vês o
teu amigo, o coxo, pá.)
(está alguém a cantar em silêncio, assim, para dentro: "partia-t'essa c#n* tod'olé, olé. partia-t'essa c#on£ tod'olé, olé....)
(heldinho, já podes, baixar a mão)
(* e não é que me estava a esquecer de ti? porra, como é que me fui esquecer do meu mano pijama)


'tás m'a dar baile, não?

a última coisa que eu esperava encontrar hoje, em frente ao meu local de trabalho, era um casal de turistas. velhotes, mapa na mão, vinham seguramente da estação dos combóios e embicaram para o lado errado.

chegam-se à minha beira e perguntam-me uma coisa estranha. ou melhor, não sei se era estranha mas parecia-me ser em lingua francesa. eu quero acreditar que o senhor me perguntou se a praia era para estes lados. eu, prudente até ao tutano, defendi-me retorquindo:
- tás m'a dar baile, não?
pelos vistos não estava.

riram-se muito. ambos.

lá apontaram para o pedaço azul no mapa. como quis acreditar que não queriam ir para o bugio ou para as berlengas, lá lhes apontei o caminho para a praia da poça. agradeceram a ajuda e a velhota deu-me um bacalhau. não tinham sandálias e não usavam meias. acabei por gostar deles.

odeio a língua francesa. odeio porque não a conheço. nunca tive na escola. não gosto da sua sonoridade. não sou capaz de dizer muitas coisas em francês. sei contar se for de seguida. salteado já não sei. se me perguntarem como se diz seis, tenho de contar de um até seis e mesmo assim, tenho a certeza que pronunciarei mal a palavra. acho que a única coisa francesa que digo com agrado é, talvez, jacques laffite. e sinto na espinha um mal estar permanente, quando ouço as palavras: platini, giresse, prost, pironi, tigana, batts, rocheteau, stopyra, battiston, tambay, arnoux, etc. vocês percebem isto, não percebem?

um dia a minha mulher levou-me a paris para me exorcizar esta malapata que tenho com a frança em geral - quem assitiu aqueles 3-2 de 1984, em marselha sabe do que estou a falar. tudo bem, limpei um bocadinho a alma. quem é que não limpa depois de passar 3 horas na gare d'orsay? quem é que não acha piada aquelas coisas que o garnier desenhou para as pessoas irem ouvir cantar ópera, quem é que não fica feliz depois de estar uns minutos sentado num sofá, dentro duma casa le corbusier? ninguém né?

ainda assim, a língua arrepia-me.

em paris, na casa onde dormia, falava-se português, mas isso não vale. na rua, era a minha mulher que sempre falava.
no espaço duma semana, nunca estive tanto tempo calado:
- ó môor, diz aí ao gajo para me trazer água.
- olha, diz à senhora que isto precisa de sal.
- pede lá a conta aos senhores.
- não te chibes aos gajos que roubei este livro.
etc..

é por isso que no meio daqueles milhões de pessoas que falavam francês, é no meio daquele inferno que ali, nas redondezas do hôtel de ville, mais coisa menos coisa dadonde o doisneau captou o chocho do casalinho, estou a entrar numa pastelaria e dou passagem a um chavalo:
- passa, companheiro, passa!
- oi?
- oi?
- ocês são dji portugau?
- claro!
- qui maravilha. muito prazer.
- como é que te chamas?
- carlito.

nem queiram saber a alegria que me deu ouvir aquele português dos trópicos no meio daquele frio parisiense. inté fiquei com vontade de lhe dar um abraço. e dei!

quarta-feira, junho 27, 2007

ambas têm p no nome, não é...

...um gajo às tantas confunde-se, bolas!

e a cena do negrão na rádio, lá com as confusões com a epul, a empresa das águas, o ippar e tal?

espectáculo!

sub 10 - son tus perjúmenes mujer



ou músicas que se ouviam lá em casa antes de eu chegar aos 10 anos. da nicarágua, carlos mejía godoy - son tus perjúmenes.

Son tus perjúmenes mujer los que me sulibeyan
los que me sulibeyan son tus perjumenes mujer.

Tus ojos son de colibrí ¡ay! cómo me aleteyan
¡ay! cómo me aleteyan tus ojos son de colibrí.

Son tus perjúmenes mujer los que me sulibeyan
los que me sulibeyan son tus perjumenes mujer.

Tus labios pétalos de flor cómo me soripeyan
cómo me soripeyan tus labios pétalos de flor.

Son tus perjúmenes mujer los que me sulibeyan
los que me sulibeyan son tus perjumenes mujer.

Tus pechos cántaros de miel cómo reverbereyan
cómo reverbereyan tus pechos cántaros de miel.

Son tus perjúmenes mujer los que me sulibeyan
los que me sulibeyan son tus perjumenes mujer.

Tu cuerpo chúcaro mi bien ¡ay! cómo me almareya
¡ay! cómo me almareya tu cuerpo chúcaro mi bien.

Son tus perjúmenes mujer los que me sulibeyan
los que me sulibeyan son tus perjumenes mujer.

um beijinho para a minha mãe que é das poucas pessoas no mundo que ainda me acompanha a cantar estas coisas.

coisas que infelizmente a m80 não toca: heaven


coisas que infelizmente a m80 não toca: perfect circle


terça-feira, junho 26, 2007

recycle bin

eu não percebo: não há um único dia em que não apareça uma notícia com um geota, um quercus, um verde ou uma dessas coisas a reclamar que devemos reciclar o papel, as latas, os plásticos, o jantar de ontem e até a namorada da escola primária.

mas não os vejo revoltados contra os quilómetros de etiquetas utilizados pela indústria de confecções.

entrem numa zara qualquer, peguem numas cuecas, nuns slips ou num polo. e agora vejam bem a quantidade de tecido gasto em etiquetas.

gaita, pá! até os cintos têm etiquetas de pano, porra!

coisas que infelizmente a m80 não toca: spandau ballet - musclebound


coisas que infelizmente a m80 não toca: imagem pública, lda.


coisas que infelizmente a m80 não toca: amor & foquetes


já lhe chamou..

...urso e já lhe chamou cocó. ontem, quando, sem querer, me deu um encontrão nos tomates, foi-se queixar à mãe em tom de gozo:

- ó mãe, bati na xandoquinha do pai!

alguém sabe onde se meteram...


...os rebobinadores de cassetes de vídeo que andavam lá por casa? é que nunca mais ninguém os viu, pá!